Opiniões

Resumo da “Operação Sanatório” da PF em Campos

PF cumpriu hoje mandado de busca e apreensão na agência central do INSS em Campos, na Praça São Salvador (foto de Leonardo Berenger)
PF cumpriu hoje mandado de busca e apreensão na agência central do INSS em Campos, na Praça São Salvador (foto de Leonardo Berenger)

 

A Polícia Federal de Campos divulgou há pouco o resumo da “Operação Sanatório”, que mobilizou 50 homens da delegacia local e da Superintendêncida da PF, contra um esquema de fraude no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) em Campos e na região, num rombo estimado em R$ 1,2 milhão. No município foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão, sete de quebra de sigilos bancário e fiscal, ocorrendo ainda três prisões, uma preventiva, uma em flagrante e um por ameaça a testemunha. Nove pessoas foram denunciadas à Justiça Federal, entre elas dois médicos particulares e um perito do INSS.

Abaixo, a nota da PF:Doc1

Esdras, com exclusividade…

Os ataques de baixo nível e covardemente anônimos não são exclusividade dos próprios companheiros do PT. Como Esdras noticiou, com exclusividade, em sua coluna, na revista Somos Assim, do último domingo, até os incautos que se aventuram a comentar nesses espaços virtuais se expõem ao avacalhamento público, pontuados com o despotismo digno do lado de lá do Muro de Berlim, antes deste vir abaixo para a felicidade do mundo. Senão, vejamos…

esdras-interna

Sofisma de títere

Títere

 

Primeiro foi o resultado da eleição no diretório do PT em Campos, no último dia 22, quando este blog noticiou com exclusividade (aqui) a vitória acachapante do professor Eduardo Peixoto, com mais de 60% dos votos. Depois foi o segundo turno da presidência petista no Estado do Rio, na última segunda, dia 7, quando o blog novamente noticiou, novamente com excluividade (aqui), a confirmação oficial da vitória apertada do deputado federal Luiz Sérgio, muito embora seu triunfo parcial em Campos tenha sido antecipado, desde o dia 6, pelo blog “Nós mulheres”, da Odisséia Carvalho (aqui). A vereadora de Campos apoiou a chapa vencedora, ainda que defenda a candidatura própria do partido ao Palácio Guanabara, ao contrário de Luiz Sérgio, que é favorável à aliança com o governador Sergio Cabral (PMDB), como este blog, aliás, já havia ressalvado.

Pena que essa tomada de posição clara de Odisséia, independente das diferenças, não se reflita em alguns de seus companheiros de partido mais críticos, cujos insucessos sucessivos nas urnas do PT e fora dele merecem até uma listagem à parte, com exclusividade… Pela  inevitável ressaca de mais uma derrota no voto martelando à cabeça, até se entende a exclusividade da omissão dessa turma com a notícia de suma importância ao seu próprio partido. O que não dá para entender é que a bílis persista no dia seguinte, quando o silêncio diante ao fracasso do dia anterior seja transformada em cólera contra quem noticiou a vitória de Luiz Sérgio, mesmo sem ser do PT — ainda que venha multiplicando seus leitores petistas em escala geométrica… (rs) 

Mas, falando sério, pretender atacar quem noticiou ou questionar os motivos pelos quais noticiou, um dia após sua própria omissão em noticiar, é repetir um sofisma milenar, diagnosticado e condenado desde a Grécia antiga. Ademais, em plano e tempo locais, evidencia no boneco de títere a digital indelével daquele a quem se se presta de arauto no PT de Campos.

Entre o que diria Lenilson e o que disse Renato

 

Sim, colocar palavras na boca dos mortos é mais fácil, pois morto não fala e não desmente, ao contrário das testemunhas (no plural) que sobreviveram para lembrar suas histórias e estão aí para não deixar mentir quem as revela, baseado na exceção da verdade. Todavia, dissociado dos atos e ditos terrenos, o que dizer de usar o nome dos póstumos para endossar intenções e táticas diametralmente opostas à dignidade com que estes levaram suas vidas? 

Não por outro motivo, aguça a curiosidade pensar no que diria o saudoso professor e petista Lenilson Chaves, ao ver seu nome postumamente tomado de empréstimo para batizar um grupo, cujo auto-intitulado “escrivão de bordo”, numa tática de guerrilha virtual e covardemente anônima contra os próprios companheiros de partido, tentou publicamente ridicularizar Odisséia Carvalho como “Odorsséia”, Hugo Diniz como “Dinzinho fez Totô”, Hélio Anomal como “Anormal” e (o hoje ex-petista) Makhoul Moussalém como “Makhoul, o Médico e o Monstro”…

Embora o tenha conhecido suficientemente bem para prefaciar seu livro, a seu pedido, reunindo uma coletânea de artigos publicados da Folha, só posso imaginar o que diria Lenilson, sobre ter seu nome vinculado, sem sua autorização, na tentativa de endossar esses ataques de nível abissal. Já sobre o não menos saudoso vereador Renato Barbosa, só posso repetir o que ele me disse em vida, mais de uma vez, diante de testemunhas variadas, após ter sido vítima de igual tentativa de ridicularização, a partir de uma confidência pessoal: “São uns canalhas!”

