Felipe Fernandes: “Bugonia” — O Oscar e o terraplanismo

 

 

 

Felipe Fernandes, cineasta publicitário e crítico de cinema

“Bugonia” — O Oscar e o terraplanismo

Por Felipe Fernandes

 

O cinema do cineasta grego Yorgos Lanthimos tem uma identidade marcante. Ele cria situações desconfortáveis que parecem seguir regras próprias. O absurdo vai além da estética, serve para revelar o quão estranhas podem ser as normas sociais quando levadas ao extremo. Seus filmes funcionam como alegorias, muitas vezes atreladas a instituições sociais, como a família, ou a outros temas, como relacionamentos, poder, controle social e patriarcado. Ele exagera regras sociais para mostrar o quanto elas podem ser opressivas, arbitrárias e, muitas vezes, sem sentido, em uma provocação do cotidiano, em situações que transitam entre a realidade e o bizarro.

Em seu novo filme, Bugonia, o diretor tem como alvo as teorias da conspiração, a paranoia contemporânea e a desconfiança nas instituições, tudo isso relacionado à desinformação, à desigualdade social e a uma radicalização de crenças que fortalece a polarização e a construção de narrativas cada vez mais absurdas e desconectadas da realidade. O longa é um remake de uma comédia sci-fi sul-coreana de 2003, que atualiza muitos de seus temas e prova como toda essa loucura que hoje encontramos no mundo real ( principalmente na internet) é resultado de uma sociedade cada vez mais fragmentada.

O filme parte de dois personagens marginalizados que, liderados por um conspiracionista, resolvem sequestrar a CEO de uma grande empresa, pois acreditam que ela seja uma alienígena, membra de uma raça que quer dominar a Terra. Esse tipo de delírio não chega a ser novidade, principalmente em uma sociedade tão aficionada por alienígenas quanto a estadunidense.

Um dos principais acertos do longa está na abordagem de Lanthimos, que não trata a dupla de sequestradores como caricaturas nem os encara com desdém. São dois homens excluídos, produtos de uma sociedade que os ignora, com traumas e vidas difíceis. Nesse sentido, a proposta do diretor de trabalhar essa história próxima de um realismo reconhecível e opressivo funciona para tornar mais aceitável todo o discurso dos dois e também para humanizar personagens disfuncionais, estranhos em sua essência.

Toda aquela ideia parece dar algum sentido a tudo o que eles vivem. Como se, ao serem excluídos, conseguissem enxergar além da superfície e essa descoberta se tornasse uma válvula de escape para toda a frustração. Lanthimos não trata a conspiração como piada, mas como estrutura psicológica e política. A escolha de uma CEO não é ao acaso, já que ela representa o extremo oposto da sociedade em que vivem, como representante de uma classe social totalmente alheia e não pertencente à realidade daquelas pessoas. Ela já é percebida como algo não humano.

Outra escolha interessante é que o filme funciona como uma fake news. Nesse sentido, o espectador ocupa uma posição muito próxima à dos personagens, sem nenhum tipo de prova, por mais absurdo que tudo pareça. Conforme a narrativa progride, tudo se torna mais confuso, a dúvida cresce e, dentro dessa situação, o filme nunca escolhe um lado moral, não há catarse, lição de moral ou redenção. Ele brinca com as percepções dentro da própria história e, como em um universo ficcional que funciona como reflexo da nossa realidade, a conspiração pode ganhar outros contornos.

O filme traz o humor ácido do diretor, que provoca desconforto e reflexão. A cena do sequestro tem um certo tom jocoso, que contrasta com as ações dos personagens. Tudo acontece de forma desajeitada, bastante amadora, em uma ação violenta. É engraçado porque é amador, mas esse mesmo amadorismo torna a situação crível. O filme reforça o humor em momentos que não deveriam ser engraçados, escancarando o ridículo daqueles personagens e da situação.

