Fundamentalismo envangélico de Rosinha barrou Nelson Rodrigues do Trianon?

Diretor de teatro noticia que peça de Nelson Rodrigues foi barrada no Trianon por motivos religiosos

Por Cláudio Andrade, em 09-07-2013 – 10h38

Oi Claudio!

Bom dia!

Eu sou diretor do Grupo de Teatro Oito de Paus aqui no Rio de Janeiro e sou primo do Marcelo Rebel como ele falou com você pelo facebook.

Então, vou te explicar o absurdo que aconteceu.

Mais ou menos em maio eu entrei em contato com a Fundação Trianon (presidente João Vicente) e apresentei o projeto da nossa peça que está em cartaz aqui no Rio chamada “Bonitinha, mas ordinária” de Nelson Rodrigues e eles aceitaram. E o que ficou firmado entre nós é que faríamos uma apresentação no Teatro Trianon no dia 10 de agosto. Mandamos a nossa documentação toda certinha, tivemos gastos e etc.

Em junho a Fundação me ligou confirmando. Porém, na semana passada eu recebi um e-mail da Fundação Trianon me informando que a peça tinha sido cancelada porque houve uma mudança de presidência da Fundação Trianon que agora é apenas Teatro Trianon e que agora a Fundação que comanda tudo é a Fundação Osvaldo Lima e a nova presidência tinha cancelado alguns espetáculos. Diante disso, ontem, eu liguei para a Fundação em busca de uma resposta mais concreta do que tinha acontecido.

Liguei e consegui falar com o João Vicente (antigo presidente da Fundação Trianon) que me contou indignado que a nova Fundação (Osvaldo Lima) tinha cancelado a peça porque era Nelson Rodrigues e a peça poderia ofender a prefeita Rosinha Garotinho por ela ser evangélica. Inclusive acham que a peça teria muitos palavrões, que é imoral e etc… Ou seja, a ignorância reina mesmo nessa prefeitura e nessa prefeita que provavelmente não conhece as obras do consagrado autor nacional Nelson Rodrigues pra achar que ele é imoral ou algo do tipo.

Bom, foi isso. Espero que você possa nos ajudar a fazer barulho contra essa absurda espécie de censura pela qual o Grupo passou.

Luís Felipe Perinei

luisfelipeperinei@hotmail.com

Obs: contraditório salvaguardado aos agentes públicos municipais.

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Plebiscito é a resposta de um governo que não tem nenhuma para dar

Jornalista e cineasta Arnaldo Jabor
Jornalista e cineasta Arnaldo Jabor

O plebiscito

Por Arnaldo Jabor

Pai, o que é plebiscito? — assim perguntava o menino, no conto de Artur Azevedo, em 1890. O mesmo aconteceu comigo.

Estava na sala e de repente meu filho levanta a cabeça e pergunta:

— Pai, o que é plebiscito?

Eu fechei os olhos imediatamente para fingir que dormia. O menino insiste:

— Papai? O que é?

Não tenho remédio senão abrir os olhos.

— Ora essa, rapaz, tens treze anos e não sabes ainda o que é plebiscito?

— Se soubesse, não perguntava.

— Plebiscito, meu filho, é quando o governo pergunta ao povo o que ele acha de determinado assunto importante para o país. Voltou à tona depois que houve as manifestações de rua, com mais de um milhão de pessoas protestando contra o caos brasileiro.

— Que pergunta é importante para o Brasil?

— São muitas perguntas meu filho… quer exemplos? Muito bem… vamos a isso:

— Você é contra ou a favor de 15 bilhões para estádios de futebol, dinheiro que dava para fazer 50 hospitais ou 75 quilômetros de metrô em São Paulo? Você é a favor da reforma politica? Você sabe o que é voto distrital comum ou misto? É contra ou a favor? Aliás, você sabe o que é isso, filho?

— Se você explicar…

— Também não sei, filho… mas, vamos lá… Você é contra ou a favor de haver 28 mil cargos de confiança no governo, se a Inglaterra tem apenas 800 e os Estados Unidos, 2 mil? O Brasil tem mais de 5.700 municípios, com prefeitos, vice prefeitos, 513 deputados federais, 39 ministérios. Não dava para cortar tudo pela metade? E o PAC? Que fez o PAC até hoje? Com a corrupção deslavada, o PAC acabou fazendo pontes para o nada, viadutos banguelas, estradas leprosas, hospitais cancerosos, esgotos à flor da pele, tudo proclamado como plano de aceleração do crescimento.

Os melhores economistas do mundo dizem que temos de abandonar a politica econômica de estimular demanda e atentar para o crescimento da oferta, pela redução de gastos do Estado, que se apropria de 36% da renda nacional mas investe menos de 3% e consome grande parte dos recursos para sua própria operação. Você entendeu o que falei? Um dia, entenderá.

