Lembranças de Pedro

Morreu, às 16h50 de hoje, vítima de um câncer na bexiga contra o qual lutava há cerca de um ano, o médico Pedro Otávio Enes Barreto, aos 55 anos. Era o primogênito orgulhoso de Dona Eneida e Seu Hercílio; irmão cuidadoso de Guilherme, Fátima, Frederico e Beatriz; marido apaixonado de Luiza Helena; pai carinhoso de Lívia, Luiz Otávio e Pedro Henrique; e avô babão da pequena Maria Eduarda. Era clínico geral e geriatra, diretor clínico do Hospital Manoel Cartucho, professor da Faculdade de Medicina de Campos e médico público deste município, além de ter sido secretário municipal em Saúde de São João da Barra, entre 2005 e 2006, na primeira gestão Carla Machado.

Foi, sobretudo, um médico humanista e caridoso, adorado pelas centenas de pacientes e ex-pacientes públicos e particulares, unanimente respeitado e admirado por todos os colegas, que colecionou uma legião de amigos verdadeiros em sua incansável lida na saúde, na vida, nas ruas, na mesa da sua casa, dos restaurantes, bares e botequins.

Abaixo, o blogueiro, seu “genro preferido”, por casado com sua única filha, mas também seu filho e seu irmão por afinidade de alma e adoção, republica o artigo postado originalmente aqui, no último dia 25 de janeiro, em virtude da homenagem que Pedrinho, como era carinhosamente conhecido, recebeu como “médico do ano”, pela Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia (SFMC)…

Quando a busca é o outro

Por Aluysio, em 25-01-2012 – 18h10

“Pois que, eu essência, não habito
Vossa arquitetura imerecida;
Meu Deus e meu conflito”

(carlos drummond de andrade)

sétimo selo

há os dias em que busco Deus
há aqueles em que topo o dedão
e O chamo de filho da puta
mas guardo na cômoda, por utopia
um pequeno grão de mostarda
e o amor da carpintaria

eu, quase sempre distante
como filho criado por outros
numa ilha sem fé no mar
e às vezes, meu Deus, tão seu íntimo
agarrado como uma criança
a quem a salvou de se afogar

minha imagem e semelhança?
falho demais para meu Deus
— teria mais em conta um gorila
ou a árvore que o aproxima do céu

caminho em sua vida
abençoado por sua sorte
encontro marcado com a morte
delirando chorar como hamlet
na certeza química dos anjos
nas dúvidas de antonius block

campos, 11/12/06

“O país não descoberto, de cujos confins/ Jamais voltou nenhum viajante”. Pela boca do príncipe Hamlet, em meio ao conhecido monólogo do “Ser ou não ser” (Ato III, cena 1), é assim que o dramaturgo William Shakespeare define a morte.

Desde o início do séc. 17, quando a mais famosa tragédia foi escrita, muito se tem debatido sobre o paradoxo da definição, proferida pelo atormentado príncipe num momento da peça em que ele já tivera contato com o fantasma do pai. Por óbvio, como “jamais voltou nenhum viajante”, após o espectro do rei surgir no mundo dos vivos para revelar ao filho homônimo que fora assassinado?

Da arte à vida que a imita, quem de fato já encarou a morte, e pode voltar com sua lembrança, não guarda dúvida sobre o divisado pelos olhos que transcendem à própria cara. Passa-se a integrar uma categoria diferente de gente — nem melhor, nem pior, mas diferente. Distinto à grande maioria dos que vivem, só a partir do renascimento se dá a gênese do sobrevivente, “viajante” sorteado com bilhete de ida e volta à fronteira do tal “país não descoberto”.

Todos que lá estiveram guardam suas cicatrizes. Não necessariamente visíveis em plano físico, embora sempre tangíveis diante de um igual em experiência.

Há pouco mais de seis anos, logo depois que comecei a namorar Lívia, minha esposa, conheci seu pai, Pedro Otávio Enes Barreto, Dr. Pedrinho dos amigos, vovô Pedinho da pequena Maria Eduarda. Se de cara distingui nele um igual, não demorou muito para que descobrisse se tratar de um tipo ainda mais especial de sobrevivente.

