No “Opiniões”, a opinião de Renato Janine sobre o governo Dilma antes de ser seu ministro

coincidência

 

Quase sempre à frente, dentro da blogosfera goitacá, na cobertura da preocupante cenário nacional, deflagrada pelo envolvimento até a medula do PT e do governo federal no Petrolão, além do estelionato eleitoral praticado por Dilma Rousseff (PT) em 2014, fruto do desempenho econômico desastroso do seu primeiro mandato, este “Opiniões” tem se preocupado em reproduzir o que há de mais revelante não só em noticiário, mas também em opinião sobre a grave crise brasileira. Foi assim que, veja só você, leitor, o blog reproduziu aqui, em tempo real, a entrevista feita pela jornalista de O Globo Mariana Sanches com Renato Janine Ribeiro, filósofo e professor da Universidade de São Paulo (USP), antes dele ser indicado por Dilma como seu novo ministro da Educação, conforme o jornalista da Folha Arnaldo Neto ontem adiantou aqui, em primeira mão, na blogosfera local.

Quem quiser conferir o destino vexatório do antigo titular da pasta no governo Dilma, o intempestivo Cid Gomes, basta refrescar a lembrança aqui, aqui e aqui.

Como diria outro filósofo, o alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche: “coincidências não há”. Não por outro motivo, ilustrativo relembrar e guardar bem vivo na memória o que Janine de fato pensava do governo Dilma, no qual chegou a votar em 2014, antes de aceitar ser seu mais novo ministro:

— Há um descontentamento grande com o governo. Até porque o governo descumpriu promessas da eleição sem dar excelentes explicações. A Dilma e os ministros tinham que ir à TV todo dia. É um erro grande da Dilma não perceber que fazer política democraticamente é explicar o tempo todo. A Dilma parece ter uma ideia de que comunicação é contratar um assessor de imprensa que embale qualquer coisa de maneira bonita. Como se não tivesse a ver com conteúdo, fosse uma questão de forma.

Confira abaixo a íntegra da entrevista:

 

“A novidade da Lava Jato é que pegou os corruptores”

Por Aluysio, em 08-03-2015 – 6h46

Filósofo, professor e agora novo ministro da Educação Renato Janine Ribeiro
Filósofo, professor e agora novo ministro da Educação Renato Janine Ribeiro

Por Mariana Sanches

 

Para Renato Janine Ribeiro, há descontentamento com o governo porque promessas da eleição foram descumpridas sem grandes explicações

Qual é a origem da prática de se tratar a coisa pública como privada?

A corrupção da Lava-Jato não destoa da linha histórica do país, que, em sua origem, tem o patrimonialismo ibérico, de Portugal. Mas estamos independentes há 200 anos. Portanto, isso não é mais problema deles, é nosso. A separação entre público e privado aqui não é de pedra e cal, como nos EUA. O Brasil tem uma cultura política muito pobre, a única forma que a maior parte das pessoas tem para conceituar sua divergência de um político é dizer que ele é ladrão. Daí achamos que quando um país funciona é porque ele não tem roubo.

O financiamento empresarial de campanha é um fator comum no mensalão e na Lava-Jato. Ele favorece a corrupção?

O problema está vinculado ao financiamento: se a campanha é cara e demanda dinheiro pesado, esse dinheiro é dado em troca de algo. Se você doa como indivíduo, pode estar motivado por ideais, por preferências por políticas. Mas empresas só têm o incentivo de contribuir se conseguem tirar vantagens, e essas vantagens não são republicanas. Empresa não é eleitor. A regra número um de uma empresa é a busca do lucro. Qual é o lucro de uma empresa que financia um candidato? É um lucro sujo.

O fato de empresários ricos e políticos já terem ido parar atrás das grades revela algum prenúncio de mudança num país em que a Justiça sempre foi mais rigorosa com ladrões de galinha?

Podemos ter esperança. A novidade da Lava-Jato é que pela primeira vez aparecem as figuras dos corruptores. Antes a corrupção era sempre algo que acontecia sem autor. Era como a imaculada concepção, não havia quem fizesse o mal, embora o mal estivesse feito. Claro que esses empresários têm que ter defesa, tem que ser tudo apurado e julgado. Não temos que ficar contentes só porque eles foram presos. Temos que ficar contentes porque, caso forem condenados, a Justiça no Brasil finalmente começa a ser aplicada aos ricos e não só aos pobres.

