Betinho: “Quisera São João da Barra ter uma prefeita como Rosinha”

Duas vezes prefeito de São João da Barra, Betinho Dauaire (a caminho do PR) quer voltar a sê-lo em 2012. Para tanto, aliou-se ao seu ex-opositor, hoje deputado federal, Anthony Garotinho (PR). Para ele, o limite ao ex-governador será imposto naturalmente por sua escola política: seu pai, o ex-deputado Alberto Dauaire. Ao rastrear o passado daquele que hoje parece seu principal opositor, o vereador e secretário Neco (PMDB), Betinho tece várias críticas, pretéritas e presentes. Quanto aos demais, não crê na candidatura de Alexandre Rosa, vê Aluizio como o adversário mais bem preparado, louva a coragem de Gersinho e cobra a presença de Ari Pessanha entre as opções governistas. Quem quer que seja seu adversário em 2012, só não tem dúvida ao comparar os mandatos presentes das duas prefeitas nos municípios vizinhos: “Quisera São João da Barra ter uma prefeita como Rosinha”.
 
 

 

Folha da Manhã — Pré-candidato governista à Prefeitura, Neco disse aqui, em entrevista à Folha, que você fez um péssimo governo em São João da Barra. Como sua discordância parece óbvia, a pergunta é: baseado em quê?

Betinho Dauaire — Primeiro, se o meu governo fosse péssimo, por que o vereador Neco votava a favor das mensagens que eu mandava junto com os vereadores governistas? Neco ficou quatro anos me apoiando na Câmara, fazendo parte da bancada governista junto com os vereadores Gersinho e Arildo. Só se ele era um governista travestido de oposição. E caso eu tivesse feito um governo ruim ele seria cúmplice e responsável tanto quanto eu.Tenho fatos para mostrar que a avaliação dele está maldosamente errada. Encerrei meu governo com mais de 80% de aprovação popular, noticiado em manchete pela Folha da Manhã na época. Recebi um reconhecimento internacional na área da educação e no combate à miséria, com a chancela das Nações Unidas, e reduzi a taxa de mortalidade infantil, que tinha índices de países africanos, trazendo essa taxa para níveis de países da Europa. Com pouca arrecadação, promovi uma administração com alto grau de investimento, medido por estudos sócio-econômicos realizados por entidades oficiais, tornei o município oficialmente turístico pela Embratur, recuperei a educação, a saúde e reconquistei o respeito à administração pública municipal, além de outras ações ligadas ao meio ambiente e promoção social, dentre ourras áreas. Trago em meu currículo a criação de programas de transferência de renda, a bolsa universitária com transporte, cursos técnicos e muito mais. Tudo isso com pouco dinheiro.

 
 
Folha — Para sustentar sua afirmação, Neco lembrou que no colégio eleitoral do Açu, na eleição de 2008, ele teve mais votos que você. Ainda que seja só em um distrito, não é uma analogia reveladora, sobretudo porque ele concorreu a vereador e você a prefeito?

Betinho — O vereador Neco, nem somando todos os mandatos que teve, chegou à metade da votação que já tive no município. A votação de Neco no quinto distrito teve o preço de acabar com a paz do agricultor, do produtor, de pessoas de todas as idades, até os senhores na maioria com mais de 80 anos de idade. Após as eleições, Neco colocou em votação, exatamente na noite de 31 de dezembro de 2008, a lei reveillon, que deu condições para o governo do Estado desapropriar e pegar as terras de seus amigos, eleitores, enfim, moradores de toda a área. Os votos de Neco custaram muito caro. Pessoas surtaram, ficaram doentes, perderam suas atividades econômicas, sem terem sido preparadas para isso. Ele deveria se envergonhar de não ter avisado à população o mal que ia sofrer. Seria mais correto.

 

Folha — Criticar Neco pela falta de formação universitária, tática que já vem sendo usada, além de discriminação por algo não exigido em lei, não é também anacrônico no país que Lula governou por oito anos, com índices inéditos de popularidade? A bem da verdade, líder do seu grupo, Garotinho também não possui o terceiro grau. Se, mesmo assim, um acabou presidente e o outro governador, por que isso atrapalharia Neco a ser prefeito?

Betinho — Também concordo, mas isso é uma tática de alguns militantes dos outros candidatos a prefeito que estão do lado da prefeita. Além do próprio Neco ajudar, votando as coisas de forma errada, como aconteceu na eleição da mesa diretora, quando ele votou no vereador Franquis Areas, que nem candidato era. A prefeita errou em antecipar o calendário eleitoral, errou em trazer para o governo pré-candidatos. A prefeita errou em inventar pesquisa e autorizar reuniões eleitorais em pleno ano administrativo. São eles, os governistas, que devem se entender. Eu não tenho nada com isso, mas também não vou dizer que falta de estudo seja um mérito ou um incentivo para ser prefeito. Eu acho que a pessoa que queira governar São João da Barra tem que ter um mínimo de preparo e vocação para o Executivo. Acontece que o vereador licenciado e secretário de Assistência Social não tem nem uma coisa nem outra. Vamos a um exemplo básico: qual a política habitacional que foi desenvolvida por Neco? Nem 10 casas populares foram entregues em todo esse tempo. O programa de transferência de renda, criado por mim, está recheado de denúncias. Se ele não consegue administrar uma secretaria de Assistência e Promoção Social, como deseja administrar um município na era do Porto? Sabe, é a mesma coisa que colocar um motorista que não sabe dirigir, nem carteira tem, para guiar um ônibus cheio de pessoas; vai ser um desastre.

 

Folha — Outra tática de descrédito que já surge bem ensaiada contra Neco, é afirmar que seu governo seria tutorado pela prefeita Carla Machado. Na entrevista à Folha, ele mesmo admitiu que ela seria bem vinda a participar da sua administração. Em todo caso, você não correria o mesmo risco com Garotinho, a exemplo do que ele faz com Rosinha, em Campos? Qual seria o limite exato de Garotinho num novo governo Betinho Dauaire?

Betinho — Não existe esse risco, porque são histórias diferentes. Fui duas vezes prefeito, alcancei a primeira suplência de deputado estadual, vim de uma escola chamada Alberto Dauaire. Enquanto Neco sempre foi submisso politicamente. A prova disso é que a prefeita prometeu votar nele para presidente em 1999 e votou nela mesma. A prefeita se elegeu na época às custas de furar uma palavra empenhada com seu melhor amigo. Depois disso tudo, ele aceitou a situação. Então não precisa falar mais nada. Quanto à prefeita de Campos, Rosinha, ela governa com simplicidade, discrição e competência. Quisera São João da Barra ter uma prefeita como Rosinha.

 

Folha — E quanto à tática que qualquer candidato governista fatalmente usará, adiantada pelo próprio Neco: o passado de oposição aberta entre você e o ex-governador? Como pretende reagir a isso e como pensa que o eleitor reagirá?

Betinho — Apoiei Sérgio Cabral em duas eleições, de senador e governador, e ele veio com toda força contra mim na eleição seguinte. Sou obrigado a ficar parado esperando outro ataque? Tive a coragem de dizer não a um governador de mandato nas eleições de 2010. Garotinho é uma nova amizade que nasceu em uma aliança política que fizemos em 2009. Garotinho tem sido um grande amigo. Ele é um deputado atuante, não dito por mim, mas pela mídia nacional. Eu e Garotinho fomos adversários e nos unimos quando ele não tinha mandato e nem eu. Nos juntamos combatendo o bom combate. Hoje ele é o deputado federal mais votado do Estado do Rio e eu desponto com o primeiro lugar nas pesquisas para prefeito. Neco e Carla eram amigos de Garotinho e Rosinha quando eles eram governadores. Aí foi fácil ser amigo. Vergonha vai ser eles explicarem porque só são amigos de pessoas que estão no poder. Eu já não terei essa dificuldade.

 

Folha — Aparente causa principal da ruptura entre Garotinho e Carla, como manter numa administração sua a boa relação que o município hoje goza com o governo estadual de Sérgio Cabral? Valeria a pena abrir mão dela se for a vontade de Garotinho?

Betinho — Como tenho liderado as pesquisas e se desenha uma grande possibilidade de vitória, posso garantir que não tenho essa preocupação, até porque não acredito em retaliação. Mas se houver, vamos responder à altura. Acontece que hoje temos dois deputados federais para buscar recursos e, além do mais, a vitória de Garotinho para governador é dada como certa. Não existe político de maior densidade eleitoral no estado do que Garotinho. Além do mais, a prefeita de São João da Barra poderia continuar fiel a Garotinho e se impor diante do governador Cabral, como eu me impus nos meus dois mandatos em governos de oposição. A prefeita esqueceu que gratidão não prescreve.

 

Folha — Ex-prefeito e seu antigo opositor, mas hoje reunido no mesmo grupo político, o presidente do Cidac, Ranulfo Vidigal, disse aqui que os dois maiores eleitores sanjoanenses são Carla e Garotinho. Concorda? Por quê?

Betinho — Continuo discordando do Ranulfo Vidigal. Garotinho não é o maior eleitor só em São João da Barra, mas em todas as cidades do Estado do Rio de Janeiro. Para ter 700 mil votos tem que ter prestígio. E quanto a Carla Machado, a indicação é natural. Eu vou colaborando humildemente com o meu nome. Em cinco eleições que disputei, fui o mais votado em quatro. Ranulfo ficou um pouco chateado com a experiência política que teve ao governar meu município e acabou transferindo seu domicilio eleitoral de São João da Barra. Tenho certeza que se ele resolver votar em São João da Barra novamente votará em mim, porque ele sabe que Garotinho quer me ver prefeito.

 

Folha — Uma raposa felpuda da política sanjoanense revelou aqui que Neco, além de Carla, é o candidato governista também da sua preferência, por ser, em tese, o mais fácil de ser enfrentado no debate direto. Procede a visão, uma vez que você mesmo declarou aqui que a prefeita já definiu Neco como candidato?

Betinho — Não escolho adversários. Se escolhesse, não seria candidato em 2008 com uma pessoa que exercia o cargo de prefeita e utilizava-se do instituto da reeleição.Tanto é que ganhei de Carla na minha reeleição e ela ganhou de mim na reeleição dela. Respeito qualquer adversário e não tenho preferência. Quero sim debater projetos importantes no processo eleitoral. Não dá para continuar pensando pequeno. Quero trazer meus conhecimentos para o debate, quero debater com candidatos inteligentes e não com bonecos.

 

Folha — E qual a sua visão sobre os outros dois pré-candidatos anunciados por Carla: Aluizio Siqueira e Alexandre Rosa? Você já apostou que o segundo é carta fora do baralho, por não unir o grupo governista, assim como apontou Aluizio como um plano B, ou para compor a chapa como vice. Continua pensando assim? Baseado em quê?

Betinho — Alexandre Shop deixou a história passar à sua frente e não viu, preferindo o caminho mais curto. Não teve decisão quando era necessário e quando resolveu tomar decisão, tomou errado. Não é confiável para a militância. Tudo de ruim que vier a acontecer politicamente para a prefeita na Justiça, na campanha eleitoral, nos jornais, foi criado no tempo em que ele era o presidente da Câmara. Alexandre não poderia passar uma borracha em sua história, se rendendo às seduções do poder. Hoje ele não tem a confiança de nenhum dos dois lados, mas pode se sujeitar a virar um vice de Neco. Shop foi fraco e só virou pré candidato para a prefeita ganhar maioria na Câmara. Já Aluizio foi alçado ao posto de pré-candidato para rachar a votação de Alexandre nas pesquisas e favorecer Neco. Ele é o mais preparado dos três para o debate, mas vai se decepcionar quando souber que o escolhido não será ele.

 

Folha — Ainda sobre Alexandre Rosa, você disse que a única chance dele de concorrer à Prefeitura, seria sair numa candidatura independente. Presidente da Câmara, Gersinho declarou aqui que ele mesmo pode fazer isso. Embora ainda não tenha se pronunciado, não está descartada a possibilidade de Ari Pessanha também tentar esse caminho. Como analisa cada uma dessas possibilidades e, de maneira geral, como uma ou mais outras candidaturas fortes poderiam afetar o aparente equilíbrio entre os candidatos de Carla e Garotinho?

Betinho — Eu disse, mas o vereador Alexandre não tem coragem de lançar uma candidatura independente. Vai acabar aceitando uma vaga de vice ou tentar a reeleição. Para ser candidato sem apoio governista tem que ter coragem. Já Gersinho tem essa coragem e tem demonstrado isso. Ari Pessanha foi o grande injustiçado do atual governo no sonho de ser prefeito. Nem na pesquisa Carla colocou seu nome. Se Carla colocasse o nome de Ari Pessanha na pesquisa governista, Ari ganhava dos três candidatos de Carla juntos.

 

Folha — Inegável que qualquer pré-candidato a prefeito de São João da Barra tenha que pensar, e muito, sobre o Porto do Açu. Já procurou ou foi procurado por Eike Batista ou algum representante dele? Como ampliar ao máximo os benefícios econômicos do mega-investimento e como reduzir ao mínimo seus impactos sociais?

Betinho — Sim, já há algum tempo. A empresa tem apresentado projetos para diminuir os impactos sociais, mas diante do valor do investimento de R$ 1,8 bilhão realizado na construção do Porto do Açu até hoje, impactos positivos executados deveriam aparecer mais fortemente. Com todo respeito ao empreendimento, os programas de compensação precisam atender a demanda dos produtores rurais do quinto distrito e as demandas unilaterais não tem colaborado para isso.Temos que reconstruir a confiança e aproximar mais o empreendedor da sociedade civil e não apenas confundi-lo com órgãos governistas. As estratégias para ajudar os moradores e produtores do quinto distrito não podem ser as mesmas de 10 anos atrás. Elas precisam ser estratégias de âmbito sistêmico, ou seja, estudar todos os vetores que envolvem a produção e criar estratégias que possam fazê-los competitivos com o mercado atual, fortalecendo essa cadeia produtiva. O que adianta colocar máquinas em associações com possíveis identificações partidárias? O cooperativismo é um exemplo de saída. Outra questão que envolve outras regiões do município e será afetada com o desenvolvimento será a grande quantidade de desempregados, inchando os centros mais urbanos do município. A capacitação é importante, mas como capacitar de verdade, se temos um governo que deixa a educação básica chegar em penúltimo lugar no Estado? Se não investir de verdade na educação básica, não chegaremos a lugar nenhum. O governo finge que capacita e o trabalhador finge que foi capacitado. Enquanto isso, dados mostram que existe uma queda da remuneração média do trabalho, que nos últimos levantamentos oficiais é de 7,60% , uma queda de 26,35% em relação ao saldo de empregos em junho de 2010. Temos que aproximar os agentes envolvidos, proposta bem fundamentada pelo Movimento Nossa São João da Barra e seus colaboradores. Quanto a políticas públicas, temos que torná-las eficazes.

 

Folha — Teria agido diferente em relação às desapropriações do 5º distrito? Em quê?

Betinho — Tudo seria diferente desde a notícia até a negociação da terra e aposto que todos sairiam felizes e o quinto não estaria sofrendo como está sofrendo. Primeiro que eu não colocaria uma projeto de lei tão importante no último dia do ano para ser votado. Esse projeto modifica toda a história do quinto distrito, que era uma área rural, de produção familiar, e se tornou uma área industrial. Segundo, eu não esconderia da população esse fato, mesmo sendo ano eleitoral como foi. Terceiro, eu não lavaria minhas mãos como a atual administração lavou. Eu montaria um estafe capacitado, capaz de discutir tecnicamente de igual para igual com os empreendedores. Vestir a camisa do desenvolvimento é vestir a camisa da população e do empreendedor. Só assim desenvolvimento vira qualidade de vida. Fora disso desenvolvimento vira prostituição, injustiça, desigualdades e por aí vai. A prefeita já admitiu na mídia que as coisas começaram erradas. E tudo que começa errado dá um trabalho danado para consertar, quando querem consertar, é claro.

 

Folha — No último dia 22, São João da Barra recebeu R$ 10,8 milhões em royalties, chegando ao total de 168 milhões já recebidos em 2011. Que paralelo faz entre as atuais quantias e as que o município recebeu em suas duas administrações, e quais diferenças enxerga na aplicação dos recursos do petróleo pelo seu governo e o de Carla?

Betinho — Vamos falar em orçamento que engloba os royalties e demais receitas. O governo atual não é melhor do que o meu, é apenas maior. O orçamento do meu primeiro ano de governo era de R$ 11 milhões. O orçamento a ser votado hoje é de R$ 400 milhões. Se juntarmos oito anos de arrecadação do meu governo, eu não alcanço o arrecadado pela atual administração em oito meses. E tudo isso sem a prefeita mexer um dedo. Essa receita é fruto da exploração de petróleo e do Porto do Açu, investimentos que não foram trazidos por ela. Com toda essa diferença de caixa, no meu período, segundo estudos, a economia era mais fortalecida no meu tempo. Nossos graus de investimentos eram elevadissímos, como mostram os estudos sócio-econômicos. A nossa receita corrente era maior do que a despesa de custeio. Realizamos grandes investimentos. O que eu não entendo é que hoje, com todo esse dinheiro, o que temos? Temos várias CPIs denunciando corrupção, que foram encaminhadas ao Ministério Público. O município já posou de campeão em focos do mosquito da dengue no Estado, a educação disputa os últimos lugares, segundo o ministério da Educação, a remuneração no município caiu, o servidor público que tinha o mínimo duas vezes maior que o mínimo nacional, hoje não supera um salário mínimo. Sindicato fechado por falta de repasse, agricultores perdendo suas terras, o Conselho de Agricultores desativado de 2005 até recentemente, pescadores não recebem as melhorias que constam no orçamento,TCE em busca permanente de esclarecimentos, bens bloqueados de administradores, ações populares, a saúde considerada a pior de todos os governos. Tinha necessidade disso com tanto dinheiro? O governo da prefeita de São João da Barra é bem maior do que foi o meu, ele tinha também a obrigação de ter sido bem melhor que o meu. Uma pena que os números oficias mostram que essa administração vai de mal a pior.

 

Folha — Falando da maneira mais sincera possível, não acha que a oposição na Câmara perdeu a mão contra a prefeita, sobretudo em posições altamente impopulares, como no caso dos shows do último verão e, mais recentemente, da coleta de lixo?

Betinho — Até pode se ter essa sensação, mas sensação nem sempre reflete a realidade. A culpa do que aconteceu foi do governo. O governo não poderia permitir que a empresa deixasse o lixo nas portas das casas das pessoas. Não havia essa necessidade. Humilharam nosso povo e o pior é que tudo ficou por isso mesmo. Deixaram o lixo por causa de uma mensagem que a prefeita queria que fosse aprovada. Deixaram o povo sem água por causa de uma mensagem. Isso foi maldade. Os shows no verão não aconteceram por opção da prefeita, que preferiu priorizar seus recursos. O resto é conversa fiada da turma que se beneficiou com a aprovação da mensagem. Esses mesmos vereadores que ela acusa, ela vive tentando seduzir, da mesma forma que seduziu o ex-presidente. O governo foi o responsável.

Cabral quer João Peixoto candidato em 2012 para deselitizar a oposição

 

O governador Sérgio Cabral (PMDB) convidou o deputado estadual e presidente regional do PSDC, João Peixoto, para se lançar candidato a prefeito de Campos em 2012. A informação foi revelada ao blogueiro pelo próprio deputado, que disse ainda ter sido sondado por outras lideranças estaduais do PMDB (mas não Cabral) para ingressar no partido, convite que declinou: “Não vou sair do PSDC!”.

Apesar das propostas, Peixoto não nega sua preferência pessoal por concluir o mandato na Assembléia Legislativa. Todavia, como se coloca como um “soldado do grupo político”, admite que poderia se lançar tanto a prefeito pelo seu PSDC, como até a vice, numa eventual composição partidária. Aberto também à esta última possibilidade, justificou: “Não tenho vaidades!” . Mas ainda que admita a alternativa, ele restringiu ao campo das especulações a informação de que estaria costurando uma chapa com o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT), tendo este como cabeça.

Na verdade, sendo candidato a prefeito ou a vice, parece clara a intenção do governador no convite ao deputado egresso do movimento sindical dos taxistas e conhecido por falar, literalmente, a língua do povo: romper com o aparente elitismo das pré-candidaturas até agora apresentadas pela oposição, todas com votação mais concentrada na pedra, nas 98ª, 99ª e parte da 249ª zonas eleitorais. Na 75ª (Baixada), 76ª (Guarus), 100ª (sentido norte da BR 101) e 129ª (BR ao sul), à exceção de Arnaldo, por ter sido prefeito duas vezes, todos os demais nomes têm pouca penetração. 

Levado em consideração que a chapa equilibrada entre periferia e área central foi o que sempre deu a vitória ao grupo de Garotinho — ao próprio, tendo como vices Adilson Sarmet (1988)  e Arnaldo Vianna (96), a Sérgio Mendes com Amaro Gimenes (92), a Arnaldo com Pudim (2000), e a Rosinha com Chicão (2008) —, com execeção não coincidente de quando se pretendeu ignorar o voto das classes média e média alta, com a chapa Pudim/Claudeci derrotada duas vezes consecutivas em 2004 e 2006, a contrapartida popular que Cabral agora busca imprimir para 2012, numa oposição ainda elitizada, tem base na própria lógica eleitoral de Campos.

Rosinha confirma filiação amanhã ao PR — Ave Saulo!

Confirmado aqui, pela própria prefeita Rosinha, em ligação ao jornalista Saulo Pessanha: ela vai mesmo se filiar ao PR no evento que o partido realiza amanhã, a partir das 18h, no Automóvel Clube Fluminense. Contrariando as expectativas relevadas aqui, pelo líder governista na Câmara, vereador Jorge Magal (ainda no PMDB), correta está não só a charge do Zé Renato no post abaixo, como a fonte do experiente Saulão, que havia antecipado aqui, desde terça-feira, a consumação da esperada mundança de legenda da prefeita, eleita em 2008 pelo partido do governador Sérgio Cabral.

E por essas e por outras que o colunista e blogueiro da Folha é referência há mais de 30 anos no jornalismo político desta cidade. Ave Saulo!

Presidente do PRP: “Fisiologismo à caça dos pré-candidatos a vereador”

“O fisiologismo político ocorre no mundo inteiro, mas especificamente em Campos, a gente convive com ela em níveis inaceitáveis, numa total inversão de valores, com a troca de favores praticada abertamente pelo poder público municial, sem ser coibida pelo Ministério Público ou pela Justiça. Na cooptação de pré-candidatos a vereador, essa troca de favores ocorre com nomeações de DAS, bolsas de estudo, obras para empreiteiras que se comprometam a ajudar financeiramente na campanha deste ou daquele pré-candidato. Lógico que todo esse processo atenta contra a democracia”.

As denúncias são do presidente municipal do PRP, integrante da Frente Democrática de Oposição e também pré-candidato a vereador, Fabrício Lírio. Neste sentido, ele considera que o alerta sobre da prática de fisiologismo político na cidade, feito aqui pelo novo bispo católico Dom Roberto Ferrería Paz, “caiu como uma luva, ou melhor, como uma carapuça para esse grupo político que está no poder”.

Fabrício também não acredita que a filiação de Rosinha ao PR aconteça no evento programado pelo partido para a próxima sexta, dia 26. Todavia, tanto no partido do deputado federal Anthony Garotinho, quanto em todos as demais legendas da base governista, o presidente do PRP vê a cooptação para filiação de pré-candidatos à Câmara Municipal:

— Estou vivendo isso na pele. Eles estão à caça de todos os pré-candidatos com 700 votos, 800 votos, usando o poder e a influência do poder público nesse processo. Isso também é fisiologismo.

Mauro Silva confirma Magal: “Não há previsão oficial da filiação de Rosinha”

Sobre a possibilidade da prefeita Rosinha se filiar ao PR na próxima sexta-feira, além do vereador Jorge Magal (PMDB), o blog ouviu ainda o secretário municipal de Comunicação, presidente local do PTdoB e pré-candidato à Câmara Municipal, Mauro Silva. E, assim como o líder da bancada governista, ele disse também que essa previsão não está confirmada oficialmente.

 

Sem acreditar na filiação de Rosinha na 6ª, Magal fala de eleições, fisiologismo e Câmara

Embora não tenha conhecimento oficial do assunto, o líder governista Jorge Magal não acredita que a filiação ao PR da prefeita Rosinha (ainda no PMDB, mesma situação do vereador) ocorra no evento do partido na próxima sexta, dia 26, no Automóvel Clube Fluminense, conforme informou aqui o Saulo Pessanha. Embora o prazo para filiações se encerre em 30 de setembro, para o vereador melhor seria manter o cronograma governista inicial de só lançar a pré-candidatura da reeleição da prefeita na virada do ano, como o blog já havia adiantado aqui, desde 5 de julho. Sobre seu próprio destino, ele disse estar ainda esperando o sinal verde dos seus advogados para se desligar do PMDB e ingressar numa nova legenda, ainda não definida, mas da base governista.

Já em relação ao fisiologismo na política de Campos condenado aqui pelo bispo católico Dom Roberto Ferrería Paz, o líder do governo laico disse que o líder religioso tem razão, embora ressalvando que a denúncia foi generalizada, não direcionada à administração municipal. Quanto aos secretários municipais que pretendem concorrer a vereador, Magal  continua a acender o mesmo sinal amarelo já registrado aqui pelo blog, equilibrado entre o verde ao direito de qualquer um se candidatar e o vermelho para utilização da máquina pública. Por fim,  ele revelou que a definição do número de vereadores à próxima Legislatura será defnido em setembro e que o número deve ficar mesmo no máximo de 25, com as oito cadeiras a mais garantidas num acordo entre as bancadas governista e de oposição.

Abaixo, por partes e em maiores detalhes, o que Magal falou ao blog…

 

Filiação de Rosinha ao PR na sexta? — Sou líder do governo, mas não tenho procuração da prefeita Rosinha para falar por ela em questões partidárias. Mas, até onde sei, não tem nada de oficial na informação,  que vai acontecer é o encontro do PR. Lógico que Rosinha será a candidata e que concorrerá pelo PR, mas não acredito que vá se filiar agora. Primeiro, acho que tem que ser resolvida a questão do partido (PMDB).

Antecipação da pré-candidatura de Rosinha — Acho que são tantos os projetos públicos impotantes em andamento no município, que ela não tem nem tempo para pensar nisso agora. Como disse antes, lógico que a candidata é ela, mas acho que sua prioridade agora é governar a cidade, não antecipar a campanha, o que só interessa à oposição. O momento de lançar a pré-candidatura vai chegar, mas acho que é mesmo só para a virada do ano.

Destino partidário de Magal — Só vou me posicionar quanto a isso depois que tiver o parecer jurídico dos meus advogados (do desligamento do PMDB). Tenho convite do PR e de vários outros partidos, mas essa definição vai esperar, afinal o prazo para filização só se encerra em 30 de setembro. Ainda tem tempo. Só uma coisa é garantida: vou ara um partido da base do governo.

Bispo denuncia fisiologismo político em Campos — Considerando que ele não denunciou o governo, não tenho como negar que o bispo, sem dúvida nenhuma, tem razão nesse questionamento. Só acho que isso foi mais generalizado em Campos nos governos passados. Hoje, diante do exemplo de honestidade do governo Rosinha, o povo está mais esclarecido quanto a essas práticas.

Secretários candidatos — Não mudei o que disse antes a você: qualquer um pode se candidatar, todos os secretários têm este direito. Mas reafirmo também que nenhum deles têm o direito de usar suas secretarias, de usar a máquina pública, para trabalhar por suas candidaturas. A lei determina que seis eses antes da eleição, em março do ano que vem, eles têm que deixar os cargos, mas a prefeita Rosinha, até para deixar bem claro que não vai aceitar o uso da máquina, antecipou o prazo para dezembro.

Definição do número de cadeiras à próxima Legislatura — Em setembro vamos definir isso, num acordo não só entre os governistas, mas também com todos os colegas da oposição. A próxima Câmara vai ter mesmo 25 vereadores (máximo permitido, com oito cadeiras a mais).

Severino Veloso — Na eternidade da água

Adolescente, conheci Severino Veloso vereador. Sobre esta fase da sua vida, creio que ninguém definiu melhor do que o jornalista e escritor José Cunha Filho fez aqui.

A mim, no entanto, confesso que a face de Severino que sempre mais cativou foi a do nadador, com seu contagiante entusiasmo a conquistar, já na terceira idade, tantas medalhas e troféus nas piscinas do Brasil e do mundo, representando orgulhasamente sua Folha da Manhã (como sempe a definiu), seu Fluminense Football Club e sua Campos dos Goytacazes.

Nadador generosas braçadas aquém e mais afeito a arriscá-las nas águas vivas do Atlântico e do Paraíba do Sul, guardarei minha despedida pessoal para a próxima vez em que cruzar no peito a confluência de ambos, entre o Pontal e a Convivência, no torpor solitário do reencontro líquido e certo com o útero que nos gerou — e que, se tivermos sorte, nos espera.

Até emergirmos do outro lado, fica o mergulho nos versos de Cecília Meireles…

 

 

Nadador

O que me encanta é a linha alada
das tuas espáduas, e a curva
que descreves, pássaro da água!

É a tua fina, ágil cintura,
e esse adeus da tua garganta
para cemitérios de espuma!

É a despedida, que me encanta,
quando te desprendes ao vento,
fiel à queda, rápida e branda

E apenas por estar prevendo,
longe, na eternidade da água,
sobreviver teu movimento…

Antecipação do debate eleitoral antecipa pré-candidatura de Rosinha

 

Sempre bem informado, o jornalista Saulo Pessanha revelou aqui que a prefeita Rosinha Garotinho, eleita pelo PMDB, assina sua filiação ao PR na próxima sexta, às 18h, no Automóvel Clube Fluminense, em evento do partido comandado no município por seu filho Wladimir. Em conversa agora há pouco com o blogueiro, uma fonte do primeiro escalão do governo disse ainda não poder confirmar essa informação, tampouco se o fato novo significaria a aceitação da antecipação do debate eleitoral de 2012, que Rosinha sempre declarou querer evitar em 2011, mas não conseguiu conter nem na oposição, nem no próprio marido, o deputado federal Anthony Garotinho (PR).

O fato é que essa polarização indesejada pelo governo conseguiu antecipar não só o debate sucessório, mas o próprio lançamento da pré-candidatura da prefeita à reeleição, inicialmente planejada para acontecer só na virada do ano, como o blog havia revelado aqui, em 5 de julho. Na verdade, aquela postagem foi uma repercusão, com fontes governistas, sobre o Ponto de Vista do Chistiano Abreu Barbosa, que no dia anterior (4 de julho) registrou aqui a aparente segurança que permitia à situação ditar o cronograma sucessório. Não que Rosinha tenha deixado de ser franca favorita nessa corrida, mas de lá para cá algumas dúvidas sobre sua administração foram dilatadas, abreviando em contrapartida suas datas eleitorais.

Com quase todos os setores conveniados e contratados acusando atrasos no repasse (aqui), com obras públicas paradas ou caminhando a passos de cágado (aqui), com decretos da prefeita cortando despesas em 10% (aqui), com parte da receita municipal bloqueada pelo TJ por dívidas judiciais não honradas (aqui), e sem ainda nenhuma justificativa convincente para a generalização desse aparente quadro de penúria, inexplicável diante do orçamento de R$ 1,9 bilhão aprovado para Campos desde dezembro de 2010, o momento governista é de reação. 

Reflexo claro desta necessidade, além de abreviar o lançamento da pré-candidatura de Rosinha, foi a tensa reunião de ontem à noite, com cinco horas de duração, revelada aqui pelo também sempre bem informado advogado Cláudio Andrade, na qual Garotinho teria passado um “carão” nos secretários municipais, sobretudo em César Romero, Tom Zé e  Eduardo Crespo, chegando a ameaçar os dois primeiros (responsáveis pelas obras) de exoneração.

Além dos óbvios questionamentos institucionais (e legais) de um deputado federal assumir as funções da chefe do executivo municipal, que aliás foi eleita optando por omitir o nome de Garotinho em toda sua irretocável campanha, talvez fosse a hora de alguém do governo tentar reconduzir aos trilhos da racionalidade, não ao descarrilhamento do destempero passional, essa reação que Rosinha busca e precisa, como prefeita e pré-candidata. Leitura de cabeceira do ex-governador, seria tudo que o Príncipe de Maquiavel aconselharia.

Caso contrário, a continuar conduzida na atual toada, a provável vitória governista em 2012 ficaria menos impossível de ser contradita.