Folha FM nasce no aniversário de Campos com prefeito ao vivo no Folha no Ar

 

 

Folha no Ar de hoje, com o prefeito Rafael Diniz, entrevistado do dia, entre Arnaldo Neto e Aluysio Abreu Barbosa (Foto: Cláudio Nogueira)

 

Hoje foi o 184ª aniversário de Campos. Não por acaso, foi o dia em que nasceu a Folha FM, em 98,3Mhz. Ela substitui a antiga Rádio Continental, que funcionou por 63 anos em sinal AM. Com novo nome e nova frequência, o carro chefe da nova programação estreou das 7h às 8h30: o Folha no Ar. Além de trazer e comentar as principais notícias do dia, o programa ao vivo trará sempre um entrevistado. O da manhã de hoje foi o prefeito de Campos, Rafael Diniz (PPS). Nesta sexta, a partir das 7h, a entrevistada será a historiadora e diretora presidente do Grupo Folha, Diva Abreu Barbosa.

 

 

A bancada fixa do programa é composta pelo experiente âncora Marco Antônio Rodrigues, ao lado dos jornalistas da Folha Arnaldo Neto e Aluysio Abreu Barbosa. De segunda à sexta, sempre das 7h às 8h30, o Folha no Ar da próxima semana segue com uma rodada quente de novos entrevistados. Na segunda (01/04) será o historiador Aristides Soffiati; na terça (02), o delegado titular da 146ª DP de Guarus, Pedro Emílio Braga; na quarta (03), o presidente da Câmara Municipal, Fred Machado (PPS); na quinta (04), o bispo católico de Campos Dom Roberto Ferrería Paz; e, na sexta (05), o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD).

 

Atualização às 10h20 de 29/03 para adicionar o áudio da entrevista de Rafael Diniz na estreia do Folha no Ar:

 

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“A Queda — As Últimas Horas de Hitler” nesta quarta no Cineclube Goitacá

 

Bruno Ganz na interpretação definitiva de Hitler

 

Em tempos de radicalismo político no Brasil e no mundo, como os que ora vivemos, a exibição do filme “A Queda — As Últimas Horas de Hitler” (2004), de Oliver Hirschbiegel, já seria oportuno. Mas sua apresentação às 19h desta quarta, dia 27, pelo Cineclube Goitacá, na sala 507 do edifício Medical Center, no cruzamento das ruas Conselheiro Otaviano e 13 de Maio, tem como objetivo a homenagem ao grande ator suíço Bruno Ganz, morto em 19 de fevereiro.

Se é cabível afirmar que “A Queda” é um dos melhores filmes feitos no novo milênio, mais ainda se pode dizer da perfomance de Ganz: seu Adolf Hitler é uma das maiores interpretações da história do cinema. Sem nenhum favor, está lado a lado com Marlon Brando em “Uma Rua Chamada Pecado” (1951, de Elia Kazan), Peter O’Toole em “Lawrence da Arábia” (1962, de David Lean), Robert De Niro em “Taxi Driver” (1976, de Martin Scorsese) e Daniel Day-Lewis em “Lincoln” (2012, de Steven Spielberg). Mas como Hollywood é uma aldeia judaica, a interpretação definitiva do carrasco de 6 milhões de judeus, entre os 60 milhões de mortos da II Guerra (1939/45), não rendeu nem uma indicação de Ganz ao Oscar de melhor ator.

Na verdade, a morte recente de Ganz motiva a segunda exibição de “A Queda” no Cineclube, hoje Goitacá, em sua fase na sala do Oráculo — mas que já foi Cinema no Palácio, quando era sediado no Palácio da Cultura; e, antes, Cineclube José Amado Henriques, em homenagem ao primeiro crítico de cinema da cidade, quando começou suas atividades no auditório da Faculdade de Medicina de Campos. Nesta fase inicial, “A Queda” foi o segundo filme a ser exibido, depois da abertura com “Cidade de Deus” (2002), de Fernando Meirelles.

Confesso que após ver o filme pela primeira vez, num cinema do Rio, fiquei duas noites sem dormir direito. Humanizar Hitler, mostrando suas faces reais de empregador gentil e criador amoroso de cães, torna sua composição mais pertubardora do que mostrá-lo com pés de cabra, rabo pontudo, chifres na testa e tridente na mão, como a propaganda soviética, estadunidense e britânica o pintou desde a II Guerra. É um homem, não a encarnação de Lúcifer, que, mesmo após se matar quando os russos invadem Berlim, conduz outros homens intelectualmente bem formados ao mesmo fim. Tudo por uma questão de honra. E isso é o mais angustiante.

Ganz teve acesso e estudou conversas gravadas de Hitler no cotidiano, que sobreviveram a despeito da vontade do líder da nazista, que mandou destruir todos seus registros como homem comum. Como quem o mitifica na condição de Anticristo, o Führer (“Guia”) da Alemanha só queria ser lembrado como grande orador de massas. As mesmas que julgou merecerem perecer com seu sonho torto de uma raça ariana superior dominando o mundo, na megalomania e ausência de empatia que caracterizam todos os psicopatas.