Bugonia é uma crítica social desconfortável e bastante atual. Dialoga com a paranoia contemporânea e a desinformação, em um tempo em que o absurdo perdeu a vergonha e se exibe em nossas vidas e em nossas telas. Nesse jogo de crenças, em que todos parecem impor o que acreditam à força, o filme não busca respostas: apenas faz humor, provoca reflexão e prova o quão ridículo pode ser o ser humano.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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Lívia Nunes — Eternamente em três textos de prosa poética

 

Mariana Lima bailarina em Atafona (Foto: Lívia Nunes)

 

 

Líva Nunes, jornalista

Eternamente

Por Lívia Nunes

 

Quem sabe um dia

Era tão cedo quando acordei. Nem sei se cheguei a dormir. Tão logo abri os olhos, busquei o chão com os pés. Corri para ser só, minha. Ainda assim, não me tive e nunca me dei. Essas emoções ainda gritam no silêncio. Não decifrei meu querer, nem meu sonho. Nunca os encarei nos olhos. Tudo que eu quis e não consegui foi “ser”. Para então, quem sabe, me “dar”.

 

Olhe para trás

Inclina o pescoço, contorcendo-o como roupa molhada nas mãos da lavadeira. Os olhos voltados ao chão e o ar possuindo-a pela boca. Escorre os dedos entre os cachos do cabelo e, discretamente, olha para trás. O passado é sedutor, mas a ele cabe apenas uma troca de olhares levemente embriagados. A cada passo à frente: memórias, pessoas e eternidades se desfazem, deixando rastro, como cauda de cometa. Ontem, ao lado do seu homem, ergueu-se na cama para ver melhor a luz dourada que entrava pela janela e pensou: esse momento é eterno.

 

Eternamente presente

Quais imagens ficam com tantos sóis que nascem, tantos sóis que morrem nos dias que vão em frente? Quantos mares podem ser eternos se a cada novo olhar serão outras as retinas? Outra será a mulher; outro será o mar. Quantas eternidades podem se guardar num ser infinito de tempo findo?

 

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Pesquisas — Lula x Flávio a presidente do Brasil e nos estados

 

Lula e Flávio Bolsonaro

 

Entre os quatro institutos que mais acertaram (confira aqui) o resultado final das eleições presidenciais do Brasil em 2022, o Quaest divulgou na quarta (11) sua pesquisa (confira aqui) de fevereiro de 2026. E, a pouco mais de 7 meses à urna de 4 de outubro, acendeu o sinal amarelo à reeleição de Lula (PT). Que, patinando em todas as métricas desde dezembro (confira aqui, aqui, aqui e aqui, aqui e aqui) viu em várias delas o crescimento real do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Jogando parado nos últimos dois meses, Lula liderou todos os sete cenários de 1º turno da Quaest de fevereiro, feita entre os dias 5 e 9, com 2.004 eleitores e margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. E, nela, registrou um único empate técnico já no 1º turno: 37% a 33% contra Flávio.

Lula também liderou todos os sete cenários de 2º turno da Quaest. Neles, sua menor diferença, de 5 pontos, a 1 ponto do empate técnico no limite da margem de erro, também foi contra Flávio: 43% do petista a 38%. Porém, essa diferença era de 10 pontos em dezembro: Lula 46% x 36% Flávio. Em dois meses, caiu pela metade.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Quando todas as pesquisas apontavam que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP), era o nome de oposição mais competitivo contra Lula, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ungiu, da cadeia, Flávio (confira aqui) seu candidato. Era 5 de dezembro. Na Quaest daquele mês, a escolha foi considerada um erro para 54% dos brasileiros.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Comparada com a Quaest de fevereiro, os eleitores que consideram como erro a escolha de Bolsonaro pelo filho 01 como seu candidato a presidente caíram para 42%. É uma queda de 12 pontos em Flávio como erro de Jair. Um movimento de dois dígitos em apenas dois meses, em qualquer pesquisa eleitoral do mundo, nunca é trivial.

Nenhum outro movimento na série histórica das pesquisas Quaest, entre dezembro e fevereiro, ilustra melhor o crescimento de Flávio. E sua consolidação como candidato competitivo. Sobretudo porque, entre os demais nomes de oposição testados nos cenários de 1º turno, nenhum bateu dois dígitos de intenção de voto.

Entre os nomes da 3ª via da direita e centro-direita, o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), foi quem melhor pontuou. Testado em duas das sete simulações de 1º turno da Quaest, ele teve 8% de intenção em uma (contra 35% de Lula e 29% de Flávio) e 7% em outra (contra 37% de Lula e 31% de Flávio).

Em outras palavras, mesmo líder do bloco retardatário, Ratinho larga muito distante, mais de 20 pontos atrás, dos dois líderes adiantados da corrida presidencial. Numa extenuante maratona de largada queimada pela polarização política do país.

