Região se une para derrubar no Congresso veto de Lula ao semiárido

 

Wladimir e Lula na inauguração do novo prédio da UFF em Campos, em 14 de abril, cuja conclusão só foi possível através de emenda de bancada liderada pelo primeiro na Câmara de Deputados (Foto: Secom)

 

Pelo Norte e Noroeste Fluminense

São 22 os municípios do Norte e Noroeste Fluminense que teriam a agropecuária beneficiada pelo projeto de Wladimir Garotinho, quando ainda era deputado federal, com a mudança da classificação climática da região ao semiárido. E, mesmo com o ex-deputado eleito e reeleito prefeito de Campos, o projeto foi aprovado pelo Congresso Nacional em 15 de julho.

 

Os nove do Norte

Além de Campos, teriam acesso facilitado a crédito os produtores rurais dos outros oito municípios do Norte Fluminense. A saber: São João da Barra, São Francisco de Itabapoana, Cardoso Moreira, São Fidélis, Macaé, Quissamã e Conceição de Macabu.

 

Os 13 do Noroeste

Já no Noroeste Fluminense, seriam 13 os municípios cujo setor agropecuário seria beneficiado pelo projeto. A saber: Itaperuna, Italva, Bom Jesus do Itabapoana, Laje do Muriaé, Natividade, Porciúncula, Varre-Sai, Santo Antônio de Pádua, Aperibé, Cambuci, Itaocara, Miracema e São José de Ubá.

 

No Congresso, unânime com o PT

Nenhum questionamento técnico vingou diante da aprovação do projeto, unânime em todas as comissões pelas quais passou na Câmara dos Deputados e Senado Federal. Inclusive, com deputados e senadores do PT — e de outros partidos de esquerda. Os questionamentos só passaram a existir quando o projeto foi vetado pelo presidente Lula (PT), em 8 de agosto.

 

Wladimir na direita x esquerda

A partir do veto de Lula, a questão entrou na esquizofrenia política brasileira entre esquerda e direita. Wladimir caiu nessa armadilha bipolar. No mesmo dia 8, em reação ao veto de Lula, publicou em suas redes sociais: “Preferem (os petistas) incitar invasão de terras (via MST) a dar liberdade e crédito para que eles possam viver do seu trabalho”.

 

PT idem (I)

Na terça (12), o PT de Campos reagiu. Em nota nas redes sociais, também fulanizou o debate: “O PT e os petistas sempre estiveram na luta por uma Campos mais justa e desenvolvida, coisas que não são possíveis por conta da má administração das mesmas famílias que por décadas revezam o poder e usam a máquina pública para benefícios próprios”.

 

PT idem (II)

Não ficou por aí. Em convocação para uma videoconferência na quinta (14), Olavo Carneiro, do Coletivo Agrário Nacional do PT, e Victor Tinoco, secretário agrário do PT-RJ, disseram: “A direita e a extrema-direita fazem uma ofensiva na região contra o governo Lula em torno do veto ao PL do semiárido. Queremos ouvir as avaliações das lideranças de esquerda da região”.

 

Esquerda com esquerda, CDL com Portinho

Se a esquerda convocou a esquerda para debater, o comércio goitacá, tradicional parceiro do setor agrário, fez o mesmo. Também na quinta, o senador Carlos Portinho (PL) esteve na CDL-Campos. Na saída do Ciclo de Desenvolvimento Regional promovido pela entidade, o senador advertiu: “Espero que o representante do Governo Federal entenda que a região está unida”.

 

Bolsonarista com lulista em Italva

Bolsonarista e entre os parlamentares que mais trouxeram emendas a Campos e região, Portinho se referiu na CDL a André Ceciliano, ex-presidente da Alerj e secretário nacional de Assuntos Parlamentares do governo Lula. Com quem o senador, prefeitos e representantes do Norte e Noroeste Fluminense se reuniram na manhã de sexta (15), em Italva.

 

Região no Congresso contra veto de Lula

Político tão habilidoso quanto leal ao PT, Ceciliano tentou dar opções aos municípios reunidos no Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento do Norte e Noroeste Fluminense (Ciddenf). Cuja resposta ao Lula 3 foi uma carta em que todos se comprometeram a mobilizar deputados e senadores para derrubarem o veto presidencial no Congresso.

 

Se judicializar…

Há possibilidade de a questão acabar judicializada. Numa eventual arguição de inconstitucionalidade do projeto do semiárido. Que o Congresso não viu ao aprová-lo por unanimidade nas duas Casas. Foi acordo no mínimo tácito entre o Lula 3 e a maioria do Supremo Tribunal Federal (STF), nada indica que a agropecuária da região sairia vencedora.

 

Paralelo do Nosso Guia ao Mito

Mas, a quem vive em algum dos 22 municípios que seriam beneficiados e se coloca contra a região por subserviência acrítica a Lula, alcunhado de “Nosso Guia” pelo jornalista Elio Gaspari, há paralelo. Nos “patriotas” travestidos de verde e amarelo que apoiam a taxação dos EUA de Donald Trump ao Brasil por conta do julgamento do “Mito” Jair Bolsonaro no STF.

 

Em 2018, Haddad só em Muriaé

Em 2018, quando Bolsonaro foi eleito presidente, e em 2022, quando foi apeado do poder por apenas 1,8 ponto, Norte e Noroeste Fluminense se demonstraram antilulopetistas. Dos seus 22 municípios, Fernando Haddad (PT) venceu localmente o 2º turno presidencial contra o capitão em apenas um: Laje do Muriaé, por 53,32% a 46,88% dos votos válidos.

 

Em 2022, Lula em seis dos 22

Em 2022, Lula pôde ser candidato outra vez a presidente. Venceu nacionalmente o 2º turno contra Bolsonaro, mas confirmou isso em só seis dos 22 municípios da região: além de Muriaé (59,50% a 40,50%), Conceição de Macabu (52,04% a 47,96%), Quissamã (52,13% a 47,87%), Porciúncula (53,91% a 46,09%), Cambuci (50,43% a 49,57%) e Miracema (53,61% a 46,39%).

 

São Fidélis e Francisco: “deus, pátria e família”

A tônica em 2018 foi o massacre de Bolsonaro em 21 dos 22 municípios do Norte e Noroeste Fluminense. Onde sua maior vantagem foi em São Fidélis, por 74,85% a 25,55% no 2º turno sobre Haddad. Já em 2002, quando perdeu nacionalmente e venceu em 16 dos 22 municípios da região, o capitão teve a maior dianteira em São Francisco: 66,95% a 33,05% de Lula.

 

Após o veto, e 2026?  

Com o incremento que os governos do PT sempre deram à Petrobras e à educação federal, regiões petrorrentistas em que se espraiam unidades do IFF, Norte e Noroeste Fluminense nunca tiveram motivo real para serem tão antilulopetistas nas urnas presidenciais. Como, de fato, foram em 2018 e 2022. Para 2026, depois do veto de Lula ao semiárido, elas têm!

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Este post tem 2 comentários

  1. Carlos Eduardo

    Se nossos “representantes” se dignassem a não roubar (ou ao menos a não roubar tanto), certamente teríamos mais recursos do que os advindos da mudança do clima considerado para nossa região.

    1. Aluysio Abreu Barbosa

      Caro Carlos Eduardo,

      Nossos representantes (sem aspas) são eleitos pelo voto popular. E, nem mais ou menos, são o seu exato reflexo.

      Grato pela chance da complementação.

      Aluysio

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