Para além da composição antológica de Ganz, a grande virtude do diretor Hirschbiegel é conferir uma estética documental à sua obra, filmada quase o tempo inteiro com a câmara nervosa sobre o ombro de alguém sob o bombardeio soviético. Neste sentido, o clima claustrofóbico é reforçado pelos corredores apertados do bunker construído sob a sede da Chancelaria alemã, nos quais se espremem suarentos os seguidores restantes de um líder comandando exércitos que só sobreviveram em seus delírios.

Tanto quanto o Hitler de Ganz, impressiona a crueldade de Goebbels, fanático ministro da Propaganda, interpretado por Ulrich Matthes. E o que é narrado na ficção se aproxima muito do que aconteceu na queda real da Alemanha na II Guerra. As bases para o roteiro de Bernd Eichinger são o historiador alemão Joachim Fest, considerado com justiça o biógrafo definitivo de Hitler, e o testemunho de Traudl Junge, secretária particular do líder nazista. No filme, ainda jovem, ela é vivida pela atriz romena-alemã Alexandra Maria Lara. A verdadeira, já idosa, dá seu depoimento ao final.

“A Queda” não é um filme fácil. Mas é necessário. Pelo menos para quem busca evitar o risco de repetir o talvez pior capítulo da história do homem, por ignorar o que fomos capazes de fazer uns com os outros há pouco mais de sete décadas. A entrada, assim como a participação no debate após a sessão, são livres.

 

Confira abaixo o trailer do filme:

 

Atualização às 13h23 de 27/03: Confira aqui a matéria do Celso Cordeiro Filho, publicada hoje na Folha Dois, sobre a exibição do filme no Cineclube Goitacá.

 

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Polêmica da charge de Bolsonaro e Trump no Liceu sob análise

 

O caso do professor de Português do Liceu Marco Antônio Tavares da Silva, suspenso pela secretaria estadual de Educação (Seeduc) após propor uma redação sobre uma charge dos presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e dos EUA, Donald Trumpo, já gerou muita polêmica e repercussão. Inclusive na mídia carioca, onde o assunto foi noticiado após ser revelado em primeira mão pela Folha da Manhã.

Na edição de hoje da Folha, seis professores universitários de Campos se posicionarem (aqui) sobre o caso. Visando equilíbrio, alguns dos docentes ouvidos foram de orientação política de esquerda, outros de direita. Houve manifestações de apoio ao professor do Liceu, assim como ponderações e críticas. Mas o questionamento à suspensão do colega do ensino médio estadual, por conta da utilização da charge, foi comum aos seis. Entre eles, o professor de Ciência Política da UFF-Campos George Gomes Coutinho foi o que mais se estendeu na análise, indo além da demanda de depoimento para uma enquete de jornal.

Não por outro motivo, o blog publica abaixo a íntegra do que pensa o George sobre o caso:

 

Charge de Vitor Teixeira publicada em 19 de outubro de 2017 no site “Humor Político” e utilizada como tema de redação aos alunos de Português do 3º ano do ensino médio do Liceu

 

Sociólogo e cientista político George Gomes Coutinho

Uma das primeiras questões que devemos discutir acerca da saúde da democracia em uma sociedade contemporânea é se a livre expressão de ideias e posicionamentos encontra respaldo para além do arcabouço jurídico formal. Obviamente não estou secundarizando a importância das garantias constitucionais, dado que nelas estão as bases normativas formais que devem guiar os cidadãos e as instituições. O que estou destacando é se os cidadãos vivem em suas rotinas a livre circulação de ideias, simbolismos, posicionamentos, etc. SEM CONSTRANGIMENTOS. Esta produção imaterial, desde que não se engaje em prol da eliminação “do outro” como diria Karl Popper, deve ser encarada como é: diversa e heterogênea espelhando as contradições de nossa própria sociedade. Prosseguindo com Popper, se não há o discurso de eliminação de grupos sociais excetuando os próprios intolerantes, sendo a intolerância em si o único limite crítico para a liberdade de expressão legal e legítima, uma democracia vibrante necessita da circulação de posicionamentos tal como a vida precisa de oxigênio e deve haver o respeito pela opção A, B ou C. Todo o restante é tentativa autoritária de eliminação artificial do dissenso e da diversidade ou imposição forçosa e unilateral de discursos aos quais indivíduos não são obrigados a reproduzir, vide por exemplo a imposição a fórceps de narrativas e posicionamentos de esquerda a indivíduos ou fóruns de direta, ou vice-versa, sem o devido convite para o diálogo. Inclusive aqui temos um dos pontos que mais importam a esse debate. A despeito das opções no espectro ideológico, a crítica publica é fundamental. Porém, não é qualquer crítica. A crítica fundamentada, o uso da razão e da argumentação, a objetividade, todos esses ingredientes são fundamentais para termos um espaço onde a opinião pública seja robusta.

