Opiniões

Pausa após Covid, crise financeira, eleições dos EUA e de Campos

 

 

De março até o dia de ontem, foi uma maratona. Desde a inauguração em 30 de março (confira aqui) do Centro de Controle e Combate ao Coronavírus em Campos (CCC), até a notícia da morte em 11 de abril (confira aqui e aqui) do caminhoneiro Hudisson Pinto dos Santos, primeira da Covid no município, que vitimaria em 19 de maio (confira aqui) o deputado estadual Gil Vianna, em 1º de julho (confira aqui) o médico Makhoul Moussallem e, em 30 de setembro (confira aqui), o deputado estadual João Peixoto, a maior pandemia enfrentada pela humanidade nos últimos 100 anos foi, é e será uma pauta sofrida. Que registrou nova escalada de casos em novembro, tirando Campos do conforto ilusório da fase Verde, para retroagir à Amarela, como foi cobrado aqui e aqui por especialistas da cidade, e adiantado aqui por parte do município.

 

Caminhoneiro Hudisson Pinto dos Santos, de 39 anos, casado e pai de dois filhos pequenos, foi o primeiro morto de Covid-19 em Campos (Fotos: Arquivo pessoal/Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Literalmente capital, a Covid não foi a única pauta que consumiu noites insones nos últimos nove meses. Desde o final de 2014, com a queda das receitas do petróleo, outra doença grave se alastra pelo município: sua crise financeira. Ciente da gravidade do problema e do quanto é necessário buscar soluções, a Folha promoveu 11 painéis sobre o tema de 18 de junho a 26 de setembro  (confira-os aquiaquiaquiaquiaqui, aquiaqui, aqui, aquiaqui e aqui). Neles foram ouvidos 34 representantes da sociedade civil organizada, entre especialistas de economia, finanças, ciência política, antropologia e sociologia, além de juristas, jornalistas, gestores universitários, empresários, sindicalistas, o presidente e ex-presidentes da Câmara Municipal. Além de servir de base para qualquer prefeito que se elegesse em novembro, o trabalho teve a virtude de colocar freio na boca das promessas de campanha, evitando o estelionato eleitoral.

 

(Foto: Petrobras)

 

Depois foram as eleições, não só as municipais de Campos e região, como aquelas que prenderam as atenções do mundo no início de novembro: as presidenciais dos EUA. Quem a acompanhou em tempo real desde as convenções democrata (confira aqui) e republicana (confira aqui) de agosto, passando pelos dois debates de 29 de setembro (confira aqui) e de 22 de outubro (confira aqui), teve mais chance de antecipar desde 6 de novembro (confira aqui) o que o mundo só confirmaria oficialmente no dia seguinte (confira aqui): a vitória eleitoral de Joe Biden sobre Donald Trump, como novo ocupante da Casa Branca a partir de 20 de janeiro.

 

Joe Biden se elegeu presidente dos EUA ao bater Donald Trump nos votos populares e do colégio eleitoral (Montagem: The Wall Street Journal)

 

Do lado de cá do Equador, as eleições a prefeito de Campos. Na campanha do primeiro turno, ainda sem nenhuma pesquisa registrada, foi antecipado desde 10 outubro (confira aqui): “A despeito da falta de pesquisas e seus critérios estatísticos, como de debates para discussão e enfretamento de ideias, em uma eleição atípica com pandemia e muitos candidatos a prefeito, se o encontro entre eleitor e urna fosse hoje, um segundo turno entre Wladimir Garotinho (PSD) e Caio Vianna (PDT) não pagaria muito nas casas de aposta”. Depois, já com base em pesquisas, foi possível reafirmar em 29 de outubro (confira aqui) aquela projeção do segundo turno entre Wladimir e Caio, assim como o fato de que os candidatos Dr. Bruno Calil (SD) e Professora Natália (Psol) seriam as revelações da eleição, apontamentos todos confirmados nas urnas de 15 de novembro.

 

Wladimir e Caio foram adiantados como vencedores do primeiro turno, assim como Bruno Calil e Natália Soares como suas revelações (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Na noite da apuração das urnas do primeiro turno a prefeito de Campos, com o atraso da divulgação dos resultados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por conta de ataques ao sistema promovidos pelos conhecidos sabotadores da democracia, a apuração estancou muito tempo nos 43,47% das urnas goitacá apuradas. O que, dada a vantagem substancial de Wladimir sobre Caio naquele momento, gerou a dúvida: haverá segundo turno? A resposta afirmativa foi antecipada aqui, às 22h15: “Com menos da metade das urnas, é possível afirmar: 2º turno entre Wladimir e Caio”. E, cerca de 40 minutos depois, seria confirmada com a retomada da apuração do TSE.

 

Debate do Fidesc de 5 de novembro, transmitido ao vivo na Folha FM 98,3 e PlenaTV, foi o mais prestigiado pelos pefeitáveis de Campos no 1º turno (Arte: IFF e Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Sobre os debates, o Grupo Folha foi parceiro do polo universitário de Campos, antes de promover seu próprio debate, no primeiro e segundo turnos da eleição goitacá. Em 5 de outubro, a parceria da Folha FM 98,3 e Plena TV (confira aqui) com a promoção do Fórum Institucional de Dirigentes do Ensino Superior de Campos (Fidesc), foi responsável pelo debate mais prestigiado pelos candidatos a prefeito no primeiro turno. No segundo turno, o Grupo Folha promoveu seu próprio debate (confira aqui) entre os prefeitáveis na noite 26 de novembro. Mediado com brilhantismo pelo radialista Cláudio Nogueira, gerente da Folha FM 98,3, foi o único debate, além dos tradicionais da Inter TV e da Rede Record, a reunir os dois candidatos que disputaram ontem o segundo turno.