Como o senhor vê a situação da presidente Dilma diante da crise política provocada a partir da Lava-Jato?

Há um descontentamento grande com o governo. Até porque o governo descumpriu promessas da eleição sem dar excelentes explicações. A Dilma e os ministros tinham que ir à TV todo dia. É um erro grande da Dilma não perceber que fazer política democraticamente é explicar o tempo todo. A Dilma parece ter uma ideia de que comunicação é contratar um assessor de imprensa que embale qualquer coisa de maneira bonita. Como se não tivesse a ver com conteúdo, fosse uma questão de forma. Há uma deficiência muito grande do governo nisso.

A insatisfação justificaria a queda do governo?

A única maneira de retirar uma pessoa do poder no presidencialismo de coalizão é acusar a pessoa de crime. Não democracia, não há um instrumento de “cansou”, de “não queremos mais”, como no parlamentarismo. Então como você vai retirar um governo cuja chefe não cometeu ilegalidade e, no entanto, há descontentamento com ele? É a grande questão que ronda o país. Vai se forçar a renúncia dela? A renúncia é uma decisão unilateral. E, além disso, na linha de sucessão há três cabeças do PMDB, duas na mira da Lava-Jato.

O senhor declarou voto na Dilma. Se sente enganado por ela?

Na situação que estava, foi o melhor voto, mas não quer dizer que esteja satisfeito. Me sinto enganado no sentido de que houve um compromisso implícito de que ela mudaria o estilo de governo, ia parar de governar pela braveza e dialogar e delegar mais. Ela o cumpriu limitadamente quando nomeou um ministro que praticamente não pode demitir, o Joaquim Lévy. Dilma tem a imagem de quem não dialoga e isso não é bom para um presidente.

Como interpretar o fato de que só se consiga desnudar um caso como esse por meio de delação premiada?

É um sistema-padrão para quebrar a coesão de uma quadrilha. É preciso jogar um criminoso contra outro e desfazer laços de lealdade. É legítimo fazer isso, é o único meio de se quebrar uma máfia. É ético? Sim, pelo resultado final, mas não pelo meio. Temos que garantir que o delator vá pagar alguma pena, mesmo pequena. Se não, há o risco de o crime se tornar vantajoso.

 

Publicado aqui, na globo.com

 

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Este post tem 3 comentários

  1. Jaci Cspistrano

    Pedido de cassação do PT é protocolado em Brasília
    ESCRITO POR HERMES RODRIGUES NERY | 27 MARÇO 2015
    ARTIGOS – DIREITO

    (Comentado por Olavo de Carvalho.)

    Protocolei em Brasília, nesta terça-feira (24), o pedido de cassação do registro do PT, por sua vinculação ao Foro de São Paulo, ao violar o Art. 28, alínea ii, da Lei dos Partidos Políticos, e outros encaminhamentos.

    Ao todo foram quatro requerimentos protocolados, seguindo as recomendações do Prof. Olavo de Carvalho [http://www.midiasemmascara.org/mediawatch/noticiasfaltantes/foro-de-sao-paulo/15716-2015-03-19-01-27-31.html].

    No TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL:

    1) Protocolo nº 5.754/2015: que pede a cassação do registro do PT [por sua vinculação ao Foro de São Paulo], por violar o art. 28, alínea II, da Lei dos Partidos Políticos, que determia que seja cassado o registro de partido que esteja “subordinado a entidade ou governo estrangeiro”.

    2) Protocolo nº 5.755/2015: que pede a cassação do registro do PT [por sua relação com o MST, que caracteriza “organização paramilitar”, violando assim o art. 28, insico IV, da Lei dos Partidos Políticos.

    NA PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA:

    3) Manifestação 20150014188: denúncia contra a Presidente da República sra. Dilma Roussef, por infração do art. 49 da Constituição Federal, em decorrência de empréstimos ilegais a diversas nações estrangeiras.

    NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL:
    4) Protocolo nº 272680: Denúncia contra o Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro José Antonio Dias Toffoli, por fazer “apuração secreta” do 2º turno das eleições presidenciais, infringindo o art. 87 da Lei Eleitoral.

