Opiniões

No resgate a Jesus e Francisco, o que o Papa trouxe de novo

Frei Betto, escritor e religioso
Frei Betto, escritor e religioso

Bem vindo, Papa Francisco!

Por Frei Betto

Bem-vindo aos nossos corações, nos quais gravou seu cativante sorriso e a simplicidade tão rara naqueles que, como você, galgam os degraus do poder.

Bem-vinda a sua ousadia evangélica de entrar no Brasil como Jesus em Jerusalém: não montado no cavalo branco dos imperadores, equivalente hoje às limusines blindadas, e sim no “burrico” de um carro de classe média, com o vidro aberto, sem nojo do cheiro de povo nem temor da acolhida calorosa da população.

Bem-vindo este nome, Francisco, para nomear um papa. O santo de Assis rejeitou, nas origens do capitalismo, o sistema produtivo que gerava concentração de riquezas e exclusão social, e que teve em Bernardone, pai do jovem Francisco, um dos pioneiros.

Bem-vindo à opção pelos pobres, à denúncia da corrupção dentro e fora da Igreja, e da “globalização da indiferença” diante dos fluxos migratórios provocados pela miséria semeada na África pelo colonialismo europeu.

Bem-vindo ao “colocar mais água no feijão” de todos que, “comprometidos com a justiça social”, não se cansam de “trabalhar por um mundo mais justo e solidário.”

Bem-vindo, Francisco, ao grêmio de todos que combatem a “cultura do descartável” e, como você, acreditam que “a medida da grandeza de uma sociedade é dada pelo modo como esta trata os mais necessitados, que não têm outra coisa senão a sua pobreza.”

Bem-vindo à Igreja “advogada da justiça e defensora dos pobres diante das intoleráveis desigualdades sociais e econômicas que clamam ao céu”, como você enfatizou ao fazer eco ao Documento de Aparecida. Não mais uma Igreja que, sob o pretexto de “não se meter em política”, se aninha à sombra dos ricos e poderosos, cala a voz de seus profetas, prega a cruz de Jesus mas se recusa a carregá-la por considerar difamações e perseguições uma maldição, e não uma bem-aventurança.

Bem-vindo à reforma da Igreja iniciada pela mudança que você imprime ao papado. Nada de arminho, cruz de ouro, sapatos vermelhos. “Acabou o carnaval!”, você advertiu ao quererem vesti-lo como um príncipe. Nada de tratá-lo por Sua Santidade, Sumo Pontífice, Santo Padre, e sim apenas por papa, bispo de Roma, servo dos servos de Deus.

Bem-vindo, Francisco, à urgência de abrir os altares aos sacerdotes casados e às mulheres vocacionadas ao sacerdócio; e os sacramentos aos casais que contraíram segundas núpcias.

Bem-vindo às Comunidades Eclesiais de Base, que você tanto valorizou em Aparecida, em 2007, ao fim do celibato obrigatório, à abertura do debate sobre todos os temas atuais relacionados à teologia moral: preservativo, homossexualismo, aborto, pílula do dia seguinte, célula-tronco etc.

Bem-vindo à reforma da Cúria Romana e à sua iniciativa de nomear uma comissão de oito cardeais dos cinco continentes para assessorá-lo na profilaxia da Igreja. Queira Deus que sejam extintos o Banco do Vaticano, e também as nunciaturas apostólicas, de modo a valorizar, no espírito colegiado do Vaticano II, as conferências episcopais.

Bem-vindo, Francisco, a esse mundo globocolonizado que tanto necessita de um papa que seja expressão de Jesus e São Francisco: tolerante, amigo dos pobres, misericordioso, alegre, servidor da justiça, capaz de respeitar as diferenças religiosas e denunciar as causas das desigualdades sociais.

Deus o conserve e Francisco de Assis o encoraje!

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Este post tem 8 comentários

  1. não precisamos de mais nada…. boa semana para vc, Aluysio!

  2. Papa Francisco em discurso para os Bispos no Rio, criticou a “ideologização” entre elas a influência marxista na igreja. Portanto Beto; ex padre vermelho comunista e adepto da famigerada “teologia da libertação”, por que não vai para Cúba!! Friso que o sr. não representa a Igreja Católica, nem os Católicos verdadeiros!