 

Debate na noite de quinta do Grupo Folha, entre Caio Vianna e Wladimir Garotinho, teve como destaque o mediador Cláudio Nogueira (Foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

Às 3h33 da madrugada do dia decisivo para Campos, algumas horas antes das suas urnas de 29 de novembro serem abertas, com base no que as pesquisas revelaram, mas também no que ocultaram, foi cravado (confira aqui) o resultado: “Por que Wladimir ganhará a eleição a prefeito de Campos?”. Como se tratava de uma sentença na interrogativa, os motivos foram todos detalhados. E sem torcida, bola de cristal ou achismo, foi calculado um percentual mínimo da vantagem sobre Caio que reconduziria os Garotinho ao poder: 7,1 pontos dos votos válidos, ou 17.613 eleitores, dentro do universo que compareceu às urnas do primeiro turno. E Wladimir acabou vencendo por 4,8 pontos percentuais dos votos válidos, diferença de 11.180 eleitores.

 

Três institutos de pesquisa que atuaram no 2º turno da eleição a prefeito de Campos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Entre os três institutos de pesquisa que atuaram no segundo turno da eleição a prefeito de Campos, o Paraná tinha a margem de erro de 3,5 pontos percentuais para mais ou menos (no total: 7 pontos), o Ibope tinha a margem de erro de 4 pontos para mais ou menos (no total de 8 pontos), enquanto o Gerp tinha a margem de erro de 3,7 pontos para mais ou menos (no total de 7,4). Com base neles, entre o que foi projetado neste blog e o que revelaram as urnas para Wladimir e Caio, o erro foi de foi um pouco menor: 2,3 pontos, ou 6.433 eleitores.

Considerados os mais de 360 mil campistas aptos a votar em 2020, ao projetar antes das urnas a eleição a prefeito mais disputada de Campos, o acerto do resultado se deu com um erro na votação final de 1,79%. Na próxima, tentaremos melhorar. Agora, com sua licença, leitor, o blog fará uma pequena pausa, após nove meses de trabalho muito intenso. E voltará à atividade, se Deus quiser, no próximo dia 14. Inté!

 

Prefeito eleito, Wladimir confirma projeções e gera outras

 

Prefeito eleito, Wladimir confirma projeções e gera outras

 

Wladimir Garotinho, que comemorou ontem sua vitória entre a mãe Rosinha e o vice Frederico Paes, Caio Vianna, Rodrigo Bacellar e Rafael Diniz (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

No Brasil, todos se convertem em “espeçialistas” em época de Copa do Mundo e eleição, de quatro em quatro anos. Assim, em um jogo decisivo de Copa, é comum a opinião em voz alta e pastosa de bebida, que pede para seu time tirar um zagueiro e colocar outro atacante, se está atrás no placar. Típica de quem ignora que, se levada a cabo, por abrir irresponsavelmente a defesa, seria mais provável seu time levar mais dois ou três gols do que conseguir marcar um. Na política brasileira, com pleito a cada ano par, entre municipal e estadual/federal, a coisa é ainda pior: os “espeçialistas” brotam da terra a cada biênio. A grande maioria não entende absolutamente nada do que fala. E, na minoria que sabe algo, é ínfima a parcela que expressa opinião apenas com base na análise racional dos fatos, não na paixão de torcedor.

Em artigo de análise publicado (confira aqui) neste mesmo espaço, foi projetado ontem que Wladimir Garotinho (PSD) seria eleito prefeito de Campos, no segundo turno contra Caio Vianna (PDT). pela margem mínima de 7,1 pontos dos votos válidos. Ou 17.613 eleitores, dentro do universo que compareceu às urnas do primeiro turno. E Wladimir venceu Caio no segundo por 4,8 pontos percentuais dos votos válidos, diferença de 11.180 eleitores. O erro entre o que foi projetado, e o que as urnas de 29 de novembro revelaram, foi de 6.433 eleitores, ou 2,3 pontos percentuais dos votos válidos. Foi uma margem de erro menor do que os 3,5 pontos percentuais da Paraná, do que os 4 pontos do Ibope, ou do que os 3,7 pontos do Gerp, institutos de pesquisa que também projetaram o resultado da eleição a prefeito de Campos.

Frutos da ciência estatística, pesquisas não são infalíveis, mas revelam tendências. E foi a partir dos números e tendências revelados por esses três institutos, na corrida pela Prefeitura de Campos, que cálculos mais precisos puderam ser feitos por quem analisou e projetou a eleição sem paixão. “A excelência não é uma virtude, mas um hábito”, lecionava antes de Cristo o filósofo grego Aristóteles. No hábito de quem acompanha profissionalmente as eleições municipais de Campos desde 1988, primeira em que Garotinho chegou ao poder na cidade, ora retomado com a vitória eleitoral do seu filho, outras projeções foram feitas ontem. E também seriam também confirmadas pelas urnas.

Nas quatro Zonas Eleitorais (ZEs) de Campos, foi projetado ontem que a grande diferença imposta por Wladimir sobre Caio no primeiro turno, seria muito difícil de ser revertida em três delas no segundo. Embora encurtadas, de fato não foram ultrapassadas. Na 129ª ZE, o candidato dos Garotinho teve em 15 de novembro 53,98% a 25,37% dos votos válidos contra o candidato dos Vianna, vantagem de 28,61 pontos. Ontem essa diferença caiu para 23,8 pontos, dos 61,9% de Wladimir aos 28,1% de Caio. Na 76ª ZE, a diferença de 24,38 pontos entre os 50,37% de votos válidos de Wladimir, contra os 35,39% de Caio no primeiro turno, caiu no segundo para 18,7 pontos, entre os 59,3% dos votos válidos do vencedor contra os 40,7% do pedetista.

A maior diminuição de diferença da vantagem de Wladimir para Caio ocorreu na 75ª ZE, maior de Campos. No primeiro turno, o prefeitável do PSD teve 41,24% dos votos válidos, contra 30,62% do pedetista, vantagem de 10,62 pontos. Ontem, esta diferença se tornou quase inexistente: apenas 1 ponto exato, entre os 50,5% dos votos válidos de Wladimir, contra os 49,5% de Caio.

