Opiniões

Por que ignorar a reação ao aumento salarial dos vereadores?

No início da semana, falei por telefone com o jornalista, blogueiro, ex-prefeito e presidente municipal do PPS, Sérgio Mendes, sobre o mesmo assunto que retomei ontem à noite, num contato pessoal ao acaso com o advogado, blogueiro e assessor parlamentar do deputado estadual Roberto Henriques (PSD), Cláudio Andrade: Por que o silêncio na blogosferal local quanto ao aumento salarial máximo de 61,8% concedido, por unanimidade, pelos 17 vereadores de Campos (excetuados os quatro faltosos na sessão do último dia 28) aos 25 que serão eleitos em outubro?

Sobretudo, ignorar a manifestação cidadã, popular, espontânea e inequívoca, manifesta aqui, num abaixo assinado convocado nas redes sociais contra o aumento, que até este momento já foi subescrita por mais de 1.800 pessoas, como este blog e a Folha vêm noticiando quase solitariamente, não se contitui num embaraçoso paradoxo para muitos blogueiros locais que, até bem pouco tempo, pregavam ser uma alternativa “independente” aos supostos “compromissos” do que eles chamam de “velha mídia”?

Bem verdade que, no caso do Cláudio, ele chegou a noticiar aqui o reajuste salarial dos vereadores, um dia depois da sessão em que foi aprovado e dois dias antes deste “Opiniões” entrar no assunto, numa republicação do jornal virtual Terceira Via (aqui), do qual é articulista. Todavia, a matéria e sua replicação em postagem continham dados errados, ao fixarem em 115% o reajuste, tomando como verdade uma suposta equiparação integral do salários dos vereadores campistas com os deputados estaduais fluminenses, o que nunca ocorreu, até por um motivo muito simples: seria inconstitucional.

Na verdade, o aumento de 61,8% correspondeu ao teto fixado justamente pela emenda constitucional 25/2000, que usa como limite máximo aos salários dos vereadores de municípios com a população de Campos, o cálculo de 60% dos ganhos totais dos deputados estaduais. No mesmo dia 30 em que o percentual correto foi apurado por este jornalista e blogueiro, a informação foi dividida tanto com Cláudio, quanto com uma das editoras do Terceira Via, jornalista Cláudia Eleonora, muito embora ambos tenham, estranhamente, se poupado em fazer as correções devidas ao percentual equivocado.

Também verdade que Cláudio, aqui, na última terça, retornou ao assunto, extraindo o trecho de uma postagem original do Blog do Bastos (aqui), relativa à tentativa de defesa, na sessão daquele dia, feita pela vereadora petista Odisséia Carvalho, uma dos 13 edis que aprovaram unanimemente o aumento. Assim como fez antes aqui, em relação ao presidente da Câmara Nelson Nahim (PPL), este blogueiro ressalva todo seu grande respeito pessoal e político por Odisséia, antes de dizer que suas pretensas atenuantes foram todas muito fracas, portanto, facilmente rebatíveis. Se não, vejamos…

Em primeiro lugar, ao alegar que os veredores não têm verba de gabinete, uma vez que os reajuste salarial máximo dos edis foi calculado em cima de todos os ganhos dos deputados estaduais, incluída a verba de gabinete destes. Em segundo, ao revelar a prática do “toma lá/ da cá” entre Legislativo e Executivo de Campos, alegando que os vereadores de oposição não têm servidores municipais ao seu lado, ou alguém imagina que, à exceção dos concursados, o governo Dilma permite que algum militante do PSDB ocupe cargo na administração federal? Em terceiro, ao pretender novidade na redundância de dizer que “quem quiser ser oposição, tem que arcar com todas as despesas”? Ou será que a vereadora imagina que a banca da oposição tenha que ser custeada pelos cofres públicos?

Por fim, Odisséia poderia ter se poupado em dizer que ela e seus 12 colegas não aumentaram os próprios salários, simplesmente porque não sabem se vão estar ocupando em 2013 a mesma cadeira — ou uma das oito a mais que criaram, em outra votação unânime, sempre dispostos a fazer do teto consitucional sua média pessoal e sempre às custas do dinheiro público. Se aprovou o aumento do aumento máximo do salário dos vereadores para 2013, e se é vereadora candidata à reeleição, parece óbvio que não foi para os seus eleitores, “nem os mais confiantes”, que a petista projetou um contracheque mensal mais gordo, num reajuste substancialmente superior a todo o funcionalismo público e a grande maioria do privado.

Mas se as postagens do jornalista Alexandre Bastos e do Cláudio Andrade tiveram como objeto a pretensa defesa dos vereadores, tanto os 21 comentários de leitores gerados pela primeira, quanto os quatro da segunda, foram unânimes em criticar a unanimidade dos vereadores de Campos com vistas ao próprio bolso. Diante de mais esse nítido reflexo da indignação popular com o aumento, todos os comunicadores locais, hospedados ou não na “velha mídia”, poderiam usar o exemplo dos nobres representantes da Casa do Povo de Campos, pelo menos para não repeti-lo, dando aos seus eventuais interesses políticos e pessoais a prioridade sobre aquilo que a maioria claramente parece entender como imoral, ainda que legal.

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Este post tem 4 comentários

  1. Realmente troxe bastante estranhamento o silencio da grande maioria dos blogs nesta questão acima.
    Lamentável tambem , que no apagar das luzes desta legislatura, uma vereadora tão atuante nestes 4 anos ,vereadora esta que,em minha opinião, honrou o voto de seus eleitores todo este tempo,tenha feito declarações tão infelizes.

  2. Aluysinho,

    Se me permitires, vou ousar discordar de você em alguns aspectos:
    1. A blogosfera bateu exaustivamente na tecla em relação ao aumento de quantitativo de vereadores de 17 para 25 (limite máximo) e, como pensávamos ser os subsídios e, em quanto ficariam. Isto de Julho a setembro de 2011 se não estou enganada.
    1.1 Nem existe espaço físico pronto para mais 8 vereadores.
    1.2 As manifestações populares naquela época foram mínimas.
    1.3 Garotinho queria 25 cadeiras e Nelson Nahim queria 21 cadeiras, como já tivemos. Prevaleceu quem?
    2. Os vereadores hoje estão aplicando para o próximo mandato os 75% previstos constitucionalmente.
    3. Os vereadores do mandato passado (legislatura até 2008) fixaram mediante artifício um valor de subsídio que não há cabimento, nem fundamentação jurídica, embora o autor do parecer Dr João Paulo Granja em muito tenha se esmeirado em fazê-lo.
    4. Se eu for catar no meu Blog todas as publicações feitas, não vou fazer outra coisa do que ficar enumerando aqui pra você. Tanto nos blog’s alheios também.

    Acabo de me lembrar que foi justamente nesta época que surgiu um movimento pela emancipação da baixada que vai até o Farol de São Thomé.

    Sua memória é melhor que a minha, já observei isto, portanto, deve se lembrar.

    Atenciosamente e, à disposição para maiores esclarecimentos que porventura queira.

  3. As explicaçoes foram mesmo rídiculas. Por que nao falam logo que querem ganhar mais,que 9.000 é pouco. Baseado no que disse Nahim, se os deputados dobrarem seus salários, os vereadores de Campos vão se ver “obrigados” a passar o deles para 30 mil? Que nojo desses vereadores. Eles estão indignados porque só esperavam uma notinha de rodapé de jornal questionando o macroaumento…alguem avisa para eles que existe internet….

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