Severino Veloso — Na eternidade da água

Adolescente, conheci Severino Veloso vereador. Sobre esta fase da sua vida, creio que ninguém definiu melhor do que o jornalista e escritor José Cunha Filho fez aqui.

A mim, no entanto, confesso que a face de Severino que sempre mais cativou foi a do nadador, com seu contagiante entusiasmo a conquistar, já na terceira idade, tantas medalhas e troféus nas piscinas do Brasil e do mundo, representando orgulhasamente sua Folha da Manhã (como sempe a definiu), seu Fluminense Football Club e sua Campos dos Goytacazes.

Nadador generosas braçadas aquém e mais afeito a arriscá-las nas águas vivas do Atlântico e do Paraíba do Sul, guardarei minha despedida pessoal para a próxima vez em que cruzar no peito a confluência de ambos, entre o Pontal e a Convivência, no torpor solitário do reencontro líquido e certo com o útero que nos gerou — e que, se tivermos sorte, nos espera.

Até emergirmos do outro lado, fica o mergulho nos versos de Cecília Meireles…

 

 

Nadador

O que me encanta é a linha alada
das tuas espáduas, e a curva
que descreves, pássaro da água!

É a tua fina, ágil cintura,
e esse adeus da tua garganta
para cemitérios de espuma!

É a despedida, que me encanta,
quando te desprendes ao vento,
fiel à queda, rápida e branda

E apenas por estar prevendo,
longe, na eternidade da água,
sobreviver teu movimento…

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Este post tem um comentário

  1. Marilia

    Verdade Aluysio Abreu Barbosa!
    Essa coragem essa raiz que nos da força! Como exemplo ele continuara eterno. Seja no sangue , na memoria ou na Historia.
    Abraçao fraterno. Obrigada !

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