Carla vai de Neco, Aluizio ou Alexandre? Pesquisa define em dezembro

Desde 18 de julho último, quando a prefeita Carla Machado divulgou aqui seus três pré-candidatos para sucedê-la em 2012, e que um deles, o vereador Aluizio Siqueira (PTB) revelou aqui, na sequência, que o critério de escolha entre eles seria uma pesquisa, as bolsas de apostas política de São João da Barra se dividem: Neco (PMDB), Aluizio ou Alexandre Rosa (PPS)?

Pois embora ainda não se saiba quem será o candiato governista, pelo menos Carla já decidiu quando fará a pesquisa que o definirá: em dezembro. Foi o que Aluizio mais uma vez revelou, em entrevista feita por este blogueiro, que a Folha publica em sua edição impressa do próximo sábado, mas este “Opiniões” antecipa na íntegra, a partir das 8h da manhã de sexta.

A entrevista com o líder da bancada governista na Câmara dará sequência à série com todos os pré-candidatos à Prefeitura de São João da Barra, da situação e da oposição, ouvidos democraticamente pela Folha. Depois de Neco (aqui) e Betinho Dauaire (aqui), agora será a vez de Aluizio. O adiantamento do prazo de dezembro para a pesquisa governista serve como aperitivo…

Makhoul decide até 30 de setembro entre PMDB, PT, PRP e PSDC

Ouvido agora pelo blogueiro, Makhoul Moussalem confirmou o convite do deputado estadual João Peixoto, para também ingressar no PSDC, visando a disputar a eleição majoritária do próximo ano. Com este, já são quatro os convites que o médico recebeu para voltar à vida púbica, após ter saído do PT, pelo qual disputou a Prefeitura de Campos em 2002 e 2006: PSDC (aqui), PRP (aqui), PMDB e o próprio PT (aqui).

Makhoul, no entanto, reafirmou que só tomará sua decisão dentro do mesmo prazo de 30 de setembro já anunciado aqui, data limite para filiação dos candidatos em 2012. E, entre as quatro legendas, as opções continuam as mesmas: pode vir candidato a prefeito, a vereador ou a nada.

Brasileira Fabiana Murer salta para a história

 

 

 

 Após ter se decepcionado com a perda da vara nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, a brasileira Fabiana Murer brilhou em meio à decepção com todos nossos demais atletas, no Mundial de Atletismo, em Daegu, na Coréia do Sul. Ao transpor o sarrafo a 4,85m, no qual chegou a tocar, mas sem derrubar, ela acabou de conquistar a medalha de ouro no salto com vara. Pela façanha, única na história do atletismo brasileiro, entre homens e mulheres, Fabiana entra para a história do esporte. Na próxima quinta, quando ocorre a cerimônia de premiação, vale a pena ligar a TV para vê-la subir ao pódio e receber seu ouro, no topo do mundo, ao som do hino do Brasil.

PSDC de João Peixoto também quer Makhoul

Na arrumação do tabuleiro para o jogo que irá definir o próximo prefeito de Campos, uma das peças mais cobiçadas parece ser  médico Makhoul Moussallem. Com convites de PMDB e PT (aqui), além do PRP (aqui), para concorrer à Prefeitura de Campos em 2012, o ex-candidato nas eleições de 2004 e 2006 também é cobiçado pelo PSDC. Quem garantiu ao blogueiro foi o presidente regional do partido, deputado estadual João Peixoto, a quem o governador Sérgio Cabral (PMDB) também quer ver na disputa direta do pleito majoritário do próximo ano, na tentativa intenção revelada aqui de deselitizar as opções da oposição.

Além do convite a Makhoul para disputar a Prefeitura, Peixoto está preocupado com as nominatas do seu partido, que serão montadas em coligação com o PRP. Em reunião no próximo dia 9, a intenção do PSDC é fechar suas candidaturas à Câmara de Campos. Após a enquadrada que o deputado deu aqui no vereador Gil Vianna, e da aparente aceitação que este mostrou aqui, aos limites políticos impostos pelas alianças eleitorais, a conversa parece ter ficado menos difícil.

