Neco diz que Ranulfo não significa cooptação. Então tá…

na curva do rio

Neco explica nomeação de Ranunfo e nega boatos sobre Nahim e Katarine Sá

Por suzy, em 06-08-2013 – 23h58

Em seu Face, o prefeito Neco negou hoje boatos que circulam “com força” no município sobre novas nomeações:

“Preciso fazer algumas considerações a respeito de boatos que rondam politicamente nossa cidade. Com a vinda de Ranulfo para o nosso grupo, estão especulando a entrada na prefeitura de São João da Barra de Nelson Nahim para o Planejamento e de Katarine Sá para a Educação. Não existe e nunca existiu qualquer direcionamento neste sentido. Isso é propaganda enganosa. Ressalto novamente que eu e Ranulfo somos amigos há muitos anos e como frisamos na campanha, iríamos buscar um estafe altamente técnico. Ranulfo vai ser importante demais em nossos direcionamentos na administração pública. E não existe cooptação alguma da minha pessoa pra qualquer grupo que seja. Continuo sendo o mesmo Neco de sempre: humilde, trabalhador e ao lado do povo, sempre buscando o melhor para o nosso povo.

Os outros dois nomes são apenas especulações oposicionistas”.

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Bastos de volta, com os números em dia e a corda toda

Números que falam

Por Alexandre Bastos, em 06-08-2013 – 22h56

Somando o protesto dos Cabruncos Livres (5 mil pessoas), o abraço em solidariedade ao Asilo do Carmo (70 pessoas), manifestação pelos royalties (8 mil pessoas) e manifestação dos médicos com o apoio dos Cabruncos (800 pessoas), não dá nem a metade da multidão que foi conferir o show do sertanejo-pop Michel Teló na Praça São Salvador (40 mil pessoas).

Cá entre nós, protestar pra que? A nossa cidade é um mar de rosas! Então, nada melhor do que ouvir Michel Teló e cantar: “Ai, se eu te pego”.

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Gustavo atira como de costume, mas também acerta

Novo filme da oposição: “A guerra dos candidatos”

Por Gustavo Matheus, em 07-08-2013 – 0h40

Chega a ser cômica! A oposição em Campos é algo muito próximo de um devaneio pertencente a um bêbado em coma. A falta de estratégia, organização e, principalmente, bom senso, fortalece o discurso de membros do governo que apontam para os oposicionistas com certo desdém.

Orgulhosos e incapazes, alguns grupos da segregada oposição campista utilizam de um lema geralmente aplicado aos adversários, mas que a mesma se auto inflige: “Dividir e conquistar”. Ou seja, eles se dividem para que os rosáceos possam colher os louros.

O PT desta planície é um exemplo clássico desse despreparo e falta de comando. Por aqui, com a exceção da pré-candidatura do ex-candidato a prefeito Makhoul Moussalem, a única para a Câmara Federal, nada faz sentido. São três pré-candidaturas buscando o mesmo objetivo, todas com poucas chances de abraçar o objetivo juntas, separadas então…
Os pré-candidatos, Marcão, Odisséia e Professor Alexandre Lourenço, já deixaram claro que não irão compor. Todos garantem que serão candidatos.

Para piorar o cenário oposicionista, as candidaturas de Makhoul e Nelson Nahim (PPL) para a Câmara Federal ganharam companhia. O ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT) e o vereador Nildo Cardoso (PMDB) acabam de entrar na briga para em bolar esse meio de campo. Pezão decidiu dar uma de Garotinho, pensando na majoritária, e começa a lançar à mesa seus peões. Trata-se daquela velha tática de ser ajudado fingindo ajudar. Vários se levantam, mas poucos se mantêm de pé.

Podem esperar, mais candidatos irão surgir. Em breve teremos a guerra dos candidatos.

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Prefeitura consegue liberar no TJ o “Reda da educação”

Prefeitura derruba liminar no TJ-RJ e mantém Processo Seletivo

Por Alexandre Bastos, em 06-08-2013 – 21h48

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), através do Desembargador André Ribeiro, da 21ª Câmara Cível, suspendeu a liminar concedida pela 1ª Vara Cível de Campos, que paralisou o Processo Seletivo Simplificado, marcado para o dia 27 de julho, pela Prefeitura de Campos. A partir da decisão concedida nesta terça-feira (06), a prefeitura dará continuidade ao Processo, visando a contratação temporária de professores.

