Celular de TH prendeu Bacellar, cujo celular prendeu Macário

Desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto foi preso pelo conteúdo do celular do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, que foi preso pelo conteúdo do celular do ex-deputado estadual TH Joias

 

 

Celulares e prisões no RJ

Foi o celular do ex-deputado estadual TH Joias, preso em 3 de setembro, por associação com a facção Comando Vermelho, que levou à prisão (confira aqui) do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), em 3 de dezembro. Como o celular de Bacellar levaria à prisão, no dia 16, do (confira aqui) desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF 2) Macário Ramos Júdice Neto.

 

As operações até aqui

TH foi preso e teve o celular apreendido na operação Zargun da Polícia Federal (PF). Bacellar foi preso e teve o celular apreendido na operação Unha e Carne. Relator do caso de TH no TRF 2, Macário foi preso e teve três celulares apreendidos na operação Unha e Carne 2. Que também apreendeu (confira aqui) três celulares de Rui Bulhões, ex-chefe de gabinete de Bacellar.

 

À esquerda, chefe de gabinete de Bacellar exonerado do cargo na Alerj, Rui Bulhões sai da Superintendência da PF no Rio após ter três celulares apreendidos pela PF em sua residência (Foto: Henrique Coelho/G1 Rio)

 

No celular de TH

Quando a PF chegou à residência de TH em setembro, encontrou o ambiente esvaziado às pressas e sem o então deputado. Ele acabaria preso horas depois, num condomínio de luxo, na zona sudoeste da cidade do Rio. E, no seu celular, estavam as mensagens trocadas com Bacellar. Nas quais este teria avisado a TH da operação e o orientado a eliminar provas.

 

Prisão de Bacellar

De posse desses dados e com mandado de prisão de Bacellar expedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o superintendente da PF no RJ, delegado Fábio Galvão, chamou o então presidente da Alerj para um café. Desavisado, o político de Campos não zerou o celular. E levou em seu carro oficial R$ 91 mil em dinheiro.

 

Prisão de Macário

Bacellar não entregou a senha do celular após ser preso na Superintendência da PF no Rio, mas seu conteúdo foi acessado pela perícia. A partir das mensagens nele trocadas em alto grau de intimidade com Macário, este foi preso como suspeito de ter vazado ao então presidente da Alerj a informação da prisão de TH, na véspera da operação Zargun.

 

Destinos de TH, Macário e Bacellar

TH está no Presídio Federal de Brasília, enquanto Macário está na Cadeia Pública Constantino Cokotós, em Niterói. Bacellar teve sua soltura votada pela Alerj (confira aqui) no dia 8, por 48 votos a 21, e concedida no dia 9 (confira aqui) por Moraes. Mas com afastamento da presidência da Alerj, uso de tornozeleria eletrônica e entrega do passaporte, entre outras medidas cautelares.

 

Novas operações e prisões?

Em resumo, o celular de TH levou à prisão de Bacellar, cujo celular levou à prisão de Macário. O que ainda estiver nestes celulares, como nos três do desembargador e nos três de Bulhões, todos apreendidos pela PF, pode render novas operações e prisões. Todas geradas (confira aqui) a partir da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, a ADPF das Favelas do STF.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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