Além dos empates técnicos com Flávio, Tarcísio e Michelle, Lula tem outros obstáculos à reeleição. Ele lidera a rejeição: 44% dos brasileiros, hoje, não votariam nele de jeito nenhum. E, em maiorias numéricas, 51% acham que ele não merece continuar presidente, praticamente os mesmos 51,4% que desaprovam seu governo.
Desaprovação alta não cai
Empecilho à sua reeleição, a desaprovação do Lula 3 não apresentou queda no último mês. Na série das pesquisas Ideia, o atual Governo Federal oscilou 1,4 ponto para cima na desaprovação: de 50,0% dos brasileiros em janeiro aos 51,4% de fevereiro. E a aprovação oscilou 0,4 ponto para baixo no mesmo período: de 47% aos atuais 46,6%.
(Infográfico: Joseli Matias)
Merece continuar presidente?
Perguntados se Lula merece continuar presidente, os eleitores também não mostraram tendência favorável à reeleição. Os que acham que não merece oscilaram 1 ponto para cima, entre os 50% de janeiro e os 51% de fevereiro. E os que acham que merece continuar permaneceram praticamente os mesmos: de 46,9% aos atuais 47%.
(Infográfico: Joseli Matias)
A importância da rejeição
Oscilações são variações para cima ou para baixo dentro da margem de erro de cada pesquisa. Não chegam a ser movimentos consolidados. Acima da margem de erro, são. Como a rejeição, por limitar o teto de crescimento dos dois candidatos que vão à disputa do 2º turno, é fundamental à definição deste.
Lula lidera e cresce rejeição
A rejeição de Lula cresceu, de fato, 3,2 pontos na série de pesquisas Ideia: dos 40,8% que disseram em janeiro que não votariam nele de maneira nenhuma aos 44% de fevereiro. Ficou a 7 pontos da impossibilidade matemática de reeleição. Mas alguns de seus potenciais adversários também cresceram em rejeição no mesmo período.
(Infográfico: Joseli Matias)
Flávio e Michelle crescem rejeição
Entre janeiro e fevereiro na série de pesquisas Ideia, se cresceu em intenções de voto ao 2º turno, Flávio também cresceu 4 pontos na rejeição: dos 30% de janeiro aos 34% de fevereiro. Como Michelle cresceu 3,3 pontos na rejeição neste último mês: de 26,1% aos atuais 29,4%.
Rejeição é trunfo de Tarcísio
Entre os quatro presidenciáveis hoje mais competitivos, só Tarcísio oscilou para baixo na rejeição na série de pesquisas Ideia. No último mês, ele perdeu 1,2 ponto no índice negativo: dos 16,2% de janeiro aos 15% de rejeição em fevereiro. O que o torna muito competitivo em um eventual 2º turno. Sobretudo se contra um Lula líder em rejeição.
Disputa de rejeições em 2026?
“A pesquisa teve duas formas de captar rejeição. Com os eleitores escolhendo, por conta própria, os que mais rejeitam, e estimulando essa resposta nome a nome. Ambas apontam que uma disputa entre Lula e Flávio tende a repetir a batalha de rejeições de 2022”, projetou o economista Mauricio Moura, CEO do instituto Ideia.
Além de Flávio e Tarcísio, Michelle também ficou no empate técnico com Lula nas nove simulações de 2º turno. No qual o presidente teria 45,8% contra 41,1% do senador, diferença de 4,7 pontos. Teria 44,7% a 42,2% contra Tarcísio, diferença de 2,5 pontos — a menor. E teria 45% a 40,7% contra Michelle, diferença de 4,3 pontos.
Flávio cresce ao 2º turno
Apesar da diferença menor de Tarcísio para Lula no eventual 2º turno, foi Flávio quem mais cresceu no último mês. Foram 5,1 pontos entre os 36% que tinha em janeiro aos 41,1% de fevereiro no 2º turno contra Lula. Que, contra Flávio, oscilou para 0,4 ponto baixo no mesmo período: de 46,2% aos atuais 45,8%.
Lula e Tarcísio patinam ao 2º turno
Na série histórica das pesquisas Ideia, Lula e Tarcísio passaram o último mês patinando num eventual 2º turno entre ambos. O presidente oscilou 0,3 ponto para cima: de 44,4% de janeiro aos 44,7% de fevereiro. Por sua vez, o governador paulista oscilou mísero 0,1 ponto para cima no mesmo período: de 42,1% aos atuais 42,2%.