    Com encaminhamentos aos comandos militares, baseado no art. 142 da Constituição Federal, para que seja garantido o cumprimento da lei.

    Hermes Rodrigues Nery, Coordenador do Movimento Legislação e Vida.

    Comentário de Olavo de Carvalho:

    Prof. Hermes Rodrigues Nery,
    Nos seus contatos com as autoridades militares, por favor enfatize que a eleição da Sra. Dilma Rousseff NÃO FOI VÁLIDA, porque a apuração secreta infringiu o Art. 87 da Lei Eleitoral:

    Art. 87. Na apuração, será garantido aos fiscais e delegados dos partidos e coligações o direito de observar diretamente, a distância não superior a um metro da mesa, a abertura da urna, a abertura e a contagem das cédulas e o preenchimento do boletim .

    § 4º O descumprimento de qualquer das disposições deste artigo constitui crime, punível com detenção de um a três meses, com a alternativa de prestação de serviços à comunidade pelo mesmo período e multa, no valor de um mil a cinco mil UFIR.

    O uso das máquinas da Smartmatic tornou IMPOSSÍVEL cumprir o Art. 87

    Dilma não tem de sofrer impeachment. Tem de ser cassada e presa.

    Dilma Rousseff NÃO É presidente do Brasil. É uma usurpadora que chegou ao cargo mediante uma eleição ILEGAL.

    Se você aceita que “a Dilma foi democraticamente eleita”, você sobrepõe o jogo de aparências à LETRA CLARA E LÍMPIDA DA LEI. (LEI ELEITORAL, ART, 87.)

    NEM PRESIDENTE, NEM PRESIDENTA, NEM MESMO PRESIDANTA. IMPOSTORA, ISTO SIM.

    A APURAÇÃO SECRETA ESTÁ PARA UMA ELEIÇÃO VÁLIDA ASSIM COMO UM ESTUPRO ESTÁ PARA UM CASAMENTO.

    Quando um crítico do governo Dilma já começa dizendo que ela foi “democraticamente eleita”, todo mundo entende que está diante de um caso de boiolice política aguda ou de alguém que foi discretamente propinado.

    Repito: democraticamente eleita O CARALHO. Foi colocada lá pela fraude eleitoral mais cínica de todos os tempos.

    http://www.midiasemmascara.org/artigos/direito/15735-2015-03-27-02-33-39.html

  2. Jaci Cspistrano

    E agora, Ministro Janine Ribeiro? Vai aceitar o debate público com o insignificante Professor Olavo de Carvalho ou vai se esconder debaixo da saia da Presidente?
    Já deve estar se cagando nas cueca! kkk

    Olavo de Carvalho
    O sr. Renato Janine Ribeiro postou na sua página do Facebook a seguinte opinião:
    “Para ter Olavo de Carvalho entre os mais vendidos do Kindle, é preciso dizer que a inovação tecnológica convive com o retardamento mental.”
    A declaração é apoiada por algumas dezenas de pessoas, todas pertencentes ao mesmo grupo social: professores e estudantes universitários.
    Diante da confiança absoluta que ele tem na imensurável superioridade intelectual que o separa da minha pessoa, superioridade reiteradamente confirmada pelo testemunho dos seus apoiadores, desafio publicamente o distinto a debater comigo qualquer tema filosófico ou político da sua escolha. As regras serão as mesmas do debate que travei com o prof. Duguin. O debate será publicado no meu site, no Seminário de Filosofia, no Mídia Sem Máscara e onde mais o meu contendor deseje publicá-lo.
    Eu poderia sugerir como tópico a ser abordado a tese do sr. Janine de que não se deve jamais impedir que um cão faça pipi no sofá, mas aceito, em princípio, qualquer outra sugestão, reservando-me o direito, é claro, de analisar criticamente a sua formulação do problema até chegarmos a algo que seja de comum acordo antes do início do debate.
    Se o sr. Janine preferir pular fora, alegando que sua superioridade é autoprobante e que não precisa do pedestal para prová-la num confronto com um Zé Mané qualquer, compreenderei perfeitamente a sua atitude, o que não me impedirá de tirar dela as conclusões que bem entenda.
    Sem mais para o momento,
    Olavo de Carvalho

  3. Paulo Henrique

    Quantos torcedores pelo, quanto pior melhor. Mas isso tudo vai passar e os cães continuarão ladrando.

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