Você é contra ou a favor de investigar por que a Petrobrás comprou uma refinaria no Texas por US$ 1 bilhão, se ela vale apenas US$ 100 milhões? Você é contra ou a favor da ferrovia Norte Sul que está sendo construída há 27 anos, com mil roubalheiras e ainda quer mais 100 milhões para cobrir o que a Valec desviou quando o Juquinha, afilhado do eterno Sarney, era o chefão?

— Quem é Sarney?

— É o comandante do atraso.

— Ah, legal…

— Você é contra ou a favor da CPI que fez o Cachoeira sumir do mapa para não criar problemas para o Executivo e suas empreiteiras? Você lembra das operações da Policia Federal, com lindos nomes? Cavalo de Troia, Caixa de Pandora (do Arruda), Anaconda, das mil ambulâncias dos sanguessugas? E tantas outras. Quantos estão presos hoje? Você é contra ou a favor de reforma do Código de Processo Penal? Aliás, por que o PT quer tanto o plebiscito? Ele lucra com isso? Sim ou não?

O Lula sumiu de cena mas já declarou que as manifestações são “coisa da direita”. E o PT? É peronista de direita ou de esquerda? Com a volta da inflação, você é contra ou a favor da correção monetária para o Bolsa Família? Você não acha que é fundamental a privatização (ohhh, desculpe, “concessão”) de ferrovias, aeroportos e rodovias?

Por que uma das maiores secas de nossa história não é analisada pelo governo? Para não criticar os donos da indústria da seca, por motivos eleitorais? Alias, o que aconteceu com o Rio São Francisco, que disseram que iam canalizar? Parou? Sim ou não?

Sem dúvida, Sergio Cabral foi quem mais se queimou nisso tudo. Mas, pergunto, que será do Estado do Rio de Janeiro com o Lindbergh Farias, ex-prefeito de Nova Iguaçu, com o sigilo quebrado pelo STF, governando o Estado até 2018? Será que o Pão de Açúcar fica em pé?

Você acha legal ou não a importação de médicos cubanos para o País?

Você é contra ou a favor do “trem bala” que custará (na avaliação inicial) cerca de 30 bilhões de reais, que davam para renovar toda a malha ferroviária comum? Aliás, nessa velocidade, qual a altura que ele vai voar, quando os traficantes do Rio puserem pedras nos trilhos?

Você acha que os “mensaleiros” ficaram contentes com o fim da PEC 37 que o Congresso, apavorado, rejeitou?

Você acha normal que o Brasil cobre R$ 36 de impostos sobre cada R$ 100 produzidos? Você não acha o Palocci muito melhor que o Mantega? Por que não chamam o Palocci? Quem é? É o melhor cara do PT, que impediu a destruição do Plano Real durante os quatro anos do primeiro mandato do Lula.

Você entende, meu filho, o governo do Brasil tenta com sua ideia de mudança constitucional transformar problemas administrativos em problemas institucionais. Você não acha que querem disfarçar sua incompetência administrativa? Afinal, quem governou o país nos últimos dez anos? Agora, parece que descobriram que o país precisa de reformas, que o PT não fez nem deixou fazer por 10 anos. Agora, gritam todos: reforma! Por isso, pergunto: será que os intelectuais não veem que a democracia conquistada há 20 anos está sendo roída pelos ratos da velha política? Você acha que a Dilma está com ódio do Lula, por ter finalmente descoberto o tamanho da herança maldita que deixou para ela? Mas Lula não liga. “Ela que se vire…” — le pensa, em seu egoísmo, secretamente até querendo que ela se dane, para ele voltar em 2014. Você acha, meu filho, que o Lula vai ser candidato de novo? E será eleito como “pai do povo” , para salvar o País que ele destruiu?

E que você acha de todas essas perguntas, filho? Qual a sua opinião?

— Pai, o povo já respondeu a todas essas perguntas. Então, para que perguntar de novo?

— É técnica de marketing, meu filho. Ideia do Lula, para dar a impressão de que o governo não sabia de nada. Como ele nunca soube.

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Anderson e Ali — De canhota, do pedestal dos deuses à lona dos mortais

Desde a madrugada de sábado para domingo, muita coisa já foi dita e escrita sobre a derrota do brasileiro Anderson “Spider” Silva, por conta do nocaute imposto pelo jovem estadunidense Chris Weidman, que lhe roubou o cinturão de campeão dos pesos-médios do Ultimate Fighting Championship (UFC), em Las Vegas, no segundo assalto de uma luta programada para cinco. Para variar, os idiotas sempre em numeroso plantão no Brasil, já lançaram levianamente seus boatos de que Anderson teria entregado a luta. São os mesmos imbecis para quem a Seleção Brasileira entregou a Copa de 1998 para a França de Zidane, o brasileiro Júnior Cigano entregou o cinturão dos pesados do UFC para o estadunidense Cain Velasquez, a presidente Dilma comprou a Espanha de Iniesta para entregar ao Brasil de Neymar a Copa das Confederações, a imprensa que ousa criticar a corrupção e a incompetência do PT é golpista, e os opinadores da mídia que seguem pela mesma linha, enxergando e apontando o óbvio ululante da preocupante realidade nacional, o fazem por terem sido comprados pela Central de Inteligência Americana (CIA).

