Maia: qual a marca de Lula?

Porque os “burros instruídos” de lá são melhores que os daqui, segue abaixo a argumentação do ex-prefeito carioca César Maia, exposta em cinco pontos numa entrevista ao site IG e reproduzida hoje em seu ex-blog, para afirmar que o governo do presidente Lula não deixará legado, independente do resultado das eleições de 2010:

O GOVERNO LULA NÃO TEM LEGADO PARA A HISTÓRIA!

Maia1. O PT se dissolveu dentro do governo. Se ele perder a eleição em 2010 vai retomar o modelo de oposição que fazia anteriormente? Não. Pode ser que a CUT, sim. Pode ser que os movimentos sociais, sim. Mas o PT como tal não tem nenhuma autoridade moral como tinha antes de chegar ao poder. O que nos espera, do ponto de vista partidário no próximo governo, é uma oposição sem saber direito o papel que cumpre.  Vão fazer oposição pelos movimentos sociais. Estes podem perder o patrocínio gigantesco que têm no governo Lula e vão querer recuperá-lo.

2. O Lula está cometendo um erro. Está olhando seu governo como o início de um novo ciclo. Não é. É o final do ciclo de democratização dopaís. O início do novo ciclo vai ser daí para frente. Ele cumpre um importante papel de desestressamento das relações políticas e sociais. Para dentro da política e com os movimentos sociais. O PT é um partido de dois vetores: a esquerda revolucionária e o movimento sindical. É um partido híbrido. Em 2005, a crise do mensalão desintegrou a esquerda do PT. Quem assume o comando do partido é o movimento sindical. O sindicalismo passa a controlar o PT e o governo.

3. O que acontecerá quando um sindicalista da CUT deixar de ganhar R$ 40 mil? Ele fará oposição sistemática para ganhar isso de volta. Errará quem pensar numa linha de rigidez contra esses movimentos. Se alguém imagina que vai governar da forma mais técnica possível, daquilo que recomendam alguns economistas, vai errar. O Estado não funciona assim. E menos no pós-Lula.

4. Uma blindagem,(pela popularidade de Lula), pode ser desmontada em dias, meses, ou anos. O presidente tem de ter cuidado. Com outros já foi assim. O Sarney tinha uma popularidade assim no Plano Cruzado; FHC no real.

5. Como será visto pela história ? Como o governo Lula não tem marca, não tem projeto, se apega ao Bolsa Família, apóia-se no PAC,….. Isso gera memória a longo prazo? Gera marca? Acho que não. O que anoto na minha memória a respeito de JK? Ser pé de valsa? Ou a marca do desenvolvimento no governo dele? No caso do governo Lula, é preciso fazer um esforço enorme para pensar como será visto em mais 20 ou 30 anos. O Lula não tem um legado. 

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“Olha aqui, minha filha…” diante do Senado?

Ontem, em sessão comandada pelo ex-presidente e hoje senador Fernando Collor de Mello (PTB/AL), a Comissão de Infraestrutura do Senado aprovou a convocação dos ministros da Casa Civil, Dilma Roussef, e das Minas e Energia, Edison Lobão. Ainda sem data definida, ambos agora terão que dar as satisfações devidas sobre os reais motivos do apagão que, no último dia 11, se abateu sobre 18 estados e 60 milhões de brasileiros.

Sucessora de José Dirceu na Casa Civil — e como projeto petista à sucessão do presidente Lula —, Dilma é também a antecessora de Lobão nas Minas e Energia, pasta leiloada entre o PMDB e sindicalistas do PT, cujo titular Lobão foi uma indicação pessoal do senador José Sarney (PMDB/AP).

Da série perguntar não ofende, será que a ministra, diante do Senado, vai repetir a arrogância dirigida aos repórteres (aqui), dois dias após o apagão que tentou chamar de “blecaute”? Já pensou se a Heloísa Helena (PSOL/AL) ainda estivesse por lá, ousasse fazer uma pergunta pertinente e a Dilma se virasse para ela e dissesse: “Olha aqui, minha filha…”?