Fiz este preâmbulo por reconhecer que vivemos um estado de coisas onde a opinião pública encontra-se gravemente adoecida no Brasil. A questão do professor Marcos Antônio Tavares da Silva, e este recebe desde já minha solidariedade, é sintoma. Porém, não é a doença. Este modus operandi, o de incitar estudantes a gravarem ou reproduzirem material permitindo em segundo momento o achincalhe público, o linchamento virtual e ameaças por uma horda, tem se tornado uma praxe motivada por grupos que abraçaram a “pauta dos costumes” e acreditam que estão fazendo “boa política” ao simplesmente ignorar solenemente as condições concretas das escolas, o plano de carreira (quando há) defasado, salários achatados, os baixos patamares alcançados no processo de ensino e aprendizagem, etc. Se criou um falso problema, uma cortina de fumaça que em nada, rigorosamente em nada contribui ante o enfrentamento dos problemas crônicos da educação brasileira, que são urgentes em uma sociedade de conhecimento onde veremos cada vez mais o trabalho humano de baixa complexidade sendo substituído pela inteligência artificial, automação e robotização. Há uma tragédia humanitária em curso que pode ser evitada com investimentos pesados em educação. Portanto, as energias deveriam estar em outro tipo de ação coletiva e não este, o do Macartismo reeditado em escolas e universidades no século XXI.

Causa espécie que estudantes estejam sendo estimulados a atuarem como dedos-duros, X-9 de professores, fazendo registros sem a autorização dos mesmos! É este o ambiente que irá promover de fato as melhorias necessárias nas metas educacionais gerando aspirantes a censores? E ainda tendo o objetivo tão inatingível quanto risível: o espaço de sala de aula ambicionado como imagem e semelhança dos próprios pais e suas crenças, narcisismo de um lado, e o infantil desejo do desaparecimento de todos os comportamentos diversos, opções culturais, tudo o que não esteja na pauta dos preceitos de família A ou B. Este último desejo perverso, nunca é demais dizer, é nada menos que a base de todo e qualquer fundamentalismo por flertar perigosamente com o obscuntarismo, com a ocultação do mundo real e sua diversidade imanente.

Prosseguindo, flertamos em todo esse debate burlesco com uma concepção absolutamente imbecil: a da neutralidade, a da imparcialidade de agentes humanos ou instituições. O Conto da Carochinha do “professor imparcial”, onde este seria em termos ideais um agente simplesmente esvaziado do contexto onde vive e desprovido de suas opções valorativas ao entrar em seu ambiente profissional, é apresentado alhures como solução. O problema é seu caráter irrealizável. Essa assepsia cognitiva e cultural é humanamente impossível. Se todos devemos sim combater a demagogia, abusos e o proselitismo em todas as esferas, inclusive a sala de aula, por outro lado tem se colocado soluções que geram apenas estresse aos profissionais da educação. Ainda, a questão seria se os professores estimulam a pensar e a criar, eis as demandas de nosso tempo, e não colocar na berlinda suas opções valorativas políticas, simbólicas, culturais, etc. Portanto, sim, professores são cidadãos e tem o direito de seguirem suas próprias trilhas políticas e, até onde eu sei, não são dotados da capacidade de operarem qualquer lavagem cerebral que os paranoicos vislumbram.

Retomando o caso concreto do professor do importante Liceu campista, onde uma charge foi utilizada como recurso didático e reflexivo para a elaboração de uma redação onde o texto seria produção e responsabilidade do próprio estudante, inclusive sendo franqueada a possibilidade de apresentar qualquer posicionamento argumentativo amparado pelo uso da razão (o que exclui o achismo e a burrice inerente e mimada de homens brancos adultos da classe média ou alta que estou cansado de ver por aí fazendo beicinho), vemos mais um caso trágico e a vitória momentânea da ignorância e do moralismo. Há algo de ridículo. Carolas esperneando ante um desenho de dois homens em uma cama, isso após o presidente eleito deste país ter postado vídeo de sexo amador em seu perfil das redes sociais. Outros que apostam serem os estudantes tapados, castrados cognitivamente, verdadeiros idiotas que apenas reproduzem o que um professor ou qualquer outra autoridade diga (esses já devem ter nascido velhos ou são desmesuradamente obedientes aos seus senhores). Ou, ainda o pior. Temos um grupo que chegou ao poder que em nada está preparado para a vivência democrática.

Todos esses chiliques soam como tentativa de eliminar de forma autoritária a crítica ao governo eleito em todos os espaços públicos. Um outro nome para isso é simplesmente censura. Olhando novamente a charge caberia discutirmos qual seria a reação deste grupo se os personagens fossem Luiz Inácio Lula da Silva e Barack Obama. Afinal, desde a Ação Penal 470, o famoso “Mensalão”, o Partido dos Trabalhadores foi criticado quase diariamente de forma ácida, por vezes respeitosa e por vezes de maneira odienta, e ainda assim não deixou de ser poder até o golpe parlamentar de 2016 e tampouco o tecido democrático esteve sob risco. Finalizando, talvez esse lamentável episódio do professor do Liceu seja mais um dos alertas que acendem insistentemente desde primeiro de janeiro do ano corrente e nos questione para onde nossa sociedade está caminhando.

