Opiniões

Deputado federal do Novo/RJ no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7h da manhã desta quinta (5), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o deputado federal Paulo Ganime (Novo/RJ). Ele falará sobre seu trabalho parlamentar para Campos e região, como as emendas que conseguiu para o IFF. Falará também sobre aliança do Centrão com o governo Jair Bolsonaro (sem partido), e as PECs do voto impresso e dos precatórios no Congresso. E, por fim, analisará o conflito entre os Poderes da República e dará sua projeção para as urnas de 2022.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Castro, Wladimir e Bacellar, Nahim e apostas de Campos

 

 

 

Wladimir Garotinho, Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar, acenando aos dois primeiros (Imagem: Reprodução de vídeo)

Castro une Wladimir e Bacellar

Na antevéspera do governador Cláudio Castro (PL) chegar a Campos, onde ficará de amanhã a domingo (8), ele ontem atuou para pacificar seus dois maiores aliados políticos no município: o prefeito Wladimir Garotinho (PSD) e o secretário estadual de Governo, Rodrigo Bacellar (SD). Os três almoçaram ontem, no Rio. À tarde, Wladimir divulgou um vídeo do encontro em suas redes sociais. Nele, Castro disse: “Queria agradecer a presença aqui, lado a lado, do prefeito Wladimir e do deputado (estadual licenciado) Bacellar, secretário. Porque é assim, juntos, que a gente vai conseguir mudar Campos e todo o Norte e Noroeste”.

 

Campos e região

Ao apertar a mão de Castro, Wladimir disse: “Governador, é um prazer (lhe) receber. Queria agradecer, em nome do povo de Campos e toda a região Norte e Noroeste, o apoio que você está nos dando. E tenho certeza que vai anunciar muitas coisas boas, mais uma vez, para a nossa população”. Ao fazer uso da palavra na sequência do adversário político campista, Bacellar disse: “Agradeço pelas palavras, governador, prefeito Wladimir. Tenha a certeza que com esta junção aqui (falou gesticulando ao governador e ao prefeito), quem ganha é a cidade de Campos e toda a região”.

 

Juntos?

No vídeo, não foram anunciadas medidas concretas da agenda de quatro dias do governador na cidade. No entanto, o espectador mais atento pôde notar que Wladimir não citou nominalmente Bacellar, nem o cumprimentou, como fez com Castro. Pode ter sido, lógico, só um ato falho, sem nenhuma intenção ou significado. Mas o fato é que o secretário citou o prefeito e acenou a ele, na sua vez de falar. Entre seus dois aliados políticos, que passaram a última semana disputando sua agenda na cidade, o governador está absolutamente certo ao afirmar: “é assim, juntos, que a gente vai conseguir mudar Campos”.

 

MP pede cassação

Mesmo sem o tradicional aperto de mão com Bacellar, o encontro de ontem foi favorável a Wladimir. Que precisava de uma agenda positiva após o Ministério Público Eleitoral divulgar, na noite de segunda (2), seu parecer na ação em que pediu a cassação do prefeito e o vice, Frederico Paes (MDB). Além da inelegibilidade por oito anos. A denúncia é de abuso de poder econômico e promoção de fake news contra o então candidato Caio Vianna (PDT), ligando este ao ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania), no segundo turno das eleições a prefeito de Campos 2020. Que caberá ao Judiciário apreciar, após as alegações finais da defesa.

 

Ex-prefeito e ex-presidente da Câmara Municipal de Campos Nelson Nahim, entrevistado do Folha no Ar de terça (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

Nahim: elogio e crítica

Ex-prefeito e ex-presidente da Câmara Municipal, e tio de Wladimir, Nelson Nahim falou também como advogado ao programa Folha no Ar da manhã de ontem. E, na Folha FM 98,3, disse que o pedido do MP não deve alterar o resultado das urnas de 2020. Ele deu nota 7 aos 7 primeiros meses de governo do sobrinho. “Dentro das condições que encontrou a Prefeitura, faz um governo bom”. Mas, diante das discordâncias na aprovação do pacote na Câmara, em 25 de maio, e na proposta do Código Tributário, que levaram seu filho e vereador Helinho Nahim (PTC) a sair da base, revelou: “eu me afastei e ele (Wladimir) não fala mais comigo”.

