Versos do domingo — Marcelo, Sthevo e Aluysio

No último domingo, o espaço dominicial do blog cativo à poesia foi preenchido aqui com os versos do russo Vladímir Maikóvski (1893/1930). Pois neste domingo seguinte, em homenagem não só ao grande poeta da Revolução Russa de 1917 e à sua metáfora mais conhecida (“nuvem de calças”), mas também à coletividade à qual Maiakóvski dedicou sua obra e sua vida, segue abaixo um poema feito a seis mãos, entre o blogueiro e os também poetas Marcelo Garcia e Sthevo Damaceno.

Não por outro motivo, estão presentes o uso de maiúsculas e da pontuação ao final dos versos, quase que completamente abolidos na minha poética. Quanto à composição do poema, se não me falha a memória, Marcelo o iniciou, na cidade paranaense de Casacavel, com os três primeiros versos. Depois, em Campos, Sthevo compôs os três primeiros versos da segunda estrofe; o primeiro, o quarto e quinto da terceira estrofe; além dos dois da estrofe final. O trabalho restante, mera extensão do que já fora feito, assim como o título, coube a este misto mal ajambrado de poeta, jornalista e blogueiro. 

Ao fim e ao cabo, o que importa é o resultado coletivo.

 

 

 

 

 

 

 

Viúva de Maiakóvski

 

Em certos dias,

a saudade rasga as paredes da casa

e o outono nos olhos espreita as portas abertas

— cato todas as paixões vitimadas

pela gravidade das folhas.

 

Em dias certos,

não consigo me manter só,

vendo você entre os cômodos

e as gavetas vazias

da intimidade que nos vestia.

 

Essas miragens entre espelhos,

do alguém que já não temos,

com um outro que já não somos,

me lembram: não apreendo ainda

[as coisas por dentro,

condenado à espuma das ondas,

ao afogamento de quem temeu mergulhar.

 

Desafivelo o cinto da nuvem de calças

e quando roço meu sexo no seu,

abate-me a impotência do suicida triste.

 

Ser imagem

e estar sempre do lado de fora.

 

 

Cascavel/Campos, 21/12/06

 

Clarissa: “Com Rosinha, melhorou ou piorou?”

Impressão criada a partir da atuação parlamentar intensa e sem receio de confrontos, tanto na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, quanto na Assembléia Legislativa, além da inevitável herança genética, o temperamento da deputada estadual Clarissa Garotinho (PR) é conhecido como explosivo. Todavia, o equilíbro talvez seja a característica mais impressa em suas respostas nesta entrevista, mesmo diante de perguntas montadas em algumas aparentes contradições entre o seu discurso os atos do seu grupo político.

Clarissa falou da política do Rio, onde é oposição, e da de Campos, que tem os pais à frente da situação. Entre outras coisas, ela se colocou contrária não só à pré-candidatura de Alexandre Mocaiber (PSB) a vereador, como até à possibilidade de conhecer pessoalmente o ex-prefeito; chegou a cobrar uma postura independente da Câmara de Campos, onde os vereadores aliados esmagam com o já famoso “rolo-compressor” qualquer pedido de informação ao governo; e definiu a questão que, em seu entendimento, resumirá o voto do eleitor campista em outubro de 2012: “com Rosinha, melhorou ou piorou?”

 

(Foto de Valmir Oliveira/ Folha da Manhã)
(Foto de Valmir Oliveira/ Folha da Manhã)

      

Folha da Manhã — A estratégia traçada por seu pai para sucessão política pelos filhos, parece clara: você, no Grande Rio, e Wladimir em Campos. É isso mesmo?

Clarissa Garotinho — Não se trata de estratégia. Quando entrei na política e quis me candidatar a vereadora na cidade do Rio, meus pais foram contra a minha decisão. Acho que foram contrários porque sabem que na política são necessários muitos sacrifícios pessoais. Eles estavam vivendo um momento de muita perseguição política e acho que eles não gostariam que eu passasse por isso também. A decisão foi pessoal. Gosto do que faço, conheço as dificuldades e acredito na política como um instrumento de transformação. Um instrumento muito desacreditado, é verdade. Mas o único eficaz de que a sociedade realmente dispõe nos marcos da democracia.

