Artigo do domingo — Futebol e nacionalidades

 

 

Era a noite de 25 de outubro de 1995. Jogo duro entre Grêmio e o argentino River Plate, no Olímpico, em Porto Alegre, menos próximo ao Guaíba do que o, por óbvio, Beira Rio do Internacional. Com a vista do Paraíba do Sul pela janela do apartamento, pai e filho assistiam ao jogo pela TV, juntos e com mais ninguém.

A tradição de há séculos, na verdade, tinha se formado no ano anterior, onde os dois assistiram a quase todos os jogos da Copa de 1994, nos EUA. Então, aos 22 anos, o filho vira o Brasil campeão do mundo pela primeira vez. Por sua vez, o pai dava fim a um hiato de 24 anos, desde que acompanhara pela TV o Tri no México, após ouvir pelo rádio o Bi de 1958 e 1962.

Mas o jogo que agora assistiam era válido pelas quartas de final Supercopa da Libertadores, entre clubes, não mais entre seleções nacionais. Pelo menos era o que o filho pensava durante quase todo aquele primeiro tempo, caminhando com a vitória parcial de 1 a 0 do Grêmio treinado pelo então promissor Luiz Felipe Scolari, num gol do centroavante Jardel, aos 43 minutos. Já nos descontos da etapa inicial, aos 46, numa falta a favor do River, à média distância, do lado esquerdo, a bola foi ajeitada com carinho pelo uruguaio Enzo Francescoli, camisa 10 e craque do time argentino.

Exímio cobrador, El Príncipe — como o meia atacante era conhecido por seu estilo clássico e elegante — bateu de direita para meter a bola no seu ângulo esquerdo. Enquanto o goleiro gremista Danrlei ainda procurava saber o que tinha acontecido, após pousar no chão do seu voo ao nada, o filho pulou do sofá e vibrou com a belíssima cobrança de falta, como se o gol fôra do seu próprio time. O pai, contrariado pela manifestação inesperada, protestou com veemência: “Porra, você está torcendo por time argentino contra time brasileiro?”

Por respeito e ainda sem racionalizar sua própria reação com o golaço de Francescoli, o filho nada respondeu. Calou e assistiu com o pai ao Grêmio marcar mais um gol, com Carlos Miguel, aos 14 do segundo tempo, para vencer por 2 a 1 aquele partida de vinda, da série de duas contra o River.

Passado menos de um mês, reunidos no mesmo quarto, diante da mesma TV, com o mesmo Paraíba correndo à vista da janela, as atenções de pai e filho confluíam agora ao Monumental de Nuñez, próximo ao rio da Prata que corta Buenos Aires, numa noite fria de 1º de novembro daquele mesmo ano da Graça de 1995. Foi quando, no jogo de ida, Francescoli marcou dois gols, incluindo o último, da vitória do River de 3 a 2 sobre o Grêmio, levando à disputa de pênaltis vencida pelo time argentino por 4 a 2.

Sem vibrar dessa vez com nenhum dos gols do craque uruguaio, o filho armazenou cada emoção para depois do jogo, sozinho em seu próprio quatro, tentar colocar em palavras o que sentira. Na manhã seguinte, entregou ao pai o papel com os versos:

 

el príncipe

(p/ enzo francescoli)

 

torcer contra time brasileiro

pelo uruguaio

como nome italiano

que joga no time argentino

por se gostar mais de futebol

do que de nacionalidades

embora seja o pai bairrista

e não goste muito

 

campos, 01/11/95

 

O pai leu e sorriu para dentro de si, como costumava fazer. Até que morresse, sem chegar a tempo da recém-encerrada Copa do Mundo, ele o filho não deixariam de ver um jogo importante juntos. E, pelo menos por conta de futebol, nunca voltaram a se desentender. Nem mesmo nos Fla-Flus.

Num documentário sobre sua obra como compositor e fanatismo enquanto boleiro, Chico Buarque afirmou: “Eu gosto mais de futebol do que do Fluminense”. Com pai e filho mais uma vez assistindo juntos, o segundo não deixou a bola passar e emendou de prima: “Pois eu gosto MUITO mais de futebol do que do Flamengo ou da Seleção Brasileira”. O pai tricolor, que hoje faria 78 anos, endossou em corta-luz a tabela.