 

Prefeito de Niterói, foi Rodrigo Neves quem coordenou o trabalho de recuperação de Caio do primeiro para segundo turno, e em apenas 15 dias quase mudou a história do plieto  (Foto: Fábio Guimarães – Agência O Globo)

 

A tática usada para a redução da Caio nessas três ZEs, coordenada por seu correligionário e prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), também foi antecipada ontem: 1) na 129ª, investir nos bairros de Ururaí e Ponta da Lama, e no distrito de Dores de Macabu; 2) na 76ª, investir na classe média de Guarus, na franja direita do rio Paraíba do Sul; e 3) delegar a função de tentar virar na 75ª a um dos cabos eleitorais mais respeitados na mítica “Baixada da Égua”, terra de coronéis e lobisomens, imortalizada pela prosa de José Cândido de Carvalho.

No entanto, como também foi projetado ontem, a única ZE em que Caio conseguiu virar de fato foi na 98ª, a chamada “pedra”. No tradicional bastião de resistência ao garotismo, desde 1988, o filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT) virou bem: da vantagem desprezível de 0,03 ponto de Wladimir (28,35% dos votos válidos no primeiro turno) sobre Caio (28,32%), este abriu ontem impressionantes 20,6 pontos de vantagem, conquistando 60,3% dos votos válidos, contra 39,7% do adversário. Foi muito, mas não foi o bastante. “E a alta burguesia da cidade/ Não acreditou na história que eles viram na TV”, como cantou Renato Russo.

Ainda assim, Caio sai da eleição como uma das principais forças eleitorais de Campos. E deve o impressionante trabalho de recuperação da sua candidatura, em apenas 15 dias, à equipe comandada pelo prefeito de Niterói, Rodrigo Neves. Que investiu tão pesado quanto a campanha que o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) fez ao seu prefeitável Bruno Calil (SD) no primeiro turno, responsável pela existência do segundo. Mas, em apenas duas semanas, a conexão Niterói/Campos produziu efeitos eleitorais muito mais rápidos e consistentes que o clã Bacellar. Muito embora este também tenha saído da eleição, com seus seis vereadores, como outra força de peso no cenário político goitacá.

Acusado de ser “Rafael Diniz (Cidadania) de novo”, o que gerou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) por disseminação de fake news contra Wladimir, Caio só não pode cometer o mesmo erro do atual prefeito: achar-se dono dos votos que são do antigarotismo, não do nome que meras circunstâncias impuseram para encarná-lo. E seria aconselhável que deixasse de tentar fazê-lo apenas de dois em dois anos, só em períodos eleitorais. Afinal, para se governar uma cidade, fundamental ter no currículo pelo menos o fato de habitar nela.

Por fim, o protagonista das eleições municipais. Além da Aije pelas fake news contra Caio pelas quais teve a inelegibilidade pedida pelo Ministério Público Eleitoral, Wladimir também tem o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao recuso do seu vice, Frederico Paes (MDB), ao indeferimento da sua candidatura pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). A ação foi movida pelo grupo político dos Bacellar e pode contaminar toda a chapa garotista. Se essa pendência não for resolvida até a diplomação do prefeito eleito, com data limite em 18 de dezembro, o próximo presidente da Câmara Municipal poderia assumir o lugar. O que abriria nova e acirrada disputa.

 

No TSE, o ministro Luís Salomão é o relator do recurso contra o indeferimento de Frederico Paes como candidato a vce-prefeito da chapa de Wladimir (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ultrapassados os obstáculos jurídicos, o maior desafio de Wladimir será governar como prometeu na campanha: com austeridade, buscar o tal “dinheiro novo”, estimular o comércio e a produção do campo, sem descuidar do social. Caso seu governo se converta em um Rosinha 3, sem o dinheiro farto dos royalties do petróleo com que seus pais contaram até dezembro de 2014, não é preciso grande esforço para projetar um destino idêntico, ou pior, do que o de Rafael em 2020. Ou do que a antecessora deste em 2016, quando deu ao principal opositor na Câmara uma votação muito mais consagradora como prefeito do que a conquistada ontem.

Sem perder de vista as grandes dificuldades do município, Wladimir merece ao menos o um ano de paciência que Rafael pediu ao assumir. Mas, ao contrário deste, ou do populismo financeiramente insustentável dos seus pais, tem que usar os primeiros meses de 2021 para dizer logo a que veio.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

Por que Wladimir ganhará a eleição a prefeito de Campos?

 

Na noite de sábado (28), pela primeira vez, Garotinho saiu às ruas da sua cidade, junto com Rosinha, com a certeza da eleição do filho Wladimir a prefeito de Campos (Foto: Facebook)

Por que Wladimir vencerá a eleição?

 

Na noite de sexta (27), se deu o último debate da Inter TV (reveja aqui), afiliada à Rede Globo, entre os dois candidatos que disputarão neste domingo (29) a Prefeitura de Campos: Wladimir Garotinho (PSD) e Caio Vianna (PDT). E com base no que havia ocorrido no debate do Grupo Folha da noite anterior (26), onde os dois prefeitáveis não saíram (confira aqui) do “papai e mamãe” em ataques às famílias um do outro, que já foram aliadas políticas, o da Inter TV foi aberto com o pedido expresso da emissora: “Este é um espaço para discussão de propostas, não é um espaço para ataques. Não estamos aqui para discutir o passado de famílias”. A advertência arrefeceu o (des)nível trumpiano apresentado no debate do Grupo Folha, mas não de todo.

 

Debate na noite de quinta do Grupo Folha, entre Caio Vianna e Wladimir Garotinho, teve como destaque positivo o mediador Cláudio Nogueira (Foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

Na Inter TV, os dois candidatos voltaram a trocar acusações. Wladimir reeditou a tática da “sopa de letrinhas”, como seu pai fez com Lula em debate presidencial do primeiro turno de 2002. No lugar da Cide usada por Garotinho contra o petista há 18 anos, seu filho fustigou Caio com as AIHs na questão da saúde, além de indagar o papel da lei federal complementar 175/2020 na arrecadação própria do município, para tentar evidenciar o despreparo técnico do adversário. Sem saber as respostas, Caio partiu para o ataque, recebendo o troco. Mas foi com um deles que o pedetista desferiu o golpe mais contundente da noite de sexta. Wladimir perguntou: “Como você vai fazer para acabar com a corrupção na Prefeitura?”. Ao que Caio respondeu: “Primeiro, não deixando você ser eleito”. Não foi um nocaute, mas talvez tenha lhe garantido a vitória por pontos numa luta de muita agressividade e pouca técnica.

