Lula colhe retirada das tarifas de Trump por inflação nos EUA

 

No último domingo (26), Trump e Lula na Malásia (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

 

 

Após queda, o tarifaço

Após cair em aprovação de governo e intenção de voto (confira aqui, aqui, aqui e aqui), como consequência previsível por falar de improviso e chamar de “matança” a operação policial do dia 28 no Rio, com ampla aprovação popular (confira aqui, aqui, aquiaqui e aqui), Lula teve um fato positivo na quinta. Com a retirada do tarifaço dos EUA de Donald Trump (confira aqui) ao Brasil. As consequências eleitorais, só as próximas pesquisas dirão.

 

É a economia, estúpido!

O governo, a diplomacia e os exportadores do Brasil agiram de maneira correta, em defesa dos interesses comerciais nacionais. Todavia, o recuo de Trump se deve mais a fatores internos. Previsível como a queda de Lula após criticar uma ação policial popular, o presidente do EUA colhe a queda de aprovação por conta da inflação gerada naquele país (confira aqui) pelo tarifaço.

 

Trump, Lula e o Legislativo

Acusado nos EUA de agir como “imperador”, Trump só o faz porque, diferente de 2016, se elegeu de novo presidente em 2024 (confira aqui) fazendo maioria na Câmara e no Senado. Que terão nova eleição em 2026. Se a oposição vencer, como venceu (confira aqui) no pleito municipal do dia 4, Trump pode ter um resto de mandato tão incerto quanto o de Lula sem a Câmara e, agora, sem o Senado.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

As línguas e o “Bessias” de Lula entre Floriano e Alcolumbre

 

Lula, Davi Alcolumbre, Floriano Peixoto, Janja e Michelle Bolsonaro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Desde Floriano Peixoto

Em seu auge, nos dois primeiros governos, entre 2003 e 2010, Lula dificilmente cometeria o erro pragmático de perder as duas Casas Legislativas da República. A última vez que o Senado rejeitou uma indicação presidencial ao STF foi em 1894, há 131 anos, no governo Floriano Peixoto. É um peso histórico relevante. Como Davi Alcolumbre é um relevante contrapeso presente.

 

Maldades e maldades

Hoje improvável, a rejeição do Senado à indicação de Messias ao STF seria catastrófica a Lula na busca da reeleição. Mas é provável, por exemplo, que o Senado aprove e ponha ainda mais jabutis no Projeto de Lei (PL) Antifacção do governo. Aprovado na Câmara após ser moldado por Guilherme Derrite (PP/SP) a mando do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP).

 

“Bessias” é “terrivelmente evangélico”

Messias é o “Bessias” (confira aqui) que a divulgação da ligação da então presidente Dilma Rousseff (PT) e Lula, para tentar livrar este da Lava Jato, tornou famoso em 2016. O fato de o indicado de hoje ao STF ser tão “terrivelmente evangélico” quanto André Mendonça por Jair Bolsonaro (PL) em 2021, pode ter (confira aqui) pragmatismo eleitoral. Se mais ou menos que a pauta do Senado, o tempo dirá.

 

Janja, Michelle e as línguas

Caso Messias seja aprovada ao STF no Senado, Janja não deve celebrar nas línguas do rito neopentecostal, como Michelle Bolsonaro fez na aprovação de Mendonça. Barrada em repartições públicas por Lula (confira aqui), sob silêncio da esquerda identitária, a linguagem neutra poderia ter difícil tradução a “todes” que expressam sua fé em glossolalia, a língua atribuída aos anjos.

 

 

 

Tranquilidade?

No mundo dos homens, parece prevalecer hoje em Lula o trauma da prisão. Pelo qual ter nomes da sua confiança pessoal no STF parece garantir um sono mais tranquilo. Às portas da cadeia, Bolsonaro que o diga. Mas perder o apoio do Senado, com a Câmara já perdida, pode gerar muita intranquilidade até 2026 ao atual ocupante do Palácio do Planalto. A ver.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Lula indica Messias ao STF, ignora aliado do Senado e colhe pauta-bomba

 

Lula, Jorge Messias, Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Messias ao STF e tarifa dos EUA

“Na política do Brasil, pode-se morrer de tudo, menos de tédio”. A máxima é literal pelos fatos que se atropelam com potencial de interferir nas eleições nacionais de 4 de outubro de 2026. Após a operação policial do dia 28 no Rio, vieram mais dois na quinta (20): a indicação de Jorge Messias (confira aqui) ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a retirada (confira aqui) das tarifas dos EUA ao Brasil.

 

A novidade é Alcolumbre

Advogado-geral da União, Messias não deveria ser surpresa em um Lula que, novamente no poder após 580 dias preso pela Lava-Jato, indicou antes ao STF seu advogado pessoal, Cristiano Zanin, e seu ministro da Justiça, Flávio Dino. A novidade em Messias foi a indicação a despeito do maior aliado legislativo do Lula 3: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP).

