Dilma tropeçou na soberba de Lula

De tudo que li sobre os motivos que levaram a candidatura de Dilma Rousseff ao segundo turno, quando o lulopetismo se arrogava elegê-la ainda no primeiro, uma das análises mais sóbrias partiu da blogosfera local, pelo músico Claúdio Kezen, do Sociedade Blog (aqui). Vale a pena conferir…

 

Soberba do Lula leva Dilma ao 2º turno

Nas últimas duas semanas de campanha, surfando nas ondas das pesquisas eleitorais amplamente favoráveis, e seguro da vitória no 1º turno, o nosso amável presidente Lula deixou um pouco a Dilma de lado e saiu à caça dos seus desafetos.

O calcanhar de Aquiles de Lula durante seu mandato foi o Senado Federal. Ali, ele sofreu suas piores derrotas, como a votação da CPMF e a abertura da CPI do mensalão, por exemplo. Ele não esqueceu isso.

Com a faca entre os dentes,  nosso Lula cumpriu um périplo por alguns estados, em manobras cirúrgicas para tentar aniquilar alguns desafetos.  É desta fase as frases “a opinião pública somos nós¨, “temos que varrer o DEM da face da terra”, etc…

Os senadores Marconi Perillo, Artur Virgílio, entre outros, foram alvos dos ataques do Presidente. Faz parte do jogo. Em alguns casos deu certo, em outros não.

O que nosso Lula esqueceu, na sua soberba, é que sem seu empurrão pessoal a Dilma não se elege nem síndica do meu prédio. Dilma foi abandonada pelo seu criador exatamente no momento da campanha em que os votos dos indecisos se direcionaram para Marina. Setores da campanha do PT acusaram o problema e teriam feito a questão chegar ao presidente, que preferiu acreditar no seu taco.

Deu no que deu…

A inveja

A inveja, para Shakespeare:

It is the green-eyed monster, which doth mock the meat it feeds on

Tradução licenciosa: “É um monstro de olhos verdes que se alimenta da própria carne”

(“Othelo”, Ato 3, cena 3)

Nós, felizes e poucos…

Na eleição do último domingo, como já disse aqui, um blog arrebentou acima de todos os outros, na Folha Online ou fora dela: o Ponto de Vista, do Christiano Abreu Barbosa. Além dele, no que se refere ao acompanhamento em São João da Barra, fui injusto ao não lembrar de outro grande trabalho, desenvolvido em outro blog: o Entrelinhas, da jornalista Júlia Maria. Pois quando ela estreou, disse algo (aqui) que gostaria de reproduzir aos 18 camaradas em armas que hoje passaram a também ecoar suas vozes, aqui, nesta modesta ágora:

 

We few, we happy few, we band of brothers!

(“Henry V”, de William Shakespeare, Ato 4, cena 3)

 

Se dúvida ainda há sobre os “18 do Forte” aos quais me refiro, confira você, pessoalmente:

Antonio Cruz
http://fmanha.com.br/blogs/blogdoantoniocruz/

Antunis Clayton
http://fmanha.com.br/blogs/valvuladoealuz/

Beth Landim
http://fmanha.com.br/blogs/bethlandim/

Diomarcelo Pessanha
http://fmanha.com.br/blogs/imaginar/

Elaina Galdino
http://fmanha.com.br/blogs/ploc/

Esdras Pereira
http://fmanha.com.br/blogs/esdras/

Fernando Rossi
http://fmanha.com.br/blogs/apartes/

João Paulo Granja
http://fmanha.com.br/blogs/aluzdajustica/

Leonardo Berenger
http://fmanha.com.br/blogs/olhares/

Luciana Portinho
http://fmanha.com.br/blogs/lucianaportinho/

Marco Barcelos
http://fmanha.com.br/blogs/marcobarcelos/

Neusinha Siqueira
http://fmanha.com.br/blogs/conectada/

Priscila Tardin
http://fmanha.com.br/blogs/codigofonte/

Roberto Barbosa
http://fmanha.com.br/blogs/robertobarbosa/

Robson Colla
http://fmanha.com.br/blogs/collanoblog/

Ronaldo Basconcelos
http://fmanha.com.br/blogs/passoapasso/

Viviane de Aquino
http://fmanha.com.br/blogs/viaquinoblog/

 

