Castro e a ideia de salvar mandato de Eduardo pelo apoio de Jair

 

Cláudio Castro, Washington Reis, Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Jair Bolsonaro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Desde 5 de julho

Em 5 de julho, a coluna antecipou (confira aqui): “Com a exoneração de Washington (confira aqui), como ao cortar (confira aqui e aqui) o cofinanciamento do RJ à Saúde de Campos, Rodrigo agiu como Ciro Gomes no 2º turno presidencial de 2022: com o fígado. E a maior virtude do político de Campos, sua capacidade de articulação, reside em outro órgão: o cérebro”.

 

Seis dias depois, Bolsonaro tirou apoio

A advertência se confirmou (confira aqui) só seis dias depois. Em 11 de julho, com a não recondução do bolsonarista Reis ao cargo, costurada entre Castro e o senador Flávio Bolsonaro (PL), Jair reagiu: “Não vou apoiar Cláudio Castro ao Senado, nem Bacellar ao governo. Pode avisar lá. Vou esperar as coisas acontecerem e decidir com calma o que vamos fazer no Rio em 2026”.

 

Castro esquenta cadeira para Bacellar

Castro não pode tentar se reeleger governador. E já tem acordado com Bacellar deixar o cargo a este até 4 de abril. O caminho ficou aberto, como a coluna também adiantou (confira aqui) em 9 de maio para se consumar (confira aqui) no dia 19 daquele mês, quando Thiago Pampolha (MDB) deixou o cargo de vice-governador para assumir como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

 

Governador mira Senado com os Bolsonaro

Castro almeja se candidatar ao Senado em 2026 numa 2ª cadeira, a reboque de Flávio na 1ª, que todas as pesquisas apontam (confira aqui) como favorito à reeleição. Com sua gestão popularmente mal avaliada, o atual governador não teria chance a senador sem o bolsonarismo. Que, com todos seus reveses recentes, pesquisas e urnas mostram, desde 2018, ser ainda muito popular no RJ.

 

Castro reergue pontes com Flávio e Valdemar

Ciente disso, Castro foi à Brasília no dia 16, como o blog Opiniões, hospedado no Folha1, registrou (confira aqui) na mídia goitacá no dia 17. Na capital da República, o governador tentou e pareceu ter sucesso ao reerguer suas pontes não só com Flávio, filho 01 de Bolsonaro, como com o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto.

 

Fator Eduardo Bolsonaro

Nos EUA desde março, onde assumiu ter feito lobby pela ameaça do presidente daquele país, Donald Trump, de tarifar o Brasil em 50% por conta do julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), Eduardo Bolsonaro (PL) corre o risco de perder o mandato de deputado federal. Desde domingo (20), quando acabaram seus 120 dias de licença.

 

Secretaria no RJ para salvar o 03?

Para tentar salvar o mandato de Eduardo e ter o apoio de Jair, Castro teria oferecido criar uma secretaria especial do RJ nos EUA. O que permitiria ao filho 03 de Bolsonaro se licenciar como deputado e ficar nos EUA. Sem correr o risco de voltar ao Brasil e ser preso por, abertamente, trabalhar contra o próprio país e ameaçar ministros do STF e a Polícia Federal (PF).

 

Castro ousa mais que Tarcísio

Foi o que a jornalista Mônica Bergamo anunciou (confira aqui) ontem (22), na Folha de S.Paulo. Segundo ela, Castro teria feito consultas ao STF, para saber como a ideia seria recebida. E a hipótese de Eduardo ser nomeado pelo governo Tarcísio de Freitas (REP) em São Paulo, ou pelo de Jorginho Mello (PL) em Santa Catarina, teria sido só de Castro.

 

Teria que vir ao Rio para assumir?

Se a proposta se concretizar, e se Castro aceitar antagonizar o STF e o Governo Federal, seria um gesto ousado, mas talvez eleitoralmente inteligente a um governador e pré-candidato a senador. Ocorre que outra jornalista, a Berenice Seara, do site carioca Tempo Real, também informou ontem (confira aqui) que Eduardo só pode ser secretário do RJ se tomar posse no Rio. A ver.

