Extenso ao elencar as realizações de Anthony Garotinho como deputado federal ou de Rosinha Garotinho como prefeita, o líder desta na Câmara Municipal e pré-candidato a deputado estadual, Paulo Hirano, foi lacônico ao responder sobre a possibilidade da esposa substituir o marido na corrida ao Palácio Guanabara: “A prioridade total é eleger Garotinho governador”. Embora tenha frisado falar apenas por si, ao se dizer valorizado dentro do grupo, Hirano disse não acreditar em mudança de lado por parte de vereadores governistas descontentes. Após admitir que quem for vitorioso na urnas de 2014, sai cacifado politicamente para 2016, ele adiantou o discurso à sucessão de Rosinha: “Ela implantou uma nova era na política de Campos. Não há outro caminho para melhorar a qualidade de vida da população. É preciso dar continuidade a esse modelo de gestão”.

Folha da Manhã – O que levou a trocar a Câmara Federal pela Assembleia Legislativa em sua pré-candidatura? Foi apenas para não atrapalhar o projeto de reeleição de Paulo Feijó (PR) a deputado federal?
Paulo Hirano – Acredito na política como o mais eficaz instrumento para melhorar a vida das pessoas, por isso, na última década, devotei minha vida a essa causa. Todos sabemos que é impossível fazer política sozinho. Então, faço parte do grupo político que melhorou muito a vida de nossa população nos últimos cinco anos. Basta olhar os indicadores; alguns ainda têm que progredir, mas todos avançaram. Por isso, mantive-me à disposição para somar, contribuir com esse progresso. Em um primeiro momento, meu nome foi cogitado para a Câmara Federal. Como a dinâmica da política é constante, eu fiquei mais confortável com os limites geográficos do nosso Estado. A estratégia desse segundo momento foi o lançamento do meu nome como pré-candidato à Alerj. Estou certo de que há muito a ser feito para melhorar a vida das pessoas que habitam o nosso Estado.
Folha – O apoio público dos irmãos Clarissa (PR) e Wladimir Garotinho (PR) à pré-candidatura de Bruno Dauaire (PR) à Alerj (aqui), tem causado ciúmes no seu grupo. Nele, como definir quais pré-candidaturas morrerão, ficarão feridas ou se salvarão para outubro? Até lá, haverá tempo para cicatrização de quem for preterido?
Hirano – Temos que considerar que somos todos de um mesmo partido, o PR. Tenho absoluta certeza de que no momento em que forem consolidadas as candidaturas na convenção, todos os candidatos terão o mesmo apoio público da pré-candidata à Câmara Federal, Clarissa Garotinho, e do presidente do PR Wladimir Garotinho, que, pelo posto ocupado, têm a obrigação ética de oferecer apoio irrestrito a todos os candidatos. No mesmo raciocínio, por se tratar de um grupo, o futuro das candidaturas será definido conforme as necessidades estratégicas do próprio grupo.
Folha – Sobre as pré-candidaturas de Bruno e Kitiely Freitas (PR), defendidas (aqui) por Clarissa, você e os edis Jorge Magal (PR) e Gil Vianna (PR) frisaram (aqui) ser nomes de outros municípios. Os vereadores de Campos que trabalham suas pré-candidaturas, enquanto defendem o governo Rosinha (PR), acreditam estar sendo valorizados?
Hirano – Ninguém desconhece que Bruno e Kitiely, jovens quadros do nosso partido, com um promissor futuro pela frente, são de outros municípios. Porém, todos também sabem que, este ano, a eleição é estadual e que a prioridade é eleger o governador. Quanto aos vereadores de Campos, posso responder por mim. Como líder do Governo Rosinha, o meu posicionamento de defesa tem sido reconhecido e a valorização deste trabalho está consolidada no convite feito pelo nosso líder, Anthony Garotinho, para que eu fosse pré-candidato à Assembleia. Mas essa valorização vem sendo demonstrada desde 2008, primeiro quando fui convidado para ser o vice-prefeito de Campos, o que só não aconteceu por uma questão de interferência partidária. Na sequência, fui nomeado secretário de Saúde; posteriormente, escolhido para ser um dos vereadores da bancada, e finalmente, líder do governo. Cargos à parte, a verdadeira valorização é saber que meu trabalho tem cumprido seu objetivo de mudar para melhor a vida da população e isso é reconhecido por grande parte da sociedade.