Do meu encontro com a morte, aos 19 anos, ficaram um buraco no lugar de testa e um apego radical a determinados valores pessoais, aos quais me agarrei para continuar vivo e busquei manter a despeito de qualquer necessidade de simpatia ou aceitação. Por sua vez, em Pedrinho, com apenas 16 anos, embora as consequências físicas tenham sido piores, aquelas operadas em seu caráter foram melhores, muito melhores.

Após mais de um ano integralmente submetido ao mais árduo trabalho de fisioterapia para tornar a andar, Pedrinho voltou a fazê-lo com limitações motoras. Diante delas, no lugar de se bastar em conceitos abstratos e ensimesmados, soube comungar sua própria luta pela vida numa peleja real por qualquer outra. Se a medicina e sua força de vontade o fizeram caminhar novamente, ele iria usar ambas, como as duas pernas, para fazer o mesmo por quem pudesse.

Quando o conheci, Pedrinho já era um dos clínicos gerais e geriatras mais conceituados de Campos. Ainda assim, acumulava seu concorrido consultório particular com a função de médico público municipal, professor da Faculdade de Medicina e diretor clínico do Hospital Manoel Cartucho. E, mesmo andando com o auxílio da surrada e inseparável muleta, nunca buscou esta em ninguém para deixar de cumprir sozinho os afazeres diários, guiando o próprio carro entre tantas frentes de trabalho e sua casa, da qual saía quase sempre de manhã cedo, para só regressar tarde da noite.

A medicina pública, na qual diz ter se dado sua verdadeira formação profissional, não teria exercício exclusivo no cargo conquistado mediante concurso. Também na prática privada, nunca se furtou em atender quem não pudesse pagar pela atenção de um profissional do seu nível. A muitos pacientes carentes, chegou por incontáveis vezes a fornecer acesso aos remédios que receitava, por meio de amostras grátis recebidas dos laboratórios.

Mesmo com a labuta incessante pela vida alheia, não se furtou em viver intensamente a sua própria. Amigo de primeira hora e necessidade de todos seus muitos amigos, nunca deixou de cultivá-los ou construir novos, em torno da mesa da sua casa, indiscriminadamente aberta a todos, ou nas dos restaurantes, bares e botequins. Afinal, como o poetinha Vinícius de Moraes, Pedrinho também “nunca viu uma boa amizade nascer em leiteria”.

A humanização que pregou à exaustão no exercício da medicina, sobretudo em sua atividade no magistério, era só uma extensão de todas as demais relações mantidas com seus semelhantes.

Por todos estes motivos e outros também, Pedrinho recebeu ontem o título de médico do ano pela Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia. Num auditório que o recebeu com palmas e ao final o ovacionou de pé, a entrega foi precedida pela fala de três colegas: Leonardo Bacelar, Makhoul Moussallém e Luiz Carlos Sell.

O primeiro deu o testemunho do pavor de uma paciente, ao saber, numa necessidade eventual, que não seria atendida por Pedrinho. Já o último fez a pertinente lembrança a Luiza Helena, minha sogra, para ressaltar que nenhum guerreiro lutaria com tanta coragem, diante de tantas dificuldades, se não tivesse ao lado uma camarada em armas da mesma têmpera.

Todavia, na minha opinião, partiu de Makhoul a definição mais precisa daquilo que todos que estavam ali, sentiam e sentem em relação ao homenageado da noite de terça. Antes de fechar sua fala com a aparência de superlativo, ao afirmar que Pedrinho não é o médico do ano, mas do século, o orador egresso de uma raça milenar endossou que sempre quando se vê diante de alguma dificuldade na vida e pensa em esmorecer, ministra para si mesmo a cura ao se mirar no exemplo do ex-paciente, ex-aluno e colega de lida.

Numa dessas coincidências da vida, daquelas que Nietzsche dizia não haver enquanto coincidências, Makhoul foi o neurologista que salvou a vida de Pedrinho e, anos depois, a minha. Se poucos, como nós dois, tiveram a sorte de ir e voltar, menos ainda, como ele, são os que dedicaram esse retorno à missão de adiar a inexorável partida daqueles que o cercam.