 

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Restaurante popular, prontuário digital, São José e cartão cooperação

 

Rafael, Marcão e Abdu (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Retorno do cartão cooperação (antigo cheque-cidadão), reabertura do Centro de Segurança Alimentar e Nutricional (antigo Restaurante Popular), inauguração do novo Hospital São José e instalação do prontuário digital individualizado no atendimento da Saúde Pública municipal. Estas são as principais propostas para Campos, todas para implementação em 2019, dos novos secretários municipais de Desenvolvimento Humano e Social e de Saúde, respectivamente Marcão Gomes e Abdu Neme (ambos do PR). Dois experientes ex-vereadores, eles entraram no governo neste começo de ano para cumprirem o que o prefeito Rafael Diniz (PPS) disse em entrevista à Folha, publicada em 30 de dezembro, quando fez o balanço da metade da sua gestão e anunciou (aqui): “é hora de avançar politicamente”.

Várias mudanças, numa reforma administrativa na Prefeitura de Campos, foram publicadas na última quinta (21) no Diário Oficial (DO). Entre elas, a nomeação de Abdu não só como secretário de Saúde, como também presidente da Fundação Municipal de Saúde. Marcão já havia sido nomeado desde 15 de fevereiro. Esta semana, o prefeito Rafael falou sobre mudanças de rumo e os reforços que seu governo ganhou da Câmara Municipal:

— Quando assumimos (em 2017), sem que o governo anterior (de Rosinha Garotinho) fizesse a transição, encontramos o caos administrativo e uma dívida (aqui) de R$ 2,4 bilhões. Para tentar reconstruir uma cidade arruinada, nossa opção foi por um quadro técnico. Mas percebemos na sociedade um anseio por uma atuação mais política do governo. E isso é bom, até porque permitirá até que o trabalho técnico apareça. Neste contexto, Marcão e Abdu, como vereadores de expressão, trazem uma contribuição importante ao governo.

Antes mesmo de assumir a secretaria de Desenvolvimento Humano e Social, Marcão já havia adiantado (aqui) à coluna Ponto Final seu principal objetivo: aproximar o governo das 60 mil famílias de Campos em estado de vulnerabilidade. Esta semana ele projetou as maneiras práticas de fazer isso: até o primeiro semestre, a previsão é de que o Centro de Segurança Alimentar e Nutricional vai estar funcionando, enquanto o cartão cooperação está programado para retornar já no início do segundo semestre.

— O antigo Restaurante Popular era um projeto estadual que Rosinha fez convênio para absorver. O Centro de Segurança Alimentar e Nutricional será um programa verdadeiramente municipal, criado com critério social para alimentar pessoas que realmente precisam, em situação de vulnerabilidade. O cartão cooperação também vai voltar. Já estamos empenhados no estudo da disponibilidade orçamentária e do processo licitatório — explicou Marcão.

Ao acumular a secretaria de Saúde e a presidência da Fundação Municipal de Saúde, o médico Abdu Neme diz ter recebido “carta branca” de Rafael para tentar melhorar uma das áreas que mais geram queixa dos campistas, desde governos passados. Para isso, ele promete instalar dentro de 30 dias o prontuário digital de cada paciente atendido na saúde pública de Campos. No mesmo prazo, pretende também entregar o novo Hospital São José (HSJ). Fruto de um projeto seu como vereador, é um pleito antigo da Baixada Campista e outra promessa que se arrasta desde o governo Rosinha.

A partir da sua nomeação na quinta, Abdu passou a correr os corredores dos hospitais públicos da cidade, na busca do diferencial de humanização que pretende instalar na sua pasta. Na próxima semana serão publicadas no DO alterações de pessoal nos hospitais Ferreira Machado (HFM) e Geral de Guarus (HGG). Este, passará a ser dirigido pelo médico e ex-vereador Dante Pinto Lucas. Outro objetivo do novo secretário é agilizar e desburocratizar a compra de insumos, sobretudo de remédios, além de implantar o Hemocentro Regional, cuja verba já foi disponibilizada através de emenda parlamentar do ex-deputado federal Paulo Feijó (PR).

— A Saúde Pública de Campos e o próprio governo têm que sair da zona de conforto. E vamos trabalhar 20 horas por dia para que dê certo. Temos ouvido críticas ao prefeito, mas qual administrador público no Brasil não está desgastado? Desde que assumiu, há menos de três meses, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) já perdeu 15 pontos de aprovação popular, segundo a última pesquisa Ibope. Rafael pegou uma situação muito difícil. Não gosto de fazer previsões, mas se começarmos a acertar e o Brasil sair desse marasmo político e econômico, tenho certeza de que teremos um resultado excelente nas eleições de 2020 — analisou Abdu.

