Vitor Menezes — Comissão da Verdade, uma oportunidade

Não tenho opinião sobre as denúncias do ex-delegado do Dops, Cláudio Guerra. Na apresentação do seu relato, no documentário “Forró em Cambabía”, dirigido pelo jornalista Vitor Menezes, na abertura das atividades do Cineclube Goitacá neste ano de 2014, em 12 de março, vi e apontei no debate, após a exibição, incoerências e inverdades no depoimento do denunciante. Não sou, nem pretendo ser, politicamente correto como o Vitor e a maioria dos formadores de opinião deste nosso tempo. Todavia, nas chaminés, no martelo e na foice, no fascio, na suástica, no crescente muçulmano, na cruz cristã, no ateísmo pretenso da razão, ou em qualquer outro signo que pretenda impor o todo à parte, concordo com o autor da ressalva: “do quanto pode ser perigosa qualquer visão política que despreze a vida”

 

ditadura

 

Jornalista e diretor do documentário “Forró em Cambaíba”, Vitor Menezes
Jornalista e diretor do documentário “Forró em Cambaíba”, Vitor Menezes

A verdade também para Campos

Por Vitor Menezes

 

A iminente formação de uma Comissão da Verdade em Campos dos Goytacazes, para apurar denúncias sobre crimes de Estado durante o Regime Militar pós-1964, será um grande teste de solidez das nossas instituições. Se, nacionalmente, remexer estas memórias provoca ainda hoje reações contundentes e episódios mal explicados – como a morte recente de um dos militares depoentes da Comissão da Verdade –, nas cidades médias e pequenas, onde as relações familiares e de outros laços de afinidade e interesses ameaçam a todo instante a impessoalidade da aplicação da Lei, o desafio é ainda maior.

Foi por acaso que esbarrei em um dos temas que deverão ser objeto de investigação desta possível comissão local: aquele que envolve as denúncias do ex-delegado do DOPs (Departamento de Ordem Política e Social), Cláudio Guerra, sobre a antiga usina Cambaíba, publicadas pelo livro “Memórias de uma Guerra Suja”, de Rogério Medeiros e Marcelo Netto.

Esta história é parte de um projeto de documentário que inicialmente, antes de saber o destino de uma ocupação de terras que acompanharíamos, tinha como objetivo apenas registrar como é uma atuação do MST (Movimento dos Sem Terra). Mas quis o destino que o local escolhido pelo movimento fosse justamente Cambaíba, e então a questão relatada por Guerra, acerca da suposta utilização dos fornos da usina para queimar cadáveres de militantes políticos durante a Ditadura – o livro registra dez, mas Guerra chega a falar em 12 –, se tornou inevitável. Surgiu então o “Forró em Cambaíba”.

Uma das experiências mais fortes deste trabalho foi a entrevista com o ex-delegado – o mesmo Claudio Guerra que agora é um dos acusados no Caso Rio Centro, em processo judicial aberto a partir de denúncia do Ministério Público. Na narrativa, procurei expor os dois lados da história, à maneira clássica do jornalismo, com a denúncia e com a versão de uma representante da família acusada, Cecília Ribeiro Gomes, que negou com veemência a possibilidade de tal fato ter ocorrido.

Mas, se ainda não é possível afirmar com total segurança quem está dizendo a verdade, a convicção que em mim ficou é semelhante àquela defendida pelo promotor Eduardo Santos, também no documentário: que ao menos se apure.

O Brasil – e também Campos dos Goytacazes, naturalmente – precisa fazer de vez o seu ritual de passagem da Ditadura para a Democracia, como fizeram alguns países vizinhos. Somente um desprezo profundo pela verdade histórica e uma indiferença em relação a crimes humanitários poderia justificar a negativa em encarar de vez o tema e trazê-lo, quaisquer que sejam as suas consequências, à luz.

No fundo, torço para que algum dia se chegue à conclusão de que os fatos denunciados pelo ex-delegado Guerra não são verídicos. Campos, última cidade a abolir a escravidão, não merecia mais esta chaga em sua história. Mas, se for o contrário, é preciso que o município se reconheça em toda a sua crueza, se desculpe formalmente às famílias dos desaparecidos e preserve as ruínas de Cambaíba como um memorial. Suas altas chaminés passariam a ser a lembrança constante do quanto pode ser perigosa qualquer visão política que despreze a vida.