 

Publicado hoje na edição impressa da Folha

 

 

 

 

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O que se pode projetar após uma Copa de trabalho? Pausa!!!… Rs

pausa

 

Foi um mês e meio de muito trabalho, com seis finais de semana seguidos sem folga. Mas valeu a pena. Na cobertura jornalística da sétima Copa do Mundo, a ironia veio com a reedição da mesma final e campeã da primeira, com a Alemanha vencendo a Argentina, como havia sido naquele Mundial de 1990, na Itália. A tragédia, como todos sabem e ainda arde à cara de quem nela tem vergonha, ficou por conta dos 7 a 1 diante da mesma Alemanha, nas semifinais de uma Copa concebida e realizada como projeto político em ano eleitoral, à custa do dinheiro público gasto num Mundial mais caro que a soma dos dois anteriores.

À parte isso, na certeza de que o jornalismo, como futebol, é trabalho coletivo desde antes dos tempos do Nelson Rodrigues (1912/80) — tão em voga nesta “pátria em chuteiras” definida por ele com intenção bem diferente —, todos os que trabalharam juntos nas coberturas das seis Copas anteriores pela Folha, ficam representados no agradecimento presente e pessoal ao Rodrigo Gonçalves, a Joseli Mathias, ao Eliabe de Souza, ao Arnaldo Neto, a Júlia Maria Assis, ao Nicholas Sampaio, ao Valmir Oliveira, a Channa Vieira, ao Silésio Corrêa, ao Alexandre Bastos, ao Cilênio Tavares, a Suzy Monteiro e ao Christiano Abreu Barbosa. Sem eles, bem como os demais na redação e/ou nos blogs da Folha a dar o suporte na meia cancha, o trabalho apresentado no jornal em sua versão impressa e online, nesses 30 dias de Copa, não seria possível. Tampouco os resultados na liderança fora do campo, conferidos por você, leitor, mais uma vez alcançados aqui.

Assim, na certeza de que só pode projetar o futuro com alguma chance de êxito quem é capaz de observar criticamente o presente e o passado (nem que seja o recente), o blogueiro se despede com uma postagem feita há pouco menos de três anos. Embora, naquela época, a diferença do Brasil para quem trabalhava com maior seriedade para voltar a ser o melhor do mundo no futebol, fosse de apenas um gol no placar final, nomes como Bastian Schweinsteiger, André Schürrle e Mario Götze já eram destacados.

Hoje, quando o que era futuro próximo virou passado recente, todos devem ter assistido a Schürrle marcar os dois últimos gols na goleada alemã contra o Brasil em 2014. Ademais, não é segredo que foi de seus pés que depois sairia o passe ao gol do título, na final diante dos argentinos, marcado por Götze, vindo do banco na prorrogação para confirmar a promessa de 2014 apontada neste blog, desde 2011, ao lado do brasileiro Neymar — que infelizmente não pôde se confirmar.

Quanto ao maestro Schweinsteiger, coube a ele liderar seus companheiros também fora de campo, na simpatia e na integração demonstradas no Brasil para conquistar meio mundo, o que seus antepassados não conseguiram em duas Guerras Mundiais, com arrogância, segregação e a força das armas. Emblematicamente, seria esse alemão louro, de olhos azuis e futebol clássico a provar que RAÇA independe da cor da pele, cabelos ou olhos de quem joga (ou tampouco apupa das arquibancadas), ao tomar a frio os pontos na cara aberta por um soco do ex-genro de Maradona, antes de voltar a campo para encarar e vencer na bola a Argentina, numa final de Copa do Mundo, dentro do Maracanã.