Na busca da própria reeleição, Gil Vianna terá que se opor à de Rosinha

No dilema entre o apoio legislativo ao governo Rosinha e a definição do seu PSDC numa candidatura de oposição à reeleição da prefeita em 2012, o vereador Gil Vianna, presidente municipal da legenda, vai ficar com seu partido. Por telefone, foi o que ele relevou agora há pouco ao blogueiro, como resposta à enquadrada que o deputado estadual João Peixoto, presidente regional do PSDC, usou o blog para fazer aqui publicamente:

— Nisso aí (o apoio de Gil a Rosinha), a gente está dando corda. Mas quando o partido tiver candidato, que fechar uma chapa (à disputa majoritária de 2012), ele não vai poder ficar nessa. Se quiser sair do PSDC, não vou proibir ninguém de sair, mas o mandato fica. Meu mandato não é meu, é do partido. E o dele também.

Ao que Gil agora confirma:

— É isso mesmo. Se eu sair do partido, meu mandato fica no partido.

Embora tenha ressaltado que vai esperar a decisão do PSDC ser oficalizada, Gil Vianna admitiu conhecer o convite do governador Sérgio Cabral (PMDB), revelado aqui, para João Peixoto concorrer à Prefeitura em 2012, alterativa que o deputado, além da cabeça de chapa, abriu também para uma coligação como vice. A partir da consumação desse quadro, que parece ser só uma questão de tempo,  além de concordar de antemão com os termos de fidelidade estabelecidos por Peixoto, Gil também já antecipou sua decisão:

— Ainda é cedo para falarmos disso, mas eu ficarei no PSDC — disse o vereador que, na busca da sua própria reeleição à Câmara, terá que ficar do lado oposto àqueles que buscam o mesmo para Rosinha na Prefeitura.

Ao questionamento feito aqui pela jornalista Suzy Monteiro, acerca da inclusão do nome do PSDC entre os partidos da base governista, promovida ostensivamente no evento do PR na última sexta, para marcar a filiação de Rosinha ao partido, Gil Vianna respondeu ao blog que a inciativa não foi dele, mas do grupo político do deputado federal Anthony Garotinho (PR), que, ao que tudo indica, o vereador tem dias contados para continuar integrando.

Versos do domingo — Vladímir Maiakóvski

Na minha irrelevante opinião, os maiores poetas que modernismo produziu no mundo foram o português Fernando Pessoa (1888/1935), o grego (nascido e criado no Egito) Konstantínos Kaváfis (1863/1933), o brasileiro João Cabral de Melo Neto (1920/1999) e o russo (nascido georgiano) Vladímir Maiakóvski (1893/1930). Sobre o universo contido em um homem só, em convulsões de expansão e retração naquele tímido e fisicamente insignificante lisboeta; sobre o diálogo aberto com a mitologia, a história e o homoerotismo da Antiguidade Clássica, tão caro ao último heleno da Alexandria; sobre a palavra garimpada à sua mineralidade, na faca só lâmina do verso do pernambucano; Maiakóvski tinha a distinção do arrebatamento, do desejo do sol, das paixões reais tão impressas em sua vida e sua obra.

Egresso do cubo-futurismo, movimento artístico russo que buscou fundir o cubismo do pintor espanhol Pablo Picasso (1881/1973) com o futurismo do poeta italiano Fillippo Marinetti (1876/1944), simbolizado na blusa amarela (título dado a um poema de 1913) que trajava para chocar a conservadora Rússia czarista, Maiakóvski seria o grande cantor da queda violenta da velha ordem, no processo social mais impactante do séc. 20: a Revolução Russa de outubro de 1917, à qual serviu ativamente como propagandista, não só na condição de escritor, mas também de desenhista. Também engajaria sua arte à causa proletária no teatro e no cinema, como dramaturgo e roteirista. 

Jornais dos dias da Revolução noticiaram que quando os marinheiros revoltosos investiram contra o Palácio de Inverno do czar Nicolau II, forçando-o a abdicar ao trono, marcharam cantando em coro os versos de luta do poeta até então mais conhecido como “o grandalhão da blusa amarela”, em todo o fulgor dos seus 20 anos: “Come ananás, mastiga perdiz./ Teu dia está prestes, burguês”.

Se, aos 20 anos, todos sonham mudar o mundo, Maiakóvski, armado apenas dos seus versos, foi um dos poucos, muito poucos, em toda a História, a realmente conseguir.

Ironicamente, no processo a partir dali desencadeado, quem acabaria mastigado lentamente até ser engolido pela Revolução — Saturno a devorar os próprios filhos —, seria seu maior poeta. Doutrinado em sua arte e boicotado pessoalmente pela burocracia estatal do novo regime, sobretudo a partir da ascensão de Josef Stálin (1878/1953) ao poder em 1922, que pretendia reduzir a poesia russa, agora soviética, a um simplismo que fosse intelegível às massas, Maiakóvski acabou se matando com um tiro no peito, a 14 de abril de 1930, aos 36 anos. 

