Adriano Moura — O artista não é apenas uma vítima na cultura de Campos

“Pra todos ou pra ninguém. Sem privilégios”. Distante do que vê hoje em Campos, esta é a fórmula ideal do escritor, dramaturgo e professor Adriano Moura à cultura do município. Embora com várias críticas a fazer ao modelo implantado pelo garotismo/rosáceo, não só na cultura, mas na educação e na própria política, ele não acha que tenha sido diferente, em nenhum desses setores, nos governos passados dos dissidentes Arnaldo Vianna (PDT) e Alexandre Mocaiber (PSB). Tampouco acha, especificamente na questão cultural, que o poder público municipal seja o único culpado: “O artista não é apenas uma vítima no meio disso tudo”.

Folha Dois – Em texto no facebook, replicado depois no blog do jornalista Ricardo André Vasconcelos (aqui), você escreveu: “O que há em Campos é mais que perseguição a Nelson Rodrigues (…) É estupidez mesmo; é gente burra, despreparada, insensível, cafona, ignorante que, por ser ‘amiguinho’ de A ou B, é indicada para administrar setores aos quais desconhece”. Nos dois pólos dessa “amizade”, a quem você se referiu?

Adriano Moura – A lista é grande, pois não é uma característica apenas deste governo. Não me referi a uma pessoa especificamente nem gostaria de nomeá-las. Atuo em vários segmentos educacionais e artísticos da cidade há mais ou menos vinte anos. No entra e sai de governos é gente assumindo cargos não por competência ou currículo, mas por conveniência política apenas. A Fundação Teatro Trianon já foi presidida por esposa de prefeito só por ser esposa de prefeito. Outras instituições tiveram à frente a filha de “fulano”, a amiga de “sicrano”. Não preciso citar os nomes, porque todos sabem muito bem do que estou falando. A “estupidez” e burrice a que me refiro é essa prática. O que vivemos hoje nada mais é do que a continuidade de uma culturazinha de bairro, onde tudo acaba sendo tratado como um problema doméstico.

Folha – Sua crítica foi feita apenas ao setor cultural, onde atua como escritor, dramaturgo e ator, ou também como educador, onde exerce sua profissão em rede pública e privada?

Adriano – Minha crítica se estende a todos os setores. Precisamos parar de pensar cultura como algo não pertencente ao resto do corpo social. O que afeta o meio artístico está presente nos demais setores. É comum vermos pessoas tendo de chegar quase doze horas antes às filas de postos médicos para conseguir uma consulta. Algumas escolas são administradas por pessoas sem nenhum vínculo com a educação pública; algumas por pessoas até mesmo sem vínculo com educação, como já ocorreu na Escola Albertina em Travessão. Não há bibliotecas estruturadas na maioria dos estabelecimentos de ensino. Não dá para pensar em desenvolvimento educacional sem leitura. O setor cultural sofre a íngua do resto da ferida.

Folha – Em outra parte do mesmo texto, você pareceu mais específico ao afirmar: “Desde 1989 que a cidade vive nessa indigência, na dança das cadeiras dos poderes que insistem em permanecer na República do Chuvisco (…) Enquanto alimentarmos com nossos votos esses ‘zumbis’ viveremos nessa indigência”. A solução ao problema que identifica seria, portanto, cultural, educacional ou política?

Adriano – Por todas essas vertentes. A questão é política, mas não político-partidário apenas. A prova disso é o fato de a cidade, desde 1989, ter tido diferentes dirigentes. O problema é que cada um quer fazer as cosias a sua maneira, ignorando o que deu certo na gestão do outro. Parece que o fato de dar continuidade significaria admitir o acerto do antecessor. Cultura, educação e saúde em Campos estão no meio de uma queda de braços entre dois lutadores. Penso que já passou da hora de abandonarem o ringue; mas isso não vai acontecer porque o prêmio deve ser muito bom. Guardadas as devidas proporções, a administração é conduzida como no tempo dos coronéis ainda. Sempre foi assim e ainda não mudou.

Folha – Em entrevista à Folha Dois, o Artur Gomes bateu forte (aqui) na questão religiosa, denunciada (aqui) como motivo à suposta censura à peça “Bonitinha, mas Ordinária”, de Nelson Rodrigues, no Trianon. Um pouco antes, você questionou (aqui): “Nunca vi artista querendo impor regras a religiosos. Por que religiosos tentam impor regras aos artistas?”. Entre uma coisa e outra, qual o limite? Ele é respeitado em Campos?