 

Comissão da Verdade será instalada em Campos

Wadi entre Guru (dir.) e Bruno Dauaire (foto de Valmir Oliveira - Folha da Manhã)
Wadi entre Guru (dir.) e Bruno Dauaire (foto de Valmir Oliveira – Folha da Manhã)

 

Presidente da Comissão da Verdade no Rio de Janeiro, o conselheiro federal da OAB Wadi Damoud esteve hoje em Campos para receber uma homenagem da OAB-Campos, no mesmo dia em que a Justiça Federal do Rio de Janeiro, numa decisão histórica, aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra os seis suspeitos de serem os responsáveis pelo mal sucedido atentado a bomba no Rio Centro, em 30 de abril de 1981, num show no Dia do Trabalho com artistas engajados pela reabertura democrática, já nos estertores da Ditadura Militar no Brasil (1964/85). Numa coletiva agora há pouco na OAB-Campos, Wadi explicou que o atentado do Rio Centro não se enquadra na Lei da Anistia, já que esta foi promulgada quase dois anos antes, em 28 de agosto de 1979, perdoando todos os crimes políticos cometidos até então pelos grupos de repressão e de guerrilha. Além disso, segundo ele, o atentado do Rio Centro seria enquadrado como crime de lesa-humanidade, portanto imprescritível.

Outra novidade é que a Comissão da Verdade também será instalada em Campos, numa proposta ainda a ser formulada e encaminhada pela OAB local para aprovação da Câmara Municipal. Presidente da OAB-Campos, Carlos Fernando Monteiro Guru deve presidir também a Comissão da Verdade no município, cujo projeto de implantação está sendo coordenado pelo advogado Bruno Dauaire, membro da coordenadoria de Segurança Pública da 12ª Subseção da Ordem. Segundo Wadi adiantou na coletiva, o primeiro trabalho de investigação na Comissão da Verdade em Campos será sobre as denúncias do ex-delegado Cláudio Guerra, do extinto Departamento de Ordem Política e Social (Dops), sobre a suposta queima de corpos de presos políticos na usina Cambaíba. Publicadas no livro “Memória de uma Guerra Suja”, as denúncias foram negadas com veemência por ex-funcionários (aqui) e membros da família a quem pertencia a usina (aqui).

Enquanto no Ministério Público Estadual (MPE) de Campos, o promotor Marcelo Lessa arquivou as denúncias, o procurador Eduardo Santos de Oliveira, do MPF local, deu sequência às investigações. Um esclarecedor documentário sobre o assunto, intitulado “Forró em Cambaíba”, foi dirigido pelo jornalista Vitor Menezes e pode ser assistido gratuitamente aqui. No filme, vários depoimentos são apresentados, inclusive o de Cláudio Guerra, único civil entre os que agora serão julgados pelo atentado do Rio Centro. Ele, assim como os generais reformados Newton Cruz (terceiro colocado na eleição a governador do Rio, em 1994) e Nilton Cerqueira (nomeado secretário estadual de Segurança do Rio, em 1995) , além do coronel reformado Wilson Luiz Machado, vão responder pelos crimes de homicídio doloso tentado (duplamente qualificado por motivo torpe e uso de explosivo), por associação criminosa armada e transporte de explosivo. Já o general reformado Edson Rocha responderá por associação criminosa armada, enquanto o major reformado Divany Barros, por fraude processual.

 

Ambulâncias incertas, mas pagamento em dia

Eu penso que

 

 

ambulância

 

Por Ricardo André Vasconcelos, em 13-05-2014 – 19h58

As ambulâncias alugadas pela Prefeitura de Campos à empresa paulista Nova Master estão chegando em conta gotas. Das cerca de 90 ambulâncias alugadas por R$ 19.427.144,76 por 12 meses chegaram à cidade cerca de 30 (veja aqui a extrato do contrato assinado em dezembro de 2013). Mas a empresa vem recebendo em dia pelo aluguel.

No último dia 05, foi paga a segunda parcela no valor de R$ 495.181,64 (processo 20140040024509 – Ordem Bancária 2014OB06948.

A primeira parcela (reveja aqui) foi paga em 24/03/2014 no valor de R$ 496.556,55.

