Magal, hoje, no Folha no ar, entre os jornalistas e blogueiros Rodrigo Gonçalves e Alexandre Bastos (foto de Antonio Cruz — Folha da Manhã)
Acabou agora há pouco o Folha no Ar. Entrevistado pelos jornalistas e blogueiros Rodrigo Gonçalves (aqui) e Alexandre Bastos (aqui), o líder do governo na Câmara, vereador Jorge Magal disse que foi eleito presidente municipal do PMDB dentro da legalidade. Sobre a intervenção, que teria conferido a Alexandre Delvaux o comando do partido em Campos, Magal declarou só saber pelos jornais e que espera um comunicado oficial. Mesmo que ele venha, ressalvou, no entanto, que permanecerá no partido, assim como a prefeita Rosinha Garotinho.
O saudoso jornalista Paulo Francis (1930/1997) certa vez classificou Cesar Maia de “o burro instruído”. Homem de grande erudição, Francis tinha um certo desdém pelo técnico sem grande estofo cultural, que enxergava no ex-prefeito carioca. E olhe que, tanto em termos de excelência técnica, quanto culturais, Maia está anos luz além de muito perfil semelhante de burrice instruída desta terra de planície. Isso sem falar, para completar a distante analogia Rio/Campos, em número votos enquanto político e no poder da atuação como blogueiro.
Pois foi nesta última função, a de blogueiro (ou melhor, de ex-blogueiro) que o ex-menino prodígio do ex-governador Leonel Brizola (1922/2004), ofereceu hoje (cadastre-se aqui) uma elucidativa visão, dividida em 12 pontos, sobre a política de Segurança Pública do Estado do Rio, cujos reflexos são sentidos tanto na guerra civil da capital, quanto nas residências regularmente invadidas por bandidos em Campos. Vamos a ela:
POR QUE A POLÍTICA DE SEGURANÇA DO BELTRAME FRACASSOU!
1. A avaliação das políticas públicas deve ser feita sem fixação nos personagens, a menos que estes, por razões de comportamento ou técnica, os desqualifiquem preliminarmente. Não é esse o caso de Beltrame, até porque, a autonomia conseguida na nomeação de comandantes de BPM e delegados nas DP é uma prova disso.
2. Beltrame é delegado da Polícia Federal e veio da área de “inteligência policial (IP)”. A IP é o inverso da “investigação/inquérito (II)”. Explicando. A II é um processo que começa com um fato conhecido, um roubo, homicídio, estupro, etc. A partir deste fato, se realiza os levantamentos de local, de atores e se investiga em inquérito aberto. A IP atua sobre o “fato negado”, ou seja, sobre um fato não “localizado”. Nesse caso, a investigação procura encontrar os fatos e seus atores e envolvimento.
3. Exemplo: a derrubada do helicóptero abre uma II sobre arma usada, local atingido, autores e circunstâncias. Mas se a polícia quer saber quem são os fornecedores das armas, a ação é de IP. O elemento básico na IP é a infiltração. Não é o único. Varreduras, grampos, etc; são outros. Mas é a infiltração que permite maximizar a eficácia da IP. A informação é o vetor da investigação. A contra-informação é o vetor da IP.
4. Beltrame aplicou no Rio os conceitos de IP. Fixou-se na identificação de paióis (guarda de armas dos traficantes), depósitos de drogas e eliminação dos traficantes. Mas o varejo de cocaína em comunidades há muito não usa depósitos, sendo a guarda da arma, individual, por ocultamento, desde enterrar em plástico, como faziam os angolanos na Maré, até usar casas em rodízio. A busca de paióis é infrutífera e a quantidade de armas pesadas apreendidas tem sido sempre apenas proporcional aos presos e eliminados (armas apreendidas 12 mil/ano, prisões+autos de resistência 15 mil/ano).
5. Da mesma forma, os depósitos de cocaína. O narcovarejo não opera com estoque. A droga entra e sai. O tempo que fica em áreas básicas (atacado do varejo), como Maré e Rocinha, é o menor possível. Outro dia, Beltrame disse que havia encontrado um laboratório de refino na Rocinha. Impossível. O que ele encontrou foi uma área de “endolação”, ou seja, de batismo da cocaína com outro material branco para enganar o consumidor, e envelopamento. Nas comunidades menores a cocaína já chega envelopada.