 

Lula 3 se equilibrava no Senado

Com a Câmara dos Deputados presidida por Hugo Motta (REP/PB) na oposição, o Senado de Alcolumbre era onde o Lula 3 se equilibrava. Como foi no Projeto de Emenda Constitucional (PEC) da Blindagem, aprovada (confira aqui) pelos deputados por 308 votos a 134 governistas (menos da metade) e sepultada por unanimidade (confira aqui) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

 

Aliado esnobado

Alcolumbre trabalhava pela indicação do ex-presidente do Senado, o também advogado Rodrigo Pacheco (PSD/MG), ao STF. Além da escolha de Lula por Messias, o problema está no fato de que o presidente da República sequer ligou ao do Senado para lhe dar uma satisfação prévia. Lula não só contrariou Alcolumbre, mas esnobou o aliado. E pode pagar caro por isso.

 

Contra Messias e pauta-bomba

As respostas de Alcolumbre a Lula vieram ainda na quinta. Ligou a colegas (confira aqui) e disse que votará e trabalhará contra Messias no STF, que precisa ser aprovado no Senado. Onde porá em votação na terça (25) a aposentadoria especial dos agentes comunitários de saúde e de combate às endemias. É uma pauta-bomba (confira aqui) estimada entre R$ 5,5 bilhões e R$ 21,2 bilhões à União.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Eleições por mulheres de direita e esquerda no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A advogada Débora Pontes, presidente estadual do Mulheres pelo Novo, e a historiadora Guiomar Valdez, professora do IFF, são as convidadas para encerrar a semana do Folha no Ar nesta sexta (21), ao vivo, a partir das 7h da manhã. No esforço da Folha FM 98,3 de nivelar por cima o debate político entre direita e esquerda, elas trarão as visões de uma mulher conservadora e uma progressista.

As duas analisarão os nomes que se apresentam em Campos e região (confira aquiaqui e aqui) como pré-candidatos a deputado federal e estadual para 2026. Assim como as disputas pelas duas cadeiras do RJ ao Senado (confira aqui, aqui, aqui e aqui) e a governador (confira aqui, aqui, aqui e aqui).

Por fim, com base nas pesquisas (confira aqui, aqui, aqui e aqui), Guiomar e Débora tentarão projetar o pleito a presidente da República em 4 de outubro, daqui a pouco mais de 10 meses, e a Segurança Pública como pauta eleitoral central ao Brasil (confira aqui, aqui, aquiaqui e aqui) e à América do Sul (confira aqui, aqui e aqui).

Quem quiser participar do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

Segurança faz Lula cair nas pesquisas e pode ser eixo de 2026

 

Lula, Donald Trump e os chilenos Jeannette Jara e Gabriel Boric (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Lula de Trump à operação no Rio

Especialista em História Política da América Latina, Aggio também foi indagado no Folha no Ar sobre recuperação da popularidade de Lula, de julho a outubro (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), na onda do tarifaço de Trump. E sobre sua queda nas pesquisas em novembro (confira aqui, aqui, aqui e aqui), após ter chamado de “matança” a megaoperação policial do dia 28 no Rio, com 121 mortos e (confira aqui, aqui, aquiaqui e aqui) amplo apoio popular.

 

Alberto Aggio, historiador, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e especialista em História Política da América Latina

A dificuldade da criminalidade

“O Lula, no início de 2025, era um político em declínio e o Trump (com o tarifaço) acende uma luz muito favorável à sua reeleição. Logo depois vem essa operação, que desmonta essa configuração benfazeja ao presidente. E revela a grande dificuldade dos governos democráticos, não só do PT, em lidar com a criminalidade”, ponderou Aggio.

 

Por que Lula caiu nas pesquisas?

“Nós estamos diante de um enorme desafio (na segurança pública). E, lamentavelmente, isso começa a ser trabalhado do ponto de vista eleitoral, a partir de uma lógica do tudo ou nada. Que é manifestada pela resposta da população, os pesquisados, em cair o percentual de apoio que o Lula havia conseguido (a partir de Trump)”, avaliou o historiador.

 

“Lula não é Jara; Lula não é Boric”

“Houve uma reunião em que quatro governadores (Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado e Romeu Zema) poderiam sair (a presidente em 2026) e, no 2º turno, juntam as forças. Como o que acontece no Chile agora. Só que Lula não é Jeannette Jara; Lula não é Boric. Lula tem uma popularidade alta. O que não acontece (com a esquerda) no Chile”, advertiu Aggio.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Guinada da América do Sul à direita pelo voto popular?

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Oliver Stuenkel, pesquisador e professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV)

Indicação à direita no Chile

“Tudo indica que o próximo presidente chileno será de direita”. Foi o que também projetou, ainda na noite de domingo, o pesquisador e escritor Oliver Stuenkel, alemão radicado no Brasil como professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e respeitado analista do tema na imprensa do mundo.

 

Direita vence na Bolívia e Argentina

“Diante da derrota histórica da esquerda nas eleições presidenciais da Bolívia (o conservador Rodrigo Paz venceu em 19 de outubro, após 20 anos da esquerda no poder do país) e do bom resultado de Javier Milei na Argentina (nas eleições parlamentares de 26 de outubro), parece claro que está em curso uma guinada à direita na política latino-americana”, concluiu Stuenkel.

