
O mundo acordou no 3º dia de 2026 com a notícia do ataque dos EUA, durante a madrugada, contra a Venezuela. Onde capturaram na capital, Caracas, o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. No início da tarde, o presidente do EUA, Donald Trump, revelou em coletiva na sua residência, em Mar-a-Lago, na Flórida:
— Nós estamos lá (na Venezuela) e ficaremos até que uma transição adequada aconteça. Nós vamos basicamente executar, administrar o país até que uma transição apropriada aconteça.
Cercado de assessores administrativos e militares, Trump revelou também o motivo econômico para a operação militar no país da América do Sul que detém as maiores reservas de petróleo do mundo:
— Também conseguimos apreender o petróleo venezuelano para trazer para o solo americano porque eles retiraram isso, eles fizeram, eles roubaram bilhões de dólares no nosso petróleo (…) nós que construímos a indústria petrolífera na Venezuela com o nosso talento, o nosso trabalho, deixamos que um exílio socialista roubasse durante esses governos anteriores e roubassem usando a força.
O petróleo na Venezuela não foi nacionalizado por Maduro. Nem por seu antecessor, Hugo Chávez, que governou de 1999 até morrer em 2013. Quem nacionalizou o petróleo na Venezuela foi o então presidente de centro-esquerda Carlos Andrés Pérez, em 1976. No vizinho Brasil, o mesmo ocorreu desde 1953, quando Getúlio Vargas criou a Petrobras.
Trump não disse quanto tempo os EUA administrarão a Venezuela. Nem deu uma palavra sobre a restauração da democracia no país, solapada desde que Maduro se manteve ilegalmente no poder após perder no voto popular a eleição presidencial em julho de 2024. Mas o presidente dos EUA deu mais detalhes dos seus interesses econômicos:
— Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar (na Venezuela), gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado e começar a gerar lucro para o país.
Capturado em seu complexo presidencial, aparentemente, enquanto dormia, Maduro foi levado para o navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima. Onde está sendo transportando vendado, algemado e com audição bloqueada por fones para os EUA. Lá, segundo a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, deve ser julgado em uma corte de Nova York por narcoterrorismo.
Em editorial publicado logo após a ação militar contra Maduro, o New York Times sentenciou: “Ataque de Trump à Venezuela é ilegal e imprudente”. No mesmo texto, o principal jornal dos EUA, no entanto, não poupou críticas ao agora ex-presidente do país sul-americano:
— Poucas pessoas sentirão qualquer simpatia pelo Sr. Maduro. Ele é antidemocrático e repressivo, e desestabilizou o Hemisfério Ocidental nos últimos anos. A ONU divulgou recentemente um relatório detalhando mais de uma década de assassinatos, tortura, violência sexual e detenções arbitrárias por seus capangas contra opositores políticos. Ele (Maduro) fraudou a eleição presidencial da Venezuela em 2024. Ele alimentou a instabilidade econômica e política em toda a região, instigando um êxodo de quase 8 milhões de migrantes.
Repercussão no Brasil
Ex-aliado político de Maduro, de quem se afastou após a fraude nas eleições presidenciais da Venezuela em 2024, o presidente Lula (PT) se manifestou sobre a ação dos EUA. Que, mesmo sem citar o nome do ex-colega, condenou e cobrou uma posição da ONU:
“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.
Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo.
A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões.
A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz.
A comunidade internacional, por meio da ONU, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, disse Lula em nota publicada no rede social X, antigo Twitter.
Já os presidenciáveis de oposição no Brasil, para a eleição de outubro de 2026, apoiaram a ação militar dos EUA na Venezuela:
— A Venezuela tornou-se um dos exemplos mais extremos de como um regime autoritário pode destruir uma nação (…) Maduro utilizava o território venezuelano como rota estratégica para a distribuição de drogas para diversos países — acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL).
— Que este 3 de janeiro entre para a história como o dia da libertação do povo venezuelano, oprimido há mais de 20 anos pela narcoditadura chavista. Que a democracia, a liberdade e a prosperidade se instalem no país — pregou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União)
— Quero parabenizar o presidente Trump pela brilhante decisão de libertar o povo da Venezuela, um povo que estava sendo oprimido há décadas por tiranos antidemocráticos. Viva a liberdade! Viva a democracia! Viva a Venezuela! — escreveu o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD)
— Que a queda de Maduro sirva para que o povo venezuelano finalmente reencontre paz, estabilidade e o caminho do desenvolvimento — desejou o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).
O único nome da oposição, entre os cotados a candidato presidente do Brasil em 2026, que criticou tanto Maduro quanto a ação dos EUA foi o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD):
— O regime ditatorial de Maduro é inadmissível. Viola direitos humanos, sufoca liberdades e impõe sofrimento ao povo venezuelano. No entanto, a violência exercida por uma nação estrangeira contra outra soberana, à margem dos princípios básicos do direito internacional, em especial o de não intervenção, é igualmente inaceitável.