Lula x Michelle ao 2º turno
Já na simulação de 2º turno entre Lula e Michelle, o primeiro oscilou 1 ponto para baixo entre janeiro e fevereiro: de 46% a 45% de intenção. Enquanto a ex-primeira-dama oscilou 1,7 ponto para cima no mesmo período: de 39% aos atuais 40,7%.
Lula entra em fevereiro do ano eleitoral entre empates técnicos com Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas nas simulações de 1º turno
Lula lidera nova pesquisa
Desde que assumiu seu 3º mandato como presidente, em 1º de janeiro de 2023, Lula (PT) lidera todas as pesquisas à reeleição nas urnas de outubro de 2026. Não foi diferente na 1ª pesquisa de fevereiro deste ano eleitoral, do instituto Ideia, que (confira aqui) ouviu 1.500 eleitores entre 30 de janeiro e 4 de fevereiro. Mas há poréns a um Lula 4.
Tamanho da vantagem depende
Hoje, a exatos 7 meses e 27 dias à urna de 4 de outubro, qual é o tamanho da liderança de Lula, hoje, nas intenções de voto? Na pesquisa Ideia, com margem de erro de 2,5 pontos para mais ou menos, e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-08425/2026, depende dos adversários.
Empates técnicos no 1º turno
Nos nove cenários de consulta estimulada (com apresentação dos nomes dos presidenciáveis) ao 1º turno, Lula liderou todos numericamente. Mas teve dois empates técnicos: em um dos três cenários testados com o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o único com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP).
Empates técnicos no 2º turno
Já nas nove simulações de 2º turno da Ideia feitas com Lula, a despeito da sua liderança numérica em todas, houve três empates técnicos. Além de Flávio e Tarcísio, a vantagem de Lula também não ultrapassou a margem de erro em um eventual 2º turno contra a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
Lula x Flávio no 1º turno
Em três cenários de 1º turno com Flávio, Lula liderou em todos. Mas ficou no empate técnico em um: com 38,7% de intenção, 3,4 pontos acima dos 35,3% do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Eles foram seguidos à distância pelos governadores mineiro, Romeu Zema (Novo), com 5,1%; e gaúcho, Eduardo Leite (PSD), com 3,4%.
(Infográfico: Joseli Matias)
Lula x Tarcísio no 1º turno
No único cenário de 1º turno com Tarcísio como candidato de oposição, Lula teve outro empate técnico no limite da margem de erro. Com 40% de intenção, ele foi seguido do governador paulista, com 35%, 5 pontos atrás. À distância, os acompanharam Zema, com 6,5%, e o pré-candidato a presidente do MBL, Renan Santos (Missão), com 1%.
Solar dos Airizes em imagem de IA gerada pelo ChatGPT
Edmundo Siqueira, servidor federal, jornalista e blogueiro do Folha1
Museu, Mercado, Arquivo e Airizes: entre projetos e omissões
Por Edmundo Siqueira
Quatro patrimônios histórico-culturais de Campos dos Goytacazes — o Museu Histórico, o Mercado Municipal, o Arquivo Público e o Solar dos Airizes — estão, ao mesmo tempo, no papel do planejamento público e na realidade das omissões administrativas. Raramente se falou tanto em projetos para a cultura local; e nunca foi tão visível a distância entre anúncio e execução.
É um momento sui generis: há recursos disponíveis, há projetos aprovados e ideias de uso para esses patrimônios. Mas muitos deles estão parcialmente interrompidos por entraves políticos e administrativos.
No Museu, dois projetos foram aprovados na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Mas estão impossibilitados de aplicação pela falta de energia elétrica no prédio há mais de 40 dias.
No Mercado Municipal, a prefeitura licitou uma nova feira que possibilitaria maior visibilidade e uso do prédio centenário. Mas a iniciativa não avançou diante de conflitos entre o poder público e a sociedade civil.
No Arquivo, a Uenf iniciou a aplicação de recursos oriundos da Alerj. Porém, uma nova licitação ainda não foi realizada.
Já no Solar dos Airizes — o mais crítico entre os patrimônios citados — há decisão judicial com trânsito em julgado determinando o restauro. Mas a intervenção iniciada até agora não foi concluída.
