Com chance de Rafael a vereador, Cidadania com Bacellar

 

Rodrigo Bacellar vai às eleições de Campos com o Cidadania de Rafael Diniz, o PL de Helinho Nahim, o Solidariedade de Marquinho Bacellar e o União Brasil de Rogério Matoso (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Presidido em Campos pelo ex-prefeito Rafael Diniz, o Cidadania também deve compor as nominatas do grupo do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), à disputa das eleições municipais de 2024. O partido tem o vereador Fred Machado, em busca de reeleição, e está federado com o PSDB, que não conquista uma cadeira na Câmara Municipal há várias legislaturas. A depender da decisão do grupo, Rafael também pode voltar a disputar a vereador, eleição que ganhou em 2012, antes de se eleger prefeito em 2016.

Assim, no enfrentamento eleitoral com o grupo político do prefeito Wladimir Garotinho (PP) e os demais da cidade, o grupo dos Bacellar também terá o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro. Que, como o blog adiantou ontem (confira aqui), será assumido em Campos pelo vereador Helinho Nahim. Assim como o Solidariedade de Marquinho Bacellar, presidente da Câmara, e do União de Rodrigo municipalmente com o edil Rogério Matoso.

Há a possibilidade de Rodrigo atrair também o PDT, junto ao seu xará Rodrigo Neves, ex-prefeito de Niterói. Enquanto o PSD do vereador Bruno Vianna, aliado dos Bacellar, permanece uma incógnita, pela aproximação recente do deputado federal Caio Vianna com Wladimir. E pela posição do presidente estadual da legenda, Eduardo Paes, prefeito do Rio candidato à reeleição. Que tem disputado espaço na capital do estado com o presidente da Alerj.

 

Blefe ou ás na manga? Carla em Campos e Caio em SJB

 

Carla Machado, Caio Vianna, Wladimir Garotinho, Rodrigo Bacellar e Carla Caputi (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Toda ação provoca uma reação igual e em sentido contrário”. Terceira Lei de Newton, serve para explicar do universo à política humana. À tentativa do grupo dos Bacellar de lançar a deputada estadual Carla Machado (PT) à prefeita de Campos, os Garotinhos responderam com a possibilidade de lançar o deputado federal sazonal (confira aqui) Caio Vianna (PSD) prefeito de São João da Barra.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

WLADIMIR E CAPUTI FAVORITOS — Na prática, nenhum dos dois movimentos tem garantia de emplacar. Nem parecem capazes de afetar o grande favoritismo que os prefeitos dos dois municípios, respectivamente, Waldimir Garotinho (PP) e Carla Caputi (sem partido), têm em todas as pesquisas divulgadas (confira aqui e aqui) para se reelegerem em outubro de 2024. Mas as movimentações políticas entre os dois municípios, a favor e contra a corrente do Paraíba do Sul, têm gerado marolas no leito do rio.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

CARLA E CAIO A CAMPOS 2024 — Em duas pesquisas eleitorais recentes, uma feita em novembro pelo instituto Análise, pelo grupo dos Bacellar, e outra feita na semana passada pelo instituto GPP, pelo grupo dos Garotinhos, os números não foram divulgados. Mas, em ambas, Carla Machado já apareceria à frente de Caio Vianna nas intenções de voto pela Prefeitura de Campos.

CARLA E CAIO NA CAMPOS DE 2022 — Em 2022, quando renunciou ao mandato de prefeita de SJB e se elegeu deputada estadual, Carla teve os votos de 17.936 campistas. Sendo de Campos e tendo disputado um segundo turno duríssimo a prefeito em 2020 com Wladimir, Caio teve a deputado federal em 2022 os votos de 27.706 campistas. As pesquisas dos Bacellar e Garotinhos em novembro e dezembro de 2023 sugerem que esses números, a prefeito de Campos em 2024, são diferentes. E que a vantagem entre os dois, hoje, seria de Carla.

POR QUE ESCONDER NOVAS PESQUISAS? — Provavelmente, os Bacellar não divulgaram a sua pesquisa porque a vantagem de Wladimir à reeleição permanece muito grande. Como os Garotinhos devem ter guardado a sua para não publicizar o crescimento de Carla, que temem.