Enquanto isso, do primeiro ao último apito, nossos Macunaímas pretensos tentaram usar a Copa para uivar seus próprios “complexos de vira lata”, com a neurastenia ressentida de um Pinscher. Poderiam ter se exposto menos ao ridículo se entendessem algo de futebol além das suas propriedades sempre instáveis como “ópio do povo”, ou tivessem ouvido o assobio soprado aqui, desde 10 de agosto de 2011, após aquele amistoso de Stuttgart, no qual o Brasil perdeu por “apenas” 3 a 2:

“Com seu conhecido ufanismo no futebol cada vez mais dissociado da realidade, o brasileiro que ainda insiste na absurda tese de que só nossos jogadores (e talvez os argentinos) sabem tratar a bola com arte, hoje deveria ter visto Schweinsteiger jogar. Bastaria para engolir qualquer empáfia, junto com todas as consoantes do nome do craque alemão”.

Assim, enquanto este dublê de cronista esportivo e blogueiro vai gozar do descanso que julga merecer, confira abaixo o print e a íntegra daquela postagem, escrita muito antes das diferenças no futebol terem derivado, entre outras coisas, nos xingamentos à presidente brasileira Dilma Rousseff (aqui, aqui, aqui e aqui) e nos aplausos à chanceler alemã Angela Merkel (aqui), nascidos das mesmas arquibancadas do país da Copa:

 

Basti 2011

 

Mesmo com Neymar, Schweinsteiger rege a vitória da Alemanha

Por Aluysio, em 10-08-2011 – 18h14

 

Como previsto abaixo pelo blog, prevaleceu a classe do volante Bastian Schweinsteiger, que conduziu a vitória alemã por 3 a 2 diante do Brasil. No confronto contra as maiores forças do futebol mundial, após ter perdido também para Argentina e França, além de ter empatado com a Holanda, continua virgem em vitórias o time de Mano Menezes, neste seu período de um ano à frente da Seleção.

Após o começo de jogo arrasador dos germânicos, quando sufocaram o Brasil em seu campo de defesa, a Seleção até que conseguiu nivelar as ações no primeiro tempo. No segundo, o equilíbrio permanecia até que o juiz assinalasse um discutível pênalti de Lúcio sobre Schürrle. Schweinsteiger, que não tinha nada com isso, bateu com categoria para abrir o placar e ter seu nome gritado em coro pela torcida. Depois, quem depositava as esperanças de empate em Neymar, teve que ver outro habilidoso jovem de 19 anos, mas de nome Mario Götze, ampliar a vantagem alemã.

Em outro pênalti discutível, de Lahm sobre Daniel Alves, Robinho demonstrou coragem ao pegar a bola e converter, espantando o azar das quatro cobranças desperdiçadas pelo Brasil na Copa América. Novamente sem nada com isso, Schweinsteiger pressionou e roubou a bola de André Santos, dentro da área brasileira, cruzando com precisão para Schürrle marcar 3 a 1. Mesmo debilitado pela gripe que quase o tirou do jogo, Neymar descontou a diferença, no finalzinho, com um chute de fora da área.

Mano, que projetava resgatar o futebol-arte na Seleção, com vistas à Copa do Brasil de 2014, hoje demonstrou um claro recuo, ao entrar em campo com o volante Fernandinho no lugar de Ganso, que realmente não atravessa boa fase, mas é o único meio-campista convocado cuja criatividade merece destaque. Antes conhecida como um dos maiores expoentes mundiais do futebol-força, o fato é que desde a Copa de 2006, passando pelas exibições de gala diante da Inglaterra e da Argentina em 2010, a Alemanha tem demonstrado estar bem mais próxima ao objetivo do Brasil.

Com seu conhecido ufanismo no futebol cada vez mais dissociado da realidade, o brasileiro que ainda insiste na absurda tese de que só nossos jogadores (e talvez os argentinos) sabem tratar a bola com arte, hoje deveria ter visto Schweinsteiger jogar. Bastaria para engolir qualquer empáfia, junto com todas as consoantes do nome do craque alemão.