A seguir, o retrato atual de cada um desses patrimônios — entre projetos aprovados e omissões persistentes:
Museu Histórico — Os recursos aprovados para o Museu Histórico, com apoio de universidades públicas, somam valores próximos a R$ 1 milhão. Um deles, o projeto “Um Solar para o Povo Campista: Reformulação da Expografia e Modernização do Museu Histórico de Campos dos Goytacazes”, conta com apoio da UFF Campos e orçamento de R$ 500 mil, mas está paralisado. Outro, voltado à renovação da infraestrutura elétrica do prédio, já foi concluído com apoio da Uenf e aporte de cerca de R$ 480 mil — valor investido, ironicamente, na iluminação de um museu que hoje permanece no escuro.
O Museu Histórico de Campos funciona no Solar do Visconde de Araruama, construção de fins do século XVIII — um prédio que antes de ser museu, foi máquina pública, tribunal, câmara e repartição. E quando voltou restaurado em 2012, não voltou apenas um edifício, mas sim com a possibilidade de a cidade se enxergar num lugar de memória.
Mercado Municipal — A Prefeitura de Campos formulou um projeto — que se encontra pronto e licitado — que previa a mudança da feira (estrutura metálica que abriga o mercado de peixe e verduras, construída para ser provisória) para a Praça da República (localizada atrás da Rodoviária Roberto Silveira). O projeto contempla a construção de uma nova feira e a consequente abertura e visibilidade do prédio histórico do Mercado, com sua posterior revitalização.
Segundo o prefeito Wladimir Garotinho, o projeto está paralisado por discussões e polêmicas com a sociedade civil, que não gostou do uso de uma praça já descaracterizada e sem uso, além de criar resistência para mudança dos feirantes.
O Mercado Municipal, inaugurado em 15 de setembro de 1921, é um símbolo urbano, com arquitetura associada à inspiração francesa, frequentemente relacionada ao Mercado de Nice. Ele expressa o período em que a cidade buscava se apresentar como “moderna”. Mas, como todo mercado, tornou-se sobretudo espaço de sociabilidade, economia miúda, cultura popular e memória do centro.
Arquivo Público — Desde outubro de 2021, o Solar do Colégio, prédio secular que abriga o Arquivo Público, viu a possibilidade real de ser restaurado, e seu importante acervo, digitalizado. Para cumprir a promessa, um acordo entre a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de janeiro (Alerj) e Prefeitura de Campos resultou em um repasse de R$ 20 milhões para o início das obras.
A Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) ficou como responsável pela execução e depois de longo período sem aplicação de nenhum centavo do recurso, concluiu a primeira licitação e realizou uma sobrecobertura metálica no Solar. Porém, a segunda etapa e nova licitação estão paralisadas. Segundo Rosana Rodrigues, reitora da Uenf, o período de férias da equipe interrompeu os trâmites, mas eles serão retomados e “com a expertise adquirida será mais rápida”.
Solar dos Airizes — O Solar dos Airizes, tombado pelo Iphan em 1940, é um daqueles patrimônios que viraram exemplo de abandono. Construído em meados do século XIX, ele concentra arquitetura, história rural e a própria narrativa do ciclo do açúcar, inclusive no que diz respeito à escravidão africana.
No caso do Airizes, a situação é ainda mais grave porque não se trata apenas de “vontade política”, uma vez que há Ação Civil Pública do MPF, com decisão judicial com trânsito em julgado envolvendo a obrigação de restaurar. Em uma primeira ação do poder público foi construída uma sobrecobertura metálica, que serve de proteção das chuvas, mas sem o escoramento necessário. O Solar dos Airizes apresenta sérios sinais de que não resistirá muito tempo.
Museu, Mercado, Arquivo e Airizes não são casos isolados, mas partes de um mesmo padrão administrativo: a cultura avança no papel, mas emperra na gestão cotidiana. Na Campos atual, o problema não parece ser a ausência de projetos, mas sim a incapacidade recorrente de transformá-los em política pública efetiva.
Na primeira pesquisa nacional de fevereiro, do instituto Ideia, o presidente Lula (PT) liderou fora da margem de erro seis cenários estimulados de 1º turno. Mas em empate técnico com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP), e em um dos três cenários diferentes com o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Lula tem três empates técnicos ao 2º turno — Nas nove simulações de 2º turno, além de Flávio e Tarcísio, Lula também ficou em empate técnico com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Apesar da liderança numérica em todos os cenários de 1º e 2º turno, Lula tem outros problemas além dos empates técnicos com Flávio, Tarcísio e Michelle.
Obstáculos à reeleição — Entre todos os presidenciáveis, Lula lidera a rejeição: 44% dos brasileiros não votariam nele de jeito nenhum. E, em maiorias numéricas, 51% acham que ele não merece continuar presidente e 51,4% desaprovam seu governo.