 

Vice de Lindbergh, Rocco vem amanhã a Campos para discutir Cultura

Pré-candidato a vice-governador na chapa encabeçada pela senador Lindbergh Farias (PT), Roberto Rocco (PV) estará em Campos para cumprir agenda amanhã e quinta. Seu primeiro compromisso será se reunir com os vereadores de oposição Rafael Diniz (PPS), Marcão (PT) e Fred Machado (SDD), para se inteirar dos muitos questionamentos e denúncias sobre a cultura municipal de Campos. A intenção é fazer essa discussão local reverberar também no Grande Rio, onde Rocco, além de ambientalista e político, atua também como músico.

Conheça abaixo a agenda completa do verde vice de Lindbergh:

 

Rocco, ontem, no Rio, com o senador Lindbergh Farias  e a deputada federal Jandira Feghali (foto: divulgação)
Rocco, ontem, no Rio, com o senador Lindbergh Farias e a deputada federal Jandira Feghali (foto: divulgação)

 

Quarta-feira:

14h – Encontro com os parlamentares de oposição da cidade para discutir Cultura

16h – Entrevista ao programa Folha no Ar, da Plena TV, do grupo Folha

17h – Visita ao IFF-Guarus

18h – Reunião com membros do Partido Verde municipal

19h – Reunião com militantes e autoridades políticas em SJB.

 

Quinta-feira:

9h – Visita a Upea – IFF (Unidade de Pesquisa e Extensão Agro-Ambiental)

11h – Coletiva de Imprensa com as lideranças políticas locais, na sede do PT em Campos

 

Atualização às 21h42, para acréscimo de informação.

 

Lindbergh: “Gustavo Matheus tem um futuro político brilhante!”

Na última sexta, em Campos, assim como fez ontem no Rio, Lindbergh não escondeu seu entusiasmo com Gustavo Matheus (foto de Valmir Oliveira)
Na última sexta, em Campos, assim como fez ontem no Rio, Lindbergh não escondeu seu entusiasmo com Gustavo Matheus (foto de Valmir Oliveira)

 

O senador e pré-candidato a governador do Estado Lindberg Farias participou ontem, com seu vice Roberto Rocco (PV) e a deputada federal e pré-candidata ao senado Jandira Feghali (PC do B), do encontro de oficialização da aliança entre os seus respectivos partidos para a disputa eleitoral que se aproxima, no Hotel Windsor Guanabara, com cerca de 600 pessoas presentes. Na ocasião, o senador não escondeu a alegria em receber o presidente do Partido verde de Campos, Gustavo Matheus, na capital carioca.

Desde seu último contato com Gustavo, na última sexta-feira (09/05), em Campos, Lindberg já tinha ressaltado a importância do jovem na liderança da juventude campista e fez questão de tê-lo sentado ao seu lado no sindicato da Cedae. Ontem, no Rio, Lindberg voltou a reafirmar o valor do presidente verde no Norte-fluminense e fez até uma projeção.

“Nós vamos precisar demais dessa liderança intensa do Gustavo lá em Campos. Um menino com um discurso muito bom, que poderia ter optado por caminhos mais fáceis, mesmo assim escolheu lutar por uma Campos mais digna, uma Campos para o povo e não para as oligarquias. Acredite quando eu digo, o Gustavo Matheus tem um futuro político brilhante!”

 

Da assessoria do PV-RJ.

 

Com Manoel de Barros, Luciana comanda o Cineclube Goitacá nesta quarta

A partir das 19h30 de amanhã, quarta-feira, dia 14, na sala 507 do edifício Medical Center, no cruzamento da rua Conselheiro Otaviano com av. 13 de Maio, quem comanda o Cineclube Goitacá é a produtora cultural Luciana Portinho. Na mostra “Cinema Verdade”, ela apresentará e mediará o debate do documentário “Só dez por cento é mentira”, do diretor Pedro Cezar, sobre a vida e a obra do escritor Manoel de Barros, considerado por muitos o maior poeta brasileiro vivo. Como as liberdades que o autor sulmatogrossense toma com a língua portuguesa, a entrada para a sessão e a participação na discussão são inteiramente livres.

 

Cultura de Campos: Patrícia ameaça processar e Rafael pede ao MP que investigue

direito x política

 

Enquanto aqui, em mais uma entrevista exclusiva publicada ontem no site Campos 24 Horas (confira aqui a anterior), a presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), Patrícia Cordeiro, ameaçou processar todos os autores das críticas e questionamentos que sua gestão na cultura municipal de Campos vem sofrendo desde o ano passado, o vereador Rafael Diniz (PPS) entrou hoje com uma representação no Ministério Público Estadual, para reforçar boa parte dessas mesmas críticas e questionamentos, solicitando investigação e respostas.