Folha – Não é segredo que a candidatura de Bruno (aqui) é um projeto pessoal de Wladimir, preterido (aqui) em sua própria pré-candidatura. Uma vez que ele é presidente do PR em Campos, qual limite deveria ter para apoiar um, em detrimento de outros?
Hirano – Conheço os dois e estou certo de que Bruno marcará uma importante posição para o PR em São João da Barra, município de crescente importância. E Wladimir nunca deixou de estar presente e apoiar minha caminhada na campanha para vereador. Tenho certeza de que também estará ao meu lado a partir do momento em que o partido me outorgar a vaga para concorrer a deputado estadual.
Folha – Você já disse não acreditar que descontentamentos entre vereadores governistas possam gerar migração à oposição, pelo menos até outubro, sendo endossado (aqui) pelo vereador Alexandre Tadeu (PRB), que se mantém rosáceo, mesmo apoiando Marcelo Crivella (PRB) a governador. Por que não pode ocorrer com Rosinha, na Câmara Municipal, o que o PMDB fez com Dilma (PT) na Câmara Federal?
Hirano – Podemos afirmar que são cenários diferentes. O que aconteceu na Câmara Federal foi uma condução política para contemplar os anseios de blocos partidários. A filosofia política e os anseios partidários que hoje imperam na Câmara Municipal se encontram em equilíbrio com os propósitos e ações do governo municipal, por isso não acredito em confronto entre poderes Executivo e Legislativo neste momento.
Folha – O vereador Marcão (PT) disse (aqui) que, por temer a possibilidade de derrota a governador, Garotinho tentaria antecipar a eleição da mesa diretora da Câmara de Campos, para mantê-la em mãos seguras, independente de outubro, no segundo biênio do governo Rosinha. Procede?
Hirano – Pura especulação…
Folha – Todos no PR ressaltam que o mais importante é eleger Garotinho governador. Nem Crivella, nem Luiz Fernando Pezão (PMDB), nem Lindbergh Farias (PT) descartam a possibilidade de Rosinha ser a candidata. A chance inexiste?
Hirano – A prioridade total é eleger Garotinho governador.
Folha – Garotinho é conhecido por trabalhar sempre com pesquisas. Em Campos, talvez elas sejam desnecessárias para constatar que a saúde é um dos principais motivos de críticas ao governo Rosinha. Como seu líder, mas também médico e ex-secretário de Saúde, em que esses questionamentos se justificam ou não?
Hirano – Como ex-secretário de Saúde, ex-presidente do Conselho Estadual dos Secretários Municipais de Saúde (Cosems) e atual presidente da Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal, posso assegurar que, em Campos, a saúde melhorou muito nos últimos cinco anos. Todos os indicadores externos, inclusive os do ministério da Saúde, mostram que Campos se encontra em um patamar de assistência superior a todas as cidades da região Norte/Noroeste, como também das grandes cidades, como Rio de Janeiro, Niterói e São Gonçalo. No entanto, é bom lembrar que saúde em todos os lugares será sempre motivo de críticas. É uma situação universalizada, pois, mesmo após resolvidos, os problemas na saúde renascem e se multiplicam em todo momento. Sempre teremos novas necessidades e críticas. A título de comparação, e falando em pesquisa, o IBGE divulgou esta semana dados que mostram que o Rio de Janeiro é o Estado que menos investiu em saúde pública do Brasil, apesar de ter a terceira maior população e o segundo maior PIB da nação. Apenas 7,3% do orçamento de 2012 do Estado foram direcionados para o setor, enquanto em Campos, direcionamos para a saúde cerca de 25% do orçamento em 2013. Não podemos esquecer que nosso município, quando fui secretário de Saúde, implantou e mantém até hoje o melhor e mais completo programa de imunização, referência para o país.
Folha – Quando finalmente estarão circulando em Campos as 82 ambulâncias contratadas com a Nova Master, que você garantiu (aqui) na Câmara ainda para março? Após o escândalo da GAP, com repercussão nacional, essa demora com a nova empresa não é um desgaste desnecessário?
Hirano – Desgaste esse que não foi provocado pelo governo municipal, que, inclusive, está cumprido uma decisão judicial para manter o contrato firmado com a Nova Master. O prazo até o final de março foi dado pela empresa, após efetiva cobrança da Prefeitura. Estamos aguardando o cumprimento do prazo, que ainda não venceu, pela empresa.