 

Edson e Hirano (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Edson: “Não caminho com Wladimir de jeito nenhum”

“Com Wladimir (Garotinho, do PSD) eu não vou caminhar de jeito nenhum”. A declaração forte foi feita por aquele que, há 30 anos, foi considerado um dos mais fiéis aliados de Anthony Garotinho (sem partido): o médico e ex-vereador Edson Batista, presidente municipal do PTB. Apesar das críticas que recebeu do ex-governador após sua aproximação política com o governo Rafael, Edson continua se referindo a Garotinho como “comandante”:

— Garotinho e Rosinha são líderes. Os dois têm história, biografia e minha admiração. Mas o fato é que estão alijados do processo eleitoral por oito anos. A opção que sobrou ao grupo (na eleição a prefeito de 2020) foi Wladimir. Ele não tem história e biografia para ser candidato. Com Wladimir eu não vou caminhar de jeito nenhum.

A distensão de Edson com Wladimir, agravada pela inelegibilidade do casal Garotinho, é antiga. Mas nunca foi externada de maneira tão clara pelo ex-presidente da Câmara de Campos. Ele cita mais motivos para sua aproximação com o grupo político de Rafael: a retomada de projetos populares como o Centro de Segurança Alimentar e Nutricional e o cartão cooperação. Além disso, os dois vereadores do PTB de Campos, Neném e Ivan Machado, já estão na base do governo, o que facilitaria a aliança política para 2020. Edson revelou que terá uma conversa pessoal com o prefeito, nesta semana, para “ver os desdobramentos disso”.

Além de Edson, outro garotista que foi bastante citado nas redes sociais no correr da última semana, pela aproximação com o grupo político do prefeito, é Paulo Hirano (PR). Também médico, ele foi o combativo líder da situação na Câmara Municipal durante o governo Rosinha. Seu contato foi com Abdu Neme, antes do carnaval, quando o vereador já tinha recebido o convite para assumir a Saúde e trocou ideias com o colega sobre o setor.

A possibilidade de Hirano integrar o governo Rafael seria mais na área médica do que política. E dependeria de uma segunda conversa, que Abdu confirmou estar em sua pauta, tão logo tome pé da situação da secretaria de Saúde.

— Fiquei afastado da política nos últimos dois anos. Conversei com Abdu sobre modelos de saúde e dei sugestões. Uma segunda conversa, antes de qualquer decisão, teria que ser, além do secretário, com o prefeito — pontuou Hirano.

 

Wladimir

“Desejo sorte a quem está saindo, porque vai precisar”

“Desejo sorte a quem estiver saindo do nosso grupo para o de Rafael, porque eles vão precisar”. Foi com ironia que o deputado federal Wladimir Garotinho reagiu à possibilidade dos (ex-)garotistas Edson Batista e Paulo Hirano se aliarem ao prefeito de Campos, cargo que ele almeja para si na eleição de 2020.

Para o filho do casal Garotinho, política é feita de ciclos: “Alguns pensam que o ciclo deles se encerrou no nosso grupo e estão buscando outros caminhos”. Wladimir diz que sempre lutou pela renovação no grupo político do pai, mas com respeita a história de cada um — a mesma história que Edson entende que o deputado não tem para ser prefeito.

Wladimir negou que ele tenha sido o motivo para o ex-presidente da Câmara Municipal sair do grupo dos Garotinho. Muito embora Edson deixe bem claro que a eventual candidatura a prefeito do filho do “comandante” seja um dos motivos para sua aproximação com o grupo de Rafael. O deputado entende que o prefeito vai tentar politizar sua gestão para se aproximar do povo. “Mas acho pouco provável que consiga”, opinou.

 

Pàgina 2 da edição de hoje (24) da Folha

 

Publicado hoje (24) na Folha da Manhã

 

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Reforma administrativa por Rafael, Marcão, Abdu, Edson, Hirano e Wladimir

 

Rafael, Marcão, Abdu, Edson, Hirano e Wladimir (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O que o prefeito Rafael Diniz (PPS) e os novos secretários Marcão Gomes e Abdu Neme (ambos do PR) projetam com a reforma administrativa do governo de Campos? O que pensam da aproximação política com o grupo do prefeito os (ex-)garotistas Edson Batista (PTB) e Paulo Hirano (PR)? E o que o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) pensa disso tudo?

Para saber, leia a edição deste domingo (24) da Folha da Manhã.

 

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Debate sobre Segurança Pública no Museu de Campos neste dia 28

 

Desde 2016, o Brasil superou a marca de 60 mil homicídios/ano. O índice esteve entre as principais pautas da eleição presidencial de 2018, vencida por quem prometeu endurecer contra o crime e facilitar a aquisição de armas de fogo pelo cidadão comum. As promessas ganharam cara — e críticas — em 4 de fevereiro, quando o ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro apresentou o pacote antiviolência do governo Jair Bolsonaro (PSL), que deve ser analisado, discutido e votado ainda este ano no Congresso Nacional.