Tome fôlego e confira abaixo:

 

Rafel Diniz levou representação hoje para pedir investigação ao MPE (foto: divulgação)
Rafel Diniz levou representação hoje para pedir investigação ao MPE (foto: divulgação)

 

AO MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL/ RJ

Atribuição – Campos dos Goytacazes

 

Rafael Paes Barbosa Diniz Nogueira, Vereador, com endereço na Rua Barão Lagoa Dourada, 147 – Gabinete – Centro Campos dos Goytacazes – RJ, 28035-200, no uso de suas atribuições, com fulcro no Art. 54 da Lei Orgânica Municipal, no Art. 65, III do Regimento Interno da Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes/RJ e no Art. 31 da Constituição Federal, Representar junto a este M.D Orgão Ministerial em face do Fundação Cultural Jornalista Osvaldo Lima, na pessoa da Sra. Presidente, Patrícia Cordeiro Alves, pelos substratos fáticos que passa a expor:

 

I- DO SUSTENTÁCULO LEGAL PARA PRESENTE REPRESENTAÇÃO

 

a) “São poderes do Município  independentes e harmônicos entre si, o Legislativo e o Executivo”- Art. 1º, § 1º da Lei Orgânica Municipal.

 

b) “A Câmara Municipal cabe, exclusivamente, entre outras previstas nesta Lei Orgânica, as seguintes atribuições:

 

X- Solicitar informações ao Prefeito sobre assunto referente à Administração Municipal;

XI- Convocar os Secretários Municipais e Dirigentes de Órgãos ou Entidades da Administração direta e indireta, e fundacional, para prestar informação sobre matéria de sua competência” – Lei Orgânica Municipal, Art. 8º, X e XI.

 

c) “Art. 54 – A fiscalização contábil, financeira, orçamentária e patrimonial do Município e das entidades da Administração direta e indireta quanto a legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas será exercida pela Câmara Municipal, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada poder”- Art. 54 da Lei Orgânica Municipal.

 

d) “Art. 55 – O controle externo, a cargo da Câmara Municipal, será exercido com auxílio do Tribunal de contas do Estado do Rio de Janeiro…”- Art. 55 da Lei Orgânica Municipal.

 

e) Art. 2º – A Câmara tem suas funções legislativas, exerce atribuições de fiscalização externa, financeira, orçamentária e  patrimonial, controle e assessoramento dos atos do Executivo, e, ainda, pratica atos de Administração Interna da Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes/RJ.

 

f) “Art. 65 – São deveres do Vereador, entre outros:

III- Desempenhar fielmente o mandato político, atendendo ao interesse público e às diretrizes partidárias” – Art. 65 do Regimento Interno da Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes/RJ.

 

g) “Art. 2º – São poderes da União, independentes e harmônicos, entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário” – Art. 2º da CF/88.

 

h) “Art. 5º:, XXXIII – Todos tem direito de receber dos Órgãos Públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral…”- Art. 5º, XXXIII da CF/88.

 

i )  “São a todos assegurados independentemente o pagamento de taxas:

O direito de petição…

b) A  obtenção de certidões  das Repartições Públicas…”

 

Art. 5º XXXIV, “a” e “b” da CF/88.

 

j) “A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo Municipal, mediante controle externo e, pelos sistemas de controle interno do poder Executivo Municipal, na forma da lei” – Art. 31 da CF/88.

 

k) “O controle externo da Câmara Municipal será exercido com auxílio dos Tribunais de Contas dos Estados…”- Art. 31, § 1º da CF/88.

 

l) “Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para, na forma da lei, denunciar irregularidade ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União”- Art. 74 § 2º da CF/88.

 

m) “São funções institucionais do Ministério Público:

 

II – Zelar pelo efetivo respeito do poderes públicos e dos serviços de relevância pública e os direitos assegurados nesta constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia;

III- Promover o inquérito civil e a ação civil pública para a proteção do Patrimônio Público e Social, do Meio Ambiente e dos outros interesses difusos e coletivos;

VI- Expedir notificação nos procedimentos administrativos de sua competência, requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei complementar respectiva.”

 

Art. 129, II, III e VI da CF/88.

 

II- DOS FATOS

1- Inicialmente, saliente-se quem, em que pese todo o arcabouço de denúncias apresentadas, na mídia ou a este Edil, até a presente data não houve qualquer esclarecimento formal da denunciada, a Sra. Patrícia Cordeiro Alves, ratio pela qual lhe é oposta a presente representação.