Em vida, chegou a versejar contundente resposta à medicrodade dos que pretendiam subordinar sua criação, em poema de 1927, não por acaso intitulado “Incompreensível para as massas”, mesma classificação que tentavam lhe impor: “Aos pávidos/ poetas/ aqui vai meu aparte:/ Chega/ de chuchotar/ versos para os pobres./ A classe condutora,/ também ela pode/ compreender a arte./ Logo:/ que se eleve/ a cultura do povo!/ Uma só,/ para todos./ O livro bom/ é claro/ e necessário/ a mim,/ a vocês,/ ao camponês/ e ao operário”.

Na verdade, desde 1920, quando escreveu “A extraordinária aventura vivida por Vladímir Maiakóvski no verão na datcha”, ele já deixara devidamente evidenciado o parâmetro com o qual pretendia se ombrear, ao desenvolver em versos a imagem do sol aceitando a provocação-convite e descendo do céu para uma conversa entre iguais, regada a xícaras de chá, numa tarde de verão na datcha (casa de veraneio dos russos). Todavia, longe da aspiração meramente individual, concluído o diálogo fraterno entre o astro e o poeta, a lição dele extraída é comungada ao final como vocação de toda a humanidade: “Brilhar pra sempre,/ brilhar como um farol,/ brilhar com brilho eterno,/ gente é pra brilhar,/ que tudo mais vá pro inferno,/ este é o meu slogan/ e o do sol”. 

Após seu suicídio, que alguns até hoje acreditam ter sido forjado pelas motivações políticas daqueles que preferiram converter brilho em sombra, um dos principais líderes da Revolução de 1917, Leon Trótski (1879/1940), exilado e perseguido (até ser assassinado no México) por Stálin, escreveu: “Sim, Maiakóvski é o mais viril e o mais corajoso de todos os que, pertencendo à última geração da velha literatura russa e ainda por ela não reconhecidos, procuraram criar laços com a Revolução. Sim, ele desenvolveu laços infinitamente mais complexos que todos os outros escritores. Um dilaceramento profundo nele permanecia. Às contradições, que a Revolução comporta, sempre mais penosa para a arte, na busca de formas acabadas, somou-se, nos últimos anos, o sentimento do declínio a que o conduziram esses burocratas”.

Elemento sempre presente em seus versos, o sarcasmo de Maiakóvski não o abandonou nem no bilhete de suicídio, no qual advertiu sobre seu ato capital: “não recomendo a ninguém”. Por justificativa e despedida, a caligrafia dos versos: “Como dizem: caso encerrado,/ O barco do amor espatifou-se na rotina./ Acertei as contas com a vida/ inútil a lista/ de dores,/ desgraças/ e mágoas mútuas./ Felicidade para quem fica”.

Na carta testamenta também seu amor por Lí­lia Brik e Ve­rô­ni­ca Vi­tol­dov­na Po­lonskaia, a “No­ra”, ambas casadas, o que parece ter sido outra causa à depressão da qual padeceu até tirar a própria vida. À primeira, pede que o ame, enquanto a segunda esteve com Maiakóvski na noite precedente e manhã do suicídio, cujo barulho do tiro ouviu ainda no corredor do prédio, após sair do quarto do poeta. E ao Estado que ajudou a reinventar, pede que cuide das duas amantes, da mãe e das irmãs.

Em versos dedicados ao também poeta Sierguéi Iessiênin (1895/1925), que igualmente cometera suicídio cinco anos antes, Maiakóvski também já deixara outra ressalva sarcástica: “Melhor/ morrer de vodca/ que de tédio!”.

Um ano antes, em 1924, no poema “Jubileu”, em homenagem ao 125º aniversário de nasimento de Alexander Púchkin (considerado o fundador da literatura russa moderna) Maiakóvski escrevera sem nenhum sacasmo: “É preciso/ que o poeta/ seja mestre da vida”. Iessiênin parece ter descoberto antes que, mesmo com a Revolução Bolchevique, esta necessidade jamais seria atendida. E a mesma certeza deve ter sido insuportável ao autor que, ainda a seis anos de se matar, encerraria aquele poema a Púchkin com os versos: “A mim,/ a meu posto,/ uma estátua é devida./ Dinamite:/ — eu a explodo em detritos!/ Odeio/ a morte e seu mortiço./ Adoro/ aquilo que é vida.”