É correto, no entanto afirmar que, após sete anos e 16 lutas invicto no UFC, recorde insuperável na divisão mais importante das Artes-Marciais Mistas (MMA), Anderson perdeu a luta do último sábado, mais do que o promissor lutador Weidman a ganhou, mesmo que este também esteja invicto no UFC e talvez seja o único na categoria dos médios, além do brasileiro Vitor Belfort, com capacidade física e técnica para endurecer uma luta contra o nosso Spider. A bem da verdade, desde a vitória deste contra o ex-campeão dos meio-pesados Forrest Griffin, em 2009, numa das suas mais brilhantes apresentações; passando depois, em 2010, pelo brasileiro Damien Maia, sua luta mais criticada, e pelo estadunidense Chael Sonnen, num combate em que perdia todos os cinco assaltos, até encaixar um triângulo (golpe de jiu-jítsu) salvador nos momentos finais; pelo japonês Yushin Okami, numa revanche em 2011; e novamente por Sonnen e pelo também estadunidense Stephan Bonnar, outro meio-pesado, nas suas duas boas lutas de 2012; Anderson já vinha demonstrando a mesma arrogância dentro do octógono, baixando a guarda completamente em vários momentos do combate, que o conduziria à sua primeira derrota no UFC, frente a Weidman.

Daquela peleja memorável contra Griffin, em 9 de agosto de 2009, até o nocaute igualmente memorável sofrido em 6 de julho último, quase quatro anos depois, a única luta em que o agora ex-campeão atuou com sobriedade, respeitando o adversário, sem dar sopa ao azar, foi justamente contra Belfort, em 2011, a quem nocauteou com um chute no queixo, ao melhor estilo “Karatê Kid”, num daqueles golpes que se tenta talvez 10 vezes numa carreira de lutador profissional, para se encaixar apenas um, durante toda a vida. Mas ele manteve sua guarda o tempo inteira atenta, por respeitar, com boas razões, a velocidade e a força dos punhos do ex-campeão Belfort. Contra Weidman, que tem uma envergadura (leia-se alcance de golpe com as mãos) tão boa quanto à sua própria, Anderson achou que poderia brincar. Deu no que deu!

Para quem é capaz de enxergar o mundo das lutas, como tudo mais na vida, além daquilo chapado no presente ou no umbigo passado do seu próprio tempo de existência, inegável também que a guarda baixa, quando os golpes do adversário são fintados unicamente com base na superioridade da técnica, dos reflexos e da resposta motora, é uma característica que Anderson herdou de outro fora de série, talvez o maior lutador da história do boxe (uma das principais “pernas” do MMA, ao lado do muay thay, do wrestling e do jiu-jítsu): Muhammad Ali, pugilista campeão de todos os pesos nada menos que três vezes, entre as décadas de 60 e 70 do século passado. E, como Ali, a guarda baixa junto com as provocações verbais durante a luta, faziam parte de uma estratégia pensada, para colocar o adversário num combate psicológico, tirando-o, portanto, do combate real do ringue.

Como homem, não há como se comparar Anderson com Ali — este, um herói na acepção mais plena da palavra, na luta pelos direitos civis que incendiou os EUA no pós-II Guerra Mundial (1939/45), mas desembocaria pacificamente, algumas décadas depois, na eleição de um tal Barack Obama à Casa Branca. Já como lutador, uma distinção pode ser feita no fato de que o combate psicológico sempre proposto pelo legendário campeão de boxe, visava capturar o adversário, não a si, como parece ter acontecido no sábado com o brasileiro considerado o maior lutador de MMA de todos os tempos.

Em relação a Ali, numa analogia pertinente ao momento presente de Anderson, o mesmo pecado do primeiro foi cometido sequer antes do segundo ter nascido, numa noite fria de 8 de março de 1971, no Madison Square Garden, em Nova York. Voltando de um período de três anos de inatividade, no qual lutou contra o Exército e o Poder Executivo dos EUA, que queriam impor-lhe uma convocação militar para servir na impopular Guerra do Vietnã (1959/75), mas na qual derrotaria seus mais poderosos adversários, no ringue da Suprema Corte do seu país, Ali voltou nos braços do povo para enfrentar quem, com a mesma justiça, se fizera campeão mundial peso-pesado de boxe em sua ausência forçada: Joe Frazier (1944/2011), então jovem, promissor e invicto como Weidman.

