Prefeitáveis de SJB avaliam pesquisa a 10 meses da urna

 

Carla Caputi, Elísio Rodrigues, Bruno Dauaire, Danilo Barreto, Carla Machado, Rodrigo Bacellar e Wladimir Garotinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Carla Caputi

“Agradeço a confiança dos meus amados irmãos sanjoanenses. Esses resultados mostram que nossa missão de transformar para melhor a vida das pessoas está no caminho certo. Mas ainda temos muito o que fazer. Vamos continuar avançando cada vez mais para honrar a confiança do nosso povo”. Foi o que disse a prefeita de São João da Barra, Carla Caputi (sem partido), da pesquisa Iguape à eleição municipal de 2024. Feita entre 21 e 23 de outubro, foi divulgada (confira aqui) na segunda (6) pelo blog Opiniões. E deu à prefeita de SJB favoritismo ainda maior do que o mesmo Iguape já tinha dado em julho (relembre aqui) à reeleição de Wladimir Garotinho (PP) em Campos.

 

Elísio Rodrigues

“Você não pode questionar números de pesquisas. Até por conta do tempo em que o governo ficou parado com Carla Machado, tem muita coisa agora acontecendo. E a oposição está travada desde a morte do nosso colega vereador Franquis Arêas. Só quem tem visibilidade é a prefeita. A gente entende que ela está bem avaliada, vê isso na rua, mas não nesse número todo da pesquisa. Quando a campanha começar, diminui essa diferença”, apostou o edil de oposição Elísio Rodrigues (PL). Que, atrás de Caputi cerca de 40 pontos na consulta espontânea e 65 pontos na estimulada, aparece em 2º lugar em todos os cenários a prefeito.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Bruno Dauaire

“Agradeço aos sanjoanenses a lembrança do meu nome, mas não sou pré-candidato a prefeito. Dedico meu tempo a exercer a função de secretário estadual de Habitação nos 92 municípios do RJ, para diminuir o déficit habitacional”, disse o deputado estadual licenciado Bruno Dauaire (União). Aliado de Wladimir, ele ficou na pesquisa Iguape em 3º lugar a prefeito de SJB. Seu pai, Betinho Dauaire (hoje, Podemos), governou o município em dois mandatos consecutivos, de 1997 a 2004. Até Carla Machado (hoje, PT) abrir sua série de quatro mandatos, entremeados pelo de Neco (hoje, PRTB), eleito em 2012 com apoio da ex-prefeita.

 

Danilo Barreto

Candidato a vereador mais votado na sede de SJB em 2020, quando não se elegeu, o jovem administrador público Danilo Barreto (Patriotas, em conversa com o PSD) não foi listado na pesquisa Iguape a prefeito. Mas também a analisou: “Com o momento delicado que vive a oposição, é natural que esteja bem uma prefeita que pegou uma cidade abandonada e cheia de dinheiro. Tenho repetido que São João merece muito mais que as obras nos espaços que Carla Machado abandonou. Meu nome, por exemplo, não foi testado. Estou organizando minha vida partidária e o partido pode decidir colocar meu nome disponível à população”.

 

Tabuleiro de SJB e Campos

A prefeita tem hoje grande vantagem à urna de 6 de outubro de 2024. Mas, até lá, são mais de 10 meses. Elísio foi prejudicado pela aliança do ex-padrinho Rodrigo Bacellar (União) com Carla Machado. Que o presidente da Alerj, sem outro nome competitivo, quer fazer (confira aqui) candidata a prefeita de Campos. Nem que seja só para ganhar tempo contra o opositor Wladimir. Pois toda a jurisprudência atual do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) diz que (confira aqui) a ex-prefeita de SJB reeleita em 2020 está inelegível na vizinha Campos em 2024. Bruno deixa claro que não vai se aventurar. Danilo teria chance real a vereador. A ver.

 

(Arte: IFF)

 

Década das Letras do IFF (I)

Uma conquista às ciências humanas de Campos e região, os 10 anos do curso de Letras do IFF estão sendo celebrados neste mês de novembro. A programação foi iniciada ontem (confira aqui) e segue em dias alternados até o próximo dia 30, iniciada e encerrada no auditório Miguel Ramalho. No início da noite de ontem, coube ao professor José Carlos de Azeredo, da Uerj, a palestra de abertura. Com o tema “A articulação texto/gramática: reflexões, mitos e controvérsias”. Depois, houve os lançamentos da exposição comemorativa “Se não me falha a memória…” e da chamada à publicação comemorativa de textos literários “Caminhos das Letras”.