Na busca de vivê-la de todas as maneiras, apesar do amor à Rússia, foi também um homem do mundo. Mesmo sem falar nenhum outro idioma, conheceu França, Espanha, Cuba, México e Estados Unidos, jornada de cujo relato em prosa chegou a citar “um tal de Brasil”.  Na definição de Boris Schnaiderman, ucranio radicado em São Paulo e um dos seus mais dedicados tradutores à língua portuguesa, Maiakóvski foi um “revolucionário nas concepções sociais e na forma que utilizou, desabusado, amigo do palavrão e do coloquial, poeta das ruas”. O que não deve nublar o fato de se tratar de um artesão da palavra com requinte de ourives, capaz de reescrever um único verso até 60 vezes, antes de se dar por satisfeito

Mas definição ainda mais precisa talvez nasça da sua própria lavra. Concluído em janeiro de 1930, apenas dois meses antes de sua morte, no poema “A plenos pulmões”, que era como o gigante (literário e literal) costumava declamar seus versos, Maiakóvski lega sua satisfação pessoal a qualquer curiosidade póstuma: “Caros/ camaradas/ futuros!/ Revolvendo/ a merda fóssil/ de agora,/ percrustando/ estes dias escuros,/ talvez, perguntareis/ por mim. Ora/ começará/ vosso homem de ciência,/ afogando os porquês/ num bando de sabença,/ conta-se/ que outrora/ um férvido cantor/ a água sem fervura/ combateu com fervor”.

Por todos esses motivos e outros tantos, sempre que alguém me pede um poema, entre os poucos que cheguei a memorizar, não tenho muita dúvida antes de emprestar voz aos versos do prólogo de “A flauta-vértebra”. Escrito em 1915, por um autor de apenas 21 anos, nele já se pode constatar o amor dividido entre mulheres passadas e presentes, assim como a idéia do suicídio e a forma que o vate (sinônimo de poeta no sentido daquele que vaticina, que vê antes) escolheria para consumá-lo 15 anos depois: “pôr-me o ponto final de um balaço”.

Numa das metáforas mais belas da poesia universal, até por sua literalidade possível, quando o significado do título se desvela ao final, o leitor-ouvinte descobre o poeta às portas de um novo começo, no raiar da sua maior revolução, onde nem a morte seria capaz de pôr termo ao destino de quem insiste em existir materialmente mesmo depois da carne, no canto dos seus versos, na flauta das próprias vértebras…

 

 

Ilustração de Maiakóvski para o poema “A flauta-vértebra”/ Tradução do texto da ilustração: “Estou preso ao papel com os pregos das palavras”
Ilustração de Maiakóvski para o poema “A flauta-vértebra”/ Tradução do escrito: “Estou preso ao papel com os pregos das palavras”

 

 

A flauta-vértebra

 Prólogo

 

A todas vocês,

que eu amei e que eu amo,

ícones guardados num coração-caverna,

como quem num banquete ergue a taça e celebra,

repleto de versos levanto meu crânio.

 

Penso, mais de uma vez:

seria melhor talvez

pôr-me o ponto final de um balaço.

Em todo caso

eu

hoje vou dar meu concerto de adeus.

 

Memória!

Convoca aos salões do cérebro

um renque inumerável de amadas.

Verte o riso de pupila em pupila,

veste a noite de núpcias passadas.

De corpo a corpo verta a alegria.

Esta noite ficará na História.

Hoje executarei meus versos

na flauta de minhas próprias vértebras.

 

 

(Tradução de Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman)

 

 

Flauta-vértebra de 35 mil anos, achada no fundo de uma caverna da Alemanha, é o instrumento musical mais antigo da humanidade
Flauta-vértebra de 35 mil anos, achada no fundo de uma caverna da Alemanha, é o instrumento musical mais antigo da humanidade

Construtor candidato a prefeito em 2012 para descontruir vícios nas obras públicas

No próximo dia 6, o empresário Clodomir Crespo assina sua filiação ao PV, pelo qual pretende concorrer à Prefeitura de Campos, com apoio do presidente municipal do partido, o advogado Andral Tavares Filho, também pré-candidato à eleição majoritária de 2012. Ao defender o programa de governo que elegeu Rosinha prefeita em 2008, como o melhor já elaborado para o município, Clodomir não tem papas na língua para apontar o descumprimento de vários pontos e os supostos motivos, sobretudo em relação às obras públicas. Engenheiro e construtor, ele afirmou ter entregue ao deputado federal Anthony Garotinho (PR), em março de 2009, uma planilha orçamentária provando tecnicamente que o preço correto do programa municipal “Morar Feliz”, com toda infra-estrutura necessária, seria de R$ 50 mil por unidade habitacional, não os R$ 70 mil aprovados, o que teria gerado um super-faturamento de R$ 102 milhões nas 5,1 mil casas já licitadas, entre as 10 mil prometidas.