 

Folha — Não são poucos os que dizem que você puxou Garotinho em duas coisas: o talento para fazer política e o jeito belicoso de praticá-la. Concorda? Por quê?

Clarissa – Talvez a palavra talento pudesse ser substituída por paixão. Trabalho com entusiasmo e dedicação. Tenho vontade de acertar e sei a responsabilidade que carrego. É evidente que tudo que é movido a paixão às vezes pode carregar uma dose de excesso. Mas não sou uma pessoa belicosa. Meu papel definido na Constituição é de fiscalizar, tento cumprí-lo. Ser firme nas posições e cobrar com atitude não significa agressividade.

 

Folha — Em entrevista feita em 25 de maio de 2010, dois dias antes de ter o mandato cassado pelo TRE, Rosinha, quando indagada, disse que, diferente dela, o seu futuro político não passaria pela Prefeitura de Campos, dando a entender que você estaria destinada a vôos mais altos. Comunga desta visão de mãe? Ser prefeita de Campos não está mesmo em suas projeções futuras? Que objetivos maiores seriam esses?

Clarissa – Ser prefeita de uma cidade tão importante como Campos já seria um vôo muito alto. Mas Campos já tem Rosinha, que está fazendo um grande governo. Como iniciei na política como vereadora na cidade do Rio, é natural que já exista uma referência maior na região metropolitana do Estado. Tenho muito orgulho da minha cidade e fico feliz de ver Campos crescendo. Se um dia a minha cidade natal precisar de mim, estarei presente.

 

Folha — Do Rio, como você vê a intensa movimentação das pré-candidaturas de oposição em Campos, visando as eleições de 2012? Acredita que o aparente desdém, como classificar os opositores de “bloco dos sujos” (aqui) seria a maneira mais inteligente de combatê-los?

Clarissa – “Bloco dos Sujos” foi uma alusão a um grupo de pessoas ligadas ao governo passado, que terminou com a prisão de várias pessoas e escândalos no governo. A expressão não é estratégia de combate, apenas tipifica alguns dos opositores. A prefeita Rosinha combate a oposição com o seu trabalho sério, com as obras em andamento, com as inaugurações acontecendo, com a cidade cada vez mais bonita e atraindo investidores. Rosinha combate a oposição com o carinho que recebe das pessoas todos os dias e que comprova que ela está no caminho certo. Todos os governos têm erros e acertos, mas Rosinha está acertando muito mais.

 

Folha — Seu colega na bancada do PR, Roberto Henriques, tem sido um dos principais opositores dos Garotinho, tanto em Campos, quanto no Rio, seja na Alerj ou em assumidas articulações com o governador Sérgio Cabral sobre o processo sucessório de Campos (aqui). Sobretudo quando gestada e parida dentro do mesmo grupo poítico, a oposição incomoda mais?

Clarissa – A oposição nunca incomoda se ela for responsável, coerente e fundamentada. Não é o caso do deputado Roberto Henriques, que critica qualquer coisa da administração, até as férias de 15 dias da prefeita. Também não é coerente porque está baseada apenas no desejo pessoal de tomar o lugar da prefeita, mesmo tendo recebido o apoio dela para se eleger deputado estadual.

 

Folha — Como estancar essa aparente sina do grupo de Garotinho, de ter em ex-aliados os principais opositores, como é o caso de Cabral, Luiz Fernando Pezão, Jorge Picciani, Eduardo Cunha, Paulo Melo, Henriques, João Peixoto, Carla Machado, Arnaldo Vianna e Sérgio Mendes, entre outros menos cotados?

Clarissa – Garotinho é um político que tem lado e cobra isso das pessoas que caminham com ele na política. Manter um lado na política não é fácil na adversidade. Alguns escolhem o caminho mais fácil, seja por sobrevivência política ou por vantagens pessoais.

 

Folha — Entre os aliados convertidos em adversários, seu colega de Alerj João Peixoto foi outro dos procurados por Cabral (aqui) para ter participação direta no processo sucessório de Rosinha, visando deselitizar as opções da oposição em Campos. Como o equilíbrio entre pedra e periferia foi o que sempre deu a vitória, desde 1988, ao grupo de Garotinho em seu município, haja vista as únicas duas derrotas (consecutivas) da chapa Pudim/Claudeci, acha que a lógica eleitoral do governador, embora agora aplicada pela oposição, está correta para Campos?