 

Debate da Inter TV na sexta (27) foi uma vitória por pontos de Caio sobre Wladimir, em uma luta com muita agressividade e pouca técnica (Foto: Folha da Manhã)

 

Um tema tratado na Inter TV e ocorrido, horas antes, foi a operação  na mesma noite (confira aqui) do Ministério Público da 76ª Zona Eleitoral (ZE), que apreendeu celulares, computadores e materiais eletrônicos, e conduziu quatro pessoas à 134ª DP, onde assinaram termo e foram liberadas. A investigação envolve a campanha de Wladimir com os sites Click Campos, Muda Campos e Notícias Campos na divulgação de fake news contra Caio. E gerou o pedido do MP Eleitoral, junto ao juízo da 76ª ZE, para ajuizar uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije), que denuncia Wladimir e seu vice, Frederico Paes (MDB), por abuso de poder econômico. E pede a condenação de ambos à inelegibilidade por oito anos.

 

Fake news de Wladimir com sites Click Campos, Muda Campos e Notícias Campos sobre Caio terminaram na 134ª DP, com uma Aije que pede a inelegibilidade por oito anos dos candidatos a prefeito e vice dos Garotinho (Foto: Rodigo Silveira – Folha da Manhã)

 

É mais um problema jurídico à chapa dos Garotinho. Que já tinha a expectativa do julgamento pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do recurso ao indeferimento da candidatura a vice de Frederico (confira aqui e aqui) pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O motivo é técnico, a desincompatibilização fora do prazo da direção do Hospital Plantadores de Cana (HPC), em ação movida pelo grupo político do deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD). Já com parecer desfavorável (confira aqui) da Procuradoria Geral Eleitoral, pode impugnar o vice, mesmo se eleito. E gerar consequências ao próprio Wladimir, pelo princípio da unicidade da chapa. Que, se vencedora no domingo, terá como peso ao seu favor a vontade popular expressa nas urnas.

 

No TSE, o ministro Luís Salomão é o relator do recurso contra o indeferimento de Frederico Paes como candidato a vce-prefeito da chapa de Wladimir (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Como pau que bate em Chico, bate em Francisco, Caio também foi alvo da fiscalização eleitoral por divulgação de fake news. O juiz Elias Sader Neto, da 75ª ZE, determinou que o prefeitável do PDT retirasse das redes sociais a postagem em que veiculou notícias inverídicas sobre a impugnação da candidatura do adversário, que cabe apenas ao TSE determinar, por conta dos problemas do vice.

Das investigações e decisões judiciais à política real, como o blogueiro Christiano Abreu Barbosa antecipou desde a tarde do dia seguinte à eleição do primeiro turno, a partir dos cálculos e projeções que têm feito dele um dos melhores analistas eleitorais de Campos, o resumo da ópera está (confira aqui) no que as urnas de 15 de novembro revelaram: “Wladimir está com um pé no Cesec”. Analista ainda superior e prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT) entrou no campo goitacá ao ver a imensa dificuldade que seu correligionário iria enfrentar no segundo turno. Que só existiu por conta da força da campanha que Rodrigo Bacellar comandou para Dr. Bruno Calil (SD), terceiro colocado no primeiro turno, com 13,17% dos votos válidos. Caio ficou à sua frente, com 27,71%, enquanto Wladimir passou os dois adversários, mesmo se somados, para fazer 42,94%, vencendo nas quatro ZEs de Campos.

 

Rodrigo Neves (PDT), prefeito de Niterói que elegeu seu sucessor no primeiro turno e considerado o principal de Caio fora de Campos (Foto: Fábio Guimarães – Agência O Globo)

 

Após eleger seu sucessor em Niterói ainda no primeiro turno, Rodrigo Neves, saindo de um quadro pessoal de Covid, passou a se dividir entre Campos e outros municípios fluminenses onde aliados passaram ao segundo turno. E que serão importantes, caso ele consiga levar a cabo sua pretensão de se candidatar a governador do Estado do Rio em 2022. No segundo turno campista de 2020, a tática de Neves para tentar a virada de Caio está correta. Na 98ª ZE, na chamada “pedra”, onde Wladimir teve a vitória mais apertada sobre o pedetista, 28,35% a 28,32% em 15 de novembro, é simplesmente reforçar a tradição do maior bastião do antigarotismo desde 1988. É a ZE que Caio mais tem chances de virar, muito embora sua atuação agressiva nos debates talvez não tenha ajudado nisso.

 

Tamanho, frequência e resultado da eleição do primeiro turno, nas quatro Zonas Eleitorais de Campos, antecipa o quadro do segundo turno deste domingo (Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Só que Campos, ao contrário do que pensa “a alta burguesia da cidade”, felizmente não se resume à sua “pedra”. Aliás, com seus 91.662 eleitores aptos a votar (64.915 presentes em 15 de novembro), a 98ª é apenas a terceira força entre as quatro ZEs do município. A menos densa eleitoralmente é a 129ª ZE: 61.965 eleitores, 47.592 presentes ao primeiro turno. E foi nela que Wladimir obteve sua maior vantagem sobre Caio em 15 de novembro: 53,98% a 25,37%. A tática da conexão pedetista Niterói/Campos é apostar na diminuição dessa grande diferença nos bairros de Ururaí e Ponta da Lama, além do distrito de Dores de Macabu.