    Para não deixar dúvida é só ler a reportagem no Jornal o Globo que se segue:

    No discurso para bispos do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), no Centro de Estudos do Sumaré, o Papa Francisco criticou o que chamou de “ideologização” da mensagem evangélica. Isto é, interpretações do Evangelho que podem ir de um extremo ideológico a outro. Isso, que ele chamou de “Igreja tentada” (Igreja da tentação), foi visto por alguns como uma referência velada aos movimentos controversos da Igreja, como o Opus Dei, de extrema-direita, ou a Teologia da Libertação, de extrema-esquerda.

    O Papa listou propostas ideológicas que “aparecem” na América Latina e no Caribe. A primeira da lista foi:
    – O reducionismo socializante, que é a ideologização mais fácil de descobrir. Em alguns momentos, foi muito forte. Trata-se de uma pretensão interpretativa com base em uma hermenêutica de acordo com as ciências sociais. Engloba os campos mais variados, desde o liberalismo de mercado até a categorização marxista – disse o Papa.

    http://oglobo.globo.com/rio/papa-critica-ideologizacao-da-mensagem-do-evangelho-em-discurso-para-bispos-9245582#ixzz2aS5jcW2Y

  3. Novo Papa(Bergoglio) foi acusado de participar da ditadura argentina.

    Quando ouviu o nome do novo Papa, a argentina Graciela Yorio sentiu que o mundo caia sobre sua cabeça.

    Para ela, Jorge Mario Bergoglio, desde hoje o Papa Francisco, é “autor intelectual do sequestro do sacerdote jesuíta Orlando Yorio”, seu irmão, que em 1976 esteve cinco meses detido na Escola de Mecânica da Marinha (Esma, na sigla em espanhol), um dos principais centros clandestinos de tortura da última ditadura argentina (1976-1983).

    A história foi registrada no livro “O Silêncio”. As vítimas – Francisco Jalics e Orlando Yorio, que desapareceram por cinco meses – eram companheiros de Bergoglio na Companhia de Jesus, cuja congregação fazia trabalhos de ajuda social numa localidade do bairro de Bajo Flores.

    O Papa chegou a ser denunciado na Justiça por supostas ligações com o sequestro dos missionários, segundo uma fonte judicial do Palácio de Tribunais.

    Na última década, sinais mais claros das possíveis participações do novo Papa na ditadura começaram a aparecer na imprensa argentina.

    Mas foi em 2005, quando o jornalista Horacio Verbitsky acusou o então arcebispo de ter contribuído para a detenção, em 1976, de dois sacerdotes que trabalhavam sob seu comando na Companhia de Jesus, que as suspeitas ganharam força.

    Estela de la Cuadra, que até hoje procura sua sobrinha, Ana, nascida na mesa de uma delegacia em junho de 1977, assegurou que “a Igreja Católica escolheu uma pessoa que para nós, familiares de vítimas da repressão exercida pelos militares, foi cúmplice de um governo genocida”.

    A indignação de Graciela e Estele reflete, em grande medida, o clima que se viveu nesta quarta-feira em associações de defesa dos direitos humanos da Argentina.

    Nas sedes das Mães e Avós da Praça de Maio, entre outras ONGs locais, seus representantes receberam com surpresa e estupor o nome do novo Papa.

    Para este setor da sociedade argentina, acompanhado nas redes sociais por dirigentes esquerdistas, a escolha de Bergoglio foi difícil de digerir.
    As denúncias iniciais da participação do Papa na ditadura foram feitas por Emilio Mignone, em seu livro “Igreja e ditadura”, de 1986, quando Bergoglio não era conhecido fora do mundo eclesiástico.

    Mignone exemplificou a “sinistra cumplicidade” com os militares numa operação militar em que desapareceram quatro catequistas e dois de seus maridos.

    Segundo o livro do fundador do Centro de Estudos Legais e Sociais, sua filha, Mónica Candelaria Mignone, e a presidente das Mães da Praça de Maio, Martha Ocampo de Vázquez, nunca mais foram encontradas.

  4. Bem dito Francisco, o resgaste dos humildes com bem falou Frei Beto, e volta da Teologia da Libertação, a Igreja que se abre a todos, com ao receber o Ivanir um representante do Candoble e os Indios com sua mistica dos cocares, ao estar ao lado da juventude, um verdadeiro Woodstock Cristão, Paz e Amor, inclusive com o simbolo que o fundamentalistas pseudo evangelico chamam pejorativamente de Nova Era, e Viva a Nova Era, como bem falou Lauro Trevisam, vamos seguir em frente uma nova igreja, a construção de nossa catedral interior.

