Abandono leva Clube de Atafona a risco de transmissão de dengue

No último domingo, caminhando entre as dunas de Atafona, o blogueiro flagrou e fotografou o quadro de completo abandono das piscinas do Atafona Praia Clube, cuja aparência, com águas paradas, verdes e fétidas, indicam ser lugar mais que propício à proliferação do mosquito Aedes aegypt, transmissor da dengue. Hoje, segundo informaram o coordenador de Vigilância em Saúde, Márcio Martins, e a diretora do Núcleo de Controle de Zoonoses de São João da Barra, Vera Cardoso de Melo, o perigo de proliferação do mosquito da dengue estaria sob controle, já que a Prefeitura, trimestralmente, aplica nas piscinas o inseticida Natular DT, fabricado nos EUA, na forma de pastilha. Márcio destacou possuir 136 agentes de combate à dengue no município, reunidos toda quinta-feira em forma de mutirão numa comunidade, com ações que levariam São João a ter, até o presente momento, apenas sete casos confirmados de dengue em 2013.
Vera também ressaltou que a situação sanjoanense, apesar da proximidade física, é bem menos grave do que a de Campos, que tem 4.008 casos e epidemia da doença decretada pelo Estado. Ainda assim, em relação ao abandono das piscinas do Clube de Atafona, ela é de opinião de que algo mais radical teria que ser feito:
— O mais correto ali seria colocar pelo menos um metro de areia em cada piscina, suficiente para absorver a água da chuva. O problema é que se trata de uma propriedade privada, que tem donos, só que esses donos nunca aparecem. Mora lá um responsável, um antigo funcionário do Clube, que abre a porta e acompanha os agentes para a colocação de inseticida. Antes, cheguei a colocar tilápias nas piscinas, já que os peixes comem a larvas do mosquito. E o que fizeram? Pescaram as tilápias e comeram. Acho que o Ministério Público, que sempre tem sido parceiro nas ações de combate à dengue na região, sobretudo na figura do Dr. Marcelo Lessa, poderia tomar uma providência mais enérgica.
Câmara — Autor do projeto de lei nº 019/13, que institui estado de alerta contra a dengue e dispõe sobre a prevenção e o controle da transmissão e a atenção primária à saúde nos casos de dengue no município, aprovado no dia 25 pelo Legislativo de São João da Barra (conforme informou aqui o blogueiro Cláudio Andrade), seu presidente, o vereador vereador Aluízio Siqueira (PMDB), também é favorável a se dar uma solução definitiva ao risco de proliferação da dengue nas piscinas do Atafona Praia Clube:
— Um vizinha do Clube trouxe ao meu conhecimento a denúncia do abandono das piscinas, através do facebook, e eu estive no local. Liguei para o Márcio e a Vera, que me garantiram que, através da aplicação de inseticida, a situação estava sob controle. Mas a solução mais eficaz, certamente, seria a colocação de areia nas piscinas.
Do apogeu ao abandono — Fundado na década de 50 do século passado, num projeto encabeçado pelo comerciante Pedro Kupratichini de Carvalho, pelo industrial Hugo Aquino e pelo proprietário rural Olivier Cruz, todos campistas, o Atafona Praia Clube teve seu auge nos anos 70 e 80. Até a década seguinte, suas atividades sociais, eventos e famosos bailes de carnaval, ainda rivalizavam com o Clube de Grussaí, na praia vizinha. A partir do avanço do mar, no final de 2007, sobre os fundos das suas instalações, justamente onde estão as piscinas, o imóvel foi condenado ao abandono. Já nesta fase decadente, seu último presidente foi José Dalton de Souza Pinto.
Longe de ser um problema novo, o abandono do Clube e os riscos de transmissão da dengue nas águas paradas das suas piscinas, vem sendo denunciado aqui, pelo jornalista da Folha João Noronha, em seu blog “Vento nordeste”, desde novembro de 2011.