TSE E STF CONTRA O “PREFEITO ITINERANTE” — Apesar da ascensão de Carla sobre Caio ao segundo lugar da corrida, em todas as pesquisas a vantagem da liderança de Wladimir sobre os dois e todos os demais prefeitáveis de Campos é muito grande, com possibilidade de definir a eleição no primeiro turno. Mas o maior problema da deputada não é esse. Como se reelegeu à Prefeitura de SJB em 2020, ela não poderia ser candidata a prefeita pela terceira vez consecutiva em outro município. É o que diz toda a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) contra a figura do “prefeito itinerante”.

Robson Maciel Júnior, procurador da Alerj

PODE? — Procurador campista da Alerj, Robson Maciel Júnior vê (confira aqui) uma janela de possibilidade à candidatura de Carla: “Tudo dependerá da interpretação do TSE. Mas, como os casos são diferentes, a revisão legal permite a possibilidade”.

Se demanda revisão, o fato é que, hoje, Carla não pode se candidatar. No que concorda a maioria dos juristas com experiência em direito eleitoral ouvidos (confira aqui) pela Folha. Além disso, por mais brilhante e independente que seja juridicamente, a opinião de Robson sempre será vista como ligada ao desejo político do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, patrono da candidatura de Carla.

Victor Queiroz, promotor de Justiça

NÃO PODE! — Promotor de Justiça com vasta experiência como promotor eleitoral e sem ligação com nenhum lado político em disputa, Victor Queiroz foi detalhado e assertivo:

— A Constituição, nos parágrafos 5º e 6º do artigo 14, estabelece a possibilidade de eleição a prefeito, consecutiva, apenas duas vezes. Aí, surgiu a figura do “prefeito itinerante”. Que, reeleito, muda o domicílio eleitoral para concorrer a prefeito em outro município. Desde 2008, o TSE entende a inadmissibilidade do “prefeito itinerante”, mesmo com a desincompatibilização do mandato. Esse entendimento foi confirmado pelo STF no julgamento do RE 637.485, em 2012.

Cleber Tinoco, advogado da Uenf

CANDIDATAR PARA TROCAR? (I) — No programa Folha no Ar do último dia 7, outro jurista com experiência eleitoral, Cleber Tinoco, advogado da Uenf, bateu na mesma tecla jurídica da inelegibilidade de Carla a qualquer disputa a prefeito em 2024. E interpretou (confira aqui) porque, diante disso, a insistência com o nome dela pode ser só uma estratégia político-eleitoral:

— Uma mudança que libere a candidatura da Carla Machado não vai acontecer. Ela pode disputar a governadora, presidente, parlamentar; não interessa. Mas a prefeita, não pode. Por que alguém se arriscaria a colocar um candidato correndo risco de se tornar inelegível e ter os votos anulados? Isso pode ser uma estratégia, porque a legislação eleitoral permite a alteração do candidato faltando 20 dias para o pleito. Você teria o nome (de Carla), que faria toda a campanha, e aí outro candidato assumiria o posto dela.

Gilberto Gomes, secretário de Comunicação do PT de Campos e assessor parlamentar do deputado Lindbergh Farias

UM LADO DO PT — Secretário de Comunicação do PT goitacá, assessor parlamentar do deputado federal Lindbergh Farias (PT/RJ) e pré-candidato a vereador, Gilberto Gomes negou (confira aqui) na quinta (14) que seu partido utilize esse subterfúgio na eleição a prefeito de Campos:

— Não há a menor possibilidade de uma estratégia que busque lançar uma candidatura virtual, sem chances de se eleger, para ser substituída às vésperas. Independente das questões jurídicas que envolvem a candidatura de Carla, o professor Jefferson de Azevedo tem acumulado apoios e feito todos movimentos para viabilizar uma candidatura tecnicamente qualificada, competitiva eleitoralmente e reconhecida pelos principais dirigentes estaduais e nacionais do PT como uma das grandes revelações do partido para o próximo pleito.