Também invicto, inebriado pela vitória moral da sua causa e pela popularidade mundial através dela alcançada, além de fiel fervoroso do islamismo, crença pela qual mudou seu nome cristão de Cassius Marcellus Clay para Muhammad Ali, ele passou os 15 rounds com sua direita sempre baixa, soltando seus golpes retos, de alcance mais longo, enquanto repetia incessantemente para Frazier: “Caia, idiota! Caia! Não sabe que Deus quer que eu seja o campeão? Deus quer que você caia!” Ao que Frazier respondeu, no último assalto de um combate equilibrado, com um cruzado de esquerda, seu golpe mais letal, muito parecido com aquele que Weidman desferiu para nocautear Anderson. Como no boxe, diferente do MMA, as regras não permitem se bater no adversário caído, Frazier aproveitou a chance, no entanto, para complementar com o verbo a contundência da sua canhota: “Pois Deus hoje caiu de bunda!”

Embora também como homem, além do lutador, Ali estivesse muito próximo ao Divino, ele não era Deus. Ainda assim, derrotaria Frazier nas duas lutas que ambos fariam depois, a última delas em Manila, capital das Filipinas, naquela que é considerada uma das mais violentas da história do boxe. Além disso, reconquistaria o cinturão de campeão duas vezes, contra George Foreman, em Kinshasa, capital do Zaire, em 1974, na luta que marcou seu auge, e diante de Leon Spinks, mesmo já em decadência, na Nova Orleans de 1978.

A lenda Anderson Silva pode ter sofrido uma queda, pode até tê-la buscado inconscientemente como homem, mas mesmo aos 38 anos o lutador ainda possui as ferramentas para derrotar Weidman, desde que resolva lutar sério, na revanche já anunciada por Dana White, big boss do UFC, reconquistar o cinturão dos médios, e depois fazer as tão desejadas super-lutas, tanto com o campeão da categoria abaixo, nos meio-médios, o cerebral canadense George Saint-Pierre, ou o detentor do título da categoria acima, nos meio-pesados, o temível estadunidense Jon Jones. Ganhando ou perdendo esses combates ainda supostos, nada impede que faça outra super-luta, aquela que confessa pessoalmente mais desejar, com regras ainda a serem definidas, contra seu ídolo pessoal no boxe, o estadunidense Roy Jones Junior, outro herdeiro legítimo da técnica refinada de Ali e único na história a conquistar o cinturão dos médios e dos pesados entre os profissionais da nobre arte.

Até lá, como um cruzado de esquerda de Frazier ensinou ao maior pugilista de todos os tempos, que a canhota do agora campeão Weidman faça o maior na história do MMA descer do salto, por meio do dolorido aprendizado de uma velha, batida, mas preciosa lição: cautela, canja de galinha (e guarda alta) nunca fizeram mal a ninguém.

Abaixo, os vídeos das quedas, do pedestal dos deuses à lona dos mortais, sofridos por Ali e por Anderson…

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Noves fora o peleguismo, a voz das ruas do PT de hoje é só uma fotografia na parede

PT — Um retrato na parede

Se você imaginava que o PT se resignaria em ser expulso das ruas pelos manifestantes que convulsionam pedaços das maiores cidades do país, sinto muito, enganou-se. Avalizada por Dilma, a ordem foi emitida pela direção do partido: lustrem as estrelas guardadas junto com antigas lembranças. Espanem a poeira das bandeiras rotas. Dispam-se dos trajes de burocratas. Todos às ruas na próxima quinta-feira.

Pouco importa que o “Dia Nacional de Luta”, que prevê passeatas e greves, tenha sido convocado pelas centrais sindicais e movimentos afins. O PT não amanhecerá menor no dia seguinte só porque pegou carona em ato alheio. De resto, é o governo que tudo financia. Até mesmo o que poderá machucá-lo um pouquinho. O peleguismo renovou-se. Mas não deixou de ser peleguismo.

Que palavras de ordem gritará o PT? O que cobrará por meio de faixas e cartazes? O governo encomendou o apoio à reforma política elaborada por uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva e submetida a um plebiscito. O PT entregará a encomenda. Por absurda, a ideia da Constituinte foi sepultada em menos de 24 horas. O plebiscito naufragou por falta de tempo para que seus efeitos incidissem sobre as eleições do próximo ano.

Dilma esperava lucrar com uma reforma que lhe garantisse melhores condições de concorrer ao segundo mandato. E que levasse o PT a emergir da eleição ainda mais forte. Casuísmo descarado, pois — não a reforma, necessária. Mas a pressa com que seria feita e a tentativa de empurrar goela abaixo do Congresso pontos da reforma destinados a agradar Dilma e o PT.