Clarissa — A eleição em Campos não vai ser personalista. As pessoas vão avaliar a administração da Rosinha e vão pensar: melhorou ou piorou? Campos é a terceira cidade do país em geração de empregos, a primeira do Brasil a oferecer doses gratuitas de várias vacinas importantes para a população, a passagem a R$ 1,00 beneficiou muita gente, a cidade está mais bonita. As pessoas vão decidir se querem que a prefeita Rosinha continue ou se vai ser necessário mudar.

 

Folha — Dos ex-aliados, quem passou à oposição para depois voltar a fechar com o grupo, é o ex-prefeito Alexandre Mocaiber. Caso a aliança municipal com o PSB se mantenha e ele confirme sua candidatura a vereador, isso não exporia as contradições morais dos governistas em Campos, após todo o bombardeio advindo da Operação Telhado de Vidro?

Clarissa — Não conheço Mocaiber direito e não tenho intenção de conhecer. Minha opinião pessoal é que ele não deveria ser candidato a vereador. Vai se expor demais, tem muitas explicações a dar e ainda corre o risco de perder a eleição de vereador, mesmo já tendo sido prefeito. A avaliação dele não foi positiva e as pessoas ainda esperam muitas respostas dos escândalos do governo dele.

 

Folha — Por outro lado, e se as alianças estaduais se fizerem valer no plano municipal, como parece ser a votade do governador? É o caso do PSDC de João Peixoto, que já enquadrou aqui o vereador Gil Vianna, e poderia ser também do PSB de Mocaiber, cujo primo Alexandre Cardoso é secretário de Cabral e presidente regional do partido que detém a maior bancada na Câmara de Campos. Isso não poderia complicar, em ano eleitoral, a aparente tranquilidade que o governo Rosinha hoje tem no legislativo?

Clarissa — O legislativo de hoje não será o mesmo de amanhã. Vai ser renovado no próximo ano. Quem quiser a continuidade do governo Rosinha vai acabar escolhendo um vereador que vai ajudá-la a governar. Que vai aprovar as iniciativas boas para a cidade e alertar quando achar que o governo pode estar com uma visão equivocada. Um legislativo forte é fundamental. Mas a força do legislativo não está no número de aliados e opositores, e sim no comportamento harmônico e independente. Isso seria muito bom para Campos.

 

Folha — Falamos há pouco de contradições. Como explicar a sua condenação à taxa de iluminação pública da Prefeitura do Rio, quando foi veradora do município, enquanto a mesma taxa é cobrada em Campos pelo governo Rosinha?

Clarissa — A taxa cobrada em Campos não foi criada pela prefeita Rosinha e não é igual a do Rio. Em Campos se paga um valor simbólico pela contribuição de iluminação pública e tem uma faixa que é isenta. No Rio, a taxa pode chegar a R$ 90. Além disso, na cidade do Rio existe uma empresa pública de iluminação, que não conseguia sequer gastar o seu orçamento. Então pra quê criar uma nova taxa cobrando do cidadão? Além disso, não existe incoerência da minha parte. Fiz exatamente o que deveria fazer como vereadora. Eu respondo pelos meus atos.

 

Folha — Das contradições às semelhanças que parecem confirmá-las, qual a diferença da sua defesa da Educação, na Alerj, na qual é constantemente atropelada pela bancada de Cabral, com a que a professora Odisséia Carvalho desempenha na Câmara de Campos, onde a vereadora é igualmente atropelada pela bancada de Rosinha?

Clarissa — A Educação é uma das principais bandeiras do meu mandato, junto com a luta pelo primeiro emprego para os jovens. Já fiscalizamos dezenas de escolas estaduais, acompanho o orçamento da educação, votei a favor de um reajuste maior para os professores para cobrir a inflação e recompor as perdas salarias. Não posso avaliar o trabalho da vereadora Odisséia Carvalho porque não acompanho. Não seria justo hoje fazer qualquer julgamento.

 

Folha — No último dia 25, você ecoou na Alerj as supostas ligações, levantadas pelo jornal O Estado de São Paulo, entre Sérgio Cabral, Paulo Melo e a esposa deste, prefeita de Saquarema, com diversas empreiteiras que ganharam 18 contratos de obras estaduais, com dispensa de licitação. Em que pé está o caso?

Clarissa — O problema não foi a dispensa de licitação simplesmente, que está prevista em obras emergenciais. O jornal denunciou e eu questionei o fato do diretor de uma empresa, filho de uma das sócias, ser o sócio do presidente da Alerj numa outra empresa. E que coincidentemente os contratos sem licitação para essa empresa eram todos na Região dos Lagos, terra de Paulo Melo. A maior parte deles em Saquarema, onde a esposa dele é prefeita atualmente.

 

Folha — Ainda em relação às suas denúncias nas obras estaduais, até onde vai o paralelo da situação com Campos, quando a Folha anuncia aqui, com meses de antecedência, que a Odebrecht ganharia a licitação de R$ 357 milhões para a construção de 5,1 mil casas populares, cujo valor das unidades é denunciado aqui como super-faturado por outros construtores, e quando o sindicato dos trabalhadores denuncia que as obras estão paradas por falta de pagamento, impressão que parece generalizada na cidade?

Clarissa — A prefeita Rosinha afirmou que os pagamentos da prefeitura estão dentro dos prazos. Se alguém discorda, pode e deve fiscalizar. Os vereadores existem pra isso.

 

Folha — Rodrigo Maia e Clarissa é a chapa com melhores condições para impedir a reeleição de Eduardo Paes na Prefeitura do Rio? Quem seria o cabeça e quem o vice? Numa eleição e, sobretudo, numa administração, é possível harmonizar dois temperanentos tão fortes, como são conhecidos o seu e o do filho do ex-prefeito César Maia?

Clarissa — Eu defendo que o Partido da República tenha candidato próprio na cidade do Rio de Janeiro e que o nome seja escolhido em convenção partidária. Se isso não for possível por causa de uma aliança estadual, o PR saberá definir uma composição que não seja apenas eleitoral, mas que esteja amparada num programa de governo.

 

Folha — Depois de declarar reiteradas vezes que o adiantamento do debate eleitoral só interessaria à oposição, Rosinha adiantou sua filiação ao PR na última sexta, dia 26, mesmo tendo prazo até 30 de setembro. Com isso, além da pré-candidatura dela à reeleição, fica também assumida (aqui) a abreviação do debate sucessório no cronograma governista?

Clarissa — Não existe adiantamento. Diante da situação da prefeita no partido anterior, todo mundo já sabia que ela iria se filiar ao PR. Se agora ou em um mês, não faz diferença. O PR está se reestruturando e se organizando para eleger prefeitos em pelo menos 30 cidades do Estado. A presença de Rosinha fortalece o partido na região e ajuda a atrair novos filiados.

Aluizio Siqueira: “A única chance de Betinho é tentar nos dividir”

Se a intenção do ex-prefeito e pré-candidato da oposição a voltar ao cargo, Betinho Dauaire, é dividir o grupo político da prefeita Carla Machado (PMDB), a tática não surtiu efeito com o último a entrar na lista dos pré-candidatos governistas, vereador Aluizio Siqueira (PTB). Pelo contrário, ele rebateu para o campo adversário a bola dividida, afirmando que se ruptura houver, é a oposição que corre mais riscos. Para reforçar a unidade do governo, o líder da sua bancada na Câmara garantiu, assim como Neco, que, após deixar a Prefeitura, Carla também teria lugar garantido no seu governo. E, ao desmentir a versão do vereador Gersinho (PMDB), presidente do Legislativo, para o rompimento com o Executivo, Aluizio aproveitou para reafirmar sua lealdade com a prefeita, tão importante nas decisões relativas a 2012, como principal motivo para sua manutenção no grupo governista, após a eleição de 2008.

