Na última quinta, dia 6, despedi-me aqui, dizendo que retornaria à atividade blogueira na quarta seguinte. Não havia então atinado que o dia de ontem foi feriado. Voltei à ativa, portanto, só hoje, após uma prazeroza viagem pelas Minas Gerais, com escala no Rio, na última segunda, para assistir ao show do deus da guitarra Eric Clapton, no HSBC Arena, talvez o melhor que já tenha presenciado em meus 39 anos de vida. Dentro deste espírito, confesso que ao buscar me inteirar hoje da blogosfera local, para retomar nela minha modesta participação, fiquei um tanto nauseado com a beligerância que me pareceu generalizada nesta minha irrelevante ausência.
Não por outro motivo, peço desculpas a você, leitor, mas à exceção do poema de lei que o blog trará no próximo domingo, só pretendo retomar a lide blogueira na próxima segunda. Até lá, deixo à reflexão o questionamento que me fez agora há pouco, por telefone, o jornalista e amigo Ricardo André Vasconcelos, dos únicos referenciais seguros de independência nestas águas virtuais próximas à foz do Paraiba do Sul: “Afinal, a quem interessa e quem se beneficia com esse clima de guerra generalizado?”
Desde quando ele vivia, muito já se falou que, enquanto poeta, Machado de Assis (1839/1908) nunca chegou perto do que foi como romancista. Pode até ser, mas mesmo à sombra gigantesca da sua prosa, até que conseguiram vingar à luz alguns versos bem interessantes. Os escolhidos para bater ponto no domingo, dia em que o blog é espaço cativo à poesia, integram o livro “Crisálidas”, só de poemas, pubicado em 1864 e dedicado ao pintor de paredes mulato Francisco José de Assis e à lavadeira açoriana Maria Leopoldina da Câmara Machado, pais do autor. O poema trata de um amor platônico, com claros ingredientes sado-masoquistas, consumado na abstração machadiana escravizada pela última farani do Egito antigo, Cleópatra VII (70 a.C./ 30 a.C.), da dinastia macedônia dos Ptlomaicos (ou Lágidas), amante dos maiores homens do seu tempo…
“Cleóptara”, óleo sobre tela de 1888, de John William Waterhouse
Para cumprimento de compromissos pessoais, este blogueiro viaja hoje e só retorna à lida virtual na próxima quarta-feira. Neste iterregno, será dada uma pausa à atividade classificada aqui, por Anthony Garotinho, como “anti-jornalismo”. Mas tudo bem, até porque se por jornalismo o nobre deputado entende a “entrevista” ditada por ele na edição de hoje de O Diário, este misto mal ajambrado de blogueiro e jornalista assume o antônimo com sincero orgulho.
Agora, cá pra nós, “As vítimas sou (sic) eu e Rosinha” é de fazer rir. E não apenas pelo péssimo português…
Uma grande manifestação em defesa dos royalties do petróleo será realizada no Rio de Janeiro, no dia 17 de outubro, às 16h, na Cinelândia, com a coordenação da prefeita Rosinha Garotinho e da bancada federal fluminense, com apoio da sociedade civil organizada.
O secretário de Governo, Geraldo Pudim, cita que a prefeita Rosinha, os deputados federais Anthony Garotinho e Paulo Feijó discutiram amobilização nesta quarta-feira, em Brasília, com os senadores fluminenses Lindberg Farias, Francisco Dornelles e Marcelo Crivella,entre outros membros da bancada federal.
A intenção é deixar a região mobilizada, porque o adiamento da análise do veto presidencial à emenda Ibsen Pinheiro não assegura benefícios aos municípios e estados produtores.
“A prefeita Rosinha está muito preocupada, porque o adiamento davotação não é nenhuma vitória para a região, porque não houve até agora a apresentação de proposta favorável aos municípios produtoresde petróleo. Pelo contrário, as informações são de que as perdas serão muito grandes se a União insistir em não abrir mão de uma parte maior de sua fatia dos royalties”, comenta Geraldo Pudim, que vai procurardirigentes de entidades civis organizadas que integram o Conselho Municipal de Desenvolvimento Sustentável (Comudes), para participarem da mobilização para o evento do dia 17 de outubro.