  5. Igreja Católica tem queda recorde e perde 465 fiéis por dia em uma década.

    Na última década, a Igreja Católica teve uma perda sem precedentes na História, embora continue a religião majoritária do País. Além da queda recorde na proporção de fiéis, a população católica encolheu pela primeira vez em números absolutos. Dados do Censo divulgados ontem mostram que em 2010 havia quase 1,7 milhão de católicos a menos que em 2000. Em média, a Igreja perdeu 465 fiéis por dia.

    Dados do Censo indicam que o total de católicos diminuiu 1,4%, enquanto a população brasileira aumentou 12,3%. Em 2010, havia 123,2 milhões de católicos no País; em 2000, eram 124,9 milhões. Em dez anos, a comunidade católica perdeu uma população equivalente à de Curitiba.

    Em 2010, 64,6% da população brasileira era católica. Houve uma queda de 12,2% em relação aos 73,6% de 2000, a maior perda proporcional desde o início da contagem da população, em 1872. Há 50 anos, a religião católica tinha predomínio absoluto, com 93% da população. Se for mantido o ritmo da última década, em 20 anos os católicos serão menos da metade da população.

    O crescimento dos evangélicos é a maior causa da queda dos católicos, embora também tenham crescido os brasileiros que se declaram sem religião e os de religiões minoritárias, como o espiritismo.

  6. De: Ucho Haddad – Para: Dilma Rousseff – Assunto: O pau que bate em Chico não bate no papa

    Dilma, sempre lembrando que abro mão da formalidade para garantir a fluidez do colóquio, o Brasil amanheceu envergonhado. A vergonha não é por causa do fiasco da segurança do papa, o que já era esperado, mas devido a sua postura como chefe de Estado. A diplomacia brasileira, Dilma, perdeu de longe para um bando de bugios famintos em plena selva. Que espetáculo chicaneiro, Dilma! Mesmo assim, preciso reconhecer que quando o assunto é abusar do ridículo você é “doutora honoris causa”.

    Vocês, soberbos petistas palacianos, são tão incompetentes que o único sentimento que desperta em mim é pena. Mas de forma alguma nutrirei esse sentimento por você e seus companheiros, pois se assim for tomam o País de assalto. Na verdade você gostaria que isso já tivesse ocorrido, mas os brasileiros de bem hão de resistir ao projeto dos saltimbancos da esquerda que sonham em “cubanizar” o Brasil.

    Pela primeira vez em mais de trinta anos de profissão, Dilma, senti dificuldade para escrever sobre as coisas do Brasil. Isso por causa da vergonha que tomou conta de mim. O fiasco protagonizado por você e sua horda foi tamanho, que a terça-feira amanheceu mais lenta e preguiçosa, como se, envergonhada, tivesse dificuldade para avançar no calendário. Que papelão! Ao longo de mais de cinco décadas jamais tive vergonha de ser brasileiro, mas você conseguiu quebrar essa sequência impune.

    Às vezes me pego pensando, Dilma, na dificuldade que é mentir para tentar convencer o povo de que tudo está bem e que você a versão de saias de Aladim. Sugiro que você tome cuidado com essa semelhança, pois seu neto, que ainda está na fase das fábulas, pode lhe confundir com o gênio da lâmpada maravilhosa. Essa sua falsa genialidade tem custado caro aos brasileiros. E ainda custará muito, pois somada à de Lula exigirá pelo menos meio século de esforço por parte da nação.

    Mergulhada em uma crise político-econômica que parece não ter fim, você foi uma péssima atriz ao tentar mostrar aos brasileiros uma suposta intimidade com o papa Francisco. Você é uma anti-Cristo conhecida e nada mudará a opinião dos brasileiros a seu respeito nesse quesito. Nos outros cada um é responsável por aquilo que pensa e acredita. Eu, assim como milhões de patrícios, tenho opinião formada sobre esse tema e outros tantos.

    Creio que se assistir às gravações do seu encontro com o papa, Dilma, você certamente há de se envergonhar de si mesma. Foram tantas gafes, que é impossível que isso não aconteça. Cheguei a pensar que sua capacidade cognitiva está depauperada, mas se isso for verdade é melhor você pedir para sair, pois o Brasil no momento precisa de gente com o raciocínio em ordem. E quem viu as cenas do seu encontro com o papa Francisco concluiu que pensar é a única coisa que você não sabe fazer.

