Saúde: após Bacellar ignorar convite, Wladimir fala em “sangue nas mãos”

 

Presidente da Alerj, ora governador em exercício e pré-candidato a governador em 2026, Rodrigo Bacellar e o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho, em 3 de agosto de 2023, no tempo da pacificação entre os dois grupos políticos, que não durou até as eleições municipais de 2024 (Foto: Divulgação)

 

 

Wladimir fala em “sangue nas mãos”

“Ainda está em tempo de ele ajudar a Saúde de Campos. Ou vai deixar as pessoas morrerem pela omissão dele em não querer ajudar? O tempo passa e ele pode até tentar fazer pose, mas vai ter sangue nas mãos”, foi o que disse ontem à coluna o prefeito Wladimir Garotinho (PP) sobre o presidente da Alerj e governador em exercício, Rodrigo Bacellar (União).

 

Cobrança no domingo, réplica na segunda

Após cobrar repasses do cofinanciamento estadual à Saúde Pública de Campos, que é polo regional de atendimento hospitalar, em postagem no Instagram (confira aqui) na noite de domingo (15), Wladimir foi respondido (confira aqui) na manhã de segunda (16) por Rodrigo. Que veio como governador em exercício para inaugurar (confira aqui e aqui) o Destacamento do Corpo de Bombeiros em Farol de São Thomé.

 

Rodrigo no Farol: “Não vou ficar de briga”

“Quero dizer para o prefeito, com todo carinho, que não vou ficar de briga. Tenho mais um ano e meio como presidente da Alerj. Provavelmente entre fevereiro e março, o governador vai sair para ser candidato (a senador ou deputado federal). Eu vou assumir o Executivo do Estado do Rio de Janeiro (como o blog Opiniões adiantou aqui desde 9 de maio)”, disse Bacellar.

 

Proposta de reunião (I)

Na noite da mesma segunda, Wladimir postou (confira aqui) um vídeo no Instagram. E convidou Rodrigo para uma reunião na Prefeitura para resolver a questão dos repasses do cofinanciamento estadual à Saúde de Campos.

 

Proposta de reunião (II)

“Queria dizer ao deputado presidente da Alerj, governador em exercício, nosso conterrâneo, que não estou brigando com ele, não. Estou defendendo a nossa cidade. E como já o convidei várias vezes a vir à Prefeitura, para a gente conversar e tentar resolver esse impasse (dos repasses à Saúde), mas você nunca veio, o convite está de pé”, disse no vídeo o prefeito.

 

Proposta sem resposta

Na manhã de terça (17), o blog Opiniões procurou a assessoria do governador em exercício. Que informou (confira aqui) que ele não responderia ao convite. Mas uma fonte do seu grupo, que preferiu o anonimato, fez uma comparação irônica: “Wladimir era o conciliador, agregador. E Rodrigo era o brigão. Agora o prefeito está rancoroso, raivoso. E Rodrigo leve”.

 

Reação à recusa

Ao saber ontem, pelo blog Opiniões, que Rodrigo não responderia seu convite, Wladimir usou a imagem mais forte de “sangue nas mãos”. E também disse: “Eu conhecia um Rodrigo com várias características, mas estou conhecendo uma nova: o fujão. Para quem quer ser candidato a governador, fugir de suas responsabilidades, na sua cidade natal, já começou muito mal”.

 

Reforço ao convite

“Não é novidade que ele não tem compromisso algum com as pessoas ou com a cidade dele, mas o que se espera de um agente público na posição que ele ocupa é outra postura. Mas faço novamente o convite”, reforçou o prefeito.

 

Números de Wladimir

No cofinanciamento estadual à Saúde de Campos, que atende a doentes de vários municípios vizinhos, Wladimir disse ter recebido R$ 200 milhões em 2021, R$ 140 milhões em 2022, R$ 90 milhões em 2023, R$ 20 milhões em 2024. E nada, até aqui, em 2025.

 

Números de Rodrigo

A assessoria de Bacellar apresentou números diferentes: “No detalhamento do custeio em Saúde, foram R$ 256.462.512,54 repassados em 2021, R$ 102.488.290,46 em 2022, R$ 41.529.379,19 em 2023, R$ 38.673.068,62 em 2024 e, até o momento, R$ 13.927.192,41 em 2025”. Os dois lados prometem judicializar a questão.

 

PPI sem cofinanciamento?

Segundo Wladimir, os números da assessoria estadual misturam os repasses obrigatórios da Programação Pactuada e Integrada (PPI), ferramenta do SUS. “O que eles não estão fazendo é o cofinanciamento aos nossos hospitais municipais (Ferreira Machado, Geral de Guarus e São José). Campos teve e, misteriosamente, deixou de ter nos últimos dois anos”, cobrou.

 

Valor por cidadão

“Nos dados oficiais do próprio Fundo Estadual de Saúde, em números per capita (proporcional ao número de habitantes), Campos recebeu R$ 42,98 por cidadão. É o 54º colocado entre os 92 municípios do estado, sendo polo de Saúde de toda a região Norte Fluminense”, comparou o prefeito.

 

Preço do não repasse

“Rodrigo está esgoelando o município. Já suspendeu o repasse à Estrada dos Ceramistas, cancelou os Bairros Legais em Vila Manhães e Vila Menezes, e está zerando repasses à Saúde. Campos já está cerca de R$ 250 milhões abaixo do planejado por conta disso” precificou outra fonte do grupo dos Garotinho. Que, como a dos Bacellar, também preferiu não se identificar.

 

Rodrigo a governador

Após ter conseguido tirar o ex-vice-governador (confira aqui e aqui) Thiago Pampolha do seu caminho na sucessão, para concorrer em 2026 a governador já no cargo, Rodrigo ainda conseguiu (confira aqui) em 23 de maio a promessa de apoio de Jair Bolsonaro (PL) à sua pré-candidatura. E todas as pesquisas e eleições recentes mostram que o ex-presidente é mais popular no RJ do que o atual, Lula (PT).

 

Wladimir como vice de Paes

Se Wladimir já era cogitado como vice de Eduardo Paes (PSD) a governador, corrida em que o prefeito carioca lidera até aqui todas as pesquisas, isso ganhou projeção nacional quando (confira aqui) dito em Campos a Lula, aliado de Paes. Foi na inauguração do novo prédio da UFF, em 14 de abril. O que teria irritado Rodrigo. Que quer também o apoio do prefeito reeleito da sua cidade.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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