Segunda força eleitoral de Campos, com seus 96.574 eleitores aptos a votar (73.816 presentes em 15 de novembro), a 76ª ZE é quase toda Guarus, oposta à 98ª na condição de tradicional bastião do garotismo. Lá, Wladimir também levaria desde o primeiro turno: 50,37% a 25,39% de Caio. E a tática operada por Neves é reforçar a popularidade que o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT) também ainda mantém, por conta do Hospital Geral de Guarus (HGG), para tentar diminuir a diferença sobretudo nas classes média e média baixa, junto à franja direita do rio Paraíba do Sul.

Por fim, a 75ª ZE, da “Baixada da Égua” de coronéis e lobisomens, imortalizada ao Brasil na prosa de José Cândido de Carvalho. Com seus 110.425 eleitores (84.430 presentes em 15 de novembro) tem quase o dobro da 129ª e é a principal potência eleitoral de Campos. E lá Wladimir bateu Caio por 41,24% a 30,62% no primeiro turno. A tática pedetista no segundo, que conta com um dos cabos eleitorais da região mais respeitados no meio político, é tentar virar essa considerável diferença de 10,62 pontos. É muito difícil, mas, sem isso, Caio não tem chance de se eleger prefeito. Como antecipado (confira aqui) em outro artigo de análise, neste mesmo espaço, desde 21 de novembro: “a ZE da mítica ‘Baixada da Égua’ deve definir a eleição”.

Segundo um passarinho que entrou pela janela da mais famosa “casinha da Lapa”, o ex-governador Anthony Garotinho (sem partido) projeta que seu filho se elegerá prefeito de Campos, fazendo entre 130 mil e 140 mil votos, contra 80 mil a 90 mil de Caio. Outro passarinho que sobrevoou a terra de Arariboia, contou que Rodrigo Neves projeta uma votação bem mais apertada, com Wladimir entre 100 mil e 115 mil votos, e Caio entre 100 mil e 120 mil. Como o filho do casal de ex-governadores já fez 106.526 votos só no primeiro turno, a projeção de Garotinho parece mais próxima do pássaro pousado ao chão. A tática eleitoral do prefeito de Niterói para Campos, embora correta, talvez demandasse ser posta em prática 20 dias antes do que foi, para surtir o efeito final desejado.

De quem antecipou a confirmação da eleição presidencial de Joe Biden nos EUA (confira aqui) um dia antes do mundo considerá-la oficial, e antecipou também (confira aqui) a existência do segundo turno a prefeito de Campos com apenas 43,37% das urnas apuradas pelo TSE, quando muitos ainda apostavam na definição no primeiro turno, Wladimir se elegerá no domingo com uma vantagem mínima de 7,1 pontos percentuais dos votos válidos sobre Caio. Contabilizados os votos dados aos 11 candidatos a prefeito no primeiro turno, inclusive os sub judice de Wladimir e Jonathan Paes (PMB), isso daria uma diferença mínima no segundo, podendo ser mais, de 17.613 eleitores pela volta dos Garotinho ao poder em Campos.

A projeção não é fruto de torcida, achismo ou bola de cristal, mas da soma dos 3,5 pontos para mais e menos da pesquisa Paraná, que foi acusada nas eleições a prefeito de Campos, tanto no primeiro, quanto no segundo turno, de parcialidade aos interesses de Rodrigo Neves. Sem juízo de valor sobre essas suspeições, o fato é que uma última pesquisa Paraná estava programada para ser divulgada na última quinta-feira (26), a três dias da eleição deste domingo. Como não o foi, tudo leva a crer que a diferença de Wladimir para Caio será, no mínimo, dos 7,1 pontos que extrapolam a margem de erro de um instituto com nome nacional a zelar.

 

Publicado hoje (29) na Folha da Manhã

 

Gerp: empate de 50% entre Wladimir e Caio, com apoiador oculto

 

Pesquisa Gerp que apontou o empate de 50% entre Caio “Viana” (na verdade, Vianna) e Wladimir Garotinho já corria nas redes de WhatsApp de Campos às 19h43 de ontem, mesmo que só pudesse ser legalmente divulgada hoje (Infos: Gerp/Print: WhatsApp/Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Pesquisa Gerp que só poderia ter sido legalmente divulgada hoje (27), mas começou a ser disparada nas redes sociais locais desde o início da noite de ontem (26), projetou um empate de 50% a 50% nas intenções de votos válidos entre Caio Vianna (PDT) e Wladimir Garotinho (PSD) para as urnas de domingo (29) a prefeito de Campos. A consulta registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo RJ-07207/2020, com margem de erro de 3,16 pontos, apresenta números bem diferentes da Ibope, que divulgou (confira aqui) na quarta (26) a liderança de Wladimir com 57% contra 43% dos votos válidos, fora da margem de erro de 4 pontos.

 

Liderança de Wladimir fora da margem de erro foi registrada pela Ibope no dia 25 (Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Nas urnas de 15 de novembro, Wladimir teve 42,94% dos votos válidos e Caio, 27,71%. Segundo o Ibope, o primeiro cresceu 14,06 pontos percentuais, enquanto o segundo cresceu um pouco mais: 15,29 pontos. Já segundo o Gerp, Wladimir cresceu 7,06 pontos percentuais, enquanto Caio cresceu muito mais: 22,29 pontos. Como a Ibope foi feita entre os dias 22 e 24, enquanto a Gerp foi realizada entre os dias 23 e 26, ou ocorreu um fenômeno eleitoral em Campos entre a quarta (25) e a quinta (26), ou uma das duas pesquisas está errando por muito.

Apesar de ser um instituto de pesquisa bem mais conceituado nacionalmente, o Ibope ouviu 602 eleitores campistas, contra os 1 mil entrevistados pelo Gerp, o que pesa a favor deste. Outro fator favorável ao Gerp é que um terceiro instituto, também mais conceituado que ele nacionalmente, o Paraná Pesquisas soltou a primeira consulta sobre o segundo turno a prefeito de Campos. Feita entre os dias 17 e 19 de novembro, ouviu 800 campistas (mais que o Ibope, menos que o Gerp), e registrou (confira aqui) Caio com 52,6% dos votos válidos, contra 47,4% de Wladimir — empate técnico na margem de erro de 3,5 pontos para mais ou menos.