 

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P(…) m(…)! Acabou a Copa dos “boca sujas”

 

 

 

Quando a Seleção Brasileira ainda tinha chance de ser usada em ano de eleição presidencial no projeto da “pátria de chuteiras” (confira aqui), como registrado acima no spot de rádio feito e divulgado há mais de um ano pelo governo federal, o ex-presidente Lula foi a Curitiba no último dia 3 de julho, num evento partidário em favor da candidata petista Gleisi Hoffmann ao governo do Paraná, última colocada nas pesquisas. Na véspera das quartas de final nas quais o Brasil derrotaria a Colômbia por 2 a 1, confira no vídeo abaixo a defesa feita por Lula de uma da Copa que não contou com sua presença em nenhum dos 64 jogos, que começou (aqui) e terminou (aqui) com a presidente Dilma Rousseff sendo pessoalmente ofendida em coro e aos olhos do mundo com palavras de baixo calão:

 

 

 

 

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S.O.S. para Geraldo Gamboa é criado por João Damásio

O bamba Geraldo Gamboa, patrimônio vivo do samba de Campos
O bamba Geraldo Gamboa, patrimônio vivo do samba de Campos

 

QUEM DE VERDADE AMA A CULTURA DA NOSSA CAMPOS DOS GOYTACAZES, É SÓ PARTICIPAR E COMPARTILHAR . VAMOS MULTIPLICAR ESTA IDEIA !!!!!

S. O. S. GAMBOA

Estou aqui em casa triste e apreensivo, meu amigo Geraldo Gamboa, Pai Social por mim adotado, acaba de me ligar agora bem cedo nesta manhã de Domingo, que estaria sendo levado pelos filhos para o PRONTO CARDIO, pois o mesmo estava sentindo uma fisgada no meio da coluna e que teria perdido o sentido das pernas. Em breve farei contato com a família e trarei notícias atualizadas aqui pelo face.

Ontem mesmo ao telefone, falava com o próprio Gamboa sobre assuntos diversos e o mesmo reclamava das dificuldades de conduzir a vida, dentro das precariedades que se apresentava. Resolvi colocar a mão na massa e partir pra luta, onde aqui estou convocando amigos e admiradores do Geraldo Gamboa com o intuito de ajuda-lo, onde logo de cara, após ter identificado, que a Prefeitura de Campos dos Goytacazes, teria a três meses, cortado um convênio, com uma empresa prestadora de plano de saúde, o Geraldo Gamboa, não estaria tendo acesso mais aos cuidados médicos por esta empresa. Tive uma ideia, onde nesta parte da manhã deste Domingo, levaria pra ser discutido com a família de Geraldo Gamboa. O projeto seria a realização de um grande evento beneficente no Trianon, com o ingresso custando 2 kg de alimentos não perecíveis, com cantores e bandas participantes doando os seus cachês para o Gamboa, onde lançaríamos um Plano de Ação, com vendas de Certidão Social de Adoção de Paternidade ao Geraldo Gamboa, onde ele mesmo assinaria esta simbólica Certidão de Paternidade Social, com o intuito de cada adquirente, se transformar em um filho social de Geraldo Gamboa, cada um desse filho Social, receberia um carnê com 12 parcelas de R$ 10,00 (Dez reais), para que fosse recolhido em uma conta poupança em nome do próprio Geraldo, com a finalidade de arcar com os custos de manutenção da sua saúde como: pagamento de plano de saúde (Médicos, Fisioterapeuta, Nutricionista, entre outros profissionais da área), medicamentos, alimentação e um melhoramento em sua moradia que se encontra atualmente de forma muito precária. Exemplo: só pra se ter uma ideia da proposta, se Geraldo viesse a ganhar 300 filhos adotivos, ele teria uma renda extra mensal de R$ 3.000,00 (Três Mil Reais), e com certeza isso faria uma grande diferença em favor da sua qualidade de vida praticamente aos 85 anos de idade com toda lucidez, experiência e com muita coisa ainda, pra se contribuir com a Cultural da nossa cidade.

Geraldo Gamboa, ele é um patrimônio vivo cultural da nossa Campos dos Goytacazes, ele é a referência da nossa cultura popular, tanto que é !!! Que foi reconhecido como cidadão Samba e Garoto propaganda da Prefeitura de Campos dos Goytacazes. Mas neste momento, precisa deixar de contracenar, sair da ficção e transformar a sua existência em melhor qualidade de vida. Portanto, está lançada a campanha, quem quiser participar diretamente ou indiretamente, é só fazer contato e meter a mão na massa:

• Face: João Damásio: https://www.facebook.com/joao.damasio.35?fref=ts

• E-mail : joaodamasiocantorcompositor@gmail.com

• Página criada no face para a Campanha (S O S Gamboa):https://www.facebook.com/pages/S-O-S-Gamboa/1475531599352937?ref=hl