 

Década das Letras do IFF (II)

A partir das 18h da segunda-feira de 11 de novembro, a programação será retomada no auditório Cristina Bastos. Onde, com objetivo de contar a própria história, será realizada a mesa-redonda retrospectiva “Turma pioneira: fatos e feitos dos primeiros alunos da Licenciatura em Letras do IFF”. Às 18h da quarta de 29 de novembro, o evento voltará ao auditório Miguel Ramalho. Que será palco à palestra “Partilhar a língua: apontamentos sobre a literatura brasileira contemporânea”, da professora Stefania Chiarelli, da UFF-Niterói.

 

Década das Letras do IFF (III)

A programação dos 10 anos do curso de Letras no IFF só será fechada na quinta de 30 de novembro. Sempre a partir das 18h, o auditório Miguel Ramalho receberá a mesa de encerramento “Essa história é só o começo: Apontamentos e desafios para o profissional de Letras 10 anos depois”. Que será composta pelas professoras Vania Cristina Alexandrino Bernardo, Edinalda Maria Almeida da Silva, Hélvia Pereira Pinto Bastos e Helia Coelho Mello. Depois, serão prestadas homenagens aos professores do 1º semestre de 2013 da Licenciatura em Letras, aos professores aposentados do curso e (in memoriam) à professora Rita Maia.

 

Publicado hoje da Folha da Manhã.

 

Futebol, Brasil, RJ e Macaé no Folha no Ar desta quarta

 

 

Diretor de Bancos Federais da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Fetraf-RJ), presidente do Macaé Futebol Clube, ex-vereador e ex-vice-prefeito de Macaé, Danilo Funke (PSD) é o entrevistado do Folha no Ar desta quarta (8), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará da inédita conquista da Libertadores da América pelo Fluminense no sábado (4), e de Botafogo, Flamengo e Vasco nesta reta final do Brasileirão.

Funke também analisará o Brasil de Jair Bolsonaro (PL) a Lula 3 (PT) e o governo Cláudio Castro (PL) no RJ. Por fim avaliará o governo Welberth Rezende (Cidadania, confira aqui) em Macaé, e tentará projetar as eleições a prefeito e vereador no município, em 6 de outubro de 2024, a pouco mais de 10 meses.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Curso de Letras do IFF escreve 10 anos do dia 7 ao 30

 

(Arte: IFF)

 

Uma conquista às ciências humanas de Campos e região, os 10 anos do Curso de Letras do IFF serão celebrados neste mês de novembro. A programação vai desta terça (7) à quinta do próximo dia 30, quando será respectivamente aberta e encerrada no auditório Miguel Ramalho.

José Carlos de Azeredo, professor da Uerj

“A articulação texto/gramática: reflexões, mitos e controvérsias” será o tema da palestra de abertura, do Prof. Dr. José Carlos de Azeredo, da Uerj. Terá início às 18h desta terça, no auditório Miguel Ramalho. Depois, haverá os lançamentos da exposição comemorativa “Se não me falha a memória…” e da chamada para publicação comemorativa de textos literários “Caminhos das Letras”.

A programação segue em dias diferentes das semanas seguintes. Na segunda de 11 de novembro, no auditório Cristina Bastos e também a partir das 18h, será realizada a mesa-redonda retrospectiva “Turma pioneira: fatos e feitos dos primeiros alunos da Licenciatura em Letras do IFF”.

Stefania Chiarelli, professora da UFF-Niterói

Na quarta de 29 de novembro, o evento voltará ao auditório Miguel Ramalho. Que, a partir das 18h, será palco à palestra “Partilhar a língua: apontamentos sobre a literatura brasileira contemporânea”, da Profa. Dra. Stefania Chiarelli, da UFF-Niterói.

A programação pelo aniversário de 10 anos do Curso de Letras no IFF só se fecha na quinta seguinte, em 30 de novembro. Sempre a partir das 18h, será a vez do auditório Miguel Ramalho receber a mesa de encerramento “Essa história é só o começo: Apontamentos e desafios para o profissional de Letras 10 anos depois”. Que será composta pela Profa. Dra. Vania Cristina Alexandrino Bernardo, pela Profa. Ma. Edinalda Maria Almeida da Silva, pela Profa. Dra. Hélvia Pereira Pinto Bastos e pela Profa. Dra. Helia Coelho Mello.

