Nelson Lellis — A armadilha do silêncio nas pautas identitárias

 

(Criado com IA)

 

 

Nelson Lellis, doutor em Sociologia Política pela Uenf

Fígaro e o fóbico: a armadilha do silêncio nas pautas identitárias

Por Nelson Lellis

 

Introdução: casos factuais

O debate público brasileiro atravessa um momento de interdição que transcende a mera polarização; vivemos a instauração de uma certa auditoria do pensamento. Esse fenômeno ficou evidente no último ano, quando a crítica de Chico Bosco a certas vertentes do feminismo contemporâneo foi recebida não com contra-argumentos, mas com um escrutínio moralizante que visava deslegitimar o interlocutor antes mesmo do debate.

Essa dinâmica confirma o diagnóstico recente de Vladimir Saflatle na revista Piauí: a universidade e a esfera pública estariam se convertendo em um “grande FMI universitário”. Para Safatle, operamos hoje sob uma lógica de ajuste estrutural das ideias, onde identidades são geridas como ativos financeiros e o pensamento crítico é substituído por uma burocracia de conformidade que decide quem pode falar e sobre o que é permitido divergir.

É nesse cenário de vigilância que a pesquisa de Beatriz Bueno acerca do conceito de “parditude” emerge como um caso paradigmático. Ao propor o reconhecimento do pardo não como um resíduo da branquitude ou uma categoria a ser subsumida automaticamente pela negritude, mas como uma ontologia mestiça com vivências, dores e complexidades próprias, a pesquisadora tocou no nervo exposto dos dogmas identitários.

A reação de setores da militância e da academia ao seu estudo — muitas vezes sendo acusada de “eugenista” ou “desmobilizadora” por ousar diferenciar a experiência parda da negra — ilustra perfeitamente a tese do “FMI” de Safatle: a diversidade é celebrada apenas até o momento em que ela desafia a cartilha hegemônica da gestão identitária.

O caso da parditude nos força a encarar o paradoxo atual: as pautas identitárias, que nasceram para dar voz a saberes silenciados (Foucault), correm o risco de instaurar novos regimes de verdade que, ao rejeitarem a complexidade do real (como a existência de uma identidade mestiça autônoma), reproduzem a exclusão que dizem combater.

Retomo nesse breve texto, portanto, a máxima de Pierre Beaumarchais em “O Casamento de Fígaro” (1778): “Sem a liberdade de criticar, não existe elogio sincero”. Se a tentativa de Beatriz Bueno de complexificar o debate racial é interditada pelo medo do cancelamento ou pela acusação automática de fobia, o que resta não é justiça social, mas um silêncio preventivo. E onde impera o silêncio, a democracia fenece.

 

A liberdade de criticar: do Fígaro ao fóbico

Em 1778, Pierre Beaumarchais escreveu “O Casamento de Fígaro”, uma peça que, antes mesmo da Revolução Francesa, já disparava contra os privilégios da nobreza. Nela, o protagonista imortalizou uma máxima que ecoa em nossos dias: “Sem a liberdade de criticar, não existe elogio sincero”. O raciocínio é direto: se sou proibido de discordar, meu apoio não é admiração, é medo ou obrigação. Para que o elogio tenha valor, ele precisa ser uma escolha, não uma imposição.

Ao observarmos o cenário atual, amparados por leituras como as de Yascha Mounk (A armadilha da identidade), percebemos um paradoxo perigoso. É inegável que as políticas identitárias surgiram para dar voz a saberes historicamente silenciados e desmascarar falsas universalidades (Foucault). No entanto, há uma ironia trágica na prática contemporânea: ao blindar suas pautas contra qualquer análise externa, certos ativismos instauram novos regimes de verdade, tão dogmáticos quanto os antigos.

Se a ética se constrói na coragem de dizer a verdade diante do poder — o que Foucault chamava de parrhesía —, a interdição da crítica sob o rótulo automático de fobia anula esse ato ético. O aliado que se cala por medo do cancelamento não oferece apoio real, mas uma confissão de fé performática.

 

A Interdição do Debate e o “Lugar de Fala”

O primeiro ponto de desgaste é a distorção do conceito de “lugar de fala”. Originalmente criado para iluminar perspectivas esquecidas, ele tem sido usado para encerrar discussões. Se um aliado não pode questionar uma tática ou postura sem ser tachado de “fóbico”, seu apoio perde a substância racional. A causa, a longo prazo, definha pela falta de oxigênio intelectual.

 

A Sacralização da Identidade

Do ponto de vista da sociologia da religião, notamos uma lógica sectária. A identidade tornou-se o “sagrado”. Tocar nela de forma crítica é visto como profanação. Essa barreira é visível tanto em grupos progressistas quanto conservadores: onde termina a crítica sociológica e começa a intolerância? Se não encontrarmos essa linha, o respeito será apenas uma fachada.

 

O Limite entre Crítica e Ódio

É preciso, contudo, um cuidado fundamental: a distinção entre crítica e discurso de ódio. Beaumarchais falava de criticar atos e ideias, jamais de desumanizar pessoas. No Brasil, infelizmente, o termo “liberdade de expressão” é frequentemente sequestrado para camuflar o racismo e a homofobia. A liberdade que defendemos aqui é a de discordar civilizadamente, pois só dela nasce o reconhecimento legítimo.