Adriano – Depois de tanto bate-boca acabei concluindo que essa história de censura foi uma grande falácia, ou desculpa. Particularmente nunca tive problema com censura religiosa aqui, nem mesmo quando apresentei minha peça “O julgamento de Lúcifer”, que não poupa nenhum segmento religioso. Essa história da censura à peça do Nelson Rodrigues tem um lado positivo, pois suscitou outras discussões importantes para o cenário cultural, mas ficou meio sem explicação, pelo menos para mim. Como diz a “filósofa” minha mãe: “tinha mais caroço nesse angu”, mas ficou por isso mesmo.

Folha – Você, assim como os escritores Antonio Roberto Kapi e Vilmar Rangel, têm batido na tecla da necessidade de implementação real do Fundo Municipal de Cultura (saiba mais aqui), numa tentativa de se conferir independência políticas às manifestações artísticas de Campos. No seu ponto de vista, esse deveria ser o eixo da discussão?

Adriano – O Fundo Municipal de Cultura tiraria o artista da posição de mero pedinte, sempre dependendo de acesso pessoal a quem tem poder para viabilizar os projetos; além de ser um processo mais democrático e transparente. Os artistas teriam de se organizar, criar projetos consistentes para poder usufruir dos benefícios.

Folha – Muitos dos que defendem a política cultural de Rosinha, o fizeram atacando os artistas mobilizados a partir da denúncia de censura à peça de Nelson, alegando que estes só o fizeram por terem perdido a guarida que receberiam no governo Mocaiber. Até onde a reação dos artistas, ou parte dela, pode ter servido para forçar e/ou encarecer a venda do passe à cooptação pública municipal?

Adriano – O artista não é apenas uma vítima no meio disso tudo. Muitos participam da “dança das cadeiras” a que já me referi e dançam conforme a música mesmo. Mas isso se dá devido à dependência político-partidária, financeira e desemprego. Funciona assim: quando quem está no poder é o pessoal do “Arnaldo/Mocaiber”, os vilões são os seguidores de “Rosinha/Garotinho”. Quando quem está no poder são “Rosinha/Garotinho”, os vilões são os seguidores de “Arnaldo/Mocaiber”, e assim segue.

Folha – Como artista, você sempre buscou e conquistou seus espaços por conta própria. Seja pelas cifras bilionárias dos royalties, seja por uma política pensada de cooptação da sociedade civil, seria exagero dizer que o pires na mão estendida à Prefeitura, há algum tempo, dita o comportamento da classe artística, como de várias outras em Campos?

Adriano – Por que Campos não levou tantas pessoas às ruas como em outras cidades de mesmo porte? Tudo aqui gira em torno da Prefeitura. Muitos montam uma banda pra fazer show pra Prefeitura, não fazem peça se a Prefeitura não der dinheiro pra fazer; tem os que abrem  uma firma de limpeza sonhando prestar serviço à Prefeitura; ou vive de olho nos possíveis vencedores da eleição porque quer um emprego na Prefeitura. É bem pequeno o número dos que não dependem da máquina pública. Como é grande a quantidade dos que dependem dela, o silêncio também é maior. Já vendi espetáculos e projetos para Prefeitura, mas todos bancados com recursos próprios ou em parceria com a iniciativa privada. Já vendi idéias, nunca meu voto ou voz. Há um grupo corajoso, que  expõe o que pensa e luta pelo que acredita. Geralmente tem mais dificuldade e acesso. Isso precisa acabar. É outra prática doente de todos esses anos.

Folha – Acredita que os espaços alternativos da cidade, os teatros como o Sesc e o Senai, ou a própria Lei Rouanet, de isenção fiscal das empresas nos investimentos em projetos culturais, são alternativas tentadas pelo menos tentadas pela maioria dos artistas locais, antes de se queixarem da falta de espaço e apoio público do município? Por quê?

Adriano – A Lei Rouanet é um sonho. O empresariado e alguns artistas a desconhecem. As empresas querem retorno imediato, coisa que uma peça teatral sem ator famoso não proporciona. Convencer o empresário a comprar um projeto pelo seu valor estético é complicado, mas não é impossível. Eu já tentei e não consegui. Mas isso não é uma realidade só de Campos. Em grandes centros como Rio e São Paulo têm sido muito difícil concretizar um projeto, mas a coisa não para. Projetos alternativos são apresentados em bares, cafés, galpões, salões de festas, ônibus, etc. Em Campos, posso citar o Giu de Souza, por exemplo, que organiza eventos envolvendo música, literatura, artes plásticas, teatro, etc.  Corre atrás, busca parcerias e trabalha, produz. Esse é um dos caminhos. Protesto, trabalho, produção e lucidez na hora das escolhas.

