Hemingway e Fitzgerald — Da literatura ao cinema, do peixe às asas da borboleta

Ernest Hemingway e F. Scott Fitzgerald
Ernest Hemingway e F. Scott Fitzgerald

Ernest Hemingway (1899/1961) e F. Scott Ftizgerald (1896/1940) foram os dois maiores nomes da prosa no modernismo dos EUA, ambos auto-exilados durante a Lei Seca em seu país (1920/33), junto a outros conterrâneos, como os poetas Erza Pound (1885/1972) e T. S. Elliot (1888/1965), na internacional “Geração Perdida”, que reunia também gente como o pintor espanhol Pablo Picasso (1881/1973), ou o prosista irlandês James Joyce (1882/1941), na Paris dos “Loucos Anos 20” do século passado. Melhor descrição destes tempo e espaço de revolução nas artes, regados com excessos de vida e álcool, no hiato entre as duas Guerras Mundiais (1914/18 e 1939/45) e um pouco antes da crise mundial do capitalismo a partir de 1929, em seu biográfico “Paris é uma festa”, nunca concluído em vida e só publicado após sua morte, Hemingway assim descreve Fitzgerald:

Foto de Paola D’Angelo

“Seu talento era tão espontâneo quanto o desenho que o pó faz nas asas de uma borboleta. Houve uma época em que ele tinha tanta consciência disso quanto a borboleta, não ligando para o fato de que seu talento podia apagar-se ou desaparecer de todo. Mais tarde começou a preocupar-se com as asas feridas e sua estrutura. Aprendeu a refletir, mas já não conseguia voar porque o amor ao voo o abandonara. Restava-lhe apenas a lembrança dos dias em que voar fora um ato natural”.

O velho Santiago de Spencer Tracy na luta com seu peixe
O velho Santiago de Spencer Tracy na luta de vida e morte com seu peixe gigantesco

Para marcar a diferença entre os estilos de um e outro autor, um colega brasileiro e grande admirador de ambos, Luiz Fernando Verissimo diz que Fitzgerald era “um suculento”, ao passo que Hemningway, “um seco”. A grande obra deste é sem sombra de dúvida “O velho e o mar”, de 1952, na minha opinião pessoal, o maior romance escrito no século 20, apesar de ter gerado um filme fraco, mesmo dirigido por John Sturges (1910/92) e estrelado por Spencer Tracy (1900/67). Em curta de animação, uma versão mais recente e feliz foi produzida pelo diretor russo Alexander Petrov, que pode ser conferida na edição abaixo, com trilha sonora do Buena Vista Social Club, na “Chan chan” tão cubana quanto o Santiago de Hemingway, cuja casa, Finca La Vigía, é mantida até hoje como museu do escritor que a habitou, pelo regime dos Castro…

Já Fitzgerald, embora considerasse “Suave é a noite”, de 1934, como seu melhor romance, acabou tendo eleito por boa parte da crítica, até nossos dias, o seu “O grande Gatsby”, concluído na Paris de 1925, não só como sua obra prima, mas de todo o modernismo estadunidense. Ganhou três versões em filmes de Hollywood, em 1926, 1949 e 1975, até gerar aquela que considero a melhor, de 2012, estrelado por Leonardo Di Caprio e dirigido pelo australiano Baz Luhrmann, ora em cartaz nos cinemas do Rio, mas não de Campos.

Quem estiver mais próximo à Guanabara do que ao Paraíba do Sul, vale muito a pena a conferida, goste-se ou não de literatura. Ao fim e ao cabo, nas palavras que encerram livro e filme, gravadas nos túmulos contíguos de Fitzgerald e sua amada Zelda:

“E assim prosseguimos, barcos contra a corrente, arrastados incessantemente para o passado”

Para quem estiver no Rio, programa de cinema que vale a pena: “O grande Gatsby”
Para quem estiver no Rio, programa de cinema que vale a pena: “O grande Gatsby”
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Este post tem 3 comentários

  1. maria

    Lindo lindo curta de animação, mais maravilhoso ainda o espetacular BUENA VISTA SOCIAL CLUB.Emocionante este garimpo Aluysio

  2. maria

    Sensibilidade ,suavidade,tudo de bom.

  3. maria

    ” E assim prosseguimos,barcos contra a corrente ,arrastados incessantemente para o passado.”

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