Versos do domingo — Machado de Assis

Desde quando ele vivia, muito já se falou que, enquanto poeta, Machado de Assis (1839/1908) nunca chegou perto do que foi como romancista. Pode até ser, mas mesmo à sombra gigantesca da sua prosa, até que conseguiram vingar à luz alguns versos bem interessantes. Os escolhidos para bater ponto no domingo, dia em que o blog é espaço cativo à poesia, integram o livro “Crisálidas”, só de poemas, pubicado em 1864 e dedicado ao pintor de paredes mulato Francisco José de Assis e à lavadeira açoriana Maria Leopoldina da Câmara Machado, pais do autor. O poema trata de um amor platônico, com claros ingredientes sado-masoquistas, consumado na abstração machadiana escravizada pela última farani do Egito antigo, Cleópatra VII (70 a.C./ 30 a.C.), da dinastia macedônia dos Ptlomaicos (ou Lágidas), amante dos maiores homens do seu tempo…

 

 

“Cleóptara”, óleo sobre tela de 1888, de John William Waterhouse
“Cleóptara”, óleo sobre tela de 1888, de John William Waterhouse

 

Cleópatra

Canto de um escravo

 

Filha pálida da noite,

Nume feroz de inclemência,

Sem culto nem reverência,

Nem crentes e nem altar,

A cujos pés descarnados…

 A teus negros pés, ó morte!

Só enjeitados da sorte

Ousam frios implorar;

 

Toma a tua foice aguda,

A arma dos teus furores;

Venho c’roado de flores

Da vida entregar-te a flor;

É um feliz que te implora

Na madrugada da vida,

Uma cabeça perdida

E perdida por amor.

 

Era rainha e formosa,

Sôbre cem povos reinava,

E tinha uma turba escrava

Dos mais poderosos reis.

Eu era apenas um servo,

Mas amava-a tanto, tanto,

Que nem tinha um desencanto

Nos seus desprezos cruéis.

 

Vivia distante dela

Sem falar-lhe nem ouvi-la;

Só me vingava em segui-la

Para a poder contemplar;

Ea uma sombra calada

Que oculta fôrça levava,

E no caminho aguardava

Para saudá-la e passar.

 

Um dia veio ela às fontes

Ver os trabalhos… não pude,

Fraqueou minha virtude,

Cai-lhe tremendo aos pés.

Todo o amor que me devora,

Ó Vênus, o íntimo peito,

Falou naquele respeito,

Falou naquela mudez.

 

Só lhe conquistam amôres

O herói, o bravo, o triunfante;

E que coroa radiante

Tinha eu para oferecer?

Disse uma palavra apenas

Que um mundo inteiro continha:

— So um escravo, rainha,

Amo-te e quero morrer.

 

E a nova Ísis que o Egito

Adora curvo e humilhado

O pobe servo curvado

Olhou lânguida a sorrir;

Vi Cleópatra, a rainha,

Tremer pálida em meu seio;

Morte, foi-se-me o receio,

Aqui estou, podes ferir.

 

Vem! que as glórias insensatas

Das convulsões mais lascivas,

As fantasias mais vivas,

De mais febre e mais ardor,

Tôda a ardente ebriedade

Dos seus reais pensamentos,

Tudo gozei uns momentos

Na minha noite de amor.

 

Pronto estou para a jornada

Da estância escura e escondida;

O sangue, o futuro, a vida

Dou-te, ò morte, e vou morrer;

Uma graça única — peço

Como última esperança:

Não me apagues a lembrança

Do amor que me fêz viver.

 

Beleza completa e rara

Deram-lhe os numes amigos;

Escolhe os teus castigos

O que infundir mais terror,

Mas por ela, só por ela

Seja o meu padecimento,

E tenha o intenso tormento

Na intensidade do amor.

 

Deixa alimentar teus corvos

Em minhas carnes rasgadas,

Venham rochas despenhadas

Sôbre meu corpo rolar,

Mas não me tires do lábios

Aquêle nome adorado,

E ao meu olhar encantado

Deixa essa imagem ficar.

 

Posso sofrer os teus golpes

Sem murmurar da sentença;

A minha ventura é imensa

E foi em ti que eu a achei;

Mas não me apagues na fronte

Os sulcos quentes e vivos

Daqueles beijos lascivos

Que já me fizeram rei.

 

   

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Pausa até quarta no “anti-jornalismo”

Para cumprimento de compromissos pessoais, este blogueiro viaja hoje e só retorna à lida virtual na próxima quarta-feira. Neste iterregno, será dada uma pausa à atividade classificada aqui, por Anthony Garotinho, como “anti-jornalismo”. Mas tudo bem, até porque se por jornalismo o nobre deputado entende a “entrevista” ditada por ele na edição de hoje de O Diário, este misto mal ajambrado de blogueiro e jornalista assume o antônimo com sincero orgulho. 