Enquanto vê dinheiro demais por um lado, Clodomir aponta àquele que parece de menos no pagamento às empreiteiras, gerando o atraso e a paralisação das obras públicas do município. Como resposta a quem também quiser questionar o fato de que ele já teria participado, enquanto construtor, do mesmo esquema que agora denuncia, mas garante ter abandonado desde 31 de maio de 2007, ele apresentou todos seus dados, enquanto pessoa física e jurídica, para a devida conferência. Na sua visão, a melhor maneira de se administrar a cidade seria aquilo que define como “gestão empresarial pública”, unindo empresários e trabalhadores para que os bilionários recursos de Campos sejam integralmente investidos no município.   

 

(Foto de Alessa Oliveira)
(Foto de Alessa Oliveira)

 

Folha da Manhã — Você inicialmente planejou aqui lançar sua candidatura levando uma série de questionamentos técnicos às obras públicas municipais ao Ministério Público. Por que mudou de idéia? Receio de não dar em nada?

Clodomir Crespo — De jeito nenhum, tenho certeza que o Ministério Público cumprirá com seu dever, só que cheguei à conclusão que já tem e terá mais ainda tanta gente e tantas instituições insatisfeitas com os desmandos praticados pelo governo municipal atual, que serei apenas mais um com os mesmos questionamentos.

 

Folha — Por que essa impressão generalizada de que a grande maioria das obras públicas municipais estaria parada ou a passos muito lentos? Isso realmente está acontecendo? Quais os motivos?

Clodomir — Esta acontecendo de forma generalizada e a olhos nus, só não enxerga quem não tem interesse de enxergar, ou seja, os responsáveis pelos fatos. E o motivo é simples: as empresas vem tendo seus pagamentos por serviços prestados com frequentes atrasos, muitas vezes de mais de 90 dias; estão com pendências ainda atrasadas e, o que é pior, não confiam mais neste governo para adiantarem os cronogramas. Se fizerem isso, sabem que correm o risco de ficar sem receber.

 

Folha — Como encarou a notícia de que na última segunda, em tensa reunião de cinco horas na Prefeitura, Garotinho teria feito cobranças pesadas ao secretariado de Rosinha, especialmente sobre Tom Zé e César Romero, chegando a ameaçá-los de exoneração, caso as obras públicas não acelerem o ritmo? Acha que o caminho é por aí?

Clodomir — É um verdadeiro absurdo, pois além dele não ter oficialmente essa autoridade, que deveria ser da prefeita eleita por 1/3 da população votante de Campos, o prefeito de fato ainda quer exigir das empresas que acelerem os serviços sem nenhuma garantia de quando e se vão receber, pois já está mais do que provado que eles não têm nenhum compromisso com as necessidades impostas às empresas de cumprir suas obrigações com seus funcionários e seus fornecedores.

 

Folha — Um dos questionamentos que você projetou levar ao MP se refere ao valor de R$ 70 mil por unidade do “Morar Feliz”, menina dos olhos do governo Rosinha. Falando tecnicamente, como engenheiro e construtor, o que há de errado no programa?

