Feijó pode assumir PSD de Nildo para apoiar Mauro

Por Aluysio Abreu Barbosa e Alexandre Bastos
Líder da oposição na Câmara Municipal e pré-candidato a prefeito de Campos pelo PSD, Nildo Cardoso é um dos críticos mais contundentes do governo Rosinha Garotinho (PR). Ontem, em entrevista publicada (aqui) na Folha, ele tornou pública não só a versão corrente de que quem manda de fato na Prefeitura é o secretário de Governo e marido da prefeita, Anthony Garotinho (PR), como denunciou que a má gestão do casal provocou um rombo de mais de R$ 1 bilhão nos cofres públicos do município. Pois, mesmo assim, Nildo corre o risco de ver seu partido integrar o bloco garotista. O deputado federal Paulo Feijó (atual PR) admitiu as articulações neste sentido:
— Isso não vazou por mim. Só estou falando porque fui questionado. A verdade é que já conversei sobre isso com o Índio da Costa (deputado federal e presidente estadual do PSD), o Alexandre Cardoso (PSD, prefeito de Duque de Caxias), o André Corrêa (PSD, secretário estadual de Ambiente), o ministro (das Cidades) Gilberto Kassab (presidente nacional licenciado do PSD) e o próprio Garotinho. Mas ainda não decidi. Até o dia 18, quando se fecha a janela para troca de legenda, tomarei minha decisão. Mas sou governo (Rosinha) e se eu assumir mesmo o partido, a tendência é seguir nessa linha.
Feijó também se lembrou dos problemas passados com Nildo (ver box) e disse que, se decidir assumir em Campos o partido do vereador, também vai conversar com ele. Além de enfraquecer a oposição, nas pretensões do seu líder em se candidatar à sucessão de Rosinha, o movimento visaria fortalecer outro líder, mas da situação: o também vereador e pré-candidato garotista a prefeito Mauro Silva, que se mudou recentemente para o PSDB com o aval do senador Aécio Neves (PSDB/MG).
Embora diga que o apoio a Mauro seria algo a ser decidido “num segundo momento”, o deputado não negou que já venha ajudando o líder de Rosinha na Câmara Municipal. Principal nome dos tucanos durante anos, em Campos e na região, Feijó garantiu:
— Se Mauro está hoje no PSDB, é graças ao meu trabalho de articulação. Tive três mandatos de deputado federal pelo partido, nos quais ganhei o respeito das suas lideranças nacionais.

Há oito anos, vereador ficou sem mandato
Há oito anos, durante as articulações visando o pleito de 2008, o então vereador Nildo Cardoso, que estava filiado ao PSDB, levou uma “rasteira” e não teve legenda para disputar a reeleição. Na época, a manobra também foi articulada por Paulo Feijó, que virou o jogo dentro do ninho tucano e deixou três vereadores dolosamente fora da disputa: Nildo, Álvaro César e Ailton Tavares.
O grupo ligado aos vereadores defendia uma aliança com o PDT de Arnaldo Vianna, mas Feijó articulou por cima, tomou conta do partido e lançou candidatura própria, em parceria com PHS e DEM. Feijó obteve apenas 3.686 votos e sua candidatura foi apontada como linha auxiliar dos rosáceos.
Os vereadores ainda tentaram reverter na Justiça, mas prevaleceu a articulação de Feijó. Para suspender os registros, o PSDB argumentou que já teria esgotado o número máximo de inscritos possíveis na coligação.

Publicado hoje (11/03) na Folha da Manhã




