Os problemas de Lula não se resumem à substantiva capacidade de transferência de intenção de voto (e de rejeição) de Jair, mesmo preso, a Flávio. Como foi a de Lula, mesmo preso, a Fernando Haddad (PT), quando atropelou Ciro Gomes (hoje, PSDB) no 1º turno para fazer e perder o 2º turno presidencial contra Bolsonaro em 2018.

Na transição de 2025 a 2026, mesmo sempre líder, Lula patinou os últimos dois meses em importantes métricas. Entre dezembro e fevereiro, a desaprovação ao seu governo se manteve estática nos mesmos 49% dos brasileiros. Por outro lado, sua aprovação caiu 3 pontos no período: de 48% em dezembro a 45% em fevereiro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

À pergunta da série Quaest, “Lula merece continuar mais 4 anos como presidente?”, se deu a resposta mais dura à perspectiva de reeleição. Dos 56% dos brasileiros de dezembro aos 57% de fevereiro que disseram que não merece, se cristaliza uma maioria contrária ao Lula 4. São 18 pontos a mais que os 39% que, hoje, dizem que o presidente merece continuar.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Outra pergunta da série Quaest revela o equilíbrio da polarização política do Brasil até no temor. “O que te dá mais medo hoje: Lula continuar ou a família Bolsonaro voltar?” De dezembro a janeiro, os que tinham mais medo do retorno dos Bolsonaros foram de 46% a 44%. E os que têm mais medo de Lula continuar passaram de 40% a 41%. É um empate técnico até no pavor que um grupo no poder causa aos eleitores do outro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Hoje, essa situação se reflete também na rejeição. Líderes nas intenções de voto em todas as 14 simulações de 1º e 2º turno, Lula e Flávio também lideram entre os brasileiros que dizem conhecê-los e não votariam. Nessa métrica, Flávio lidera numericamente a rejeição, com 55%, só 1 ponto a mais que os 54% de Lula.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Antes da polarização política, no Brasil e no mundo, a partir da metade dos anos 2010 e do algoritmo do ódio das redes sociais que faz a fortuna das Big Techs, o limite prudencial para se vencer uma eleição em dois turnos era de até 35% de rejeição. Pois é ela, a rejeição, que fixa o teto de crescimento dos dois candidatos que passam ao 2º turno.

Em qualquer eleição em dois turnos, rejeição de 50% ou mais seria a impossibilidade matemática do candidato vencer o turno final. A não ser, como a Quaest hoje revela ser com Lula e Flávio, que ambos tenham empate técnico em duas rejeições acima dos 50%. Assim, a única chance que um teria de se eleger no 2º turno seria contra o outro.

Da eleição dos governadores dos estados à do presidente da República, Lula pode ter outro problema adicional. O ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) é competitivo em todas as pesquisas (confira aqui) contra a reeleição do governador petista da Bahia, Jerônimo Rodrigues. Como, também nas pesquisas, Ciro Gomes é igualmente competitivo (confira aqui) contra a reeleição do governador petista do Ceará, Elmano Reis.

A Bahia é o maior colégio eleitoral do Nordeste, enquanto o Ceará é o 3º. Se o PT perder o Executivo nesses dois estados, por mais que o voto entre governador e presidente não seja necessariamente casado, Lula correria o sério risco de perder, em 2026, a grande vantagem que teve na região Nordeste na eleição presidencial de 2022.

Tirado da disputa presidencial na pesquisa Quaest de fevereiro, a partir da definição do nome de Flávio como candidato de Bolsonaro, Tarcísio é franco-favorito (confira aqui) nos levantamentos de todos os institutos à reeleição como governador de São Paulo, maior colégio eleitoral do Brasil.

O 2º maior colégio eleitoral do país é Minas Gerais. Que elege o presidente do Brasil há 71 anos, como foi com Lula no 2º truno de 2022, a despeito da reeleição de Romeu Zema (Novo) ainda no 1º turno daquele ano. Hoje, quem lidera as pesquisas a governador mineiro (confira aqui) para outubro de 2026 também é um conservador: o senador Cleitinho (REP).

