Conselhos do blog aos conselhos de um petista

Félix Manhães, segundo colocado na eleição para presidente do diretório do PT de Campos (foto: divulgação)
Félix Manhães, segundo colocado na eleição para presidente do diretório do PT de Campos (foto: divulgação)

 

Passei o final de semana em Atafona, onde fico sem acessar a net. Não por outro motivo, só agora aceito e respondo aos comentários que aguardavam aprovação. Entre eles, contudo, sobre um feito pelo petista Félix Manhães, ao post “Respostas de Odisséia, Diniz, Anomal e Makhoul” (aqui), achei que a resposta mereceria maior destaque, até pelas múltiplas e distintas reações à exposição, neste blog, dos bastidores do PT de Campos. 

Félix, que tem seu próprio blog, o “Conversando” (aqui), é não só petista, como foi o segundo colocado (com 157 votos) na eleição à presidência do diretório municipal do partido, no último dia 21, cujo resultado final este “Opiniões” foi o primeiro a noticiar (aqui). Aliás, se a vitória de Eduardo, com 415 votos, foi inconteste, ninguém pode negar que também esmagadora foi a vantagem de 115 votos imposta pelo telefônico aposentado ao terceiro colocado, o professor Fábio Siqueira (42 votos), que acabou ficando apenas sete votos à frente do quarto, o administrador Adão Elias (35 votos).  

Por todos esses motivos, segue abaixo o comentário do Félix, seguido da resposta do blog:  

 

Félix Manhães

Gostaria de sugerir aos petistas que usem o espaço apropriado para o debate – o Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores, localizado à Av. Alberto Torres, n. 68. Aliás, por sinal, esse mesmo grupo que ganhou mais uma vez as eleições internas do Partido (e mais uma vez contra o grupo que represento), ao longo de todo o mandato anterior, enquanto maioria, não realizou sequer 30% (trinta por cento) das reuniões com quorum, optaram pelo seu esvaziamento. O grupo que represento, e que na última eleição obteve 157 dos votos, mesmo como minoria, sempre compareceu aquelas reuniões. Vamos exigir do companheiro Eduardo, atual presidente que na sua gestão tenha uma visão diferente. Usar a mídia para estabelecer essa contenda, é temeroso e não ajuda em nada uma possível pacificação e/ou união em torno de algum projeto nobre que a sigla possa oferecer para a cidade de Campos.

 

Aluysio

Caro Félix, vamos por partes:

1) Compreendo que uma liderança petista endossada no voto, como é o seu caso, entenda o foro interno do partido como único meio legítimo de se discutir as disputas internas. Ocorre que nem eu, nem o chargista José Renato, fomos, somos ou pretendemos ser petistas, bem como pertencer a qualquer outra agremiação partidária. Enquanto jornalistas e blogueiros, nosso papel é tomar ciência dos fatos, fora e dentro dos partidos, para narrá-los ou sobre eles emitirmos nossas opiniões — Zé Renato com seu traço e eu com texto. E ainda que não se concorde com as opiniões deste “Opiniões”, pois nem nós concordamos sempre um com o outro, ninguém pode dizer que elas não são emitidas a partir de fatos. Pelo menos, até o presente momento, nenhum dos discordantes foi capaz de nos desmentir. Caso isso venha a ocorrer, não teremos problema nenhum em admitir e retificar.   