A insistência com a Constituinte e o plebiscito trai o desejo de Dilma em responsabilizar o Congresso pela reforma que ele não quer fazer. E denuncia o momento confuso e delicado que o governo atravessa. Uma pena o PT não poder dizer aqui fora o que diz quando se reúne no escurinho do cinema. Ou mesmo o que começou a dizer recentemente a Dilma. A coragem muitas vezes é movida pelo medo. E o PT receia perder o poder.

A política econômica está uma droga. A culpa não cabe apenas a Guido Mantega — aquele que Fernando Henrique chamou de “bem fraquinho” quando virou ministro da Fazenda do governo Lula. Cabe também a Dilma — aquela que Lula apresentou como melhor gestora do que ele. Maluf elegeu Celso Pitta prefeito de São Paulo pedindo para não votarem mais nele, Maluf, caso Pitta fracassasse. Pitta fracassou. Lula não foi tão longe em relação a Dilma.

Aumenta a inflação. Diminuem os investimentos. Desequilibram-se as contas públicas. Revisa-se para baixo o Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas do país. O governo carece de uma estratégia compartilhada por seus 39 ministros. Há ministros demais e competência de menos. Em larga medida, o voluntarismo de Dilma é responsável pelo mau desempenho da economia. Seu desprezo pelos políticos só lhe cria problemas.

Lula montou uma gigantesca coligação de partidos para eleger Dilma e ajudá-la a governar. Esqueceu de escalar ministros aptos a cuidarem da articulação política. Apostou suas fichas em Palocci, posto na Casa Civil para escorar Dilma. Descobriu-se que ele se tornara milionário enquanto fazia política. Acabou demitido. A coligação ameaça se esfarelar. A persistir a queda de Dilma nas pesquisas, ela será abandonada.

O PT do passado teria material de sobra para na quinta-feira ecoar a voz das ruas. O de hoje, não. É apenas uma fotografia na parede.

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“Padrão Fifa” para alguns e padrão burocrático-governamental à maioria

Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, escritor e ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, escritor e ex-presidente

Tempos difíceis

Por Fernando Henrique Cardoso

Já se disse tudo, ou quase tudo, sobre os atos públicos em curso. Para quem acompanha as transformações das sociedades contemporâneas não surpreende a forma repentina e espontânea das manifestações.

Em artigo publicado nesta coluna, há dois meses, resumi estudos de Manuel Castells e de Moisés Naím sobre as demonstrações na Islândia, na Tunísia, no Egito, na Espanha, na Itália e nos Estados Unidos. As causas e os estopins que provocaram os protestos variaram: em uns, a crise econômico-social deu ânimo à reação das massas; em outros, o desemprego elevado e a opressão política foram os motivos subjacentes aos protestos.

Tampouco as consequências foram idênticas. Em algumas sociedades onde havia o propósito específico de derrubar governos autoritários, o movimento conseguiu contagiar a sociedade inteira, obtendo sucesso. Resolver uma crise econômico-social profunda, como nos países europeus, torna-se mais difícil. Em certas circunstâncias, consegue-se até mesmo alterar instituições políticas, como na Islândia. Em todos os casos mencionados, os protestos afetaram a conjuntura política e, quando não vitoriosos em seus propósitos imediatos, acentuaram a falta de legitimidade do sistema de poder.

Os fatos que desencadeiam esses protestos são variáveis e não necessariamente se prendem à tradicional motivação da luta de classes. Mesmo em movimentos anteriores, como a “revolução de maio” em Paris (1968), que se originou do protesto estudantil “por um mundo melhor”, tratava-se mais de uma reação de jovens que alcançou setores médios da sociedade, sobretudo os ligados às áreas da cultura, do entretenimento, da comunicação social e do ensino, embora tivesse apoiado depois as reivindicações sindicais. Algo do mesmo tipo se deu na luta pelas Diretas-Já. Embora antecedida pelas greves operárias, ela também se desenvolveu a partir de setores médios e mesmo altos da sociedade, aparecendo como um movimento “de todos”. Não há, portanto, por que estranhar ou desqualificar as mobilizações atuais por serem movidas por jovens, sobretudo das classes médias e médias altas, nem, muito menos, de só por isso considerá-las como vindas “da direita”.

O mais plausível é que haja uma mistura de motivos, desde os ligados à má qualidade de vida nas cidades (transportes deficientes, insegurança, criminalidade), que afetam a maioria, até os processos que atingem especialmente os mais pobres, como dificuldade de acesso à educação e à saúde e, sobretudo, baixa qualidade de serviços públicos nos bairros onde moram e dos transportes urbanos. Na linguagem atual das ruas, é “padrão Fifa” para uns e padrão burocrático-governamental para a maioria. Portanto, desigualdade social. E, no contexto, um grito parado no ar contra a corrupção – as preferências dos manifestantes por Joaquim Barbosa (ministro presidente do Supremo Tribunal Federal) não significam outra coisa. O estopim foi o custo e a deficiência dos transportes públicos, com o complemento sempre presente da reação policial acima do razoável. Mas se a fagulha provocou fogo foi porque havia muita palha no paiol.