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Deputada Heloísa Helena quer saída imediata de Toffoli do caso Master

 

Deputada federal Heloísa Helena e o ministro do STF Dias Toffoli (Montagem: Joseli Matias)

 

Antes mesmo dos novos fatos relacionados a Dias Toffoli (confira aqui) serem apresentados pela Polícia Federal (PF), a deputada federal Heloísa Helena (Rede-RJ) já havia encaminhado representação à Procuradoria Geral da República (PGR), no dia 29 de janeiro, pedindo a suspeição do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) na condução do inquérito que apura irregularidades praticadas pelo Banco Master. Agora, mais uma vez, ela (que falou sobre o caso Master em entrevista ao programa Folha no Ar de 6 de janeiro) defende a saída imediata do ministro da relatoria do caso no STF.

— Há mais de 15 dias pedimos que o relator do caso fosse substituído na mais alta Corte do país, para que não pairasse qualquer dúvida sobre a lisura do processo. Em janeiro, eu e as deputadas Fernanda Melchionna (Psol-RS) e Sâmia Bonfim (Psol-SP) protocolamos a representação na PGR pedindo a saída do ministro do caso — lembra a deputada federal Heloísa Helena.

O pedido das parlamentares foi o primeiro relacionado ao tema feito por parlamentares de esquerda. As deputadas Heloisa Helena (confira aqui) e Fernanda Melchionna também estão finalizando a coleta de assinaturas para a instalação de uma CPMI na Câmara dos Deputados para “desvendar os esgotos do Banco Master e para que o povo brasileiro possa, didaticamente, acompanhar e não permitir que tanta promiscuidade volte a acontecer no país”.

A Polícia Federal apresentou ao ministro Edson Fachin, presidente do STF, relatório que revela que o nome do ministro Dias Toffoli foi mencionado em mensagens e diálogos extraídos do celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O ministro assumiu, nesta quinta-feira (12), ser sócio da empresa Maridt, que vendeu participações por meio de fundos no resort Tayayá, no Paraná, para Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

 

Da assessoria da deputada federal Heloísa Helena.

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Deputado Vitor Júnior fecha a semana do Folha no Ar nesta 6ª

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Deputado estadual e pré-candidato a deputado federal, Vitor Júnior (PDT) é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (13), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Campista de nascimento, ele falará da sua ligação com a cidade natal, sua vida pública construída em Niterói, sua atuação na Alerj e (confira aqui) sua pré-candidatura a deputado federal.

Vitor também tentará projetar a eleição indireta na Alerj (confira aqui e aqui) a governador-tampão do RJ, se Cláudio Castro (PL) sair do cargo até 4 de abril para se candidatar ao Senado, assim como a eleição direta ao cargo, pelo voto popular, na urna de 4 e outubro.

Por fim, o deputado tentará projetar também a eleição às duas cadeiras ao Senado pelo RJ e (confira aqui e aqui) a presidente da República.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Quaest: Lula ainda lidera, mas Flávio cresce e diminui diferença

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Divulgada hoje (11), a 7 meses e 21 dias da urna de 4 de outubro, a nova pesquisa Quaest confirmou a liderança do presidente Lula (PT) em sete cenários de 1º turno, mas em empate técnico com o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um deles, por 37% a 33%. Acima da margem de erro, Lula liderou todos os sete cenários de 2º turno da pesquisa. Mas sua menor vantagem, hoje, também é contra Flávio: 43% a 38%.