Jefferson de Azevedo, professor e atual reitor do IFF

UM PRÉ-CANDIDATO DO PT — Na mesma quinta, o próprio Jefferson, que já era cogitado como prefeitável do PT desde junho (confira aqui), quatro meses antes de Carla transferir seu domicílio eleitoral de SJB para Campos (confira aqui) em 5 de outubro, reafirmou (confira aqui) que está no jogo de 2024:

— Reafirmo minha pré-candidatura como uma das alternativas da nossa Federação, que reúne PT, PCdoB e PV. E que terá uma candidatura no próximo ano para debater o futuro de nossa cidade, apresentando alternativas e proposições ao enfrentamento das grandes questões estruturais de nosso município, assim como daquelas que afetam o cotidiano da vida das pessoas.

Odisséia Carvalho, presidente do PT de Campos e ex-vereadora

OUTRO LADO DO PT — Também na quinta, a professora e ex-vereadora Odisséia Carvalho, presidente do PT de Campos, desautorizou a declaração do seu secretário de Comunicação em nome do partido:

— Não é a opinião do PT de Campos, mas do Gilberto Gomes. Tudo vai depender da convenção do partido. Hoje, existem três pré-candidaturas: Carla Machado, Jefferson e Hélio Anomal. No momento certo, teremos a definição partidária. Opiniões, todos podem ter, mas o que vai prevalecer é a decisão partidária.

CANDIDATAR PARA TROCAR? (II) — Perguntada na sexta (15) se o PT de Campos aceitaria caminhar com uma candidatura sem chance de elegibilidade até o prazo legal de 16 de setembro, só para usar o nome de Carla na campanha e trocá-lo por outro à urna de 6 de outubro, Odisséia insistiu que a decisão só será tomada na convenção do partido. Que, como em todos os demais, será em julho, daqui a sete meses.

Nelson Nahim, ex-prefeito, ex-presidente da Câmara de Campos, ex-deputado federal e advogado

NO GRUPO DOS BACELLAR: “CARLA ESTÁ IMPEDIDA DE SE CANDITAR POR CAMPOS” — Também ligado ao grupo dos Bacellar, que testa o nome de Carla na falta de outra opção com consistência eleitoral nas pesquisas, o ex-prefeito, ex-presidente da Câmara Municipal e ex-deputado federal Nelson Nahim (MDB) não é (confira aqui) entusiasta da candidatura da ex-prefeita reeleita de SJB em 2020 a prefeita de Campos em 2024. Também na condição de advogado, ele disse:

— Tanto Wladimir como Carla Caputi têm candidaturas muito fortes, isso confirmado até agora em todas as pesquisas. Caio candidato em São João da Barra, na minha opinião, seria uma aventura. Bem como em Campos, até agora, não vemos uma candidatura para bater o prefeito. Carla, na minha modesta opinião, está impedida pela legislação eleitoral de se candidatar por Campos, fora a discussão de sua ilegitimidade.

CONTRADITÓRIO? — Pessoalmente e através da sua assessoria, Carla foi procurada para se manifestar. Agradeceu, mas preferiu não comentar.

 

Helinho vai assumir PL junto a SD e União com Bacellar

 

Rodrigo Bacellar, Helinho Nahim no PL, Marquinho Bacellar no SD e Rogério Matoso no União (Motagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Vereador de oposição e pré-candidato à reeleição, Helinho Nahim vai assumir em Campos o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ex-deputado federal, ex-presidente da Câmara Municipal e também pré-candidato a voltar a ela em 2024, Marcão Gomes sairá do PL. Para continuar a caminhar com o grupo político do prefeito Wladimir Garotinho (PP), Marcão deve se mudar ao MDB do vice-prefeito Frederico Paes.

Já são três os partidos garantidos ao grupo dos Bacellar, para abrigar seus candidatos a vereador em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 9 meses. O PL sob comando de Helinho se juntará ao SD de Marquinho Bacellar, presidente da Câmara Municipal, e ao União do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, sob comando local do edil Rogério Matoso.

Fruto de acordos com seu xará e ex-prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, o PDT também está na mira de Rodrigo Bacellar. Entre os vereadores de Campos que já pertencem ao seu grupo, a incógnita fica com o PSD de Bruno Vianna. Pois é também o partido do deputado federal Caio Vianna, que tem se aproximado de Wladimir e é comandado no estado pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes. Que está em disputa de espaço na capital com o presidente da Alerj.