 

Liderança de Caio em empate técnico com Wladimir, segundo a pesquisa Paraná divulgada no dia 20 (Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Dos votos válidos que tiveram no primeiro turno, na semana passada o candidato dos Vianna teria crescido pela Paraná 24,89 pontos, contra apenas 4,46 pontos do candidato dos Garotinho. O contratante do Ibope foi a Rádio Metropolitana do Rio, sem alcance em Campos e que tem como um dos seus proprietários Paulo Berardo Masseti, que disputou a eleição em coligação junto com Clarissa Garotinho (Pros). O fato foi questionado por sites de Campos e respondido pelo Ibope (confira aqui): “lamentamos as acusações sem provas e sem fundamentos”.

Ocorre que o contratante da Paraná do segundo turno foi a própria Paraná, como já tinha feito no primeiro turno, quando errou na votação de Wladimir para menos (projetou 36,4% dos votos válidos, que nas urnas foram 42,94%) e errou na votação de Caio para mais (projetou 30,5% dos votos válidos, que nas urnas foram 27,71%). Novamente como sua própria contratante, a Paraná chegou a registrar outra pesquisa ao segundo turno, que seria divulgada ontem (26), mas desistiu. Como a margem de erro nas três pesquisas Paraná da eleição a prefeito de Campos — as duas que divulgou e a que desistiu de divulgar — são os mesmos 3,5 pontos para mais ou menos, 7 pontos é uma boa base de palpite à diferença que a totalização dos votos válidos revelará na noite de domingo.

 

Contrastes entre a pesquisa Paraná e as urnas do 1º turno: erro fora da margem de erro com Wladimir, para baixo; e erro dentro da margem com Caio, para cima (infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Assim como a Paraná, o Gerp também foi o contratante da sua pesquisa. Sobre o que fez dois institutos de pesquisa pagarem para trabalhar nas eleições de Campos, não se deve arriscar nenhum palpite. Um fato, no entanto, é que o Gerp, anunciado como autor da “última pesquisa antes das eleições” entre Wladimir e Caio, omitiu na apresentação dos resultados a última pergunta que nela fez, e consta no site do TSE, para 1 mil campistas:

— Se o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, apoiasse um candidato a prefeito de Campos dos Goytacazes, isto… (LEIA AS OPÇÕES)

 

(Última pergunta do questionário da pesquisa Gerp a prefeito de Campos, no site do TSE)

 

Rodrigo Neves foi acusado de influência nas pesquisas Paraná nos dois turnos pela Prefeitura de Campos, importante para sua pretensão de se lançar governador do Estado do Rio em 2022:

 

Rodrigo Neves (PDT), prefeito de Niterói que elegeu seu sucessor no primeiro turno e considerado o principal de Caio fora de Campos (Foto: Fábio Guimarães – Agência O Globo)

 

Dr. Bruno Calil

— A pesquisa (Paraná) é divulgada por um site que possui publicidade da Prefeitura de Niterói, onde o prefeito já declarou apoio a um candidato a prefeito de Campos — disse Dr. Bruno Calil (SD) no primeiro turno, terceiro colocado nas urnas de 15 de novembro, com 13,17% dos votos válidos.

— A relação estreita deles (do instituto Paraná) com o prefeito de Niterói, do PDT, já explica tudo — disse Wladimir no segundo turno.

Prefeito pela segunda vez de Niterói, onde é muito bem avaliado e elegeu seu sucessor ainda no primeiro turno de 15 de outubro, Rodrigo Neves surfa a mesma onda crescente de arrecadação dos royalties do petróleo, na qual nadaram de braçada no passado aos ex-prefeitos de Campos Arnaldo Vianna (PDT) e Rosinha Garotinho (hoje, Pros), “papai” e “mamãe” tão citados no debate da noite de ontem (confira aqui) do Grupo Folha. Correligionário do prefeitável pedetista nas urnas do domingo campista, Neves é considerado no meio político o principal apoiador de Caio fora do município.

 

Debate da Folha — Caio e Wladimir ficam no “papai e mamãe”

 

Debate de quinta do Grupo Folha, entre os prefeitáveis Caio Vianna e Wladimir Garotinho, teve como destaque o mediador Cláudio Nogueira, que não é candidato (Foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

 

O pai de quem ganhou? Foi a pergunta que ficou do debate promovido às 20h da noite de quinta (26) pelo Grupo Folha (confira aqui, na matéria do jornalista Aldir Sales) entre os candidatos Wladimir Garotinho (PSD) e Caio Vianna (PDT), que disputarão neste domingo (29) a Prefeitura de Campos. Em um debate dinâmico, mediado com maestria pelo radialista Cláudio Nogueira, gerente da Folha FM 98,3, o primeiro bloco foi dedicado à apresentação dos candidatos, onde as coisas caminharam em relativa paz.

 

Rafael apanha

Só quem apanhou, dos dois, foi o atual prefeito Rafael Diniz (Cidadania). “Pior governo da história” para Wladimir e “pior prefeito da história da cidade de Campos”, para Caio. Que, na sequência, deu a deixa do que viria: “Mas também precisamos lembrar que vários problemas que a cidade de Campos enfrenta começaram no passado, começaram na gestão da família do candidato Garotinho”, complementou Caio, que chamaria Wladimir pelo nome político do pai, adotado por toda a família que já foi aliada da sua, várias vezes durante o debate.

 

Transporte

Foi a partir do segundo bloco, com pergunta, resposta, réplica e tréplica entre os candidatos, sobre os temas transporte, crise financeira, educação e saúde, que os ânimos se acirraram. Após ser perguntado por Caio sobre o sistema tronco-alimentador implantado por Rafael, Wladimir prometeu acabar com ele na primeira semana de janeiro, chamando Rafael de “atual ex-prefeito”. E teve como réplica de Caio as lembranças às greves dos rodoviários no governo Rosinha, em 2012 e 2013. Na tréplica, Wladimir respondeu ao adversário: “como o candidato não mora na cidade, não conhece a realidade e não lembra dela”.