Lula 3 tem 49% de desaprovação — Na primeira pesquisa presidencial Quaest sem os nomes do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP), e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), além da transferência de votos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para o filho 01, Lula tem outros obstáculos à reeleição. Sua aprovação de governo caiu 2 pontos de janeiro a fevereiro: de 47% a 45%, com a desaprovação estabilizada em 49% dos brasileiros.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula não merece continuar para 57% — Outro problema à reeleição do atual presidente? À pergunta da Quaest “Lula merece continuar mais 4 anos como presidente?”, a maioria de 57% dos brasileiros respondeu em fevereiro que não — eram 56% em janeiro, 1 ponto a menos. Os que acham que Lula merece continuar presidente, hoje, são a minoria de 39%, 1 ponto a menos que os 40% de janeiro. Os que não souberam responder eram e se mantiveram em 4%.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Flávio sobe 12 pontos como acerto — A opinião do eleitor se Bolsonaro acertou ou errou ao escolher Flávio como seu candidato a presidente também vem melhorando sensivelmente ao acerto. Em dezembro, quando o ex-presidente anunciou o filho como candidato, 54% dos brasileiros achavam que foi um erro. Em fevereiro, 42% ainda acham isso — em apenas dois meses, 12 pontos a menos. E é um empate técnico com os atuais 44% que acham que Bolsonaro acertou com Flávio, 8 pontos a mais que os 36% de dezembro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Mais medo de Lula ou Bolsonaros? — A pesquisa Quaest fez outra pergunta: “O que te dá mais medo hoje: Lula continuar ou a família Bolsonaro voltar?” Entre janeiro e fevereiro, os que tinham mais medo da volta dos Bolsonaros caíram 2 pontos: de 46% aos atuais 44% dos brasileiros. É outro empate técnico com os 41% que, hoje, têm mais medo de Lula continuar, 1 ponto a mais que os 40% de janeiro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Dados da pesquisa — A pesquisa Quaest foi feita entre 5 a 9 de fevereiro, ouvindo 2.004 eleitores em entrevistas presenciais e domiciliares, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. Ela foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-00249/2026.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista — “A Quaest de fevereiro testou sete cenários de 1º turno e sete cenários de 2º turno. Na comparação com a Quaest de janeiro de 2026, a diferença entre Lula e Flávio diminuiu dentro da margem de erro, mas na comparação com a Quaest de dezembro de 2025 a redução da diferença no 2º turno entre os dois caiu de 10 para 5 pontos. A este respeito, apesar da alta rejeição do bolsonarismo, destaca-se que Flávio tem menor conhecimento do eleitorado e, consequentemente, potencial de ampliação da intenção de voto”, apontou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

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Arthur Soffiati — A trama das árvores em “Sonhos de trem”

 

 

Arthur Soffiati, historiador, professor, escritor e crítico de cinema

“Sonhos de trem” — A trama das árvores

Por Arthur Soffiati

 

Estamos no interior dos Estados Unidos, mas não há caubóis. “Sonhos de trem” não é o melhor título para este filme, mas não importa tanto. O que vem ao caso é o tom intimista e sereno que domina o filme do princípio ao fim. Um homem gosta de uma mulher e a mulher gosta de um homem. Simples assim. É o quanto basta. Nada de paixão arrebatada. Ambos se casam e constroem sua casa. Têm uma filha.

Ele é lenhador. Fica longe de casa por longos períodos. Vai derrubar árvores para abrir caminho às ferroviais. Aparece em casa de vez em quando. É um bom marido e um bom pai. Sem estardalhaços. No seu trabalho, trava contato com homens rudes e chineses. Um negro aparece uma única vez para vingar o assassinato do irmão por um dos trabalhadores da ferrovia. Os demais tiros são destinados a animais caçados.

Entre os lenhadores, encontra-se um de meia idade que respeita as árvores. São seres antigos e sábios que merecem respeito. Mas este homem morre com um grande galho que cai sobre ele. Robert Grainier (Joel Edgerton), o artista principal, ouve as palavras do sábio morto por uma árvore. Ele é amigo de um índio, já aculturado. Mais uma vez, a floresta ataca. Agora, um grande incêndio mata sua mulher e sua filha. Robert é um estoico. Sofre mas supera as perdas.

Aposenta-se de seu trabalho e conhece uma cientista que cuidará das florestas em sua área. Ambos viúvos quando se encontram. Pelo esquema dos filmes estadunidenses, supõe-se que ambos ficarão juntos. Mas nada acontece. Robert quer apenas a experiência de voar de avião antes de morrer.

Clint Bentley e Greg Kwedar rediriam o roteiro com base em novela homônima. O primeiro é diretor. Além das falas dos personagens, existe um narrador universal que aparece de vez em quando. A fotografia do brasileiro Adolpho Veloso confere um tom intimista ao filme. Ele usa apenas iluminação natural.

A apologia discreta ao mundo natural evocou-me o romance “A trama das árvores”, de Richard Powers (2019). Mas a novela em que se baseia o filme data de 2011. “Sonhos de trem” concorre ao Oscar. Talvez seja esquecido, como tantos outros filmes, mas ele destoa do padrão estadunidense. Talvez sobreviva.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Confira o trailer do filme, disponível na Netflix:

 

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Felipe Fernandes — “Zootopia 2”: animação para adultos e crianças

 

 

Felipe Fernandes, cineasta publicitário e crítico de cinema

“Zootopia 2”: animação para adultos e crianças

Por Felipe Fernandes

 

Lançado em 2016, “Zootopia” é um filme policial. Divertido, colorido, estrelado por animais, mas ainda assim um policial em sua essência. A Disney acertou a mão ao investir na criação de todo um universo criativo no qual presas e predadores aprenderam a conviver em harmonia em uma metrópole.