A liminar que suspendia o Processo Seletivo Simplificado foi concedida após Ação Popular proposta pelo advogado José Paes Neto. A notícia sobre o a suspensão foi divulgada no último dia 25 pelo blog do Gustavo Matheus (aqui).

O Desembargador André Ribeiro argumentou em sua decisão que o Processo Seletivo de Contratação Temporária pautou-se na transitoriedade e excepcionalidade, bem como no interesse público devidamente justificado pela municipalidade. O Procurador Geral do Município, Matheus José, reitera que os professores contratados irão ocupar vagas temporárias decorrentes de licenças e readaptações, medida esta feita com base em lei autorizativa e previsão constitucional.

A secretária municipal de Educação, Esporte e Cultura, Marinéa Abude, informa que nesta quinta-feira (08) será publicado no Diário Oficial, um aviso dando continuidade ao processo e informando os procedimentos necessários aos futuros contratados. Segundo Marinéa Abude, a secretaria inscreveu 1.349 candidatos para o processo seletivo para vagas de professor substituto.

Vagas — Elas são voltadas para professor I (20h) para atuar na Educação Infantil e no 1º segmento do Ensino Fundamental, para professor II (35h) que exercerão atividades nas creches e Professor II (25h), que serão encaminhados para escolas do segundo segmento (com turmas do 6° ao 9° ano do ensino fundamental). Os salários variam entre R$ 1.403,55 a R$1.901,95. Os interessados não podem possuir vínculo empregatício, já que os contratos têm como finalidade suprir carências e o mesmo poderá ser transferido de unidade escolar e de horário constantemente.

O processo seletivo será realizado por meio de prova objetiva, de caráter eliminatório e classificatório. As provas contarão questões de língua portuguesa, conhecimentos pedagógico e gerais.

Fonte: Ascom/Prefeitura de Campos

Atualização às 22h27: Aqui, o jornalista Ricardo André Vasconcelos foi o primeiro na blogosfera goitacá a repercutir a vitória jurídica de Rosinha no TJ. Aqui, Ricardo publicou a íntegra da decisão do desembargador André Ribeiro.

Atualização às 14h34 de 07-08-13: Na verdade, o primeiro a noticiar na blogosfera local a vitória jurídica de Rosinha no TJ foi o Ralfe Reis, de longe o melhor blogueiro entre os francamente governistas. Confira aqui.

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Após ser internado na UTI do Beda, Fred vai ainda hoje para o quarto

Fred Machado no UTI do Beda

Por Suzy Monteiro, em 06-08-2013 – 16h34

O vereador Fred Machado foi internado na UTI ontem pela manhã com fortes dores no peito. Os exames indicam que não foi infarto, como chegou a se pensar no princípio. O vereador continuará na UTI até amanhã por prevenção, conforme explicação médica.

De acordo com informações publicadas no facebook de Fred, ele está bem e o quadro dele é estável. Se tudo continuar bem e os exames não mostrarem gravidade, ele irá para o quarto amanhã.

Ele está no Beda II, mas não pode receber visitas.

(Fonte: Assessoria do vereador)

Do blogueiro: Ao Fred os desejos sinceros por seu pronto restabelecimento.

Atualização às 18h29: O blogueiro acabou de falar, no telefone de Fred, com sua irmã, a ex-prefeita sanjoanense Carla Machado, de quem teve boas notícias. O vereador de Campos, que se internou no Beda após sentir dores no peito, na noite de domingo, felizmente já está saindo da UTI a caminho do quarto do hospital.

Atualização às 22h20: Aqui, o jornalista Alexandre Bastos informou que Fred já havia chegado ao quarto e passava bem, esperando apenas a chegada do seu médico, do Rio, para receber alta do hospital.