 

 

Código Tributário, presidente e gratidão

Sobre a volta do Legislativo, seu ex-presidente projetou a aprovação do projeto governista ao qual ele e seu filho são contrários: “Vão colocar ou não na pauta o Código Tributário? Acho que o governo já tem maioria, com as composições do recesso, para aprovar. O que será uma marca ruim ao bom governo que Wladimir está fazendo”. Nahim aprovou o atual presidente: “Fábio Ribeiro (PSD) tem conduzido a Câmara com presteza”. E mostrou gratidão ao secretário estadual de Governo: “Há um bloco que apoia o governo, um bloco independente e um bloco que tem como capitão Rodrigo Bacellar, que deu um apoio fundamental à eleição de Hélio”.

 

 

Pauta de 2021 e aposta a 2022

Sobre a vinda de Cláudio Castro a Campos e região, Nahim listou o que ela pode trazer: “é importante para a Ponte da Integração, e os compromissos em Guarus com a Restaurante Popular e o posto de Detran. Não tem que ter rixa. É uma oportunidade excepcional ter o governador aqui no dia do Padroeiro da cidade, coisa que há muito tempo não acontece”. Sobre as urnas de 2022, o experiente político campista apostou na eleição do atual governador: “Vejo um segundo turno entre Castro e Marcelo Freixo (PSB). Rodrigo Neves (PDT) não vai ter capilaridade, sobretudo no interior. E acho que o governador vai ganhar a eleição”.

 

Campista aposta e ganha

Outro campista, André Paes Viana também apostou. E faturou a bagatela de US$ 51,2 mil, que rendem no câmbio de hoje cerca de R$ 270 mil. Em tempo das Olimpíadas em Tóquio, ele conquistou a medalha de prata no pôquer, no evento Sunday Million. Com o nome Andre “Paes232” Viana, escapou da eliminação várias vezes. Chegou a ser “lanterna” da competição, mas provou que, como bom brasileiro, campista não desiste nunca. Com uma incrível reação, brilhou para alcançar o segundo prêmio máximo. O evento, no PokerStars, teve início no domingo e a mesa final foi jogada na segunda.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

Olimpíadas e política de Campos no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7h da manhã desta quarta (4), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o vereador Raphael Thuin (PTB), ex-campeão mundial de natação. Como ex-atleta, ele avaliará a atuação do Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio. E, na transição do esporte à política, falará sobre a mudança do projeto Paraespeorte da Fundação Municipal dos Esportes para a Uenf, e da sua relação hoje com o governo Wladimir Garotinho (PSD).

Por fim, o edil analisará o retorno da Câmara Municipal, as perspectivas do projeto do novo Código Tributário e a força do setor produtivo goitacá. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Nahim analisa Wladimir e Câmara no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7h da manhã desta terça (3), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é Nelson Nahim, ex-prefeito e ex-presidente da Câmara Municipal de Campos. Ele avaliará os sete primeiros meses de governo do prefeito Wladimir Garotinho (PSD). Falará também sobre sua expectativa para a retomada dos trabalhos do Legislativo goitacá, o governo estadual Cláudio Castro (PL) em Campos e as urnas de 2022.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Segurança Presente em Campos e BPRV no 5º de SJB

 

Rodrigo Bacellar promete trazer o projeto Segurança Presente para Campos (Foto: Divulgação)

 

Um dos programas de maior aprovação do Governo do Estado, o Segurança Presente, vai chegar a Campos ainda este ano. O secretário estadual de Governo, Rodrigo Bacellar (SD), informou que, após autorização do governador, estudos já estão em andamento para o início dos trabalhos em Campos. Outra notícia importante é sobre a confirmação de um Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRV) no 5º Distrito de São João da Barra, em Pipeiras, um pedido do poder público municipal em sintonia com o Porto do Açu.