Filiado ao PTB, que em Campos é forte aliado do governo Rosinha Garotinho (PR), Aluizio ressaltou que a contrapartida é exatamente a mesma em São João da Barra, nas sólidas relações entre seu partido e o governo Carla Machado. Encarado não apenas por Betinho como uma espécie de plano B da prefeita para sua sucessão, ele discordou da visão, embora tenha se mostrado aparentemente aberto a compor a chapa da situação como vice. Caso consiga ser o cabeça e se eleger prefeito, Aluizio admitiu que aproveitará a experiência do seu irmão, o empresário Guilherme Siqueira, que atua nas obras públicas do governo Carla, “como apoio nos projetos de infraestrutura do município”. Quanto à pesquisa que irá definir entre ele, Neco ou Alexandre Rosa (PPS) como candidato governista, o vereador revelou aqui que o prazo da decisão final já está agendado por Carla: dezembro.

 

 

        

 

Folha da Manhã — Em 18 de julho, quando a prefeita Carla Machado anunciou aqui os pré-candidatos governistas, você disse aqui que até a pesquisa do IGPP definir os nomes de Neco, de Alexandre Rosa e o seu, ainda nem havia pensado nessa possibilidade, mas passaria a pensar. De lá para cá, o que passou do pensamento à prática em busca desse novo objetivo?

Aluizio Siqueira — Quem ama o que faz, tem por objetivo, crescer a cada dia na carreira que exerce. Comigo não é diferente, procuro sempre dar o melhor de mim em tudo que faço. Continuo presente no dia a dia do município, buscando soluções para as necessidades da população. Tenho mobilizado meu grupo político, através de reuniões em todas as localidades de SJB, apresentando minhas propostas e meu nome, como a mais nova opção para 2012.

 

Folha — Em entrevista aqui, o ex-prefeito Betinho Dauaire declarou que se o nome do empresário Ari Pessanha constasse dessas pesquisas governistas, teria mais intenções de voto do que você, Neco e Alexandre juntos. Por que o nome de Ari não está entre as opções governistas? Ele estava na pesquisa do IGPP que definiu as três pré-candidaturas da situação?

Aluizio — Mas quem garante que o nome de Ari não esteve presente na pesquisa? Essa é uma resposta que só quem encomendou a pesquisa poderá dar. Na verdade, vejo nesta declaração do ex-prefeito uma vontade enorme de causar um mal estar entre o grupo da prefeita Carla Machado e o amigo Ari Pessanha. Atitude típica de político profissional, que em 2004 não se dedicou na campanha do seu então candidato Ari, que inclusive, acabou sendo derrotado pela prefeita Carla Machado.

 

Folha — Entre os três pré-candidatos de Carla, até Betinho admite que você seria o mais preparado. A opinião, aliás, é comungada por muita gente da oposição e da situação. Em que você seria melhor preparado do que Neco, Rosa, ou o próprio Betinho, para governar São João da Barra?

Aluizio — Todos temos qualidades e defeitos. Partindo deste princípio, não vejo em nenhum de nós condições de julgar os outros. Esse é um poder exclusivo da população sanjoanense. O que posso garantir, é que me sinto preparado para governar o município. Tenho essa convicção, graças ao que venho vivendo e aprendendo, diariamente, com o povo amigo de São João da Barra.

 

Folha — Indagado sobre a tática de se questionar o preparo de Neco para ser prefeito, Betinho disse que ela estaria sendo na verdade empregada pelos concorrentes governistas à vaga de candidato. O que diria a respeito, tanto sobre o preparo de Neco, quanto à tática de questioná-lo?

Aluizio — Esta é mais uma declaração maldosa, típica de político profissional, como é o caso do ex-prefeito. Ele sabe que a única chance de ganhar do nosso grupo, é tentando dividi-lo. Por isso, fica querendo criar polêmicas para causar mal estar dentro do grupo vencedor da prefeita. Sobre Neco, posso garantir que é um amigo leal, honesto, trabalhador e dedicado em tudo que faz. Quanto à tática de questioná-lo (em seu peparo), posso garantir, que da minha parte nunca houve questionamento.

 

Folha — Diante de um investimento bilionário do capital privado, com consequências diretas no plano nacional e mundial, como é o caso do Porto do Açu, o preparo técnico não deveria ser o fiel da balança na escolha governista? Confia mesmo na pesquisa como critério de escolha? Para quando ela está programada?

Aluizio — O que está em disputa, é uma indicação, para concorrer, no momento certo, a um cargo político. Questões técnicas serão avaliadas e executadas, por pessoas competentes, que serão escolhidas pelo gestor na hora certa. Quanto a pesquisa, foi o método escolhido pela nossa líder política, prefeita Carla Machado. Segundo a mesma, essa pesquisa será realizada em dezembro.