O longa utiliza aspectos sociais devidamente adaptados para a relação entre as espécies e cativa com personagens muito interessantes, visual caprichado, boas piadas e uma metáfora social instigante sobre preconceito e aceitação. Tudo na medida certa, tendo como trama central uma investigação repleta de elementos e clichês do gênero policial, aqui trabalhados de forma orgânica.

Lançado quase 10 anos depois, “Zootopia 2” é uma continuação tardia que parte logo após os acontecimentos do primeiro filme. Seguindo a cartilha das continuações de policiais, o longa trabalha um conflito entre a dupla de protagonistas, que passam a ser desacreditados por toda a força policial em meio a uma trama de corrupção ligada à criação da metrópole dos animais.

Sem a necessidade de reapresentar esse universo, o filme já se inicia estabelecendo as consequências dos eventos do primeiro longa, com a agora famosa dupla de protagonistas precisando lidar com a exposição e a pressão da fama.

O filme repete a dinâmica clássica do gênero buddy cop: após alguns casos que não saem como esperado, os personagens precisam repensar sua relação profissional. O conflito de personalidades e de origens passa a ter papel central, afetando a confiança entre os dois enquanto parceiros.

Assim como no original, o filme abraça os clichês do gênero de forma eficiente. A história é bem redondinha, não chega a surpreender, mas também não decepciona. Os personagens coadjuvantes são divertidos e funcionais; até mesmo aqueles que surgem apenas como referência a outros filmes ou para introduzir uma piada conseguem se destacar e manter o ritmo da narrativa.

O design de produção de “Zootopia 2” é um show à parte. Ao dividir a cidade em diferentes tipos de habitats naturais, o longa transforma a metrópole em uma grande amálgama de climas e ambientes, permitindo o acesso e a interação de todas as espécies. O design é inventivo ao adaptar diferentes momentos do cotidiano a animais de variados estilos e tamanhos. Essa mistura de elementos é bem explorada, conferindo dinamismo visual ao projeto.

A metáfora social, mais uma vez, utiliza animais antropomorfizados para representar grupos sociais humanos. Predadores e presas simbolizam minorias, estigmas sociais e preconceitos estruturais. Neste filme, porém, essa metáfora se torna mais difusa.

O foco deixa de ser apenas quem sofre a discriminação e passa a abordar temas como desinformação, manipulação do medo e da história em benefício de uma elite construída sobre mentiras. Trata-se da ideia de uma igualdade estabelecida por quem controla a narrativa: uma cidade erguida por uma espécie historicamente excluída, mas cuja história foi distorcida.

Apesar de ser uma continuação tardia, “Zootopia 2” mantém as principais características do original: uma história bem estruturada, bons personagens, humor que funciona tanto para adultos quanto para crianças e uma animação de alto nível. Um acerto da Disney Studios que, a julgar por sua bilheteria e indicação ao Oscar, consolida mais uma franquia em seu já interminável catálogo.

 

Publicado na Folha da Manhã.

 

Confira o trailer do filme:

 

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Lula lidera sem Tarcísio, mas Brasil não está no rumo certo para 60%

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Pesquisa Real Time Big Data de fevereiro trouxe três cenários estimulados (com a apresentação dos nomes dos presidenciáveis) ao 1º turno de 4 de outubro, daqui a exatos 7 meses e 22 dias. Fora da margem de erro, o presidente Lula (PT) liderou em todos, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (REP) destacado dos demais nomes.

Tarcísio de fora — Listado em todas as pesquisas presidenciais de 2025 e deste início do ano eleitoral de 2026 (confira aqui, aqui e aqui, aqui e aqui) entre os nomes de oposição mais competitivos contra Lula, o nome do governador Tarcísio de Freitas (REP) não foi apresentado na Big Data. Que ouviu 2.000 eleitores de 6 a 7 de fevereiro, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos.

Flávio entre 8 a 9 pontos atrás de Lula — Nos três cenários estimulados ao 1º turno, a vantagem de Lula sobre Flávio foi de 39% de intenção a 30% (9 pontos) no cenário 1, de 40% a 32% (8 pontos) no cenário 2, e dos mesmos 40% a 32% (8 pontos) no cenário 3. Entre os demais e sem Tarcísio, só o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD) chegou a dois dígitos no cenário 1, com 10%.