 

Campos/SJB 2024: Bacellar e Carla x Wladimir e Caio sob análise

 

“Toda ação provoca uma reação igual e em sentido contrário”. Terceira Lei de Newton, serve para explicar do universo à política humana. À tentativa do grupo dos Bacellar de lançar (confira aqui) a deputada estadual Carla Machado (PT) à prefeita de Campos, os Garotinhos responderam com a possibilidade (confira aqui) de lançar o deputado federal Caio Vianna (PSD) prefeito de São João da Barra.

Na prática, nenhum dos dois movimentos parece capaz de afetar o grande favoritismo que os prefeitos, respectivamente, Wladimir Garotinho (PP) e Carla Caputi (sem partido), têm em todas as pesquisas (confira aqui e aqui) para se reelegerem em 6 de outubro de 2024. a pouco mais de 9 meses. Mas as movimentações políticas entre os dois municípios, a favor e contra a corrente do Paraíba do Sul, têm gerado marolas no leito do rio.

Abaixo, a leitura delas, por fontes balizadas da política planiceana, sejam seus integrantes ou analistas:

 

Em cima: Wladimir Garotinho, Caio Vianna, Rodrigo Bacellar, Carla Machado e Carla Caputi. Observados abaixo por Nelson Nahim, Marcão Gomes, Guiomar Valdez, George Gomes Coutinho e William Passos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Nelson Nahim (MDB), ex-prefeito de Campos, ex-deputado federal, ex-presidente da Câmara Municipal e advogado — “Tanto Wladimir como Carla Caputi têm candidaturas muito fortes, isso confirmado até agora em todas as pesquisas. Caio candidato em São João da Barra, na minha opinião, seria uma aventura. Bem como em Campos, até agora, não vemos uma candidatura para bater o prefeito. Carla, na minha modesta opinião, está impedida pela legislação eleitoral de se candidatar por Campos, fora a discussão de sua ilegitimidade”.

Marcão Gomes, ex-deputado federal, ex-presidente da Câmara de Campos, servidor federal, advogado e pré-candidato a vereador em 2024 — “O mandato de deputado federal de Caio depende diretamente da benção de Eduardo Paes (PSD). Caso contrário, volta a ser suplente. O deputado estadual Rodrigo Amorim (PRD), fiel escudeiro do Rodrigo Bacellar (União), é quem mais tem antecipado o confronto direto com o Paes à Prefeitura do Rio, numa prévia do que deve acontecer de maneira cada vez mais intensa até o ano que vem. Eduardo resolveu também mexer o tabuleiro aqui na região, determinando a Caio o afastamento de Bacellar e aproximação com Wladimir. Então o Caio, na verdade, tem que cumprir a missão dada por Paes, seja aqui em Campos ou SJB”.

Roberto Henriques, ex-prefeito de Campos e ex-deputado estadual — “Pelas redes sociais, dirigentes do PT campista festejaram a transferência de domicílio eleitoral da deputada Carla Machado e sua candidatura. Uma breve pesquisa junto à nota pública à época, nas redes sociais da deputada, encontrará declarações dos petistas dizendo que a mudança eleitoral e a candidatura da deputada seria para ‘dar maior visibilidade ao Partido dos Trabalhadores’. Esse tipo de declaração é uma confissão descarada de renúncia à cidade. Julgo que é tratar Campos e São João da Barra com menoscabo; é acinte, é política rasteira. Quem patrocina e participa desse ‘tráfico eleitoreiro’, não está à altura da importância da nossa região. Quando os dois lados, Carla e Caio, falam mal um do outro, os dois estão com a razão”.