 

Por uma Democracia com Atrito

Movimentos sociais verdadeiramente fortes são aqueles que suportam o escrutínio. O elogio que vale a pena é aquele que reconhece a legitimidade do outro, mesmo apontando suas falhas. Uma democracia saudável precisa dessa tensão. Como na física, sem o atrito não há movimento; resta apenas a inércia de um discurso vazio.

 

Concluindo…

O percurso que traçamos, da interdição sofrida por Francisco Bosco à “auditoria” denunciada por Vladimir Safatle, revela que a crise do debate público brasileiro não é apenas de civilidade, mas de ontologia política. O caso da “parditude” de Beatriz Bueno serve aqui como a prova final e irrefutável de que o “Grande FMI Universitário” não tolera o excedente da realidade. Ao tentar enquadrar a complexa experiência mestiça brasileira na planilha binária de importação norte-americana, o dogmatismo identitário precisa silenciar a dissonância para manter a sua coerência interna.

Contudo, o silenciamento do dissenso cobra um preço alto: a esterilização da própria política. Quando a dúvida é convertida em fobia e a crítica em heresia, o que resta não é militância, mas liturgia. Nesse momento, a lição de Fígaro torna-se muito peculiar: a legitimidade de qualquer pauta progressista depende vitalmente da sua capacidade de suportar o contraditório. Se quisermos construir uma justiça social que não seja apenas uma gestão burocrática de ressentimentos, precisaremos resgatar urgentemente a liberdade de criticar. Pois, sem ela, todo elogio à diversidade continuará sendo, tragicamente, apenas medo disfarçado de virtude.

O principal entrave reside nessa tribalização do intelecto: no ambiente digital, a crítica raramente é recebida como um convite à reflexão, sendo imediatamente processada como um ataque à identidade do grupo. Isso gera um efeito de silenciamento preventivo, onde o medo do estigma social (a acusação de fobia ou heresia) sufoca a honestidade intelectual antes mesmo que ela se transforme em palavra. Além disso, enfrentamos o desafio da distinção semântica. Em um cenário de polarização aguda, a linha que separa o escrutínio legítimo de ideias (a liberdade de blâmer) da agressão desumanizante tornou-se perigosamente tênue.

O desafio da crítica hoje é, portanto, duplo: a) resgatar a civilidade para manter a capacidade de confrontar a ideia sem aniquilar o sujeito; b) combater o dogmatismo aceitando que a dúvida e o contraditório não são inimigos da causa, mas os únicos elementos capazes de conferir autenticidade ao apoio e à militância. Sem enfrentar esses desafios, corremos o risco de transformar o debate público em um eco de monólogos, onde a verdade é medida pelo volume da adesão, e não pela força da razão.

 

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Em prosa e verso — Sebastianismo, o Supremo e os “heróis da democracia”

 

Os “heróis” D. Sebastião, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli (Montagem: Joseli Matias)

 

 

Sebastianismo, o Supremo e os “heróis da democracia”

(A Dionísio Barbosa, meu bisavô português de Paredes de Coura, perto da fronteira do Minho com a Galícia)

 

Dom Sebastião foi rei de Portugal de 1557 a 1578. Assumiu o trono quando seu país era a potência emergente da Terra, líder da Expansão Marítima e Comercial Europeia.

Antes deste século 21 marcado pelo soerguimento de China e Índia, quem abriu, dos séculos 15 ao 20, o domínio do Ocidente sobre o mundo? A resposta está no poema “A Mensagem”. É o único do luso Fernando Pessoa publicado em livro durante sua vida:

 

“A Europa jaz, posta nos cotovelos:

De Oriente a Ocidente jaz, fitando,

E toldam-lhe românticos cabelos

Olhos gregos, lembrando.

 

O cotovelo esquerdo é recuado;

O direito é em ângulo disposto.

Aquele diz Itália onde é pousado;

Este diz Inglaterra onde, afastado,

A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

 

Fita, com olhar esfíngico e fatal,

O Ocidente, futuro do passado.

 

O rosto com que fita é Portugal.”

 

Diante dos novos mundos da Idade Moderna abertos à vanguarda do rosto português, D. Sebastião preferiu olhar por cima do ombro da História: às Cruzadas da Idade Média contra os mouros. E acabou por estes morto ou desaparecido na batalha de Alcácer-Quibir, no Marrocos, Magreb muçulmano do Norte de África.

Sem deixar herdeiro, D. Sebastião lançou Portugal, de maior nação da Europa, à condição de província espanhola na União Ibérica de 1580 a 1640. Mas gerou, em Portugal e sua colonização do Brasil, o sebastianismo: a espera pelo regresso de um herói messiânico que nos resgatará ao tempo de glória.

Sem a mesma origem étnica, é o mesmo ethos do “Make America Great Again” (“Faça a América Grande de Novo”). Do Maga dos EUA de Donald Trump, bola da vez como imperador do mundo a olhar sobre o ombro da História. Provavelmente, com o mesmo fim. Do século 16 ou de quem supõe a ele poder regredir no século 21 de China e Índia.

Palavra que tem tradução em outras línguas por sentimento universal, mas sem o léxico que a caracteriza mais profundamente na língua portuguesa, “saudade” tem o sebastianismo por placenta. Que deseja por quase meio milênio, na mesma “Mensagem” de Pessoa, “O Desejado”:

 

“Onde quer que, entre sombras e dizeres,

Jazas, remoto, sente-te sonhado,

E ergue-te do fundo de não-seres

Para teu novo fado!