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Peça ensaiada sobre a paternidade do Trianon é farsesca

O TRIANON NÃO TEM UM DONO SÓ

Por Ricardo André Vasconcelos, em 06-08-2013 – 11h19

Foto publicada na capa da Folha de Manhã de 01/08/1998: Rosinha, Ilsan e Arnaldo inauguram o Trianon 1998. A obra atravessou os governos de Garotinho, Mendes e Arnaldo
Foto publicada na capa da Folha de Manhã de 01/08/1998: Rosinha, Ilsan e Arnaldo inauguram o Trianon 1998. A obra atravessou os governos de Garotinho, Mendes e Arnaldo

Habituado a reescrever o passado como convém aos seus interesses do momento, o deputado Garotinho anda se gabando de que construiu sozinho (veja aqui) o Trianon — só falta dizer que carregou, pessoalmente, tijolo por tijolo! — mas a verdade não é essa.

Ninguém lhe tira o justo mérito de ter iniciado o movimento que culminou na doação de US$ 1 milhão pelo Bradesco (o banco que comprou, demoliu o antigo Trianon e construiu uma agência bancária no local). Esse dinheiro deu início às obras nos anos de 1991/1992. O prefeito que substituiu Garotinho, Sérgio Mendes, enfrentou muitas dificuldades e dívidas deixadas pelo antecessor. Mas como como parte das dívidas foram para obras que ajudaram a elegê-lo, engoliu em seco e suportou o quanto pode…

Mesmo assim, de 1993 a 1996 as obras de construção do Trianon não pararam e boa parte da alvenaria do prédio foi realizada neste período. Em sua gestão Sergio também garantiu uma segunda doação do Trianon, que deveria ser efetivada no final das obras.

De volta ao governo municipal em 1997, Garotinho deu sequência às obras concluídas 18 meses depois, quando Arnaldo Vianna (eleito vice) já tinha assumido o cargo com a renúncia do titular, e inaugurou, em 31/07/1998, o teatro. A placa foi descerrada por Arnaldo, Ilsan Vianna e Rosinha, representando o marido que, candidato ao Governo do Estado, estava impedido de comparecer.

Garotinho tem seu lugar na história do Trianon, sim, principalmente pela utopia de iniciante que contagiava a todos, mas isso não lhe confere o direito de escrever uma história de personagem único.

Stálin explica.

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Trapézio dos meninos

Madrugada de mudanças, após um domingo de sopro nordeste e sol de inverno, que seria banido na segunda seguinte pelo vento sul, carregador das tormentas na liteira do céu. O dia fora bom com os dois meninos, um seu filho, outro seu afilhado, frutos do mesmo ventre. Algumas mulheres após a mãe de ambos, algo fora dali, mas dentro dele, incomodava a quem se dedicava à paternidade em sangue e por batismo.

Saiu do quarto, onde deixou os meninos, e se encaminhou à sala ao lado. Acendeu o cigarro, buscou caneta e bloco para tentar escrever. Sua prosa, há anos, já era parida e criada em vida integralmente digital. Mas não seus versos, cuja vértebras ainda demandavam o tato da tinta para serem dados à luz. Bem verdade que a poesia, amante de longa data, já não lhe era tão solícita quanto fora um dia. Afinal, como o sexo, era produto também da prática. Mas naquele momento, mesmo dela enferrujado, era a catarse de que dispunha.

Em meio ao barulho do mar e da mudança dos ventos em Atafona, ecoavam dentro de si apenas as batidas do coração. “Menos uma, menos uma”, divagava a ressalva do cineasta Mário Peixoto, gênio de filme mudo e único, “Limite”, em contato revelado com Walter Salles, que depois utilizaria a sentença de morte na vida em um de seus próprios filmes, “Abril despedaçado”. Tentando juntar os cacos daquele início de agosto, mês tradicional de maus augúrios, o cinéfilo e poeta em busca de redenção se lembrou de uma imagem que nunca o abandonara, desde que suas vistas tinham lhe rascunhado na alma.