 

2- O Edil que ora representa a esta Autoridade, como já é notório nesta pacata cidade, tentou de todas as formas trazer esclarecimentos aos fatos, pelos caminhos regimentais, ou seja, inicialmente requereu:

 

a) Em janeiro de 2014, cópias de documentos e informações sobre a programação cultural do “Verão 2014”, com seus artistas contratos, infraestrutura, logística e valores, com os seguintes pleitos específicos:

– Quantos shows estão na programação do Verão 2014, incluindo os que já ocorreram e aqueles que já estão programados e ainda serão realizados nesse verão?

– Qual o critério utilizado para a escolha dos artistas locais?

– Qual foi o valor total destinado aos artistas locais? Requer listagem completa com os nomes dos artistas contratados, valores pagos a cada um deles e número de contratações de cada artista local no período desse verão.

– Qual foi o valor total destinado aos artistas nacionais? Requer listagem completa com os nomes dos artistas e valores pagos a cada um deles.

– Quais foram os valores destinados ao som, iluminação, banheiros químicos, camarins, serviços de “buffet”, hospedagens, transporte dos artistas, trios elétricos, telões e palco?

– Qual foi o orçamento dos eventos ligados ao cinema e literatura?

 

b) Em março/2014, este Edil apresentou requerimento convocatório, nos termos do art. 54 da LOM e o art. 61, III, c/c art. 100, § 3º, XII do Regimento Interno da Casa de Leis, a fim de que a denunciada viesse a Câmara Municipal esclarecer sobre a ausência de informações oficiais pertinentes acerca dos valores e seus parâmetros para os shows na praia do Farol de São Thomé – 2013/2014, onde novos dados e documentos mostrariam a existência de distorções entre shows realizados em Campos e em outros municípios.

 

3- Veja, MD Promotor, assim, como em outras inúmeras vezes, apesar do descalabro que ronda a instituição Fundação Cultural Jornalista Osvaldo Lima, a maioria governista “blindou” a denunciada, evitando que fossem aprovados os 02 (dois) requerimentos formulados.

 

4- Por outro lado, é certo que a interposição legal de mandados de segurança, além de sobrecarregarem esses Edis e fugirem a sua linha principal de atribuição, tem se deparado com a morosidade do Judiciário e, mesmo quando procedentes, como é o caso do Mandamus impetrado pelo Edil Marcão solicitando informações da municipalidade, encontram óbices para cumprimento da ordem judicial. Ademais, os Edis não são, nem possuem recursos para atuarem como “Defensorias Públicas” ou “Tutelas Coletivas”, em Juízo.

 

5- O cerne da questão está nas inúmeras denúncias apresentadas, tais como :

 

5.1 – Blog do Zé Paes, em março de 2013 – traz à baila uma série de irregularidades na contratação de shows no Teatro Trianon.

 

http://www.blogs2.fmanha.com.br/zepaes/2013/03/26/observatorio-aponta-irregularidades-em-contratacoes-da-fundacao-trianon/

 

5.2 – Blog da Folha da Manhã – Coluna do Aluísio, assim revelava:

João Vicente: “Patrícia Cordeiro tem muito a temer”

Muitos aliados do governo Rosinha afirmam que as críticas ao setor Cultural partem da oposição e de supostos defensores dos governos passados. Mas o que dizer sobre o desabafo de quem admira a prefeita e o seu marido? O professor João Vicente Alvarenga, que durante todo o ano de 2013 respondeu pela superintendência da Fundação Trianon e tem uma longa história de amizade com o casal Garotinho, fez um desabafo revelador nesta segunda-feira( (21). Sem meias palavras ele diz que o dinheiro da cultura “está sendo usado para fins públicos e também privados, como por exemplo, a montagem de um mega estúdio de gravação que custou altíssimas somas e que deverá ser usado pela oligarquia dominante da democracia goytacá, nas próximas eleições”.Confira o desabafo completo:

 