 

Crise financeira e túnel do tempo

Na sua vez de perguntar, com a crise financeira como tema (confira a série da Folha aquiaquiaquiaquiaqui, aquiaqui, aqui, aquiaqui e aqui), Wladimir tentou uma “pegadinha”, lembrando o que seu pai fez com Lula em debate pelo primeiro turno da eleição presidencial de 2002, quando indagou ao petista sobre a Cide. Na mesma “sopa de letrinhas”, o filho indagou a Caio sobre IPM, Declans e ICMS. E teve como resposta do pedetista: “toda a crise financeira hoje que o município enfrenta, tem dedo da sua família”. Como Garotinho com Lula há 18 anos, Wladimir ressaltou que sua pergunta técnica não tinha sido respondida, questionando o preparo do adversário. Caio contra-atacou: “O candidato Garotinho sabe tanto, que eles tiveram oito anos à frente da Prefeitura de Campos (com Rosinha, sem somar os anos do governo Garotinho/Arnaldo) e não soube responder a esse problema”.

 

Educação

Sobre o tema educação, Caio começou falando da gestão Rosinha, perguntando sobre suas notas baixas no Ideb. Wladimir investiu sobre a questão do preparo do adversário, perguntando a ele quais seriam as consequências para Campos de ter ficado sem nota no Ideb este ano, que o governo Rafael atribuiu a “falha humana”. O deputado federal disse já ter estado em Brasília para saber quais as consequências da falta da nota do Ideb. Ao perguntar se Caio sabia, este usou a réplica para retrucar na questão da ausência física da planície: “Talvez você tenha ficado tanto em Brasília, que você não conhece a realidade de Campos”. Na tréplica, Wladimir outra vez ressaltou que o adversário ignorava a resposta à sua pergunta.

 

Saúde

Com o tema saúde, Wladimir falou sobre seu projeto de criar uma central de referência pediátrica no PU de Guarus. E indagou a Caio a sua opinião. Que respondeu: “Lamentável que vocês optaram por construir uma Cidade da Criança, ao invés de construir um Hospital da Criança”. Na réplica, Wladimir lembrou que “a eleição é entre Wladimir e Caio”. Mas lembrou que o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT) responde a 116 processos. Caio deu o troco na mesma moeda jurídica: “A diferença é que meu pai nunca foi preso, o seu foi preso cinco vezes; o seu pai e a sua mãe”.

 

Agricultura

No terceiro bloco, com as perguntas de tema livre, a coisa até pareceu que iria arrefecer quando Wladimir escolheu a agricultura para perguntar a Caio, lembrando seu projeto como deputado federal para mudança da classificação do clima do Norte Fluminense para semiárido, o que facilitaria crédito aos produtores rurais. Caio respondeu “na bola”, lembrando que o Fundecana, criado no governo Arnaldo serviu para auxiliar Frederico Paes, candidato a vice na chapa dos Garotinho, para manter funcionando a usina da Coagro. Na réplica, Wladimir acusou o adversário de florear e falou em criar uma central de abastecimento na antiga Ceasa, para reunir e escoar a produção do campo. Na tréplica, Caio disse que também projeta a central de abastecimento, mas lembrou que Rosinha teve dinheiro para fazer e não fez.

 

Servidores e PreviCampos

Na sua primeira pergunta com tema livre, Caio mirou nos servidores e no desvio de R$ 400 milhões da PreviCampos, no governo Rosinha, denunciado em CPI da Câmara Municipal. Wladimir negou, acusou a CPI de condução política pelo grupo de Rafael, que afirmou hoje apoiar o pedetista. Disse que sua mãe sempre pagou os servidores em dia e prometeu fazer eleição direta entre eles para escolher o presidente da PreviCampos. Na réplica, Caio insistiu: “Você vai recuperar o dinheiro da PreviCampos e correr o risco de colocar a sua mãe presa, ou vai penalizar os aposentados e pensionistas?”. Na tréplica, Wladimir advertiu: “Vocês viram que o candidato está nervoso, né? Inclusive, falando coisas aqui que nem deveria”.

 

Assistência social

Com o tema livre à sua escolha, Wladimir falou de população de rua e assistência social, prometendo reabrir o Restaurante Popular. Caio lembrou que o programa Vale-Alimentação do governo Arnaldo teve o nome mudado por Rosinha para Cheque-Cidadão “e todo mundo viu no que deu (…) comprar voto no período eleitoral (…) colocou o pai, a mãe dele, na cadeia”. Na réplica, Wladimir contra-atacou: “foi o Vale-Alimentação que deixou o candidato (eleito prefeito em 2004) que eles apoiaram, (Carlos Alberto) Campista, inelegível, e anulou uma eleição por compra de voto (gerando o pleito suplementar de 2006, vencido por Alexandre Mocaiber)”. Na tréplica, Caio parafraseou: “Ele tenta reforçar, como o pai dele deve ter ensinado, que uma mentira repetida várias vezes vira verdade” (máxima de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler). E prometeu retomar o Vale-Alimentação e também reabrir o Restaurante Popular.

 

O último round

No último round do debate, Caio partiu como o lutador que sabe estar perdendo por pontos e só resta tentar nocautear para vencer. Disse que Wladimir não o respondeu: “Sobre a PreviCampos, você não disse se vai recuperar o dinheiro aos cofres e correr o risco de colocar sua mãe presa, ou se vai penalizar os aposentados e pensionistas”. E perguntou qual o papel Garotinho tem na campanha e teria no governo do adversário. Wladimir voltou a negar o rombo na PreviCampos e também partiu para o combate franco: “Vou honrar o meu pai e a minha mãe, sempre. Diferente de você, que diz que respeita seu pai, mas que muitas vezes esteve no apartamento onde os meus pais moram, no Rio, para falar mal do seu pai. E foram Garotinho e Rosinha que te aconselharam a se reaproximar do seu pai, que nem com você ele falava”.