Intenção de voto consolidada — Na consulta espontânea, em que o eleitor diz da própria cabeça em quem votará, em intenção consolidada, Lula também liderou, com 28%. E foi novamente seguido por Flávio, com 14%. Porém, os 6% ainda dados a Bolsonaro, em 3º lugar mesmo preso por tentativa de golpe de Estado e inelegível até 2060, tendem a se somar ao filho 01.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Resto da lista da espontânea — Fora das consultas estimuladas, Tarcísio apareceu em 4º lugar na espontânea, com 2%. Foi um empate técnico com Jair e exato com Ratinho Jr., que teve os mesmos 2%. O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), que deve ser candidato a governador do Ceará, e o governador de Minas, Romeu Zema (Novo), tiveram 1%, cada um, na espontânea.

Sem 2º turno, rejeição e conhecimento — A Big Data não fez simulações de 2º turno, mas mediu o índice mais importante à sua definição: a rejeição. Na qual Flávio lidera com 49% de brasileiros que o conhecem e não votariam. Ele ficou em empate técnico com Lula, com 48% que o conhecem e não votariam.

Flávio tem mais espaço que Lula — Flávio, no entanto, tem mais espaço matemático do que Lula a ser explorado em um eventual 2º turno contra o petista. São 13% os brasileiros que disseram não conhecer hoje o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) o suficiente para opinar. Já os que não conhecem Lula, em seu 3º mandato como presidente, são apenas 2%.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Rejeição e espaço de Caiado e Ratinho Jr. — Na rejeição, abaixo de Flávio e Lula, vieram o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), com 38% que o conhecem e não votariam (mas pouco conhecido por 25%); e Ratinho Jr, com 35% que o conhecem e não votariam (mas pouco conhecido por 22%). São espaços a serem explorados maiores que o de Flávio e bem maiores que o de Lula.

Rejeição e espaço de Zema e Leite — Em empate técnico com Caiado e Ratinho, a lista da rejeição seguiu com Zema, com 34% que o conhecem e não votariam, mas é pouco conhecido por 36%. Entre os governadores de oposição, a menor rejeição é do gaúcho Eduardo Leite (PSD): 29% o conhecem e não votariam, mas ele é pouco conhecido para 37%.

Novo Pablo Marçal? — Presidenciável do partido A Missão, criado pelo Movimento Brasil Livre (MBL), que ganhou protagonismo ao liderar as manifestações de rua que levaram ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2026, Renan Santos tenta ser em 2026 o que Pablo Marçal (PRTB), hoje inelegível, foi na eleição a prefeito de São Paulo em 2024.

Rejeição e espaço de Renan — Com campanha agressiva nas redes sociais e visando o eleitor jovem de direita, Renan teve só 1º de intenção de voto nos três cenários estimulados ao 1º turno. E, ainda assim, já tem 20% dos brasileiros que o conhecem e não votariam. No entanto, são 58% os brasileiros que, hoje, dizem não conhecê-lo o suficiente para opinar.

Brasil não está no caminho certo para 60% — A pesquisa Big Data de fevereiro também não fez avaliação do Governo Federal. Mas à afirmação “o Brasil está no caminho certo”, a maioria expressiva de 60% dos brasileiros discordou. Os que concordaram foram 38% (22 pontos a menos), com 2% que não souberam responder.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Se reeleito, Lula não fará governo melhor para 53% — Em outra pergunta qualitativa da sua pesquisa presidencial, o Big Data disse: “Lula pegou um governo com muitos problemas de Bolsonaro e está arrumando a casa. Se reeleito, fará um governo melhor”. E a maioria de 53% dos brasileiros discordou, contra os 44% (9 pontos a menos) que concordaram e 3% que não responderam.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista — “A Real Time Big Data estimulou três cenários de 1º turno com 2 mil entrevistados. Nos três cenários projetados, Lula lidera sendo seguido além da margem de erro por Flávio Bolsonaro”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

“Outros nomes testados pela Big Data foram Ratinho Jr., Romeu Zema, Aldo Rebelo, Renan Santos, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado. No contexto da metodologia do instituto, chama atenção a possibilidade de crescimento da intenção de voto dos adversários de Lula”, completou William.