(Infográfico: Joseli Matias)
A exatos oito meses da urna — Divulgada hoje (4), a exatos oito meses da urna de 4 de outubro, a pesquisa Ideia foi feita de 30 de janeiro a 2 de fevereiro, com 1.500 eleitores e margem de erro de 2,5 pontos para mais ou menos. E foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-08425/2026.
Lula e Flávio em empate técnico no 1º turno — Em três cenários de 1º turno com Flávio, Lula só ficou em empate técnico em um: com 38,7% de intenção de voto, 3,4 pontos acima dos 35,3% do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Eles foram seguidos à distância pelos governadores mineiro, Romeu Zema (Novo), com 5,1%; e gaúcho, Eduardo Leite (PSD), com 3,4%.
(Infográfico: Joseli Matias)
Lula e Tarcísio em empate técnico no 1º turno — No único cenário de 1º turno com Tarcísio como candidato de oposição, Lula teve outro empate técnico no limite da margem de erro. Com 40% de intenção, ele foi seguido do governador paulista, com 35%. À distância, os acompanharam Zema, com 6,5%, e o pré-candidato a presidente do MBL, Renan Santos (Missão), com 1%.
(Infográfico: Joseli Matias)
Empates técnicos no 2º turno — Além de Flávio e Tarcísio, Michelle também ficou no empate técnico com Lula nas nove simulações de 2º turno. No qual o presidente teria 45,8% contra 41,1% do senador, diferença de 4,7 pontos. Teria 44,7% a 42,2% contra Tarcísio, diferença de 2,5 pontos. E de 45% a 40,7% contra Michelle, diferença de 4,3 pontos.
Flávio cresce no 2º turno — Apesar da diferença menor de Tarcísio para Lula no eventual 2º turno, foi Flávio quem mais cresceu no último mês. Foram 5,1 pontos entre os 36% que tinha em janeiro aos 41,1% de fevereiro no 2º turno contra o petista. Que, contra Flávio, oscilou para 0,4 ponto baixo no mesmo período: de 46,2% aos atuais 45,8%.
Lula e Tarcísio patinam no 2º turno — Na série histórica das pesquisas Ideia, Lula e Tarcísio passaram o último mês patinando no cenário de um eventual 2º turno entre ambos. O presidente oscilou 0,3 ponto para cima: de 44,4% de janeiro aos 44,7% de fevereiro. Por sua vez, o governador paulista oscilou só 0,1 para cima no mesmo período: de 42,1% aos atuais 42,2%.
Lula e Michelle oscilam no 2º turno — Já na simulação de 2º turno entre Lula e Michelle, o primeiro oscilou 1 ponto para baixo entre janeiro e fevereiro: de 46% a 45% de intenção. Enquanto a ex-primeira-dama oscilou 1,7 ponto para cima no mesmo período: de 39% aos atuais 40,7%.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE
Análise do especialista — “A pesquisa Ideia testou sete cenários de 1º turno e nove de 2º turno com Lula. Ao 1º turno, ele oscila entre a liderança e o empate técnico com Flávio e Tarcísio. Nos cenários de 2º turno, Lula também lidera todos, mas também em empate técnico com Flávio e Tarcísio, além de Michelle. Nesse contexto, considerando que a rejeição de Lula é a maior, bem como o empate técnico entre aprovação e desaprovação de governo, podemos dizer que a pesquisa Ideia de fevereiro de 2026 revela indefinição” resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.
Presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar (União) foi criticado por Garotinho na entrevista (confira aqui): “Colheu o que plantou. Ficou obcecado por dinheiro, usou tudo ao seu alcance para se tornar um bilionário. E ficou bem próximo disso”. Procurado pelo blog através da sua assessoria, Bacellar preferiu não se manifestar.
Wladimir não é Garotinho
Ruídos na passagem ou disputa de poder entre pai e filho, entre criador e criatura, são tão antigos quanto a humanidade. Não são monopólio da política de Campos. Ademais, Wladimir não é Garotinho, como Frederico não é Sérgio ou Arnaldo. Os cinco, como quaisquer outros políticos e eleitores, têm virtudes e defeitos diferentes.