O blog recebeu a informação de fonte quente, a mesma que adiantou, antes de todos, a última cassação da prefeita Rosinha (PR), pela 100ª ZE de Campos: a nova legenda de Nelson Nahim será o Partido Pátria Livre (PPL), cujo registro foi aprovado ontem pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A filiação do presidente da Câmara, junto de uma nominata forte, que teria os nomes de Ivanildo Cordeiro, Carlos Faria Café e Toninho Viana, já está programada para a próxima sexta-feira, depois de amanhã.
Até por impedimento legal, Nahim só será candidato a prefeito se Rosinha for realmente cassada. Caso contrário, tentará a reeleição como vereador.
A conferir…
Atualização às 18h16: Com outra fonte, o blogueiro acabou de confirmar que Nahim vai mesmo para o PPL. Ela não pode confirmar, no entanto, a entrada também de Cordeiro, Café e Toninho na nova legenda.
Atualização às 18h28: Ivanildo Cordeiro confirmou o convite feito por Nahim, na manhã de hoje, para que ele ingresse no PPL, visando se lançar candidato a vereador. O principal motivo para o ex-presidente municipal do PMDB aceitar, foi a acolhida também ao grupo que ele levará consigo do seu antigo partido.
Atualização às 18h37: Apesar de ter se declarado amigo de Nahim, Carlos Faria Café disse ao blogueiro que o presidente da Câmara não conversou nada com ele sobre a possibilidade de ingressar no PPL.
Atualização às 18h40: Ainda não está definido o horário da filiação de Nahim e Cordeiro ao PPL. O certo é que será mesmo depois de amanhã, na sexta. Quanto ao local, embora ainda não haja confirmação, estão sendo estudadas as possibilidades do Clube de Regatas Campista e do Automóvel Clube Fluminense.
Atualização às 18h56: O blogueiro acabou de falar com o ex-vereador e ex-vice-prefeito Toninho Viana, que confirmou sua ida ao PPL, junto com Nahim, no evento de filiação de depois de amanhã. Ele também se lançará candidato a vereador pelo novo partido.
Atualização às 20h54: Campista e Automóvel Clube já estariam locados para sexta-feira. O evento de filiação de Nahim ao PPL, ao qual já confirmaram presença Toninho Viana e Ivanildo Cordeiro, busca outro lugar. Quem informou foi a mesma fonte que garantiu que Café, embora tenha negado ao blogueiro, também teria confirmado sua filiação e presença.
Parece que a denúncia feita aqui, no último sábado, pelo próprio presidente da Câmara, Nelson Nahim (sem partido), de que o deputado Garotinho tentaria destituir não só o irmão da presidência da Câmara, mas também o vereador Rogério Matoso da vice, surtiu efeito. Classificada aqui como “golpe” pelo jornalista Ricardo André Vasconcelos, com eco em muitos blogs locais e ampliado pelo megafone das edições virtual e impressa da Folha, a tentativa, que ontem chegou a se materializar num pedido do DEM, foi descartada para atender ao pedido do próprio Garotinho, como confessou aqui seu ex-aliado, ex-desafeto e novo aliado Paulo César Martins, presidente do diretório municipal do partido da base governista.
Na dúvida se Garotinho resolveu abrir o saco de bondades com Nahim, ou se simplesmente reavaliou o custo/benefício eleitoral de martirizar publicamente o próprio irmão, fica a certeza de que, se hoje teve o poder de determinar que PC Martins tirasse o pedido, ontem tinha igual poder para mandar fazê-lo. De qualquer maneira, o blog continua apostando no raciocínio lógico, externado aquie aqui, da contraposição de cronogramas entre as possibilidades da cassação de Rosinha e da destituição de Nahim: o julgamento da prefeita pelo plenário do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) ocorre, no máximo, até o dia 27 de outubro (prazo revelado aqui), enquanto, mesmo que o pedido do DEM fosse aprovado na sessão de hoje da Câmara, com base no artigo 200 do seu Regimento Interno, a destituição de Nahim só poderia se consolidar lá pelo dia 10 de novembro.
Ou seja: antes de que o “golpe” fosse consumado contra Nahim, já se saberia, no mínimo duas semanas antes, se Rosinha permaneceu prefeita ou se o presidente da Câmara assumiu em seu lugar.
De qualquer maneira, não se pode negar que o vereador marcou um ponto importante no processo de ruptura política com seu irmão deputado. E, independente do apreço que se tenha (ou não) pela figura pública de Nelson Nahim, no que se refere exclusivamente ao mínimo de defesa institucional que se espera de um município da importância de Campos, de parabéns estão todos aqueles que, indistintamente, deram eco à denúncia do presidente da Câmara.