Segundo Rodrigo, o Segurança Presente, coordenado pela secretaria estadual de Governo, está sendo expandido para o interior e Campos será uma das cidades escolhidas. “É um modelo, muito bem sucedido, de policiamento de proximidade que complementa a atuação da Polícia Militar. Promovemos ações de segurança pública, cidadania e atendimento social, visando um ambiente mais seguro e acolhedor aos moradores, comerciantes e turistas das regiões onde atua”, destacou Rodrigo.

Com resultados impactantes de redução de criminalidade no horário e área de atuação, a Operação Segurança Presente ganhou a confiança da população fluminense e se tornou uma marca forte e desejada por todos.

O efetivo é formado por policiais militares, agentes civis (egressos das Forças Armadas) e assistentes sociais.

O patrulhamento é feito a pé, de bicicleta, de motocicleta e viaturas.

BPRV — Em São João da Barra, na localidade de Pipeiras, no 5º Distrito, será construído um Batalhão da Polícia Rodoviária (BPRV). “Em diálogo junto ao poder público municipal e representantes do Porto do Açu, foi passada a importância deste Batalhão, diante do fluxo gerado pelo Porto.

 

Da assessoria do secretário estadual de Governo

 

Luta do Brasil em Tóquio no Folha no Ar desta 2ª

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7h da manhã desta segunda (2), quem abre a semana do Folha no Ar é Marcelino Moreira, mestre de taekwondo e referência do esporte em Campos. Ele analisará o desempenho brasileiro em lutas como o seu taekwondo, mas também no judô e no boxe inglês, nas Olimpíadas de Tóquio. Também falará das perdas de atletas marciais de Campos para a Covid-19. E, por fim, explicará terapias alternativas de tratamento de saúde, vindas do Oriente.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta segunda pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Fênix — Setor produtivo de Campos com Castro na sexta

 

 

Cláudio Castro, Rodrigo Bacellar, Wladimir e Anthony Garotinho (Montagem: Joseli Mathias)

 

Projeto Fênix com Castro

Na próxima sexta (6), o projeto Fênix será apresentado e entregue ao governador Cláudio Castro (PL), durante um café empresarial às 8h da manhã, na CDL-Campos. Em busca de alternativas de desenvolvimento autossustentado ao Norte e Noroeste Fluminense, o documento final será apresentado em reunião nesta terça (2), às 18h30, na Fundenor. Por seus 22 signatários, representantes do setor empresarial, agropecuário e agroindustrial da região. Na entrega ao governador, a ideia é formalizar junto ele um protocolo para formar grupos de trabalho em torno dos temas propostos.

 

Questão regional

A entrega do projeto Fênix a Cláudio Castro, visando o desenvolvimento autossustentado da região, foi confirmada em reunião na última quinta (29), no Rio. Dela participaram o secretário estadual de Governo, Rodrigo Bacellar (SD), e os diretores da Folha, Diva e Christiano Abreu Barbosa. No sentido de aproveitar a presença do Governo do Estado itinerante em Campos, entre quinta (5) e domingo (8). E é fruto também da série de 11 painéis feitos pela Folha da Manhã, entre julho e setembro de 2020, ouvindo 34 representantes da sociedade civil organizada. Na qual se buscou debater alternativas à crise financeira do município.

 

Questão militar

Das grandes questões regionais às nacionais, entre a tarde e a noite de ontem (30) a Folha FM 98,3 e a Plena TV transmitiram ao vivo o debate virtual “A questão militar: do Império aos nossos dias”. Promoção da Fundação Astrojildo Pereira (FAP), o evento teve como debatedores o ex-ministro da Defesa Raul Jungmann, o historiador e professor da UFRJ José Murilo de Carvalho e o general da reserva Francisco de Brito Filho. A entrevista deste ao programa Folha no Ar no último dia 23 foi reproduzida na edição do jornal impresso do último sábado (24). A coordenação foi do cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf.