    Primeiro você recebeu o papa ao pé da escada do avião que o trouxe da Itália e chacoalhou o braço do chefe da Igreja Católica como se cumprimentasse o dono de uma borracharia. O Chicão borracheiro, seu amigo de longa data. Dilma, a cena foi tão ridícula e deselegante que só faltou você dizer “e aí mano”. O papa não é um dos seus velhos companheiros de terrorismo, tema que ele abomina, assim como não é um dos seus camaradas que integram as Farc.

    Depois, Dilma, ao puxar conversa com o papa você, em diversos momentos, apontou o indicador na sua direção. Coisa de gente mal educada que se sobrepõe ao interlocutor para camuflar a própria incompetência. Fique tranquila Dilma em relação a isso, pois o mundo já sabe da sua incapacidade como presidente. Quem não ouviu dizer a esse respeito já percebeu o fracasso nos números da economia. Sua incompetência é tão grande, que se fosse o papa teria medo de colocá-la para tomar conta das hóstias do Vaticano. Sob sua responsabilidade certamente elas derreteriam, como aconteceu com o Brasil.

    Deixemos a pujante economia brasileira para um próximo e impertinente colóquio redacional, pois a bola da vez é o argentino Jorge Mario Bergoglio. Dilma, como se não bastasse aquele cumprimento que parecia um terremoto, coisa de leão de chácara de bordel, você, ao final do evento no Palácio Guanabara, beija o papa no rosto e bate nas suas costas como se ele fosse um velho conhecido. Por alguns segundos pensei que você tirar o papa para dançar, para encarar um “Hali-Gali”. Depois que você cantou e aplaudiu o Hino Nacional, tudo é possível.

    O papa exibiu elegância tão magistral, que você, Dilma, se apequenou diante de tanto cavalheirismo, dando espaço às suas atitudes ridículas. A grande questão é que você confunde lhaneza com cretinice. Sabe, Dilma, meu finado pai, que sempre agiu com firmeza comigo, repetia uma frase que ficou na minha memória. “Quando o sujeito é burro, peça a Deus que o mate e o diabo que o carregue”. Confesso que não desejo a morte de ninguém, nem mesmo do mais figadal dos inimigos, quem dirá de alguém por quem sinto pena. Contudo, Dilma, preciso admitir que a tal frase cai como luva na sua seara a qualquer momento. E se isso acontecer, gente para lhe carregar não há de faltar.

    Refeito do susto que levei ao vê-la beijando o papa, passei a analisar o seu comportamento ridículo, que envergonhou nove entre dez brasileiros. É notório o seu desespero diante da crise que chacoalha o Palácio do Planalto, mas de nada adianta fingir que é amiga de boteco do Bergoglio. Afinal, para ele você é uma ilustre e vexatória desconhecida. Assim, só posso concluir que ao ver o papa você se lembrou daquela frase “o pau que bate em Chico, bate em Francisco”. E por isso você sentou a pua no santo padre. Dilma, vá com calma, pois o papa não é o cofre do Adhemar!

    http://ucho.info/?p=72182

  7. Os adeptos da teologia da libertação têm a enganosa mania de pensar que quem não aceita esta teologia não trabalha pelos pobres e oprimidos e não se preocupa com eles; se acham os únicos defensores dos excluídos; é um grande erro. A Igreja em seus 2000 anos de vida sempre socorreu os desvalidos e ainda o faz, mas nunca precisou lançar mão de ideologias estranhas para isso; sempre agiu pelo puro amor a Jesus Cristo que sofre no doente, no preso, no faminto, etc. A Igreja não precisa que novos teólogos a ensinem a fazer caridade; ela a faz desde os Apóstolos, ela é “perita em humanidade”, como disse Paulo VI.

    Aprenda com o Padre Paulo Ricardo como a teologia da libertação se é na verdade a teologia de partido e encaixa na mentalidade revolucionária dentro do Marxismo Cultural e Revolução Cultural

    http://www.youtube.com/watch?v=jG81xG3vHQw

  8. Freibettofobia

    Rodrigo Constantino

    Em artigo hoje na Folha, Frei Betto discorda do Papa Francisco quanto aos gays:

    “Se uma pessoa é gay, procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu, por caridade, para julgá-la? O catecismo da Igreja Católica explica isso muito bem. Diz que eles não devem ser discriminados, mas integrados à sociedade. O problema não é ter essa tendência. Não! Devemos ser como irmãos. O problema é fazer lobby.”