Agora, cá pra nós, “As vítimas sou (sic) eu e Rosinha” é de fazer rir. E não apenas pelo péssimo português…

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Prefeita Rosinha coordena manifestação em prol dos royalties no Rio de Janeiro

Uma grande manifestação em defesa dos royalties do petróleo será realizada no Rio de Janeiro, no dia 17 de outubro, às 16h, na Cinelândia, com a coordenação da prefeita Rosinha Garotinho e da bancada federal fluminense, com apoio da sociedade civil organizada.

O secretário de Governo, Geraldo Pudim, cita que a prefeita Rosinha, os deputados federais Anthony Garotinho e Paulo Feijó discutiram amobilização nesta quarta-feira, em Brasília, com os senadores fluminenses Lindberg Farias, Francisco Dornelles e Marcelo Crivella,entre outros membros da bancada federal.

A intenção é deixar a região mobilizada, porque o adiamento da análise do veto presidencial à emenda Ibsen Pinheiro não assegura benefícios aos municípios e estados produtores.

“A prefeita Rosinha está muito preocupada, porque o adiamento davotação não é nenhuma vitória para a região, porque não houve até agora a apresentação de proposta favorável aos municípios produtoresde petróleo. Pelo contrário, as informações são de que as perdas serão muito grandes se a União insistir em não abrir mão de uma parte maior de sua fatia dos royalties”, comenta Geraldo Pudim, que vai procurardirigentes de entidades civis organizadas que integram o Conselho Municipal de Desenvolvimento Sustentável (Comudes), para participarem da mobilização para o evento do dia 17 de outubro.

 

Leia o original aqui, no blog do Pudim… 

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Nahim se filia ao PPL depois de amanhã

 

O blog recebeu a informação de fonte quente, a mesma que adiantou, antes de todos, a última cassação da prefeita Rosinha (PR), pela 100ª ZE de Campos: a nova legenda de Nelson Nahim será o Partido Pátria Livre (PPL), cujo registro foi aprovado ontem pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A filiação do presidente da Câmara, junto de uma nominata forte, que teria os nomes de Ivanildo Cordeiro, Carlos Faria Café e Toninho Viana, já está programada para a próxima sexta-feira, depois de amanhã.

Até por impedimento legal, Nahim só será candidato a prefeito se Rosinha for realmente cassada. Caso contrário, tentará a reeleição como vereador.

A conferir…

 

Atualização às 18h16: Com outra fonte, o blogueiro acabou de confirmar que Nahim vai mesmo para o PPL. Ela não pode confirmar, no entanto, a entrada também de Cordeiro, Café e Toninho na nova legenda.

 

Atualização às 18h28: Ivanildo Cordeiro confirmou o convite feito por Nahim, na manhã de hoje, para que ele ingresse no PPL, visando se lançar candidato a vereador. O principal motivo para o ex-presidente municipal do PMDB aceitar, foi a acolhida também ao grupo que ele levará consigo do seu antigo partido.

 

Atualização às 18h37: Apesar de ter se declarado amigo de Nahim, Carlos Faria Café disse ao blogueiro que o presidente da Câmara não conversou nada com ele sobre a possibilidade de ingressar no PPL.

 

Atualização às 18h40: Ainda não está definido o horário da filiação de Nahim e Cordeiro ao PPL. O certo é que será mesmo depois de amanhã, na sexta. Quanto ao local, embora ainda não haja confirmação, estão sendo estudadas as possibilidades do Clube de Regatas Campista e do Automóvel Clube Fluminense.

 

Atualização às 18h56: O blogueiro acabou de falar com o ex-vereador e ex-vice-prefeito Toninho Viana, que confirmou sua ida ao PPL, junto com Nahim, no evento de filiação de depois de amanhã. Ele também se lançará candidato a vereador pelo novo partido.

 

Atualização às 20h54: Campista e Automóvel Clube já estariam locados para sexta-feira. O evento de filiação de Nahim ao PPL, ao qual já confirmaram presença Toninho Viana e Ivanildo Cordeiro, busca outro lugar. Quem informou foi a mesma fonte que garantiu que Café, embora tenha negado ao blogueiro, também teria confirmado sua filiação e presença.

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Recuo de Garotinho contra Nahim foi vitória dos que ecoaram tentativa de “golpe”

Parece que a denúncia feita aqui, no último sábado, pelo próprio presidente da Câmara, Nelson Nahim (sem partido), de que o deputado Garotinho tentaria destituir não só o irmão da presidência da Câmara, mas também o vereador Rogério Matoso da vice, surtiu efeito. Classificada aqui como “golpe” pelo jornalista Ricardo André Vasconcelos, com eco em muitos blogs locais e ampliado pelo megafone das edições virtual e impressa da Folha, a tentativa, que ontem chegou a se materializar num pedido do DEM, foi descartada para atender ao pedido do próprio Garotinho, como confessou aqui seu ex-aliado, ex-desafeto e novo aliado Paulo César Martins, presidente do diretório municipal do partido da base governista.