 

Vem, Galaaz com pátria, erguer de novo,

Mas já no auge da suprema prova,

A alma penitente do teu povo

À Eucaristia Nova.

 

Mestre da Paz, ergue teu gládio ungido,

Excalibur do Fim, em jeito tal

Que sua Luz ao mundo dividido

Revele o Santo Gral!”

 

No Brasil, o sebastianismo esteve na origem das suas duas maiores guerras civis. A de Canudos, no sertão da Bahia, entre 1896 e 1897. E a do Contestado, entre Paraná e Santa Catarina, de 1912 a 1916. A diferença? A segunda não teve Euclides da Cunha. Ambas foram movimentos messiânicos rurais, com religiosos por salvadores.

O sebastianismo esteve na queda do Império pelo golpe militar que proclamou a República em 1889, na Revolução de 1930, na ditadura do Estado Novo entre 1937 e 1945, na ditadura militar entre 1964 e 1985, na eleição direta do caçador de marajás Fernando Collor de Mello a presidente em 1989, no seu impeachment em 1992.

O sebastianismo esteve nas eleições presidenciais de Lula em 2002 e 2006, na Lava Jato entre 2014 e 2021, no impeachment de Dilma Rousseff em 2016, na prisão de Lula em 2018. E, no mesmo ano, na eleição a presidente de Bolsonaro. Como na sua prisão em 2025. Por quem? Ao sebastianismo? Pelos “heróis da democracia” do STF!

Do que o bilionário escândalo do liquidado Banco Master já revelou sobre os ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, os sebastianistas de turno podem escolher. Entre R$ 3,6 milhões mês ao escritório de advocacia da esposa, uma viagem com tudo pago num jatinho à final da Libertadores em Lima, ou até seguranças no resort Tayayá.

Enxergar o óbvio, e se revoltar contra isso, não é atacar a democracia, estúpido! É defendê-la até dos… “defensores”. Da prosa enquanto língua do mundo real, no qual D. Sebastião nenhum virá nos resgatar, aos versos incompletos de um poeta menor. Sem “o sublime da pessoa” ou pontuação, bisneto de um lusitano e só em minúsculas:

 

“d’além da taprobana, do lado de lá

dobraram o mundo vasco e fernão

fados ecoados numa noite de bruma

em que regresse el-rey d. sebastião”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Reconhecimento ao promotor Victor Queiroz após 20 anos em Campos

 

Promotor de Justiça Victor Queiroz em entrevista ao Folha no Ar (Foto: Folha da Manhã)

 

Promotor Victor Queiroz

Após mais de 20 anos em Campos, o promotor de Justiça Victor Queiroz teve na quinta (29) sua remoção confirmada (confira aqui) para atuar na capital. Ele sairá da Promotoria junto à 3ª Vara de Família goitacá para a disputada 7ª Promotoria de Justiça de Família do Rio de Janeiro, onde deve assumir em abril.

 

Paulista adotado por Campos

Formado em Direito na USP em 1993, Victor é um paulistano que adotou e foi adotado por Campos, constituindo aqui família. Ingressou no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro por concurso público em 1996. Rodou por vários municípios do estado, antes de vir para o Norte Fluminense, inicialmente em São Francisco de Itabapoana.

 

Experiência profissional

Após um ano em SFI, passou outro na Investigação Penal de Campos. Nos 10 anos seguintes ficou na Promotoria Cível, seguidos de outros 10 na Promotoria de Família. Na comarca, atuou também como promotor eleitoral, no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e na coordenação do Centro Regional do MP.

 

Palavra do promotor

“Sou grato a tudo o que vivi profissionalmente em Campos. Aqui aprendi a ser uma pessoa e um profissional melhor, graças a todos os colegas e amigos campistas. A vida segue e levarei para sempre comigo as boas lembranças e os aprendizados. Vim de longe para crescer como ser humano em Campos. Gratidão sempre”, disse Victor.

 

Palavra do procurador

“O dr. Victor passou umas duas décadas em Campos. Fez um excelente trabalho, um colega de mérito reconhecido por todos, pelos colegas, magistrados, advogados, pela comunidade local. E que, certamente, também brilhará aqui na nova atribuição”, disse Antônio José Campos Moreira, procurador-geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

 

 

Jurisprudência de Campos ao Rio

A comarca goitacá perderá sem Victor. E ganha a capital. As muitas manifestações (confira aqui) saudando o promotor e o ser humano parecem contrariar a desinteligência que Nelson Rodrigues atribuía à unanimidade. De Campos ao Rio, o paulista leva a jurisprudência do último dos juízes da Antiga Israel: “Honrarei aqueles que me honram” (1 Samuel 2:30).

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Lula fica no empate técnico com Flávio e Tarcísio ao 2º turno

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Empates técnicos no 2º turno

Os maiores problemas à reeleição de Lula estão nas simulações de 2º turno. Que ele liderou numericamente, mas em empate técnico, na margem de erro, contra Flávio (44,8% do petista a 42,2%, diferença de 2,6 pontos) e contra Tarcísio (43,9% do presidente a 42,5%, diferença de apenas 1,4 ponto).

 

Lula e Flávio patinam no 2º turno

Na simulação de 2º turno contra Flávio, Lula oscilou 0,7 ponto para cima, dos 44,1% de intenção em dezembro aos 44,8% de janeiro. Enquanto o senador oscilou 1,2 ponto para cima no mesmo período: dos 41,0% de dezembro aos 42,2% de janeiro. Dentro da margem de erro, os dois patinaram no último mês.