A novidade, em comparação com o que ocorreu no passado brasileiro (nisso nosso movimento se assemelha aos europeus e norte-africanos), é que a mobilização se deu pela internet, pelos twitters e pelos celulares, sem intermediação de partidos ou organizações e, consequentemente, sem líderes ostensivos, sem manifestos, panfletos, tribunas ou tribunos. Correlatamente, os alvos dos protestos são difusos e não põem em causa de imediato o poder constituído nem visam questões macroeconômicas, o que não quer dizer que esses aspectos não permeiem a irritação popular.

Complicador de natureza imediatamente política foi o modo como as autoridades federais reagiram. Um movimento que era “local” — mexendo mais com os prefeitos e governadores — se tornou nacional a partir do momento em que a presidenta chamou a si a questão e a qualificou primordialmente, no dizer de Joaquim Barbosa, como uma questão de falta de legitimidade. A tal ponto que o Planalto pensou em convocar uma Constituinte e agora, diante da impossibilidade constitucional disso, pensa resolver o impasse por meio de plebiscito. Impasse, portanto, que não veio das ruas.

A partir daí o enredo virou outro: o da relação entre Congresso Nacional, Poder Executivo e Judiciário e a disputa para ver quem encaminha a solução do impasse institucional, ou seja, quem e como se faz uma “reforma eleitoral e partidária”. Assunto importante e complexo, que, se apenas desviasse a atenção das ruas para os palácios do Planalto Central e não desnudasse a fragilidade destes, talvez fosse bom golpe de marketing. Mas, não. Os titubeios do Executivo e as manobras no Congresso não resolvem a carestia, a baixa qualidade dos empregos criados, o encolhimento das indústrias, os gargalos na infraestrutura, as barbeiragens na energia, e assim por diante.

O foco nos aspectos políticos da crise — sem que se negue a importância deles — antes agrava do que soluciona o “mal-estar”, criado pelos “malfeitos” na política econômica e na gestão do governo. O afunilamento de tudo numa crise institucional (que, embora em germe, não amadurecera na consciência das pessoas) pode aumentar a crise, em lugar de superá-la.

A ver. Tudo dependerá da condução política do processo em curso e da paciência das pessoas diante de suas carências práticas, às quais o governo federal preferiu não dirigir preferencialmente a atenção. E dependerá também da evolução da conjuntura econômica. Esta revela a cada passo as insuficiências advindas do mau manejo da gestão pública e da falta de uma estratégia econômica condizente com os desafios de um mundo globalizado.

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“Cabruncos” lutam não por si, mas por toda Campos

Do impresso ao blog: Uma só marcha

Por Gustavo Matheus, em 07-07-2013 – 16h18

Artigo publicado, hoje, na edição impressa da Folha.

Médicos, catadores e estudantes, unidos em uma só marcha. Se as diferenças são enormes, com quilômetros abismais entre as classes sociais que habitam, e ideologias bem distintas, os mesmos mostraram que, de fato, o povo é um só, assim como seu desejo; ter sua voz ouvida por quem a ignora.

A classe médica caminhou até a Praça São Salvador, onde se uniu ao grupo jovem “Cabruncos Livres”, assim como os catadores da Codin, para depois seguirem, como um só corpo, não por eles, mas pela própria população que vive nesta planície, até a Câmara de vereadores.

Os fanfarrões de plantão, do alto de seu comodismo financeiro, bem egocêntrico, daqueles que nunca se viram sem a mamadeira regada com leitinho do Executivo, seja rosa ou vermelho, não interessa a cor, tentam, novamente, diminuir o movimento. Obviamente, o número de manifestantes decresceu bastante. Mas por outro lado, o grupo ganhou em qualidade. O momento modinha dos protestos está acabando, aqueles que haviam despertado voltam a pregar os olhos, só quem nunca dormiu segue lutando. Os grandes ativistas de Facebook voltam aos tópicos mundanos, recheados em futilidade, ditados por quem, até pouco, criticavam e expulsavam dos manifestos.

Quem disse que o movimento perdeu força não soube avaliar bem os fatos. Um grupo, com cerca de 500 pessoas, não coagidas ou manipuladas, foi às ruas. Dentre os manifestantes estavam diversos estudantes de medicina, médicos renomados e recém-formados, os “Cabruncos Livres”, basicamente formado por estudantes da UFF (Universidade Federal Fluminense), além dos catadores e simpatizantes das causas em gerais. Uma mescla única! Pode-se dizer, até, inédita. E outra; o grupo conseguiu marcar uma reunião com o presidente do Legislativo campista, o vereador Edson Batista.