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Lavada na OAB

Amigo e colaborador da Folha, o advogado Filipe Estefan se reelegeu hoje à presidência da OAB-Campos. No primeiro pleito da entidade realizado com urnas eletrônicas, não resta nenhuma dúvida sobre a verdadeira lavada que Filipe, tendo Carlos Alexandre Azevedo Campos como vice, deu na única chapa concorrente: 854 votos contra 379, com 99 nulos e 32 brancos. 

A foto abaixo foi feita no Quartel do Chope, onde os vencedores estão agora, celebrando a bonita vitória. E sem preocupação de ressaca, que fica para quem perdeu por mais do que o dobro de diferença.

Carlos Alexandre e Filipe Estefan, comemorando a inquestionável vitória na eleição da OAB
Carlos Alexandre e Filipe Estefan, comemorando a inquestionável vitória na eleição da OAB
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Sob sigilo o X da questão no caso Ilsan

Por princípio constitucional, o promotor eleitoral Victor Queiroz não pode falar sobre ação de impugnação de mandato que moveu contra a vereadora eleita Ilsan Vianna (foto de Valmir Oliveira / arquivo da Folha da Manhã)
Por princípio constitucional, o promotor eleitoral Victor Queiroz não pode falar sobre ação de impugnação de mandato que moveu contra a vereadora eleita Ilsan Vianna (foto de Valmir Oliveira / arquivo da Folha da Manhã)

 

Acabei de falar, ao telefone, com o promotor eleitoral Victor dos Santos Queiroz, que mesmo em trânsito, ainda em retorno a Campos, muito gentilmente retornou minhas ligações. Desde que Ilsan Vianna foi diplomada vereadora, na última quarta-feira, dia 11, mas não pode assumir o mandato para o qual foi eleita, o que queria saber dele me parece ser o objeto da questão, por vezes esquecido em meio a todas as movimentações jurídicas descritas neste blog: afinal, o que foi apreendido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), na sede da Associação de Proteção à Infância de Campos (Apic), durante a campanha eleitoral de 2008, que foi capaz não só de gerar a ação de impugnação de mandato que Victor assinou junto ao também promotor eleitoral José Luiz Pimentel, como de embasá-la a ponto do juiz da 100ª Zona Eleitoral de Campos, Leonardo Grandmasson, deferir a liminar suspendendo o efeito da diplomação que ele havia feito no mesmo dia?

Infelizmente, ainda que tenha admitido por vezes ficar tentado a dar maiores esclarecimentos, ele não pode falar nada sobre o caso, já que o mesmo corre sob segredo de justiça — aquele mesmo tão desrespeitado nos dias seguintes à Operação Telhado de Vidro, em 11 de março de 2008, sobre o governo Mocaiber. Como a analogia não cabe ao promotor estadual, que não teve envolvimento direto com aquela operação federal, ele ainda frisou que a questão do sigilo, em casos de impugnação de mandato, é fruto não de uma decisão judicial, mas de princípio exclusivo da própria Constituição (Art. 14, parágrafo 11).

Conheci Victor pessoalmente quando fui o primeiro jornalista a entrevistá-lo, em agosto de 2007, sobre as investigações que fazia da administração Mocaiber. Naquela oportunidade, fui tomado da sólida impressão que repeti aqui mais de uma vez, desde que o blog passou a acompanhar a nova novela da vida política de Campos: trata-se de operador do Direito da maior integridade e competência. O que, por critério puramente subjetivo, me leva a crer que há fundamentos para a proposição cuja autoria ele divide com seu par no Ministério Público Eleitoral (MPE).

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Na certeza de não querer mais polemizar, uma dúvida…

Ainda sobre o caso Ilsan Vianna, mas relativo aos bastidores jurídicos, que também esquentaram desde que o advogado da vereadora eleita e também presidente local do PPS, Luiz Henrique Freitas de Azevedo, denunciou perseguição política (aqui) no fato dos advogados que servem a Ederval Venâncio serem os mesmos que serviram e servem ao casal Garotinho, e que um deles, Jonas Lopes de Carvalho Neto, respondeu que o argumento se tratava de “choro de perdedor” (aqui), este, ao ser indagado sobre o assunto pelo blog, preferiu não voltar a polemizar:

— Vou me ater às medidas jurídicas, deixar que o Judicário avalie a questão tecnicamente e tome as suas decisões. 