Campos não é exceção na onda de violência que assola o país. Antes de se completarem os três primeiros meses do ano, foram registrados até o presente momento 33 homicídios no município de 503,4 mil habitantes. Em 2018, foram 233 assassinatos; 171, em 2017; e 273, em 2016. Na semana passada, levantamento realizado pela organização Conselho Cidadão para a Segurança Pública e a Justiça Penal do México, em cidades com mais de 300 mil habitantes, colocou Campos (aqui) como a 35ª mais violenta do mundo em 2018. Foi a única do Estado do Rio a integrar a lista, cujas demais cidades brasileiras listadas são todas das regiões Nordeste e Norte.

O contexto nacional e local da segurança pública é tão preocupante, quanto complexo. Ciente disso, o Museu Histórico de Campos sediará o debate “Segurança Pública e Democracia: Pensando as Cidades do Século XXI”. Será realizado às 19h do dia 28 de março, aniversário da cidade. Os quatro debatedores serão Felipe Drumond, professor de Direito Penal; Roberto Uchoa, policial federal, mestrando em Sociologia Política e especialista em Segurança Pública pela UFF; Sandro Araujo, policial federal, escritor e vereador pelo PPS em Niterói; e a professora Luciane Soares, coordenador do Núcleo Cidade Cultura Conflito (NUC) da Uenf. Foi dela a iniciativa do debate, que me convidou à imensa responsabilidade de mediá-lo.

O evento tem entrada aberta a todos, assim como a participação, em perguntas aos debatedores. Abaixo, a expectativa dos quatro, assim como da diretora do Museu de Campos, Graziela Escocard Ribeiro:

 

Luciane Soares — Tenho trabalhado com pesquisa sobre as instituições policiais desde 2001. E creio que o desafio que temos, em 2019, é pensar de que forma é possível, nas cidades do século XXI, prover segurança pública com respeito aos direitos humanos. Ao mesmo tempo, casos como a recente tragédia em Suzano, nos mostram que o investimento em inteligência policial e investigação são decisivos para a ordem pública. É preciso discutir os modelos de segurança pública e as formas de policiamento. E isto deve ser feito com a ampliação das arenas de debate, com a participação da sociedade civil.

 

Felipe Drumond — Considerando-se o recente decreto presidencial que fixou critérios objetivos para facilitar a posse de armas de fogo, será feita uma abordagem crítica sobre propostas que relacionam a ampliação do acesso às armas com um instrumento para a construção de política de segurança pública mais eficiente na busca por redução dos índices de criminalidade. Assim, serão feitas advertências sobre os riscos e resultados adversos que podem decorrer da adoção de um fundamento para a ampliação do acesso às armas baseado na premissa de que uma sociedade mais armada contribui para o combate à criminalidade.

 

Roberto Uchoa — Uma oportunidade de discutir a segurança pública que queremos para nosso município e região. Com uma atuação maior do município nessa área, podemos mudar a situação e voltar a crer em um futuro mais seguro. Importante abordar a municipalização da segurança pública, a questão do baixo efetivo para policiamento ostensivo e as melhorais possíveis. Isso, sem deixar de citar os problemas nas investigações.

 

Sandro Araujo — Espero que este debate seja esclarecedor para todos que lá estiverem, no que diz respeito aos conceitos mais modernos de segurança pública e proteção social. Chegamos ao momento no qual é imprescindível mostrar verdades sem retoques a quem costuma ser iludido por quem detém os meios de comunicação. Importante falar utilizando como parâmetro o mosaico urbano, porque o último elo da segurança pública é a polícia. E falar de como ela é incompetente, em sua estrutura atual, para a elucidação dos delitos. Enquanto o mundo inteiro caminha para uma direção, nós caminhamos para outra, completamente diversa.

 

Graziela Escocard — Receber esse evento no Museu só enaltece a posição que este aparelho cultural ocupa para a cidade. O Museu tornou-se o local de debate acerca de diversos temas necessários de discussão. Acredito que o debate será de relevância para análise de como a segurança pública tem sido conduzida pelas cidades na atualidade. A segurança pública não pode ser tratada como repressiva. Envolve diversos atores e instâncias que precisam atuar em consonância na prevenção e na reparação.

 

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Ponte entre Rafael e Witzel e a demanda diária do ponto biométrico

 

 

Ponte entre Rafael e Witzel

Como o blog Opiniões noticiou (aqui) na noite de ontem, logo após o fato, Marcão Gomes e Abdu Neme (ambos do PR) se reuniram no Rio com o vice-governador Claudio Castro (PSC) e o secretário estadual de Saúde Edmar Santos. Na pauta, parcerias para Campos com o governo estadual Wilson Witzel (PSC) nas áreas de Saúde e Desenvolvimento Humano e Social. A última pasta no governo Rafael Diniz (PPS) está com Marcão desde 15 de fevereiro. Já Abdu assume a secretaria e a Fundação Municipal de Saúde nesta quinta (21). As nomeações dos dois foram antecipadas (aqui e aqui) pela Folha.

 

Elemento Brazão

Quem também participou da reunião de ontem no Rio foi o empresário e deputado estadual Pedro Brazão. Do mesmo PR de Abdu e Marcão, ele é irmão do ex-deputado Domingos Brazão (MDB), conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE), após chegar a ser preso na operação Quinto do Ouro, em 2017. Mais recentemente, em 21 de fevereiro deste ano, Domingos teve um mandado de busca e apreensão na sua residência, durante as investigações da Polícia Federal sobre o assassinato da ex-vereadora carioca Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes.