Guiomar Valdez, historiadora e professora do IFF — “Garotinhos + Viannas + Dauaires X Bacellares + Machados = pensando aqui… Se continuarem a fomentar o nome de Carla Machado em Campos, mesmo com outras intenções, os Bacellares vão pagar esse preço que está ficando alto? Onde estarão as suas certezas? Quanto à opinião do PT de Campos, expressa pelo Gilberto (confira aqui), me veio a necessidade de observar a situação do PT no Estado do Rio. Ora sob total domínio de Quaquá, vice-presidente de Gleise Hoffmann no PT nacional, ora disputando a hegemonia com Lindbergh. Poderíamos ampliar o território analisado e observar o movimento do PT em Macaé, por exemplo. O diretório de lá está em pé de guerra, entre os que aderiram ao governo Welberth (Rezende, Cidadania), na ocupação da secretaria de Educação, e os que, como o ex-vereador petista de dois mandatos Marcel Silvano, expõem sua insatisfação nas redes sociais”.

George Gomes Coutinho, cientista político, sociólogo e professor da UFF-Campos — “A dinâmica bastante crua da disputa de poder na conjuntura campista, em minha perspectiva, tem algo de déjà vu. Porém, não é a singularidade nossa no Norte Fluminense que está exposta. Falamos aqui de algo profundo, do inconsciente político brasileiro em sua aparição mais rude, crua, bruta. É a disputa de grupos rivais, organizados em clãs, o que envolve regras de pertencimento, hierarquia, configuração familial e entre nós o domínio de um patriarca. Tudo pelo poder em um dado território e sobre o destino das pessoas que habitam este mesmo território. Oliveira Vianna, teórico político conservador, fez a radiografia dessa característica clânica da política brasileira na primeira metade do século XX. Neste cenário não há espaço para disputa de ideias. Há é o grupo organizado que mantinha, quase por milagre, a unicidade daquela comunidade. A estabilidade se instaura, algo necessário para o pequeno burguês tocar seu comércio, quando um grupo mantém o domínio. E o circo pega fogo quando um grupo se depara com a concorrência de outros. Essa descrição é de uma força política concreta pré-moderna. Não há uso público da razão, disputas programáticas entre socialistas, liberais e suas subdivisões. Há é Montéquios e Capuletos (famílias inimigas na política da Verona de ‘Romeu e Julieta’, tragédia de William Shakespeare) em disputa franca, onde dedo no olho e golpes abaixo da cintura são permitidos. Projetos e soluções coletivas negociadas se apresentam como meros adornos, quando aparecem. Talvez essa mentalidade clânica seja o que guia os grupos em disputa. E não, isso não é nada bom para uma sociedade com a nossa complexidade. Vianna descreveu a sociedade colonial, a do Império e parou na Primeira República. Não custa lembrar que estamos em momento pós-Constituição de 1988”.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística pelo IBGE, especialista em pesquisas — “Wladimir vem se revelando uma personagem muito interessante. E, num certo sentido, surpreendente dentro do garotismo. Pragmático, político de composição, pode ajudar a tornar atrativo o pleito de São João da barra, que parecia bastante previsível. Acompanhemos!”

 

Jefferson: Sou pré-candidato do PT a prefeito de Campos

 

Jefferson de Azevedo, Carla Machado e Gilberto Gomes (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Cogitado como candidato do PT a prefeito de Campos em 2024 (confira aqui) desde junho deste ano, mais de quatro meses antes da deputada estadual petista Carla Machado transferir seu domicílio eleitoral (confira aqui) de SJB a Campos com olho no pleito, o professor Jefferson de Azevedo garantiu hoje:

— Reafirmo minha pré-candidatura (a prefeito de Campos em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 9 meses) como uma das alternativas da nossa Federação, que reúne PT, PCdoB e PV. E que terá uma candidatura no próximo ano para debater o futuro de nossa cidade, apresentando alternativas e proposições para o enfrentamento das grandes questões estruturais de nosso município, assim como daquelas que afetam o cotidiano da vida das pessoas — pregou o atual reitor do IFF.

A manutenção por Jefferson do seu nome no jogo veio em sequência à manifestação no mesmo sentido, dada pelo secretário de Comunicação do PT de Campos e assessor parlamentar do deputado federal Lindbergh Farias (PT/RJ), Gilberto Gomes. Na manhã de hoje, ele garantiu (confira aqui) que seu partido não lançará nome a prefeito de Campos para trocá-lo no prazo legal de até 20 dias antes do pleito.