Jonas Neto, no entanto, admitiu ter assinado a ação cautelar do PR de Garotinho, contra a diplomação de Ilsan, que o juiz da 100ª Zona Eleitoral  (ZE) de Campos, Leonardo Grandmasson,  julgou improcedente por inoportuna, antes do prazo para ser impetrada, como Luiz Henrique revelou em comentário no blog (aqui). O que nem o advogado de Ederval e nem eu entendemos é o outro questionamento feito pelo presidente do PPS, num novo comentário ao mesmo post:

— A propósito, vai uma pergunta: a sede do PR é a Rua 21 de Abril n. 130, conforme constou na Medida Cautelar contra a Vereadora Ilsan Viana???

É? E se for? Com a palavra para esclarecimentos, se dela quiser fazer uso, o advogado Luiz Henrique…

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Próximo capítulo da novela Ilsan deve ficar para a semana que vem

Ao cumprir o que tinha dito ao blog na última sexta-feira, dia 13, e entrar hoje com o recurso contra expedição do diploma da vereadora eleita Ilsan Vianna, o advogado do ora vereador Ederval Venâncio, Jonas Lopes de Carvalho Neto, condicionou outra importante previsão: a de que o desembargador Luiz Márcio Victor Alves Pereira se pronunciaria até a próxima sexta, dia 20, sobre o mandado de segurança impetrado na quinta, dia 12, pelos advogados da ex-primeira dama.

Jonas Neto lembrou que dia 20 é o feriado de Zumbi dos Palmares. Assim, o próximo capítulo na novela em que a política de Campos está novamente metida, desde a última quarta, dia 11, talvez só se desenrole na semana que vem.

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Recurso contra diploma de Ilsan deu entrada hoje

Cumprindo o que dissera ao blog (aqui) na última sexta, dia 13, o advogado do ora vereador Ederval Venâncio, Jonas Lopes de Carvalho Neto, deu entrada na tarde de hoje com o recurso contra expedição do diploma da vereadora eleita Ilsan Vianna. Feita na última quarta, dia 11, a diplomação foi primeiro sobrestada em ofício e depois suspensa em liminar, tudo no mesmo dia, pelo juiz da 100ª Zona Eleitoral (ZE) de Campos, Leonardo Grandmasson.

Por força de lei, o recurso de Ederval foi enviado hoje à própria 100ª ZE, seu lugar de origem, devendo subir ainda esta semana para o desembargador Luiz Márcio Victor Alves Pereira, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), relator do mandado de segurança impetrado pelos advogados de Ilsan, na quinta, dia 12, visando derrubar a liminar concedida pelo juízo de Campos, pedida na ação de impugnação de mandato dos promotores eleitorais José Luiz Pimentel e Victor dos Santos Queiroz.

Como milita na cidade do Rio de Janeiro, o recurso do advogado de Ederval chegou a Campos por meio de fax. Embora o prazo para entrega do original seja de cinco dias, Jonas Neto garantiu que amanhã mesmo ele será devidamente encaminhado.

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Magal e Delvaux em dia de UFC

Charge publicada no blog em 22/10/09
Charge publicada no blog em 22/10/09

 

No último sábado, dia 14, não foi só no ocatagon do UFC 105 que contendores se encontraram cara a cara. Um oceano e um hemisfério distante da cidade inglesa de Manchester, em Campos finalmente ocorreu a reunião entre o vereador e ora presidente local do PMDB, Jorge Magal, e o presidente da comissão provisória do partido no município, Alexandre Delvaux. Como naquele mesmo dia se encerrava o mandato que o primeiro assumiu com a saída do deputado federal Geraldo Pudim ao PR 22, Delvaux cobrou do vereador os documentos necessários para a realização de uma nova eleição no partido. Magal, por sua vez, se comprometeu a entregá-los até amanhã.

Com o prazo de 30 a 40 dias, para realização do novo pleito no PMDB, começa a contar a partir da entrega desses mesmos documentos, isso signfica dizer que o controle do partido disputado entre Magal e Delvaux, tendo por trás, respectivamente, o ex-governador Anthony Garotinho (PR 22) e o atual Sergio Cabral, pode acabar tendo seu destino definido em meio às comemorações do Natal.