Após a mesa de encerramento, serão prestadas homenagens aos professores do primeiro semestre de 2013 da Licenciatura em Letras, aos professores aposentados da Licenciatura em Letras e à Professora Rita Maia. A programação do último dia de novembro será encerrada com uma confraternização entre os presentes, marcada para só acabar às 22h.

 

Petrobras, Campos e Macaé no Folha no Ar desta terça

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Petroleiro e presidente do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra é o convidado do Folha no Ar desta terça (7), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre o Brasil, a Petrobras e a Bacia de Campos entre os governos Jair Bolsonaro (PL) e Lula 3 (PT).

Tezeu também analisará os governos Wladimir Garotinho (PP) em Campos e Welberth Rezende (Cidadania), em Macaé. E tentará projetar as eleições a prefeito e vereador, assim como a participação do PT, nos dois municípios polo do Norte Fluminense.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Caputi é mais favorita em SJB do que Wladimir em Campos

 

Números da prefeita Carla Caputi na pesquisa Iguape de SJB foram ainda melhores que os do prefeito Wladimir Garotinho pelo Iguape de julho em Campos, contra quem a ex-prefeita Carla Machado deseja concorrer em 2024 (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Se Wladimir Garotinho (PP) é favorito em todas as pesquisas à reeleição como prefeito de Campos (confira aqui) em 6 de outubro de 2024, daqui a exatos 11 meses, os números de avaliação de governo e intenções de voto em São João da Barra mostram que a prefeita Carla Caputi (sem partido) é hoje ainda mais favorita a também se reeleger. Segundo pesquisa Iguape feita com 630 sanjoanenses entre 21 e 23 de outubro, Caputi tem hoje 44,6% de intenções de voto consolidadas na consulta espontânea, onde o eleitor responde da própria cabeça em quem votará. Nos três cenários de consulta estimulada, com a apresentação dos nomes dos possíveis candidatos, a prefeita de SJB amplia a liderança, oscilando entre 72,2% e 72,9% das intenções de voto.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

ELÍSIO E BRUNO — O vereador de oposição Elísio Rodrigues (PL) aparece como segundo colocado em SJB. Na consulta espontânea, ele teve 41,6 pontos a menos que Caputi, com 3,0% das intenções de voto. E veio seguido do deputado estadual Bruno Dauaire, com 1,4%; e do comerciante Alan da Traíra e da deputada estadual Carla Machado (PT), cada um com 0,2%. Nos cenários estimulados, Elísio confirma a segunda colocação sempre que aparece. No primeiro, ele vem abaixo dos 72,2% da prefeita, com 6,8% das intenções de voto, e outros 4,8% a Bruno Dauaire. No segundo cenário, Caputi sobe a 72,9%, como Elísio a 7,6%. Sem este no terceiro cenário, a prefeita manteve os 72,9% de intenções de voto, com 6,7% a Bruno.

APROVAÇÃO DE GOVERNO E REJEIÇÃO — As intenções de voto de Caputi refletem a aprovação ao seu governo e a medição do índice negativo da rejeição dos possíveis candidatos a prefeito. A administração de SJB é hoje aprovada por 86% da população, divididos entre os 27,6% de ótimo, os 46,3% de bom e 12,1% de regular positivo. Outros 11% desaprovam a gestão, divididos entre os 4,8% de regular negativo, os 3,5% de ruim e os 2,7% de péssimo; com 3,0% que não souberam opinar. Além da aprovação, a prefeita também é menos rejeitada que seus potenciais adversários. Quando perguntado em quem o sanjoanense não votaria a prefeito, Bruno liderou com 34,4%. Foi seguido de perto de Elísio, com 30,8%; e de longe por Caputi, com apenas 6,5% de rejeição.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

MACHADO E CAPUTI — Embora tenha sido citada com 0,2% na pesquisa espontânea a prefeita de SJB, cargo que já ocupou quatro vezes, renunciando em abril de 2022 para passar o cargo a Caputi e se eleger deputada estadual em outubro daquele, Carla Machado hoje cogita ser candidata a prefeita em Campos, município ao qual mudou seu domicílio eleitoral. Com jurisprudência no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contrária à possibilidade de se candidatar três vezes seguidas a prefeito em municípios limítrofes, a maioria dos juristas (confira aqui) acha inviável, embora alguns apostam em revisão legal da figura do “prefeito itinerante”. Certo, até aqui, é que Machado se mantém aliada de Caputi. Foi a ex-prefeita quem primeiro divulgou em live nas redes sociais, na noite de sábado (4), alguns números da pesquisa Iguape em SJB.