Folha –  Em contrapartida, a exemplo do que faz nos subsídios públicos às organizações carnavalescas, no Campos Folia, acredita que a Prefeitura não poderia também investir na promoção de eventos anuais de teatro, música e dança, prestigiando os artistas locais e fomentando sua produção?

Adriano – Sempre questionei isso. Se há tanta verba para as agremiações carnavalescas, pras bandas de pagode e axé; por que  não para o teatro? A dança ainda é mais privilegiada. Teatro não. Os festivais ocorrem sem obedecer a um calendário. Tem ano que tem, ano que não tem. Ora é regional, ora nacional, ora apenas estudantil. Como sempre, depende de quem está “mandando”, não de um projeto consistente e com condições de sobreviver às intempéries das mudanças de governo. Voltando: se tem dinheiro pro boi pintadinho desfilar no carnaval, tem de ter também alguma maneira de viabilizar outras formas de expressão. Pra todos ou pra ninguém. Sem privilégios.

Publicado hoje na edição impressa da Folha.

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“Cabruncos” marcam hora para lavar a Câmara de Campos

Aqui, os “Cabruncos Livres” já tinham marcado a lavagem das escadarias da Câmara Municipal de Campos, em 7 de agosto, na próxima quarta-feira, na volta do recesso dos vereadores. Agora, com hora marcada para concentração, às 16h, e para o ato de protesto, às 17h, a nova convocação já está rodando aqui, desde ontem, na democracia irrefreável das redes sociais.

4º Ato dos Cabruncos Livres

TRAGA SUA VASSOURA E SEU BALDE!

Venha lavar as escadarias da Câmara Municipal e mostrar aos sujos que nos somos limpinhos.

DATA: 07 de Agosto – (Retorno do Recesso Parlamentar)

Concentração: 16 horas Início: 17 horas

POR UMA LEI ORGÂNICA REALMENTE CIDADÃ. AQUI, QUEM MANDA É O POVO.

ORÇAMENTO PARTICIPATIVO;

ELEIÇÃO DIRETA P/ DIRETOR DE ESCOLA MUNICIPAL;

FIM DA TAXA DE ILUMINAÇÃO E ESGOTO;

PARIDADE NO AUMENTO DO SUBSÍDIO DO VEREADOR COM O AUMENTO DO VENCIMENTO DO SERVIDOR MUNICIPAL;

FICHA LIMPA PARA TODOS OS CARGOS DE DIREÇÃO E ASSESSORAMENTO

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Pressão parece ter funcionado: Rosinha agora quer incentivar Fundo de Cultura


Incoerências na Cultura: prefeita sugere destinação de recursos para o Fundo Municipal

Por Lívia Nunes, em 02-08-2013 – 16h28

De acordo com informações do site da Prefeitura de Campos, em uma reunião ontem (quinta-feira, 1/08), a prefeita Rosinha sugeriu a destinação de recursos para o Fundo Municipal de Cultura e a criação de editais. É, de fato, uma boa “sugestão”. O engraçado é que Orávio de Campos — antigo secretário de Cultura e, agora, superintendente — bateu nesta tecla desde que assumiu a Secretaria, que recentemente foi extinta. E, só agora, a Prefeitura se posiciona sobre o assunto.

Vamos recordar: o Fundo de Cultura foi proposto na 1ª Conferência Municipal de Cultura, realizada em 2006; estudado e redigido pelo Conselho e aprovado pelo Legislativo em dezembro de 2010. Com receita principal oriunda da parcela de 0,1% dos royalties do petróleo arrecadados pela cidade, a lei foi alterada sob a justificativa de que o percentual era DEMAIS para a Cultura. Nenhuma outra verba municipal foi proposta para o Fundo. Orávio de Campos continuou, aparentemente sozinho, na luta pelo Fundo.

Recentemente, artistas de Campos se mobilizaram e questionaram a falta de recurso para o Fundo Municipal de Cultura, o que geraria editais. E, agora, a prefeita vem com essa ideia original, que já deveria ter sido posta em prática há muito tempo.

A referida reunião aconteceu no Teatro Trianon com a presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, Patrícia Cordeiro; o secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Wainer Teixeira; e o superintendente de Preservação do Patrimônio Histórico, Orávio de Campos, para traçar as ações culturais que serão desenvolvidas no segundo semestre. Percebe-se a ausência do superintendente do Teatro Trianon, João Vicente Alvarenga.

