Neném confirma bancada “independente”, mas nega participar

“Com certeza, continuo governista, com muita força. Tive ajuda deles para ganhar a eleição e estou junto com eles”. Foi o que garantiu há pouco ao blog o vereador Luiz Alberto Neném (PTB), listado aqui, pelo jornalista Gustavo Matheus, na anunciada nova bancada “independente” da Câmara de Campos. Embora confirme ter estado na reunião da última segunda (29/04), no gabinete do presidente Edson Batista (PTB), com os demais governistas que ameaçam desertar por se julgarem desprestigiados pela administração Rosinha (leia-se mais cargos no Executivo), Neném alegou que só ter participado por acaso:

— Fui procurar Dr. Edson para tratar de um assunto particular, relativo ao PTB. Ele já estava reunido com os vereadores Thiago Virgílio (PTC), Alexandre Tadeu (PRB), Dayvison Miranda (PRB), Genásio (PSC) e Álvaro César (PMN). Não lembro se o José Carlos (PSDC) estava presente, mas sei que ele também está nesse grupo. O fato é que a reunião já estava no fim e o Dr. Edson me convidou a entrar. Não peguei toda a conversa, mas do pouco que cheguei a ouvir, eles estão insatisfeitos com suas participações no governo.

Segundo informações, a bancada “independente” já teria até presidente e vice. Respectivamente, eles seriam Dayvison Miranda e Thiago Virgílio.

“Ou dá, ou desço!” — Do que depende a independência da nova bancada…

Ou dá ou desceAqui, desde a última sexta (26/04), a partir de fonte graduada do próprio governo Rosinha (PR), o blog anunciou que estava próxima a cisão na bancada da situação, adiantada aqui, desde 21 de fevereiro, pelo jornalista Alexandre Bastos, na coluna Ponto Final. Pois ontem (30/04), o também jornalista e blogueiro Gustavo Matheus, adicionou aqui os nomes dos vereadores Luiz Alberto Neném (PTB) e Genásio (PSC) aos de Jorge Tadeu (PRB), Thiago Virgílio (PTC), Dayvison Miranda (PRB), José Carlos (PSDC) e Álvaro César (PMN), já antecipados neste “Opiniões”, na formação de uma bancada “independente”. As aspas se fazem necessárias, haja vista que a independência dos nobres edis ora rebelados dependeria de cargos municipais, na farra dos terceirizados às custas do dinheiro público e isenta de fiscalização dos Ministérios Públicos.

Enquanto os poderes públicos do município, em variadas esferas e instâncias, parecem ter perdido de vez a vergonha, veremos até quando e em quais critérios será exercida a “independência” da anunciada nova bancada legislativa.

Bem, pelo menos pode servir para que no “Balanço geral”, da Rede Record, apresentado pelo jornalista e vereador Tadeu, a Campos retratada na TV volte momentaneamente a parecer menos com a Suécia, retomando os tempos de maior isenção do (apenas jornalista) Ricardo Martins.

Nas próximas sessões e programas, veremos…

No Dia do Trabalhador, a volta da inflação no debate da sucessão de Dilma

A inflação entra para o debate político

O deputado Paulo Pereira da Silva anunciou que fará das comemorações do Dia do Trabalho a plataforma de lançamento de uma campanha pela indexação dos salários dos trabalhadores. De acordo com sua primeira proposta, as negociações dos dissídios coletivos anuais passariam a ser trimestrais. Noutra sugestão, de um sindicalista tucano (repetindo, tucano), toda vez que a inflação bater a marca dos 3% sobre o último reajuste seria acionado um gatilho, elevando os salários. Na aparência, repõe aquilo que o trabalhador perde com a desvalorização da moeda. Na vida real, gera mais inflação.

Nas festividades de hoje estão previstas as presenças de três candidatos a presidente (Aécio Neves, Eduardo Campos e Marina Silva), mais o comissário Gilberto Carvalho, representando a doutora Dilma. Boa ocasião para que todos denunciem a proposta como demagogia política e irresponsabilidade econômica. A indexação de seja o que for está para uma sociedade assim como a cocaína para o organismo humano. O que o Brasil precisa é de menos indexação, e se há tarifas e serviços indexados, o que se deve discutir é o seu fim, não sua expansão.

Juntando-se a seriedade profissional do sindicalista Paulinho com a de todos os candidatos a presidente, mais a da doutora Dilma, ela não chega à metade da que tinha o professor Octavio Gouvêa de Bulhões. Pois foi ele quem, em 1964, criou a correção monetária. Injetou um vírus no sistema do país, criando um ciclo de torpor que arruinou a sociedade. Ela suportou seis moedas diferentes e a inflação foi a 1.764% em 1990. Vale lembrar que Bulhões usou a indexação para restabelecer a confiança nos papéis do governo. Acreditava que ia ficar nisso.