Atualizado às 21h19 de 06/10/10: Na abertura do post, fui corrigir uma injustiça, ao destacar o bom trabalho realizado pela jornalista Júlia Maria, na cobertura das eleições de 3 de outubro, e acabei reforçando uma outra, ao não lembrar a grande contribuição dada também aqui, pela Michelle Mayrink, outra jornalista e blogueira. Na blogosfera local, ela foi, incusive, a primeira a postar as listagens dos deputados federais e estaduais eleitos (aqui e aqui). Não por outro motivo, cerca de dois mil leitores mais atenados que este blogueiro prestigiaram o espaço virtual da Michelle, entre os dias 3 e 4 de outubro. À jornalista e blogueira, meu sincero pedido de desculpas.

Henriques não subestima oposição

(Foto de Leonardo Berenger)
(Foto de Leonardo Berenger)

 

Além da aposta certa em Nahim, no caso de eleição suplementar, outra diferença de Roberto Henriques para Paulo Feijó foi um maior respeito pela oposição, que o segundo disse “não existir em Campos”. Para o deputado estadual eleito, o seu próprio caso é uma prova de quem está fraco hoje, no caso da oposição local, que ontem não conseguiu eleger nenhum nome a nada, pode estar forte amanhã:

— Já fracassei em eleição para vereador e ontem me elegi deputado estadual. Cada pleito tem suas circunstâncias. Só quando estas se apresentarem, poderemos dizer quem tem mais ou menos chance.

RH — Entre a lembrança de Garotinho e a aposta em Nahim

(Foto de Leonardo Berenger)
(Foto de Leonardo Berenger)

 

Indagado se sua eleição, sobretudo pelo fato de ter sido o mais votado em Campos (28.594), poderia ser encarado como uma vitória também do prefeito Nelson Nahim, que o apoiou, sobre Anthony Garotinho, que optou por Geraldo Pudim (22.223 votos locais), entre os candidatos locais à Alerj, Roberto Henriques lembrou um discurso do ex-governador e deputado federal eleito, durante a campanha: “Eu queria ser dois, um para votar em minha filha Clarissa e outro para votar em Pudim”.

Sem ressentimentos, o deputado estadual que se elegeu sem saber do terceiro voto de Garotinho, destacou a importância do líder, assim como do próprio Pudim, creditando a opção do primeiro pelo segundo como consequência da democracia. Embora também defenda a volta de Rosinha, Henriques, diferente de Feijó, não pestanejou ao cravar Nahim como seu candidato à Prefeitura, caso se confirme a eleição suplementar a Campos.

Feijó: “Entidades representativas de Campos foram omissas”

(Foto de Leonardo Berenger)
(Foto de Leonardo Berenger)

 

O deputado federal eleito finalizou sua participação no programa com uma cobrança às entidades da sociedade civil organizada e aos eleitores de Campos. Para ele, foi absurda a grande votação dada pelos campistas aos candidatos de fora a deputado estadual e federal. Só no último caso, segundo Paulo Feijó, foram 80 mil votos dados a “gente que só aparece por aqui em época de eleição e depois esquece que a gente existe”.

Ele conclamou as entidades representativas locais a reassumirem o que entende ser o papel na defesa dos interesses do município. Sem citar nomes, disparou: “Hoje, tem muita instituição de Campos que só pensa em fazer coquetéis e aparecer em coluna social. Enquanto em outros municípios, houve a mobilização das entidades, na defesa do voto em candidatos locais, aqui elas se omitiram”.