Rosinha: Mamãe Noel dos camelôs

Parece brincadeira, mas não é. Primeiro, uma reunião no Ministério Público, em 23/10, entre representantes da Prefeitura, do comércio e dos camelôs, definiu o dia 28/12 como data limite para remoção dos últimos das calçadas do Centro. Depois, em 26/10, num encontro só dos camelôs com o secretário de Governo, Roberto Henriques, diante da passividade deste, aqueles impuseram 28/12 apenas como início da opreação de retirada. No dia seguinte, em 27/1o, pressionado pela reação do presidente da CDL, Joilson Barcelos, o chefe da Guarda Municipal, Francisco Balbi, numa ligação da Simone Fraga, repórter da Folha, anunciou o recuo da Prefeitura, mantendo 28/12 como data limite para devolução das ruas do Centro aos pedestres.

Como a coisa parecia finalmente resolvida, a cobrança arrefeceu. Ontem, no entanto, quando a reportagem da Folha voltou a ligar novamente ao poder público municipal, para saber quando iria finalmente começar a operação de retirada dos camelôs, foi surpreendida pela declaração do presidente da Companhia de Desenvolvimento Municipal de Campos (Codemca), Jivago Faria: o ATÉ 28/12 havia se transformado mais uma vez EM 28/12. A informação foi passada incialmente ao repórter Leonardo Barros e confirmada aos editores Thiago Gomes e Dora Paula Paes. Os três ligaram também para o presidente da CDL, que confirmou ter sido informado do novo recuo da Prefeitura, dizendo que agora entregava a questão “a Deus”.

Como, dado o grau de invasão dos camelôs nas principais calçadas do Centro, ninguém em sã consciência pode supor que a remoção posso se consumar em apenas um dia, fica o dito pelo não dito em mais um populismo irresponsável e veladamente dedochado que tanto aproxima o governo dos Garotinho da administração do presidente Lula. E certamente não faltará uma viúva do Muro de Berlim para querer colar nos camelôs o cômodo teflon de “movimento social”, à margem da lei e à mercê da cooptação de quem só sabe governar a partir da ocupação da máquina do estado, como alertou ontem, num nível bem maior, o governador de Minas, Aécio Neves (aqui).

Perde mais uma vez o comércio de Campos, já vitimado pelo evasão de circulação de dinheiro com a coincidente e sitemática vitória de empresas de fora nas licitações municipais mais polpudas. Perde, sobretudo, o cidadão comum, cerceado em seu direito de ir e vir, de usar as calçadas da sua cidade para se locomover livremente.

Quem dúvida tiver, que olhe a foto abaixo, feita ontem…

 

A difícil rotina dos pedestres nas calçadas do Centro, tomadas pelos camelôs, diante da passividade reticente e populista do governo Rosinha (foto de Leonardo Berenger)
A difícil rotina dos pedestres nas calçadas do Centro, tomadas pelos camelôs, diante da passividade reticente e populista do governo Rosinha (foto de Leonardo Berenger)
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