 

Lula e Tarcísio estáticos no 2º turno

Nas simulações de 2º turno entre Lula e Tarcísio, o petista oscilou 0,1 para baixo no último mês: dos 44,0% de dezembro aos 43,9% de janeiro. Enquanto Tarcísio se manteve entre dezembro e janeiro nos mesmos 42,5% no 2º turno contra Lula. Na série de pesquisas Paraná, os dois também patinaram em números quase exatos no último mês.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula bate Ratinho no 2º turno

A única simulação de 2º turno, das três feitas pela pesquisa Paraná, em que Lula liderou acima da margem de erro foi contra o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD): 44,7% do petista a 38,9%. Seriam 5,8 pontos de vantagem pela reeleição do presidente.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Maioria contra reeleição de Lula

Os cenários apertados de 2º turno de Lula contra Flávio ou Tarcísio parecem refletir a maior dificuldade do primeiro: hoje, uma maioria numericamente apertada de 51,0% dos brasileiros acha que o presidente não merece ser reeleito. Outros 45,3% que acham que, sim, ele merece a reeleição, enquanto 3,8% não souberam opinar.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista

“A Paraná de janeiro testou dois cenários de 1º turno e três de 2º turno. Em todos, Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas são os adversários mais competitivos de Lula. A pesquisa deu empate técnico no 2º turno de Lula com os dois. O quadro, hoje, é de indefinição”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Lula lidera nova pesquisa, mas com obstáculos à reeleição

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Obstáculos à reeleição de Lula

Lula (PT) lidera os cenários de 1º turno presidencial, mas não vai além do empate técnico no 2º turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) ou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP). O maior obstáculo do petista à urna de 4 de outubro, daqui a 8 meses e 4 dias? Ele não merece ser reeleito, hoje, para 51,0% dos brasileiros.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Dados na nova pesquisa

Em resumo, foi o que a pesquisa nacional do instituto Paraná, divulgada na quinta (29) e feita com 2.080 eleitores de 25 a 28 de janeiro, em 26 estados e distrito federal, no total de 160 municípios. Com margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos, foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-08254/2026.

 

Lula contra Flávio no 1º turno

Nos dois cenários estimulados (com a apresentação dos nomes ao eleitor) de 1º turno da pesquisa Paraná, Lula liderou fora da margem de erro. Contra Flávio como principal candidato de oposição no lugar de Tarcísio, o petista teve 39,8% de intenção de voto. Ficou 6,7 pontos acima dos 33,1% do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula contra Tarcísio no 1º turno

Contra Tarcísio no lugar de Flávio, Lula liderou com mais folga a simulação de 1º turno, com 40,7% de intenção de voto. Ficou 13,2 pontos acima dos 27,5% a presidente do governador paulista.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Flávio cresce de dezembro a janeiro

Na comparação da série de pesquisas do instituto Paraná, Flávio cresceu 5,3 pontos nas simulações de 1º turno: dos 27,8% de intenção que tinha em dezembro aos 33,1% de janeiro. No mesmo período, Lula oscilou 2,2 pontos para cima: dos 37,6% de dezembro aos 39,8% de janeiro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula cresce contra Tarcísio

Já na simulação de 1º turno com Tarcísio no lugar de Flávio, o governador de São Paulo oscilou 1,3 pontos para cima na série de pesquisas do instituto Paraná: dos 26,2 de intenção de dezembro aos 27,5% de janeiro. Enquanto Lula cresceu 2,9 pontos no mesmo período: dos 37,8% de dezembro aos 40,7% de janeiro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Paulista adotado por Campos, promotor Victor Queiroz vai atuar no Rio

 

Promotor de Justiça Victor Queiroz em entrevista ao Folha no Ar (Foto: Folha da Manhã)

 

Após mais de 20 anos em Campos, o promotor de Justiça Victor Queiroz foi removido e irá atuar na capital. Ele sairá da Promotoria junto à 3ª Vara de Família goitacá para a disputada 7ª Promotoria de Justiça de Família do Rio de Janeiro, onde deve assumir em abril.

Formado em Direito na USP, maior universidade da América Latina, em 1993, Victor é um paulistano que adotou e foi adotado por Campos, constituindo aqui família. Ingressou no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro por concurso público em 1996. Rodou por vários municípios do estado, antes de vir para o Norte Fluminense, incialmente em São Francisco de Itabapoana.

Após um ano em SFI, passou outro na Investigação Penal de Campos. Onde passaria os 10 anos seguintes na Promotoria Cível, seguidos de outros 10 na Promotoria de Família. Na comarca, atuou também como promotor eleitoral, no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e na coordenação do Centro Regional do MP.

— Fiquei tocado com as palavras de reconhecimento e de incentivo do Dr. Antônio José Campos Moreira, Procurador-Geral de Justiça. Sou grato a tudo o que vivi profissionalmente em Campos dos Goytacazes. Aqui aprendi a ser uma pessoa e um profissional melhor, graças, em grande parte, a todos os colegas e amigos campistas. A vida segue e levarei para sempre comigo as boas lembranças e os aprendizados. Vim de longe para crescer como ser humano em Campos. Gratidão sempre — disse Victor, após ter sua remoção de Campos ao Rio anunciada por volta das 14h de hoje.