6. Uma questão central é que o narcovarejo em favelas não admite infiltração. Usam dedos-duros ou X-9s, cuja informação é de baixa qualidade para IP. O resultado nestes 2 anos e 10 meses foi medíocre. Há muito tempo que não se assiste a incineração de cocaína, e o volume de armas pesadas apreendidas é insignificante pelo volume existente. Além disso, nos dois casos, a oferta é elástica, e no máximo afeta-se conjunturalmente o preço e não o volume.
7. A eliminação dos traficantes (3% dos traficantes), inevitável na maioria das vezes, não afeta o quantitativo do tráfico. A substituição é automática e, em geral, os menos experientes que entram, são mais violentos. Aplicar no varejo, em favelas (armas, drogas e delinquentes), a estratégia e métodos que são aplicados no atacado internacional pela PF, DEA, FBI, não poderia ter resultado outra coisa: a política de segurança pública do atual governo fracassou.
8. Tem razão Beltrame, e levou muito tempo para chegar a esta conclusão, que não haverá sucesso sem uma integração operacional com a esfera federal e sob a hegemonia dessa, num crime sem fronteiras. Esfera federal, leia-se cocaína e armas, polícia federal e exército.
9. Talvez o equívoco maior tenha sido um certo desprezo do secretário pelos “crimes de rua”, assaltos a pedestres, roubos e furtos, que ficaram entregues ao esforço dos BPMs sem a prática de usar as informações georeferenciadas do ISP e sem articulação com as DPs, de forma a identificar a dinâmica das manchas do crime e atuar preventivamente.
10. São 300 mil roubos e furtos -registrados- por ano. São 75 mil lesões corporais dolosas -registradas- por ano. São 65 mil ameaças -registradas- por ano. No total -registrados- são 440 mil ocorrências, que apavoram a população. Registrados…, já que as ocorrências não registradas estima-se pelo menos numa mesma quantidade, dobrando o número. A atenção para o patrulhamento deveria ter igual prioridade que o narcovarejo e os 6 mil homicídios dolosos que ocupam as estatísticas publicadas.
11. Sempre é hora de começar de novo. Se os JJOO-2016 servem como horizonte, não há porque não se rever e redefinir a política de segurança pública, que de qualquer forma, terá que ter o fator humano -treinamento, remuneração, qualificação- como fator central. E o personagem pode até ser o mesmo, se tiver humildade para começar de novo.
12. Não se cita o governador, pois a SSP é autônoma e ele pouco é informado e por isso sempre repete a ladainha: “não abro mão da política de confronto”, como se o confronto fosse uma política.
No final da noite de ontem, mesmo dia em que o blog Ponto de Vista (aqui) alertou sobre a ação crescente dos bandidos na cidade, que já migrou das ruas para dentro das casas, dois homens encapuzados pularam o muro e invadiram uma residência na Estância da Penha, fazendo refém o casal de moradores. Eles foram dominados e amarrados dentro do banheiro, enquanto os ladrões levavam dinheiro, jóias, eletrodomésticos, o carro da família (a Paraty KSQ 5555) e até o cachorro que estava no quintal.
A continuar como está, ontem foram eles, amanhã pode ser você!
De Grussaí e Atafona para o mundo: Rodrigo Gonçalves (foto de Silésio Corrêa para a Folha da Manhã) e João Noronha (na lente de Leonardo Berenger, também a serviço da Folha)
Mentor de todo o projeto na nova Folha Online, diretor financeiro e de tecnologia da Folha e tricolor que anda vivendo à base de anti-depressivo, Christiano Abreu Barbosa saudou o nascimento deste espaço (aqui), onde minhas mal traçadas linhas cumprem papel de coadjuvante de pouco brilho ao traço do chargista José Renato. Ressalvada a generosidade de um irmão para com outro, agradeço a lembrança elogiosa, muito embora tenha que alertar sobre o esquecimento da menção devida aos blogs Folha no Ar e Vento Nordeste, também hospedados no site da Folha.
O primeiro é assinado pelo jornalista Rodrigo Gonçalves, titular do programa e maior responsável por seu sucesso, enquanto o segundo pertence ao escritor e também jornalista João Noronha, arauto dos mistérios de Atafona. Ambos estrearam no último domingo, junto a este Opiniões.