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Ranulfo voltou a SJB para tentar cooptar Neco para Anthony?

Nem tudo é o que parece ser

Por Ricardo André Vasconcelos, em 01-09-13 – 17h09

Vidigal de volta a São João da Barra
Vidigal de volta a São João da Barra

A nomeação para tomar conta do cofre do prefeito Neco, em São João da Barra, não significa, como pode parecer aos menos atentos, um indício de rompimento do ex-prefeito sanjoanense, Ranulfo Vidigal, com o  grupo político comandado pelo deputado Garotinho.

Garotinho e seus aliados, principalmente o ex-adversário Betinho Dauaire, estão travando uma batalha para derrotar a ex-prefeita Carla Machado, que já foi aliada de todos e, na eleição passada, garantiu a eleição de Neco na sua sucessão derrotando Dauaire e seu novo amigo Garotinho. Na Justiça, Garotinho prega publicamente a cassação de Neco, a prisão de Carla e nova eleição.

Como Ranulfo sobrou na última reforma no secretariado de Rosinha em Campos (era presidente do CIDAC), é normal entender que tenha rompido com o grupo que acompanha desde os tempos do Muda Campos e se aliar aos adversários de Garotinho em São João da Barra. Parece, mas pode não ser bem assim.

Aí, como diz a música de Chico Buarque, a notícia carece de exatidão:

1- Ranulfo não perdoa Betinho por ter conspirado contra ele quando foi prefeito e cassado a poucos dias de encerrar o governo em 1996 na prefeitura de São João da Barra. Por isso marcou posição e apoiou a candidatura de Neco no ano passado.

2 – Carla e Neco não formam mais uma dupla. Estão muito longe disso e quem garantiu ao Blog agora há pouco foi uma fonte insuspeita ligada à ex-prefeita Carla. Os adjetivos atribuídos por essa fonte a Neco são impublicáveis.

Por isso é bem mais fácil Ranulfo Vidigal — parceiro de partidas de xadrez de Garotinho desde os idos tempos liceístas — estar cumprindo a missão de cooptar Neco para o PR do que o contrário.

É esperar para ver.

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Das lições que a oposição em Campos nunca aprende com a situação

Por onde anda a Frente Democrática?

Por Rafael Vargas, em 02-08-2013 – 10h31

Não há nenhuma novidade em afirmar que existem muitas divisões dentro do grupo liderado pelo deputado federal Anthony Garotinho (PR). Entretanto, quando a “corda aperta”, todos seguem as regras do comandante. Já no caso da oposição, a situação é diferente. Sem uma figura central, a minoria oposicionista em Campos está dividida em capitanias hereditárias e corre sérios riscos de passar vergonha nas eleições de 2014. Durante as articulações visando o pleito é possível observar a tática do “cada um no seu quadrado”. São muitos pré-candidatos, muita vaidade e pouca estratégia. Um bom exemplo desta falta de diálogo é a Frente Democrática, que sumiu completamente do mapa.

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Cultura de Campos — O Império contra-ataca?

ROSINHA COBRA DEFESA DA SUA “POLÍTICA CULTURAL”

Por Ricardo André Vasconcelos, em 30-07-13 – 20h43

A prefeita Rosinha tem que se queixado de alguns de seus auxiliares na área cultural, especialmente seus colegas da velha guarda do teatro nos anos 80, pela falta de demonstração pública de solidariedade à presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, Patrícia Cordeiro.

A prefeita entende que quando a principal dirigente da Cultura no município tem sua atuação questionada, é o governo que está sendo criticado e gostaria de ver os muitos artistas que acolheu em na administração defender o que chama de sua “política cultural”.

Quer que seja lembrado que ela reabriu o Museu de Campos, fez o sambódromo, está resgatando o Centro Histórico da cidade, vai recuperar o Palácio da Cultura e o Teatro de Bolso…

Rosinha lamentou, nem tão baixo que ninguém ouvisse e nem tão alto que parecesse uma ordem, que gostaria que as mesuras não ficassem apenas entre quatro paredes. Quer defesas públicas e veementes.

Tem gente se fazendo de morta, sem trabalhar por conta da gripe e até a dengue reapareceu no cardápio de desculpas esfarrapadas. Um dos que ouviram a reclamação da prefeita jura que a situação não vai ficar assim.

