Copa no Brasil com “Lepo, lepo” para comemorar gol alemão?

Não só pelo melhor futebol apresentado até aqui nesta Copa do Mundo, mas também pela simpatia junto ao povo brasileiro, os alemães vem fazendo fãs. Tidos entre os melhores do mundo em suas posições e titulares inquestionáveis da sua seleção, o goleiro Neuer e o volante Schweinsteiger já tinham feito sucesso com nas redes sociais, e com apaixonada torcida do Bahia, num vídeo em que vestiram as camisas e cantaram versos do hino do clube, acompanhado de populares (relembre aqui), mesmo antes de golearem a seleção portuguesa de Cristiano Ronaldo por 4 a 0.
Enquanto se preparam no paradisíaco litoral sul da Bahia, que escolheram para sua sede nessa primeira fase da Copa, para enfrentar a seleção de Gana no próximo sábado, em Fortaleza, ontem Neuer e Schweinsteiger acharam tempo para inovar nos treinamentos. Orientados cerca de uma hora pelo brasileiro Tibúrcio, animador de plateia do programa Domingão do Faustão, os dois ensaiaram coreografias de samba e pagode, incluindo a coqueluche “Lepo, lepo”, por cerca de uma hora, à beira mar.
O professor de dança já conhecia o goleiro e o volante desde a Alemanha, quando visitou o país a convite do lateral-direito brasileiro Rafinha, companheiro de clube dos dois no Bayer de Munique. E desde então, mesmo sem falar nada de alemão ou inglês, ele já tinha ensinado alguns passos tipicamente brasileiros aos craques. Após as novas aulas de ontem, Tibúrcio disse que os alemães pediram para ele ensinar algumas coreografias brasileiras para usar numa possível comemoração de gol. Como Neuer é goleiro, ficará mais difícil. Mas para um volante que, além de armar jogadas, costuma chegar como elemento surpresa na área adversária, como é o caso de Schweinsteiger, quem sabe ainda não teremos nesta Copa um gol alemão ao ritmo do “Lepo, lepo”?
Abaixo, as aulas de dança brasileira, aos craques alemães nas belas praias da Bahia:
Armando Nogueira — Basta uma lágrima de amor ao futebol do supercraque

A última noite
Por Armando Nogueira
Maracanã, enfeita de bandeiras tuas arquibancadas que hoje é dia de festa no futebol. Encomenda um céu repleto de estrelas. Convida a lua (de preferência, a lua cheia). Veste roupa de domingo nos teus gandulas. Põe pilha nova no radinho do geraldino. E, por favor, não esquece de regar a grama (de preferência, com água-de-cheiro).
Avisa à multidão que ninguém pode faltar. É despedida do Zico e estou sabendo, de fonte limpa, que, hoje à noite, ele vai repartir conosco a bela coleção de gols que fez nos seus vinte anos de Maracanã. Eu até já escolhi o meu: quero aquela obra-prima, o segundo gol do Brasil contra o Paraguai nas Eliminatórias do Mundial de 1986. Lembro-me como se fosse hoje. Zico recebe de Leandro um passe de meia distância já na linha média dos paraguaios. Um efeito imprevisto retarda a bola uma fração de segundo. Zico vai passar batido — pensei. Pois sim. Sem a mais leve hesitação, sem sequer baixar os olhos, ele cata a bola lá atrás com o peito do pé, dá dois passos e, na mesma cadência, acerta o canto esquerdo do goleiro paraguaio.
Passei uma semana vendo e revendo no teipe aquele instante mágico de um corpo em harmonioso movimento com o tempo e com o espaço. E a bola, coladinha no pé, parecia amarrada no cadarço da chuteira. Um gol de enciclopédia. Se o amável leitor aceita uma sugestão, dou-lhe esta: escolha um dos gols que Zico fez graças à sua arte singular de chutar bola parada.
Chutar a bola de falta à entrada da área é um talento que Deus lhe deu mas não de mão beijada, como imaginam os desavisados. Zico trabalhou seriamente, anos e anos, para alcançar a perfeição dos efeitos sublimes. À tardinha, quando terminava o treino, ele costumava ficar sozinho no campo do Flamengo — ele, uma barreira artificial, uma bola e uma camisa caprichosamente pendurada no canto superior das traves. A camisa era o alvo.
Zico passava horas sem fim, chutando rente à barreira e derrubando a camisa lá de cima das traves. Chegava o domingo, na cobrança da falta, a bola já estava cansada de saber onde ela tinha que entrar. Não tenho dúvida em dizer que tardará muito até que apareça alguém que domine como Zico o dom de cobrar falta ali da meia-lua.
Celebremos, querido torcedor, a última noite do maior artilheiro da história do Maracanã. Será uma despedida de apertar o coração. Se te der vontade de chorar, chora. Chora sem procurar esconder a pureza da tua emoção. Basta uma lágrima de amor para imortalizar o futebol de um supercraque.
Cantemos, Maracanã, teu filho ilustre, relembrando em comunhão os dribles mais vistosos, os passes mais ditosos, os gols mais luminosos desse fidalgo dos estádios que tem uma vida cheia de multidões.
Louvemos o poeta Zico que jogava futebol como se a bola fosse uma rosa entreaberta a seus pés.
Publicado na coluna “Na grande área”, 06/02/1990
Perguntar não ofende (II)