Magal no foco de Genilson Pessanha (arquivo da Folha da Manhã)
Daqui a poucos minutos, às 16h, quem estará no Folha no Ar, com transmissão ao vivo pelo TV Planície, TV Litoral, Folha Online e Rádio Continental, será o líder da oposição na Câmara, Jorge Magal. Entrevistado pelos jornalistas Rodrigo Gonçalves e Alexandre Bastos, o vereador tentará dizer, afinal, quem é que preside o PMDB no município: ele (a mando de Anthony Garotinho) ou Alexandre Delvaux (representando o deputado Jorge Picciani e o governador Sergio Cabral).
Titular do Folha no Ar, que vem comandando com grande competência, Rodrigo já fez o anúncio no blog do programa (aqui).
Quando o procurador Francisco de Assis Pessanha Filho (na foto de Antonio Cruz, para a Folha da Manhã) finalmente apareceu na Câmara, o vereador Bacellar não foi
Na sessão da Câmara prolongada de hoje, que só acabou agora há pouco, com a aguardada presença do procurador Francisco de Assis Pessanha Filho, para responder às cobranças pelas terceirizações do governo municipal, a ausência mais sentida foi a do combativo vereador de oposição Marcos Bacellar (PTdoB). Em ligação do jornalista Alexandre Bastos, que daqui a pouco vai revelar os bastidores da sessão em seu blog (aqui), Bacellar disse que quer fazer suas cobranças não a um “funcionário” de Rosinha (o procurador), mas à própria prefeita. Em sua visão, a decisão pelas terceirizações não é técnica, mas política.
O blog só acha que o vereador poderia ter ido à Câmara dizer isso pessoalmente.
Moeda romana com a esfinge de Incitatus, cavalo que Calígula fez senador
Em relação à resposta do titular da pasta municipal de Defesa Civil, Marco Soares, que disse não ter satisfações a dar quanto à cobrança pública de Arthur Soffiati, sobre a qualificação técnica do secretário, o professor e ambientalista fez um comentário (aqui), lembrando um certo imperador romano que nomeou seu cavalo como senador.
Sem juízo de valor, mas à guisa da curiosidade, o imperador foi Calígula (12 d.C./41) e Incitatus o seu cavalo.
Já a famosa frase que titula o post é atribuída a outro soberano, o rei inglês Eduardo III (1312/1377), na peça escrita por William Shakespeare (1564/1616).
Orávio de Campos entre Rodrigo Gonçalves e Aluysio Abreu Barbosa, no Folha no Ar de hoje, sob o ângulo de Antonio Cruz (Folha da Manhã)
Acabei de participar, junto ao também jornalista Rodrigo Gonçalves, de entrevista ao secretário de Cultura Orávio de Campos, no programa Folha no Ar, que não foi reproduzido pela Rádio Continental, como disse abaixo, por conta da transmissão do jogo do Goytacaz. Em relação aos questionamentos do ex-gerente municipal de Cultura, Deneval Siqueira de Azevedo Filho, que já havia respondido abaixo, Orávio projetou em duas a três semanas a retomada das atividades do Conselho de Cultura.
Já em relação à cobrança do ingresso da pasta de Cultura no Conselho de Preservação do Patrimônio Arquitetônico do Município (Coppam), feita no Folha no Ar da última segunda-feira, pelo professor Arthur Soffiati, o secretário projetou a retomada ainda para este ano. A necessidade se dá, inclusive, pela cobrança que a Prefeitura já começa a sofrer do Ministério Público, relativa ao atraso em processos envolvendo a questão patrimonial, que demandam estudos e pareceres por parte de um Conselho ora inativo.
Mesmo quem, eventualmente, discorde das posições de Orávio, não deve questionar seu compromisso com a Cultura. Sua palavra merece crédito!
Como no “Cantos” (aqui), outro blog do qual participo, as discussões extrapolaram a poesia (tema daquele espaço) e se estenderam sobre toda a Cultura de Campos, a partir dos questionamentos do ex-gerente municipal de Cultura Deneval Siqueira de Azevedo Filho e dos esclarecimentos do atual secretário de Cultura Orávio de Campos, achei por bem reproduzir também aqui o importante debate, que se ampliará daqui a pouco, a partir das 16h, quando junto ao também jornalista Rodrigo Gonçalves, estarei entrevistando Orávio no programa Folha no Ar, com transmissão ao vivo pela Plena TV, TV Litoral, Rádio Continental e Folha Online.