Pedrinho ensinou meu filho, a quem ele e Luiza adotaram como neto, a jogar xadrez. Ícaro já era fascinado pelo jogo desde que assistimos juntos a “O Sétimo Selo”, clássico do cinema de Ingmar Bergman, no qual o cavaleiro medieval Antonius Block, na pele do ator Max Von Sydow, assim que retorna das Cruzadas na Terra Santa para uma Europa arrasada pela peste, encontra a Morte, a quem propõe uma partida de xadrez, visando mais tempo à busca dos questionamentos existenciais aos quais, como Hamlet, dedicou sua vida sem achar respostas.

Com a modéstia do plebeu a humanizar uma alma das mais nobres, a busca de Pedrinho, após seu encontro com a morte, teve resposta pronta a indagações menos pretensiosas. Seu jogo, a partir dali, passou a ser estender a mão a quem estava do outro lado deste tabuleiro de nós todos e simplesmente precisava de ajuda.

Meio pai e meio irmão, meu e de outros tantos, é o melhor homem que já conheci.

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O helenismo em Heleno

São vários os motivos para se assistir ao filme “Heleno”, de José Henrique Fonseca, filho daquele que é considerado nosso maior prosista vivo: Rubem Fonseca. Serve para quem gosta de futebol e quiser conhecer um pouco mais da sua rica história. Serve para quem, como tantos têm feito, quiser traçar a analogia óbvia entre alguns de nossos atuais craques-problema, como Ronaldinho Gaúcho e Adriano, com seu mais glamoroso precursor. Serve para quem, mesmo sem gostar de futebol, simpatiza com a história dos heróis trágicos, no sentido grego (ou heleno) da palavra, aqueles que só gozam a vida vivendo-a no limite; aqueles, como cantou Adriana Calcanhoto, “que têm fome, que morrem de vontade, que secam de desejo, que ardem”. Serve para quem, como era o caso deste crítico de cinema bissexto, ainda tem alguma dúvida se Rodrigo Santoro é (no mínimo) um bom ator. Serve para quem quiser reconhecer o brilhantismo de um gênio do cinema brasileiro, o diretor de fotografia Walter Carvalho, realçado na adequada película em preto e branco, como foram o coração botafoguense e como se dividiu a vida do ex-atacante Heleno de Freitas (1920/59), gênio da área da mesma linhagem futebolística de Leônidas da Silva, Ademir Menezes, Pagão, Coutinho, Reinaldo, Careca, Romário e Ronaldo Fenômeno. Serve, de resto, a torcedores do Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco, ou de clube algum, mas desde que arquibaldos e geraldinos de uma tal de humanidade.

Numa época em que jogador de futebol era encarado como profissão marginal, Heleno inovou também fora dos campos. Filho de um rico fazendeiro de café mineiro, era formado em Direito, frequentador das altas rodas sociais cariocas, membro do Clube dos Cafajestes (que congregava, nos anos 40 e 50, os boêmios jovens e “bem nascidos” do Rio), amante do cinema, da boa música, de carros e motos possantes, das mulheres mais lindas e cobiçadas do seu tempo. Era também narcisista, irascível dentro e fora dos campos, marrento à medula, viciado em éter, marido e pai ausente, violento consigo e com ou outros, um caso clássico e extremado de bipolar, cuja sífilis que se recusou a tratar (“para não ficar frouxo ou brocha” como a personagem diz no filme) agravou até o ponto da loucura, levando-o à morte, no ostracismo de um sanatório em Barbacena, com apenas 39 anos.

Desde a final da Copa de 50, em que fomos derrotados por 2 a 1, pelo Uruguai de Schiaffino, Ghiggia e Obdúlio Varela, em pleno Maracanã, na “nossa maior tragédia nacional, tragédia maior que a de Canudos”, como bem definiu Nelson Rodrigues, rios de tinta já foram gastos na especulação: Se Heleno estivesse em campo, o Brasil teria perdido a Copa? Aguça a curiosidade, sobretudo quando constatado que, jogando por clubes, o único título conquistado pelo maior ídolo do Botafogo pré-Garrincha, como campeão carioca de 1949, foi pelo “Expresso da Vitória” de São Januário, que serviu de base àquela Seleção Brasileira da Copa de 50, cujo maior artilheiro (com oito gols) foi o já citado Ademir Menezes, o “Queixada”, companheiro de ataque de Heleno no Vasco do ano anterior.