Folha – Gente como você, o vice Chicão de Oliveira (PP), ou o secretário de Comunicação Mauro Silva (PT do B), são em Campos elos de intersecção do garotismo onde ele é tradicionalmente mais fraco, junto ao eleitorado de melhor nível sócio-econômico. Consta que Garotinho está insatisfeito com suas intenções de voto nessa camada dos campistas. Como estão trabalhando para melhorar isso?
Hirano – Esta interpretação, neste momento, está equivocada. Vamos continuar trabalhando para desconstruí-la. Tenho certeza de que, principalmente, o eleitorado de nível sócio-econômico-cultural mais privilegiado já reconhece e enaltece o que Garotinho fez como deputado federal para Campos. Por serem bem informados, reconhecem o brilhante desempenho como parlamentar na defesa dos grandes temas nacionais, lutando pelos interesses coletivos, e já sabem que ele trouxe recursos para o município da ordem de mais de R$ 500 milhões, oriundos de emendas parlamentares e interferência direta junto aos ministérios, contemplando, assim, diversas áreas em nossa cidade e região. Para exemplificar, lembramos alguns: recursos para reformas e construção de hospitais e outras unidades de saúde, construção do novo Hemocentro Regional, Bairros Legais, escolas e creches, equipamentos como acelerador linear para radioterapia, além dos recursos para o Complexo Farol-Barra do Furado. Não podemos deixar de lembrar que, sem a sua interferência e condução quanto à defesa dos royalties do petróleo, estes recursos já não fariam mais parte da história dos estados e municípios produtores. Além disso, a maioria da população aderiu à filosofia política deste grupo, porque reconheceu e aprovou o modelo de governo, referendando a reeleição da prefeita Rosinha Garotinho, com mais de 70% dos votos no primeiro turno.
Folha – Você foi tema de matéria na Folha do último dia 2 (aqui), por dar respostas a indagações não respondidas pela Prefeitura. É isso mesmo: quer saber algo do governo, pergunte a Hirano? Até onde isso é virtude sua e até onde é falta de transparência do resto da gestão?
Hirano – Acredito estar desempenhando a missão a mim conferida, o papel de interlocutor do Executivo com a Câmara e, consequentemente, com a população. Entre as virtudes de um líder, temos que ter o domínio das informações para o conhecimento de causa e habilidade para defender as verdades dos fatos. É isso que temos buscado.
Folha – O que é mais fácil e mais difícil em liderar o governo Rosinha na Câmara de Campos?
Hirano – A dificuldade resulta do gigantismo do governo, das inúmeras ações e projetos realizados em todos os setores, que nem sempre chegam ao conhecimento e domínio de todos de forma plena e prontamente. A facilidade em liderar o governo Rosinha é pelo fato de representarmos um governo realizador de inúmeras ações positivas, que dignifica o ser humano e tem conseguido melhorar a qualidade de vida da população.
Folha – Consolidada sua candidatura a deputado estadual e conquistado o mandato, seu nome naturalmente se fortalece como opção governistas à sucessão de Rosinha, em 2016, que não poderá ser disputada por nenhum Garotinho?
Hirano – Como já disse, a dinâmica na política é constante e quando você faz parte de um grupo, as decisões são tomadas entre a liderança e o próprio grupo. Quanto ao fortalecimento dos eleitos, não temos dúvidas de que quanto maior o cacife eleitoral, maior é o peso político. Porém, existem outras importantes variantes que influenciam nas escolhas dos candidatos.
Folha – Em entrevista recente, o deputado federal Paulo Feijó disse (aqui) que considerava Rosinha a “prefeita de melhores resultados na história de Campos”. Concorda?
Hirano – Concordo pelo fato de termos uma prefeita que traz a experiência de ter sido governadora. Ela tem princípios filosófico-políticos que são norteados pela busca constante de governar para melhorar cada vez mais a vida da população, como tem demonstrado os resultados de sua administração. O que ela tem feito é cuidar da cidade e cuidar das pessoas, com a visão de um futuro melhor para todos. Dificilmente alguém vai superar o que a prefeita Rosinha Garotinho fez. Ela implantou uma nova era na política de Campos. Não há outro caminho para melhorar a qualidade de vida da população que não seja esse. É preciso dar continuidade a esse modelo de gestão.
Publicado na edição impressa de hoje da Folha.