Deneval e Orávio, respectivamente em fotos de Silésio Corrêa e Hugo Prates (Folha da Manhã)
Num comentário ao post ‘Ex-presidente da FCJOL fala sobre FestCampos’ (aqui), o ex-gerente de cultura de Campos, professor Deneval Siqueira de Azevedo Filho, não só endossou as críticas de Luciana Portinho, relativas ao tardio FestCampos de Poesia Falada e à inatividade do Conselho Editorial da Fundação, como as estendeu ao Café Literário, ao curso de cinema com a UFF, ao Pólo de Cinema de Campos e ao Prêmio Alberto Ribeiro Lamego, realizações culturais da gestão municipal anterior, que acusa terem sido abandonadas na atual. Além de disponibilizar o espaço do blog à manifestação do atual presidente da FCJOL, Avelino Ferreira, e ao secretário de Cutura Orávio de Campos, a este último enviei um e-mail pessoal, reforçando a abertura de espaço às respostas que julgasse devidas. Como Orávio, democraticamente, me respondeu, tomo a liberdade de reproduzir abaixo seu e-mail, logo após a repodução das críticas do Deneval, para que o leitor faça seu juízo livremente, sobre o passado, o presente e possibilidades de futuro para a cultura de Campos:
Deneval:
Apesar de sabermos que a atual gestão da FCJOL carece de pessoas capacitadas para a formatação de um projeto cultural, o mais grave é o revanchismo de não dar continuidade aos projetos que, já com bastante tradição, vinham se consolidando. O mesmo aconteceu com o tradicional Café Literário, O Curso de Cinema, a parceria com a UFF, O Polo de Cinema de Campos, o Prêmio Alberto Ribeiro Lamego, e muitos outros eventos importantes como a editoração de obras. A verdade é que não sabem trabalhar e sofrem daquilo que Harold Bloom chama de Síndrome do Ressentimento. É um descaso enorme com os rumos que vinha tomando a cultura em Campos. E o Conselho Municipal de Cultura? Não se reúne mais. São fatos contundentes que comprovam a “burrice” da administração atual. Sim, porque ingenuidade não é!
Orávio:
1) Com a criação da Secretaria Municipal de Cultura, houve a necessidade de mudar a lei 7.919, adaptando-a às necessidades atuais. A Câmara aprovou a mudança no último dia 8 e foi sancionada pela Prefeita Rosinha Garotinho, conforme publicado no DO de 16 do corrente. Falta agora a nomeação oficial dos atuais titulares e suplentes eleitos na Conferência Municipal de Cultura. Está por pouco…
2) O Café Literário não voltará ao Palácio da Cultura, por questões técnicas. Estamos conversando com Benedito Marques, provedor da Santa Casa; e o programa poderá ser reestruturado, em termos de saraus, no salão nobre do Hotel Gaspar, no centro da cidade, onde pretendemos sediar nossa Escola de Música e de Balé.
3) Quanto ao curso de cinema, a municipalidade, no momento, vai apoiar o que Zé Luiz está programando na UFF. Na nossa conta ficará algo parecido com o Festival do Minuto, um misto de cinema (vídeo) documentário. Pensamos numa mostra reunindo o pessoal das universidades.
4) A questão do pólo vai (por ser matéria aprovada pelo Conselho, em sua gestão anterior), acreditamos que a decisão ficará na primeira pauta, ainda este ano (esperamos), juntamente com a criação do Fundo Municipal de Incentivo à Produção Cultural, assunto inserido na própria lei.
5) O Prêmio de Cultura Alberto Lamego, versão 2009, também será definido pelo Conselho Municipal de Cultura, a quem caberá estudar a forma mais correta e democrática para escolha do intelectual a ser destacado.
Marcos Soares, secretário da Defesa Civil sem satisfações a dar, na lente de Ricardo Avelino (Folha da Manhã)
Cobrado publicamente pelo professor e ambientalista Arthur Soffiati, sobre sua competência técnica para ocupar a secretaria de Defesa Civil, cargo que pode se tornar o mais importante da municipalidade, caso caiam as chuvas previstas no verão, e para as quais a própria prefeita Rosinha admite que a cidade não está preparada, Marco Soares deu ontem uma mostra da sua qualificação: “Não tenho satisfação para dar!”