 

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Por que Campos venceu a queda de braço da Saúde com o RJ?

 

Secretaria de Saúde de Campos (Foto: Divulgação)

 

 

Duas semanas após a coluna

No último dia 5, a coluna advertiu (confira aqui) que o corte do cofinanciamento (confira aqui) à Saúde de Campos, em 23 de junho, e a exoneração (confira aqui) de Washington Reis (MDB) da secretaria estadual de Transportes, em 3 de julho, tinham sido dois erros do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), como governador em exercício. Duas semanas depois, os dois erros começam a ser remediados.

 

Wladimir vence a queda de braço da Saúde

Na segunda (21), como a Folha noticiou (confira aqui), o governador Cláudio Castro (PL) publicou em Diário Oficial a retomada do cofinanciamento do RJ à Saúde de Campos. Que é devida, como polo de atendimento a municípios vizinhos. E foi uma vitória do prefeito Wladimir Garotinho (PP) e da sua gestão na queda de braço particular contra Bacellar.

 

Pressão das secretarias municipais de Saúde

Castro e Bacellar estavam acuados pela posição do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Estado do Rio de Janeiro (Cosems-RJ). Que, no dia 10, se manifestou (confira aqui) contra a decisão unilateral do RJ e alertou para “perspectivas reais de mortes”. O Conselho informou que sequer foi consultado sobre a revogação do cofinanciamento estadual a Campos.

 

Pressão do MPRJ (I)

Outra pressão vinha (confira aqui) do Ministério Público. Que, pela 3ª Promotoria de Tutela Coletiva de Campos, instaurou um inquérito civil para investigar o corte do cofinanciamento estadual à Saúde Pública do Município. Em relatório do Grupo Técnico de Apoio Especializado (Gate), o MPRJ observou no dia 9 que não havia justificativa técnica à revogação do apoio financeiro.

 

Pressão do MPRJ (II)

O relatório do Gate reforçou que “restou comprovado na presente análise que não há que se falar em ausência de dotação para a interrupção dos repasses para o município de Campos dos Goytacazes pelo Fundo Estadual de Saúde, visto que, até a presente data, foram empenhados somente 61,51% do orçamento previsto para o ano”.

 

Força das instituições, não de Wladimir

A queda de braço com Bacellar não foi vencida pela força política de Wladimir. Mas porque as instituições fluminenses reagiram com firmeza à decisão política açodada, sem nenhum critério técnico, de um governador do RJ em exercício. Que, para não prejudicar Campos e o Norte Fluminense, teve que ser revista pelo ainda governador de direito.

 

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Saúde de Campos, boia a Eduardo e Trump x STF no Folha no Ar desta 4ª

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Recuo do RJ e retomada ao cofinanciamento à Saúde Pública de Campos, tentativa do governador Cláudio Castro (PL) de criar secretaria para salvar o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL) e ter o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2026, e e ameaça de Trump de tarifar os produtos do Brasil com a reação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Do local ao mundial, passando pelo estadual e nacional, todos os temas estão interligados. E serão detalhados, pelo jornalista Aluysio Abreu Barbosa e o radialista Cláudio Nogueira, no Folha no Ar desta quarta (23), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Vida e obra do jornalista Péris Ribeiro no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Falecido na noite de domingo (20), aos 80 anos de vida e 50 de jornalismo, a obra e o legado de Péris Ribeiro (confira aqui) à crônica e à literatura esportivas são o tema do Folha no Ar desta terça (22), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Os jornalistas José Trajano, Arnaldo Garcia, Matheus Berriel e Paulo Renato Porto são os convidados para contar um pouco das histórias e da história de Péris, no jornalismo e na literatura. Nesta, foi considerado o grande biógrafo do campista Didi, bicampeão mundial de futebol pelo Brasil nas Copas de 1958, na qual foi eleito o melhor jogador, e 1962.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Lula x Congresso: 51% sabem, mas 83% não viram vídeos do PT

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Lula x Congresso: 51% sabem, 48% não

Além de Trump, a nova Quaest pesquisou o embate de Lula contra o Congresso, que derrubou seu decreto presidencial para aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Do qual a maioria mínima que ficou sabendo: 51% dos brasileiros. Dentro da margem de erro, é um empate técnico com os 48% que disseram não estar sabendo, com 1% que não soube opinar.

 

Não viram conteúdo contra Hugo Motta: 72%

Sobre o alvo preferencial do Lula 3, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (REP/PP), apenas 25% dos brasileiros chegaram a ver algum conteúdo crítico produzido contra ele. A grande maioria de 72% não viu, com 3% que não opinaram.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Não viram vídeos do PT contra o Congresso: 83%

Frutos da ação do misto de marqueteiro e ministro da Comunicação de Lula, Sidônio Palmeira, os vídeos do PT, usando Inteligência Artificial (IA) para atacar Motta e chegar a classificar o Congresso de “inimigo do povo”, também não foram vistos por uma maioria ainda maior: 83% dos eleitores. São apenas 17% os que viram, sem que ninguém tenha deixado de opinar.

 

Taxar mais os ricos e menos os pobres: 63%

Apesar do pouco conhecimento das iniciativas do governo na questão tributária, a pesquisa Quaest revelou que existe espaço para ser explorado pelo Lula 3 no tema junto ao eleitor. Perguntados se o governo deve aumentar imposto dos mais ricos para diminuir o dos mais pobres, 63% acham que sim. Uma minoria de 33% disse que não, com 4% que não opinaram.

 

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Maioria desaprova o Lula 3, sabe e não concorda com ameaça de Trump

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Lula 3 ainda é desaprovado por 53%

Lula também melhorou a aprovação ao seu governo após a ameaça de Trump de taxar os produtos do Brasil em 50% por conta do julgamento de Bolsonaro no STF. De maio a julho, o Lula 3 caiu na desaprovação, de 57% a 53%. E cresceu na aprovação: de 40% a 43%. Ainda assim, fora da margem de erro da Quaest, o governo continua desaprovado pela maioria.

 

Trump incorreto para 63% dos brasileiros

Maioria mais folgada dos brasileiros é a que considera que Trump está equivocado quando fala que a relação comercial entre EUA e Brasil é injusta ao primeiro país. O que está incorreto para 63% dos brasileiros e correto para 25%, com 12% que não souberam ou quiseram opinar.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Contra o Brasil por Bolsonaro é errado para 72%

Maior ainda é o número de brasileiros que acha que Trump está errado ao impor sanções ao Brasil por conta de uma alegada perseguição a Bolsonaro. Isso está errado para a maioria expressiva de 72% dos brasileiros. Apenas 19% acham certo, enquanto 9% não opinaram.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ameaça de Trump é conhecida por 66%

Enviada a Lula no dia 9, a carta de Trump com a ameaça ao Brasil é conhecida por 66% dos brasileiros, maioria incomum a temas geopolíticos. Outros 33% disseram não saber e só 1% não opinou. Perguntados se o aumento de tarifas aos produtos brasileiros afetará sua vida, expressivos 79% disseram que sim, com apenas 17% dizendo que não e 4% que não opinaram.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Para 55%, Lula provocou Trump

Há maioria também nos 55% dos brasileiros que acham que Lula provocou Trump ao criticá-lo no encontro dos Brics. Outros 31% acham que o presidente do Brasil não provocou o dos EUA, com 14% que não opinaram. Mas, nesse embate, 44% acham que Lula e o PT estão fazendo o mais certo, contra 29% que acham que Bolsonaro e seus aliados fazem o certo.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

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Direita paga tributo de Trump: Lula lidera ao 1º e 2º turno

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Direita do Brasil já paga tarifa de Trump

Anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em carta endereçada a Lula (PT) no dia 9, por conta do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), a ameaça do tarifaço já se cumpriu no Brasil. E quem está pagando, na reação popular à ameaça estrangeira, é (confira aqui) a direita do país.

 

Só Tarcísio tem empate técnico com Lula

Se a eleição de 2026 fosse hoje, Lula provavelmente seria reeleito presidente. Na pesquisa Quaest, feita de 10 a 14 de julho, e revelada em duas partes, na quarta (16) e quinta (17), só o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP), teria um empate técnico de 37% a 41% com Lula no 2º turno. Assim mesmo, no limite da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Lula x Bolsonaro na espontânea

Apesar da maioria dos brasileiros desaprovar (confira aqui) seu governo (53%) e achar que Lula não deveria se candidatar à reeleição (58%), ele liderou todas as consultas eleitorais. Na consulta espontânea ao 1º turno, sem a apresentação dos nomes de candidatos, teria outro empate técnico no limite da margem de erro, por 15% a 11%, contra um Bolsonaro inelegível até 2030.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Lula bateria Bolsonaro, Michelle, Ratinho Jr. e Leite

Na Quaest de maio, além de Tarcísio, Bolsonaro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e os governadores do Paraná, Ratinho Jr. (PSD); e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD); também empatariam tecnicamente com Lula no 2º turno. O que mostra o estrago que a ameaça de tarifar o Brasil pelo presidente dos EUA, Donald Trump, causou à direita brasileira.

 

De maio a julho, Lula abre sobre adversários

Em maio, o 2º turno entre Lula e Tarcísio era 41% a 40%. Em julho, seria 41 a 37%. Contra Bolsonaro, era 41% a 41%. Hoje, seria Lula 43% a 37%. Contra Michelle, era 43% a 39%. Hoje, seria Lula 43% a 36%. Contra Ratinho Jr., era 40% a 38%. Hoje, seria Lula 41% a 36%. Contra Leite, a projeção de 2º turno era 40% a 36%. E, hoje, Lula o bateria por 41% a 36%.

 

Vantagem ainda maior no 1º turno

Se aproveitou a reação do povo brasileiro à ameaça de Trump, para se descolar de quase todos os possíveis adversários no 2º turno, Lula também tem vantagem ainda maior nas consultas estimuladas ao 1º turno. Na quais bateria Bolsonaro por 32% a 26%, Michelle por 30% a 19% e Tarcísio por 32% a 15%. A tarifa de Trump já está sendo paga pela direita brasileira.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista (I)

“A Quaest de julho mostra ampliação do apoio à reeleição de Lula, que venceria no 2º turno todos os demais candidatos, à exceção de Tarcísio, com quem empataria tecnicamente no limite da margem de erro de 2 pontos. Tarcísio, ao lado de Michelle, é o candidato favorito da direita”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

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Crônica: Bolsonaro, Trump, Lula, Machado e Nelson na mesa de bar

 

 

— E aí? Vamos começar por onde? — indagou Paulo Ernesto, copo de cerveja na mão, já sentado à mesa do boteco.

— Rapaz, é até difícil. Xandão usou Machado para atender ao pedido do MPF de colocar tornozeleira eletrônica em Bolsonaro: “A soberania nacional é a coisa mais bela do mundo, com a condição de ser soberania e de ser nacional”. Mas a realidade do Brasil supera qualquer ficção — disse Aníbal, após puxar a cadeira, sentar e emendar pedindo um copo ao garçom.

— É verdade. Podemos morrer de tudo no Brasil, menos de tédio. Com a ajuda de Trump, então, nem se fala.

— Antes da carta de Trump a Lula, ameaçando taxar os produtos do Brasil em 50%, por conta do julgamento de Bolsonaro, todas as pesquisas apontavam que o Lula 3 estava morto para 2026. Mas, como disse o Edmar Bacha, um dos pais do Plano Real: “Mais uma vez, Lula mostrou que nasceu com a bunda virada pra Lua”.

— É verdade. O nacionalismo brasileiro é uma força pacata, meio reprimida, nada xenófoba. Infelizmente precisamos de um bufão laranja para ver isso. É uma força obviamente para além de esquerda e da direita, que um lado ou outro, em momentos distintos, mobiliza melhor.

— Da mesma maneira que a esquerda entregou a bandeira do Brasil à direita, em 2018, a direita entregou a defesa do interesse do Brasil à esquerda em 2025. Apoiar a taxação de Trump, ou comemorar, como fez o beócio do Eduardo Bolsonaro, é de envergonhar até o vira-lata de Nelson Rodrigues.

— Verdade. Nunca foi o Brasil acima de tudo. Sempre foram os interesses pessoais de Bolsonaro acima de tudo.

— Pois é. Copiaram o lema “Deus, pátria e família” dos integralistas, os galinhas verdes nazifascistas do Brasil. Mas esqueceram de explicar: Deus é Trump, pátria é os EUA e a família é só a de Bolsonaro.

— Não sei como tanta gente foi entrar nessa. E olha que tem quem ainda busca relativizar.

— As pesquisas, felizmente, mostram que é cada vez menos gente. É mais ou menos como a torcida do Botafogo na Copa do Mundo de Clubes.

— Como assim?

— Último colocado entre os quatro times brasileiros no Mundial, o Botafogo torceu escancaradamente para o PSG na final, só para dizer depois que ganhou do campeão. E viu o Chelsea, amassado pelo Flamengo de virada na fase de grupos, dar um baile de bola no decantado “melhor time do mundo” — disse Aníbal, frisando as aspas com os dedos indicador e médio das mãos esquerda e direita.

— Fala, não. O Botafogo entrou na final torcendo para levar o forçoso título de “campeão moral”, que ficou com o Flamengo. Mas saiu como vice do vice — outorgou Pedro Ernesto, quase engasgando com o gole de cerveja sobre a gargalhada.

— Com a atuação de Palmer à la Rivaldo, canhoto, passadas largas, batida elegante e muita visão de jogo, o Chelsea fez com o PSG, e de tabela com o Botafogo, o que STF fez com Trump na tornozeleria de Bolsonaro. Nas palavras de outro capitão, o Nascimento: “Quem manda nessa porra aqui sou eu!”

— É o que o povo brasileiro está dizendo depois da ameaça de Trump.

— Exato. Na pesquisa Quaest de maio, Lula estava em empate técnico nas simulações de 2º turno com Bolsonaro, Tarcísio, Michelle, Ratinho Jr. e Eduardo Leite. Depois de Trump, na Quaest de julho, Lula ganharia de todos no 2º turno se a eleição fosse hoje. Só teria empate técnico com Tarcísio. Assim mesmo, no limite da margem de erro.

— Tarcísio queimou a largada. Foi muito mal. Primeiro, criticou Lula, mas não Moraes, como os bolsonaristas queriam. E depois tomou esporro público de Dudu Bananinha por tentar mediar um acordo sobre as tarifas. Que até agora não teve peito de criticar com veemência.

— É o efeito Canadá no Brasil. Quando Trump assumiu pela 2ª vez como presidente, em janeiro deste ano, os conservadores canadenses tinham 20 pontos de vantagem sobre os progressistas em todas as pesquisas.

— Aí Trump entra e, além de taxar o Canadá, ainda ameaça anexar o país vizinho. Que sempre foi seu aliado. Inclusive, nas praias da Normandia contra as casamatas nazistas, no Dia D da II Guerra Mundial. É na parte real que Spielberg não mostra na ficção “O resgate do soldado Ryan”.

— Como nós fomos aliados dos EUA contra os nazistas na neve dos Apeninos, na Itália da II Guerra. Enquanto Trump tem no currículo militar ter fugido de lutar na Guerra do Vietnã. E, no Canadá de hoje, erodiu a larga vantagem que os conservadores de lá tinham. Para eleger o progressista Mark Carney como primeiro-ministro do país no final de abril.

— Acha que a mesma coisa pode acontecer no Brasil?

— No Canadá, Trump ameaçou o país entre janeiro e fevereiro e a resposta na eleição foi em abril. No Brasil, ainda há mais de 1 ano e 2 meses para a eleição. Se fosse hoje, tenho pouca dúvida que Lula se reelegeria. Mas como é em outubro de 2026, há tempo para a onda de impacto bater na margem e retornar. Só o tempo e as pesquisas dirão.

— Com os Bolsonaro, Lula e o PT, o “Imponderável de Almeida”, primo do “Sobrenatural de Almeida” de Nelson, é presença quase obrigatória nos rumos do país.

— Concordo. Mas vou dizer mais: nessa história toda, Bolsonaro é só boi de piranha. O que Trump quer, na verdade, é atacar o STF para tentar defender os interesses das Big Techs contra a regulação das redes sociais.

— Pode ser.

— Para mim, é tão certo quanto Trump dizer que nunca foi amigo de Bolsonaro, no mesmo momento em que Bolsonaro se declara apaixonado por Trump — lembrou Aníbal, enquanto observava a vira-lata caramelo, magra e de tetas arriadas, que passava pela rua.

 

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Direita do Brasil paga tarifa de Trump e Lula abre nas pesquisas

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Apesar da maioria do eleitor brasileiro desaprovar (confira aqui) seu governo (53%) e achar que Lula (PT) não deveria se candidatar à reeleição (58%), o presidente continua liderando numericamente todas as consultas às urnas de 4 de outubro de 2026. Foi o que revelou a nova pesquisa Quaest divulgada na última quinta (17) e feita entre 10 e 14 de julho, com 2.004 eleitores brasileiros.

 

Só Tarcísio tem empate técnico com Lula 

Na margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, Lula lidera em empate técnico com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a consulta espontânea, sem apresentação dos nomes dos candidatos, por 15% a 11%. Já na estimulada ao 2º turno, só quem conseguiria um empate técnico com o petista é o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (REP), de 41% a 37%.

 

Lula bateria Bolsonaro, Michelle, Ratinho Jr. e Leite

Em maio, além de Tarcísio, Bolsonaro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e os governadores do Paraná, Ratinho Jr. (PSD); e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD); também empatariam tecnicamente com Lula no 2º turno. O que mostra o estrago que a ameaça de tarifar o Brasil pelo presidente dos EUA, Donald Trump, causou à direita brasileira.

 

De maio a julho, Lula abre sobre adversários

Em maio, o 2º turno entre Lula e Tarcísio era 41% a 40%. Em julho, seria 41 a 37%. Contra Bolsonaro, era 41% a 41%. Hoje, seria Lula 43% a 37%. Contra Michelle, era 43% a 39%. Hoje, seria Lula 43% a 36%. Contra Ratinho Jr., era 40% a 38%. Hoje, seria Lula 41% a 36%. Contra Leite, a projeção de 2º turno era 40% a 36%. E, hoje, Lula o bateria por 41% a 36%.

 

Direita do Brasil paga tarifa de Trump

Se aproveitou a reação do povo brasileiro à ameaça de Trump, para se descolar de quase todos os possíveis adversários no 2º turno, Lula também tem vantagem ainda maior nas consultas estimuladas ao 1º turno. Na quais bateria Bolsonaro por 32% a 26%, Michelle por 30% a 19% e Tarcísio por 32% a 15%. A tarifa de Trump já está sendo paga pela direita brasileira.

 

Análise do especialista

“A Quaest de julho mostra ampliação do apoio à reeleição de Lula, que venceria no 2º turno todos os demais candidatos, à exceção de Tarcísio, com quem empataria tecnicamente no limite da margem de erro de 2 pontos. Tarcísio, ao lado de Michelle, é o candidato favorito da direita”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

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Castro reergue pontes com Flávio e Valdemar em Brasília

 

Cláudio Castro foi a Brasília para reerguer suas pontes com o bolsonarimso, através do senador Flávio Bolsonaro, e com o PL, através do seu presidente nacional, Valdemar da Costa Neto (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Após ter o apoio eleitoral em 2026 retirado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por conta da exoneração de Washington Reis (MDB) da secretaria estadual de Transportes, o governador Cláudio Castro (PL) esteve ontem em Brasília. E se reuniu com o senador Flávio Bolsonaro (PL) e com o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto.

Castro e Flávio teriam afinado o discurso de que os candidatos do PL ao Senado e até ao Governo do Estado serão decididos só em 2026. O objetivo do atual governador é deixar o cargo até 4 de abril do próximo ano, para se candidatar a senador em outubro, em dobradinha com Flávio, que todas as pesquisas apontam como favorito à reeleição.

Tudo isso já estava aparentemente acertado. Até que, no dia 3, o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), como governador em exercício, exonerou do secretariado estadual o bolsonarista Washington, ex-prefeito e muito popular em Duque de Caxias. A decisão foi tomada sem avisar antes a Castro, que estava viajando.

Após se encontrar com Bacellar em Búzios no dia 4, para tentar remediar a crise, Flávio chegou a costurar com Castro a volta de Washington à pasta estadual dos Transportes. Mas, pressionado pelo presidente da Alerj e sua tropa de choque, o governador recuou. O que Jair teria encarado como traição e respondeu no dia 16:

— Não vou apoiar Cláudio Castro para o Senado, nem Bacellar para o governo. Pode avisar lá. Vou esperar as coisas acontecerem e decidir com calma o que vamos fazer no Rio em 2026.

Além de ter retirado seu apoio a Castro e Bacellar, Bolsonaro teria pedido ao PL para testar alternativas ao Senado em 2026, junto com o filho mais velho. As opções do ex-presidente seriam os deputados federais Sóstenes Cavalcante e Hélio Lopes.

Escanteado por Bolsonaro na sexta, Castro foi a Brasília na quarta, sem Bacellar, para tentar reerguer suas pontes com o PL, junto a Valdemar; e com os Bolsonaro, junto a Flávio. E teve aparente sucesso. Com o 01, teria acordado que a decisão do bolsonarismo sobre o RJ, berço do movimento político, só sairá em 2026.

Ao presidente nacional do PL, Castro disse que não deseja sair do partido. E ouviu que a recíproca é verdadeira. Neste sentido, Valdemar teria prometido ao governador achar uma solução que contemple todos os lados na eleição ao Senado no RJ, em 2026.

 

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Lula x Congresso: 51% sabem, mas 83% não viram vídeos do PT

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Além de Trump, a nova Quaest pesquisou o embate de Lula contra o Congresso, que derrubou seu decreto presidencial para aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Do qual a maioria mínima que ficou sabendo: 51% dos brasileiros. Dentro da margem de erro, é um empate técnico com os 48% que disseram não estar sabendo, com 1% que não soube opinar.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Não viram conteúdo contra Hugo Motta: 72%

Sobre o alvo preferencial do Lula 3, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (REP/PP), apenas 25% dos brasileiros chegaram a ver algum conteúdo crítico produzido contra ele. A grande maioria de 72% não viu, com 3% que não opinaram.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Não viram vídeos do PT contra o Congresso: 83%

Frutos da ação do misto de marqueteiro e ministro da Comunicação de Lula, Sidônio Palmeira, os vídeos do PT, usando Inteligência Artificial (IA) para atacar Motta e chegar a classificar o Congresso de “inimigo do povo”, também não foram vistos por uma maioria ainda maior: 83% dos eleitores. São apenas 17% os que viram, sem que ninguém tenha deixado de opinar.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Taxar mais os ricos e menos os pobres: 63%

Apesar do pouco conhecimento das iniciativas do governo na questão tributária, a pesquisa Quaest revelou que existe espaço para ser explorado pelo Lula 3 no tema junto ao eleitor. Perguntados se o governo deve aumentar imposto dos mais ricos para diminuir o dos mais pobres, 63% acham que sim. Uma minoria de 33% disse que não, com 4% que não opinaram.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Ricos contra pobres” não está certo para 53%

Nas campanhas publicitárias das suas investidas tributárias, o Lula 3 talvez tenha que pensar melhor na forma. A maioria de 53% acha que “o discurso que coloca ‘ricos contra pobres’ não está certo, porque cria mais briga e polarização no país”. A minoria de 38% acha que “está certo, porque chama a atenção para os privilégios de alguns”, com 9% que não opinaram.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Violência ainda é o maior problema do Brasil

Quanto à maior preocupação do eleitor sobre o Brasil, a violência continua liderando, mas oscilou para baixo de maio a julho: de 27% a 25%. Em 2º lugar, os problemas sociais oscilaram para cima no período, de 19% a 20%. E ficou em empate técnico com 3º) a economia, que oscilou para baixo, de 19% a 17%; e 4º) a corrupção, que cresceu de 13% a 16%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista

“Ainda no resultado da avaliação do governo Lula trazido pela Quaest de julho, em menor grau, cabe considerar o efeito positivo dos 63% que acreditam que o governo deve aumentar imposto dos mais ricos. Como diminuir a carga tributária sobre os mais pobres“, destacou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

 

 

 

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Trump ajuda o PT, mas maioria ainda desaprova o Lula 3

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O presidente Lula (PT) melhorou a aprovação ao seu governo após a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de taxar os produtos do Brasil em 50% por conta do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por tentativa de golpe de Estado, no Supremo Tribunal Federal (STF). Mas, mesmo assim, o Lula 3 segue desaprovado pela maioria dos brasileiros.

 

Lula 3: 53% desaprovam, 43% aprovam

Na nova pesquisa Quaest divulgada ontem (16) e feita de 10 a 14 de julho, após a ameaça de Trump ao Brasil no dia 9, o Lula 3 oscilou para baixo na desaprovação: de maio a julho, foi de 57% a 53%. E cresceu na aprovação: de 40% a 43%. Ainda assim, fora da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, o governo continua desaprovado pela maioria.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Trump incorreto para 63% dos brasileiros

Maioria mais folgada dos brasileiros é a que considera que Trump está equivocado quando fala que a relação comercial entre EUA e Brasil é injusta ao primeiro país. O que está incorreto para 63% dos brasileiros e correto para 25%, com 12% que não souberam ou quiseram opinar.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Contra o Brasil por Bolsonaro é errado para 72%

Maior ainda é o número de brasileiros que acha que Trump está errado ao impor sanções ao Brasil por conta de uma alegada perseguição a Bolsonaro. Isso está errado para a maioria expressiva de 72% dos brasileiros. Apenas 19% acham certo, enquanto 9% não opinaram.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Carta de Trump é conhecida por 66%

Enviada a Lula no dia 9, a carta de Trump com a ameaça ao Brasil é conhecida por 66% dos brasileiros, maioria incomum a temas geopolíticos. Outros 33% disseram não saber e só 1% não opinou. Perguntados se o aumento de tarifas aos produtos brasileiros afetará sua vida, expressivos 79% disseram que sim, com apenas 17% dizendo que não e 4% que não opinaram.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Para 55%, Lula provocou Trump

Há maioria também nos 55% dos brasileiros que acham que Lula provocou Trump ao criticá-lo no encontro dos Brics. Outros 31% acham que o presidente do Brasil não provocou o dos EUA, com 14% que não opinaram. Mas, nesse embate, 44% acham que Lula e o PT estão fazendo o mais certo, contra 29% que acham que Bolsonaro e seus aliados fazem o certo.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Felipe Nunes, cientista político e CEO da Quaest

Análise do especialista (I)

“Confronto com Trump ajuda governo Lula a recuperar popularidade: aprovação sai de 40% para 43% (+3) e desaprovação para de 57% para 53% (-4) entre maio e julho. Saldo negativo passa de 17 para 10 pontos”. Foi como resumiu a nova pesquisa Quaest o CEO do instituto, o cientista político Felipe Nunes.

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista (II)

“A Quaest captou o efeito da carta de Trump a Lula (conhecida por 66% dos brasileiros) e sua elevação de tarifa aos produtos brasileiros nos EUA (prejudiciais para 79%). Entre os eleitores, 44% também consideraram Lula e o PT o lado mais certo no embate com Trump”, destacou William Campos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

 

 

 

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