Ministro do STF Alexandre de Moraes
Em 2026, o pai tá on
Garotinho ganhou protagonismo após depor como convidado na CPI do Crime Organizado do Senado, em dezembro. Na contramão do ministro do STF Alexandre de Moraes, que passou de “herói da democracia” a marido da advogada do Banco Master a R$ 3,6 milhões/mês, Garotinho saiu de 2025 maior que entrou. Neste início de 2026, o pai tá on.
Anthony e Wladimir Garotinho, Frederico Paes, Sérgio Mendes e Arnaldo Vianna (Montagem: Joseli Matias)
Futuro repetirá passado?
Outro ponto que chamou atenção na entrevista (confira aqui) foi Garotinho usar o exemplo de rupturas com aliados que fez prefeitos de Campos no passado, Sérgio Mendes e Arnaldo Vianna, como analogia ao futuro da aliança entre Wladimir e seu vice, Frederico Paes (MDB). Que assumiria assim que o titular renunciasse até 4 de abril.
Exemplos de Sérgio e Arnaldo
“Foi assim comigo (após ser prefeito de Campos pela 1ª vez, entre 1989 e 1992) e Sérgio Mendes (prefeito entre 1993 e 1996). Foi assim comigo (após ser prefeito pela 2ª vez, entre 1997 e 1998, quando saiu para se candidatar e se eleger governador) e Arnaldo Vianna (vice que assumiu como prefeito em 1998)”, relembrou Garotinho.
Hamuilton Garcia, cientista político e professor da Uenf
Contrário ao interesse público?
“Na entrevista, Garotinho chamou a atenção no que diz da sua experiência com vice-prefeitos, em seus dois mandatos em Campos. O termo ‘traição’ não foi usado. Mas a autonomização dos vices diante dos chefes é vista como ‘desvio pessoal’ contrário ao interesse público”, observou o cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf.
Morde e assopra
“O problema acontece quando as pessoas colocam os problemas pessoais acima dos públicos, e buscarão semear discórdia junto a Frederico, como ocorreu com Sérgio e Arnaldo”, projetou o ex-governador. Que, no entanto, elogiou o atual vice do filho, com quem disse ter conversado recentemente por três horas: “É excepcional como pessoa”.
Grupo político
Sem esconder que preferia que Wladimir concluísse o mandato de prefeito, Garotinho ressalvou sobre o possível governo Frederico: “Sem ter grupo um político próprio, não adianta. Ele é administrador de sucesso no setor privado, foi no Hospital Plantadores e é na usina Coagro. Mas, para gestão pública, tem que ter grupo político.”
Wladimir e Frederico reafirmaram união do grupo, sob liderança do primeiro, na reunião com secretariado e vereadores na manhã de segunda (Foto: Ascom)
Frederico reafirma grupo e líder
Na reunião de Wladimir com o secretariado e vereadores na manhã de segunda, uma fala de Frederico (confira aqui) dizendo que não aceitaria pressão gerou muitas interpretações. Em vídeo à tarde, o vice esclareceu: “Nós temos um grupo político e eu pertenço a esse grupo. Do qual Wladimir seguirá como líder, independentemente de qualquer posição.”
Anthony Garotinho e Aluysio Abreu Barbosa em entrevista exclusiva na manhã de domingo (1º), em Chapéu de Sol (Foto: Juninho Virgílio)
Histórias de Garotinho sob casuarinas
Há muitas histórias sob as casuarianas de Chapéu de Sol. Algumas foram contadas pelo ex-governador Anthony Garotinho (REP) na manhã do último domingo (1º), sobre a política de Campos, RJ e Brasil, neste início do ano eleitoral de 2026. Que estão na entrevista (confira aqui) publicada segunda (2), no blog Opiniões, e republicada hoje, na página 2 da edição da Folha da Manhã.
“Quem Rosinha apoiaria a federal?”
A possibilidade de pai e filho disputarem os mesmos votos pelo mesmo cargo de deputado federal em outubro foi, sem dúvida, a pauta que gerou (confira aqui) maior interesse. Por trazer complexidades públicas que só deveriam pertencer ao particular da família. E foi sintetizada por Garotinho: “Rosinha apoiaria quem: o marido ou o filho?”.
Wladimir vice de Paes?
Quatro dias antes da entrevista de Garotinho, a coluna revelou (confira aqui) na quarta (28): “Por mais que (Wladimir, PP) goste de ser prefeito da sua cidade, hoje, o mais provável é que saia para se candidatar a deputado federal. A possibilidade de ser vice na chapa do prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) a governador, se não descartada, parece menos provável.”