“A cultura em Campos nunca foi tão rica. Mas inverteram a ordem do preceito que prega a supremacia do interesse público sobre o privado. A gestora pública na área da cultura, apoiada pelo executivo municipal, tem invertido despudoradamente aquela lógica, ou seja, se pratica a supremacia do interesse privado sobre o público. Se quem não deve não teme, Patricia Cordeiro tem muito a temer, a começar porque se esconde da mídia para simples prestações de conta de sua gestão e esclarecimentos ao eleitor sobre como o dinheiro da cultura está sendo usado. Está sendo usado para fins públicos e também privados, como por exemplo, a montagem de um mega estúdio de gravação que custou altíssimas somas e que deverá ser usado pela oligarquia dominante da democracia goytacá, nas próximas eleições. Como justificar, por exemplo, que alguns shows teriam que ser contratados pela extinta Fundação Municipal Trianon e não, como seria o mais adequado, serem contratados pela FCJOL, entre janeiro e maio de 2013? É um formato irregular que caberá à justiça dizer se se trata de um ato ilícito, que é o que tudo indica, uma vez que esses shows/bandas eram de propriedade ou administradas por pessoa muito próxima à Sra. Patricia Cordeiro.”

 

“A opinião de João Vicente Alvarenga foi publicada no blog da Luciana Portinho.”

 

5.3 – Matéria “Show da Gastança” tem suplementação:

 

“Menos de um mês após o último show do “Verão da Gastança”, a Prefeitura de Campos já começa a se preparar para mais uma festa. Sexta-feira (4), o Diário Oficial do Município informou sobre uma suplementação de R$ 2,1 milhões para a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL) arcar com as despesas do Carnaval fora de época, que acontece no final deste mês, e eventos culturais. Para realizar as festas, a prefeita Rosinha Garotinho teve que anular dotações orçamentárias das seguintes pastas: Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT), Codemca, Finanças, Defesa Civil e Comunicação Social.”

(http://www.fmanha.com.br/politica/show-da-gastanca-tem-suplementacao)

 

5.4 – Discrepâncias nos valores de cachês entre municípios vizinhos:

– Cachê de Luan Santana em Macaé Foi R$ 53 Mil mais barato do que no “Verão Da Gastança”

“No dia 31 de janeiro deste ano o cantor Luan Santana se apresentou em Macaé. O valor do cachê: R$ 180 mil. Em Campos, um mês depois, o cantor faturou R$ 233 mil. Uma diferença de R$ 53 mil.

Em Macaé a Prefeitura também divulgou os gastos com hospedagem, produção, transporte, camarim e carregadores. Ao todo, somando todas essas despesas, o show do cantor ficou com um valor próximo ao de Campos. Porém, em Campos, além do cachê (R$ 233 mil), a Prefeitura contou este ano com licitações separadas para transporte, buffet e hospedagens. Ou seja, colocando na ponta do lápis, o show em Campos foi muito além dos R$ 233.750,00.”

– Jammil: R$ 80 mil em 2013 X R$ 193 mil em 2014.

Por alexandre bastos, em 31-01-2014 – 21h48

“Revoltados com as notícias sobre os valores dos shows do verão e a cobrança de mais transparência na aplicação do dinheiro público, alguns membros da tropa rosácea correram para buscar explicações. Porém, tendo em vista a dificuldade para explicar o inexplicável, muitos deles apenas repetiram o mantra rosáceo: “hoje é um mar de rosas, no passado era um mar de lama“.Então, já que eles gostam de voltar no tempo, vamos dar um pulo em 2013. Há um ano, no verão de 2013, a banda Jammil e uma Noites foi contratada pela Prefeitura de Campos por R$ 80 mil. Agora, um ano depois, o show custou R$ 193 mil.”

Shows da Prefeitura no site da Veja — Veja no link:

http://www.blogs1.fmanha.com.br/bastos/2013/07/02/shows-da-prefeitura-no-site-da-veja/

 

5.5- Proibições e atos ditatoriais da Presidência da Fundação:

– Leitora denuncia proibição de Patricia Cordeiro aos artistas de Campos

Por Aluysio, em 10-07-2013 – 21h10

“Além do desastre, com cheiro de ditadura teocrática e intelectualmente medíocre, no cancelamento no Trianon da peça “Bonitinha, mas Ordinária”, de Nelson Rodrigues, que seria apresentada pelo grupo de teatro carioca “Oito de Paus”, mas teria sido barrada por motivo de ordem pessoal e religiosa da prefeita Rosinha (PR), numa polêmica que ganhou a mídia nacional, consegue ser ainda mais grave a denúncia feita pela leitora Suzane Azevedo. Reproduzida abaixo, dá conta de uma suposta chantagem dos cofres públicos do município, via Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, contra os artistas de Campos. Com a palavra, à qual o blog garante o mesmo espaço, a presidente da Fundação e esposa do cantor baiano Lucas “Cebola”,além de pessoa do círculo de confiança de Rosinha, Patricia Cordeiro…”

Suzane Azevedo

julho 10th, 2013 em 20:25

 

“Os artistas foram convocados e proibidos por Patricia Cordeiro de participar de qualquer manifestação.