Confira no vídeo abaixo e na transcrição do áudio:

 

 

— Declaro removido o doutor Victor dos Santos Queiroz, que passou seguramente umas duas décadas em Campos dos Goytacazes (…) Fez um excelente trabalho em Campos, um trabalho marcante, um colega de mérito reconhecido por todos, pelos colegas, pelos magistrados, advogados, pela comunidade local. E que, certamente, também brilhará aqui na nova atribuição. Parabéns ao doutor Victor! — reconheceu Antônio José Campos Moreira, Procurador-Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

 

Confira abaixo a repercussão da remoção do promotor Victor ao Rio entre outros operadores do Direito em Campos:

— Dr. Victor é um profissional de excelência, com competência e humanidade inquestionáveis. Fará muita falta na nossa comarca — disse a advogada Mariana Lontra Costa, presidente da OAB-Campos.

—  Parabéns pela excelente trajetória. Seu trabalho sempre seguirá brilhando — disse a promotora de Justiça de Campos Anik Rebello Assed.

— Grande promotor de justiça — resumiu o procurador de Justiça campista Cláudio Henrique da Cruz Viana, presidente da Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Amperj).

— Ele era o promotor da minha Vara. Sucedeu Dra. Claudia Quaresma, a Dra. Claudinha. Conheci o Victor quando cheguei aqui na região, precisamente em Itaperuna, nos idos de 1998. Victor é daquelas pessoas que vemos cada vez menos. Joia rara. Promotor experiente, técnico, zeloso e humano. Toda homenagem a ele é merecida. Sem favor algum — disse o juiz de Direiro aposentado em Campos Elias Pedro Sader Neto.

— Excelente Profissional. Desejo sucesso nessa nova etapa — disse o advogado Filipe Estefan, ex-presidente da OAB-Campos.

— Excelente profissional. Uma perda para a cidade. Que seja feliz e tenha o mesmo ou ainda mais sucesso no Rio — disse o advogado Carlos Alexandre de Azevedo Campos, ex-assessor do Supremo Tribunal Federal (STF).

—  Concordo. Um profissional exemplar — disse o advogado Andral Tavares Filho, ex-presidente da OAB-Campos.

— Um profissional extremamente gentil, respeitoso e ético. Sempre disposto a encontrar soluções justas para os problemas apresentados. Realmente, uma grande perda para o meio jurídico campista. Desejo sorte e sucesso — disse o advogado José Paes Neto, ex-procurador-geral de Campos.

— O dr. Victor Queiroz foi meu professor na graduação e posteriormente nos encontramos por um período na vida profissional. Para além da competência, amplamente reconhecida entre os operadores do Direito, sempre chamou a atenção pela educação, simplicidade e gentileza, sinais incontestáveis de um grande caráter. Não tenho dúvidas de que será muito bem sucedido na nova etapa — disse Pedro Emílio Braga, delegado campista de Polícia Civil e titular da 123ª DP de Macaé.

— Profundo e intenso nas manifestações jurídicas. Técnica irreparável. Minimalista na postura institucional, como a carreira requer. Faz valer o juramento em cada detalhe. Pode palestrar Brasil afora. Tanto na técnica como na postura. Um jurista extra-série. Existem craques: Edmundo, Bebeto, Cristiano Ronaldo. Existem extra séries: Romário, Messi, Zico. Dr Victor é extra-série — disse Matheus José, procurador do município de Campos.

— Desejo todo sucesso ao promotor Victor Queiroz em seu novo desafio . Promotor firme e humano, que cumpre sua função com excelência e com o desejo de justiça. Foi um privilégio para Campos a sua passagem por nossa cidade, que por isso o adotou — disse Heitor Campinho, juiz de Direito de Campos.

 

Última atualização às 11h40 de 31/01/26.

 

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Arthur Soffiati — Cinema subterrâneo dos anos 1950 e 1960

 

 

Arthur Soffiati, crítico de cinema, historiador, professor, ambientalista e escritor

Cinema subterrâneo

Por Arthur Soffiati

 

Não tenho nenhuma formação em cinema. Minhas reflexões e meus comentários sobre a sétima arte decorrem de cinefilia e leituras. Sempre dependi das salas de cinema, hoje em declínio. Raramente recorro a plataformas na televisão. Mas conto, ainda, com uma grande coleção de DVDs.

Em 2020, os cinemas fecharam por conta da pandemia. Decidi, então, desarquivar filmes a que eu nunca havia assistido. Dei preferência a filmes considerados ruins. Era preciso  conhecê-los como comentarista de cinema desde 2005, na Folha da Manhã. Eram, principalmente, filmes produzidos entre 1950 e 1965. Com interesse, passei a comentá-los.

Concluí que aqueles filmes revelavam uma indústria cinematográfica norte-americana nos porões dos grandes estúdios. Houve cineastas formidáveis nessa década, como Roger Corman, Jack Arnold e Nathan Juran. Corman começou fazendo de tudo: carregava e montava cenários, atuava como iluminador, distribuía cartazes, redigia roteiros, iluminava, maquiava e dirigia. Além disso, revelava nomes de artistas, como Jack Nicholson e Francis Ford Coppola. Corman se tornou uma lenda. Os efeitos especiais eram caros, mas havia Ray Harryhausen, o grande mago do stopmotion. Seu trabalho era caro, mas havia concessões. O filme podia ser ruim, mas seus bonecos eram sinônimo de qualidade. Uma miniatura de pterossauro podia transportar Rachel Welch nas garras.