 

Campos no debate nacional

É a segunda parceria da FAP e o Grupo Folha para colocar Campos na discussão dos principais temas do país, com nomes nacionais. A primeira foi o debate “A política econômica do desenvolvimento: de Vargas aos nossos dias”, em 14 de maio. Que reuniu dois ex-ministros, os professores Luiz Carlos Bresser-Pereira e Cristovam Buarque, este também ex-senador e ex-governador de Brasília. Ambos foram entrevistados pela Folha. Destaca-se nesses eventos o trabalho do professor Hamilton. Que pensa para além da academia debates genuínos. Não só variações do mesmo pensamento, como infelizmente ocorre no polo universitário de Campos.

 

Parecer da PRE

A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) do Rio de Janeiro pediu a condenação de Wladimir Garotinho (PSD) a oito anos de inelegibilidade, por captação ilícita de sufrágio. O processo não tem ligação com o atual mandato de prefeito, é uma denúncia do Psol, do pleito de 2018, no qual ele foi eleito deputado federal. Segundo o partido, escutas telefônicas da operação Verde Oliva comprovariam que Wladimir e o deputado estadual Bruno Dauaire (PSC) teriam sido beneficiados pelo tráfico para fazer campanha no Eldorado. Apesar de pedir a condenação de Wladimir, que nega a irregularidade, a Procuradoria se posicionou pela absolvição de Bruno.

 

“Desacelerada”?

Em 16 de junho, foi transcrita nesta coluna uma análise de Wladimir sobre o ex-governador Anthony Garotinho (sem partido), feita no programa Folha no Ar do dia 11 daquele mês. Apesar de endossar a pré-candidatura do pai “a deputado, ou estadual, ou federal”, o prefeito pontuou: “Meu pai está com 61 anos, está na hora de dar uma desacelerada”. Ontem, em suas redes sociais, Garotinho acelerou. E colocou em dúvida a urna eletrônica, citando sua não ida ao 2º turno na eleição a governador de 2014, disputado entre Marcelo Crivella (Republicanos) e o vencedor Luiz Fernando Pezão (MDB), entrevistado de ontem no Folha no Ar.

 

2014 sem paixão

Quem observou aquela eleição de 2014 sem paixão, pôde observar que um político até então marcado pela agudeza da inteligência, Garotinho começou a cometer ali decisões que se revelaram desastradas. Embora, no final daquele ano a queda do preço do barril de petróleo no mercado internacional tenha marcado o início das “vacas magras” para Campos, há quem também credite aos compromissos que Garotinho assumiu para tentar se eleger a governador, e não pôde cumprir, como outro motivo à decadência do governo municipal Rosinha. Que piorou quando seu marido, sem ter o que fazer, se mudou a Campos para assumir de vez.

 

Naufrágios e desculpas

Questionar as urnas eletrônicas, sem uma única denúncia de fraude comprovada desde que começaram a ser implantadas no Brasil em 1996, parece ser acelerar à parte mais funda do rio Paraíba em uma canoa furada. De jet-ski no Lago do Paranoá, maior de Brasília, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vê naufragar a PEC 135, que tenta no Congresso o comprovante impresso do voto. Cujo afundamento já é dado como certo até por aliados do governo federal. Garotinho prega contra a urna eletrônica como desculpa de que não perdeu no passado. Bolsonaro insiste nela como desculpa à possível derrota no futuro próximo de 2022.

 

Com o jornalista Arnaldo Neto

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

Nazifascismo, bolsonarismo, uniforme e marca na testa

Charge: Walter Jr.