• Página criada no face para a campanha : S O S Gamboa

• Tel.: 22- 996080602 (João Damásio)

 

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O Papa é argentino, Deus é brasileiro, mas Cristo virou alemão

O Papa é argentino, Deus é brasileiro, mas Cristo virou alemão
O Papa é argentino, Deus é brasileiro, mas Cristo virou alemão

 

Futebol, como a vida, não é ato de justiça. Mas ontem foi. Venceram os melhores. Dentro e fora de campo.

 

Pôster Alemanha campeã
Como escrevi antes do jogo, uma das melhores gerações que um país já produziu na história para jogar futebol

 

Atualização às 14h36: O primeiro na blogosfera local a divulgar o pôster oficial dos tetracampeões alemães foi o Christiano Abreu Barbosa, aqui, em seu “Ponto de vista”

 

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Blog escala sua seleção, técnico, craque, revelação e gols mais belos da Copa

Acabou. Nestes 30 dias, noites e madrugadas entregues quase que exclusivamente ao futebol, conheça abaixo o que o blog viu de melhor: a seleção da Copa, com técnico, craque, revelação e gol(s) mais bonito(s)…

 

Goleiro: Manuel Neuer (Alemanha)
Goleiro: Manuel Neuer (Alemanha)

 

Lateral-direito: Phillip Lahm (Alemanha)
Lateral-direito: Phillip Lahm (Alemanha)

 

Zagueiro: Mats Hummels (Alemanha)
Zagueiro: Mats Hummels (Alemanha)

 

Zagueiro: Ezequeil Garay (Argentina)
Zagueiro: Ezequeil Garay (Argentina)

 

Lateral esquerdo: Daley Blind (Holanda)
Lateral esquerdo: Daley Blind (Holanda)

 

Volante:  Bastian Schweinsteiger (Alemanha)
Volante: Bastian Schweinsteiger (Alemanha)

 

Meia: Toni Kroos (Alemanha)
Meia: Toni Kroos (Alemanha)

 

Meia: James Rodríguez (Colômbia)
Meia: James Rodríguez (Colômbia)

 

Meia: Lionel Messi (Argentina)
Meia: Lionel Messi (Argentina)

 

Atacante: Thomas Müller (Alemanha)
Atacante: Thomas Müller (Alemanha)

 

Robben
Atacante: Arjen Robben

 

 

Técnico: Louis van Gaal (Holanda)
Técnico: Louis van Gaal (Holanda)

 

 

Craque da Copa: Arjen Robbem
Craque da Copa: Arjen Robbem

 

 

Revelação da Copa: James Rodríguez
Revelação da Copa: James Rodríguez

 

 

Quanto ao gol mais bonito da Copa, não tive como escolher entre dois: o de cabeça do centroavante holandês Robin van Persie, o primeiro da sua Holanda na goleada de 5 a 1 imposta contra a Espanha, ainda na fase de grupos; e o golaço à la Pelé de James Rodríguez, primeiro dos 2 a 0 sobre o Uruguai, nas oitavas de final. Confiram:

 

 

 

 

 

 

 

 

Para revisitar as seleções do blog fase a fase, confira a dos grupos (aqui), das oitavas (aqui), quartas (aqui) e semifinais (aqui).

 

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“Se o governo quer melhorar o futebol, precisa melhorar a economia brasileira”

Economista Ricardo Amorim
Economista Ricardo Amorim

“Se a gente for depender do Futebras para resolver a situação, realmente estamos em apuros. Essa Copa ensinou muita coisa. A primeira é que um craque sozinho não ganha Copa. Isso não foi só para o Brasil. Isso foi para a Argentina, isso foi para Portugal, talvez, muito mais do que para qualquer outra seleção. A segunda é que sequer você precisa ter um craque para ganhar a Copa. A Alemanha não tem um grande craque, mas tem vários bons jogadores. Talvez a terceira e mais importante delas todas, é que o resultado da Alemanha vem de planejamento, de uma boa estrutura, o que é o inverso do Futebras. Se o governo quer fazer alguma coisa que melhore o futebol brasileiro, o que precisa fazer é melhorar a economia brasileira, porque com isso, a gente vai ter menos jogador indo embora. Se o nosso campeonato for mais forte, tiver mais público, der mais resultado, com menos jogador indo embora, pode acontecer como a Alemanha, que tem  seis jogadores que vêm de um único clube, que é o Bayer (de Munique). Então, intervenção no futebol, que é o que estão pregando, é o pior dos caminhos” 