Clodomir — Diversas coisas, tanto política quanto administrativamente. Primeiro, Garotinho tem em mãos, entregue por mim em março de 2009, uma planilha orçamentária provando que o preço certo e justo das casas deste belo programa habitacional, chamado “Morar Feliz”, é de R$ 50 mil por casa, com toda infra-estrutura necessária. Quantos milhões de motivos políticos e pessoais ele teve para aprovar um preço R$ 20 mil acima? Só na primeira etapa prometida, de 5,1 mil casas, temos um super-faturamento de R$ 102 milhões, bancado pela dinheiro público. Em segundo lular, nesta primeira etapa foram prometida 5,1 mil casas, divididas em 13 obras em 13 bairros diferentes do nosso município, fato que poderia ter gerado 13 oportunidades de licitações, onde dezenas de empresas de nossa região poderiam ter participado, alavancando o empresariado regional em todos os segmentos, inclusive as nossas cerâmicas, que receberam a promessa de aquisição de tijolos e telhas, o que não foi cumprido. No entanto, o que foi arbitrariamente feito: unificaram as treze obras em único e imoral edital de licitação de nº 004/2009, formando um bolão de R$ 357.963.677,57, com exigências de atestados técnicos em quantidades absurdas para o objeto do projeto, casas populares, e capital social elevadíssimo, fazendo com que todas as empresas de nossa região ficassem impedidas de ao menos participar da licitação citada. Pergunto: quantos milhões de motivos políticos e pessoais os levaram a prejudicar tantas empresas? E não digam que foi por capacidade operacional, pois as obras estão claramente atrasadas, correndo o risco de não serem concluídas, e olha que o prometido eram 10 mil casas. Em terceiro lugar,  junto a esse belo projeto “Morar Feliz” poderia estar agregado o programa semelhante do governo federal, “Minha Casa, Minha Vida”, em mais 10 mil casas que estamos proibidos de receber para nossa população mais carente, por não haver interesse sério de legalização de nosso município junto ao programa federal, por motivos políticos pessoais do prefeito de fato, que também quer ser presidente da República.

 

Folha — Acredita que a prefeita Rosinha conseguirá cumprir sua promessa de entregar as 10 mil casas populares prometidas? Se não, qual o motivo e o número de habitações que julga ainda ser possível entregar antes de 2013?

Clodomir — Humanamente impossível, por causa do tempo útil de mais ou menos oito meses, pois teremos chuvas e outras causas de atraso, e, financeiramente, impossível também, já que está havendo dificuldade de pagar em dia a metade do prometido. Acredito que se eles conseguirem restabelecer a confiança das empresas envolvidas talvez terminem a metade do prometido.

 

Folha — Para quem não é do meio, a impressão é que esse descontrole em relação às obras públicas teria se iniciado com a queda da ponte Gal. Dutra, em janeiro de 2007, ainda no governo Mocaiber. Concorda? Por quê?

Clodomir — De jeito nenhum. Este governo teve e tem todas as melhores condições necessárias para bem governar, só que a falta da verdadeira intenção continua prevalecendo, o que não é nenhuma novidade nos últimos 27 anos.

 

Folha — São apenas esses questionamentos? Se não, quais outros? Algum não relativo apenas a obras?

Clodomir — São tantos que nem um ano de folhas de jornal daria para resumir 27 anos de desmandos e o principal é que ambos continuam tentando transformar mentiras em verdades, o que conseguiram por quase trinta anos, mas os fatos não deixam mais dúvidas. A farsa acabou, o império está ruindo, a credibilidade já terminou.

 

Folha — Você confessa que o melhor programa de governo para Campos já está pronto: o que elegeu Rosinha em 2008. Quais, então, as dificuldades para cumpri-lo?

Clodomir — Não tenho dúvida da qualidade do programa inteligentemente elaborado, mas a falta de seriedade com os objetivos e obviamente a forma de executá-los destrói toda a bela aparência, como por exemplo a duplicação do trecho da estrada estadual do Jockey Club a Goytacazes. Pergunto: Por que não foi feito em oito anos de seus mandatos no governo do estado? Por que não está sendo feito pelo atual governo estadual, poupando os cofres municipais para outros projetos mais urgentes? A resposta é óbvia: Garotinho também quer ser novamente governador. Por que estaá sendo feita por quase o triplo do preço por km de estrada asfaltada com toda a infra-estrutura? E não culpem a construtora contratada, pois quem faz planilha orçamentária e edital de licitação são os governos, sejam municipal, estadual ou federal. Enfim, não existe dificuldade, existem falta de seriedade e muitos interesses políticos pessoais, pois este é o governo que comete os desmandos e depois tenta desfazê-los, cancelando licitações e contratações irregulares e reduzindo acordos já firmados, para tapar rombos com desculpa de preocupação com o futuro.

 

Folha — Ao assumir publicamente que você tem a pretensão de concorrer à Prefeitura pelo PV, o presidente municipal da legenda, Andral Tavares Filho, disse, no entanto, que a pré-candidatura dele está mantida. Como e quando se dará essa definição?