Quem participar não entra mais na FCJOL e se tiver que ser contratado, ela não contrata mais.

Essa Senhora vai acabar com a Administração da prefeita Rosinha Garotinho.
Será que ela pensa que estamos vivendo na ditadura?

Isso tem que acabar. Ela não pode ameaçar ninguém, mesmo pq o dinheiro é do povo e não dela.”

 

5.6 – Observatório aponta irregularidades em contratações da Fundação Trianon

Por José Paes, em 26-03-2013 – 20h32

O Observatório social de Campos, através do seu blog (aqui), denunciou irregularidades em contratações de artistas pela Fundação Trianon. O espaço encontra-se aberto para que a Fundação apresente as explicações que entender necessárias.

Na qualidade de Diretor Geral do Observatório, informo que nos próximos dias encaminharemos ofício a Fundação e ao Ministério Público para que sejam tomadas as medidas cabíveis, no sentido de evitar que novas irregularidades como essas ocorram.

Abaixo, segue o inteiro teor da denúncia:

“De acordo com a Lei de Licitações, é inexigível licitação para a“contratação de profissional de qualquer setor artístico, diretamente ou através de empresário exclusivo, desde que consagrado pela crítica especializada ou pela opinião pública”.

A licitação é inexigível porque a competição é inviável. É impossível, por exemplo, licitar a apresentação de Roberto Carlos.

Perceba que para estes casos a lei fala em contratação direta ou através de empresário exclusivo.

O empresário exclusivo é aquele que gerencia os negócios de artistas determinados, numa relação contratual duradoura. Difere do intermediador, que atua em relações pontuais e efêmeras.

Ensina Marçal Justen Filho, com acerto, que a “intervenção do empresário só se justificará se preexistir vínculo contratual que subordine a contratação do artista à participação dele”.

Link da postagem de Zé Paes:

http://www.blogs2.fmanha.com.br/zepaes/2013/03/26/observatorio-aponta-irregularidades-em-contratacoes-da-fundacao-trianon/

 

6- Fica evidenciada a necessidade de uma séria investigação quando o ex-superintendente da Fundação Trianon, Sr. João Vicente Gomes de Alvarenga, no período de 1º de janeiro de 2013 a 29 de dezembro de 2013 traz á público, como é do conhecimento de “todos”, seríssimas denúncias, até o presente momento, ao que se saiba, sequer investigadas. Assim se pronunciou o Sr. João Vicente Gomes de Alvarenga:

“Em algumas ocasiões, eu mandava o orçamento de um show e a Procuradoria Municipal me respondia afirmando que estaria superfaturado, o que não é verdade. A partir disso eu percebi que o problema acontecia somente quando os artistas indicados por mim não eram os privilegiados da Fundação Cultural”, contou o professor em entrevista ao programa “A Polêmica”, apresentado pelo advogado Cláudio Andrade no canal Terceira Via.

De acordo com ele, algumas bandas locais teriam preferência na contratação e existiria uma “escala de cachê” na Procuradoria Municipal: certas bandas receberiam mais que outras pelo mesmo serviço. “Esses procedimentos que acontecem dentro da Fundação Cultural apontam esquema de favorecimento”, afirmou João Vicente. As bandas que seriam favorecidas teriam ligação pessoal com a presidente da FCJOL. O marido dela, Lucas Cebola, por exemplo, é músico de duas bandas favorecidas pelo esquema apontado por João Vicente.

A respeito da omissão da prefeita Rosinha Garotinho perante às inúmeras denúncias à FCJOL, João Vicente afirmou que a prefeita e Patrícia Cordeiro mantêm uma relação de cumplicidade. “Qualquer secretário que receba 1% dessas críticas, já estaria na rua. Eu não entendo essa blindagem, isso é um mistério para mim”, disse.

O professor também contou que foi feita uma reunião durante o feriadão com alguns secretários municipais e com o vereador Edson Batista. Durante reunião, teria sido sugerida a saída de Patrícia Cordeiro da presidência da FCJOL. “Quem me contou isso estava nessa reunião e é de minha confiança”, apontou João Vicente.