WLADIMIR X CAPUTI NO IGUAPE — Contratada pelo grupo político dos Bacellar, opositor a Wladimir e que hoje articula a possibilidade de Machado concorrer a prefeita de Campos, o mesmo instituto Iguape fez pesquisa em 10 de julho no município. Ouviu 1.001 campistas e deu (compare aqui) a Wladimir 74,7% de aprovação de governo (11,3 pontos a menos que Caputi em outubro), 27,8% de intenções de voto na consulta espontânea (16,8 pontos a menos), entre 55,4% e 55,7% em três cenários estimulados (cerca de 17 pontos a menos), e 12,1% de rejeição (5,6 pontos a mais que a prefeita de SJB). Pelas duas pesquisas do mesmo instituto, os dois prefeitos são favoritos à reeleição em 2022. Mas o favoritismo de Caputi, hoje, é ainda maior.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE

ANÁLISE DO ESPECIALISTA — “Os números da Iguape mostram que, se a eleição de SJB acontecesse entre 21 e 23 de outubro de 2023, a menos de um ano das urnas de 6 de outubro de 2024, a prefeita Carla Caputi seria reeleita com, pelo menos, 72,2% dos votos. Isso sem considerar os votos válidos, aqueles contabilizados pelo TSE. Entretanto, com a máquina na mão, elevada aprovação, baixa rejeição e intenção de voto altamente consolidada, Caputi é a grande favorita do pleito do próximo ano. Por isso, os números também indicam possível viés de alta na intenção de voto da prefeita até 6 de outubro de 2024, o que pode significar reeleição com mais de 72,2% dos votos válidos na urna”, projetou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE.

 

Final da Libertadores — O Fluminense também é o time da favela

 

Morro Azul, comunidade das Laranjeiras

 

O Fluminense também é o time da favela

(Aos tricolores Aluysio, Christiano e Vitória Barbosa)

 

— E no sábado, será que dá para o Fluminense contra o Boca Juniors, no Maracanã? — meteu de três dedos Jorge, antes de molhar a palavra com o gole de cerveja gelada na mesa do boteco.

— A julgar pela razão, o Boca é o favorito. Se vencer, se igualará ao também argentino Independiente, como maior vencedor da Libertadores — tocou de volta Aníbal e correu para receber pela garganta um gole farto de cerveja.

— Sim, se o Boca vencer, terá sete títulos, como o Independiente. Enquanto o Fluminense briga para levar a Libertadores pela primeira vez.

— Em 2008, o Fluminense bateu na trave contra a LDU de Quito. Foi no mesmo Maracanã. Perdeu na disputa de pênaltis, após ganhar o jogo de volta por 3 a 1 e igualar a derrota de 4 a 2 que sofreu no jogo de ida no Equador. Naquela época, a final do futebol de clubes da América do Sul ainda era disputada em dois jogos.

— Sim, deixou de ser em 2019, quando o seu Flamengo suou na final de um jogo só, mas ganhou sua segunda Libertadores em cima do River Plate.

— Pois é. E se o “filho” conseguiu contra o River, completaria o ciclo de tragédia grega se o “pai” também conseguisse contra o Boca.

— Sim, o Flamengo veio do Fluminense.

— Mais ou menos. Por mais que hoje pareça estranho a quem pensa que o mundo nasceu no século 21, naquela virada do 19 ao 20, as regatas competiam com o futebol como esporte mais popular. O Clube de Regatas do Flamengo foi fundado em 1895. É anterior ao Fluminense Football Club, fundado só em 1902. O futebol do Flamengo é que foi fundado por jogadores do Fluminense que brigaram e saíram do clube das Laranjeiras em 1911.

— Sim, daí o “pai” e o “filho”. Que, segundo a tragédia grega, está destinado a crescer, desafiar o pai e derrotá-lo para tomar o seu lugar.