 

Trovadas na Lapa

Abdu é aliado antigo de Domingos Brazão, como já foi de Garotinho. O vereador foi responsável por boas votações do ex-deputado estadual em Campos. A entrada de Abdu e Marcão na Prefeitura visa dar mais pragmatismo ao governo Rafael, que disputa a reeleição de 2020. A reunião de ontem deve gerar parcerias importantes ao município. E não foram ainda detalhadas para esperar a reação dos Garotinho, que também tentam ser parceiros de Witzel. As trovoadas por conta (aqui) da aproximação do grupo do prefeito com os garotistas Paulo Hirano (PR) e Edson Batista (PTB) podem voltar a roncar.

 

Charge do José Renato publicada hoje (20) na Folha

 

Ponto biométrico

Promessa de Rafael, refeita em entrevista publicada na Folha em 30 de dezembro, o ponto biométrico para os servidores municipais está muito perto de ser instalado. E provas da sua necessidade são dadas diariamente, em prejuízo da população, sobretudo a que mais depende dos serviços públicos. Como a manchete de capa desta edição noticia, na tarde de ontem, dos cinco médicos escalados para o plantão na nova pediatria do Hospital Geral de Guarus (HGG), apenas um apareceu para trabalhar.

 

Cinco pagos, um presente

Sobre a ausência no atendimento médico às crianças da população mais carente do município, a Prefeitura informou que os salários dos profissionais da Saúde estão em dia, assim das outras categorias. E que um procedimento administrativo será aberto. O rosto do drama diário foi ontem descrito por Misael de Souza, de 29 anos. Morador de Custodópolis, ele foi ao HGG buscar atendimento ao seu filho de adois meses, que evacuava sangue: “São cinco plantonistas escalados, mas só um presente. O hospital deve verificar a conduta desses profissionais”.

 

Em campo

Depois do brutal massacre de Suzano, o Exército vai ajudar o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil a aprimorar seus mecanismos de investigação de crimes cometidos com a ajuda da internet. Na próxima semana, haverá uma reunião entre estes órgãos para discutir ferramentas e ações conjuntas que possam prevenir ataques terroristas orquestrados com uso da web — e mais especificamente da Deep Web, a Internet que não é indexada por mecanismos tradicionais de busca como o Google.

 

Sem preparo

O Exército admite que a Polícia e o MP não contam com ferramentas para investigar este tipo de crime. O Setor de Inteligência, seguido pela Polícia Federal, seriam as autoridades com mais know-how e recursos para investigar e prevenir essas práticas criminosas. A propósito, o procurador Paulo Marcos Lima demonstrou pessimismo quanto a ocorrência de novos ataques no país. “A tendência natural é que ocorram mais casos em virtude de problemas homofóbicos, racistas ou religiosos. Uma ameaça coordenada por radicais brasileiros com auxílio de estrangeiros não é descartada. Não somos esta ilha do samba e do carnaval”.

 

Com Paulo Renato Porto

 

Publicado hoje (20) na Folha da Manhã

 

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Marcão e Abdu com vice-governador e secretário de Saúde do RJ

 

Hoje à noite, no Rio, o vice-governador Claudio Castro, o secretário estadual de Saúde Edmar Santos, Marcão e Abdu Neme (Foto: Divulgação)

 

Reforços que o governo Rafael Diniz (PPS) ganhou da Câmara Municipal, Marcão Gomes e Abdu Neme (ambos do PR) estiveram hoje no Rio em busca de parcerias com o governo estadual Wilson Witzel (PSC). Os dois políticos de Campos se reuniram com o vice-governador Cláudio Castro (PSC) e com o secretário estadual de Saúde Edmar Santos. As conversas foram nas áreas de Saúde e Desenvolvimento Humano e Social.

Marcão assumiu a secretaria municipal de Desenvolvimento Humano e Social em 15 de fevereiro, como a coluna Ponto Final adiantou aqui, cinco dias antes. Abdu terá sua nomeação para a secretaria e a Fundação Municipal de Saúde na próxima quinta (21), como ontem este blog anunciou aqui. Sua escolha como novo secretário de Saúde já tinha sido antecipada desde o dia 13, aqui, no blog Ponto de Vista, do Chistiano Abreu Barbosa.

 

Leia a cobertura completa na edição desta quarta (20) da Folha da Manhã

 

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Adbu e Marco Soares no governo Rafael. Hirano e Edson conversam

 

(Montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

No último dia 13, o Christiano Abreu Barbosa anunciou (aqui) antes de todos, em seu blog Ponto de Vista: “Abdu Neme (PR) será o novo secretário de Saúde da Prefeitura de Campos”. O médico e vereador sairá da Câmara Municipal não só para assumir a secretaria, como também a Fundação Municipal de Saúde. Sua nomeação será publicada nesta quinta (21).