Poderia ter sido há 10 anos, poderia ser mais. Fato é que abandonava a planície pela BR 101, nos caminhos de serpente entre a Serra do Mar e o Atlântico, rumo às terras de São Sebastião. Guiando o carro ainda na antiga Favela da Linha, antes de Ururaí, percebeu o menino trepado de ponta a cabeça no muro da casa à beira da estrada, só de bermudas, torço nu, sustentando todo seu corpo magro e retinto contra Newton, pelas pernas dobradas à altura do joelho, como trapezista de circo. Braços abertos e tombados pela gravidade, no escambo de prazer com vertigem, ele escancarava no rosto invertido de lado o seu sorriso de marfim.

Por sempre pretender fazer uso da imagem, jamais a esquecera. Enquanto a espinha dos versos era escavada na paleontologia do papel e da caneta, antes de finalmente ganhar projeção de corpo inteiro na computação gráfica do word, ouvia os risos dos meninos brincando no quarto, que acabaram entrando na sala e no poema. E, pelas mãos, finalmente pegaram aquele trapezista há tanto solto em voo no espaço da memória.

Entre a criança do passado e as do presente, o homem encontrou paz para se lançar outra vez do seu próprio trapézio ao futuro. Menino redescoberto em meninos e salvo de si por se saber ainda poeta, ele também sorriu.

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Campos Run

foto[1]O Campos Run,ontem,marcou a festa da nossa cidade. Eu chargista e blogueiro não podia estar de fora da terceira etapa do Campos Run com o tempo de 19 min 57 segundos fiz uma bela prova na minha categoria de 30 a 39 anos fiquei com o primeiro lugar e olha que não trenei como eu  gostaria,mas agora é me preparar para a quarta etapa no dia 15 de Setembro.

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Miro prega PDT fora do governo Cabral que quer suceder

Miro Teixeira diz que o PDT pode deixar governo Cabral

Por Saulo Pessanha, em 05-08-2013 – 6h11

As dificuldades enfrentadas por Sérgio Cabral contribuem para deixar mais animada a disputa por sua sucessão. Para o deputado federal Miro Teixeira (PDT), que, no início do ano, lançou sua pré-candidatura ao Palácio Guanabara, a crise reforça a possibilidade de seu partido deixar o governo estadual. “Muita gente não está contente com esta participação”, diz.

Segundo Miro, as razões para a saída são outras e antigas, relacionadas à administração estadual. Mas o desgaste de Cabral deve reforçar o rompimento que, para ele, é fundamental.

Fonte: Informe do Dia (Fernando Molica)

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Na terra de abelhas e marimbondos, Ranulfo nega ser presente de grego

Ranulfo Vidigal: “Não existe essa história de cavalo de Tróia”

Por Alexandre Bastos, em 05-08-2013 – 2h03

O ex-prefeito e atual secretário de Fazenda de São João da Barra, Ranulfo Vidigal, afirmou no programa de rádio “São João da Barra no ar”, no último sábado (03), que não existe a possibilidade do seu ingresso na Prefeitura de SJB ser uma forma de cooptar o atual prefeito para o grupo político do deputado federal Anthony Garotinho (PR). “Não vim inventar a roda. Ela já existe e está funcionando. Eu não vim aqui para fazer um cavalo de tróia, para levar o Neco para lá ou para cá”, afirmou.

De acordo com Ranulfo, tudo na vida passa. “Torço pelo sucesso do governo Rosinha. Porém, agora faço parte da Prefeitura de São João da Barra e estou ao lado do prefeito Neco e da ex-prefeita Carla Machado”, afirma o secretário.

Cavalo de Tróia — O Cavalo de Tróia foi um grande cavalo de madeira usado pelos gregos durante a Guerra de Tróia como um estratégia decisiva para a conquista da cidade fortificada de Tróia. Tomado pelos troianos como um símbolo de sua vitória, o cavalo foi carregado para dentro das muralhas, sem saberem que em seu interior se ocultava o inimigo. À noite, guerreiros saem do cavalo, dominam as sentinelas e possibilitam a entrada do exército grego.