 

— Agora que sobreviveu à guerra, o que fará quando chegar em casa? — indaga Brad Pitt na pele do tenente Aldo Reiner, líder do pequeno grupo de soldados judeus dos EUA na França ocupada pela Alemanha Nazista na II Guerra Mundial (1939/1945). Dispostos a levar terror a quem levou terror ao mundo, são batizados de “Bastardos Inglórios”, batizando o filme de Quentin Tarantino de 2008.

— Vou abraçar minha mãe como nunca a abracei! — responde o soldado nazista apavorado, após revelar a posição de outras tropas alemães aos inimigos que executaram a sua.

— Isso não é lindo? E você vai tirar o uniforme?

— Vou tirá-lo e queimá-lo! — jura de pés juntos o nazista ajoelhado.

— Foi o que pensamos. Não gostamos disso. Gostamos de nazistas de uniformes para identificá-los de imediato. Se tiram os uniformes, ninguém saberá que são nazistas. Então lhe darei uma coisa para não tirar mais! — diz Pitt, enquanto saca sua faca da bainha, usando-a para riscar a suástica para sempre na carne da testa do nazista cuja vida poupou.

 

 

Da ficção à realidade, vários são os fatos que marcam a associação entre o bolsonarismo e o nazifascismo. Muito embora alguns bolsonaristas pensem poder negá-la como um nazista que tira o uniforme. Por igualmente pensarem que todos ignoram a História quanto eles próprios.

Para quem não ignora pelo menos a História do Brasil dos últimos anos, vamos aos fatos:

 

Roberto Alvim, ex-secretário da Cultura de Jair Bolsonaro, e Joseph Goebbels, ex-ministro da Propaganda de Adolf Hitler

 

1 – Era 16 de janeiro de 2020. Quando, ao som de Richard Wagner, ídolo assumido do líder nazista Adolf Hitler, o então secretário de Cultura do presidente Jair Bolsonaro, Roberto Alvim, proclamou em pronunciamento oficial ao vivo nas redes sociais: “A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada”. Ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels proclamou em 1933: “A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”. Diretor teatral, o secretário de Bolsonaro copiou minuciosamente, além das palavras de Goebbels, também a indumentária, a entonação verbal e o cenário do ministro de Hitler.

 

 

2 – Era a madrugada de 31 de outubro de 2020. Quando o grupo bolsonarista autointitulado “300 do Brasil”, que não chegava a 30 integrantes, promoveu uma marcha em Brasília com máscaras, roupas negras e tochas acesas, copiando a estética das manifestações públicas dos nazistas e da Ku Klux Klan (KKK), grupo supremacista branco dos EUA. O protesto terminou com ameaças diante do Supremo Tribunal Federal (STF) e foi liderado pela ativista Sara Winter, ex-coordenadora de políticas de maternidade do ministério da Saúde no governo Bolsonaro.

 

 

3 – Era 24 de janeiro de 2021. Quando, três meses antes da CPI da Covid ser aberta, o Senado cobrava ao então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, explicações sobre o trabalho do governo federal — ou ausência dele — para adquirir vacinas ao povo brasileiro. Enquanto falava Rodrigo Pacheco (DEM/MG), presidente do Senado, atrás dele o assessor de Bolsonaro para Assuntos Internacionais, Filipe Martins, foi flagrado fazendo duas vezes o gesto mundialmente reconhecido e condenado como símbolo do supremacismo branco. Com três dedos significando a letra “w” e dois o “p” (“white power”, ou “poder branco”).

 

Líder fascista Benito Mussolini e presidente brasileiro Jair Bolsonaro

 

4 – Eram 9 e 23 de maio, 12 e 26 de junho, e 10 de julho de 2021. Quando Jair Bolsonaro promoveu motociatas, respectivamente, nas ruas de Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Chapecó (SC) e Porto Alegre (RS). Enquanto prepara outra, marcada para 7 de agosto, em Florianópolis, novamente em Santa Catarina. Manifestações de apoio político até então inéditas no Brasil, todas têm inspiração aberta no mesmo tipo de evento promovido pelo líder fascista Benito Mussolini, na Itália dos anos 1920 e 1930.