    São palavras do papa Francisco ao deixar o Brasil, no voo entre Rio e Roma. A mensagem é esperançosa, mas, ao contrário do que o papa diz, o problema no Brasil é o lobby antigay, liderado pelo deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.

    Ou seja, para o Papa, o problema não são os gays, mas o lobby do movimento gay, que são coisas bem diferentes. Já Frei Betto pensa que o problema está em Feliciano e no lobby antigay. Dou razão ao Papa nessa divergência, ainda que a postura de Feliciano seja realmente condenável.

    O movimento gay tem cores autoritárias, intolerantes, e não se contenta em lutar por direitos individuais; quer enfiar goela abaixo dos demais sua visão de mundo, quase que obrigando todos a acharem a coisa mais linda do mundo um homem beijando outro homem.

    Além disso, há um claro ataque do movimento aos valores familiares tradicionais. Alguns querem inclusive retirar o nome de pai e mãe de documentos para não “ofender” filhos de casal gay. Absurdo dos absurdos.

    Em outras palavras, o movimento gay, coletivista, não enxerga indivíduos, mas apenas uma categoria monolítica, como todo movimento coletivista. E apela para a vitimização para conquistar privilégios e para impor uma agenda cultural perigosa. Tudo em nome da “tolerância” e da “diversidade”, sem tolerar diversidade alguma na prática.

    Frei Betto tenta dar uma aula sobre fobias em seu texto depois. Ele diz:

    Terapia é própria para obsessivos, como é o caso de quem odeia constatar que homossexual é uma pessoa feliz. Isto sim é doença: a homofobia, aliás, como toda fobia. E há inúmeras: desde a eleuterofobia, o medo da liberdade que, com certeza, caracteriza os fundamentalistas, até a malaxofobia, o medo de amar sobretudo quem de nós difere.

    Em primeiro lugar, cabe perguntar: por acaso todo gay é feliz? Eis um comentário estranho do autor, que usa o significado do termo “gay” para concluir algo sem sentido. Podemos ter gays felizes e bem resolvidos com sua situação, e podemos ter gays infelizes e profundamente angustiados com sua condição. Devemos olhar indivíduos, insisto.

    Sobre fobia, cabe perguntar: estamos falando, realmente, de medo? Quem tem medo de gay? Alguém por acaso olha um homossexual e sai correndo em pânico? De que? Parece claro que o termo é inadequado na largada. O que muitos sentem é certo desconforto, ou em alguns casos até mesmo repulsa natural, ao ver um homem beijando outro homem. Podemos debater se isso é fruto de preconceito, de herança social, ou do que for, mas não devemos chamar de medo uma reação de aversão.

    Curiosamente, Frei Betto fala de medo da liberdade (eleuterofobia). Ora, sabemos que Frei Betto é defensor do regime cubano até hoje, que, aliás, sempre perseguiu duramente os homossexuais (Che Guevara queria, esse sim, curar na marra os gays, ao contrário do pastor Feliciano). Alguém que aplaude a mais longa e sanguinária ditadura do continente deveria tomar mais cuidado ao falar em medo da liberdade. Na verdade, Frei Betto odeia a liberdade – dos outros. Por isso defende Fidel Castro.

    Sobre o medo de amar quem de nós difere (malaxofobia), cabe perguntar ao Frei Betto o que ele sente pelos capitalistas, pelos empresários que querem lucrar, pelos conservadores, pelos liberais, e sim, por reacionários religiosos como Marco Feliciano. Ele “ama” todos estes? Porque não foi isso que ficou parecendo no começo do artigo. Duplo padrão, a marca registrada da esquerda.

    Enfim, o texto de Frei Betto é mais um sinal de que é preciso redobrar o cuidado com esse movimento gay. Quando temos Frei Betto e Jean Wyllys, do PSOL, de mãos dadas entoando a defesa de uma causa, é melhor ficar de olho bem aberto. É quase certo que tomar o partido contrário irá te colocar no rumo certo. Sim, eu confesso que sofro de certa “freibettofobia”. É que eu vi o que aconteceu em Cuba. E disso sim, eu morro de medo!

    http://rodrigoconstantino.blogspot.com.br/2013/07/freibettofobia.html

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