Fonte: SJB Online

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Arthur Soffiati — Cultura entre o populismo do poder e o maniqueísmo dos artistas

Mais de uma vez, já disse que o grande barato da lida blogueira é a interatividade imediata com você, leitor, e que suas contribuições na forma de comentários, não raro, acabam sendo tão interessantes quantos as postagens que os geraram. Menos vezes, pelo menos aqui, disse que o grande barato de se ter a formação de autodidata, é poder ter escolhido livremente os seus mestres, no lugar de simplesmente aceitá-los por imposição acadêmica. Em contrapartida, é ruim por ter poucos mestres com os quais se pôde conviver, sem a chance de conhecê-los na dimensão humana do cotidiano, posto terem sido em grande maioria distantes em tempo e espaço. Exceção orgulhosa para mim, foi a oportunidade de ter entre eles o professor, escritor e ambientalista Aritides Arthur Soffiati, a quem considero o maior intelectual de fato nesta planície de sombras e pretensões de luz cortada pelo Paraíba do Sul. Com sua licença devida, na relevância maior de post, reproduzo abaixo o comentário feito originalmente aqui, no blog, e aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, sobre a entrevista concedida pelo também professor e escritor Adriano Moura, acerca dos rumos e desrumos da cultura goitacá…

Venho acompanhando com atenção toda a polêmica iniciada com a propalada censura da peça “Bonitinha mas ordinária”, de Nelson Rodrigues, pela prefeitura de Campos. Inicialmente, preciso definir que parto de duas premissas para me posicionar. A primeira é a distinção entre vertente patrimonial e vertente da produção cultural. A segunda diz respeito às quatro políticas públicas de cultura segundo Abraham Moles: políticas informal, populista, autoritária e democrática. Claro que elas não podem ser vistas de maneira estanque.

Tive uma experiência de 18 meses como gestor público de cultura e me empenhei em definir uma política democrática de cultura que contemplasse as vertentes patrimonial e da produção cultural. Fracassei não por incompetência, mas por trabalhar com um prefeito que tinha uma visão informal de cultura sem sequer saber que sua visão era essa. Saí sem manchas, até porque recebi apenas dois meses durante os 18 em que tentei algo novo.

A partir de Garotinho, os prefeitos adotaram, todos eles, uma mistura de política populista com autoritária. Populista por fazerem política partidária com a cultura e por verem na cultura uma forma de ganhar dinheiro ilícito. Autoritária por imporem seus padrões de cultura à sociedade.

Por outro lado, concordo com Adriano Moura. Aqueles que trabalham com cultura em nosso município pautam sua atuação de forma medíocre e também partidária. São pessoas que desejam apenas se apresentar como produtores de cultura, sem a preocupação e o empenho de se situarem nos processos culturais. Acham que, para fazer teatro, literatura e outras manifestações culturais, basta apenas o desejo. São pessoas que cortejam o poder e o apóiam se seus projetos foram acolhidos. Fora do poder, criticam os governantes se não são contemplados. Claro que não generalizo porque sempre é injusto colocar todo mundo num mesmo balaio.

Claro também que não espero criadores geniais vivendo em Campos. Os grandes nomes da província foram embora para desenvolver suas vocações. Vejamos José Cândido de Carvalho, Thiers Martins Moreira, José Américo Motta Peçanha, Ivald Granato e Lúcia Laguna, para só mencionar alguns nomes. Essas pessoas guardaram a província em seus corações, mas partiram para outras plagas. Contudo, permanecer na província não exime os criadores culturais de Campos de empreender uma reflexão mais aprofundada sobre sua condição. Neste aspecto, coloco-me como os historiadores neopositivistas, que examinam e julgam as manifestações culturais dentro do seu contexto.

Certa vez, um poeta se aproximou do saudoso Prata Tavares e perguntou o que ele havia achado do seu livro. Prata, na sua sinceridade rude, respondeu: você precisa estudar poesia. Certa vez, um produtor de teatro me disse que eu seria considerado inimigo do teatro se não assistisse à sua peça. Respondi-lhe prontamente que podia me considerar inimigo do teatro.

Em síntese, não estamos diante de um filme em que bandidos e mocinhos são absolutamente distintos e separados. Não gosto da visão maniqueísta dos nossos intelectuais e artistas.

Arthur Soffiati

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