Quando o governo emite mais do que pode, todo mundo perde. Imagine-se uma situação em que começa a chover. Todo mundo se molha. Contudo, alguns grupos protegem-se, buscando coberturas. A indexação cria um sistema pelo qual o governo passa a distribuir a proteção. A partir desse momento, uma parte da sociedade lucra e outra rala. Trinta anos de inflação e correção monetária distribuíram lucros para o andar de cima e ruína para os trabalhadores.

A proposta do deputado é um instante de demagogia política diante de um governo atônito com a alta de preços. Quando os sábios da doutora Dilma pedem a prefeitos que adiem o reajuste de tarifas para limpar a inflação do fim do mês, põem em movimento um ciclo de malandragens que desembocam em propostas como a da Força Sindical. Esses artifícios já custaram à doutora a perda da confiança de uma parte do empresariado. Outra parte, mais esperta, tira proveito dos truques obtendo desonerações tributárias, juros camaradas e benefícios contratuais.

O que os trabalhadores precisam é de menos inflação e nenhuma indexação. A debilidade da gestão da doutora Dilma está no uso de remendos para segurar preços e, em matéria de esparadrapos, o mais perigoso é a volta da indexação dos salários. Se Aécio Neves, Eduardo Campos e Marina Silva tiverem coragem para enunciar essa simples verdade, a campanha pela sucessão presidencial do ano que vem começará bem. Afinal, não se pode acabar com a chuva, mas pode-se trocar governos que geram inflação e mutilam o valor da moeda.

O PMDB, quem diria, atua para desarmar o fascismo golpista do PT

Bombas desarmadas

Três bombas-relógio que poderiam gerar uma grave crise institucional estão sendo desarmadas nos últimos dias: o projeto de lei que limita a formação de novos partidos; a tentativa de controlar a atuação do Supremo Tribunal Federal, e a emenda que retira do Ministério Público o poder investigativo. As três iniciativas parlamentares têm uma digital única, a dos petistas irritados com a condenação dos mensaleiros.

E o trabalho de desmontagem dessas bombas, que colocariam em risco a democracia brasileira, tem também uma marca própria, a do PMDB, atuando como aqueles esquadrões antibombas em países atacados pelo terrorismo.

Partido que enfrenta o paradoxo de ser imprescindível para a governabilidade do país e ao mesmo tempo não ter condições de ser protagonista da cena política, por um desses acasos que fazem a política o PMDB preside as duas Casas do Congresso nos anos vitais para a sucessão presidencial e, diante da atuação cada vez mais desenvolta dos “aloprados” do PT, está tendo a oportunidade de exercer o papel de fiador da democracia brasileira, o que, se não releva, pelo menos deixa em segundo plano no momento seu histórico de fisiologismo.

Depois de um encontro dos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Henrique Eduardo Alves, com o ministro Gilmar Mendes do STF, num reconhecimento político da sua liderança, começaram a ser desarmadas as bombas deixadas pelo caminho. A proposta do presidente da Câmara de proibir a aprovação por aclamação de uma emenda constitucional já é uma limitação a arroubos de fanáticos, religiosos ou políticos, que surgem no Congresso com mais freqüência do que seria desejável numa democracia estável.

Aos que alegam que a PEC estava ainda no começo da tramitação, não se justificando o alarme, é bom lembrar que se uma comissão de Constituição e Justiça considera “admissível” uma proposta como essa, claramente inconstitucional, que submete decisões do Supremo aos caprichos da maioria congressual do momento, toda a tramitação já começa viciada, denotando a intenção de um grupo político de impor sua vontade mesmo contra a lei.

O mesmo raciocínio vale para a lei que tenta atingir a criação de novos partidos, com o objetivo claro de dificultar a caminhada da ex-senadora Marina Silva para a disputa presidencial de 2014 ou, mais claramente, facilitar a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

A questão da “PEC da impunidade”, como ficou conhecido o projeto de emenda constitucional que pretendia proibir o Ministério Público de investigar, pode ser resolvida de maneira democrática com essa comissão anunciada ontem, que vai rediscutir o assunto de maneira a que não haja “vencidos nem vencedores”, e que o combate à corrupção seja reforçado e não tolhido.

Só sua criação já é uma derrota para aqueles que viam na PEC um instrumento de retaliação à atuação do Procurador-Geral da República no julgamento do mensalão. E uma ducha de água fria nos que, aproveitando-se da sede de vingança, queriam mesmo era um ambiente mais propício à maracutaia, sem o MP para investigar.

O PMDB tem contra si o histórico fisiológico de suas principais lideranças que dificulta antever nas suas ações um movimento de revigoramento do Poder Legislativo. Deixando que questões locais se sobrepusessem às nacionais, demonstrou uma vocação política restrita, aceitando o papel de coadjuvante de PT e PSDB, partidos que têm “vocação presidencial”.

A ação rápida e eficaz de seus líderes, entre eles o vice Michel Temer nesses casos dos últimos dias dá ao partido a possibilidade de atuar em outra dimensão, num momento delicado da cena brasileira. O PMDB torna-se mesmo um contraponto às tentativas petistas de neutralizar as divergências através de golpes institucionais.