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UFC 105 — Outra vitória discutível

Couture tem o braço erguido após a luta que perdeu, mas os jurados preferiram conceder à lenda (site do UFC)
Couture tem o braço erguido após a luta que perdeu, mas os jurados preferiram conceder à lenda (site do UFC)

 

Por estar sem acesso a net no final de semana, só agora atualizo o blog sobre a 105ª edição do Ultimate Fighting Championship (UFC), realizada na cinzenta, mas rica cidade inglesa de Manchester, no último sábado. Evento principal da noite, o confronto de meio-pesados entre o veterano wrestler Randy Couture e o kickboxer Brandon Vera, acabou em outra decisão polêmica dos jurados, que deram a vitória unânime para o primeiro, depois de três assaltos de cinco minutos — como são nas lutas que não valem título, sendo cinco rounds naquelas em que está o jogo o cinturão de cada categoria.

Se na diputa pelo coroa dos meio-pesados, a decisão dos jurados favorável ao campeão Lyoto Mashida, diante do também  brasileiro Maurício Shogum, no UFC 104, em Los Angeles, no último dia 25, já havia gerado grande questionamento de público e crítica especializada, a controvérsia do último sábado tem ainda mais fundamento. Como já escrevi (aqui), na análise round a round da luta anterior, Mashida ganhou os três primeiros — com vantagem mais nítida no terceiro —, cabendo a Shogum os dois últimos, sobretudo o quinto.

Já no evento mais recente, não é nem preciso entender muito de luta para creditar apenas o primeiro round a Couture, quando conseguiu fazer seu jogo tático de imprensar o adversário contra a grade, ainda que só tenha conseguido atirar Brando Vera ao solo uma única vez, queda da qual se levantou rapidamente. No segundo assalto, após uma contundente joelhada de muay thay nas costelas, Vera aplicou um knock-down no legendário adversário. E, embora tenha na luta em pé a sua especialidade, conseguiu não só derrubar Couture, no último round, com aplicar-lhe a montada — posição do jiu-jítsu em que os dois joelhos passam a guarda do oponente que está em baixo, deixando-o à mercê dos socos e cotoveladas, o chamado ground and pound, de quem está por cima.

Certo que Randy Couture é uma lenda do MMA (Mixed Martial Arts, ou artes marciais mistas, o antigo vale-tudo submetido a regras), sendo um dos sete integrantes do hall da fama do UFC, onde só consta um brasileiro, o não menos lendário Royce Gracie. Lutador de greco-romano de nível olímpico, ingressou já na casa dos 30 anos ao MMA, ainda a tempo de ser, provavelmente, o maior estrategista que entrou para lutar num octagon, tendo conquistado o cinturão dos pesados e dos meio-pesados do UFC, façanha só igualada pelo brasileiro e hoje peso-médio Vitor Belfort, a quem derrotou duas vezes. A apresentação anterior de Couture, no UFC  102, no último dia 29 de agosto, pela categoria dos pesados, que perdeu para o também brasileiro Rodrigo Minotauro, é considerada por muita gente boa como a peleja mais técnica da história do esporte.

Por todos esses motivos, bem como por conseguir lutar no mais alto nível, já aos 46 anos de idade, Randy “The Natural” Couture, o “Capitão América”, é uma lenda para todos que praticam e/ou apreciam as lutas-marciais. Mas quem levou o combate do último sábado foi só a lenda. Como lutador, quem venceu, inquestionavelmente, foi Brandon Vera.

Espera-se, pois, que o MMA saiba corrigir os rumos para não se perder no caminho que o fizeram ser, hoje, o esporte nº 1 entre os homens de 15 a 35 anos nos EUA, contar com um público imenso e fanático no Japão, e crescer em escala geométrica na Europa e América Latina.  

 

Brandon Vera acerta a joelhada que levaria Randy Couture ao chão, no segundo assalto (site do UFC)
Brandon Vera acerta a joelhada que levaria Randy Couture ao chão, no segundo assalto (site do UFC)

 

Brandon Vera consegue passar a guarda para fazer a montada sobre Couture, no último round (site do UFC)
Brandon Vera consegue passar a guarda para fazer a montada sobre Couture, no último round (site do UFC)
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