 

(Ricardo Amorim, agora há pouco, no programa de TV “Manhattan Connection”)

 

Conheça aqui mais sobre a proposta do governo Dilma Rousseff (PT) de intervenção estatal no futebol, batizada de Futebras, após a humilhação brasileira na Copa do Mundo

 

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Ainda revoltado com os 7 a 1? Então assista ao vídeo

Tudo bem, a Alemanha venceu a Copa com todos os merecimentos, mostrando ser a melhor, tanto dentro quanto fora do campo. Ademais, impediu que nossos tataranetos tivessem que ouvir dos argentinos da sua época o mesmo cântico “Brasil, decime que se siente” (confira aqui, aqui, aqui e aqui), que certamente sobreviveria ainda mais tempo do que o fantasma de 1950, ecoando para nos assombrar indefinidamente pelo futuro.

Mas, apesar de tudo isso, se você, caro leitor, ainda está revoltado com os 7 a 1 que os germânicos nos enfiaram goela abaixo, no Mineirão, na semifinal da da última terça (08/07), confira o vídeo abaixo:

 

 

 

 

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Messi, Neuer e Pogba são craque, goleiro e revelação da Fifa. Dilma é xingada de novo

Foto: Eddie Keogh / Reuters
A comemoração alemã abafou o coro ofensivo contra Dilma no Maracanã, tão logo a presidente brasileira entregou a taça aos verdadeiros donos da festa (Foto: Eddie Keogh / Reuters)

 

Com a presidente Dilma Rousseff vaiada a cada vez que seu rosto apreensivo aparece no telão do Maracanã, a Fifa anunciou aqueles que considerou o melhor goleiro, o craque a a revelação da Copa do Mundo. Os eleitos, respectivamente, foram Manuel Neuer (Alemanha), Lionel Messi (Argentina) e Paul Pogba (França). Concordo com apenas com Neuer.

Por mais que ainda considere Messi o maior gênio do futebol mundial, desde que o francês Zinédine Zidade se aposentou em 2006, o craque deste Mundial de 2014, na minha opinião, foi o atacante Arjen Roben, que voltou a brilhar ontem no Mané Garrinhca, em Brasília, quando conduziu sua Holanda à conquista do 3º lugar do Mundial, na vitória de 3 a o sobre a Seleção Brasileira. Ademais, foi o próprio blog que apostou aqui, antes da Copa começar, que Pogba, aos 21 anos, seria a revelação da competição. Todavia, ainda que o francês tenha realmente jogado muito bem, é também a opinião deste “Opiniões” que ele ficou uma oitava abaixo do colombiano James Rodríguez, que ontem completou 23 anos, depois de marcar seis gols e terminar a Copa como seu artilheiro.

Do campo às arquibancadas, a Copa das Copas foi encerrada como começou. Depois de já ter sido vaiada, no momento em que a presidente do Brasil, visivelmente constrangida, entregou junto ao presidente da Fifa, Joseph Blatter, a taça o mais rápido possível ao capitão alemão Phillip Lham, se repetiu o mesmo coro ofensivo da abertura do Mundial, no Itaquerão (relembre aqui) e bisado duas vezes no Mineirão (confira aqui e aqui): “Ei, Dilma, vai tomar no c(…)”

Mas foram poucos segundos. Depois foi as ofensas à governante brasileira foram sufocadas pela festa dos jogadores alemães e sua torcida, mais uma vez com a presença da chanceler Angela Merkel, que já tinha sido aplaudida e teve o nome gritado pela torcida na Fonte Nova, em Salvador (reveja aqui), quando a Alemanha fez sua primeira apresentação na Copa, goleando Portugal de 4 a 1.