 

Brian Winter, jornalista dos EUA e editor da revista Americas Quaterly

Crime gera guinada na América Latina

“Não acredito que a guinada à direita na América Latina seja mais um movimento passageiro, um típico pêndulo contra os governantes no poder. É algo maior. O crime organizado é hoje a principal preocupação em diversos países”, cravou o jornalista estadunidense Brian Winter, editor da revista Americas Quaterly, dedicada à política, negócios e cultura nas Américas.

 

Filho de nazista, admirador de Pinochet

Candidato a presidente do Chile pela 3ª vez, tendo perdido o 2º turno em 2021 para Boric, Kast é advogado, admirador do ex-ditador chileno Augusto Pinochet e filho de um ex-militar da Alemanha na II Guerra (1939/1945), que foi filiado ao partido Nazista. Sua plataforma de campanha tem como base o combate ao crime e à imigração ilegal, que culpa pelo primeiro.

 

Crime e imigração na eleição chilena

Embora com criminalidade bem menor que a do Brasil, o Chile vive a explosão de 140% em homicídios na última década, com 76% de aumento em sequestros durante o governo Boric. Para Kast, essa violência está ligada à imigração ilegal, sobretudo de venezuelanos. Hoje, cerca de 10% dos residentes do Chile, atraente aos vizinhos pela economia estável, são estrangeiros.

 

Alberto Aggio, historiador, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e especialista em História Política da América Latina

“Kast, provavelmente, vencerá”

Perguntado no Folha no Ar de ontem sobre o aumento da violência entre os chilenos, Aggio respondeu: “Houve um avanço muito grande da criminalidade no Chile. Em comparação com o Brasil, você poderia dizer que é até irrelevante. Mas afeta o chileno porque é uma mudança forte. Isso pode definir uma eleição. Kast, provavelmente, vencerá em 14 de dezembro”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Direita sai do 1º turno favorita a presidente do Chile no dia 14

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Direita favorita a presidente no Chile

Em 19 de dezembro de 2021, o socialista Gabriel Boric se elegeu presidente do Chile. Em 30 outubro de 2022, Lula se elegeu presidente do Brasil. Até o 1º turno a presidente do Chile no último domingo (16), a esquerda sul-americana celebrava a comunista Jeannette Jara líder nas pesquisas. Mas o conservador José Antonio Kast saiu da urna favorito ao 2º turno de 14 de dezembro.

 

Conta da soma contra a esquerda

Jara ficou na frente no 1º turno, com 26,85% dos votos. Kast teve 23,92%. Que, com os 19,71% do centrista Franco Parisi, os 13,94% do ultraconservador Johannes Kaiser e os 12,46% da conservadora moderada Evelyn Matthei, somam 70% do voto chileno à oposição ao governo Boric. Do qual Jara, mesmo distante na campanha, foi ministra da Educação.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Meio caminho da direita andado

Após surpreender na 3º colocação, o “antissistema” Parisi disse que não apoiará nem Kast, nem Jara. Mas seus votos dificilmente migrarão à candidata de esquerda. O presidente Boric não chega a 30% de aprovação de governo. Por sua vez, Kast teve apoio declarado por Kaiser e Matthei. E os três, somados, já tiveram 50,3% dos votos dados pelos chilenos no domingo.

 

Alberto Aggio, historiador, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e especialista em História Política da América Latina

“Quase consignada a vitória de Kast”

“A votação desses três candidatos (Kast, Kaiser e Matthei) ultrapassa 50%. No 2º turno de 14 de dezembro, nós temos quase que consignada a vitória de Kast”, projetou em entrevista ao programa Folha no Ar, na manhã de ontem, o historiador Alberto Aggio, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e especialista em História Política da América Latina.

 

Fator interno ou da América do Sul?

Embora Chile e Brasil sejam vizinhos e estejam entre os países mais importantes da América do Sul, tanto a eleição a presidente do jovem Boric em 2021, quanto a do veterano Lula em 2022, se deveram fundamentalmente a fatores internos. Só que há quem observe o cenário sul-americano não isoladamente, mas como uma possível nova onda conservadora no continente.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Chile a presidente e sobe e desce de Lula no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Historiador, professor da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) e especialista em História da América Latina, Alberto Aggio é o convidado do Folha no Ar desta terça (18), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Ele analisará o resultado do 1º turno da eleição a presidente do Chile no domingo (16), que definiu a comunista Jeannette Jara e o conservador José Antonio Kast como adversários no 2º turno de 14 de dezembro, bem como as consequências do pleito à América do Sul.

Aggio também analisará os movimentos recentes na opinião pública visando às eleições presidenciais do Brasil em 2026. Com a recuperação de Lula (PT) nas pesquisas entre julho e outubro (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), surfando a onda da soberania nacional com o tarifaço de Donald Trump, e a nova queda do petista nas pesquisas (confira aqui, aqui, aqui e aqui) após suas críticas públicas à megaoperação policial do Rio no dia 28, com 121 mortos e (confira aqui, aqui, aquiaqui e aqui) amplo apoio popular.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.