Mau desempenho de Dilma e queda nas pesquisas porão Lula no jogo em 2014?

Acendeu a luz amarela no PT

“Par délicatesse J’ai perdu ma vie”, escreveu Jean-Nicolas Arthur Rimbaud, poeta francês que viveu e brilhou na segunda metade do século XIX. Aos 20 anos, encerrou sua produção literária. Morreu de câncer aos 37.“Por delicadeza eu perdi minha vida” são seus mais famosos versos, repetidos pelos que se valem deles para lamentar algo importante que perderam. Ou para reafirmar a disposição de não perder.

No último fim de semana, depois de examinar com preocupação os resultados da mais recente pesquisa de opinião do Instituto Datafolha, um petista erudito declamou os versos de Rimbaud para garantir que por elegância seu partido não perderá a vida. Ou melhor: o poder. Nem daqui a pouco nem a perder de vista. Afinal, que partido entregaria o poder sem oferecer severa resistência?

De março para cá, a aprovação do governo Dilma caiu oito pontos. Foi a primeira vez que isso aconteceu desde que ela se elegeu. Dilma perdeu popularidade entre homens e mulheres, em todas as regiões do país, em todas as faixas de renda e em todas as faixas etárias. A causa? A volta da dobradinha inflação em alta e crescimento econômico em baixa. O brasileiro está pessimista. Acendeu a luz amarela dentro do PT.

Os partidos existem para alcançar o poder — e uma vez que alcancem, lá se conservarem, empenhados em fazer o melhor por seus governados. Na democracia devem ao povo o que conquistaram. E somente o povo poderá retirá-los de onde estão.
Por delicadeza, há dois meses, Lula antecipou a campanha presidencial do próximo ano. Atendeu a um pedido da própria Dilma.

Era véspera de mais um aniversário do PT. Lula pretendia sair em caravana pelo país. E Dilma detectara movimentos favoráveis ao lançamento da candidatura dele à sua vaga. Para eleger Dilma em 2010, Lula inventara que ela era uma excelente gestora. Superior até mesmo a ele. Chegou ao ponto de sugerir que dividira com Dilma o comando do governo no seu segundo mandato. Um exagero compreensível.

Por maior que fosse seu prestígio, não bastaria a Lula pedir votos para Dilma. Era preciso fornecer um pretexto para que a maioria dos brasileiros elegesse presidente quem nunca disputara uma eleição. Quem já rejeitara disputar uma, argumentando que não tinha “perfil de candidata”. E quem por falta de sorte vira falir uma loja onde tudo que ali se vendia custava apenas R$ 1,99.

Dilma jamais foi uma gestora excepcional — a verdade é essa. Foi apenas uma aplicada gerente. E com um grave defeito que compromete o desempenho de qualquer gerente: o gosto pela centralização. Nada se faz em seu governo sem que ela seja ouvida antes. Em certas ocasiões, Dilma pede para ler antes discursos que seus ministros pronunciarão mais tarde. Ultimamente, deu de interferir até nas rotas do Boeing presidencial. Detesta turbulências. Passou a entender de aviação para poder evita-las.

A certa altura, o câncer que atingiu as cordas vocais de Lula ameaçou o sonho cultivado por ele de substituir Dilma — em 2014 ou em 2018. Curado, Lula acompanha as dificuldades de Dilma para governar o país. Nem gerente sintonizada com as exigências dos tempos modernos, muito menos gestora admirável. Atrapalhada na condução da economia. Um rotundo desastre no exercício cotidiano da política.

Por delicadeza, o PT se arriscará a ser desalojado do poder caso Dilma corra de fato o risco de vir a ser derrotada? Cresce entre os partidos aliados a torcida por enquanto silenciosa pela volta de Lula. Dilma é temida. Amada? Bem, só se for por Aloizio Mercadante, ministro da Educação.

Publicado aqui, no Blog do Noblat.

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Este post tem 3 comentários

  1. Marcos Cintra

    Agora a mentira do PT é que Dilma pode frear a inflação quando quiser.

    O PT já planta a ideia de que Dilma pode resolver o problema da inflação nos próximos meses, resolvendo a sua reeleição, aprofundando a maquiagem e o “pragmatismo”. O PT nunca venceu a inflação. Aliás, era o seu maior aliado, tanto que a trouxe de volta. Vejam, abaixo, matéria do Estadão:

    A presidente Dilma adotou a cartilha do pragmatismo na economia e fará ajustes em seu discurso político para recuperar a queda de popularidade, detectada em pesquisas. A intenção de Dilma, candidata à reeleição, é transmitir confiança aos empresários e se reaproximar dos eleitores que têm demonstrado pessimismo com os rumos da economia.