O filme mostra o motivo, já que depois de ser barrado no Vasco pelo técnico Flávio Costa, que também dirigiria o Brasil em 50, por se recusar a treinar, quando já começava a pagar o preço físico pela vida boêmia, Heleno colocou um revólver na cabeça do treinador, que depois deu uma surra no jogador. Todavia, o fato é que, em 50, além do entrosamento com Ademir e os ex-companheiros do Vasco, o craque estava ainda no auge, jogando pela milionária liga pirata da Colômbia, na qual mesmo atuando junto de monstros sagrados como o argentino Alfredo Di Stéfano (que depois iria conquistar tudo pelo espanhol Real Madri, sendo comparado pelos europeus a Pelé), a classe e a elegância do seu futebol superior fizeram com que uma estátua em bronze de Heleno fosse erguida na cidade de Barranquila, onde está até hoje, na qual embaixo se lê apenas: “El Jogador” (“O Jogador”).

Todavia, mais do que na Colômbia, onde se atém a mostrar suas proezas na cama com duas prostitutas e sua reação à derrota brasileira na final de 50 (“O Costa se fodeu!), a passagem estrangeira a que o filme dá mais atenção foi pelo Boca Juniors da Argentina, onde, excêntrico, mas sem perder nunca a classe, Heleno treinava de sobretudo no frio de Buenos Aires. Nessa sequência, Rodrigo Santoro evidencia sua entrega física integral ao papel, já que ele próprio se definiu apenas como um “peladeiro esforçado” até fazer o filme, mas após a preparação para ele junto ao ex-atacante Cláudio Adão, o ator mata uma bola cruzada no peito e conclui a gol, com sobretudo e tudo (sic), com a aparente intimidade de um craque.

Entre as cenas no sanatório de Barbacena, e os dias de glória de jogador, nas duas linhas de tempo nas quais a narrativa do filme se divide, talvez seja do ocaso da vida de Heleno a grande cena dramática do filme, quando o tabagista inveterado insiste em oferecer seu cigarro a um colega interno, que acaba dando um tapa na mão do ex-craque e depois chora pelo ato da própria violência, sendo perdoado apenas pelo gesto de quem, num raro momento de lucidez, alcançado só em meio à loucura, finalmente aprendeu o perdão. Em gesto inverso, outra cena que passeia pela retina mesmo horas depois da exibição do filme, é a de Heleno caminhando descalço pelo alto da mureta do Copacabana Palace, tendo como fundo as nuvens do céu em preto e branco, enquanto observa todos seus semelhantes alheios lá embaixo e repete mentalmente, como um mantra de uma religião de si mesmo contra o mundo: “Bando de filhos da puta! Bando de filhos da puta!”.

Entre um oposto e outro, caminha à beira do abismo toda a humanidade tão bem resumida por helenos de outro tempo.

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Apenas questão de tempo

E porque Jean-Jacques Rousseau (1712/78) sempre fica melhor na boca de quem já se deu ao trabalho de ler sua obra antes de citá-lo, fica a dica do filósofo suíço para todo profissional que tiver seu trabalho roubado na cara dura por um medíocre qualquer: “A força fez os primeiros escravos, a sua covardia perpeteou-os”.

Até porque coragem é como caráter, já que nem toda paciência do mundo pode fazê-las frutificar em quem sempre foi deserto às suas semeaduras. Quanto a estes, a paciência só tem serventia para aguardar até quando, mais dia, menos dia, secos de qualquer polpa, cairão à brisa doce sem ficar nem para semente.

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A resposta: Fim dos plágios e caso encerrado…

Na última terça-feira, ciente a partir do excelente trabalho de apuração feito aqui pela blogueira Gianna Barcelos, de que uma das empresas denunciadas pelo “Fantástico” por corrupção em licitações públicas, a Rufolo, também atuava junto ao poder público de Campos, dediquei toda tarde e boa parte da noite daquele dia a também apurar o caso. Entre várias outras fontes, liguei para uma do primeiro escalão do governo Rosinha, alertando que caso a Prefeitura de Campos não seguisse o exemplo dos governos estadual e municipal do Rio de Janeiro, que já haviam rompido desde segunda os contratos com os denunciados, esse contraponto seria o gancho óbvio a ser jornalisticamente exposto e explorado. Como a fonte me disse que eu havia sido o primeiro a procurar a Prefeitura para buscar o contraditório sobre o caso, solicitei em contrapartida que qualquer decisão tomada a partir dali me fosse imediatamente comunicada.

