Opiniões

Rafael Diniz — Graças ao “desvairado que não coube em si”

Diretor de teatro, carnavelsco, turismólogo e poeta Antonio Roberto de Góis Cavalcanti, o Kapi
Diretor de teatro, turismólogo e poeta Antonio Roberto de Góis Cavalcanti, o Kapi

 

 

Advogado e vereador Rafael Diniz
Advogado e vereador Rafael Diniz

“O desvairado que não coube em si”

Por Rafael Diniz

 

Há pouco mais de um mês, a cidade de Campos perdeu um dos grandes nomes responsáveis pelo fomento de sua vida cultural: Antônio Roberto de Góis Cavalcanti. Kapi, como carinhosamente era conhecido, foi diretor de teatro, ator, poeta, carnavalesco e turismólogo, acumulando em seu vasto currículo mais de 100 peças encenadas. Em seus trabalhos, o amante de Fernando Pessoa e Carlos Drummond de Andrade buscava sempre valorizar elementos culturais e turísticos da região. No premiado poema “Goya Tacá Amopi”, Kapi transforma em verso seu lamento ante toda a sorte de maus tratos que subjugaram os habitantes que viveram nessas terras, os filhos da “planície goytacá”— desde os indígenas, até os nossos atuais concidadãos — e um chamado para um “tomar de rédeas” do povo campista na condução dos rumos de nossa História.

Artista politicamente comprometido com seu entorno, Kapi foi um defensor da popularização da arte. Criticava o fato da cena cultural campista não receber os incentivos financeiros necessários para o seu definitivo desabrochar e amadurecimento. Em sua última entrevista ao canal Plena TV (aqui), do Grupo Folha, Kapi queixou-se do parco orçamento destinado ao Fundo de Cultura do município, pasta que possui o encargo de estimular o desenvolvimento artístico e cultural em nossa cidade, cujo valor para o ano de 2015 não se sobrepõe ao valor gasto com um único show promovido durante o verão na Praia de Farol de São Tomé. “A cidade que não respeita e que não ama o seu artista, não merece existir”, sentenciou Kapi, neste último bate papo.

Como cidadão campista que sou, agradeço a Kapi pelos inestimáveis serviços prestados a esta cidade, ao fazer de sua genialidade artística um impulso de crescimento de nossa comunidade. Importante destacar que recebi com muito orgulho a confiança depositada por ele, quando este afirmou que acreditava no trabalho que venho desempenhando, como continuidade ao trabalho já iniciado anteriormente pelo meu avô e depois pelo meu pai. Com o incentivo das palavras de Kapi, sinto aumentar ainda mais a responsabilidade moral que carrego comigo de lutar pelo desenvolvimento da cultura de nossa cidade.

Aproveito para parabenizar o Grupo Folha pela iniciativa da entrevista e, em especial, o jornalista Aluysinho Barbosa pela excelente condução da mesma. Se não podemos ter Kapi para sempre entre nós, ao menos teremos eternizadas suas ultimas palavras, imagens e, principalmente, seus exemplos em defesa de Campos e de nossa cultura.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Este post tem 3 comentários

  1. Faço minhas as tuas palavras.

  2. Rafael Diniz o meu candidato. E ponto final

  3. Infelizmente perdemos prematuramente uma voz valiosa a favor da Cultura Campista.Deixar morrer os seus pensamentos,JAMAIS.Vamos à luta.

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