“Foi ataque aos adversários de Garotinho, não defesa dos royalties”
“Infelizmente, o que Garotinho quer é antecipar a campanha eleitoral. O ato público de ontem, no Rio, não foi um evento em defesa dos royalties, foi de ataque aos adversários políticos do deputado. Tampouco foi dos municípios produtores de petróleo, mas do PR, partido de Garotinho, que busca uma bandeira para eleger o maior número possível de prefeitos em 2012, visando montar uma base para tentar voltar a ser governador, em 2014”. O raciocínio é do ex-vereador Nildo Cardoso, presidente do PMDB em Campos, partido do governador Sérgio Cabral, acusado ontem pelo casal Garotinho de ter esvaziado o evento da Cinelândia dos demais prefeitos da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro), que preferiram apostar no diálogo sobre a partilha dos royalties.
— Ninguém é bobo na política para acompanhar Garotinho nessa tentativa de antecipação eleitoral. Como é que o governador Sérgio Cabral poderia ser responsável por uma emenda de um deputado do Rio Grande do Sul (Ibsen Pinheiro)? Foi por isso nenhum outro prefeito de município produtor, além de Rosinha, embarcou na atitude raivosa que marcou o ato do Rio. Aliás, não foram só os políticos, mas a própria população desaprovou. Eles apostavam que teriam 30 mil, 40 mil, 50 mil pessoas no evento, e mesmo bancando a viagem, só conseguiram reunir duas mil pessoas, segundo os cálculos da PM — contabilizou Nildo.
Para o presidente municipal do PMDB, o papel de Garotinho deveria ser através do seu mandato de deputado federal, participando da discusssão e buscando o entendimento em Brasília, onde será votado o veto do ex-presidente Lula. Ele também aconselhou Rosinha, paralelamente ao debate sobre a partilha dos royalties, a otimizar as alternativas de receita própria do município de Campos, “já que hoje ela gira em torno de R$ 600 milhões/ano, o que é muito pouco se comparado ao R$ 1,4 bilhão que recebemos anualmente pelo petróleo”.


Na reunião de pauta da última quinta-feira, o editor da Folha Dois, Marcos Curvello, informou que a matéria destinada à Folha Letras da edição do dia seguinte (anteontem) seria sobre o escritor irlandês James Joyce (1882/1941), mais precisamente sobre uma sua biografia pesquisada e escrita por Edna O’Brien, também romancista irlandesa, que se tornou mais conhecida no Brasil após afirmar, sendo ecoada pelo jornalista Diogo Mainardi, que “Chico Buarque é uma fraude”. Polêmica por polêmica, a pauta da biografia foi “vendida” por Curvello com base na “novidade” do apreço pessoal do autor de “Ulysses” (considerado por muita gente boa como o maior romance do séc. 20) pelos bordéis. Aleguei que a informação era correta, embora longe de ser nova ou desconhecida, pois o próprio Joyce já admitira essa sua vocação boêmia e hedonista em versos. No caso, no poema “O Santo Ofício”, escrito em 1904, poucos meses antes do autor deixar sua Dublin natal, numa sátira mordaz contra os intelectuais da sua terra reunidos no movimento chamado “Renascença Céltica” — entre eles, o grande poeta William Butler Yeats (1865/1939), Nobel de Literatura em 1923, prêmio que Joyce nunca ganhou. 





Desde quando ele vivia, muito já se falou que, enquanto poeta, Machado de Assis (1839/1908) nunca chegou perto do que foi como romancista. Pode até ser, mas mesmo à sombra gigantesca da sua prosa, até que conseguiram vingar à luz alguns versos bem interessantes. Os escolhidos para bater ponto no domingo, dia em que o blog é espaço cativo à poesia, integram o livro “Crisálidas”, só de poemas, pubicado em 1864 e dedicado ao pintor de paredes mulato Francisco José de Assis e à lavadeira açoriana Maria Leopoldina da Câmara Machado, pais do autor. O poema trata de um amor platônico, com claros ingredientes sado-masoquistas, consumado na abstração machadiana escravizada pela última farani do Egito antigo, Cleópatra VII (70 a.C./ 30 a.C.), da dinastia macedônia dos Ptlomaicos (ou Lágidas), amante dos maiores homens do seu tempo…