Coincidência ou não, logo após essa minha conversa com a fonte, foi realizada uma reunião entre ela e vários outros integrantes do governo com a prefeita Rosinha, como o ex-prefeito e blogueiro Sergio Mendes revelou em primeira mão aqui, que se estenderia por toda a tarde e início da noite de terça. Finda a reunião, um outra fonte da Prefeitura, que antes também havia procurado sem sucesso, pois também estava na tal reunião, me retornou a ligação e revelou que o contrato com a Rufolo não seria renovado quando vencesse no final deste mês, decisão que seria divulgaria por uma nota oficial que estava sendo feita naquele momento. Assim que encerrei a ligação, antes mesmo de receber a nota, noticiei a novidade imediatamente no blog, atualizando-a com a posição formal tão logo a recebi por e-mail, alguns minutos depois.

Todo trabalho jornalístico bem feito, quando se chega com exclusividade à notícia, ao chamado “furo”, é extremanete prazeroso, sobretudo quando o desfecho, que se ajudou a ensejar, é positivo à sociedade. Poucos, no entanto, conseguem ter repercussão oficial tão imediata, posto que alertada por uma assessora do que este blog acabara de noticiar, a vereadora petista Odisséia Carvalho, na sessão da Câmara de terça, que acontecia paralelamente à reunião da Prefeitura, anunciou do plenário a não renovação municipal com a Rufolo, dando o crédito devido ao blog e ao jornalista que revelaram a notícia e constrangendo a bancada governista que até então defendia a manutenção do contrato com a empresa denunciada.

Em outras palavras, não só os cerca de 60 mil leitores diários da Folha Online, que teve  link para o post do blog como sua manchete principal, mas todos os que também assistiam à sessão de terça, de corpo presente, ou ao vivo pela UniTV e pela internet, puderam saber tanto da notícia, quanto de quem primeiro noticiou.

Todavia, a pressão feita por telefone com a fonte do primeiro escalão de Rosinha, cobrando uma safisfação sobre o caso, bem como o consequente “furo” da não renovação do contrato com a Rufolo e da divulgação da nota oficial da Prefeitura, tornam-se ainda mais prazerozos quando constatado que todo o processo foi uma construção coletiva, iniciada pela revelação da atuação da empresa em Campos pela Gianna, passou pela notícia da reunião na Prefeitura dada por Sérgio, teve sequência em outros pertinentes questionamentos feitos aqui e aqui pelo advogado e blogueiro Cléber Tinoco, além da posterior divulgação aqui, também neste Opiniões, do contrato inicial e do termo aditivo entre o governo municipal e a empresa. Muitos outros blogueiros que não conseguiram chegar a informações em primeira mão, mas deram repercussão às conseguidas pelos colegas de lida virtual, hospedados ou não da Folha Online, tiveram também papel fundamental na pressão que obrigou a Prefeitura a rever sua relação com a Rufolo.

Ao contrário do que chegaram a propor alguns radiciais de si mesmos, o caso serve para evidenciar que as mídias tradional e virtual, ressalvados os eventuais conflitos entre os interesses existentes em todos os lados, no lugar de necessariamente antagonistas, podem ser também complementares, sobretudo quando o que está em jogo é o interesse público. E é uma pena que esse exitoso momento de união tenha sido parcialmente desvirtuado por uma cópia sem o devido crédito, feita aqui pelo advogado e blogueiro Cláudio Andrade, da nota oficial divulgada primeiro e quase duas horas antes, aqui, neste Opiniões.

Depois que o Ctrl+C/Ctrl+V foi denunciado aqui, Andrade disse, numa atualização do dia seguinte, que sua fonte havia sido o site Ururau. Todavia a emenda tardia, por descaradamente falsa, revelou-se ainda pior que o soneto omisso, haja vista que o Ururau só postou a nota oficial da Prefeitura às 21h53 da terça-feira, enquanto o advogado e blogueiro já a havia divulgado desde às 21h25. Como, a não ser que tenham inventado a máquina do tempo, não é possível republicar algo de alguém que só publicaria 22 minutos depois, ficam desnudas até a virilha as penas curtas da grosseira mentira. Na verdade, a nota oficial foi pega diretamente deste blog, ou então da jornalista e blogueira Jane Nunes, que a havia republicado aqui, às 20h08, mas com o crédito e o respeito devidos ao trabaho alheio, solemente ignorados pelo outro blogueiro.