— Não há a menor possibilidade de uma estratégia que busque lançar uma candidatura virtual, sem chances de se eleger, para ser substituída às vésperas, conforme aventou (confira aqui) o advogado Cleber Tinoco. Independente das questões jurídicas que envolvem a candidatura de Carla, o professor Jefferson tem acumulado apoios e feito todos movimentos necessários para viabilizar uma candidatura tecnicamente qualificada, competitiva eleitoralmente e reconhecida pelos principais dirigentes estaduais e nacionais do PT como uma das grandes revelações do partido para o próximo pleito — apostou Gilberto.

Segundo toda a jurisprudência até aqui estabelecida (confira aqui) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF), Carla está inelegível a qualquer disputa a prefeita em 2024. Como já concorreu e venceu a reeleição a prefeita de SJB em 2020, não pode ser candidata ao cargo em nenhum outro município pela terceira vez seguida. O que configuraria a figura jurídica do “prefeito itinerante”, vedada pela Legislação Eleitoral.

 

PT de Campos não lançará prefeitável para depois trocar

 

Não há possibilidade de o PT apresentar uma candidatura a prefeito de Campos em 2024 só para fazer campanha e ser substituída às vésperas do pleito, por não ter condições jurídicas reais de elegibilidade. Como toda a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) apontam (confira aqui) ser o caso da deputada estadual petista Carla Machado. À disputa com o prefeito Wladimir Garotinho (PP) em 6 de outubro próximo, sem Carla, o PT tem o professor Jefferson de Azevedo.

Foi o que garantiu o secretário de Comunicação do PT de Campos, assessor parlamentar do deputado federal Lindbergh Farias (PT/RJ) e pré-candidato a vereador Gilberto Gomes. Ele também analisou a possibilidade do deputado federal Caio Vianna (PSD) se lançar (confira aqui) a prefeito na São João da Barra em 2024, com apoio do ex-opositor Wladimir. Como resposta ao apoio do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), ao nome de Carla em Campos.

Confira abaixo:

 

Gilberto Gomes, Carla Machado, Jefferson de Azevedo, Caio Vianna, Wladimir Garotinho e Rodrigo Bacellar (Foto: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Se confirmada a informação (de Caio se candidatar a prefeito de SJB com apoio de Wladimir), chama atenção a rapidez com que Caio aceitou se tornar balão de ensaio de Wladimir, até pouco tempo inimigos, para revidar os movimentos de Carla e, por consequência, Bacellar. As motivações para esse movimento de Caio parecem ser maiores que um mero ressentimento com Bacellar.

Quanto ao PT, até o momento, não há a menor possibilidade de uma estratégia que busque lançar uma candidatura virtual, sem chances de se eleger, para ser substituída às vésperas, conforme aventou (confira aqui) o advogado Cleber Tinoco. Independente das questões jurídicas que envolvem a candidatura de Carla, o professor Jefferson tem acumulado apoios e feito todos movimentos necessários para viabilizar uma candidatura tecnicamente qualificada, competitiva eleitoralmente e reconhecida pelos principais dirigentes estaduais e nacionais do PT como uma das grandes revelações do partido para o próximo pleito”, apostou Gilberto.

 

Atualização às 23h10: Presidente do PT de Campos, a professora e ex-vereadora Odisséia Carvalho fez comentários ao link desta postagem no Instagram. Em que questionou a opinião do seu secretário de Comunicação:

— Não é a opinião do PT de Campos, mas do Gilberto Gomes. Tudo vai depender da convenção do partido (em julho de 2024). Hoje, existem três pré-candidaturas: Carla Machado, Jefferson e Hélio Anomal. No momento certo, teremos a definição partidária. Opiniões, todos podem ter, mas o que vai prevalecer é a decisão partidária.

 

Caio candidato a prefeito em SJB com apoio de Wladimir?

 

Caio Vianna, Wladimir Garotinho, Carla Machado, Rodrigo Bacellar, Carla Caputi, Elísio Rodrigues e Bruno Dauaire (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Deputado federal sazonal (confira aqui), Caio Vianna (PSD) será o candidato dos Garotinho a prefeito de São João da Barra em 2024? No último dia 18, o jornalista Rodrigo Gonçalves, editor de Política da Folha, já havia levantado a possibilidade (confira aqui) no blog Caminhos: “Caio já é especulado (em SJB) em jogada ensaiada com os Garotinhos, dispostos a tentar um contra-ataque ao fato de Carla ter transferido seu título para Campos”.