Abdu já foi muito ligado politicamente a Anthony Garotinho (sem partido). Foi ele o médico que assistou pessoalmente o ex-governador em sua greve de fome em 2006, quando Garotinho ainda sonhava em ser presidente da República. Mas o vereador não será o único ex-garotista a migrar ao governo Rafael Diniz (PPS).

Outro que será nomeado nos próximos dias é o empresário Marco Soares. Após já ter sido secretário municipal de Defesa Civil no governo municipal de Rosinha Garotinho, ele agora irá para a subsecretaria de Governo de Rafael.

Apesar das especulações que rodaram hoje as redes sociais, os médicos Paulo Hirano (PR) e Edson Batista (PTB) não vão integrar, pelo menos agora, o governo Rafael. Hirano foi o combativo líder do governo Rosinha na Câmara de Campos, quando a Casa era presidida por um Edson conhecido por sua fidelidade a Garotinho.

Edson teve uma conversa recente com Marcão Gomes (PR), secretário municipal de Desenvolvimento Humano e Social. Já Hirano falou com Abdu. O resultado foi aproximação política. Edson e Hirano não aterrissarão agora no governo. Mas os ventos de 2019 apontam mudanças meteorológicas para 2020. No horizonte garotista, já são ouvidas trovoadas.

 

Leia a cobertura completa na edição desta terça (19) na Folha da Manhã

 

 

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CNT/MDA: início do governo Bolsonaro abaixo de FHC, Lula e Dilma

 

Com Bolsonaro, seus filhos e ministros mais destrambelhados (aqui) envolvidos em sucessivas denúncias e polêmicas, com pouco mais de 50 dias após a posse, a popularidade do novo governo já atinge níveis preocupantes.

Ponto de equilíbrio da gestão, os militares parecem cientes da situação. Tutelam abertamente os delírios olavistas do governo. E têm em Mourão um vice empenhado em ser o “bom”, onde Jair, Carlos, Flávio, Eduardo, Ernesto e Vélez são vistos como o “mau”. Não por outro motivo, o vice é chamado pelos diplomatas estrangeiros (aqui) de “o adulto na sala”.

Divugada hoje, a última pesquisa CNT/Sensus foi feita entre 21 e 23 de fevereiro, com 2.002 pessoas em 137 municípios de 25 unidades da Federação. Nela, Bolsonaro teve 38,9% de ótimo e bom na avaliação popular do brasileiro.

 

(Infográfico: Poder 360)

 

Apesar de ainda manter uma legião de adoradores acríticos, o capitão hoje tem aprovação quase 20 pontos percentuais menor do que os 57% de FHC em fevereiro de 1995; ou que os 56,6% de Lula em janeiro de 2003. Em seu início de governo, Bolsonaro ficou mais de 10 pontos atrás até de Dilma, que registrou 49,1% de ótimo e bom em agosto de 2011.

 

(Infográfico: Poder 360)

 

Virtude inegável do governo Bolsonaro foi na comunicação à população da necessidade da Reforma da Previdência. Nisso, se mostrou bem mais exitoso do que seus quatro antecessores: além de FH, Lula e Dilma, Temer. Ainda assim, segundo a CNT/Sensus, a proposta de reforma de Paulo Guedes tem 43,4% de aprovação, contra 45,6% de reprovação.

Para quem achava que as fortes emoções do país tinham acabado com a ascensão de Bolsonaro ao poder, os próximos meses prometem.

 

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Olavo e seus ministros são mais perigosos ao governo que ao Brasil

 

 

Já escrevi (aqui) que o grupo mais perigoso do bolsonarismo são os olavetes. Aqueles a quem o filósofo (e ex-astrólogo) Olavo de Carvalho revelou o caminho, a verdade e a vida. Foram indicações pessoais suas o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo; e o da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez.

Pois hoje, a reunião dos 11 países do Grupo de Lima, em Bogotá (COL), rejeitou a ideia dos EUA de uma intervenção militar na Venezuela. Mas condenou o governo de Nicolás Maduro, a quem pretende julgar na Corte Penal Internacional, em Haia (HOL). Presente, Ernesto Araújo foi tutelado diretamente pelo vice-presidente, general Hamilton Mourão, que fez o uso da palavra em nome do Brasil.

Também hoje, Ricardo Vélez enviou um e-mail oficial do MEC às escolas do país. Solicitou que ele seja lido, incluindo o slogan de campanha de Bolsonaro — “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos” —, diante dos alunos perfilados e cantando o hino nacional. Pediu ainda que os estudantes, menores de idade com exposição vedada pelo ECA, fossem filmados e os vídeos enviados ao governo federal.

Antes de negar publicamente o heliocentrismo, Olavão já tinha recebido o crédito por ter aberto o caminho que levaria Bolsonaro — e seus três filhos — ao centro da República. Se ele não tiver um freio dos militares que já criticou abertamente, pode ser o que levará o capitão e sua prole a um destino trágico. Os olavetes, ironicamente, parecem um perigo maior ao governo do que ao Brasil.

 

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