Esses filmes de segunda categoria inspiraram filmes hoje considerados marcos do cinema. Dan O’Bannon, roteirista de “Alien” fala da influência exercida sobre ele de “O monstro do Ártico” (1951), “O planeta proibido” (1956), “O planeta dos vampiros” (1965). Aponto ainda “Ele! O terror que vem do espaço” (1958), de Edward L. Cahn, e “O planeta dos vampiros” (1965), de Mario Bava, outro nome icônico.

Os diretores de filme B alertavam e exploravam os medos com filmes como “A invasão de Marte”, “Tarântula”, “O ataque dos caranguejos monstruosos”, “A guerra dos mundos”. Por trás de uma invasão de seres extraterrestres, havia o medo de uma invasão soviética.

Os filmes da década de 1950 marcaram muito diretores como Steven Spielberg, George Lucas, Tobe Hooper e Quentin Tarantino. O esquema de um filme como “Tubarão”, o segundo de Spielberg e que lotou os cinemas, vem dos filmes B: uma pequena cidade que enfrenta um problema. De um lado, um político ou um empresário querendo promover o lugar, mesmo com um perigo iminente. De outro, um cientista ou uma pessoa comum, alertando sobre o perigo. O “monstro” aparece e estraga a festa. Mas, apesar de tudo, o bem triunfa sobre o mal.

Assistindo a esses péssimos-ótimos filmes, percebi que gosto mais de cinema que de filmes. Decidi escrever sobre esses filmes considerados B pelo baixo orçamento. Meus comentários foram reunidos no livro “Um cinéfilo em quarentena seguido de seres extintos no cinema”. Neles, aparecem discos voadores, monstros que saem do mar, mulheres seminuas nos braços de macacos, zumbis, caveiras. Entrei nesse mundo e não consigo sair.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Sebastianismo master dos “heróis da democracia” Moraes e Toffoli

 

Na herança sebastianista do Brasil, dois “heróis da democracia” do STF: Alexandre de Moraes e Dias Toffoli

 

 

D. Sebastião

D. Sebastião

D. Sebastião foi rei de Portugal de 1557 a 1578. Assumiu o trono quando seu país era a potência emergente do mundo, líder da Expansão Marítima e Comercial Europeia. Mas, diante dos novos mundos da Idade Moderna, regrediu às Cruzadas da Idade Média. E foi morto ou desapareceu na batalha de Alcácer-Quibir, no Marrocos.

 

Sebastianismo

Sem deixar herdeiro, D. Sebastião lançou Portugal, de maior nação da Europa, à condição de província espanhola na União Ibérica de 1580 a 1640. Mas gerou, em Portugal e em sua colonização no Brasil, o sebastianismo: a espera pelo regresso de um herói messiânico, que nos resgatará ao tempo de glória.

 

No Brasil

No Brasil, o sebastianismo esteve na origem das suas duas maiores guerras civis: a de Canudos, no sertão da Bahia, entre 1896 e 1897; e do Contestado, na fronteira entre Paraná e Santa Catarina, entre 1912 e 1916. Ambos foram movimentos messiânicos rurais, onde seus líderes religiosos eram vistos como salvadores.

 

De Deodoro a Collor

O sebastianismo esteve na queda do Império pelo golpe militar que proclamou a República em 1889, na Revolução de 1930, na ditadura do Estado Novo entre 1937 e 1945, na ditadura militar entre 1964 e 1985, na eleição direta do caçador de marajás Fernando Collor de Mello a presidente em 1989, no seu impeachment em 1992.

 

“Heróis da democracia”

O sebastianismo esteve nas primeiras eleições presidenciais de Lula em 2002 e 2006, na operação Lava Jato entre 2014 e 2021, no impeachment de Dilma Rousseff em 2016, na prisão de Lula em 2018 e, no mesmo ano, na eleição de Bolsonaro. Como na prisão deste em 2025. Por quem? Ao sebastianismo, pelos “heróis da democracia” do STF.

 

De R$ 3,6 milhões/mês ao Tayayá

Do que o bilionário escândalo do liquidado Banco Master já revelou sobre os ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, os sebastianistas da vez podem escolher. Entre R$ 3,6 milhões mês ao escritório de advocacia da esposa, uma viagem com tudo pago num jatinho à final da Libertadores em Lima, ou uma estadia no resort Tayayá.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Ceciliano, Miccione ou Douglas Ruas para governador-tampão?

 

Três nomes a governador-tampão do RJ na eleição indireta da Alerj após Cláudio Castro deixar o cargo: André Ceciliano, Nicola Miccione e Douglas Ruas

 

Três nomes a governador-tampão

Antes da eleição direta de 4 de outubro, inclusive de governador do RJ, haverá a eleição indireta na Alerj ao mesmo cargo. Que, hoje, se divide entre três nomes: o de Nicola Miccione (PL), que o blog noticiou (confira aqui) dia 7; o de André Ceciliano (PT), como o blog noticiou (confira aqui) no dia 10; e o de Douglas Ruas (PL).

 

Miccione com Castro

Secretário estadual da Casa Civil, advogado e de perfil técnico, Miccione é o candidato do governador Cláudio Castro (PL). Que, como Paes e Wladimir, terá que sair do cargo até 4 de abril. Mas, no caso dele, para concorrer a senador em outubro.