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TRE multa Pezão por campanha extemporânea

TRE multa Pezão em R$ 125 mil

Por Suzy Monteiro, em 30-07-2013 – 15h41

A partir de ação da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) no Rio de Janeiro, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE/RJ) aplicou multa no valor de R$ 125 mil ao vice-governador Pezão pelo uso indevido da propaganda do PMDB veiculada em 15 de março. O TRE também puniu o partido com a cassação de inserções de rádio e TV equivalentes a cinco vezes a propaganda partidária usada para promoção pessoal (proc. 81-58.2013.6.19.0000).

A ação da PRE se baseou na análise de inserções do PMDB-RJ em março, com falas de Pezão que caracterizavam propaganda antecipada, como “O Rio vive hoje um momento de conquista. Ainda tem muita coisa para melhorar, mas a gente acabou com o jogo de empurra e fez o estado avançar”. O espaço, que pela legislação deve ser utilizado para veicular o programa do partido, foi usado para divulgar a candidatura de Pezão.

(Fonte: Ascom)

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Cultura do Rio rejeita cultura política de Campos para o RJ

Atriz Fernanda Torres analisa situação de Cabral e teme populismo de Garotinho

Por Cláudio Andrade, em 29-07-13 – 11h45


Deixei o Rio de Janeiro há duas semanas. O clima ameno do inverno me fez lamentar a viagem. Adoro o Rio de abril a julho, a atmosfera limpa e a temperatura ideal.

Nova York derrete sob um calor de Madureira.

Fui assistir ao musical de David Byrne sobre a vida de Imelda Marcos. Achei um pouco ingênuo, mas gostei de saber da história. Ela guarda alguns paralelos com as manifestações populares que tomaram conta do Brasil. Em frente ao balcão do palácio, com o povo linchando os bonecos do casal Marcos, Imelda pergunta à massa o porquê de não gostarem dela. Depois, foge para os Estados Unidos em um helicóptero, acompanhada de cinquenta membros de seu partido e 3 000 pares de sapato.

Quando saí do Rio, a vigília em torno do prédio do governador Sérgio Cabral estava apenas começando. Amigos mais engajados se juntavam ao protesto e muitos sofreram com a ação violenta da polícia.

Boatos, vindos de gente bem informada, levantavam a apavorante hipótese de a truculência da guarda estar partindo não da Secretaria de Segurança, mas das milícias infiltradas na corporação, insatisfeitas com a atual política.

Conhecidos, revoltados com a ponte aérea Rio-Porto Belo do helicóptero do governador, prometiam fazer o que estivesse ao alcance deles para tirar Cabral do poder.

Alguns se aglomeraram na porta da igreja para berrar contra o casamento milionário da filha de um empresário de transporte. Outros tentaram controlar a fúria dos companheiros de passeata. Um homem retrucou dizendo que estava ali porque era incapaz de sustentar a própria família com a merreca que ganhava por mês. Tomado, investia contra lojas e restaurantes da Zona Sul.
Meu irmão viu uma turba de encapuzados de preto, munidos de pedras, se dirigir para Ipanema.

A revolução popular comporta muitas tribos, muitas vontades e muitos pontos de vista. Não é à toa que a Revolução Francesa decapitou seus principais líderes após a vitória.

Cabral velejava nos bons ventos das UPPs e dos eventos esportivos que viriam sustentar a economia do Rio de Janeiro até 2016. Foi pego pelo jantar da Delta, em Paris, e pelo uso abusivo do transporte aéreo. De uma hora para outra, vestiu a coroa de Luís XVI.
A ditadura das ruas, se perpetuada, corre o risco de se tornar algo brutal, perigoso e irascível. Resta saber quem sairá fortalecido dessa batalha.

Temo tanto a esquerda radical, pura, virgem, que vê em todo e qualquer empresário um corrupto em potencial, quanto o capitalismo sem freio, que aceita conchavos, subornos e privilegia aliados. Mas me apavora, acima de tudo, o populismo de Garotinho.

Eu me pergunto se a grita não beneficiará, mais tarde, forças políticas devastadoras.

Tenho refletido sobre as opções para 2014. A ideia de que as milícias estariam por trás da ação dos policiais, com o objetivo de acabar com a credibilidade do trabalho de José Mariano Beltrame, é uma triste possibilidade. Quando eu me lembro de Álvaro Lins, tenho vontade de chorar.

É preciso ter cuidado para não servir de massa de manobra para as sempre alertas forças ocultas.

Como diz um amigo budista, o mal é sempre poderoso e a virtude, frágil como pluma.