A coisa seria menos grave se não fosse uma reincidência de apropriação sem crédito, pelo mesmo Cláudio Andrade, do trabalho de apuração feito neste blog. Às 8h30 de 25 de agosto de 2010, o Opiniões divulgou aqui a possibilidade então existente do vereador Dante Pinto Lucas (ex-PDT e hoje PSC) assumir a presidência da bancada governista do prefeito interino Nelson Nahim (ex-PR e atualmente PPL). E,  às 15h17 daquele mesmo dia, Andrade não só fez aqui o plágio da informação, sem creditar a fonte, como ainda caiu na esparrela de afirmar que Dante já era o novo líder do governo, noticiando aquilo que não se confirmaria de lá até hoje, cometendo aquilo que no jargão jornalístico chama-se de “barriga”.

Como, naquela época e desde sempre, tenho muito respeito pelo trabalho dos outros, tanto quanto exijo pelo meu, reagi aqui ao Ctrl+C/Ctrl+V sem crédito e de palpite infeliz. Como naquela época o assunto chegou a render uma desagradável polêmica virtual entre mim e o outro blogueiro, que encerrei a pedido do amigo Felipe Estefan, presidente da OAB local, contra quem Cláudio concorreu, muitas vezes de maneira virulenta e desleal durante a campanha, levando por isso mesmo uma constrangedora sova nas urnas da sua própria categoria profissional, não esperava que ele voltasse nunca mais a me plagiar.

Ocorre que, como provado numa simples contraposição entre os horários das postagens mais recentes da nota oficial do caso Rufolo, ele tentou novamente se aproveitar do meu trabalho, na mesma acintosa pretensão de não reconhecê-lo. Até porque nunca fiz isso durante os dois anos e cinco meses em que milito como blogueiro, ou nos meus quase 23 anos como jornalista, não admitirei que ninguém o faça comigo, sobretudo nas condições abusivas da reincidência.

Tanto pior porque essa reincidência na apropriação não creditada do trabalho alheio não se deu apenas comigo, tido, não sem razões, como um camarada de não levar desaforo para casa. Quem, como eu, tiver conhecimento pessoal com o empresário Christiano Abreu Barbosa ou com o jornalista Ricardo André Vaconcelos, que julgo os dois sujeitos mais equilibrados, respectivamente, entre os blogueiros hospedados na Folha Online e os fora dela, pergunte a ambos se o mesmíssimo plagiador também já não se adonou das suas produções virtuais, sempre sem creditar o trabalho a quem de fato o fez.

Sinto, nisso tudo, que a questão, tanto antes como agora, tenha chegado ao nível pessoal. Mas assim como não aceitarei que meu trabalho seja roubado na cara dura, tampouco serei passivo quando, ao exigir que o que fiz seja reconhecido como meu, for respondido com insinuações vis, dúbias e covardes, sobretudo por alguém que não tem coragem para repeti-las quando, fortuitamente, se encontra cara a cara.

Todavia, creio que também errei ao lembrar tragédias familiares passadas, muito embora estas, assim como a prática de “proteção” blogueira em troca de anúncios, além de assessorias parlamentares ocultas e recentes, sirvam para evidenciar que todos têm seus esqueletos no armário, notadamente aqueles desprovidos de senso de ridículo ao arrotar uma “independência” insustentável para alguém conhecido e reconhecido como cabo eleitoral virtual, que vive a pulular de um lado ao outro, em troca de soldo, entre os grupos políticos da cidade, capaz de alternar juras de amor incondicional e manifestações de ódio irrestrito por uma mesma pessoa. Mas o fato é que, até por não ter nada com isso, errei ao aceitar provocações pessoais.

Peço, portanto, as desculpas devidas a você, leitor, por ter permitido que o foco da questão fosse desviado por quem, sempre quando em desespero pela incapacidade de contrargumentar dialeticamente, apela ao sofisma barato de tentar atacar a pessoa do argumentador.

Naquilo que realmente interessa, enquanto meu trabalho, bom ou ruim, for respeitado como meu, a questão está encerrada.

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