Clodomir — Não há, nem nunca haverá nenhuma disputa entre mim e o Dr. Andral Tavares. Somos amigos, com interesse comum em fazer alguma coisa para o bem da nossa cidade. Seja quem for o escolhido pelo partido, estaremos unidos com os mesmos objetivos políticos para Campos, que é implantar em nossa Prefeitura a “gestão empresarial pública”, que significa a união de todos os segmentos empresariais com todos os trabalhadores, do simples botequim à mais complexa siderúrgica, fazendo com que tudo o que for produzido em nosso município seja revertido e aplicado 100% em nosso município. Acabando com todo e qualquer desvio, seja por interesse político ou material pessoal.

 

Folha — Você é conhecido por seu temperamento forte e parece estar disposto a bater na campanha de 2012. Está preparado também para apanhar, dos mais variados lados e sem perder a linha, capacidade exigida a qualquer um que ingresse na vida pública?

Clodomir — Sou de temperamento forte em defesa do que é certo e do que é justo, não vou entrar na política para agredir ou ofender quem quer que seja, sem motivos ou por leviandade. Quero discutir novas formas de fazer política, principalmente para nossa cidade de Campos e nossa região, tão privilegiada por Deus e tão mal usada pelos homens que se desvirtuaram do caminho certo e honesto. Coloco meu nome, Clodomir Inácio Siqueira Crespo, cpf 472.249.167-49, cic 06090596-5 e o nome de nossa empresa DAC CONSTRUÇOES E PAVIMENTAÇÕES LTDA, CJPJ n. 04258559/0001-77, para serem checados na Polícia Federal, Ministério Público Federal e Estadual, Justiça Federal e Estadual, ou qualquer outro órgão, se tenho ou temos qualquer processo de natureza desonesta ou de improbidade. Não fui, não sou e nem pretendo ser nenhum homem isento de crítica. Tenho defeitos e qualidades que considero normais, os quais coloco à avaliação de toda a população de Campos. Já tive e tenho momentos de dificuldades financeiras, principalmente por ter acreditado em administrações públicas desonestas e sem compromisso com a verdade e a probidade, me causando sérios prejuízos financeiros, que me fizeram abandonar a participação de serviços públicos quer sejam federais, estaduais e municipais, desde 31 de maio de 2007. Tenho mais de 35 anos de trabalho e nunca fui processado por qualquer tipo de falcatrua.

 

Folha — Na postagem do blog Opiniões que anunciou sua pré-candidatura, um comentarista sugeriu aqui que lhe fosse perguntado o que sua mulher fornecia ao governo Mocaiber. A referência parece ser a empresa Nutrinut Refeições, da sua companheira, Valéria Mendes. Pode responder ao leitor?

Clodomir — Sou divorciado há mais ou menos 10 anos e tenho um relacionamento respeitoso de homem e mulher com a Sra. Valéria Mendes, a quem conheço como uma empresária com mais de 20 anos no ramo de alimentação, que já prestou serviços a todos os governos municipais, desde o segundo mandato de Garotinho, até o do Dr. Alexandre Mocaiber, assim como a dezenas de empresas privadas de grande e médio porte em diversas regiões do estado do Rio Janeiro e Espírito Santo, já que ela é uma profissional qualificada e competente. Portanto, apesar de não ter nenhuma interferência na vida profissional de Dona Valéria Mendes, tenho por ela imenso amor e respeito, sentimentos de homem que não dizem respeito a ninguém, mesmo passando a ter uma atividade pública.

 

Folha — Até onde o projeto da sua candidatura nasce do inconformismo com a maneira como as obras públicas municipais estão sendo conduzidas, e até que ponto isso é fruto de simples ressentimento de quem ficou de fora? E, caso eleito, sua DAC Construções continuaria fora?

Clodomir — Não tenho nenhum ressentimento em estar de fora, até porque se aceitasse as regras do jogo sujo, estaria dentro, por minha capacidade profissional. Minha decisão aos quase 54 anos é simplesmente por não querer morrer omisso politicamente como fui por todos estes anos, assim como a grande maioria dos homens de bem de nossa cidade. Contudo como bem disse Martin Luther King, no slogan escolhido pelo Partido Verde: “Pior do que o grito dos desonestos, pior do que o grito dos corruptos, pior do que o grito dos canalhas e pior do que o grito dos sem caráter, é o silêncio dos bons”. E sem nenhuma dúvida nossa empresa jamais participaria de nenhum projeto público municipal, até porque meu filho Dac Crespo, que é o dono e administrador da DAC Construções, tem sua vida já direcionada a diversos projetos privados, que são mais do que suficiente para sustentá-lo e à sua família.