E o reserva Lucas Podolski e o craque Bastian Schweinsteiger, maior jogador em campo na final de hoje, foram reger a festa da torcida com a taça na mão, esbanjando simpatia como os mais brasileiros dos jogadores alemães (recorde aqui, aqui, aqui e aqui). Na comeoração, teve até dança da tribo dos germânicos, em torno da taça, como índios pataxós, com os quais conviveram durante a Copa na sede que construíram e deixaram de presente para funcionar como escola no sul da Bahia.

 

Com a Copa com totem da tribo, os alemães dançarem como índios pataxós em torno da sua maior conquista
Com a Copa com totem da tribo, os alemães dançarem como índios pataxós em torno da sua maior conquista

 

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Artigo do domingo — Lágrimas na chuva

 

“Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido?

Será essa, se alguém a escrever,

A verdadeira história da humanidade”

 

(Álvaro de Campos/ Fernando Pessoa)

 

 

“Vi coisas que vocês nem imaginariam.

Vi naves em fogo na encosta de Orion.

Vi raios cósmicos cingindo o espaço em Tanhauser Gate.

E esses momentos ficarão perdidos para sempre…

como lágrimas na chuva!”

 

(Do filme “Blade Runner”)

 

Heróis do meu pai: Em pé: Barbosa, Augusto, Danilo, Juvenal, Bauer e Bigode; agachados: Friaça, Zizinho, Ademir Menezes, Jair Rosa Pinto, Chico e o massagista Mário Américo
Heróis do meu pai: Em pé: Barbosa, Augusto, Danilo, Juvenal, Bauer e Bigode; agachados: Friaça, Zizinho, Ademir Menezes, Jair Rosa Pinto, Chico e o massagista Mário Américo

 

Sou filho de um adolescente de 14 anos, cuja grande frustração foi não ter ido, junto com seu pai e irmão mais velho, à final da Copa de 50, em 16 de julho, no recém-inaugurado Maracanã. Daqui de Campos, pelo rádio, o garoto (?) vibrou com o primeiro gol do jogo, de Friaça, que certamente abriria a contagem para mais uma goleada, igual a dos dois últimos jogos — 7 a 1 sobre a Suécia, campeã olímpica de 48, e 6 a 1 diante da Espanha, quando um coro demais de 200 mil pessoas cantava “Touradas de Madri” das arquibancadas.

O belo gol, emendando de primeira, de Juan Alberto Schiaffino — cracaço da Celeste Olímpica, integrante da lista oficial dos dez maiores camisa 10 que o mundo já viu, mesmo 50 anos após sua maior conquista — fez com que meu velho (?) e toda uma nação despencassem de nuvens soberbas com a cara no chão, passando a torcer como doidos pelo empate que garantiria o título. Dez minutos mais tarde, aos 34 do segundo tempo, após uma arrancada pela direita, veio aquele chute fatal de Ghiggia, quase sem ângulo, entre Barbosa e a trave, selando a história que todo brasileiro já ouviu falar e que os uruguaios, chamando-a “Maracanazzo”, até hoje se ufanam ao contar.

Com a dimensão, desde muito novo, desse fantasma do imaginário nacional, “tragédia maior que a de Canudos”, nas palavras de Nelson Rodrigues, me interessei pela história até esgotar as narrações de meu pai. Além, passei a ler o que me caísse à mão sobre aquele grande time marcado pela fatalidade. Tomei ciência, por exemplo, de que nosso scratch — para usar um anglicismo recorrente à crônica da época — era regido por um meia direita que a crítica internacional, aqui presente pela Copa, elegeu como jogador mais completo que já havia surgido no mundo até então: Zizinho, o Mestre Ziza.

E olha que naquela Copa ainda jogaram, além de Schiaffino, craques do porte dos também uruguaios Alcides Ghiggia e Julio Perez, do iugoslavo  Rajko Mitic, do inglês Stanley Matthews, além dos próprios brasileiros Jair Rosa Pinto, Ademir Menezes, Danilo e Bauer. Como disse nosso tacanho Felipão e o Fernando Calazans vive satirizando em sua coluna: eram aqueles (bons) tempos em que se amarrava cachorro com linguiça.