Apesar de todos estes méritos já citados, certos anciões, peritos no caminhar com a batuta, o poder, insistem com seus discursos grisalhos, na tentativa vil e baixa de desmoralizar um movimento de âmago nobre, que vem, dia após dia, conquistando seu espaço, além, é claro, dos corações que habitam nesta planície. Os “Cabruncos”, “Lamparões” e “Garrotilhos” devem seguir lutando, não por eles, mas por toda Campos.

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As lições do papa Francisco aos fariseus de Brasília e do Brasil

Jornalista e escritor Elio Gaspari
Jornalista e escritor Elio Gaspari

Francisco lavará a alma do Brasil

Por Elio Gaspari

Faltam duas semanas para a chegada do Papa Francisco ao Rio. Ele mostrará ao mundo um Brasil de fé, solidariedade, alegria e paz. Será a primeira viagem de um Pontífice que, em quatro meses de reinado, deu as seguintes lições:

1) Pagou a conta da casa de hóspedes que o abrigou em Roma durante o conclave. (Alô, doutores Henrique Alves, Garibaldi Alves e Renan Calheiros com seus jatinhos da Viúva.)

2) Dispensou o apartamento pontifício de dez aposentos e continuou na Casa Santa Marta, onde ficam os bispos que passam por Roma. (Alô, Eduardo Paes, que em 2010 queria comprar para a prefeitura o palacete dos Guinle na Rua São Clemente. Os donos pediam R$ 10 milhões.)

3) Livrou-se dos paramentos do regalismo medieval de Bento XVI e dos medonhos sapatos vermelhos de seus antecessores.

4) Nomeou uma comissão de cardeais para limpar a estrutura da Cúria e faxinou o Banco do Vaticano.

5) Confessou-se um pecador. (Alô, Lula.)

Homem de Cristo, Francisco beija os pés de um prisioneiro de Roma
Francisco beija os pés de um prisioneiro de Roma, com outro prisioneiro de Roma crucificado ao seu pescoço

O Papa Francisco chega ao Brasil com uma Igreja livre de grandes divisões. Não vem hostilizar prelados esquerdistas e, se há na hierarquia brasileira discretos muxoxos (sobretudo por causa da faxina no Banco do Vaticano), eles serão dissimulados.

Se governantes estão com medo do que significará sua visita, ainda têm tempo para ler a inutilidade do mal-estar dos comissários poloneses quando João Paulo II anunciou sua visita a Varsóvia.

Centenas de milhares de peregrinos hospedados em casas alheias celebrando a fé serão uma santa lição num país onde o andar de baixo sabe dividir o que tem, enquanto no de cima não querem nem pagar passagem de avião.

Durante alguns dias, acreditou-se que as multidões que foram às ruas nas últimas semanas prenunciavam apenas badernas. Viu-se, contudo, que o povo como perigo é apenas uma velha fantasia. Francisco mostrará o tamanho da fraternidade nacional, sem caviar no camarote das autoridades.

Nos últimos dias, autoridades federais, estaduais e municipais que torraram bilhões de reais na construção de estádios informaram que não têm dinheiro para cobrir um buraco de R$ 90 milhões para custear despesas da Jornada Mundial da Juventude. Gastaram R$ 1,2 bilhão no Coliseu do Rio.

A viagem da doutora Dilma a Roma para a coroação de Francisco custou perto de meio milhão. Pode-se estimar que o governo federal torre perto de R$ 1 milhão por mês só na JetFAB. De Brasília, saiu o temor de que Francisco seja hostilizado por manifestações de evangélicos. É difícil, pois não há entre os evangélicos o sectarismo dos comissários.

Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, é um homem de boa paz. Se tivesse na alma a lâmina sertaneja de D. Eugenio Salles, mandaria um recado a Brasília, ao governador Sérgio Cabral e ao prefeito Eduardo Paes: “Coletarei a ajuda do povo na esquina da Avenida Rio Branco com Rua do Ouvidor.”

(Bastou uma palavra de D. Eugenio a Fernando Henrique Cardoso para que fossem retirados soldados armados das calçadas por onde passava João Paulo II.)

Os dias do Papa no Brasil serão jornadas de distensão, beleza e fraternidade, sem comércio ou patrocínios. Acima de tudo, serão grátis. Cobrarão apenas fé para aqueles que a têm.

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Se Lula ainda é “o mais preparado”, o gigante Brasil não acordou, só falou dormindo

Jornalista e escritor Guilherme Fiúza
Jornalista e escritor Guilherme Fiúza

O gigante fala dormindo

Por Guilherme Fiúza

O Brasil deu para dizer a si mesmo que mudou. Que nada mais será como antes das manifestações de rua, que agora vai. Que se os governantes e os políticos em geral não entenderem o recado das ruas, estão fritos. É um fanfarrão, esse Brasil.