    Ao tentar “vender” um Brasil “market friendly”, elevar os juros em 0,5 ponto porcentual e zerar o IOF cobrado das aplicações de capitais estrangeiros em títulos de renda fixa, a presidente enterra antigos dogmas do PT. Não é só: para não deixar a peteca cair, faz mudanças na política econômica bem ao estilo “pão pão, queijo queijo”, como diria o ex-presidente Lula. Antes da crise financeira, o discurso do governo era o de que o Brasil não precisava de “capital especulativo” porque a aposta era no “capital produtivo”.

    A decisão de zerar o IOF tem como alvo a atração de dólares para o País, uma medida que ajuda a reduzir o preço do dólar e a segurar a inflação. “Dilma não vai deixar ter inflação. Aecinho pode ficar andando de ônibus, mas vai falar sozinho”, ironizou o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, numa referência ao programa de TV do PSDB, que mostrou o senador Aécio Neves (MG), provável candidato à Presidência, batendo pesado na alta de preços, dentro de um ônibus.

    Com pesquisas indicando o receio da população com desemprego e inflação, a presidente fará de tudo para recuperar os pontos perdidos. A um ano e quatro meses das eleições o que dá as cartas, agora, é mesmo o pragmatismo.

    http://coturnonoturno.blogspot.com.br/2013/06/agora-mentira-do-pt-e-que-dilma-pode.html

  2. Alberto de Souza

    Dilma pode ser enquadrada em crime de responsabilidade por criar grupo ilegal para investigar militares

    Por Jorge Serrão – [email protected]

    O revanchismo da Presidenta Dilma Rousseff e de sua equipe pode lhe render um processo por crime de responsabilidade – que pode causar seu impeachment. Dilma vai ferir o artigo 85 da Constituição Federal se sacramentar seu apoio à inconstitucional e ilegal resolução, publicada sexta-feira passada no Diário Oficial da União, que cria um grupo de trabalho para apurar 23 denúncias de violações de direitos humanos em instalações das Forças Armadas envolvendo, principalmente, cadetes e soldados.

    Dilma acaba de fabricar, de graça, uma crise militar. A medida é ilegal e inconstitucional, pois atenta contra os princípios fundadores da instituição militar e atropela o papel da Justiça Militar – que já trata de tais assuntos. Recomendada pela ONU e pela OEA, a medida é uma clara quebra da soberania brasileira em sua expressão do poder militar. A medida tem data de 5 de abril. Mas a ministra Maria do Rosário aguardou dois meses para fazer sua publicação, até que Paulo Vannuchi fosse escolhido membro da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

    Militares na ativa e na reserva odiaram e prometem reagir contra a Resolução da Secretaria de Direitos Humanos que vai invadir a competência dos comandantes militares, do Ministério Público e da Justiça Militar para apurar casos de maus-tratos e torturas dentro de unidades militares. Os comandantes já avisam, nos bastidores, que não vão aceitar pedidos de busca e apreensão de documentos em quartéis – atendendo a recomendações emanadas do grupo criado pela Secretaria de Direitos Humanos.

    A maioria dos oficiais de quatro estrelas do Exército, Marinha e da Aeronáutica ficaram especialmente injuriados com as declarações de José Dirceu de Oliveira e Silva, condenado no Mensalão, apoiando a iniciativa revanchista da turma de Dilma e Maria do Rosário. Dirceu até escreveu em seu Blog do Zé: “Todo apoio à iniciativa do governo federal de investigar as 23 denúncias de violações dos direitos humanos em instalações das Forças Armadas. A criação de um grupo de trabalho com esta finalidade, inclusive, já foi determinada pela Secretaria de Direitos Humanos”.

    A crise militar está criada. Se Dilma não recuar, pode rolar o confronto mais sério entre o governo e os militares, depois que o presidente João Figueiredo saiu pela garagem do Palácio do Planalto, em 1985, deixando o poder nas mãos da turma da Nova República e seus elementos revanchistas.

    Leia, abaixo, o artigo do General Azevedo: Uma INSTITUIÇÃO à beira de um ataque de nervos

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    Uma INSTITUIÇÃO à beira de um ataque de nervos
    Por Valmir Fonseca

    Tudo começou com a “Placa”, lembram – se?