Quando Péris Ribeiro, amigo daquele adolescente de 50, lançou seu “O Brasil e as Copas”, em 86, me presenteou, além dele, com um livro sobre a vida do Mestre Ziza, cujo título e autor não recordo, pois fiz a besteira de depois emprestá-lo. O primeiro livro me deu a base histórica de todo deslumbramento que colhi em 82, nos injustos gramados de Espanha, com Zico, Sócrates, Falcão, Leandro, Júnior, Luisinho, Cerezzo e cia. — “Maracanazzo” da minha geração. Já o segundo, me proporcionou a dimensão completa daquele grande mestre do futebol de que tanto ouvira falar.

Além da tragédia épica de 50, descobri ter sido Zizinho o grande ídolo de Pelé e, muito mais importante, herói da primeira grande conquista de meu time, construída ao lado de gente como Domingos da Guia, Jurandir, Biguá, Valido e Vevé: o tri estadual do Flamengo de 42/43/44. Vendido ao Bangu numa dessas imutáveis sacanagens dos cartolas, foi depois, já velho, jogar pelo São Paulo, ao qual conduziu ao título estadual de 57.

Algum tempo depois, quando Péris lançou seu “Didi, o gênio da folha seca”, em 93, numa livraria do Leblon, fui ao Rio prestigiar o amigo. Comigo foram Luiz Costa — que cobriu o evento pela Folha — e Adelfran Lacerda, todos conduzidos pelo hábil volante de (de carro) Leonardo Moreira. Pegando chuva desde Rio Bonito, chegamos ao Rio e paramos em Copacabana, para apanhar Christiano, meu irmão, então estudante universitário da PUC/RJ.

Ouvindo as impagáveis histórias de Leonardo, fui durante a viagem me preparando psicologicamente para o encontro cara a cara com o campista Didi, maior jogador da Copa de 58, na Suécia, nosso primeiro Mundial; bicampeão pela Seleção, em 62, no Chile; e, não fosse mais nada, herdeiro de Mestre Ziza. Aí eu entro na livraria e vejo não só Didi, mas também Ademir Menezes, Jair da Rosa Pinto, Nilton Santos, Vavá, Belini, Gerson, Afonsinho e… Zizinho.

Num dos poucos momentos em que despertei do meio transe no qual permaneci durante quase todo o coquetel, em meio a todos aqueles semi-deuses da bola, vi Luiz Costa indagar a Zizinho: “Você foi tido em sua época como o maior jogador do mundo e muitas pessoas hoje não têm essa dimensão. A que credita isso?”.

Ele respondeu: “O Brasil não sabe preservar sua história. Os jovens de hoje só querem saber de ouvir música americana no rádio e ver televisão. E eu não joguei na época da televisão!”.

A amargura do ídolo entrou pelo meu ouvido e ficou como fel salivando na boca. Talvez por isso não tenha tirado os olhos dele até que saísse do evento, acompanhado da esposa. Passaram pela porta, e, enquanto ela abria a sombrinha para protegê-los da chuva, enfrentei a timidez, saí também, me dirigi a eles e gritei: “Zizinho!”

Ele se virou. Eu disse: “Ouvi o que você falou lá dentro para o repórter. Pois eu sou jovem, gosto de música americana, mas ouvi e li muito sobre você. Você foi o melhor do mundo, jogou no meu time e foi campeão por ele. Nunca te vi jogar, mas você é um dos meus ídolos no futebol”.

Em meio à chuva fina, olhos marejaram e sorrisos se revelaram. Nos demos as mãos e o cumprimento virou um abraço. Após, ele deu um tapinha paternal na minha face e disse: “Valeu, garoto!”. Virou-se pela última vez, se abraçou à mulher, que também sorria com olhos infiltrados, e juntos saíram pela noite chuvosa, caminhando com a mesma classe que sempre atribuí, em minha imaginação, às suas passadas nos campos.

O Mestre morreu, mas nunca vou esquecer essa tabela que a vida nos deu.

 

(Publicado na edição de 17/02/2002 da Folha da Manhã, nove dias após a morte do Mestre Ziza)

 

Republicado hoje na edição impressa da Folha

 

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