— Na dramaturgia brasileira, ninguém dialogou mais com a tragédia grega do que o tricolor Nelson Rodrigues. Ele meio que juntou a Tebas de Édipo e Laio com a periferia carioca de Arandir e Aprígio. Gostava do épico no futebol. E dizia: “O Fla-Flu surgiu quarenta minutos antes do nada!”

— Pois é. Nessa grande rivalidade local e na oposição do que os dois clubes representam, o River é também conhecido como Los Millonarios. Está para o popular Boca como o elitista Fluminense está para o Flamengo. Que é o “Time da Favela”.

— É a coisa que mais me orgulha em ser Flamengo, sabe? Ser o time da favela. E é por isso que eu vou torcer para o Fluminense no sábado.

— Você vai torcer para o Fluminense? Em primeiro lugar, duvido. Em segundo, não entendi o que a favela tem a ver com as Laranjeiras.

— Jorge, eu torço até para o seu Botafogo ser campeão brasileiro. Primeiro, porque será merecido a um clube que já deu Mané Garrincha, Heleno de Freitas e Nilton Santos ao futebol. Segundo, para vocês finalmente saírem da fila do Brasileirão. Falo, lógico, da série A. Que vocês não ganham desde 1995. Foi com Túlio Maravilha, Donizete Pantera e o xerifão Wilson Gottardo. Faz 28 anos. Consegue ser mais tempo do que os 21 anos, 24 em 2026, que o Brasil não ganha de uma seleção europeia em jogo eliminatório de Copa do Mundo.

— Rá-rá-rá. Você está tentando me provocar para driblar o assunto: o que a favela tem a ver com o elitismo pretenso do Fluminense?

— Em primeiro lugar, você ignora que as Laranjeiras também têm a sua favela. Na verdade, têm duas, as comunidades Júlio Otoni e Morro Azul. Esta, aliás, se espalha justamente entre as Laranjeiras e os bairros do Flamengo e Botafogo. Onde o Botafogo tem o seu único mundial. É o Supermercado Mundial, que fica na Voluntários da Pátria — entrou de sola Aníbal, tabelando com uma gargalhada, com a qual quase engasgou a cerveja.

— Nós temos três Mundiais. Ganhamos a Pequena Taça do Mundo, em 1967, meia oito e 1970. Era disputada em Caracas, na Venezuela, e contava com grandes clubes da Europa e da América do Sul. E vocês consideram a Copa Toyotão de 1981, contra uns ingleses bêbados, como Mundial.

— Não somos nós. Quem considera é a Fifa. E ganhamos de 3 a 0 em ritmo de treino contra o mesmo time do Liverpool que tinha levantado três Champions da Europa. Como levaria outra. É a mesma Fifa que também considera esses torneios da Venezuela como a “democracia” que só os petistas enxergam existir na ditadura de Nicolás Maduro.

— Sei. E você ainda não disse o que o time da favela tem a ver com torcer pelo Fluminense na final da Libertadores contra o Boca. Clube que é batizado com o nome do bairro portuário e popular de Buenos Aires, onde fica sua mitológica sede, La Bombonera.

O menino da favela Alexsander e sua torcida tricolor

— Você leu o testemunho do menino Alexsander, primeiro volante do Fluminense, sobre a final contra o Boca?

— Rapaz, não vi não.

— Vou te mandar o link pelo WhatsApp. Leia! Sobretudo esse trecho, deixe eu ver aqui… — disse, enquanto buscava o texto no smartphone — …“ Irmão, tu sabe o que é abraço de alívio? Não? Então deixa eu te contar, porque eu conheço essa parada de trás pra frente e de cima pra baixo. Vamos dizer que abraço de alívio é como a bola, a chuteira, o Maracanã e a camisa do Fluminense. Faz parte da minha caminhada no futebol. Assim, eu sou da comunidade da Primavera, em Cavalcanti, zona norte do Rio. Nasci e fui criado no alto do morro, bem no alto mesmo. E comunidade não tem esse nome à toa. Ali todo mundo se conhece, se ajuda como dá, torce um pelo outro, ri junto nas conquistas e chora junto nos tombos”.

— Muito maneiro!