Vice de Paes? “Hoje, não existe”
Quatro dias depois, Garotinho disse sob as casuarianas de Chapéu de Sol no domingo: “Por que Paes (PSD), sem ter mais (o campista Rodrigo) Bacellar (União, presidente afastado da Alerj) na disputa a governador, precisa de Wladimir como vice? Isso, hoje, não existe”.
Alternativa a senador
Garotinho deixou aberta a possibilidade de se lançar a senador pelo Republicanos: “Se eu concorresse a senador, poderia ser uma forma de evitar o confronto direto com Wladimir”. Mas, noves fora a questão familiar, a pergunta pragmática talvez devesse ser: se os dois vierem a deputado federal, um não atrapalharia a eleição do outro?
George Gomes Coutinho, cientista político e professor da UFF-Campos
Eleitores para Garotinho e Wladimir?
“A questão da concorrência com o filho é realismo. De fato, sabendo do tamanho do eleitorado que pode votar em alguém da grife Garotinho, podemos projetar que não haveria eleitores suficientes para eleger dois deputados federais”, analisou o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos.
“Édipo Rei”
Indagado sobre o paralelo goitacá com a tragédia clássica “Édipo Rei”, do grego Sófocles, que narra a disputa entre o pai Laio e o filho Édipo pelo trono de Tebas, George ponderou: “Garotinho se apresentou como o dono do clã. Novamente elegível, retoma espaço e capital eleitoral. Aí, na referência literária, Laio, quem diria, resolveu intimidar Édipo.”
Anthony Garotinho e Aluysio Abreu Barbosa em entrevista exclusiva, na manhã de domingo (1º) em Chapéu de Sol (Foto: Juninho Virgílio)
“Por que (o prefeito carioca Eduardo) Paes (PSD), sem ter Bacellar (União, presidente afastado da Alerj) mais na disputa a governador, precisa de Wladimir como vice? Isso, hoje, não existe”. Foi o que o ex-governador Anthony Garotinho (REP) disse na manhã do último domingo (1º), em entrevista exclusiva à Folha (confira aqui) sob as sombras das casuarinas de Chapéu de Sol.
Coerência de Wladimir?
Ele também questionou a provável decisão do seu filho, o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PP), de deixar o governo da cidade para se candidatar a deputado federal:
— Wladimir era deputado federal, saiu no meio do mandato para se eleger prefeito de Campos e depois se reeleger. E agora vai largar o mandato de prefeito para tentar ser deputado federal? Qual é a coerência disso? Não tem! Não tem uma explicação pública coerente para o eleitor. Já falei com ele, mais de uma vez, que o correto seria terminar o mandato de prefeito.
Rosinha vai apoiar o marido ou o filho?
Sobre a possibilidade de se candidatar a deputado federal, na disputa pelo mesmo cargo e mesmos votos que Wladimir, Garotinho lembrou da divisão que isso poderia causar dentro da sua própria família:
— Vai ser complicado eu e Wladimir disputarmos juntos pelo mesmo cargo de deputado federal. Rosinha apoiaria quem: o marido ou o filho? Eu e Rosinha fomos, por 7 anos, professores de curso de casal na Igreja Presbiteriana Luz do Mundo, na cidade do Rio. E sempre ensinamos aos casais: “Marido e mulher você escolhe, filhos não”.
Frederico e demanda de grupo político
O ex-governador também especulou sobre como seria o governo do hoje vice-prefeito Frederico Paes (MDB) em Campos, caso Wladimir confirme sua saída até 4 de abril de prefeito para se candidatar em outubro:
— Frederico é excepcional como pessoa. Conversei, recentemente, três horas com ele. Quando ele me disse que não deseja ser prefeito e que nunca combinou isso com Wladimir. Mas sem ter grupo um político próprio, não adianta. Ele é um administrador de sucesso no setor privado, como foi do Hospital Plantadores de Cana e é na usina Coagro. Mas, para gestão pública, tem que ter grupo político.
Vejo o futuro repetir o passado?
Sobre a manutenção da relação boa entre Wladimir e Frederico, caso o primeiro se eleja deputado federal e o segundo assuma como prefeito, Garotinho usou sua experiência do passado para responder:
— É só olharmos um pouco para atrás para ver o que já aconteceu em Campos. Foi assim comigo (após ser prefeito de Campos pela 1ª vez, entre 1989 e 1992) e Sérgio Mendes (prefeito eleito com apoio de Garotinho entre 1993 e 1996), foi assim comigo (após ser prefeito de Campos pela 2ª vez, entre 1997 e 1998, quando saiu para se candidatar e se eleger governador) e Arnaldo Vianna (vice que assumiu como prefeito em 1998 e se reeleger ao cargo em 2000). O problema acontece quando as pessoas colocam os problemas pessoais acima dos públicos, e buscarão semear discórdia junto a Frederico, como ocorreu com Sérgio e Arnaldo.