Na dúvida se Garotinho resolveu abrir o saco de bondades com Nahim, ou se simplesmente reavaliou o custo/benefício eleitoral de martirizar publicamente o próprio irmão, fica a certeza de que, se hoje teve o poder de determinar que PC Martins tirasse o pedido, ontem tinha igual poder para mandar fazê-lo. De qualquer maneira, o blog continua apostando no raciocínio lógico, externado aqui e aqui, da contraposição de cronogramas entre as possibilidades da cassação de Rosinha e da destituição de Nahim: o julgamento da prefeita pelo plenário do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) ocorre, no máximo, até o dia 27 de outubro (prazo revelado aqui), enquanto, mesmo que o pedido do DEM fosse aprovado na sessão de hoje da Câmara, com base no artigo 200 do seu Regimento Interno, a destituição de Nahim só poderia se consolidar lá pelo dia 10 de novembro.

Ou seja: antes de que o “golpe” fosse consumado contra Nahim, já se saberia, no mínimo duas semanas antes, se Rosinha permaneceu prefeita ou se o presidente da Câmara assumiu em seu lugar.

De qualquer maneira, não se pode negar que o vereador marcou um ponto importante no processo de ruptura política com seu irmão deputado. E, independente do apreço que se tenha (ou não) pela figura pública de Nelson Nahim, no que se refere exclusivamente ao mínimo de defesa institucional que se espera de um município da importância de Campos, de parabéns estão todos aqueles que, indistintamente, deram eco à denúncia do presidente da Câmara.

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Altamir revela detalhes sobre o “fiel da balança” na Câmara

Antes de tomar conhecimento do pedido de destituição da mesa diretora da Câmara, feito pelo DEM, e de apurar a reação de Nelson Nahim (de saída do PR) a ele, o blogueiro conversou com o vereador Altamir Bárbara (PSB). Ele garantiu que tanto ele, quanto seus colegas Adbu Neme (PSB), Dante Pinto Lucas (de saída do PDT) e Jorginhom Pé no Chão (PTdoB) assinaram, na última sexta-feira, a lista dos governistas que questionava juridicamente a posse de Nahim enquanto prefeito, cerca de 10 minutos antes de saberem, naquele mesmo dia, da decisão liminar que possibilitou Rosinha reassumir a Prefeitura por 30 dias.

Segundo Altamir, eles só não assinaram a lista desde a quinta-feira, quando ela foi apresentada aos vereadores governistas em reunião convocada por Rosinha (PR) na Prefeitura ocupada, porque os quatro buscaram primeiro falar com Nahim, para tentar fazê-lo adiar a posse, que já havia sido marcada para às 15h do dia seguinte. Apenas uma hora antes disso, na casa de Dante, os quatro vereadores conseguiram conversar com Nahim, encontro do qual também participou o deputado federal Paulo Feijó (PR), e os procuradores da Câmara e de Campos, respectivamente Helson Oliveira e Francisco de Assis Pessanha Filho.

Como a conversa se estendeu até quase às 15h, com Nahim cedendo no adiamento, no máximo, até às 16h do mesmo dia, embora tenha iniciado a sessão às 15h30, os quatro teriam chegando um pouco atrasados. Por outro lado, Altamir disse também entender a pressão sobre o presidente da Câmara para assumir a Prefeitura, já que se não o fizesse, cederia lugar ao seu vice, Rogério Matoso (PPS).  

Também sem saber do pedido pela destituição da mesa diretora, que integra como primeiro secretário, Altamir ressaltou que, após Nahim ter revalado aqui, no último sábado, que essa manobra política poderia ser tentada, buscou tomar conhecimento dela na sessão de hoje, junto a seus pares, mas não encontrou confirmação da parte de ninguém. Agora, com o pedido feito pelo DEM e já devidamente divulgado, veremos como os quatro vereadores se comportarão na sessão de amanhã.

Assim como Abdu revelou aqui, Altamir disse ter tentado dissuadir Nahim a não deixar o PR, mas também sentiu que a decisão dele era definitiva. Após oficializá-la ontem, a resposta veio pelo partido aliado de Garotinho menos de 24 horas depois.  

Como, mesmo que se inicia amanhã (o que é pouco provável) e corra o mais rápido possível, o processo de destituição da mesa diretora só se consumaria lá pelo dia 10 de novembro, quase duas semanas após o prazo final para o TRE decidir (aqui) se Rosinha permanece ou sai novamente da Prefeitura, definitiva é tudo que a posição dos quatro vereadores, fiéis da balança na Câmara entre Nahim e Garotinho, não precisa ser.

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