Nova Quaest e presidente nesta quarta — Nesta quarta (11), está prevista a divulgação de outra pesquisa nacional a presidente, do instituto Quaest. Que, junto com a MDA, a Datafolha e a Paraná Pesquisas, foram os quatro institutos que mais acertaram (confira aqui) o resultado final da eleição presidencial de 2022. A Quaest de fevereiro de 2026 ouviu 2.004 eleitores entre os últimos dias 4 e 9.

 

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Especialistas em pesquisas e urnas no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Professor de estatística no mestrado e doutorado em planejamento regional e gestão de cidade da Universidade Cândido Mendes e geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE, respectivamente, Eduardo Shimoda e William Passos são os convidados do Folha no Ar desta quarta (11), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Eles falarão da importância das pesquisas nos processos eleitorais do Brasil e do Mundo. Como base nas pesquisas mais recentes (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), Shimoda e William tentarão projetar a eleição a presidente da República. Como também analisarão a eleição a governador, senadores, deputado federal e estadual no RJ, em Campos e na região.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Concessão do serviço e água na região no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Secretário executivo do Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento do Norte e Noroeste Fluminense (Cidennf), Vinícius Vieira é o convidado do Folha no Ar desta terça (10), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Ele falará sobre o papel do Cidennf na licitação de concessão do serviço de água e esgoto nos municípios (confira aqui e aqui) de Conceição de Macabu, Quissamã, Italva, Cardoso Moreira e Bom Jesus do Itabapoana.

Vinícus também analisará a participação do Cidennf  no PL 1.440/2019 (do semiárido ao Norte e Noroeste Fluminense). Que facilitaria linhas de crédito (confira aqui) aos produtores rurais dos 22 municípios das duas regiões. E foi aprovado (confira aqui) por unanimidade no Congresso Nacional, mas acabou vetado (confira aqui) pelo Governo Lula para atender às disputas internas de poder (entenda aqui e aqui) no PT da Bahia.

Por fim, ele falara dos demais projetos do Cidennf e tentará projetar, sob a perspectiva da região, o ano eleitoral até à urna do próximo dia 4 de outubro, daqui a pouco mais de 7 meses, quando o Brasil elegerá presidente da República (confira aqui, aqui e aqui), governadores, deputados federais e estaduais.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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NBR completa 20 anos com projetos de esporte e cultura

 

A Nação Basquete de Rua (NBR) completa 20 anos de atividade em Campos dos Goytacazes, ampliando ações pela região (Foto: João Marcos)

 

A Nação Basquete de Rua (NBR), organização social sediada em Campos dos Goytacazes, completa 20 anos de atuação nas áreas de esporte, cultura e educação neste ano. Fundada em 2006 por jovens das periferias do município, a instituição construiu ao longo de sua trajetória uma atuação baseada em planejamento, continuidade e fortalecimento de vínculos sociais.

Inicialmente voltada ao basquete de rua, a NBR ampliou sua atuação e hoje desenvolve projetos estruturados que utilizam o esporte e a cultura como ferramentas de formação, bem-estar e protagonismo social. Entre as iniciativas em execução estão os projetos Viva+Esporte e Viva+Cultura, que alcançam diferentes territórios do Estado do Rio de Janeiro, contando com equipes técnicas, professores e coordenações locais.

Ao longo dessas duas décadas, a organização se consolidou para além de iniciativas pontuais, mantendo uma estrutura institucional organizada, metodologia própria e atuação permanente nos territórios onde está inserida. A proposta da NBR é promover acesso a práticas formativas que dialoguem com a realidade dos participantes, fortalecendo autoestima, convivência e perspectivas de futuro.

Para Anderson Caldeira, professor de funcional do Viva+Esporte e também atuante no Viva+Cultura em Campo Grande, o impacto dos projetos vai além da prática física:

— A interação e a troca com os alunos são fundamentais. Hoje os índices de depressão e ansiedade estão muito altos, então conseguir trazer essas pessoas para perto é muito importante. A gente consegue transformar não só corpos, mas mentes, atitudes e a autoestima.

O mês de janeiro teve início com a realização de um seminário estadual de planejamento, na cidade do Rio de Janeiro, com a participação de professores, coordenadores e ex-alunos dos projetos. Em parceria com o Sescoop (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo do Sistema S), foram definidas metas estratégicas, como o lançamento de um programa estadual de incentivo ao esporte e à cultura, previsto para março.

Entre os projetos está a retomada da equipe de basquete sub-22 em Campos dos Goytacazes, atualmente em fase final de articulação.

 

Da assessoria da NBR.

 

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