 

Ceciliano com Bacellar

Ex-presidente da Alerj e atual secretário de Relações Parlamentares do governo Lula, além do apoio deste, Ceciliano conta com outro aliado para tentar se tornar governador-tampão do RJ: outro ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União).

 

PL com Ruas

Além de Miccione com Castro e Ceciliano com Bacellar, há o deputado estadual licenciado e secretário estadual das Cidades, Douglas Ruas. Que seria o preferido do deputado federal Altineu Côrtes, presidente estadual do PL, e do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) à eleição direta como governador-tampão.

 

Segue o fio

Vice-governador, Thiago Pampolha renunciou em maio para ser conselheiro do Tribunal de Contas do RJ. Presidente eleito da Alerj, Rodrigo Bacellar foi afastado do cargo em dezembro, quando foi preso (confira aqui, aqui e aqui) e solto (confira aqui) com cautelares pelo STF. Presidente do Tribunal de Justiça do RJ, desembargador Ricardo Couto assumiria (confira aqui) com a renúncia de Castro.

 

Votos na Alerj por lobby com Xandão

Assim que assumir, Couto terá 30 dias para convocar a eleição indireta, na Alerj, para governador-tampão. Bacellar teria prometido a Ceciliano os votos de 15 deputados na eleição indireta. Em troca da ajuda “companheira” do PT nacional e de Lula junto ao algoz do político campista no STF: o ministro Alexandre de Moraes.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Wladimir definirá 2026 em reunião com secretários na segunda

 

Wladimir e Anthony Garotinho (Foto: Instagram)

 

Wladimir convoca reunião no dia 2

O prazo para desincompatibilização de prefeitos que desejarem concorrer a cargos eletivos em outubro é 4 de abril, seis meses antes da urna. Em Campos, a saída do prefeito Wladimir Garotinho tem ensaio marcado. Ele convocou uma reunião às 10h30 da manhã desta segunda (2), no Cesec, com todos os secretários e subsecretários.

 

“Sobre o ano de 2026”

“No dia 02/02, às 10h30, farei uma reunião com todos os secretários e subs sobre o ano de 2026. Estou avisando com antecedência para que todos se programem para estar presente. Quem tiver algum compromisso nesse dia, favor reagendar devido à importância da reunião”, convocou Wladimir nos grupos de WhatsApp do governo.

 

A deputado ou vice de Paes?

Pragmaticamente, Wladimir sabe que o melhor é deixar a Prefeitura para se candidatar. Por mais que goste de ser prefeito da sua cidade. Hoje, o mais provável é que saia para se candidatar a deputado federal. A possibilidade de ser vice na chapa do prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) a governador, se não descartada, parece menos provável.

 

Rogério Lisboa, prefeito de Nova Iguaçu e cotado para ser vice na chapa a governador de Eduardo Paes

Vice por votos

A vice de Paes, o prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa (PP), é cotado. Com 607.078 eleitores (242 mil a mais do que os 373.543 de Campos), é o 2º maior colégio eleitoral da Baixada Fluminense. Cujo município com mais eleitores, Duque de Caxias (619.645 aptos a votar) tem no seu ex-prefeito Washington Reis (MDB) um aliado dos Garotinho.

 

Wladimir e Garotinho a federal?

Hoje inelegível a outubro e com julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) marcado no dia 11, Reis tem capital eleitoral para pesar a balança a Wladimir a vice na chapa de Paes. O que evitaria o que muitos já temem dentro do grupo dos Garotinho: ter o pai e o filho disputando os mesmos votos pelo mesmo cargo de deputado federal.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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FMC e rebaixamento na nota do Enamed no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Os médicos Edilbert Pellegrini e Nélio Artiles, respectivamente, atual e ex-diretor da Faculdade de Medicina de Campos (FMC), são os convidados do Folha no Ar desta terça (27), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Os dois comentarão o rebaixamento (confira aqui) da FMC no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), passando da nota 5 para a nota 2, suas possíveis causas e consequências. Edilbert e Nélio também analisarão a situação atual da FMC, referência na cidade e região há quase 58 anos.

Por fim, os dois médicos falarão da qualificação dos novos médicos e cursos de medicina pelo país, assim como da ideia de uma prova para os novos profissionais de saúde, ao molde da que a OAB exige dos novos advogados.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

 

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AtlasIntel: Lula lidera ao 1º e 2º turno, mas Flávio cresce

 

(Montagem: Joseli Matias)

 

A indefinição da direita brasileira sobre candidato a presidente, neste mês de janeiro, favorece à reeleição de Lula (PT) em outubro. Se isso já tinha sido apontado nas pesquisas Ideia (confira aqui e aqui) e Quaest (confira aqui e aqui) deste mês, ficou mais claro na AtlasIntel divulgada ontem (21). Em que Lula venceu todos os cinco cenários de 1º turno e oito de 2º turno.

Ampla vantagem de Lula — Feita com 5.418 eleitores de 15 a 20 deste mês, com margem de erro de 1 ponto para mais ou menos e registrada no TSE sob protocolo BR 02804/2026, a pesquisa AtlasIntel revelou a ampla vantagem de Lula sobre os dois nomes da direita hoje mais cotados: o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP).