Aqui, o Christiano Abreu Barbosa ressalvou que perguntar não ofende, antes de indagar:
— Será que Diego Costa está arrependido de ter trocado a seleção brasileira pela Espanha?
Ao que este blog, sem deixar a redonda cair no chão, toma a liberdade para emendar de prima:
— Até aqui, quem é o pior centroavante brasileiro da Copa? Diego Costa ou Fred?
P.S. Com todo o respeito à torcida do Galo, Jô não conta.
Nem apelo a Cristo salva a Espanha da maldição dos campeões do mundo
Em diálogo com a criativa composição entre imagem e texto feita na edição virtual de hoje do diário esportivo Marca (aqui), na qual o jornal espanhol pedia a piedade do Cristo Redentor com a seleção daquele país, o editor de arte da Folha, Eliabe de Souza, o Cássio Jr., arriscou uma resposta, após os chilenos terem imposto seu excelente futebol na vitória de 2 a o que eliminou os campeões do mundo de 2010 no segundo jogo desta Copa de 2014. Como a França (campeã em 98 e eliminada em 2002) e a Itália (campeã em 2006 e eliminada em 2010, parece estar virando sina dos campeões do mundo ser eliminados na primeira fase da Copa seguinte, maldição da qual só o Brasil escapou neste séc. 21, após ser Tetra em 2002 e só dançar nas quartas de final em 2006.
Bem, na esperança de perpetuação como exceção nas maldições, fiquemos com a arte do Cássio Jr:

Chilenos invadem, de fato, o Maracanã

Por Arnaldo Neto
Cerca de 100 torcedores do Chile causaram grande tumulto dentro do Maracanã nesta quarta-feira (18), uma hora antes do início da partida da seleção sul-americana contra a Espanha, pela segunda rodada do Grupo B da Copa do Mundo. Sem ingressos, eles conseguiram acesso à sala de imprensa do estádio e tentaram se dispersar na multidão.
Os chilenos conseguiram derrubar a grade de acesso ao centro de imprensa para invadir a área. Depois, correram para o interior, perseguidos por policiais militares e seguranças particulares. Pelo menos 25 foram detidos, porém, vários conseguiram passar para o túnel de acesso ao gramado e subiram a escada que chega às arquibancadas.
O chefe de segurança do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo informou que já assistiu às imagens do circuito interno de câmeras e identificou o problema. A Fifa ainda deve se pronunciar sobre o ocorrido no Maracanã.
Fonte: Folha Online
Espanhóis apelam a Cristo por redenção na Copa
Depois de ser humilhada em sua estreia na Copa pelos 5 a 1 impostos pela Holanda — que suou sangue para vencer agora há pouco a Austrália, numa virada de 3 a 2 —, a Espanha tem apelado até ao Divino para tentar se recuperar no Grupo B e na autoestima do próprio país, diante da perigosa seleção do Chile. O jogo começa daqui a pouco, às 16h, no Maracanã, sob os braços abertos do Cristo Redentor. O apelo foi feito na criativa reportagem do enviado especial Alberto Barbero, postada hoje na edição virtual do tradicional jornal esportivo espanhol. Quem estiver com o castelhano em dia e quiser conferir no original, basta clicar na imagem:
Ironia virtual na catarse real da torcida brasileira
A partir da da excelente atuação do goleiro Guillermo Ochoa, que garantiu o empate sem gols entre Brasil e México, boa parte dos brasileiros usou a ironia virtual para fazer a catarse real da sua frustração com a atuação da Seleção. Aqui e aqui, respectivamente, os sempre atentos Alexandre Bastos e Christiano Abreu Barbosa já tinham reproduzido algumas dessas criativas demonstrações. Abaixo, conheça outras:
Use a cabeça e responda: além do 10, temos o quê?
Sei, pode parecer sacrilégio, mas a melhor defesa desta Copa, no tapa de gato de Guillermo Ochoa que furtou a bola na linha do gol (como o tira teima da Fifa mostraria depois) na forte cabeçada de Neymar, lembrou muito aquela considerada a maior defesa da história de todas as Copas. Se não de um mexicano, mas feita no México de 1970, foi a obra da vida do goleiro inglês Gordon Banks, na bola testada e quicada ao chão por um outro camisa 10 da Seleção Brasileira vindo do Santos.
Na impossibilidade de se comparar os donos das cabeças e das camisas, mas por maior que sejam suas diferenças individuais, a questão é: o primeiro camisa 10, para ser tricampeão, teve ao seu lado Gérson, Jairzinho, Tostão, Rivelino, Jairzinho, Clodoaldo, Carlos Alberto Torres, além de um 12º jogador como Paulo Cezar Caju. E Neymar, para ser hexa? Tem quem?
Use a cabeça, como nos dois lances abaixo:














