“Tem bom jogo de cintura, fez uma costura amplamente favorável com a maioria dos vereadores e se mostra disposto a dialogar com a sociedade”. Sobre a definição do prefeito Nelson Nahim, feita aqui pelo jornalista e blogueiro Ricardo André Vasconcelos, pouca coisa resta a acrescentar. Tampouco sobre a pedra que Nahim pode ter no caminho em sua candidatura numa eleição suplementar, que Ricardo identificou na a resolução 22.768/2008, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do ministro Felix Fischer, vedando um caso que, como na possível reeleição de Nahim à Prefeitura, “configuraria um terceiro mandato consecutivo circunscrito a uma mesma família (um de Rosinha e dois de Nahim) e num mesmo território”.
À “pedra” encontrada por Ricardo, podem se somar duas outras, garimpadas aqui pela Suzy Monteiro. A também jornalista e blogueira lembrou que Nahim teve suas contas de campanha rejeitadas pela Justiça Eleitoral de Campos, decisão da qual já está recorrendo no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), e que hoje o único político do PR local que poderia ser candidato na nova eleição a prefeito seria o vereador Kelinho, já que todos os demais seguiram Garotinho e têm menos de um ano de filiação, prazo exigido por lei à qualquer candidatura.
Pois à mineiração jornalística sempre competente de Ricardo e Suzy, o blog avistou outra possibilidade de pedra no caminho de Nahim, não na eleição suplementar à Prefeitura (com data prevista pelo TRE para 21 de novembro, como informou aqui, em primeira mão, a profesorra e blogueira Graciete Santana), mas em relação ao pleito que já houve para reeleger o prefeito interino como presidente da Câmara, na última terça.
Em encontro ao acaso com um magistrado da comarca, durante evento social do final de semana, o assunto da reeleição de Nahim ao Legislativo veio naturalmente à tona, como na maioria das rodas de conversa da cidade, ao que o juiz foi assertivo:
— Isso não resiste a um sopro, não se sustenta juridicamente. Como alguém pode ser prefeito e vereador ao mesmo tempo? Isso fere frontalmente o princípio de separação entre os poderes, base de qualquer estado democrático de direito. Antes da eleição, ele (Nahim) enviou um comunicado aos juízes da comarca, avisando o que pretendia fazer e, de fato, fez. Talvez esperasse que, com essa satisfação prévia, fosse ganhar a anunência do Judiciário. Pois ele não tem a minha.
Saindo mais tarde do local, mas ainda impactado pela opinião balizada, o blogueiro se encaminhou a outro evento social, na mesma noite, onde encontrou, também casualmente, com outros dois magistrados. A eles fez a exposição do que o colega de toga dissera antes, colhendo impressões totalmente distintas. Um deles, conhecido pela contundência, respondeu:
— Pois eu não vejo o menor problema em Nahim ocupar a Prefeitura e concorrer à reeleição na Câmara. Ele não é prefeito, ele está prefeito, e não por obra da sua vontade, mas por força da lei. Impedir que ele concorresse seria negar-lhe um direito.
Menos enfaticamente, a opinião foi, no entanto, endossada pelo outro magistrado que participava da conversa. Este, conhecido pela serenidade, ainda revelou ao blogueiro:
— Na verdade, o que você pode dizer é que Fórum está dividido sobre o assunto. Acho que Nahim poderia, sim, ter concorrido na Câmara, mas conheço outros juízes, além daquele que você citou, que também acham que a reeleição não tem valor legal.
Na dúvida que habita o conjunto da magistratura local, uma certeza: nenhum dos três juízes ouvidos pelo blogueiro é Leonardo Gradmasson, da 100ª Zona Eleitoral, que ontem encaminhou à apreciação do promotor Êvanes Amaro Soares, pedido feito pelo PMDB de Campos (aqui), cobrando explicações pelo fato de Nahim ter deixado a Prefeitura para concorrer na Câmara.
Fonte muito próxima a Nelson Nahim, ao ser contrastada com a reafirmação do prefeito em só fazer mudanças em sua equipe de governo após o TRE marcar novas eleições, garantiu que até lá ocorrerá apenas uma exceção: talvez ainda esta semana, após reunião com o prefeito interino, o médico e ex-vereador Otávio Cabral vai deixar a direção do Hospital Geral de Guarus (HGG).
Após ter sua gestão criticada pela próprio Nahim, na mesma entrevista ao blog (aqui) em que este fixou o prazo das mudanças no governo, o tempo dado a Otávio não teria sido aproveitado a contento. O reforço das críticas, externadas hoje ao blog (aqui) pelo também médico e vereador Dante Pinto Lucas (PDT), na verdade, ecoam o pensamento não só do pedetista, mas também de outro médico e vereador, Abdu Neme (PSB), que ambos têm dividido com Nahim, em conversas sobre a Saúde no município.
A mesma fonte revelou que essas conversas se estenderam também à própria secretaria de Saúde, confirmando que Dante é cogitada ao cargo, como ele também revelou ao blog em primeira mão, embora, ao contrário da saída de Otávio, a provável substituição de Paulo Hirano não deva se consumar antes marcação da nova eleição pelo TRE.
Em relação à bola da vez, que será mesmo a troca no HGG, se espera que seu novo diretor, para reverter uma situação que gregos e troianos consideram caótica, não tenha mais que ficar submetido à mão de ferro do secretário de Controle e Orçamento, Suledil Bernadino. Homem de confiança de Garotinho, cuja saída ninguém cogita, pelo menos até que a eleição seja marcada e Nahim consiga a vaga pelo PR, Suledil teria sentado em cima de quase todas as reivindicações feitas por Otávio para tentar melhorar as condições do HGG.
Enquanto blogs e jornais com mais ou menos credibilidade abriram a sessão de especulações quanto a alterações no secretariado que Nelson Nahim herdou de Rosinha, o próprio prefeito esclareceu ao blogueiro, há alguns minutos, por telefone: continua valendo a dead line que ele mesmo estabeleceu em entrevista ao blog (aqui), reproduzida na Folha. Nela, para quem não leu (ou finge não ter lido), vale ressaltar mais uma vez o que o Nahim já havia dito e voltou a afirmar agora: nehuma mudança mais radical vai ocorrer na equipe de governo até que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) marque as eleições suplementares de Campos.
Mas o anúncio feito hoje (aqui) pelo presidente do TRE, Namatela Jorge, numa reunião com representantes locais PDT, PPS, PT, PCB, PMDB e PTdoB, de que o novo pleito à Prefeitura será convocado logo após as eleições gerais de 3 de outubro, já não seria essa definição esperada pelo prefeito interino? Mesmo sabendo da reunião antes, durante e depois, ele foi categórico: Não!
Falando na condição também de advogado, Nahim não acredita que o TRE vá marcar eleição antes que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgue o mérito do recurso de Rosinha. Lembrado pelo blog que o TRE, sob a presidência de Marlan de Moraes Marinho (que teve o irmão nomeado ao TJ pela então governadora Rosinha, logo após inocentar o casal Garotinho da condenação de crime eleitoral na eleição de 2004) marcou e realizou eleição ao Executivo local, mesmo antes que o TSE julgasse o mérito do recurso de Carlos Alberto Campista (prefeito afastado de então), o prefeito interino de hoje se limitou a dizer: “Para mim o TRE errou naquele momento. Por isso mesmo não pode voltar a errar agora”.
Entende-se o discurso de Nahim, buscando demonstrar respeito ao último fio de esperança (cada vez mais tênue) quanto ao retorno de Rosinha. Afinal, como ele também revelou na entrevista em que definiu quando faria mudanças no governo, ao ser indagado sobre quem estabeleceria os critérios de escolha do candidato do PR na eleição suplementar:
— O partido, né. Para isso existem as decisões partidárias. Garotinho é o presidente regional, é a figura mais importante do partido. Eu não jogo sobre o ombro dele toda a responsabilidade, mas o peso dele é muito importante nesses momentos.
Resumo da ópera: no jogo que se joga para a galera, no vestiário, com a direção do clube e no tapetão, o flamenguista Nahim, até agora, está liderando o campeonato com uma folga que faria inveja ao Fluminense de Muricy.
Em entrevista ao blog (aqui), reproduzida na edição impressa de hoje da Folha, o ex-vereador e candidato a deputadao federal pelo PPS, Sérgio Diniz, defendeu que seu partido lance candidatura própria na eleição suplementar com data de convocação projetada hoje (aqui), pelo presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Namatela Jorge. Diniz frisou, no entanto, falar isso em seu nome, não da sua legenda.
Pois diante da mesma possibilidade, Dante Lucas teve uma posição oposta. Ao ressalavar falar apenas por si, não por seu PDT, ele defendeu a tese de aliança do partido com Nelson Nahim, caso a nova eleição à Prefeitura realmente se confirme e seu ocupante interino consiga a vaga do PR para se candidatar — possibilidades cada vez mais sólidas com o desenrolar dos fatos.
E você, caro leitor, é favorável que PPS e PDT apoiem Nahim, ou lancem candidatos próprios numa nova eleição a prefeito???
Outra coisa que Dante revelou, em conversa por telefone, antes que ele ou o blogueiro soubessem que a nova eleição a prefeito de Campos já tem data para ser anunciada (aqui), é que embora ele entenda que Nahim tivesse que esperar justamente por esta definição, o prefeito interino pode começar a arcar com o ônus do secretariado herdado de Rosinha se aguardar demais para fazer mudanças.
— Já falei com Nahim sobre isso. Por enquanto, os erros da sua equipe de governo, herdada de Rosinha, são atribuídos a ela, que montou a equioe. Mas, daqui a pouco, na medida em que demore a fazer as alterações necessárias, o que não funcionava com Rosinha e continua não funcionando vai passar a ser depositado na conta de Nelson. Isso sem contar com as “cascas de banana” que podem estar sendo deixadas intencionalmente, para atrapalhar seu governo — alertou o vereador pedetista.
Uma coisa é certa, com a manifestação agora há pouco do presidente do TRE, Namatela Jorge, que quer convocar as eleições suplementares em Campos logo após 3 de outubro, vai aumentar muito a pressão de vereadores e partidos aliados por mudanças, cada qual em busca de garantir no governo um espaço relativo ao apoio na Câmara e no novo pleito à Prefeitura.
Se ainda não tem data para acontecer, a eleição suplementar de Campos já tem data para ser definida: o edital do novo pleito à Prefeitura será publicado logo após a realização do 1º turno das eleições gerais, em 3 de outubro. Notícia divulgada em primeira mão pela jornalista e blogueira Suzy Monteiro (aqui), a informação foi repassada pelo próprio presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Namatela Jorge, em reunião que acabou agora há pouco com representantes locais do PDT, PPS, PT, PCB, PMDB e PTdoB.
O anúncio da reunião, na sede do TRE, no Rio, havia sido adiantado pelo também jornalista e blogueiro (além de poeta) Fernando Leite (aqui).
Na conversa de agora há pouco por telefone, além de confirmar a autoria do seu comentário (aqui), reproduzido e respondido no post abaixo, o vereador e médico Dante Pinto Lucas (PDT) revelou várias outras coisas. Entre elas, a mais importante: ele já conversou com o prefeito interino Nelson Nahim (PR) sobre a possibilidade de assumir a secretaria de Saúde.
Embora frise que respeita o colega médico Paulo Hirano, atual ocupante da pasta, o vereador faz críticas abertas à situação do Hospital Geral de Guarus (HGG), ora administrado pelo ex-vereador e também médico Otávio Cabral, endossando o que o próprio Nahim já havia dito (aqui) em entrevista ao blog, reproduzida na Folha.
No último sábado, dia 28, às 21h20, o vereador Dante Pinto Lucas fez um comentário (aqui), sobre post que tratava do descarte de seu nome como líder do governo Nahim na Câmara, após esta opção ter sido revelada também pelo blog (aqui). O blogueiro, que só viu o comentário no domingo, demorou a aceitá-lo por não ter conseguido confirmar a autoria, já que o e-mail utilizado no envio não era do comentarista. Remetente confirmado no contato telefônico de hoje, segue abaixo a resposta do vereador, com destaque de post, seguida de duas observações do blog:
Dante: Fico impressionado quanto às especulações em torno do meu nome, nunca houve tal convite , e apesar de Nahim ser meu amigo ,não poderia ser líder de um governo onde não concordo com vários secretários de governo,inclusive já vou me posicionar contrário a uma matéria do governo que está na câmara,portanto esta liderança seria imcompatível com minha posição além de considerar que na bancada de situação temos vários colegas que poderão desempenhar bem esta função, inclusive Magal.
Blog: 1) Embora nega o convite, que o blog nunca afirmou ter exstido, Dante não nega que seu nome foi cogitado à liderança de Nahim.
2) Discordar de nomes que, herdados de Rosinha, ainda constituem o secretariado de Nahim, não é condição exclusiva de Dante. A pressão neste sentido exercida por ele e outros vereadores da antiga oposição à prefeita cassada, hoje base da situação do prefeito interino, tem gerado todo tipo de especulação, em blogs e jornais com mais e menos credibilidade. Por enquanto, continua valendo para eventuais mudanças o prazo determinado por Nahim, com exclusividade, em entrevista ao blog (aqui), reproduzida na Folha:
“Folha – Qual é o seu deadline entre o prefeito interino de Rosinha e alguém disposto realmente a fazer um governo com cara própria? Seria o julgamento dela no TSE, adiado para semana que vem?
Nahim – Muitas coisas eu fiz porque precisam de ações imediatas. Algumas coisas, a longo prazo, eu prefiro aguardar essa decisão (…)
Folha – Mas não há um prazo?
Nahim – Sinceramente, não. Muito se fala no julgamento do recurso de Rosinha. Mesmo que Rosinha não volte, ainda há o julgamento do mérito.
Folha – E se uma nova eleição for marcada?
Nahim – Aí, sim”.
Quem entende um pouco de artes-marciais nunca teve dúvidas: nenhum especialista em determinada luta, por mais brilhante que seja, pode ter sucesso em combate aberto contra um advsersário do primeiro time do MMA (mixed martial arts, o antigo vale-tudo). Até os anos 90, antes da explosão do Ultimate Fighting Championship (UFC), nos EUA (onde o MMA já é o esporte número 1 entre os homens entre 18 e 35 anos), América Latina, Europa, Oriente Médio e Ásia, o boxe era, sem sombra de dúvida, a luta que atraía maior público internacional. Por conseguinte, pagava as maiores bolsas e promovia os maiores eventos.
Royce GracieMestre Hélio Gracie
O UFC foi criado pela família Gracie, em 1993, nos EUA, para provar no país poderoso do mundo a supremacia do jiu-jitsu brasileiro sobre as demais artes-marciais. O objetivo foi alcançado por um dos filhos do lendário Hélio Gracie, Royce Gracie, campeão das duas primeiras edições, ainda na forma de torneio eliminatório, com curiosos combates entre especialistas se sucedendo no mesmo dia, até a final, sem adoção de luvas, divisão de categorias por peso ou limite de tempo.
Dan Severn
As dificuldades começaram a surgir no UFC 3, em 1994, quando Royce venceu a primeira luta, mas se contundiu e não pôde prosseguir para defender o título. Ele voltaria na edição seguinte, em dezembro do mesmo ano, para derrotar na final o favorito Dan Severn, primeiro representante da longa linhagem que faria com sucesso a transição do wrestling (luta olímpica e greco-romana, que rivalizava com o jiu-jitsu brasileiro desde os combates de Hélio Gracie, na década de 50 do séc. 20) ao MMA.
Ken Shamrock
No UFC 5, quando as necessidades comerciais da transmissão de TV começaram a impor limites de tempo, fazendo com que Royce empatasse com Ken Shamrock, a quem havia vencido no UFC 1, os Gracie decidiram abandonar o evento.
Marco Ruas
Na verdade, avançando um pouco mais na história do esporte, pode-se dizer que o primeiro lutador daquilo que se entende hoje como MMA foi o também brasileiro Marco Ruas. Quando ganhou o UFC 7, em 1995, após vencer quatro combates contra lutadores de estilos diferentes, se impondo tanto na trocação em pé, quanto na luta de solo, Ruas provou que o MMA não se tratava de uma competição entre especialistas, mas generalistas que soubessem usar o melhor de cada arte-marcial de acordo com as circunstâncias da luta.
Dana White
Enquanto dentro do octagon o futuro era definido por um brasileiro (Ruas), fora dele o porvir do novo esporte foi traçado com visão empresarial e competência por um estadunidense que assumiu o UFC após o abandono de outros brasileiros (os Gracie). Se nunca teve maior projeção como praticante de artes-marciais, Dana White é o principal responsável pelo crescimento do UFC que preside e, por conseguinte, do MMA.
Tacada de mestre na popularização do esporte foi a criação do reality show Ultimate Fighter. Nele duas equipes de aspirantes ao UFC são treinadas, em regime de internato, por estrelas consagradas do evento. À parte o desempenho nos treinamentos e nas lutas, o público comum se identifica não com máquinas de combate, mas seres humanos, jovens em sua maioria, que dormem, acordam, comem, vão ao banheiro, têm saudades da família, sonhos, medos, frustrações, dor e até choram, enquanto abrem mão de tudo mais para tentar agarrar a chance de sucesso na atividade profissional que escolheram.
A cada nova pesquisa, comprovando o crescimento do esporte e do evento em escala geométrica e mundial, é encurtada a passos largos a longa distância que ainda separa o MMA e o UFC da maior ambição confessa de Dana White: Fazer o primeiro ser mais popular que o futebol e o segundo mais importante que a Copa do Mundo.
Onzes fora o futebol, em relação a um esporte individual mais análogo, o boxe, o MMA usou o UFC 118, realizado na cidade de Boston, na madrugada de hoje, como palco do protagonismo que hoje ocupa, pelo menos no mundo das lutas. Depois do pouco sucesso que pugilistas profissionais de renome como o sul-africano François Botha e o estadunidense Ray Mercer tiveram no K-1 (espécie de vale-tudo na trocação em pé, com socos, chutes e joelhadas, mas sem luta agarrada), ninguém poderia supor que James “Lights Out” Toney, mesmo com uma vitória sobre Evander Hollyfield em seu brilhante cartel de boxeador, pudesse ter grande chance dentro das regras mais amplas do MMA (aberto também a cotoveladas, quedas, chaves e torções), sobretudo diante de uma lenda deste esporte, talvez seu maior nome egresso do wrestling: Randy “The Natural” Couture.
Randy CoutureJames Toney
Toney foi campeão mundial de boxe nas categorias médio, super-médio e cruzador. Couture conquistou o cinturão do UFC como peso pesado e meio-pesado. Na praia de um, o outro provavelmente morreria afogado na beira. À deriva no oceano de possibilidades do MMA, foi o que aconteceu com o pugilista, ainda no primeiro assalto, sem chance de soltar sequer um soco em pé. Ciente do perigo caso isto ocorresse, Couture mudou seu estilo de esgrima de wresting e trocação à curta distância (o chamado dirting boxe, onde os cotolevos ferem tanto quanto os punhos), enquanto espreme o adversário contra as grades e prepara o terreno para atirá-lo ao solo.
Mantendo-se distante das mãos de Toney nos segundos iniciais, The Natural não demorou a voar para catar com as mãos as pernas do oponente, derrubá-lo, passar sua guarda e finalizá-lo com um katagatame (sufocamento entre o peso do corpo concentrado no ombro sob a axila do adversário e o braço fechado pelo seu pescoço, no lado oposto). Antes de apagar suas luzes, Lights Out preferiu bater.
Couture comemora sua vitória após desistência de Toney
Wrestler vence pugilista com golpe de jiu-jitsu
Relevante ressaltar que o katagatame é um golpe de jiu-jitsu (presente também no judô). Acrescido ao jogo de um wrestler, contra um pugilista, só evidencia como qualquer especialista tem hoje pouca ou nenhuma chance no MMA. Numa brincadeira, após a luta, um dos segundos de Couture pôs uma faixa-preta sobre seu ombro, numa referência clara ao jiu-jitsu usado (e talvez pensado antes) na finalização.
Frank Edgar
Na principal luta da noite, pelo título dos leves do UFC, Frank Edgar defendeu o cinturão de quem havia tomado: BJ Penn. Como na primeira peleja, a revanche dos lutadores estadunidenses também foi definida pela decisão dos juízes, após cinco assaltos de cinco minutos (quando não vale título, são três rounds). Todavia, diferente do último combate, que muita gente achou (inclusive o blogueiro) ter sido vencido por BJ, a madrugada de hoje não deixou dúvida quanto à superioridade de Edgar em todos os assaltos.
Edgar levou a melhor com Penn na trocação
Embora careça de força em suas mãos, o campeão voltou a compensá-la com muita rapidez na soltura dos golpes e nos deslocamentos constantes, demonstrando seu grande preparo físico, calcanhar de Aquiles do ex-campeão. Reconhecido por seu talento extra-classe mesmo antes de entrar no MMA, BJ foi o primeiro não brasileiro campeão mundial de jiu-jitsu. E, já dentro do UFC, talvez fosse quem melhor aplicasse o jogo de boxe em todas as categorias, ao lado do brasileiro Anderson Silva, dono do cinturão dos médios. Mas diferente deste, a dedicação insuficiente aos treinos rendeu um estigma ao havaiano: é lutador, não atleta.
BJ Penn tem futuro incerto
Na revanche contra Edgar, BJ não demonstrou vontade de quem quer ser (ou voltar a ser) campeão. Sem conseguir se impor na trocação, durante os três primeiros assaltos, ele tentou levar a luta para o chão, nos dois últimos, mas com o mesmo resultado. Se a má fase é ainda a ressaca de quem tentou subir de categoria para conquistar o cinturão dos meio-médios, e foi derrotado também duas vezes pelo campeão canadense Georges Saint-Pierre, ou se é mesmo o início da decadência de quem já foi apontado como um dos melhores lutadores de MMA de todos os tempos, peso a peso, só as próximas lutas de BJ Penn irão dizer (como bem observou aqui o jornalista e lutador Luciano Andrade). Mas em sua brilhante carreira, a luz ora acesa é a do sinal amarelo.
No MMA, bem como na história da vida, os especialistas e os indolentes não têm vez.
Embora candidato do PPS à Câmara Federal na eleição de 3 de outubro, o sociólogo, advogado e professor Sérgio Diniz não participou das decisões do partido na Câmara Municipal, que levaram seu correligionário Rogério Matoso a se reeleger à vice-presidência, numa inversão entre bancadas de maioria e minoria, a reboque da entrada de Nelson Nahim (PR) na Prefeitura e da sua reeleição à presidência do Legislativo. Embora não enxergue na atual composição deste nenhuma oposição ao prefeito interino, cujo governo se julga incapaz de analisar, Diniz aposta que seu partido terá candidatura própria numa eventual eleição suplementar. Em sua projeção, ela será realizada ainda em 2010, como quer o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Namatela Jorge, pois não enxerga possibilidade da recondução de Rosinha (PMDB). Quanto ao discurso de “perseguição política” de Anthony Garotinho (PR) a cada nova condenação sofrida da Justiça, seu adversário do PPS na corrida a deputado federal ironiza: “todos nós o conhecemos bem, para darmos, sempre, risadas de descrença”.
(Foto de Silésio Corrêa)
Blog Opiniões – Diz-se que você foi o último político eleito a qualquer coisa em Campos (vereador em 2000) sem comprar voto. Independente da veracidade da observação, sobretudo pela falta dos elementos para prová-la, como enxerga um quadro político capaz de gerar essa suspeita?
Sérgio Diniz – A compra de votos, que reprovo totalmente, significa a comercialização da dignidade tanto do eleitor quanto do candidato. O elemento que tenho para provar o meu repúdio a esta prática abominável, é a minha conduta reconhecida por parcela significativa do eleitorado de Campos.
Opiniões – Nos últimos seis anos, Campos teve sete prefeitos. Menos como político, mais como sociólogo, qual análise possível dessa aparente surrealidade?
Diniz – Não vejo uma aparente surrealidade, mas uma real e lamentável surrealidade. Todos os segmentos de Campos, sobretudo os formadores de opinião, têm sua cota de reflexão e de responsabilidade e que isto venha a acontecer já para as próximas eleições municipais. Campos ganhará muito.