    Inaugurada por imposição da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) em homenagem aos cadetes falecidos em atividade de instrução no decorrer do Curso de Formação de Oficiais e em desagravo ao Márcio Lapoente da Silveira, ela foi fixada e permanentemente mantida nas instalações da Academia Militar das Agulhas Negras.

    Naquela oportunidade, afirmamos que ela representaria o fim dos sonhos, a morte dos anseios, a descrença na caserna, o desrespeito pelos superiores, o funeral da disciplina.
    Era um sinal de que tudo estava perdido.

    A falta de reações permitiu que a Secretaria desembestasse frontal e ousadamente contra uma instituição centenária, permanente, e que goza da mais alta credibilidade no âmbito popular.

    A Resolução da Secretaria de Direitos Humanos, publicada nesta sexta-feira (7) no “Diário Oficial da União”, determinou a criação de um grupo de trabalho para apurar casos de maus-tratos e torturas dentro de unidades militares.
    Conhecemos a parcialidade e a sanha que impulsionam a Secretaria dos Direitos Humanos, contudo, semelhante investida contra o Exército Brasileiro é mais do que uma medida arbitrária e revanchista.

    Nós que labutamos por mais de 40 anos naquela exemplar Instituição, vemos horrorizados como um mar de lama pode ser jogado sobre toda a sua História.
    Nós passamos a maior parte de nossa vida militar lidando com soldados, com jovens que adentravam os quartéis, com precária educação, reduzido vigor físico e, em geral, sem os mínimos padrões que deveriam ser apanágios de um cidadão.

    Na caserna, incutimos neles hábitos de cidadania, treinamento físico, pontualidade, higiene, disciplina e um profundo amor à Pátria.
    Longe da grandeza militar e do respeito aos subordinados, de menosprezar, ferir, desmoralizar, muito menos torturar, um jovem, em geral, voluntário.

    Por vezes, a dureza do treinamento, o critério da seleção rigorosa em determinados cursos, determinavam aos instrutores e responsáveis um elevado grau de exigência para a melhoria do próprio instruendo, mas sempre respeitando o “não faça aos outros, o que não gostaria que fizessem com você”.

    O respeito sempre foi a base para a formação de Oficiais e de Sargentos que cursaram a AMAN e as Escolas de Sargentos, todas de mais alto gabarito, tanto no que diz respeito aos temas profissionais, como os dos currículos escolares.

    Para nós, criados e formados com rígidos padrões, baseados na hierarquia e na disciplina, cala como uma agressão esta atividade aviltante da Secretaria contra a nossa Instituição.

    Temos vergonha do que esta acontecendo, pois fere as nossas convicções, saber que sem o menor pejo, um reles grupo, sabe – se lá como será formado, prenhe de revanchismo, parte para denegrir a nossa instituição como se fosse um antro de facínoras.

    Realmente, chegamos ao fundo do poço.

    É incrível, como sem fazer força, devidamente amparados pelo desgoverno, qualquer ministério, secretaria ou autarquia pode extrapolar as suas atribuições e investir contra o que quiser.

    Hoje, é obrigação das autoridades militares, do inefável Ministro da Defesa impedir a concretização desta vergonhosa ação.

    Este passo, caso concretizado, ensejará a total investida nos currículos das escolares militares, nas suas normas, e, sem duvida, nos seus princípios.

    De fato, após tantos revezes está difícil manter a cabeça erguida por ter passado a vida inteira acreditando que orgulhosamente éramos militares, que nos apegamos aos valores e às virtudes mais caras.

    Sim, ao invadirem os quartéis à cata de criminosos, melhor fariam se buscassem entre seus antigos subversivos contumazes em atos terroristas, assaltos e sequestros.

    Ao duvidarem dos padrões que nortearam e norteiam a vida dos militares, maculam a identidade da nossa Instituição.

    Na Reserva, impotente e com uma indescritível mágoa no coração, vemos a Instituição que tanto amamos e respeitamos chegar à beira do colapso.

    Meu único consolo é que já estou na Reserva; se na Ativa, melhor seria pedir as contas.

    Não ficaria surpreso, se diante de tantos descalabros, alguém pedisse demissão.

    Valmir Fonseca Azevedo Pereira, Presidente do Ternuma, é General de Brigada Reformado.

    http://www.alertatotal.net/2013/06/uma-instituicao-beira-de-um-ataque-de.html

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