O motivo aventado há 25 dias está correto. Todas as pesquisas eleitorais de Campos (confira aqui) e SJB (confira aqui) mostram que seus atuais prefeitos, respectivamente, Wladimir Garotinho (PP) e Carla Caputi (sem partido), são os grandes favoritos à reeleição em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 9 meses. Mas tanto a deputada estadual Carla Machado (PT), quanto o federal Caio são novidades com potencial para mexer nos tabuleiros.

Ex-prefeita reeleita de SJB em 2020, Carla Machado (PT) está inelegível, segundo toda a jurisprudência (confira aqui) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), para concorrer pela terceira vez seguida a prefeita na Campos de 2024. A estratégia real do grupo dos Bacellar seria usá-la na campanha, para trocá-la por alguém juridicamente viável até 20 dias antes do pleito. Como o advogado Cleber Tinoco explicou (confira aqui) no Folha no Ar de quinta (7):

— Uma mudança que libere a candidatura da Carla Machado não vai acontecer. Ela pode disputar a governadora, presidente, parlamentar; não interessa. Mas a prefeita, não pode. Por que alguém se arriscaria a colocar um candidato correndo risco de se tornar inelegível e ter os votos anulados? Isso pode ser uma estratégia, porque a legislação eleitoral permite a alteração do candidato faltando 20 dias para o pleito. Você teria o nome (de Carla), que faria toda a campanha, e aí outro candidato assumiria o posto dela.

Já em SJB, se vingar seu acordo tabulado com os Garotinho, Caio anunciará a troca do seu domicílio eleitoral de Campos ao município vizinho — em mão oposta ao que Carla já fez (confira aqui) em 5 de outubro. Pela legislação eleitoral, para concorrer em outubro do próximo ano, a troca de domicílio do candidato pode ser feita até 6 de abril. Mas o filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT) poderia antecipar isso até o final deste ano.

Vereador de oposição e prefeitável sanjoanense, Elísio Rodrigues (PL) também passou a conversar com os Garotinhos (confira aqui). Foi uma consequência ao fato do seu antigo aliado, o deputado estadual e presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), encampar Carla Machado em Campos e apoiar Carla Caputi em SJB.

Nessa nova arrumação, se Caio se lançar a prefeito em SJB, Elísio concorreria à reeleição a vereador. Para não ficar sem mandato e porque ocuparia também o espaço do falecido colega Franquis Arêas (PSC, confira aqui), aliado dos Dauaire, família oposta a Carla Machado na política sanjoanense. Cujo secretário de Habitação do RJ, Bruno Dauaire (União), se elegeu duas vezes deputado estadual com apoio de Wladimir. Que disputou e venceu a prefeito de Campos contra Caio no segundo turno duríssimo de 2020.

Elísio, no entanto, garantiu na noite de hoje ao blog que nada sobre sua candidatura à reeleição como vereador, ou da de Caio a prefeito de SJB, foi conversado com ele. O edil de oposição e prefeitável sanjoanense ressaltou que esteve, sim, com Wladimir, mas nenhum desses assuntos foi debatido entre os dois.

 

VÍDEO DE WLADIMIR E CAIO

 

Atualização às 18h25: A postagem sobre os frutos da costura entre Wladimir e Caio, com possíveis consequências no tabuleiro eleitoral de SJB e Campos, foi publicada às 16h21. Às 18h02, Wladimir marcou Caio na sua postagem do vídeo dos dois em Brasília, na sede do Dnit, sobre o trabalho conjunto pela duplicação do segundo trecho urbano da BR 101 em Campos, com o primeiro já em fase final. Segundo o prefeito, o edital de licitação deverá ser publicado ainda este ano. Confira abaixo:

 

 

Atualização às 20h24 para acrescentar a posição do vereador de oposição e prefeitável de SJB Elísio Rodrigues.