Qual é mesmo o recado das ruas? Vamos falar a verdade: ninguém sabe. Nem as ruas sabem. Ou melhor: não há recado. O gigante continua adormecido em berço esplêndido — o que se ouviu foi um ronco barulhento, misturado com palavras desconexas. Esse gigante fala dormindo.

Há alguns anos, a imprensa vem contando aos gritos o que está acontecendo com o gigante, sem que ele mova um músculo. E o que está acontecendo é devastadoramente simples: em uma década, o ciclo virtuoso do país foi jogado fora pela indústria do populismo.

A crise das tarifas de ônibus (estopim dos revoltosos) é só uma unha do monstro: o descontrole inflacionário causado pelo derrame de dinheiro público. País rico é país com 40 ministérios.

A economia estabilizada nos anos 90, e a posterior enxurrada de capital para os países emergentes, deram ao Brasil sua grande chance. E ela foi queimada por um governo que investiu tudo numa máquina eleitoral sem precedentes.

Planejamento zero. Investimento quase zero. Infraestrutura abandonada em terra, mar e ar, com trem-bala, Belo Monte e outras assombrações bilionárias encobrindo a realidade: o PAC entregue à pirataria da Delta e quadrilheiros associados. A CPI do Cachoeira chegou a levantar esse véu, mas o gigante não acordou e a CPI foi assassinada (pelo PT e seus sócios).

Os governos Dilma e Lula bateram todos os recordes de arrecadação, com impostos escorchantes (entre os maiores do mundo) que empobrecem os brasileiros e enriquecem o império do oprimido. Nem um gemido das ruas sobre isso.

Dilma anuncia um “pacto” sem nada dentro, e ainda diz que para bancar o recheio do pastel de vento terá que aumentar impostos. É o escárnio. E não aparece nenhum Robespierre da Candelária para mandar a presidente engolir o seu deboche.

Enquanto isso, a maquiagem das contas públicas vai bem, obrigado — com mais um truque contábil no incesto entre o BNDES e o Tesouro, para forjar superávit e legalizar a gastança. É pedra na vidraça do contribuinte, que nada ouve e nada vê. Deve estar na passeata, exigindo cidadania.

Pensando bem, foi o governo popular quem melhor entendeu o recado das ruas: os cães ladram e a caravana passa. Ou talvez: os revoltados passam e a quadrilha ladra.

Para checar se o gigante estava dormindo mesmo, o estado-maior petista chamou um dos seus para ir até o ouvido dele e chamá-lo de otário, bem alto. Assim foi feito.

Como primeira reação oficial às passeatas, Dilma escalou Aloizio Mercadante para dizer ao povo que ele ia ganhar um plebiscito. E que com esse plebiscito, ele, o povo, ia fazer a “reforma política” (o Santo Graal dos demagogos). Claro que o governo sabia que isso era uma troça, uma piada estilo “Porta dos fundos”. Tanto que caprichou nos ingredientes.

Para começar, a escolha criteriosa do porta-voz. No governo da “presidenta”, cercada de ministras mulheres por todos os lados, a aparição do ministro da Educação — cuja pasta não tinha nada a ver com nada (nem reforma política, nem plebiscito, nem transportes, nem orçamento, nada) — já seria impactante.

E não era qualquer ministro. Era o famoso Mercadante, figura tostada em casos como o dossiê dos aloprados e a “renúncia irrevogável” da liderança do PT no Senado, quando o partido decidiu acobertar o tráfico de influência de Sarney (Mercadante revogou sua própria renúncia em menos de 24 horas).

E o porta-voz foi logo anunciando um “plebiscito popular”, só faltando dizer que era uma decisão de “governo governamental”. Enfim, um quadro de “Zorra total”.

Com toda essa trágica palhaçada gritada em seu ouvido, o gigante permaneceu estático. Sono profundo. Nem um “basta”, nem um “#vem pra rua”, nem um “que m… é essa”. Depois daquele incrível ensaio de Primavera Árabe (ou seria Inverno Tropical?), com milhões nas ruas em todo o território nacional, o Brasil revolucionário mordeu a isca como um peixinho de aquário. E está até agora discutindo, compenetradamente, o plebiscito popular e irrevogável do Mercadante. Contando, ninguém acredita.

O país se zangou, foi para as ruas, tuitou, gritou, quebrou e voltou para casa sem nem arranhar quem lhe faz mal. O projeto de privatização política do Estado, que corrói a sociedade e seu poder de compra, está incólume. A prova disso? A popularidade de Dilma caiu, mas quem surgiu nas pesquisas para 2014 vencendo a eleição no primeiro turno, e escolhido “o mais preparado para cuidar da economia nacional”? Ele mesmo: Luiz Inácio, a nova esperança brasileira.

Ora, senhor gigante: durma bem! Mas, por favor, ronque baixo. E pare de bloquear as ruas com seus espasmos inconscientes.

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