 

Folha — Como líder governista na Câmara e pré-candiato anunciado à Prefeitura, você já foi procurado por Eike Batista ou algum emissário para conversar sobre o futuro de São João da Barra a partir do Porto? Como otimizar seus impactos financeiros e minimizar suas consequências sociais no município?

Aluizio — Ainda não fui procurado. Tenho um bom relacionamento com os gerentes locais do porto do Açu. Inclusive, concedi títulos de cidadão sanjoanense a dois deles, em reconhecimento ao belo trabalho que estão desenvolvendo no município. Em relação aos impactos financeiros e sociais, darei continuidade a política de bom relacionamento entre o Executivo e os empreendedores, buscando compensações financeiras e sociais, principalmente na área de infraestrutura, saúde, meio ambiente e capacitação profissional, sempre priorizando a nossa maior riqueza, que é o nosso povo. Essas medidas são imprescindíveis para consolidar o desenvolvimento sustentável.

 

Folha — Betinho declarou aqui que você e Neco seriam capaz de unir os governistas, capacidade que Rosa não teria, por ter saído e voltado ao grupo. Seguindo esta linha de raciocínio, que não é exclusiva do ex-prefeito (aqui), você estaria sendo trabalhado como uma espécie de plano B, ou para compor a chapa como vice. Vê lógica no pensamento? Aceitaria ser vice de Neco ou Rosa?

Aluizio — Mais uma demonstração do ex-prefeito, em querer dividir o melhor grupo político de São João da Barra. Não me vejo como plano A, B ou C, sou um soldado do grupo da mulher guerreira Carla Machado, pronto a servir ao grupo e ao povo amigo de São João da Barra, no que for preciso.

 

Folha — Raciocínio também corrente na política sanjoanense é o de que você, embora já tenha dado provas de lealdade à prefeita, teria mais condições de abrir carreira solo. Neco já garantiu aqui que a participação de Carla, num eventual governo dele, seria bem vinda. E no seu?

Aluizio — Acompanho a Prefeita Carla desde 2000. Perdemos juntos e juntos vencemos. Com seu incentivo, entrei para a política e desde então venho trabalhando e aprendendo com essa grande professora. Com certeza, como prefeito, não abrirei mão da sua grande experiência.

 

Folha — Gersinho disse aqui que, após a eleição de 2008, quando ele e Alexandre derrubaram na Justiça a lei municipal feita para eleger Neco à presidência da Câmara pela terceira vez consecutiva, os dois primeiros procuraram você e o vereador Jonas(PMDB), propondo um sorteio entre os governistas, desde que sem Neco, para definir o próximo presidente, proposta que teria sido recusada por Carla. Foi isso mesmo? Se não, como se deu o rompimento? E, independente do motivo, valeu a pena?

Aluizio — Não. Em momento algum fui procurado com essa proposta de sorteio. Logo após a eleição em 2008, tive uma conversa com o vereador Gersinho e o vereador Jonas, na casa do meu irmão, onde se discutiu a eleição da mesa diretora. Quem me procurou foi o então vereador Chico da Quixaba, o vereador eleito Franquis (PDT) e o vereador eleito Camarão (PPS), na casa de um amigo em Atafona. Na ocasião, recebi a proposta de vir a integrar o grupo de oposição, que estava sendo formado para eleger Alexandre Rosa presidente da Câmara no primeiro biênio e Gersinho no segundo. Proposta esta, que imediatamente recusei, uma vez que me elegi com os votos do grupo da prefeita e jamais poderia trair a todos que em mim confiaram. Agradeço a Deus, por me iluminar nessa sábia decisão.

 

Folha — Como enxerga a possibilidade de Gersinho também se lançar candidato, numa via alternativa? Há chances do mesmo acontecer com Rosa ou Ari? Como uma terceira candidatura forte afetaria a aparente polarização entre os candidatos de Carla e Garotinho?

Aluizio — Enxergo com muita tranquilidade. Quanto a Rosa e Ari, não posso responder por eles. Acredito que uma terceira via dividiria a oposição, pois nosso grupo é vencedor e unido.