 

Felipe Fernandes — “O mundo depois de nós” na Netflix

 

 

Felipe Fernandes, filmmaker publicitário e crítico de cinema

Apocalipse Moderno

Por Felipe Fernandes

 

Filmes sobre o fim do mundo são praticamente um gênero que sempre esteve presente no cinema. Imaginar diferentes formas de como tudo chega ao fim é um exercício interessante que chama a atenção do grande público. E nem mesmo a pandemia parece ter afetado esse fascínio.

Baseado no livro de Rumaan Alam, “O mundo depois de nós” é um projeto que nasceu grande, com seus direitos tendo sido comprados pela Netflix antes mesmo do lançamento literário da obra original. Com um elenco sempre atrelado a grandes nomes, o escolhido para levar o livro às telas foi o diretor e roteirista Sam Esmail, conhecido pela série “Mr.Robot”.

Partindo de uma premissa simples, a história traz uma tradicional família de classe média que sai de férias e vai para uma casa luxuosa e isolada, precisando lidar com estranhos acontecimentos, que pouco a pouco vão os excluindo do mundo. Em um mundo cada vez mais conectado, a perda de sinal de celular, TV e internet já parece ser assustador o suficiente à maioria.

A chegada de um homem e sua filha que alegam ser os reais donos da casa, traz uma nova dinâmica para a casa e a narrativa. O filme arranha uma óbvia questão racial, mas que fica muito na superfície. Compartilhar uma casa com estranhos, enquanto o mundo desmorona lá fora, é apenas uma das questões que o longa busca abordar.

A obra conta com uma trilha sonora estridente, que busca o tempo todo estimular a ideia de que algo está errado. Essa sensação também é reforçada pela direção de Esmail, que abusa do plongée e de planos em que a câmera atravessa paredes e mostra os personagens abaixo de sua linha, criando algumas composições bem estranhas, que tiram mais o espectador da trama do que intensificam essa sensação incessante de estranhamento. Esmail parece um diretor iniciante, deslumbrado com as possibilidades de movimentos de câmera e seu virtuosismo. É difícil compreender algumas de suas escolhas.

Dividido em capítulos (uma escolha narrativa que nunca se justifica), o longa parece um episódio de “Além da imaginação”, ou talvez um episódio de “Black Mirror”, para os mais novos. Abordando a questão tecnológica, a presença de animais selvagens cercando a casa e as relações entre as duas famílias, o longa traz críticas ao estilo de vida moderno, apresentando nossa fragilidade como uma sociedade cada vez mais dependente das facilidades da modernidade.

Trabalhando a paranóia crescente, um elemento forte dentro dos Estados Unidos, abordando a questão homem x modernidade x natureza. E apresentando até mesmo alguns elementos que sugerem a presença de uma força superior, situação totalmente ligada à pequena Rose, uma adolescente que nunca é ouvida mas vê os sinais. O longa busca lidar com diversas questões atuais e relevantes, mas não se aprofunda em nenhuma delas. Essa falta de foco acaba prejudicando o resultado final.

Utilizando diálogos expositivos para desenvolver os personagens e ainda desconstruir seu quebra cabeças, o texto frágil acaba sendo ajudado pelo bom elenco, que não salva a obra, mas ao menos traz alguma credibilidade. É difícil comprar o núcleo familiar principal, principalmente porque a química entre Julia Roberts e Ethan Hawke não existe. Nesse sentido, o filme funciona melhor para Mahershala Ali e Myha´la, que com muito pouco conseguem construir um laço familiar mais consistente.

Para um longa sobre como a família moderna lida com o fim do mundo, as poucas explicações podem incomodar quem gosta de tudo devidamente explicado. A forma conveniente como a questão principal é explanada deve incomodar quem busca coerência. É um longa que se perde na construção do suspense e ao tentar lidar com várias temáticas, sem se aprofundar em nenhuma delas, acaba se esvaindo de sentido e de força em seu discurso.

Um filme de fim de mundo pode ser puro entretenimento. Mas quando busca a reflexão, pode alcançar alguns de nossos maiores medos, algo que “O mundo depois de nós” não consegue.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Confira o trailer do filme, lançamento da Netflix: