“O PSDB terá candidato próprio à sucessão de Rosinha”

Se os pré-candidatos do PR defendem a necessidade do partido ter nome próprio à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), o líder esta na Câmara de Campos, vereador Mauro Silva (PSDB), não se faz de rogado: “O PSDB terá candidatura própria”. Para tanto, ele conta com o apoio do senador Aécio Neves, hoje favorito numa disputa presidencial, segundo as pesquisas. Na defesa do governo municipal, Mauro elege nova prioridade ao próximo: gerar e agregar valor ao emprego.

 

Senador Aécio Neves aposta em Mauro Silva como candidato do PSDB à Prefeitura de Campos (foto: divulgação)
Senador Aécio Neves aposta em Mauro Silva como candidato do PSDB à Prefeitura de Campos (foto: divulgação)

 

Duas candidaturas governistas – Não sei se é a melhor estratégia. O importante é sair com a base unida. A coisa pública tem que estar acima das vaidades pessoais. O ideal seria chegarmos a um consenso. Particularmente, acho que duas chapas dividiriam o apoio. O importante é manter a unidade para o grupo não perder sua força.

Candidatura própria do PR – O PR vai ter candidatura própria. O PSDB vai ter candidatura própria. Mas seria bom que chegássemos ao consenso, para atravessar esta crise na qual estamos vivendo.

Ninho tucano – A orientação nacional é que em todos os municípios com mais de 200 mil habitantes, o partido tenha candidatura própria a prefeito. Diante de tudo que se vê no Brasil sob comando do PT e PMDB, o PSDB tem que se colocar em todo o país como opção.

Vir de vice – É uma questão partidária. Se a orientação do partido é que tenha candidato, a princípio não há que se cogitar vir como vice. Mas a política é muito dinâmica. Se for entendimento da executiva estadual, não tenho vaidade. O que for melhor para Campos é melhor para mim. Mas reafirmo que a orientação do partido é ter candidato próprio.

Soldado de Aécio ou Garotinho? – Soldado do povo de Campos, soldado de uma causa: fazer da cidade um lugar ainda melhor. Fez-se muito, mas precisamos avançar. O quadro hoje é diferente. Rosinha fez 18 Bairros Legais, entregou mais de 6,5 mil casas populares e construiu uma grande rede de proteção social. Agora, nós precisamos gerar emprego, trabalhar a questão do desenvolvimento sustentado, estimular as parcerias público-privadas, aproveitar nossas universidades e investir na criação de emprego com valor agregado. Através de incentivo à indústria de software, do mercado cultural, podemos elevar o nível do emprego no município.

Município falido – De forma alguma! O município enfrenta dificuldades como todos os outros que dependem dos royalties do petróleo. O momento é de ajuste, enxugar a máquina pública e rever prioridades.

Desperdício dos royalties – Nós certamente sentimos a queda dos royalties. E todos sabíamos ser um recurso finito. Mas ninguém esperava uma queda tão abrupta no preço do barril de petróleo em tão curto espaço de tempo. Você pega Campos, Macaé, Rio das Ostras e vários outros municípios produtores, e vai ver que todos sentiram demais a crise no setor. Mas não acho que entregar 6,5 mil casas populares e 18 Bairros Legais seja desperdício dos royalties.

Fogo amigo – A frase é do (jornalista) Joelmir Beting: “Não me preocupo com o que vem pela frente, me preocupo com o que vem por trás”. Mas prefiro não acreditar em fogo amigo. Acredito que aquilo que você deseja ao outro, recebe em dobro. Desejo que todos sejam leais na disputa.

Fogueira das vaidades – É do ser humano. O grande exercício para todos nós é olhar todo dia diante do espelho e dizer: “Estou, não sou”. A vida é muito efêmera. E o momento exige que nos dispamos de todas as vaidades e busquemos um consenso no que for melhor para Campos, para a população, para melhorar nossa qualidade de vida.

Oposição – Tenho profundo respeito pela oposição, mas acho que, em Campos, ela sempre prega o quanto pior, melhor. Cobro uma oposição responsável, que possa fazer críticas construtivas, não transformar os temas de interesse da cidade num palanque político. Entendo que é preciso elevar o nível do debate. A grande disputa tem que ser no campo das ideias.

Líder do governo – Acho que ser líder do governo foi muito importante para ressaltar os avanços do governo Rosinha. Tivemos mais acertos do que erros. Tem sido uma experiência salutar, que me fez crescer e conhecer ainda mais a administração pública.

 

 

Página 3 da edição de hoje (03/03) da Folha
Página 3 da edição de hoje (03/03) da Folha

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

Atualização às 11h45: Por erro meu, na segunda citação do número de casas populares entregues por Rosinha, saiu publicado 1,5 mil unidades na versão impressa da entrevista. O correto é o número da primeira citação: 6,5 mil. Ademais, ao final da entrevista, numa resposta de Mauro enquanto líder do governo Rosinha, saiu na versão impressa: “Tivemos mais erros do que acertos”. Na verdade, por óbvio, foi dito o contrário, como consta acima. Em ambos os casos, quem errou mais que acertou foi o entrevistador, não o entrevistado ou o governo que representa. Pelos dois erros, nossas desculpas a Mauro, à administração Rosinha e, sobretudo, a você, leitor.

 

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Mauro Silva: O PR vai ter candidato próprio a prefeito. O PSDB também!

Senador Aécio Neves aposta em Mauro Silva como candidato do PSDB à Prefeitura de Campos (foto: divulgação)
Senador Aécio Neves aposta no vereador Mauro Silva como candidato do PSDB à Prefeitura de Campos (foto: divulgação)

 

 

“O PR vai ter candidato próprio (a prefeito de Campos). O PSDB vai ter candidato próprio”.

“O momento é de ajuste, enxugar a máquina pública e rever prioridades”.

“Não acho que entregar 6,5 mil casas populares e 18 Bairros Legais seja desperdício dos royalties”.

 

Conhecido pela polidez, o líder governista na Câmara de Campos, vereador Mauro Silva (PSDB) foi firme na assertiva: “O PSDB terá candidato a prefeito de Campos”. Se parece resposta à declaração (aqui) do secretário municipal de Desenvolvimento Humano e também pré-candidato governista a prefeito, Thiago Ferrugem — “O PR terá candidatura própria à sucessão de Rosinha” —, a verdade é que Mauro saiu na frente na disputa interna por uma das duas candidaturas que os rosáceos pretendem apresentar à Prefeitura de Campos. Com endosso do próprio senador Aécio Neves à sua entrada no PSDB (aqui), hoje o vereador parece ser o único governista com vaga certa na disputa à sucessão de Rosinha Garotinho (PR). A íntegra da sua entrevista, você poderá conferir amanhã, na Folha.

 

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“O PR terá um candidato próprio à sucessão de Rosinha”

Se muito se fala em renovação na oposição, o discurso também tem eco no governo. Considerando representante do grupo de Wladimir Garotinho (PR), Thiago Ferrugem (PR) assume sua pré-candidatura à sucessão de Rosinha Garotinho (PR), na qual pretende aliar a juventude dos 29 anos à experiência no comando de duas pastas importantes da prefeita. Ele admite o fogo amigo entre os rosáceos,  contesta que o município esteja falido e aposta numa certeza: o PR terá candidato próprio a prefeito.

 

Secretário de Desenvolvimento Humano e Social de Rosinha e pré-candidato a prefeito pelo PR, Thiago Ferrugem (Rodrigo Silveira - Folha da Manhã)
Secretário de Desenvolvimento Humano e Social de Rosinha e pré-candidato a prefeito pelo PR, Thiago Ferrugem (Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

Pré-candidatura – Me coloco à disposição do partido. Trago na bagagem mais de três anos de experiência administrativa, dois anos e meio na Fundação da Infância e Juventude, mais os oito meses em que estou à frente da secretaria de Desenvolvimento Humano e Social. Ganhei gordura para demonstrar minha capacidade de gestão. Plantamos e colhemos vários avanços. Na Fundação, pensava naqueles em idade escolar. No Desenvolvimento, trabalhei muitas vezes para quem ainda nem teve chance estar na escola. Estou preparado para assumir a Prefeitura em 1º de janeiro de 2017 para ajudar a tirar o município desta crise pela qual o Brasil está passando.

Duas chapas governistas – É uma possibilidade, mas nada está definido. Certeza, agora, só uma: o PR terá candidatura própria à sucessão de Rosinha. Tem que ter. É o maior partido da cidade.

Vir como vice – Política é, antes de tudo, a arte do diálogo. O mais importante não meu nome, é o projeto. Em nome dele, não posso dizer que não vou discutir qualquer opção. Não fecho nenhuma porta. Diálogo é a base de tudo.

Município falido – O país está numa crise muito grande e Campos não é uma ilha. Mas o município não está falido. Quem está falido, não paga servidor. Quem está falido, não mantém programas sociais. Comparando com outros municípios produtores de petróleo, Campos está melhor, graças à política austera do governo Rosinha.

Oposição – Não deposito na oposição muito tempo de reflexão. Ela não é propositiva, se debruça sobre o berço esplêndido das reclamações, muitas vezes falsas e mentirosas. Nunca recebi um vereador de oposição pré-candidato a prefeito, como é o caso de Rafael Diniz (PPS) e Nildo Cardoso (PSD), nem na Fundação, nem no Desenvolvimento, para propor qualquer ação em defesa da população de Campos, ou fazer um pedido de informação. São só reclamações. Oposição e governo precisam do diálogo para superar a crise, mas não é possível avançar com que não dialoga, com quem se alimenta do critério do quanto pior, melhor. Não posso perder tempo com quem não é propositivo.

“Independentes” – Entre os que se consideram independentes, soube pela mídia que os vereadores Alexandre Tadeu (PRB) e Gil Vianna (PSB) têm pré-candidaturas a prefeito. Se forem de fato candidatos e se comportarem como da oposição, assim encararemos. Mas a eleição de Campos não pode ser raivosa, tem que ser propositiva. Não podemos terminar a eleição com a cidade rachada.

Renovação governista – As pessoas associam muito renovação política com idade. Previsamos renovar ideias. O mundo em que vivemos é muito dinâmico, globalizado pela informação. Meu trabalho será em defesa dos meus princípios, buscando diálogo. Venho da militância estudantil. Quando mais jovem, era mais incisivo. Mas agora, aos 29 anos e com alguns cabelos brancos, amadureci o suficiente para saber que não sou proprietário da verdade. Lutarei para que a disputa eleitoral seja propositiva, não de esquartejamento.

Candidato de Wladimir – Espero ser. Vamos conversar esta semana sobre a eleição, na qual ele será muito importante. Estou pedindo para que ele me dê esse apoio. Até por questão de perfil, sempre estivemos muito próximos, sobretudo quando se fala em renovação. Na campanha de Bruno Dauaire (PR) a deputado estadual (em 2014), que tem o perfil também semelhante ao nosso, eu fui o único que caminhei junto com eles, entre os agora pré-candidatos governistas a prefeito. Acho que é natural que o mesmo aconteça agora.

Fogo amigo – Fogo amigo acontece, faz parte do jogo. Mas, como diz meu amigo Geraldo Venâncio (secretário de Saúde): muitas vezes é o fogo do inimigo travestido de amigo.

 

 

Página 2 da edição de hoje (01/03) da Folha
Página 2 da edição de hoje (01/03) da Folha

 

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Fogueira de vaidades? Após Ferrugem, Edson e Auxiliadora a prefeito

Aqui, às 22h21 da noite de ontem, o blogueiro Ralfe Reis foi o primeiro a divulgar a confirmação oficial do lançamento da pré candidatura de Edson Batista (PTB), presidente da Câmara Municipal, à Prefeitura de Campos.

 

 

Edson Batista - Ralfe Reis

 

 

Aqui, à 0h08 de hoje, o jornalista Alexandre Bastos repercutiu a informação. E a complementou dando conta da pré-candidatura também da vereadora Auxiliadora Freitas (PHS).

 

 

Bastos 3

 

 

Os dois anúncios se deram apenas algumas horas depois do secretário de Desenvolvimento Humano e Social de Rosinha, Thiago Ferrugem (PR), ter se lançado aqui à sucessão da prefeita.

 

 

Ferrugem

 

 

Moral da história? Quem disse que a fogueira de vaidades arde apenas na oposição de Campos?

 

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Thiago Ferrugem: O PR terá candidato próprio à sucessão de Rosinha

Thiago Ferrugem (Rodrigo Silveira - Folha da Manhã)
Thiago Ferrugem (Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

“O PR terá candidatura própria à sucessão de Rosinha. Tem que ter. É o maior partido da cidade”.

“O município de Campos não está falido. Quem está falido não paga servidor, não mantém programas sociais”.

“Fogo amigo acontece, faz parte do jogo. Mas muitas vezes é o fogo do inimigo travestido de amigo”.

 

Sem contornar assuntos polêmicos, sobre governo ou a oposição, Thiago Ferrugem assume sua pré-candidatura à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), de quem é secretário de Desenvolvimento Humano e Social, após ter comandado a Fundação da Infância e Juventude. Jovem, aos 29 anos, ele aposta na renovação, mas também na experiência acumulada nas duas pastas, para “assumir a Prefeitura em 1º de janeiro de 2017 e ajudar o município a sair desta crise que o Brasil está vivendo”. Para saber como e por que, confira a íntegra da entrevista amanhã, na edição da Folha.

 

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Artigo do domingo — Sucessão de Rosinha numa dúzia

dúzia de rosas

 

 

Para quem retornasse a Campos, alienígena da sua realidade no último mês, algumas parecem ser as perguntas cujas respostas terão papel fundamental na sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR). Diante da única certeza de uma eleição em dois turnos, as questões vêm numa dúzia:

1 – Sem a capacidade oligárquica para aglutinar de alguém da família Garotinho, como o candidato governista conterá a deserção dos preteridos no dia seguinte à sua escolha? Será um candidato? Serão dois? E os que não forem?

2 – Dada sua imensa rejeição entre os campistas, Garotinho (PR) vai conseguir não aparecer na campanha para não prejudicar seu(s) candidato(s), como fez em 2008 para que Rosinha (PR) pudesse vencer? E se ele mesmo vier candidato a vereador?

3 – Também a exemplo de 2008, quem será o Paulo Feijó (atual PR) no papel de candidato de apoio à principal candidatura governista, para fazer o trabalho sujo de desconstrução? Virá do governo ou da oposição?

4 – Filiado ao PSDB pelo senador Aécio Neves, o vereador Mauro Silva saiu na frente? O PR tem como não lançar candidato próprio? Garotinho pode preterir o vice-prefeito Chicão Oliveira (atual PP) e depois se explicar com a ex-deputada Alcione Athayde?

5 – O deputado estadual Geraldo Pudim (atual PMDB) conseguirá convencer alguém que não é um Cavalo de Tróia? Ex-aliado de Garotinho (PR), como seu atual padrinho, Jorge Picciani (PMDB), o que os impediria os três de voltarem a ser? E de ainda serem?

6 – Ainda sobre Picciani, quais nominatas já montadas ele irá simplesmente se apossar, de cima pra baixo, visando dar consistência à candidatura de Pudim? Os “possuídos” aceitarão ou exorcizarão a si da nova composição majoritária?

7 – Se o PT nacional e/ou estadual não aceitar(em) o apoio do diretório municipal ao vereador Rafael Diniz (PPS), como e onde caminharão os petistas de Campos, entre eles o vereador Marcão? O quanto Rafael sangraria sem o tempo de propaganda do PT?

8 – E em relação a Arnaldo e Caio Vianna (ambos do PDT)? O ex-prefeito vai concorrer outra vez inelegível ou apoiar o filho? Na primeira opção, qual legenda: PDT ou PEN? Na segunda, Arnaldo conseguiria transferir seus votos a Caio? Hoje, ele quereria isso?

9 – Antes disputado na oposição, o apoio do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), que se elegeu batendo Marcello Crivella (atual PSB) com Garotinho em cinco das sete zonas eleitorais de Campos, hoje dá ou tira votos dentro do município?

10 – Fortalecidos pelos movimentos desta semana, os vereadores Alexandre Tadeu (PRB) e Gil Vianna (PSB) voltaram ao jogo. Mas vão até o fim? E o deputado João Peixoto (PSDC), o vereador Nildo Cardoso (PSD) e o ex Rogério Matoso (PMB)?

11 – Com um governo estadual que parcela 13º do servidor, e o governo federal zumbi de Dilma Rousseff (PT), de onde virá o aporte financeiro à oposição? Quais compromissos serão firmados para consegui-lo? É possível fazê-los e mudar a maneira de governar?

12 – A fogueira de vaidades da oposição, sempre muito mais ardente para si do que ao eleitor, não queimará ainda no primeiro turno as pontes necessárias para se vencer no segundo?

 

Publicado hoje na Folha e baseado em postagem anterior, feita aqui

 

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Desperdício dos royalties em Campos e região é capa do Globo

Desperdício dos royalties do petróleo na capa de hoje de O Globo (reprodução)

 

Por Bruno Rosa

CAMPOS DOS GOYTACAZES, MACAÉ, QUISSAMÃ e RIO DAS OSTRAS – A exemplo do Estado do Rio de Janeiro — que não soube aproveitar a herança gerada pelos recursos oriundos do petróleo —, as cidades do Norte Fluminense vêm sofrendo com a pouca diversificação de suas economias e, hoje, têm de lidar com pesados cortes no orçamento. Dilemas realçados pelo legado de maus investimentos feitos nos últimos quinze anos, definidos por um prefeito da região como “ufanistas”. Em 1999, logo após a abertura do setor de petróleo, os municípios do Estado do Rio receberam R$ 222,7 milhões em royalties e participações especiais. O número saltou quase 2.000% e, em 2014, chegou a R$ 4,654 bilhões, em valores correntes. Com a queda do preço do petróleo no mercado internacional e a crise da Petrobras, a farra dos royalties perde fôlego. No ano passado, a arrecadação caiu 35% para R$ 3,022 bilhões, segundo dados da InfoRoayalties, com base na Agência Nacional do Petróleo (ANP).

 

Elefante da Cidade da Criança, a “Disney de Campos”, um dos elefantes brancos do governo Rosinha, ilustra a matéria (reprodução)
Elefante da Cidade da Criança, a “Disney de Campos”, um dos elefantes brancos do governo Rosinha, ilustra a matéria (reprodução)

 

Com menos recursos em caixa, ainda prevalecem sinais dos tempos de gastança, como a recém-inaugurada Cidade da Criança em Campos dos Goytacazes, chamada na região de “a Disney de Campos”. O empreendimento poderá um dia se juntar à famosa e polêmica calçada de porcelanato em Rio das Ostras e ao parque recreativo de Macaé. Hoje, o retrato da crise se faz presente nos dois projetos, inaugurados há mais de dez anos: o abandono.

Só quem chega na Praça Alzira Vargas, no centro de Campos, entende a dimensão do novo parque, que consumiu investimentos de cerca de R$ 17 milhões da prefeitura e começou a ser desenvolvido há cinco anos. O parque ocupa um quarteirão inteiro. São prédios coloridos, com muitos animais na decoração — como estátuas de elefante e urso panda —, assentos no formato de cachorro-quente e maçã, cascata de água e piso que absorve o impacto para as crianças não se machucarem. Desde que foi inaugurado, o horário de funcionamento está em ritmo de soft opening: das 18h às 22h. Em operação desde dezembro, o empreendimento divide a opinião de moradores.

— Dá uma dinâmica para a região — afirma a estudante Thais Ferreira, de 26 anos. — Mas a educação básica aqui é precária. O transporte também é ruim para as áreas mais afastadas — pondera.

José Novaes Alvez, de 72 anos, mora próximo do parque e diz não entender o projeto:

— O dinheiro dos royalties não está sendo bem aplicado. O Sambódromo é outro exemplo. A gente nem carnaval tem mais. O saneamento básico, por exemplo, é nota zero.

Com 76 funcionários, o parque não é gratuito para maiores de 13 anos. O preço do bilhete vai de R$ 2,50 a R$ 5. A “taxa simbólica”, segundo Wainer Teixeira de Castro, presidente da Companhia de Desenvolvimento de Campos(Codemca), tem o objetivo de tornar o parque um empreendimento sustentável financeiramente até o fim do ano. Castro afirma que reage às críticas com naturalidade. Segundo ele, o parque tem “missão pedagógica”, pois terá dois salões que serão usados por alunos da rede pública.

— Isso vai trazer um enriquecimento curricular. Mas as críticas fazem parte da cidadania. O projeto nasceu em 2011, quando não tinha crise de royalties. Talvez, se fosse hoje, a decisão seria outra. Quem vem aqui fica apaixonado — diz ele, lembrando que em média o parque recebe mil pessoas por dia, sendo que a capacidade do empreendimento é para dois mil visitantes.

Para especialistas, a cidade poderia ter destinado os R$ 17 milhões a investimentos em setores prioritários, como saúde e saneamento. Para Renato Cesar Siqueira, da ONG Observatório de Controle do Setor Público, o espaço é um mau exemplo de uso do dinheiro público. Ele cita outros empreendimentos, como o Sambódromo e o Palácio da Cultura, em reforma há anos:

— Foi um gasto desnecessário. A cidade tem necessidades fundamentais, como melhorar a infraestrutura, o transporte público. Os municípios foram irresponsáveis com o uso dos recursos. Ficaram escravizadas pelos royalties.

 

Leia a íntegra da matéria aqui

 

Atualização às 10h58: O primeiro a reproduzir a matéria de O Globo na blogosfera goitacá, aqui, foi o jornalista Ricardo André Vasconcelos. Na Folha Online, o primeiro a segui-lo, aqui, foi o jornalista Alexandre Bastos.

 

Atualização às 20h51: Secretário de Governo de Rosinha, Anthony Garotinho respondeu aqui à matéria de O Globo.

 

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Oposição oferta vitória ao “pior governo de Campos dos últimos 100 anos”

Carlos Alexandre de Azevedo Campos tem se firmado como um dos melhores advogados tributaristas não só da Campos que leva no nome, mas do Estado do Rio. Foi nesta condição que atuou como assessor do ministro Marco Aurélio de Mello, no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, antes de retornar à cidade e fazer uma constatação aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, na noite de ontem, que parece óbvia a todos os que desejam mudanças nos rumos do município, menos àqueles da oposição que se apresentam para liderá-las:

 

Carlos Alexandre

 

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“Governo Rosinha é o primeiro na história a falir Campos”

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

A amizade assumida com Wladimir Garotinho (PR) não impede Rogério Matoso de afirmar publicamente uma opinião corrente: o governo Rosinha (PR) faliu Campos. O ex-vereador e pré-candidato a prefeito pelo PMB cobra essa mesma independência da oposição, ao argumentar que esta critica a administração municipal, mas silencia diante aos governos estadual e federal, que considera tão ruins quanto. Ao admitir a fogueira de vaidades na oposição da qual faz parte, ele se diz aberto ao diálogo, desde que este não se dê com “muita boca e pouco ouvido”.

 

Ex-presidente da Câmara e pré-candidato a prefeito Rogério Matoso (foto: Folha da Manhã)
Ex-presidente da Câmara e pré-candidato a prefeito Rogério Matoso (foto: Folha da Manhã)

 

Governo Rosinha — Um governo falido! Entrará para a história por ser o primeiro governo a decretar a falência econômica do município; a dizer que está quebrado. Caótico!

Saúde Pública — Péssima! Ainda falta convocar gente do PSF (Plano de Saúde da Família), do concurso de 2008 feito pelo então prefeito Mocaiber. Rosinha barrigou em seus primeiros anos de governo, até que Nahim (DEM), como prefeito interino, e eu, como presidente da Câmara, o aprovamos em 2012. Faz muita falta, sobretudo na prevenção de doenças. Hoje, falta prioridade, Enquanto temos o Cepop, o Hospital da Baixada (São José) nunca termina as obras. Agora, chegamos ao absurdo dos prestadores de serviço do HGG, gente que vive do seu salário, terem que fazer vaquinha para comprar ar condicionado para a pediatria do hospital.

Candidato do governo — Não consigo identificar ninguém. Se vai ter um, se vai ter dois, ainda não apareceu nenhum. Talvez seja uma mula sem cabeça. Quando se fala em Chicão (PP) ou Paulo Hirano (PP), temos que lembrar que foram eles que estiveram à frente da Saúde da qual estávamos falando há pouco. Mauro é um sujeito bom, mas está sem partido (se filiou ontem, horas após a entrevista, ao PSDB). As questões têm que ser bem definidas.

Oposição — Tem seu papel. Mas quando a gente vê também um governo estadual no qual a educação não funciona, com a Escola Agrícola (Antônio Sarlo) parada, o Liceu parado; com problemas para pagar bombeiros, PMs e professores; e você não vê uma oposição com independência para reivindicar ao governador em nome da população, temos que questionar que papel é esse. A própria venda do futuro por Rosinha e Garotinho (PR), que foi ostensivamente criticada pela oposição, não mereceu nenhuma palavra quando feita por Pezão (PMDB). E o governo de Dilma? Prometeu em campanha que não ia mexer na conta de luz com a qual sangra tomo mês o cidadão, o comércio. Aparelharam o Estado para controlar de forma ditatorial o Brasil. E roubalheira generalizada na Petrobras, que afeta diretamente o coração de Campos? Os governos estadual e federal são tão ruins quanto o de Rosinha. A crítica não pode ser seletiva.

Governista travestido de oposição — É um papel horrível. Mas eu não vou ficar pautando minha atuação em relação ao adversário. Acho que a gente tem que ser coerente na crítica, sem ser seletivo. A liberdade de expressão tem que ser exercida com independência.

Amizade com Wladimir — Sempre foi meu amigo, mas nunca caminhei com ele politicamente. Acho que temos que falar de projetos, não de pessoas. Consigo respeitar a amizade, mesmo quando tenho opiniões divergentes. O governo da mãe dele é muito ruim. Campos precisa ir mais longe. Mas nossa batalha se dá nas ideias, não entre pessoas.

Diálogo — Na hora certa, vai acontecer. A oposição ainda tem que conversar muito. Não me nego a conversar com quem mais está na oposição. A gente só não pode achar que vai se unir em torno de um adversário comum. Temos que ser mais.

Fogueira de vaidades — Existe! A gente tem que falar o que realmente acontece. Para debelar suas chamas, temos que ter equilíbrio, nos reunindo em torno de um plano, de maneira coerente. Estou aí para conversar, mas desde que esteja todo mundo de guarda baixa. O que não pode é ser muita boca e pouco ouvido.

 

 

 

´Página 3 da edição de hoje (26/02) da Folha
´Página 3 da edição de hoje (26/02) da Folha

 

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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