Já sobre os gastos anuais da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima com eventos (shows, apresentações teatrais, etc), João Vicente disse que o valor gira em torno de R$ 50 milhões. “É importante deixar claro que evento não é a forma ideal de trabalhar a cultura dentro de um governo. Cultura é um conjunto de procedimentos e linguagens artísticas que tem o objetivo de levar uma mensagem e gerar prazer estético ao receptor. Cultura é um projeto pedagógico e não um gasto com Verão da Família ou com carnaval fora de época. É verdade que existe uma manifestação de massa em torno desses shows, mas a linguagem artística não é o foco. O interesse do poder público municipal é promover um aglomerado de pessoas, mas isso não significa ‘cultura’, no sentido estrito da palavra, já que não desperta ao público um aprendizado. O que acontece em Campos é um total desperdício de dinheiro público”, finalizou João Vicente.”

 

Em entrevista ao Jornal Folha da Manhã, ainda afirmou o Sr. João Vicente Gomes de Alvarenga:

Estúdio – Palavras de João Vicente Alvarenga em entrevista à Folha: “Em Campos, pelo menos, existem dois grandes estúdios. Um deles, o chamado megaestúdio, foi construído devido ao favorecimento de artistas e bandas prestigiadíssimas pela Prefeitura e pela FCJOL. Essas bandas têm um volume de contratações extraordinário que enriqueceria qualquer outra banda e artista. Mas os escolhidos foram estes que estão com muito dinheiro, permitindo até que se construísse esse estúdio com uma ajudinha a mais. Então há uma ligação muito forte, pode ser de parentesco, entre o público e o privado”.

Fundações – “Até então as duas Fundações tinham, de certo modo, objetivos e projetos diferenciados. Uma dessas diferenças era que as contratações de bandas e artistas para apresentações em festas populares em distritos e em inaugurações de obras da PMCG, essas contratações elas deveriam de ser feitas pela FCJOL. No entanto, algumas deveriam sair pela Fundação Trianon, completamente incompatível com o seu perfil e isso poderia me causar constrangimentos legais.”

 

7- Veja, Preclaro Promotor, que ante todos esses fatos, o ora Edil que assina a presente representação confeccionou “convite” para que o ex-superintendente do Trianon, Sr. João Vicente Alvarenga, viesse a Casa de Leis para ratificar suas denúncias, bem como esclarecer outros fatos importantes relacionados à matéria, mas, mais uma vez, seu convite sequer foi adiante, mais uma vez obstado pela voz governista que pretende tornas obscuras todas essas manobras existentes na FCJOL.

 

8- Como se pode depreender, as informações notórias e documentos, a primeira vista, demonstram uma evidente irregularidade, devendo este Ministério Público, em parceria com a Edilidade, investigar tais denuncias, até porque atribuição específica para tanto detêm este Parquet.

 

9- In fine, como vislumbramos, não pode prosperar o descaso e a ilegalidade do Poder Executivo Municipal, via da Fundação Cultural Jornalista Osvaldo Lima, inclusive descumprindo também a Lei Orgânica Municipal, conforme citado, para com as prerrogativas do Poder Legislativo Municipal, principalmente quando estamos diante de fiscalização sobre a aplicação da “Coisa Pública”.

 

10- Salientamos que esta Representação se dá, única e exclusivamente pela falta de Transparência da Administração Municipal, por certo levando-nos a crer que algo obscurece o Princípio da Legalidade, podendo vir a macular o Princípio da Moralidade Administrativa.

 

III) DO PEDIDO

Ex positis, é a presente REPRESENTAÇÃO para, nos termos do Art. 54 da lei Orgânica Municipal; do art. 12, I e II e 173, II, III e XI da Constituição Estadual e Art. 5º, XXXIII; XXXIV (a e b); Art. 31, Art. 74 § 2º e Art. 129, II, III e VI da Constituição Federal/88 requerer ao Ilustre Representante do “Parquet” Estadual providências no sentido de INVESTIGAR E REQUISITAR informações pormenorizadas, eis que de interesse público, e, se necessário instaurando Inquérito Civil Público, a fim de apurar-se responsabilidades, tudo no mister interesse da coletividade.

 

Nestes termos,

 

Pede deferimento.

 

Campos dos Goytacazes/RJ, 13 de maio de 2014.

 

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Rafael Paes Barbosa Diniz Nogueira