 

Folha — Você ressalta não disputar mais licitações públicas, dizendo ter se recusado a praticar as irregularidades que constatou no governo Mocaiber. Mas não era a mesma coisa quando você também participava, uma vez que a promiscuidade entre empreiteiras e o poder público está longe de ser novidade, pelos menos desde 1993, quando explodiu o escândalo nacional dos Anões do Orçamento, com envolvimento direto da mesma Odebrecht que ganhou a licitação de R$ 357 milhões para a construção de 5.100 casas, como a Folha antecipou meses antes dos envelopes serem abertos?

Clodomir — Participei de algumas obras públicas no governo estadual nas gestões de Garotinho e Rosinha, e nunca tive por parte de nenhum dos dois qualquer tipo de chamamento para qualquer negociação escusa. Como em todos governos, existe um percentual de processos honestos, tanto que quase quebrei no final de 2006 e início de 2007, por não ter recebido serviços executados em três obras terminadas e duas inacabadas pelos governos de ambos. Trabalhei por 11 meses para o governo Mocaiber, onde executei três obras, todas entregues até 31/05/2007, obras essas que foram elogiadas pela fiscalização feita pelo então prefeito interino Roberto Henriques. Nunca fiz obras ou serviços para governos municipais de Garotinho, Arnaldo Vianna ou Sérgio Mendes. O pouco que executei de obras públicas, fiz com responsabilidade e tomei grandes prejuízos, exatamente como acontece com toda empresa honesta. Quanto à parceria Garotinho/Odebrecht só ele pode responder sobre seus reais motivos para fazer esta covardia com o empresariado de nossa região.

 

Folha — Acredita sinceramente que alguém egresso de uma categoria tão estigmatizada como a dos empreiteiros, que nunca foi testado nas urnas, tem alguma chance real de se eleger prefeito, diante do franco favoritismo de Rosinha?

Clodomir — Não sou nem nunca fui pertencente a nenhuma categoria específica. Quem me conhece e até quem não me conhece pessoalmente sabe que sou trabalhador e pertenço a uma família de trabalhadores, comerciantes em diversas atividades como agropecuária, comércio de carnes, obras e prestação de serviços privados. Acredito que toda Campos está ávida de um novo procedimento político, limpo e honesto. E isso não é utopia, é perfeitamente viável em um município independente financeiramente como o nosso. Basta governar sem desviar, e a “gestão empresarial pública” viabiliza todo esse processo. Eles também sabem disto, só não se interessam por fazer o que deve ser feito. Não acredito em nenhum favoritismo de políticos que renegam seu próprio nome e que mesmo gastando fortunas em lugar onde já tiveram 90% dos votos da população, elegeram-se com apenas 1/3 do eleitorado e assim mesmo porque não havia à disposição da população nenhuma opção decente e viável, seja por candidatos de pouca expressão política, seja por candidatos dilapidados moralmente. Quando a população de nossa Campos, em todos os recantos, souber detalhadamente tudo que está por trás de cada projeto em execução e em cada contratação que está sendo praticada em nossa Prefeitura, vamos ver onde estará o favoritismo.

 

Folha — Por que o leitor não deve desconfiar que sua postulação, caso se confirme, não seria uma candidatura de apoio para atacar Rosinha, como o hoje deputado federal Paulo Feijó claramente fez em 2008, auxiliando a eleição da prefeita ao chamar para si o confronto direto com Arnaldo Vianna?

Clodomir — Não tenho e nunca tive nenhum compromisso com essa oposição que esta aí para tomar o poder e continuar os mesmos desmandos. Escolhi o Partido Verde por encontrar nele pessoas com o propósito de honestidade. Junto a outros partidos independentes e com os mesmos princípios faremos a verdadeira revolução política local, que começa com a participação e conscientização dos homens e mulheres de bem, que não concordam com a forma cruel e desgastada com que somos governados por políticos que pensam que Campos dos Goytacazes é sua propriedade particular, à disposição de sustentar seus projetos políticos psicopatas, só satisfazendo seus interesses pessoais em detrimento de toda a população. Portanto, não sou político profissional. Sou um homem de bem e maduro que quer fazer política para o bem de todos. Por favor, não me compare a nenhum desses políticos.