Wladimir prega diálogo e em análise entre Lula e Bolsonaro

 

André Ceciliano, Lindbergh Farias e Wladimir Garotinho; Flávio Bolsonaro e Wladimir; Gilberto Gomes, George Gomes Coutinho, José Maria Rangel, Sebastião Carlos Freitas e Alcimar das Chagas Freitas (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Algumas pessoas têm dificuldade em entender que, como prefeito, eu tenho a OBRIGAÇÃO de dialogar com todos que podem ajudar nossa cidade. Enquanto os extremos não encontram o caminho do equilíbrio, do diálogo e do bom senso, não avançaremos como sociedade. Ter posições e debater sobre elas é democrático, mas rejeitar o convívio saudável ou as oportunidades de ajudar sua cidade seria, no mínimo, pouco inteligente”.

Foi o que postou o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PP) na manhã de hoje (confira aqui) no Instagram. Sem fazer menção direta, claramente se referiu à reação da cidade de maioria bolsonarista que governa. Após ele postar ontem vídeo ao lado dos petistas André Ceciliano, secretário especial para Assuntos Federativos da secretaria de Relações Institucionais, e do deputado federal Lindbergh Farias. No qual anunciou que Campos será contemplado no anúncio hoje das obras do PAC pelo governo Lula 3.

Ao registrar ontem o anúncio com o secretário e o deputado próximos ao presidente Lula (PT), o blog ontem o classificou (confira aqui) como “tapa de luva de pelica” do prefeito de Campos às cobranças do PT local de crédito aos investimentos federais ao município. Isso após Wladimir ter recebido em outro vídeo (confira aqui), no dia 21, o apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL) à sua reeleição em 6 de outubro.

— Só discordo do termo “tapa com luva de pelica”. Pelo contrário, ele (Wladimir) atendeu justamente aquilo que nós estávamos pleiteando: que ele reconhecesse os investimentos do governo Lula na cidade de Campos. Eu fiz uma cobrança pública que repercutiu muito; repercutiu mal, inclusive, na (parte da) base dele que é eleitora do Lula. E essa cobrança surtiu esse resultado. Inclusive, ele foi chamado a Brasília a partir da nota. Eu estava em Brasília também. Lindbergh ligou para Wladimir, fez uma cobrança a ele de querer ser o candidato bolsonarista. E anunciou em primeira mão a Wladimir os investimentos que a cidade iria receber — questionou Gilberto Gomes, assessor da Câmara de Deputados e secretário de Comunicação do PT goitacá. Que fez a cobrança inicial a Wladimir (confira aqui) em seu blog no Folha1.

Os questionamentos de Gilberto ao prefeito já tinham sido questionados dentro do próprio campo progressista do pensamento político de Campos. Como pelo cientista político e sociólogo George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos (confira aqui e aqui). Que ontem, após a divulgação do vídeo de Wladimir com Ceciliano e Lindbergh, voltou a questionar:

— Quais verbas, das cobradas, seriam derivadas de uma negociação política de Wladimir com o Governo Federal? E o Wladimir deu a resposta (confira aqui): são repasses obrigatórios que todos os municípios do Brasil recebem, não é um favor particular do governo. E endossando o que Wladimir disse, quando ocorresse repasse derivado de uma negociação propriamente política, além do que já seria naturalmente repassado, ele daria o crédito. E assim o fez. Quer dizer: uma polêmica estéril foi levantada — resumiu o cientista político.

Os questionamentos de Gilberto, no entanto, foram reforçados por outras lideranças do PT de Campos. Gerente Executivo de Responsabilidade Social da Petrobras, José Maria Rangel disse:

— Vejo a declaração do prefeito como uma vitória do PT de Campos, pois ele foi “empurrado” a reconhecer os méritos do governo Lula. Como prefeito, ele está certo em capitalizar. Mas, da mesma forma que Wladimir, de forma correta, passa o pires ao Governo federal, deveria ter a mesma desenvoltura para reconhecer que mesmo ele sendo um bolsonarista convicto, o governo libera recursos para o município. Agora, só falta o PT levantar quanto de investimento o governo anterior (do ex-presidente Jair Bolsonaro) trouxe para Campos.

Entre o apoio dos Bolsonaro à sua reeleição e o anúncio do atendimento do PAC do governo Lula a Campos, entre lideranças do PT, a posição de Wladimir também foi considerada correta pelo jornalista Sebastião Carlos Freitas, ex-editor-geral da Folha da Manhã:

— Wladimir parece conduzir muito bem esse seu processo de reeleição. Lula só chegou a presidente quando entendeu que o extremismo não o levaria ao Executivo nacional. Em Campos, como em várias partes do país, tem petista que ainda não entendeu isso. Alguns, inclusive, mudaram de legenda, tendo encontrado eco para seus questionamentos em partidos como Psol. Wladimir mostra, principalmente diante dos fatos desta semana, que tem conseguido equilíbrio nesta balança Lula/Bolsonaro.

Economista e professor da Uenf, Alcimar das Chagas Ribeiro fez outros questionamentos nesse debate:

— Os fatos confirmam o perfil da nossa frágil democracia. Os partidos estão longe das ideias relativas aos fundamentos de direita ou de esquerda, enquanto os grupos mais poderosos politicamente criam barreiras perversas de entrada para novas lideranças. As contradições nos processos eleitorais são visíveis e jogam por terra as retóricas presentes. No esforço estratégico de acender uma vela para Deus e outra para o diabo, a efetividade na construção de projetos transformadores do município é esquecida.

 

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