Opiniões – E como advogado? Acredita que a Justiça Eleitoral tem agido corretamente em todos os casos? Sobretudo em relação ao afastamento de Carlos Alberto Campista, condenado com base no testemunho de um cabo eleitoral de Pudim, não acha que a interferência foi indevida? Como acreditar num TRE que, quando confirmar a cassação de Campista, inocentou o casal Garotinho no voto de minerva de um presidente (Marlan de Moraes Marinho) que logo depois teria seu irmão nomeado ao TJ pela então governadora Rosinha?
Diniz – Para mim, sem dúvida, o episoódio “afastamento de Carlos Alberto Campista” foi um processo que deveria ter sido extensivo aos demais candidatos que disputaram as eleições em 2004, inclusive à maioria dos candidatos a vereador que, indubitavelmente, participou desse processo. Entendo essa decisão do TRE muito mais sob um aspecto legalista, do que sob um aspecto da legitimidade, que deve dar sustentação ao processo legal. Quanto ao inocentar o casal Garotinho, pelo voto de minerva, esse Tribunal não deu o devido apreço à Justiça, que deveria ter sido dado.
Opiniões – Em contrapartida, como analisa o discurso de “perseguição política”, repetido por Garotinho a cada condenação na Justiça (Eleitoral e Criminal), depois que foi apeado do poder?
Diniz – O mais do que conhecido discurso de “perseguição política”, sempre espontâneo na boca do Garotinho, todos nós o conhecemos bem, para darmos, sempre, risadas de descrença…
Opiniões – Apelando mais uma vez ao juízo do sociólogo, qual avaliação pode (ou deve) fazer de si mesma uma sociedade cuja maior liderança política é condenada a dois anos e meio de prisão como chefe de quadrilha?
Diniz – Quanto à sua referência à “maior liderança política…”, resta-nos perguntar a que se refere, porque não considero liderança política quem se utiliza de métodos lamentáveis para alcançar o poder a qualquer custo.
Opiniões – E voltando novamente ao advogado, qual a opinião deste acerca do afastamento e das possibilidades de volta de Rosinha?
Diniz – Não vejo qualquer possibilidade de a ex-prefeita Rosinha voltar à Prefeitura de Campos. Os argumentos do TRE, que a afastaram do poder municipal, são encontrados, lamentavelmente, em grande escala no processo eleitoral brasileiro.
Opiniões – Seu PPS foi um dos partidos que pediu urgência na eleição suplementar à Prefeitura, já defendida pelo TRE. Acha que ela sai mesmo em 2010, como quer o presidente Namatela Jorge? Qual sua avaliação do governo Nelson Nahim?
Diniz – Torço para que as eleições municipais suplementares aconteçam ainda neste ano, evitando, assim, a interferência do processo constitucional no processo político. Não há como fazermos uma avaliação do governo Nelson Nahim, até porque ele “está prefeito” há alguns dias.
Opiniões – Na condição de ex-vereador, como viu a eleição da última terça à mesa diretora da Câmara? Acredita que Nahim acertou ao formar uma base própria na antiga oposição, transformando a bancada de Rosinha em minoria?
Diniz – Não tenho condições de responder esta questão, já que as conversas de bastidores não estão ao nosso alcance. Daí impossível qualquer análise.
Opiniões – Que avaliação faz do seu correligionário, Rogério Matoso, não só na presidência da Câmara, como em todo o jogo político que redesenhou o tabuleiro do Legislativo, cujo comando hoje define o Executivo? Com o afinamento entre ele e Nahim, o PPS já fechou a conta na base de apoio do prefeito interino numa eleição suplementar?
Diniz – Não faço parte do diretório municipal do PPS, nem da sua diretoria. Tenho certeza, porém, de que o nosso partido terá candidato próprio para as eleições municipais “surrealistas” deste ano.
Opiniões – Não só o PPS, mas toda a oposição a Rosinha foi inegavelmente beneficiada na eleição da nova mesa diretora da Câmara. No Legislativo e numa nova eleição a prefeito, existe hoje oposição a Nahim? Onde?
Diniz – Pelo que lemos e ouvimos da mídia, como um todo, acho, realmente, que não há, no Legislativo municipal, oposição a Nelson Nahim, ainda que ache democraticamente importante o papel de oposição no processo político.