Dentro da Margem da Linha, ainda existe justiça em Campos

Ponto final

 

 

Há justiça em Campos?

Diante de tantas evidências de irregularidades na Prefeitura de Campos, se atropelando quase diariamente e misteriosamente ignorados pelos órgãos de investigação estadual e federais, as perguntas mais frequentes nas rodas de conversa, ou comentários em redes sociais e na blogosfera goitacá, são variações de uma só: existe justiça no município? Pois ontem deu para acreditar que sim, a partir da sentença do juiz Raph Manhães de Azevedo, dando ao governo Rosinha 48 horas para providenciar moradia às 25 famílias, incluindo crianças, que deixou abandonadas entre escombros na comunidade da Margem da Linha, desde o dia 24 de novembro.

 

“Total descaso do município réu”

Ao assinalar o “total descaso do município réu para com aqueles que necessitam dos serviços por este prestado” e o “total despreparo do poder público em lidar com os mais necessitados, sem demonstrar qualquer compreensão com o sofrimento que vem passando aquelas pessoas que residiam e ainda residem na comunidade da Linha”, o magistrado disse que os fatos foram “amplamente divulgados na imprensa local”. Na verdade, apenas a Folha o vinha fazendo, chegando a ser alvo de um pedido de direito de resposta da procuradoria do município, datado do último dia 3 e só entregue no dia 5, no qual pateticamente pretendeu ditar a pauta, a reportagem e a edição do jornal.

 

O pedido e a resposta

A resposta, além da insistência da Folha na cobertura jornalística do caso, diante de famílias humildes a cada dia mais próximas de passar o aniversário do nascimento de Cristo numa manjedoura de tijolos quebrados e vergalhões, veio com a decisão judicial de ontem. Nela, expressa a incredulidade de qualquer cristão: “não é crível que as famílias que se encontram desabrigadas na comunidade da Linha sejam removidas sem qualquer critério ou deixadas ao relento, após suas residências terem sido demolidas ou inutilizadas pela falta de infraestrutura mínima”.

 

Casa ou cadeia?

E para deixar bem claro aos responsáveis que tudo tem um limite, a decisão judicial evidenciou que ele já passou há muito tempo da Margem da Linha: “para cada caso de descumprimento desta decisão, além da configuração de crime de desobediência em seu estado de flagrância, autorizando a prisão (…) dos destinatários desta decisão, quais sejam: o secretário municipal de Família e Assistência Social, secretário de Governo e secretário municipal de Defesa Civil”.

 

Jornal 1 x 0 governo

Com a Folha eleita a alvo de pedidos de direito de resposta inverídicos e arrogantes, como pelo chuviscar garotista de processos judiciais por conta do sucesso sem paralelo local nos blogs que hospeda, fica o endosso àquilo que bem observou ainda ontem o blogueiro Christiano Abreu Barbosa, ao noticiar (aqui) a sentença com exclusividade: “A decisão da Justiça mostra que, mais uma vez, o jornal estava certo e a prefeita errada”.

 

Justiça ainda há

Mas, perto do Natal, o melhor presente para quem acompanhou a história pela Folha veio na determinação judicial: “Deverá também o réu (o município), no prazo de 48 horas, com relação às famílias mencionadas (…) receberem aluguel social” ou “serem removidas para os conjuntos habitacionais deste município através de mandados de verificação e imissão de posse em imóveis que não estejam ocupados”. Quem não entendeu, que olhe nos olhos a criança da foto principal da capa desta edição, feita ontem pelo repórter fotográfico Valmir Oliveira, antes mesmo da sentença provar que ainda há justiça em Campos.

 

Publicado hoje na coluna Ponto Final da Folha da Manhã

 

Deixadas para trás pelo “Morar Feliz” do governo Rosinha, as crianças da Margem da Linha precisaram de uma decisão judicial para garantir seu Natal fora dos escombros (foto de Valmir Oliveira - Folha da Manhã)
Deixadas para trás pelo “Morar Feliz” do governo Rosinha, as crianças da Margem da Linha precisaram de uma decisão judicial para garantir seu Natal fora dos escombros (foto de Valmir Oliveira – Folha da Manhã)

 

 

Capa da Folha de hoje
Capa da Folha de hoje

 

 

 

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Este post tem 5 comentários

  1. Rafaela

    Parabens a todos os profissionais empenhados na justiça desse caso.

  2. Bruno

    O que não entendo é pq só agora a justiça viu a situação dos moradores da comunidade que estão há décadas lá.

    Agora que só tem poucas famílias ? Eu não compreendo como durante anos ninguém tomou as dores como estão tomando ciência agora?

    Determinar prisão de secretários depois de mais de 300 famílias já terem saído?

    Pq antes do programa Morar Feliz nenhum secretário dos governos anteriores não foram obrigados a tirar centenas de famílias de lá?

    Pra quem vive lá a vida toda esperar que o restante das casas fiquem prontas AGORA (???) é absurdo?

    Acho que decisão judicial não se discute, mas conhecimento dos problemas sociais sim!

    Creio que quase toda ‘sociedade campista” só soube que existiam famílias morando na margem da linha depois que o jornal Folha da Manhã passou a publicar matérias com os que não querem esperar as novas casas!

    Nenhum deles procurou a imprensa antes para pedir socorro. Só resolveram gritar pq não aceitaram ter ficado para outra etapa.

    Bater palmas para esse caso é falta de conhecimento da história !

  3. Julio

    A Justiça nestas planícies atende pelo nome de Ralph Manhães.

  4. Sandra Machado

    Desorganização Geral ,Total e Irrestrita.

  5. Sandra Machado

    Parabéns Valmir Oliveira.

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