— E como ele termina? “E agora nós estamos na final da Libertadores. Eu sei bem o tamanho dessa parada. Mas aprendi a pensar jogo a jogo. Porque desde o começo foi o que o Diniz repetiu pra gente: no futebol, nós temos de viver, da melhor forma possível, o presente. Não interessa se fomos bem na última partida, não interessa se perdemos, se goleamos, não interessa se estamos desfalcados ou quem vai jogar no próximo fim de semana. Passou, esquece tudo isso. É o aqui e agora que conta”.

— É, rapá, até eu estou achando que vou torcer para o Fluminense.

— Poucas vezes vi uma história de vida tão “flamenguista”, tão “mulamba”, tão “da favela”, quanto a de Alexsander. O Flamengo conseguiu contra o River. Está na hora do “pai” fazer o mesmo contra o Boca. Contra o medo, coragem. Pra cima deles, Fluzão! — desejou Aníbal, enquanto tentava ler a sorte tricolor na espuma de cerveja do copo quase vazio.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Lucas Barbosa — “Assassinos da Lua das Flores”

 

Lily Gladstone, Leonardo DiCaprio e Robert De Niro estrelam “Assassinos da Lua das Flores”, novo filme de Martin Scorsese segue em cartaz em Campos

 

Lucas Barbosa, estudante de Letras do IFF e crítico de cinema

Por Lucas Barbosa

 

Em “Assassinos da Lua das Flores”, apesar da duração de épico e das caraterísticas grandiosas do cinema de Scorsese, temos o contato com o drama humano interior. A relação dos personagens é a coisa mais importante, com a direção de Scorsese indo nesse caminho mais clássico em uma história focada do ponto de vista desumano do homem branco e sua natureza gananciosa. Impedir alguém de se matar para lucrar com isso, casamentos envolvidos em fetiche desumanizado e planos para tomar bens, o retrato aqui é bem preciso e violento por si só.

A cena que mostra um marido matando sua esposa, colocando a arma em sua mão e entrando em casa como se nada tivesse acontecido, é, para mim, a coisa mais pesada do cinema dos últimos anos. Um retrato da desumanização de forma bastante crua. Esse acontecimento ainda é tratado como um “suicídio”… Pesado e real em medidas igualmente assustadoras.

Já vi a problemática de se é certo o Scorsese fazer esse filme, no lugar de alguém com “lugar de fala”. Sem entrar no mérito se isso é certo ou não, acho importante frisar que o bom artista consegue se conectar com visões de mundo que não são a sua própria. Por isso, querer bancar o progressista de Twitter não cola nesses casos.

Scorsese tem plena consciência dessa possível problemática, então assume — inclusive com o final tornando isso muito evidente — seu papel que tenta se conectar, mas que se reconhece como distanciado. O que ele faz na maior parte do tempo é trabalhar os personagens de DiCaprio e De Niro como seres humanos desprezíveis, mas ainda assim seres humanos. Ele não precisa jogar na nossa cara e verbalizar como as ações desses personagens são imorais, as violências simbólicas e físicas já fazem isso.

Ademais, não é como se o Scorsese não tivesse feito antes filmes de protagonistas moralmente questionáveis — para dizer o mínimo. Toda sequência final com a cena do DiCaprio no tribunal, com a câmera sem sair de sua cara, mostra como, mesmo depois de humaniza-lo, Scorsese não o inocenta de seus crimes.

Ele tem tanta noção do peso disso, que as cenas de violência são muito mais impactantes do que de costume. Mesmo que não seja a mesma violência de um “Taxi Driver” (1976), dá para dizer que se trata do mais violento de Scorsese. As cenas são viscerais, brutas, vindas até com certo caráter abrupto. Não é a mesma violência estilizada e de valor de entretenimento como em “Os Bons Companheiros” (1990), mesmo na parte final que lembra mais os filmes de máfia do diretor.

Por falar nisso, em determinado momento fica evidente essa mudança de abordagem do meio para o final. A partir do momento em que o FBI é introduzido, com o personagem de Jesse Plemons sendo a encarnação disso, o filme assume uma cara bem mais próxima de outros trabalhos de Scorsese. Se assume como um longa de crime mais tradicional, sem fazer com que essa divisão destoe do resto. Mesmo que não seja o foco, a presença do FBI no final acaba por ser a punição finalmente chegando, mesmo que ela não dure, como fica explicito na última cena.

Outro elogio que me vem à mente é o caráter documental que em muito agrega a essa ideia de filme denuncia as atrocidades do opressor. Um tom que vem de estilizações que emulam o cinema dos anos 1920 como se fosse imagens de arquivo, memórias impressas. Sem falar que com isso ele contextualiza o período histórico de forma muito inteligente, mas mais ainda sintetiza o tema o filme. Um retrato de atrocidades, um filme denúncia que aponta o dedo para si próprio: algo muito maduro que falta muito em filmes e em pessoas hoje em dia. Ele torna as barreiras de realidade e ficção bem mais frágeis, e faz isso se aproveitando de algo puramente formal, além de acentuar seu distanciamento, sua consciência de que ele não é parte da história.

Mesmo que tenhamos De Niro, DiCaprio e Plemons — todos ótimos—, quem verdadeiramente brilha é Lily Gladstone, que já vinha de trabalhos fantásticos com a Kelly Reichardt e que aqui ganha contornos quase de protagonismo. Ela personifica o lado que sofreu, perdendo todos os membros possíveis de sua família, com a fotografia em determinados momentos, como na cena da igreja, a contornando como um ser de luz. Em certo sentido, o filme não deixa de ser o seu martírio, representando em uma única personagem todos os crimes cometidos contra os Osage, e sua última cena com DiCaprio é o momento que mais explicita o quanto ela sofreu de todas as formas possíveis. Uma personagem perdida entre duas culturas, duas línguas, que no fim presencia uma destruindo a outra.

O último plano do filme é um zoom out dos Osage dançando, que se revela como uma grande flor. Mesmo com todos os esforços do homem branco, a lua das flores se mantém viva. Existir é um ato de resistência, e Scorsese faz isso de forma verdadeiramente convincente. Não é piegas, mas sim honesto e genuíno. Não é panfletário, ou uma frase vazia, é imagem, uma imagem forte e que fica mesmo depois do fim dos créditos.

Obs: não consegui incluir no texto de forma orgânica então fica como observação: eu amei a trilha sonora do filme.

 

Bola de Ouro de Messi entre o que há de objetivo e lúdico

 

 

 

Bola de Ouro de Messi

O argentino Lionel Messi ganhou na segunda-feira (30) sua oitava Bola de Ouro. Com exceção de 2020, por conta da pandemia da Covid, o prêmio é entregue anualmente pela revista France Football, desde 1956. De lá a 1994, apenas europeus concorriam. Numa revisão de 2015, foram atribuídas sete Bolas de Ouro a Pelé (1958, 1959, 1960, 1961, 1963, 1964 e 1970), uma a Garrincha (1962) e uma a Romário (1994). Como outras três a argentinos: uma a Mario Kempes (1978) e duas a Diego Maradona (1986 e 1990). Cujo aniversário de vida foi lembrado por Messi na segunda, ao se isolar como maior vencedor da Bola de Ouro na história do futebol.

 

O passado e os brasileiros

Além de 2023, Messi já havia levado a Bola de Ouro em 2009, 2010, 2011, 2012, 2015, 2019 e 2021. Atrás dele, o português Cristiano Ronaldo tem cinco Bolas de Ouro: 2008, 2013, 2014, 2016 e 2017. Quando o prêmio ainda era restrito à Europa, três jogadores o conquistaram três vezes: os holandeses Johan Cruyff (1971, 1973 e 1974) e Marco Van Basten (1988, 1989 e 1992), e o francês Michel Platini (1983, 1984 e 1985). De 1995 para cá, quando a disputa se internacionalizou, o brasileiro Ronaldo Fenômeno ganhou duas Bolas de Ouro: 1997 e 2002. Além dele, o Brasil levou com Rivaldo, em 1999; Ronaldinho Gaúcho, em 2005; e Kaká, em 2007.

 

Escrita de 21 anos do Brasil

Mais conceituado do que o prêmio de Melhor Jogador do Mundo da Fifa, que passou a ser entregue anualmente só a partir de 1991, a Bola de Ouro da France Football chegou a se fundir com ele entre 2010 e 2015. Os dois voltariam a ser entregues separadamente a partir de 2016. O último brasileiro a merecê-los foi Kaká, levando ambos em 2007. Em outras palavras, há 16 anos nenhum jogador do dito “melhor futebol do mundo” é eleito o melhor do mundo. Como, coletivamente, o Brasil não ganha de uma seleção europeia em jogo eliminatório de Copa do Mundo há 21 anos. Desde a final de 2002, quando foi pentacampeão nos 2 a 0 sobre a Alemanha.

 

Sexto lugar na Bola de Ouro, o brasileiro Vinícius Júnior recebeu o Prêmio Sócrates por sua luta contra o racismo

Racismo e 6º lugar na bola

Por que o Brasil se impôs à Europa, há mais de duas décadas, para conquistar pela última vez o Mundial? Porque foi a última em que teve ao seu dispor quatro jogadores eleitos como melhor do mundo: Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho e Kaká. Não há coincidência na importância do brilho individual à conquista coletiva. Na oitava Bola de Ouro entregue a Messi na segunda, o brasileiro mais bem colocado ficou em 6º lugar: o atacante Vini Jr, do Real Madrid. Ele levou o Prêmio Sócrates (batizado em homenagem a um dos craques do inesquecível Brasil de 1982), por sua luta contra o racismo. Que é mais importante que o futebol, mas não bota bola na rede.

 

Segundo lugar na Bola de Ouro, o norueguês Erling Haaland levou o Prêmio Gerd Müller como maior artilheiro do futebol mundial

Haaland e Bellingham, jovens à vista

Em bola na rede, ninguém brilhou mais na temporada 2022/2023 do que o atacante norueguês Erling Haaland. Entre sua seleção e o clube inglês Manchester City, pelo qual foi campeão e artilheiro da Premier League e da Champions, fez 56 gols em 57 jogos. Que lhe valeram o Prêmio Gerd Müller. Com 23 anos, é o nome do futuro. Assim como o meia Jude Bellingham, 20 anos, vencedor do Prêmio Kopa de melhor jogador sub-21. Pelo que fez como revelação da Inglaterra na Copa do Mundo de 2022 e no clube alemão Borussia Dortmund. Nem contou seu fulgurante início de temporada 2023/2024 no Real Madrid, onde ostenta 13 gols em 13 jogos.

 

Mbappé repetiu dilema de CR7

Embora também ainda jovem, aos 24 anos, o atacante francês Kylian Mbappé não é mais só uma promessa. Desde o gol que marcou na decisão da Copa do Mundo de 2018, para selar a vitória de 4 a 2 da França sobre a Croácia. E, com 19 anos, ser o jogador mais jovem, depois do Pelé de 17 anos em 1958, a marcar numa final de Mundial. Quatro anos depois, já para a Bola de Ouro em que acabaria no 3º lugar, Mbappé saiu da Copa do Mundo de 2022 como artilheiro, com oito gols. Incluídos os três que marcou na final contra a Argentina. Seu único problema, como foi o de Cristiano Ronaldo em toda a carreira, é que tinha Messi do outro lado.

 

O bolo da cereja

Se a França tivesse vencido no Qatar, não importariam quantos gols Haaland pudesse ter feito, a Bola de Ouro seria de Mbappé. Mas, como se sabe, Messi marcou sete gols no Mundial, dois deles na final. Para, com toda a justiça, dar à Argentina seu terceiro Mundial, 36 anos após o anterior, de Maradona. Era o único título que faltava a um jogador que, aos 35, já tinha erguido pelo Barcelona 10 Campeonatos Espanhóis, oito Supercopas da Espanha, sete Copas do Rei, quatro Champions e três Copas do Mundo de Clube. Como venceu dois Campeonatos Franceses pelo PSG e uma Leagues Cup dos EUA pelo Inter Miami, ao qual se mudou em junho deste ano.

 

Maradona e Michelangelo

Embora já tivesse dado à Argentina a medalha de ouro olímpica de 2008 e a Copa América de 2021, só a Copa do Mundo poderia nivelar Messi a Maradona. E, pela maior longevidade no melhor futebol de clubes do seu tempo, superá-lo. Isso é o que há de objetivo na última Bola de Ouro. No subjetivo, fica não um dos sete gols de Messi no Mundial, mas o altruísmo das suas três assistências. Na semifinal contra a Croácia, ele disparou do meio de campo à ponta direita, driblou seis vezes o zagueiro Gvardiol — melhor da Copa, 15 cm mais alto e 15 anos mais novo — e passou para o atacante Álvarez fechar os 3 a 0. Se o futebol pudesse ser resumido num único lance, seria como a pintura pelo que Michelangelo legou no teto da Sistina.

 

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.