 

Neta de ministro de Hitler e deputada alemã de extrema-direita investigada como neonazista, Beatrix von Storch posa para foto com Bolsonaro e seu marido

 

5 – Era 26 de julho de 2021, última segunda-feira. Quando a deputada alemã Beatrix von Storch publicou em suas redes sociais a foto de um encontro na semana anterior, com Jair Bolsonaro. Fora da agenda oficial deste e que não teve o motivo revelado pelo governo brasileiro. Do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), fundado em 2013 com bandeiras racistas, sexistas, islamofóbicas, antissemitas, xenófobas e anti-imigração, a parlamentar é investigada pelo serviço de Inteligência alemão por propagar ideias neonazistas. Em 2016, ela defendeu publicamente que a polícia do seu país abrisse fogo contra imigrantes, incluindo mulheres e crianças, que tentassem entrar ilegalmente na Alemanha. Beatrix é neta de Lutz Graf Schwer, ministro das Finanças de Adolf Hilter.

 

 

Outro ministro de Hitler, copiado pelo ex-secretário da Cultura de Bolsonaro, foi associado diretamente pelo STF ao capitão e à capacidade patológica de mentir que caracteriza ele e seus seguidores. Era 28 de julho, última quarta. Quando a Corte mais alta do país veiculou um vídeo nas redes sociais tão caras ao bolsonarismo: “Uma mentira repetida mil vezes vira verdade? Não. É falso que o Supremo tenha tirado poderes do presidente da República de atuar na pandemia. É verdadeiro que o STF decidiu que União, estados e prefeituras tinham que atuar juntos, com medidas para proteger a população. Não espalhe fake news!”.

Sentença mais famosa de Goebbels, “uma mentira contada mil vezes vira verdade” foi usada pelo STF para responder a Bolsonaro. Que havia repetido mais uma vez, em entrevista a uma rádio da Bahia, que o Supremo deu muito mais poderes para governadores e prefeitos do que a ele, no combate à Covid-19. Contada milhões de vezes pelo presidente e sua seita, a mentira tenta mascarar a verdade, como um nazista que pensa poder deixar de sê-lo ao tirar o uniforme: a responsabilidade do governo federal na morte de mais de 554 mil brasileiros. Em meio milênio da História do Brasil, é o mais próximo ao Holocausto dos judeus pelos nazistas.

 

Charge de Vitor Flynn ao jornal francês Le Monde, baseada em cena do filme “Dr. Fantástico” (1964), de Stanley Kubrick

 

Na dúvida, os números. Com 2,7% da população mundial, se o Brasil mantivesse a média de baixas do resto da Terra durante a pandemia, teria 113.400 óbitos. As outras 440.600 vidas humanas perdidas no país ficam na conta do negacionismo do seu governo, da sua aposta assassina na imunidade de rebanho e em medicamentos ineficazes como a Cloroquina, do seu atraso doloso na compra de vacinas ofertadas dezenas de vezes por laboratórios mundialmente respeitados, enquanto se dava preferência a negociações no mínimo suspeitas com atravessadores desqualificados, em busca de propina. Tudo revelado e ainda a revelar na CPI da Covid. E que aderiu ao governo Bolsonaro o adjetivo bem conhecido de “ladrão”, aos de apreensão popular mais difusa, como “genocida”, “fascista” ou “nazista”.

 

(Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

 

Ainda assim, foi emblemática a suástica riscada na testa do bolsonarismo pelo STF. Com a sentença nazista que melhor define o movimento, o governo e as fake news que o elegeram em 2018. Cuja marca não será esquecida com a queima do uniforme após as urnas de 2022. Que, na noite de quinta (29), ficaram mais próximas. Quando Bolsonaro admitiu em sua live semanal não ter prova das fraudes que nunca existiram no Brasil com o voto eletrônico.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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