Postagem feita aqui, no blog da atriz Fernanda Torres, na Veja Rio, também reproduzido aqui, na blogosfera goitacá, pelo Ricardo André Vasconcelos.

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Três candidatos à Alerj é muita pretensão do PT de Campos?


PT de Campos pode marchar com três nomes para a Alerj

Por Saulo Pessanha, em 29-07-2013 – 16h59

O PT de Campos já teve alguns representantes no Legislativo municipal por força do prestígio individual dos eleitos. Sim, porque o partido nem sempre consegue aglutinar forças. Quase sempre vai rachado para as eleições. Agora, para 2014, não será diferente.

E olha que a eleição não é para a Câmara de Vereadores. A tarefa é muito mais difícil.

O PT, veja só, em uma disputa para a Assembléia Legislativa, quando, com um candidato, já teria muitas dificuldades em elegê-lo, deve ir com três nomes. É muita pretensão.

Pode ser que, mais na frente, o PT tenha a compreensão de que não tem condições de concorrer com tanta gente e racionalize pretensões internas. Afinal, dos três postulantes, apenas Marcão, que é vereador, já foi testado e aprovado nas urnas.

Mas o PT está longe de chegar a um consenso. Odisséia Carvalho, suplente nas duas eleições que disputou para a Câmara de Vereadores, antecipou, em entrevista ao jornalista e blogueiro Aluysio Abreu Barbosa (aqui), que não tem planos para declinar de sua pré-candidatura.

Da mesma forma, Alexandre Lourenço, que também se coloca como pré-candidato dentro do PT na eleição para a Alerj, declarou que não pensa em desistir. “Sou pré-candidato de oposição ao governo Sérgio Cabral, com o apoio de Alessandro Molon” (leia aqui).

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“Cabruncos Livres” querem lavar a Câmara na volta do recesso

Na democracia irrefreável das redes sociais, o movimento “Cabruncos Livres” está convocando para a lavagem da escadaria da Câmara Municipal de Campos, no próximo dia 7, quando os vereadores de Campos, hoje reunidos para debater a lei orgânica, voltam do recesso legislativo. Quem quiser participar ou conhecer melhor a proposta, reproduzida abaixo, basta clicar aqui

LAVEMOS-NÓS!
Convocamos todos nós Cabruncos Livres para o dia 07 de AGOSTO de 2013 que marca o final do recesso da Casa Legislativa para esta experiência lúdica de toda uma DEMANDA da NOSSA sociedade.
LAVAREMOS As ESCADARIAS DA CÂMARA DE VEREADORES DE CAMPOS DOS GOYTACAZES – RIO DE JANEIRO – RJ.

TRAGA SEU BALDE, SUA VASSOURA À RODO! LAVEMOS-NOS!

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Cultura de Campos: Contribuinte paga para não ver Maria Bethânia no Trianon

SHOW DE MARIA BETHÂNIA VAI CUSTAR R$ 233.750,00

Por Ricardo André Vasconcelos, em 29-07-13 – 19h48

Ela é, sem dúvidas, uma das maiores intérpretes brasileiras de todos os os tempos.

Maria Bethânia vai cantar no palco do Trianon na próxima quarta-feira, dia 31, como parte da programação dos 15 anos do Teatro. Meu ingresso, na fila F, foi comprado por R$ 100,00 e, outras 800 e poucas pessoas como eu também pagaram pelo ingresso.

Mas a conta não fecha. Se eu e outros 800 e poucos fãs compraram o ingresso a bilheteria vai arrecadar,  no máximo, R$ 80 mil. Isso na melhor das hipóteses, pois desconte aí os convidados, que nada pagam e os  idosos, estudantes, que, com muita justiça pagam metade do valor.

No entanto, a Prefeitura de Campos pagou, na última sexta-feira, de cachê à grande cantora, R$ 233.750,00  mediante nota fiscal nº 94 emitida na véspera pela empresa Jaci Produções Artísticas(*).

Ou seja, a maior parte do cachê vai ser pago por quem não vai ter a oportunidade de ver a grande cantora baiana.

O cachê de Milton Nascimento, que se apresentou no mesmo teatro no último sábado, foi de R$ 83.500,00.

Valores dos cachês de outros artistas contratados para os 15 anos do Trianon:

Aginaldo Timóteo – R$ 26.600,00
Ângela Maria –         R$ 26.600,00
Aginaldo Rayol –    R$ 30.400,00

(*) Os dados estão no Portal da Transparência (aqui).

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