Garotinho a senador?
O ex-governador falou ainda da possibilidade de se candidatar a senador pelo seu Republicanos. O que evitaria a disputa direta com Wladimir pelo mesmo cargo de deputado federal. Se disputar este cargo, no entanto, projetou a votação que poderia fazer:
— O Republicanos me sondou para ser candidato a senador. Poderia ser Clarissa, que foi muito bem votada a senadora em 2022. Mas ela foi para a iniciativa privada, onde está muito bem. Se eu concorresse a senador, poderia ser uma forma de evitar o confronto direto com Wladimir. O Republicanos virá com uma nominata muito forte a deputado federal. E projeta que, se eu concorrer ao cargo, poderia fazer 250 mil votos.
A questão do vice de Paes
Garotinho voltou a falar sobre Eduardo Paes e a escolha do seu candidato a vice na eleição a governador em outubro:
— Eduardo não tem a necessidade de Wladimir como vice, sem Rodrigo e mesmo se Rodrigo ainda estivesse no páreo a governador. Wladimir está no PP. E lá quem vai definir é o presidente estadual do partido, (o deputado federal) dr. Luizinho. Que não vai escolher Wladimir. O Rogério Lisboa (PL, prefeito de Nova Iguaçu), hoje, poderia ser esse nome para vice de Paes. Mas acho que ele vai enrolar, enrolar e acabar escolhendo alguém próximo a ele.
Sobre Bacellar
O ex-governador também analisou a prisão de Bacellar em 3 de dezembro, pela acusação de ter vazado informações sobre a prisão do ex-deputado estadual TH Joias, ligado à facção Comando Vermelho. E a posterior soltura do político campista em 9 de dezembro, com as medidas cautelares impostas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, como afastamento da presidência da Alerj, uso de tornozeleira eletrônica, entrega do passaporte e recolhimento residencial noturno:
— Bacellar colheu o que plantou. Ficou obcecado por dinheiro, usou tudo ao seu alcance para se tornar um bilionário. E ficou bem próximo disso.
Castro não concorrerá a senador?
Garotinho apostou ainda que Cláudio Castro não se candidatará a senador e que o ainda governador também pode vir a ter problemas pela frente:
— Castro não vai sair para concorrer a senador. Ou será afastado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) presidido pela ministra Carmén Lúcia, mesmo com o pedido de vista, no caso Ceperj. Ou pela Justiça Federal. É provável que nem tenhamos eleição a governador-tampão indireta na Alerj.
Perguntado sobre qual esfera da Justiça Federal poderia trazer problemas a Castro, o ex-governador disse que pode ser tanto no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), quanto no Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou no STF. Onde, apostou em desdobramentos da operação Unha e Carne no STF pela ADPF das Favelas, que gerou a prisão de Bacellar. E na operação Oricalco, que ainda não saiu à rua e poderia agora andar no TRF-2, após sair das mãos do desembargador federal Macário Júdice Neto, afastado do caso após ser preso em 16 de dezembro pela acusação de ter vazado a Bacellar as informações sobre a prisão de TJ Joias.
Nem Flávio nem Lula: Tarcísio
Garotinho também falou da política nacional. Onde refirmou que não votará a presidente nem no senador Flávio Bolsonaro (PL), nem em Lula (PT). E apostou no nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP), como o nome de oposição mais consistente eleitoralmente e melhor para governar o país:
— Já declarei publicamente que não voto em Flávio Bolsonaro. Que será obrigado a explicar muitas coisas durante a campanha. Como também não voto em Lula, porque o PT, que conheço bem, há muito tempo se tornou um partido patrimonialista. Tarcísio é o melhor nome a presidente. Lógico que São Paulo (onde o governador tem bons índices de aprovação e lidera todas as pesquisas à reeleição) é importante, mas o Brasil é mais.
Deputado federal suspenso, Glauber Braga (Psol) é o convidado do Folha no Ar nesta terça (03), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.
Ele analisará causas e consequências da suspensão do seu mandato de deputado por seis meses, a partir de dezembro, por conta do episódio da agressão a um militante do MBL dentro das dependências do Congresso Nacional, em abril de 2024.
