Opiniões

Sarau em Homenagem a Kapi, no Sinasefe, em 2 de maio

Kapi

 

 

“Eu quero que a Alemanha se dane! Eu quero falar é de Kapi”. Foi com essa assertiva que o professor Marcelo Sampaio realinhou o debate que se seguiu a apresentação do documentário “Pina”, sobre o trabalho da bailarina e coreógrafa alemã de dança Pina Baush, no Cineclube Goitacá, no último dia 8 de abril, seis após a morte do diretor teatral, turismólogo e poeta Antonio Roberto de Góes Cavalcanti, o Kapi. Naquilo que, de maneira espontânea, acabou substituindo sua missa de sétimo dia, quase todos os presentes passaram a comungar lembranças de Kapi, a partir da provocação do Marcelo. Presente àquela quarta de Cineclube convertida numa pungente e bem humorada sessão de catarse coletiva, o poeta, professor, artista multimídia e produtor cultural Artur Gomes recebeu e acolheu a proposta de promover um sarau dedicado a Kapi, baseado em sua obra literária. E, numa outra feliz coincidência, daquelas que o filósofo (alemão) Nietzsche dizia não haver, o evento acabou marcado para o próximo dia 2 de maio, quando se completará um mês sem o artista campista.

O Sarau em Homenagem a Kapi começará às 19h do primeiro sábado de maio, na sede local do Sindicato Nacional dos Servidores Profissionais da Educação Básica e Profissional (Sinasefe), na rua Álvaro Tâmega, nº 132, como o Artur anunciou aqui, na democracia irrefreável das redes sociais. A entrada é gratuita, mas doações de material de limpeza e higiene pessoal estarão sendo arrecadados para a Casa Irmãos da Solidariedade, que cuidou de Kapi em seus últimos meses de vida, como vem fazendo há décadas com os soropositivos do município. O sarau contará com a presença do violonista fidelense Paulo Celso Ciranda, que apresentará várias músicas que compôs sobre as letras de Kapi. Atores, autores e amigos do homenageado também interpretarão seus poemas, incluindo “Canção amiga” e “Goya Tacá Amopi”, vencedores do FestCampos de Poesia, respectivamente, em 2002 e 2005.

Numa cidade que não se destaca pela memória ou pelo valor dado aos seus criadores, esse sarau para Kapi mantém viva não só a obra de um grande artista, como a esperança de que a arte em Campos possa conhecer melhores dias. Para quem tem algum compromisso com ela, comparecer deveria ser uma obrigação. Felizmente, não é.

Abaixo, fragmentos de uma obra que não será esquecida:

 

ACENOS

 

Quem parte

deixa saudade,

deixa acenos,

esquece livros.

Deixa tolhido

um mundo de desejos,

vida desarrumada

e a gente sem prumos.

Quem fica

fica de lembranças,

fica mais criança,

fica solidão.

Quem parte,

parte inteiramente,

parte de repente

sem um avisar.

Quem fica

fica de inocente

regando as sementes

de um tal regressar.

Quem fica

fica sem despedida

fica sem guarida

e morre um pouco em vida

pois quem parte

parte corações

mata as ilusões

e parte.

 

 

 

BRILHANTE

 

mil coisas disseram

eu muito entendi

muito sei

entender também rola por aí

pessoas sabem que são

bem mais que prazeres

a coisa vital

entender

pode ser pele a pele igual

pessoa comum

brilhante é ser tudo igual

bem diferente

de gente que não sabe ser

 

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Este post tem 4 comentários

  1. Aluysio, texto brilhante, como essa música do Ciranda com letra do Kapi. Para nós é mais do que obrigação lutar para que essa pungente obra literária deixada pelo Kapi, não caia no esquecimento, nessa cidade tão necessitada de.

    grande abraço
    Artur Gomes

  2. Isso Artur .Vamos homenageá-lo

  3. Esse governo não é chegado à Cultura.
    Perdoai-os Senhor eles não sabem o que fazem.

  4. Merecedor .Um dos mais inteligentes .Completo em todos os segmentos no Teatro.Sabia tudo e mais alguma coisa

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