Lula, Tarcísio e Flávio no 1º turno — Em cenário mais amplo de 1º turno, com Lula, Tarcísio e Flávio na disputa, mais vários outros possíveis candidatos, o petista teria hoje no 1º turno 48,4% de intenção de voto, contra 28,0% do senador e 11,0% do governador paulista.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula x Flávio sem Tarcísio no 1º turno — Com Flávio e sem Tarcísio, Lula teria no 1º turno 48,8%, contra 35,0% do senador do RJ.

Lula x Tarcísio sem Flávio no 1º turno — Com Tarcísio sem Flávio, o petista teria no 1º turno 48,5%, contra 28,4% do governador de SP.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Flávio cresce e Lula patina ao 1º turno — Se os cenários são favoráveis a Lula, a comparação da série de pesquisas AtlasIntel revelou um ponto também favorável a Flávio: dos 29,3% que ele tinha de intenção ao 1º turno em dezembro, cresceu 5,7 pontos aos 35% de janeiro. No mesmo período, Lula patinou, oscilando 0,7 ponto para cima, dos 48,1% de dezembro aos 48,8% atuais.

Com Flávio, matemática de 2º turno — Nessa simulação de 1º turno de Lula com Flávio e outros candidatos, mas sem Tarcísio, a soma de todos os presidenciáveis de oposição deu 49,3%, acima dos 48,8% do presidente. Ainda que seja um empate técnico na margem de erro da AtlasIntel, o 2º turno estaria numericamente indicado.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Com Tarcísio, Lula fecha no 1º turno? — Na simulação de 1º turno de Lula com Tarcísio, mas sem Flávio, a soma de todos os presidenciáveis de oposição deu 45,5%, abaixo dos 48,5% do presidente. Fora da margem de erro, embora próximo dela, o cenário indicou a possibilidade matemática de Lula liquidar a fatura em turno único.

Tarcísio, como Lula, patina no 1º turno — Diferente de Flávio, que cresceu de dezembro a janeiro em intenções de voto ao 1º turno contra Lula, Tarcísio patinou: dos 28,3% do último mês aos 28,4% atuais. Assim como Lula, dos 48,8% de dezembro aos 48,5% de janeiro.

Passado e futuro do 2º turno — Como Lula se elegeu três vezes presidente, sem nunca conseguir levar no 1º turno, mesmo na reeleição de 2006, quando seu governo tinha muito mais popularidade do que hoje, a lógica aponta à existência do 2º turno em 25 de outubro de 2026. No qual, pela AtlasIntel de janeiro, Lula bateria Tarcísio e Flávio pelos mesmos 49% a 45%.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula e Tarcísio patinam e Flávio cresce ao 2º turno — Na comparação entre dezembro e janeiro da série AtlasIntel, Lula (foi de 49% a 49,1%) e Tarcísio (de 45% a 45,4%) passaram o último mês patinando nas intenções de voto ao 2º turno. Como nas simulações de 1º turno, só quem cresceu ao 2º, no mesmo período, foi Flávio. Ele ganhou 3,9 pontos de intenção dos 41% de dezembro aos 44,9% de janeiro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Contra Flávio, Lula cai no 2º turno — No cenário de um eventual 2º turno contra Flávio, ao contrário deste, Lula perdeu 3,8 pontos de intenção no último mês. Contra o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o petista passou dos 53% de intenção em dezembro aos 49,2% de janeiro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Rejeição que definirá o 2º turno — Índice mais importante à definição do 2º turno, por limitar o crescimento dos dois candidatos que o disputam, a rejeição na AtlasIntel foi liderada por Bolsonaro: 50,0% não votariam nele de jeito nenhum. Em 2º lugar, Lula tem 49,7% de rejeição. É um empate técnico com Bolsonaro e, hoje, o maior obstáculo à reeleição do petista.

Atrás de Bolsonaro e Lula, Flávio também tem rejeição alta —  Atrás de Bolsonaro e Lula, vieram Flávio, com 47,4% de rejeição; Renan Santos (Missão), espécie de Pablo Marçal do MBL, com 45,6%; a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), com 44,9%; o deputado Nikolas Ferreira (PL), com 44,7%; e o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), com 43,4%.

Lista da rejeição — Seguiram a lista de rejeição da AtlasIntel os governadores de Minas, Romeu Zema (Novo), com 42,1%; e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), com 41,7%; Tarcísio, com 41,1%; além dos governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (União), com 40,7%; e do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), com 39,9%.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Rejeição é vantagem de Tarcísio sobre Lula e Flávio — A lista do índice negativo da AtlasIntel foi completada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), com 36,9% de brasileiros que não votariam nele de jeito nenhum. Mas a baixa rejeição de Tarcísio, 8,6 pontos a menos que Lula e 6,3 pontos a menos que Flávio, é sua maior vantagem num eventual 2º turno presidencial.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista — “A AtlasIntel testou cinco cenários de 1º turno e oito cenários de 2º turno das eleições presidenciais de 2026. Em todos, Lula lidera as intenções de voto. No 1º turno, Lula abre 20 pontos contra Flávio: 48% x 28%. Mesmo com a inclusão também do nome de Tarcísio, que aparece em 3º, com 11%. Sem Tarcísio, Lula tem 14 pontos contra Flávio: 49% a 35%. Sem Flávio, Lula abre 21 pontos contra Tarcísio: 49% a 28%. Nos 8 cenários de 2º turno testados, Lula abre 3 pontos contra Jair Bolsonaro, por 49% a 46%; e 4 pontos contra Tarcísio, Michelle e Flávio: nos três casos, 49% a 45%”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

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