 

Folha — Por falar em Garotinho, você é do PTB, partido que em Campos é forte aliado do grupo político do ex-governador. Como essa questão partidária poderia atrapalhar uma candidatura sua e como poderia influenciar mais lá na frente, caso se eleja prefeito?

Aluizio — Sou do PTB com muito orgulho, partido que em São João da Barra é forte aliado do grupo da prefeita Carla. Não acredito em nenhuma dificuldade. Aliás, o presidente municipal do PTB, Edvaldo Machado, é um grande amigo, assim como o presidente regional, o deputado estadual Marcus Vinícius.

 

Folha — Caso conquiste a Prefeitura, quais seriam os limites à ação do seu irmão, Guilherme Siqueira, enquanto empresário da construção civil, nas obras públicas do município? Hoje, qual é a atuação dele nesta área?

Aluizio — Guilherme além de irmão é meu padrinho, companheiro e grande conselheiro. Aproveitarei sua larga experiência, de mais de 25 anos de trabalho, como apoio nos projetos de infraestrutura do município e outras demandas. Atualmente, ele é um dos fornecedores de serviços para o Complexo Portuário do Açu. Atua na implantação de investimentos imobiliários, e faz acompanhamento técnico das obras de saneamento básico do município.

 

Folha — Como líder governista, você é obrigado a encaminhar votações pouco simpáticas, como as negativas aos pedidos de informação sobre os gastos do governo. Na semana passada, os governistas sob sua liderança reprovaram também um pedido de informação sobre consessões de táxi. Diante da vocação turística do município e dos interesses econômicos do Porto, essa discussão não seria fundamental? Por que São João da Barra não tem nenhum táxi operando?

Aluizio — Com certeza. Como líder do governo, tenho conhecimento de um projeto de municipalização do trânsito que está sendo elaborado pelo Executivo. Esse projeto irá organizar nosso trânsito, criará concessões de linhas municipais, como também pontos de táxi. Quanto à reprovação dos pedidos de informação, é uma questão política, já que a bancada governista tem protocolado mais de 15 requerimentos e pedidos de informação sobre o funcionamento daquela Casa de Leis, que nem sequer vão a plenário para discussão e posterior votação. Como diz o ditado: “pau que bate em Chico, bate em Francisco”.

 

Folha — Como sua experiência enquanto legislador ajudaria se fosse eleito ao Executivo? Sobretudo, como ela poderia melhorar as conturbadas relações presentes entre Prefeitura e Câmara?

Auizio — Tenho orgulho de ser vereador deste paraíso chamado São João da Barra. Principalmente, por está participando deste momento ímpar na história do nosso município. Agradeço a prefeita e amiga Carla, pela confiança em me escolher como líder de um governo vencedor. Um governo, que de forma brilhante, vem melhorando a vida das pessoas que aqui vivem. Através desta liderança , venho aprendendo a cada dia a lidar com as necessidades da população, acrescentando em muito no meu currículo. Temos enfrentado uma oposição radical e sem propósito, que a todo o momento, tenta desestabilizar o governo e assim atravancar o desenvolvimento de São João da Barra. Esta experiência tem me dado maturidade política e equilíbrio para enfrentar as dificuldades e buscar solução para as necessidades do nosso povo.

 

Atualização às 14h28: Após enviar suas respostas por e-mail, o vereador esclareceu que seu irmão, o empreiteiro Guilherme Siqueira, até por impedimento legal, não atuaria nas obras públicas do seu eventual governo.

Férias

À exceção de duas entrevistas feitas previamente, com o vereador sanjoanense Aluizio Siqueira (PTB) e com a deputada estadual Clarissa Garotinho (PR), que o blog publica respectivamente amanhã e sábado, além do espaço dominical cativo à poesia e de um texto em prosa escrito há 10 anos, com republicação agendada para o próximo 11 de setembro, o blogueiro fará um recesso em suas atividades, por um motivo irrelevante para você, caro leitor, mas vital para quem está do lado de cá: férias. 

O planejado é retomar as atividades no próximo dia 26. Até lá, deixarei você na companhia exclusiva e, por certo, mais prazerosa, do chargista José Renato. 

Obrigado por tudo e, se Deus quiser, até breve.