2) Quanto aos petistas (Odisséia, Diniz e Makhoul, além de um ex, Makhoul) que você aconselha a deixar os dilemas do PT para dentro do PT, me parece um pedido  justo. Todavia, salvo engano, não foram Odisséia, Diniz, Anomal e Makhoul que levaram a coisa a público. Muito pelo contrário, como amplamente divulgado neste blog, na matéria de Alexandre Bastos na Folha do último dia 11 (aqui), e como muita gente está careca de saber, dentro e fora do PT, os quatro apenas responderam, e muito tempo depois, às sistemáticas tentativas públicas (não internas) de ridicularização pessoal, planejadas e postas em prática por um pequeno grupo petista, que insiste patologicamente em confundir comentários anônimos em blog com voto, na tentativa de forçar a eterna pré-candidatura petista de um certo professor à Prefeitura de Campos. Ademais, não foi no “Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores, localizado à Av. Alberto Torres, n. 68”, que Odisséia Carvalho foi chamada repetidas vezes de “Odorsséia”, Hugo Diniz de “Dinzinho fez Totô”, Hélio Anomal de “Anormal” e Makhoul Moussalem de “o Médico e o Monstro”. Foi na internet, mesmo, para quem quisesse ver, em qualquer canto da Terra. Sinceramente, Félix, espanta que, como petista e blogueiro, você desconheça isso. E, caso não desconheça, cabe a pergunta: aconselhou também esse outro grupo do PT a deixar suas “críticas” para dentro do PT? Se condena a reação externa dos seus companheiros, condenou também a ação externa desses outros companheiros, que atacaram primeiro aqueles?

3) Desconheço se o grupo vencedor das eleições internas do PT em Campos realizou ou não 30% das reuniões com quorum, no correr do mandato de Hugo Diniz, ou se este mesmo grupo optou ou não pelo esvaziamento. Mas fica, desde já franqueado o espaço do blog para que você exemplifique com datas e demais detalhes a tática que acusa ter sido empregada, bem como ao Diniz para uma eventual resposta. Se o mesmo voltar a ocorrer no mandato de Eduardo Peixoto, peço que me informe, valendo o mesmo quanto à equidade do espaço entre você e ele.

4) Sim, o seu grupo, como dito na abertura deste post, pode e deve se orgulhar por cada um dos 157 votos obtidos. Apesar da derrota por larga margem, foi sem sombra de dúvida uma belísima votação, que o credencia, também por larga margem, como segunda força do PT de Campos. Todavia, sobre quem ficou bem acima e bem abaixo da sua candidatura na eleição, recomenda-se duas pertinentes observações: A) Quanto a exigir uma postura diferente de Eduardo, em relação à gestão de Diniz, recomenda-se cautela, pois uma vez que você mesmo identifica uma unicidade entre o grupo dos dois presidentes, acima de 60% dos militantes petistas parecem ter sido mais favoráveis à manutenção, do que à mudança; B) Quanto a quem ficou bem abaixo, talvez fosse interessante que você e seu grupo condenassem de maneira mais firme e direta a tática de guerrilha psicológica virtual, baseado em ofensas pessoais e anônimas, que me parece ter sido amplamente refutada pelas urnas do PT.

4) Seja no que se refere ao blog ou à Folha, nenhuma mídia foi “usada” por nenhum petista, em nenhuma contenda. A partir da revelação deste blog, de uma tática de ataque pessoal e público de petistas contra petistas, condenada com veemência e em vida pelo saudoso vereador petista Renato Barbosa, a Folha resolveu usar como fontes e personagens três petistas e um ex igualmente atacados, todos felizmente ainda vivos. E, numo retro-alimentação impossível aos aquários virtuais de egos inflados e peixinhos autofágicos, coube ao blog repercutir o que a Folha publicou. Se não fosse por várias outras coisas, Félix, esse processo claro serviu, inclusive, para contar com sua participação no blog, que, esperamos, venha a se repetir quantas vezes você quiser.

5) A pacificação a e união do PT de Campos são fundamentais não só para os petistas, mas por todos os campistas que anseiam pela construção de um projeto alternativo ao populismo que dá as cartas na administração do município, desde 1989, muito embora este modelo tenha se instalado e, por vezes, se mantido com a ajuda do PT. Como político e blogueiro, Félix, você deve ser ciente que isso se faz com a conquista de votos, não comentários ou ataques anônimos em blogs.

Abraço e grato pela colaboração!

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