Glauber também falará da sua visita a vários municípios do Norte, Noroeste Fluminense e Região dos Lagos centrado nas opções de se candidatar à reeleição a deputado federal ou a governador pelo Psol, em outubro.
Por fim, com base nas pesquisas mais recentes, ele tentará projetar a eleição a presidente da República (confira aqui e aqui, aqui, aqui e aqui, aqui e aqui), governador e senador do RJ em 4 de outubro, daqui a 8 meses e 2 dias.
Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebooke no YouTube.
À sombra das casuarianas de Chapéu de Sol, na manhã deste domingo, Thiago Virgílio, Anthony Garotinho e Aluysio Abreu Barbosa (Foto: Juninho Virgílio)
“Vai ser complicado eu e Wladimir disputarmos juntos pelo mesmo cargo de deputado federal. Rosinha apoiaria quem: o marido ou o filho? E por que Paes, sem ter mais Bacellar na disputa a governador, precisaria de Wladimir como vice?” Foram alguns questionamentos que o ex-governador Anthony Garotinho (REP) fez na manhã de hoje (1º), entre outras coisas, em entrevista à sombra das casuarinas de Chapéu de Sol.
Garotinho passeou pela política municipal, regional, fluminense e nacional neste início de ano eleitoral de 2026. Com a entrevista constantemente interrompida por veranistas, muitas vezes em família, e até adversários políticos, que paravam para cumprimentá-lo, lembrar histórias e conversar.
A íntegra da entrevista exclusiva poderá ser conferida nesta segunda (02), no blog Opiniões e no site Folha1. Como, nesta quarta (4), bem cedo nas bancas e nas casas dos assinantes, no jornal Folha da Manhã.
Nas rodadas finais do Brasileirão de 2009, o Fluminense carregava um número que mais parecia sentença: 99% de chance de rebaixamento. Lutava contra a tabela, contra a matemática, contra a descrença geral. Ninguém acreditava. Ou quase ninguém …
Seu Alair, o morador mais rabugento do bairro, definitivamente não acreditava. Amaldiçoava o time todos os dias, em voz alta, como se quisesse que o mundo ouvisse: Turma de perna de pau! Ninguém escapava de críticas, nem jogador, nem o futebol.
Para ele, o futebol havia morrido fazia tempo — lá atrás, junto com a geração de Didi, Garrincha, Pelé, Rivelino e outros craques que ele evocava como quem rezava. O que restava agora, dizia, era um esporte em agonia, respirando por aparelhos.
Os números pareciam concordar com Seu Alair. O Fluminense somava apenas 18 pontos em 24 jogos, afundado na lanterna do campeonato, quando Cuca assumiu o time tricolor. A missão era clara e absurda: nos últimos sete jogos, seriam necessários seis vitórias e um empate. Nada menos que isso. Uma tarefa hercúlea. Daquelas que só entram para a história quando alguém resolve desafiar o impossível.
Pois bem, o impossível foi desafiado, um time de guerreiros nasceu. O Fluminense saiu do “mundo comum” para “provação máxima” em poucos meses, normalmente, os heróis vivem suas epopeias ao longo de anos, mas ali o tempo foi comprimido, cruel, implacável.
Cada rodada era uma batalha, cada acréscimo no tempo da partida era um desafio, cada penalidade marcada era um inimigo. Sem armadura ou espada, os guerreiros se feriam, sangravam e seu Alair se desesperava, mesmo com o Fluminense precisando só de um empate para não cair na última rodada, ele não conseguia crer, era um pessimista contumaz.Parte superior do formulário
A última batalha seria dificílima: jogar contra o Coritiba no território inimigo, arquibancadas hostis, nervos à flor da pele. Não era apenas mais um jogo — era o limiar entre a queda e a permanência. Em campo, o Fluminense não jogava bonito, jogava o necessário. Cada dividida era um juramento, cada passe, um ato de fé.
O empate bastava, mas ninguém ousava confiar nisso. Empates são frágeis demais. O medo rondava como sombra, e o silêncio antes do apito inicial pesava mais que a própria bola. Seu Alair assistia ao jogo de braços cruzados, o cenho franzido, pronto para a blasfêmia. Não gritava mais — observava. Talvez porque, no fundo, também estivesse atravessando sua própria provação: admitir que ainda era possível acreditar. Quando o gol saiu, houve espanto. Ele ficou sem palavras, como se o impossível tivesse tropeçado.