Geraldo Venâncio cobra promessas de Rosinha na Sáude

Ex-secretário de Saúde do governo Carlos Alberto Campista, Geraldo Venâncio cobra a distância asiática entre as promessas de Rosinha na Saúde e as suas realizações no primeiro ano de governo (foto de Paulo Sérgio Pinheiro/ Arquivo da Folha)
Ex-secretário de Saúde do governo Carlos Alberto Campista, Geraldo Venâncio cobra a distância asiática entre as promessas de Rosinha na Saúde e as suas realizações no primeiro ano de governo (foto de Paulo Sérgio Pinheiro/ Arquivo da Folha)

 

No feriado de ontem, encontrei com o médico, ex-vereador, ex-secretário de Sáude e tricolor aliviado com a manutenção do Flu na elite do Brasileirão, Geraldo Venâncio (PDT). Ele disse que estava querendo escrever um artigo sobre a Sáude Pública de Campos, que à parte as promessas de campanha de Rosinha, tem sido inquestionavelmente um dos calcanhares de Aquiles da sua administração, já perto de concluir o primeiro ano. Até por ser um profundo conhecedor da área, disse a ele para escrever e me enviar, para publicação no blog e na Folha.

Geraldinho aceitou o convite e me enviou ainda ontem seu texto, mas como só na tarde de hoje retomei o acesso à net, segue agora, abaixo, o artigo que estará amanhã, nas páginas da Folha:

 

O Paradoxo da Saúde

 

A Saúde sempre esteve ocupando o foco principal de todas as campanhas eleitorais. De Barak Obama a Hugo Chaves, de Nicolas Sarkozy a Mahmoud Ahmadinejad, todos se elegeram priorizando grandes transformações no sistema público de saúde.

Quando um novo governo se elege, ocorre o chamado período de “lua de mel” com a população, que se inicia a partir da proclamação dos resultados do pleito, indo até seis meses após a posse, quando, utilizando-se do antigo discurso da “terra arrasada”, debita-se ao antecessor a culpa por todos os problemas de gestão. Passado este período, acreditem, a nova administração tem que começar a dar respostas efetivas.

O atual governo municipal não é exceção a essas premissas. Elegeu-se assumindo com a população alguns compromissos fundamentais, dentre os quais se destacam a informatização de todo o sistema de saúde; a criação da Rede Comunitária de Saúde, que, em dois anos, cobrirá 100% da população no atendimento primário e secundário; a configuração de Programa de Saúde Escolar, com atendimento pediátrico, odontológico e oftalmológico; a conversão dos Postos de Saúde para Postos 24horas, todos equipados para atendimentos emergenciais; além da implantação de Centro de Referência Odontológica.

Sem dúvidas, um conjunto de promessas de campanha extremamente ambicioso, mesmo considerando-se que, o Sistema Público Municipal de Saúde, em todas as suas instâncias, conta com um orçamento portentoso, que se aproxima de R$ 1 milhão por dia, sendo superior ao orçamento global da maioria dos municípios do estado.

Porque a Saúde, então, não vai bem em nossa cidade? É a pergunta que não quer calar. Recentemente, o foco direcionou-se ao HGG, que quase fechou suas portas. O Hospital Ferreira Machado persiste com seus problemas de superlotação, com pacientes em macas, congestionando os corredores. O sistema de internações hospitalares está desarticulado na base, gerando queixas e angústias na população.

Parafraseando a máxima da OAB, considero inquestionável que sem a adesão solidária e permanente dos profissionais de saúde, não existe possibilidade de implantação de projeto que, efetivamente, contemple os interesses do povo. Saúde sem o médico é igual a Justiça sem o advogado: não se consolida.

A Organização Mundial de Saúde preconiza a existência de 500 leitos hospitalares para cada 1 milhão de habitantes. Nossa cidade, com aproximadamente 500 mil habitantes, conta com mais de mil leitos nos hospitais. Dispomos de reconhecido pólo universitário, com destaque na área da saúde.

Já que existem recursos financeiros, capacidade física instalada e suporte logístico, evidencia-se imprescindível que o esforço de gestão direcione-se para a configuração de níveis mínimos de hierarquização, com ênfase nos mecanismos de referência e contra-referência. Este é o grande desafio a ser enfrentado e vencido.

A relação da municipalidade com os hospitais filantrópicos deve ser aprofundada. A Santa Casa, a Beneficência Portuguesa, o Hospital Escola Álvaro Alvim e o Hospital dos Plantadores de Cana constituem-se em pilares fundamentais para a construção de um novo tempo na saúde.

Merece ser mencionado que os atuais responsáveis pela área da Saúde no município são pessoas reconhecidamente competentes, já com relevantes serviços prestados ao município.

 SAÚDE EM 2010

 

Geraldo Venâncio

Médico e Professor 

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Este post tem 3 comentários

  1. LEONOR BRASILEIRO PINTO

    Amigo Geraldo,
    PARABÉNS PELAS COLOCAÇÕES AQUI EXPOSTAS.
    Você é um vitorioso! Continue agindo e pensando …assim, OK?
    Beijos.
    Leonor.

  2. Aluysio

    Cara Leonor,

    Creio que a extensão do debate no Folha no Ar de ontem, entre Geraldo e o secretário Paulo Hirano, reportado na edição impressa de hoje da Folha, serviu para aprofundar a discussão em torno do capital assunto.

    Abraço e grato pela colaboração!

    Aluysio

  3. Luiz Machado

    O HGG está sucateado, falta de tudo de remédios a copo para se beber agua.
    Os equipamentos necessários e carissimos que foram comprados estão sempre parados por falta de manutenção.

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