 

Como os nossos pais

Na réplica, Caio negou os conselhos e disse: “Eu nunca deixei de falar com meu pai, eu amo meu pai (…) Nem meu pai, nem minha mãe foram presos por roubar dinheiro do povo (…) em várias interceptações da operação Chequinho, Wladimir se referia ao pai dele, sempre como quem comandava o governo da mãe. Tudo ele falava: ‘Tem que perguntar para papai’ (…) Qual será a participação dele no seu governo? Tem que perguntar para papai, né, Wladimir?”. Que respondeu na última tréplica: “Lamentável ter que assistir a um candidato a prefeito sem maturidade, vindo aqui falar para você, eleitor, para você, ouvinte, em papai e mamãe (…) Eu, Caio, em diversas vezes, na minha vida pública e pessoal, já discordei do meu pai (…) Ele (Caio) não tem nem humildade para reconhecer que diversas vezes foi ao apartamento dos meus pais, no Rio de Janeiro, para se aconselhar. Inclusive, foram o Garotinho e a Rosinha que pediram para ele: ‘Rapaz, esquece a política, ele (Arnaldo) é seu pai’”.

 

Considerações finais

No último bloco, reservado às considerações finais, os dois candidatos lamentaram que o debate, em sua 1h24 de duração, teve menos tempo para apresentar propostas ao destino dos mais de 507 mil campistas, do que aos ataques que voltaram a fazer um ao outro. Ainda assim, nenhum pedido de direito de resposta foi gerado à equipe de avaliação do debate, composta dos advogados Andral Tavares Filho e João Paulo Granja, e do jornalista Ricardo André Vasconcelos. Mas se os 11% de eleitores indecisos que a pesquisa espontânea Ibope (confira aqui) registrou dependessem do debate do Grupo Folha para se definirem, talvez chegassem à conclusão que o melhor desempenho da noite foi do mediador Cláudio Nogueira, que não é candidato.

Que o debate de hoje à noite da Inter TV, após a novela das 21h da Globo, tenha melhor sorte. Embora nada na polarização familiar entre os candidatos pareça indicar isso. Em 5 de novembro, ao transmitir ao vivo (confira aqui) o debate do Fórum Institucional de Dirigentes do Ensino Superior de Campos (Fidesc), a parceria do Grupo Folha com o polo universitário da cidade já havia gerado o debate mais prestigiado da eleição de primeiro turno a prefeito. No segundo turno, daqui a apenas dois dias, ao reunir ontem em debate as duas partes que disputam o governo de Campos, o Grupo Folha fez a sua.

A decisão, soberana, agora é entre você e a urna.

 

Confira abaixo o vídeo com a íntegra do debate:

 

 

Jornalista Ricardo André no último Folha no Ar antes das urnas

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h15 da manhã desta sexta (27), no último Folha no Ar antes da eleição a prefeito de Campos no domingo (29), a Folha FM 98,3 tem como convidado o jornalista e servidor público federal Ricardo André Vasconcelos. Ele analisará a renovação em uma nova Câmara Municipal sem mulheres, assim como o debate entre os prefeitáveis do Grupo Folha, às 20h de hoje (que você poderá acompanhar ao vivo aqui), além da expectativa ao debate desta sexta (27) da InterTV. Ricardo também analisará os resultados das urnas do primeiro turno a prefeito de Campos, em 15 de novembro, e tentará projetar as do segundo, neste domingo.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Após registrar Wladimir 57% x 43% Caio, Ibope repudia acusações

 

Registrada ontem aqui, a pesquisa do Ibope sobre o segundo turno a prefeito de Campos deu Wladimir Garotinho (PSD) liderando a disputa com 57% das intenções de votos válidos, contra 43% de Caio Vianna (PDT). Na postagem, também foram registrados questionamentos feitos por dois prefeitáveis de Campos às pesquisas do instituto Paraná no primeiro e segundo turnos, que ficaram sem resposta, assim como questionamentos feitos por sites locais à pesquisa Ibope. Estes, porém, não ficaram sem resposta. Instituto que no Brasil é quase sinônimo de pesquisa eleitoral, o Ibope lamentou em seu site “as acusações sem provas e sem fundamentos”.

Confira aqui e na transcrição abaixo:

 

 

“O Ibope Inteligência repudia as acusações de que fraudou os resultados da pesquisa de intenção de voto para prefeito de Campos dos Goytacazes. Esclarecemos que todas as pesquisas realizadas pelo Ibope Inteligência em 78 anos de existência são pautadas em critérios técnicos da ciência estatística. Elas representam a população em estudo, pois todos os grupos sociais e as várias regiões geográficas aparecem na amostra em proporção muito próxima à da população pesquisada. Os resultados das nossas pesquisas refletem fielmente o que encontramos na interlocução com as pessoas que entrevistamos e independem totalmente dos interesses de quem nos contrata.

Lamentamos as acusações sem provas e sem fundamentos, e nos colocamos à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas sobre o nosso trabalho”.

 

Frederico Paes, vice de Wladimir Garotinho, no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h15 da manhã desta quinta (26), o Folha no Ar, da Folha FM 98,3, receberá Frederico Paes (MDB), industrial, dirigente hospitalar e candidato a vice-prefeito na chapa de Wladimir Garotinho (PSD). Ele falará sobre os problemas da sua candidatura, indeferida (confira aqui e aqui) pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por desincompatibilização fora do prazo da direção do Hospital Plantadores de Cana (HPC), que espera o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após parecer desfavorável (confira aqui) da Procuradoria Geral Eleitoral; além do papel do vice na chapa e no eventual governo.

Frederico falará também falará da grave crise financeira do município (confira a série da Folha sobre o tema aquiaquiaquiaquiaqui, aquiaqui, aqui, aquiaqui e aqui) e sobre a nova Câmara Municipal, eleita em 15 de novembro. Sobre a eleição majoritária que integra, analisará o resultado das urnas do primeiro turno e fará sua projeção ao segundo.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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