Geraldo Venâncio cobra promessas de Rosinha na Sáude

Ex-secretário de Saúde do governo Carlos Alberto Campista, Geraldo Venâncio cobra a distância asiática entre as promessas de Rosinha na Saúde e as suas realizações no primeiro ano de governo (foto de Paulo Sérgio Pinheiro/ Arquivo da Folha)
Ex-secretário de Saúde do governo Carlos Alberto Campista, Geraldo Venâncio cobra a distância asiática entre as promessas de Rosinha na Saúde e as suas realizações no primeiro ano de governo (foto de Paulo Sérgio Pinheiro/ Arquivo da Folha)

 

No feriado de ontem, encontrei com o médico, ex-vereador, ex-secretário de Sáude e tricolor aliviado com a manutenção do Flu na elite do Brasileirão, Geraldo Venâncio (PDT). Ele disse que estava querendo escrever um artigo sobre a Sáude Pública de Campos, que à parte as promessas de campanha de Rosinha, tem sido inquestionavelmente um dos calcanhares de Aquiles da sua administração, já perto de concluir o primeiro ano. Até por ser um profundo conhecedor da área, disse a ele para escrever e me enviar, para publicação no blog e na Folha.

Geraldinho aceitou o convite e me enviou ainda ontem seu texto, mas como só na tarde de hoje retomei o acesso à net, segue agora, abaixo, o artigo que estará amanhã, nas páginas da Folha:

 

O Paradoxo da Saúde

 

A Saúde sempre esteve ocupando o foco principal de todas as campanhas eleitorais. De Barak Obama a Hugo Chaves, de Nicolas Sarkozy a Mahmoud Ahmadinejad, todos se elegeram priorizando grandes transformações no sistema público de saúde.

Quando um novo governo se elege, ocorre o chamado período de “lua de mel” com a população, que se inicia a partir da proclamação dos resultados do pleito, indo até seis meses após a posse, quando, utilizando-se do antigo discurso da “terra arrasada”, debita-se ao antecessor a culpa por todos os problemas de gestão. Passado este período, acreditem, a nova administração tem que começar a dar respostas efetivas.

O atual governo municipal não é exceção a essas premissas. Elegeu-se assumindo com a população alguns compromissos fundamentais, dentre os quais se destacam a informatização de todo o sistema de saúde; a criação da Rede Comunitária de Saúde, que, em dois anos, cobrirá 100% da população no atendimento primário e secundário; a configuração de Programa de Saúde Escolar, com atendimento pediátrico, odontológico e oftalmológico; a conversão dos Postos de Saúde para Postos 24horas, todos equipados para atendimentos emergenciais; além da implantação de Centro de Referência Odontológica.

Sem dúvidas, um conjunto de promessas de campanha extremamente ambicioso, mesmo considerando-se que, o Sistema Público Municipal de Saúde, em todas as suas instâncias, conta com um orçamento portentoso, que se aproxima de R$ 1 milhão por dia, sendo superior ao orçamento global da maioria dos municípios do estado.

Porque a Saúde, então, não vai bem em nossa cidade? É a pergunta que não quer calar. Recentemente, o foco direcionou-se ao HGG, que quase fechou suas portas. O Hospital Ferreira Machado persiste com seus problemas de superlotação, com pacientes em macas, congestionando os corredores. O sistema de internações hospitalares está desarticulado na base, gerando queixas e angústias na população.

Parafraseando a máxima da OAB, considero inquestionável que sem a adesão solidária e permanente dos profissionais de saúde, não existe possibilidade de implantação de projeto que, efetivamente, contemple os interesses do povo. Saúde sem o médico é igual a Justiça sem o advogado: não se consolida.

A Organização Mundial de Saúde preconiza a existência de 500 leitos hospitalares para cada 1 milhão de habitantes. Nossa cidade, com aproximadamente 500 mil habitantes, conta com mais de mil leitos nos hospitais. Dispomos de reconhecido pólo universitário, com destaque na área da saúde.

Já que existem recursos financeiros, capacidade física instalada e suporte logístico, evidencia-se imprescindível que o esforço de gestão direcione-se para a configuração de níveis mínimos de hierarquização, com ênfase nos mecanismos de referência e contra-referência. Este é o grande desafio a ser enfrentado e vencido.

A relação da municipalidade com os hospitais filantrópicos deve ser aprofundada. A Santa Casa, a Beneficência Portuguesa, o Hospital Escola Álvaro Alvim e o Hospital dos Plantadores de Cana constituem-se em pilares fundamentais para a construção de um novo tempo na saúde.

Merece ser mencionado que os atuais responsáveis pela área da Saúde no município são pessoas reconhecidamente competentes, já com relevantes serviços prestados ao município.

 SAÚDE EM 2010

 

Geraldo Venâncio

Médico e Professor 

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